quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Pezão é empossado e PMDB segue para 16 anos à frente do Governo do Rio de Janeiro


O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e o vice-governador, Francisco Dornelles (PP), tomaram posse de seus mandatos nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa. Reeleito com 55,8% dos votos válidos em segundo turno no ano passado, Pezão comanda o Palácio Guanabara desde abril, quando Sérgio Cabral (PMDB) renunciou para ajudá-lo na campanha eleitoral. Com o novo mandato de Pezão, o PMDB garantiu 16 anos à frente do Governo do Rio de Janeiro, principal trincheira do partido no País. Herdeiro de Cabral (2007-2014), Pezão chegou a ser secretário de governo de Rosinha Garotinho, eleita pelo PSB e convertida ao PMDB ainda em 2003. Pezão inicia um novo governo com cenário mais desafiador do que Cabral enfrentou em 2011, quando foi reeleito. Desta vez, o Estado do Rio de Janeiro sofre queda na arrecadação tributária e uma escalada na criminalidade. O programa de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), de ocupação policial em favelas, foi a principal vitrine para a reeleição de Cabral, mas entrou em crise com sucessivos recordes de policiais mortos e abusos praticados contra moradores. Depois de receber o cargo oficialmente na Assembléia Legislativa, Pezão seguiu para cerimônia no Palácio Guanabara, sede do governo em Botafogo, Zona Sul do Rio de Janeiro. 

Petista Fernando Pimentel toma posse em Minas Gerais com críticas a tucanos


Minutos antes de tomar posse como governador de Minas Gerais, o ex-ministro Fernando Pimentel (PT) aproveitou entrevista que concedeu na chegada à Assembleia Legislativa mineira para criticar a gestão dos tucanos. Desde 2003 o Estado era comandado pelo grupo político do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e, de acordo com o petista, o maior desafio que terá em mandato será mudar "o conceito de governo" de governo em Minas Gerais. "Vamos fazer um governo participativo. Vamos abrir o governo para a participação do cidadão e da cidadã. Não vamos governar trancados nos gabinetes", afirmou Fernando Pimentel. Ele disse ainda que a partir de sexta-feira sua equipe iniciará uma análise da situação do Executivo, que passa por problemas financeiros. A falta de informações sobre a situação econômica do governo foi uma das principais críticas da equipe de transição do petista ao longo do processo. Mas, segundo Pimentel, a análise não será usada para atacar seus antecessores. "A partir de amanhã vamos ter os dados necessários. Certamente com um prazo relativamente curto vamos apresentar a Minas um balanço da situação do Estado. Não um balanço financeiro, contábil, mas um balanço da situação geral, social, econômica, institucional, para que todos os mineiros e mineiras possam saber qual nosso ponto de partida", disse: "Não é um olhar para o passado. É um olhar para o futuro. De onde estamos partindo e aonde queremos chegar". Apesar de ressaltar que sua equipe ainda não tem conhecimento aprofundado das finanças estaduais, o governador já adiantou que 2015 será um ano "de ajustes", mas declarou estar animado com os desafios da gestão. "Sabemos que vai ser um ano de ajustes necessários para o Estado e para o País, mas um ano promissor também", salientou.

Alckmin toma posse, e PSDB completa 20 anos de governo em São Paulo


O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e seu vice-governador, Márcio França (PSB), tomaram posse nesta quinta-feira na Assembleia Legislativa do Estado. Alckmin deu início a seu quarto mandato como governador – o vigésimo ano do PSDB no comando de São Paulo, recorde no país. Este será o décimo ano de Alckmin como governador paulista. Ele fez um balanço de seu governo e emendou críticas ao governo federal. Em seu primeiro discurso de posse, Alckmin enumerou obras e investimentos de sua gestão, sem mencionar temas sensíveis ao governo, como a crise hídrica. “Muito avançamos, mas temos um trabalho hercúleo pela frente”, disse o tucano ao se dirigir aos deputados: "Muito avançamos, nobres deputados e deputadas, mas de nada adianta se não continuarmos seguindo em diante, enfrentando os desafios permanentes que transformam São Paulo na terra da superação. Divergência haverá aos borbotões, como sempre houve, mas nunca ameaças ou deslealdade de ambas as partes". Alckmin recebeu oficialmente o cargo da Mesa Diretora da Alesp, presidida pelo tucano Samuel Moreira. Ele foi recepcionado no Palácio Nove de Julho por deputados federais e estaduais eleitos, pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral, Antônio Carlos Mathias Coltro, pelo procurador-geral de Justiça, Márcio Fernando Elias Rosa, e pelo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, além de integrantes de sua equipe de governo. Antes da solenidade, o governador reuniu-se com líderes de sua base aliada. Alckmin seguiu para o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, onde deu posse no cargo aos seus secretários e discursou novamente. Alckmin usou um tom mais forte na sede do governo e criticou indiretamente o governo federal, a condução da economia e a corrupção. Ele construiu um pronunciamento contra os "falsos dilemas", como o antagonismo entre o "Estado mínimo e o Estado intervencionista", e pregou a colaboração da oposição. “Todos nós conhecemos os duros prognósticos para a economia nos próximos anos. O País poderá viver dias difíceis. Mas o discurso fácil do pessimismo só é mais fácil que o discurso do otimismo irresponsável que já nos custou muito caro", disse Alckmin: “Ou todos, incluindo governo e oposição, convergem para recuperar a economia e aprovar as reformas essenciais ou 2015 será outro ano perdido". O governador disse "vivemos em um país injusto" e defendeu que o Estado lidere o combate à pobreza dos indivíduos, mas "sem a pretensão de doutriná-los ou tutelá-los". "As políticas que servem para combater a pobreza extrema devem servir para libertar os homens, não para fazer deles objetos de uma nova servidão”, disse em referência aos programas federais de transferência de renda. O governador também mencionou a crise de abastecimento de água, ressaltando a "solidariedade e a participação da população" para superá-la. Em menção sobre as manifestações de rua que eclodiram no país nos últimos dois anos, afirmou que "o direito à livre expressão pode e deve conviver com a integridade física e o direito de ir e vir". No ano passado, Alckmin recebeu 12,2 milhões de votos, o equivalente a 57,31% dos válidos, e foi reeleito no primeiro turno. Ele superou com folga os dois principais candidatos de oposição: Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT). O tucano é um dos nomes cotados no partido para concorrer à sucessão de Dilma em 2018. Alckmin terá como principais desafios a crise de abastecimento de água no Estado e a entrega de obras de infraestrutura e mobilidade urbana, principalmente a expansão da rede de trens e metrô, além do prosseguimento das investigações contra o cartel de empresas que fraudou licitações no setor de transporte sobre trilhos. Alckmin assumiu o governo estadual pela primeira vez em 2001. Ele era vice-governador de Mário Covas, que inaugurou a série histórica no partido à frente do Estado, e morreu por causa de um câncer naquele ano. Alckmin foi reeleito em 2002. Ele renunciou em 2006 para concorrer à Presidência da República, mas foi derrotado pelo ex-presidente Lula. Na ocasião, o então vice-governador Cláudio Lembo, à época no extinto PFL, assumiu o mandato por nove meses, único período em que o PSDB não esteve no comando do Estado. Em 2010, Alckmin conseguiu voltar ao Bandeirantes ao derrotar no primeiro turno o petista Aloizio Mercadante, atualmente ministro da Casa Civil de Dilma Rousseff. “São Paulo não pode esperar um dia, um minuto, para oferecer ao país a sua parcela de luta. São Paulo nunca vai virar as suas costas ao Brasil”, disse Alckmin, repetindo trecho do discurso de posse de Mário Covas em 1999.