quinta-feira, 7 de maio de 2015

FORÇA TAREFA DA OPERAÇÃO LAVA JATO FAZ PEDIDO DE BUSCAS CONTRA SUSPEITO DE OPERAR PROPINA



A força-tarefa da Lava Jato encaminhou à Suíça um pedido de colaboração para que sejam feitas buscas e apreensões na residência e até no escritório do empresário Bernardo Freiburghaus, apontado como um dos operadores de propina no esquema de desvios da Petrobrás no país europeu. O pedido foi encaminhado no final de abril às autoridades suíças via Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça. Na solicitação, a força-tarefa da operação solicita que sejam localizados e até bloqueados ativos de Freiburghaus que, desde que a operação eclodiu no Brasil, passou a viver em Genebra, em um dos endereços de maior luxo da cidade suíça. Alvo da 9ª etapa da Lava Jato, que levou à prisão o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, o petista Renato Duque, Freiburghaus é apontado como um dos 11 operadores de propina na diretoria citado pelo delator Pedro Barusco e que entraram na mira das investigações neste ano. Segundo o ex-diretor da Petrobrás e também delator Paulo Roberto Costa, Freiburghaus foi o responsável por abrir e operar suas contas na Suíça por onde passaram ao menos US$ 31,5 milhões em propinas recebidas da Odebrecht. De acordo com o delator, foi o próprio diretor da Odebrecht Plantas Industriais, Rogério Araújo, que teria lhe indicado o operador na Suíça para abrir as contas onde eram recebidos os recursos a título de “política de bom relacionamento” da empreiteira com ele. Além disso, Freiburghaus é investigado também pelas autoridades do país europeu, que suspeitam que o brasileiro tenha contribuído para a lavagem de dinheiro decorrente do escândalo na Petrobrás e que acarretou no congelamento de US$ 400 milhões por parte das autoridades de Berna. Berna confirmou que sabia que o pedido seria feito e que já havia iniciado um levantamento das atividades do operador, que no país europeu usa sua identidade suíça para se apresentar. As contas já bloqueadas em nome dos ex-diretores da Petrobrás foram movimentadas por Freiburghaus, que tinha inclusive os códigos e procurações para fazer depósitos e saques em nome dos delatores. Um exame dos documentos ainda é uma das apostas dos suíços para tentar determinar se o operador sabia que o dinheiro era de fato fruto de corrupção e até que ponto ele reconhece que os depósitos foram realizados pela Odebrecht. Se essa suspeita for confirmada, Freiburghaus poderá ser investigado por lavagem de dinheiro, crime que o valeria de 3 a 5 anos de prisão na Suíça. Com este pedido, a força-tarefa tenta avançar nas investigações da Odebrecht, maior empreiteira do Brasil e suspeita de envolvimento com o cartel de empresas que cartelizava licitações na Petrobrás e pagava propina no esquema que abastecia caixas de PT, PMDB e PP. Ele se recusou a comentar o fato de que os ex-diretores da Petrobrás revelaram em delação premiada no Brasil que ele seria o operador que responsável pelas contas na Suíça, abertas para receber as propinas no escândalo revelado pela Operação Lava Jato. Quando foi informada sobre a delação de Paulo Roberto Costa, Odebrecht negou as acusações do ex-diretor e reiterou que não fez pagamentos ou depósitos para Costa e nem para qualquer outro executivo ou ex-diretor da estatal. Em Genebra, o operador passa grande parte do tempo em seu apartamento alugado e que está avaliado em mais de R$ 10 milhões. Pela noite, das janelas que dão acesso à cozinha, pode-se ver Freiburghaus com frequência. 

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