segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Angela Merkel pede que alemães não se deixem enganar pela extrema direito na questão dos imigrantes islâmicos


Em meio a relatos de um crescente número de pessoas aderindo a demonstrações anti-islã na Alemanha, a chanceler (chefe de governo), Angela Merkel, alertou aos alemães, nesta segunda-feira, 15, para que não sejam enganados pela extrema direita e sua retórica. "Existe liberdade de reunião na Alemanha, mas não há espaço para mentiras e incitação contra pessoas que vêm a nós de outros países", afirmou Merkel: "Todos (que participam) precisam tomar cuidado para não serem usados pelos organizadores do evento". Um grupo que se autodenomina Europeus Patrióticos Contra a Islamização do Ocidente (Pegida, na sigla em inglês) tem organizado manifestações semanais em Dresden, no leste da Alemanha. Os protestos estão crescendo em tamanho e chegaram a reunir 10 mil pessoas na semana passada. O protesto marcado para esta semana deve ser ainda maior. Embora os organizadores afirmem que lutam apenas contra o extremismo, e não contra os imigrantes muçulmanos na Europa, as reuniões têm recebido apoio de grupos neonazistas e de extrema direita, aumentando a preocupação sobre o crescimento do sentimento xenófobo no país. Partidos da oposição acusaram Merkel e sua coalizão de serem conservadores em sua resposta considerada "muito tímida" aos manifestantes que participam dessas demonstrações, sugerindo que ela tem medo de perder votos desses segmentos. A imigração tornou-se um assunto importante no país, em parte devido ao grande número de refugiados pedindo asilo na Alemanha. Mais de 150 mil pessoas, a maioria sírios, pediram asilo ao país em 2014, comparado aos 40 mil de 2013.

Polícia Federal colhe perfil genético de 62 condenados da Penitenciária de Catanduvas

Os juízes federais das varas criminais e da Subseção Judiciária de Curitiba, responsáveis pela execução penal do Presídio Federal de Catanduvas (PR), autorizaram a Diretoria do Sistema Penitenciário Federal, vinculada ao Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça, a proceder à colheita do perfil genético, mediante extração de DNA, dos presos recolhidos na penitenciária federal de segurança máxima. A medida, que também contou com o apoio do Ministério Público Federal, foi realizada com base na Lei 12.654/2012 e implica a colheita de verdadeira “impressão digital genética” dos presos para inclusão posterior no Banco Nacional de Perfis Genéticos. O procedimento indolor, mera extração de células da mucosa bucal com um cotonete, foi executado em novembro de 2014, pela Polícia Federal, por meio do Instituto Nacional de Criminalística, em 62 presos – selecionados por terem sido condenados pela prática de crimes hediondos ou praticados com grave violência contra a pessoa, especialmente homicídio qualificado, latrocínio, extorsão mediante sequestro com resultado de morte e roubo qualificado. A identificação do perfil genético não visa pesquisar traços somáticos ou comportamentais dos presos. Trata-se de uma ferramenta moderna e eficaz para a investigação policial. As informações inseridas no Banco Nacional de Perfis Genéticos podem ser cruzadas com o perfil genético de material biológico identificado no local da prática de um crime, propiciando a imediata identificação de seu autor. Os juízes consideram que o perfil tem o potencial de incrementar o índice de solução dos casos criminais, especialmente de homicídios, diminuindo a impunidade e igualmente reduzindo as chances de erros judiciários. A eficácia da medida depende da formação de bancos de dados abrangentes, com a coleta dos perfis genéticos em ampla escala, especialmente de todos os condenados no Brasil por crimes hediondos ou praticados com violência contra a pessoa, como prevê a Lei 12.654/2012. Os juízes federais avaliaram que, em razão do perfil dos presos recolhidos nas penitenciárias federais, seria oportuno iniciar, no âmbito federal, a implementação da lei no presídio de Catanduvas.

Petrobrás vale apenas um terço do seu patrimônio líquido, pior resultado desde 1996

A situação da Petrobrás retrocedeu 19 anos e se igualou à de janeiro de 1996, quando se considera a relação entre o valor de mercado e o patrimônio líquido, um dos parâmetros usados pelos analistas para avaliar o desempenho financeiro das empresas. A conta é do economista Einar Rivero, da consultoria Economática. Analisando os números, ele destaca que o mercado já chegou a avaliar a Petrobrás em 4,22 vezes o valor do patrimônio líquido, e hoje avalia em apenas 0,31%. Isso significa que a empresa vale apenas um terço do seu patrimônio. O valor de mercado - preço que o mercado está disposto a pagar pela empresa - é de R$ 114 bilhões. Já o patrimônio líquido é de R$ 360,7 bilhões, pelo último dado oficial de junho de 2014, citado no balanço do segundo trimestre. "O resultado é assustador", afirma Einar, lembrando que o patrimônio líquido tende a aumentar no balanço do terceiro trimestre, que a empresa não conseguiu publicar por causa da operação Lava Jato da Polícia Federal. "Se o denominador aumenta, o resultado da relação diminui ainda mais", explica o economista. As ações da empresa fecharam em baixa novamente nesta segunda-feira, 15. A Petrobras ON fechou em baixa de 9,94%, a R$ 8,52, menor valor desde 15/09/2004 quando fechou em R$ 8,4844. A Petrobras PN fechou em baixa de 9,20%, a R$ 9,18 menor valor desde 20/07/2005 quando fechou em R$ 9,1713. 

Sócia britânica da Petrobrás questiona Lava Jato sobre contratos do pré-sal

A gigante inglesa do setor petrolífero British Gas (BG Group) encaminhou à Polícia Federal questionamentos sobre as regras de “compliance” e “possíveis repercussões” da Operação Lava Jato envolvendo empresas terceirizadas em contratos do Pré-Sal, na Bacia de Santos. A companhia é uma das principais sócias da Petrobrás e se mostrou atenta aos problemas envolvendo seus negócios no Brasil e as empreiteiras denunciadas no maior escândalo de corrupção e propina do País: “O documento de folhas 18/115 trouxe aos autos questionamentos feitos pela British Gas acerca de regras de compliance e possíveis repercussões junto a Operação Lava Jato envolvendo as empresas SBM, Iesa, Engevix, Integra, Ferrostaal e Schahin, potenciais parceiras da multinacional". Os questionamentos foram feitos especificamente sobre o contrato para entrega de oito plataformas chamadas de FPSO (Floting Production Storage and Offloading) para o pré-sal, na bacia de Santos. São espécies de navios de produção, armazenamento e transferência de petróleo e gás natural, com escoamento por navios petroleiros, utilizados em pontos distantes da costa, em alto mar. “A BG faz parte de dois consórcios (M-S-9 e BM-S-11) juntamente com as subsidiárias da Petrobrás, Tupi BV e Guara BV, cujo escopo seria a instalação de oito FPSOs Replicantes junto a locações do Pré-Sal na Bacia de Santos”, informa o delegado Eduardo Mauat, em seus relatório final do inquérito envolvendo a Engevix, nos esquemas já aprofundados na Lava Jato. “Para tal empreitada a Petrobrás anunciou à imprensa a contratação das empresas DM Construtora de Obras/TKK Engenharia, Iesa Óleo e Gás, Tomé Engenharia/Ferrostaal Industrienalagen, Keppel Fels do Brasil, Jurong do Brasil Prestaçãop de Serviços e Mendes Jr. Trading Engenharia/OSX Construção Naval, vindo também a contratar a Engevix-Ecovix Construções Oceânicas para fornecimento dos casos dos FPSOs, seguindo-se diversos aditivos”, acrescenta o documento. Em 2013, a British anunciou que pretendia investir US$ 15 bilhões no Brasil até 2018, tornando-se o maior aporte de capital da gigante inglesa em países do mundo afora. A Polícia Federal informou que ainda vai aprofundar as investigações envolvendo o mercado offshore, que engloba os negócios das plataformas do Pré-Sal, os investimentos da área Internacional operados pelo lobista Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano – denunciado nesta segunda-feira, 15 – e também a Transpetro. Tanto Fernando Baiano como o presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, são ligados ao PMDB. “Destacamos que a área de off-shore ainda será objeto de aprofundamento em investigações futuras”, informa a Polícia Federal no relatório final. No documento, o delegado anexou informação da Petrobrás em relação a valores pagos à Engevix, uma das subcontratadas da parceria do grupo inglês com as duas subsidiárias, informando que quando a soma envolver os negócios de plataforma ele deve subir. “A Petrobrás informou o total de pagamentos feitos à Engevix, os quais totalizaram R$ 1,8 bilhão, acreditando-se tal cifra seja maior, somando-se os contratos consorciados e off-shore”, registra: “Consta ofício da Petrobrás informando que a Transpetro teria pago a Engevix R$ 9 milhões entre 2005 e 2012". 

Deputados esquerdistas fazem protesto contra Jair Bolsonaro durante ato de diplomação no Rio de Janeiro


O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) sofreu mais uma retaliação, pelas declarações sobre a deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) nesta segunda-feira (15) durante cerimônia de diplomação dos vencedores das eleições, no plenário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Quando Bolsonaro foi chamado para receber o diploma, cinco deputados do PSOL viraram de costas e levantaram cartazes com os dizeres “A violência contra a mulher não pode ter voz no Parlamento”. O deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) foi quem liderou o movimento. Freixo foi o segundo deputado mais votado no Rio de Janeiro, com 350.408 votos, ficando atrás de Bolsonaro que conquistou 464.572 votos. Bolsonaro não deixou barato, ao sair da cerimônia chamou o parlamentar do PSOL de “frouxo”. E completou, “Ele deveria ter botado uma melancia no pescoço para aparecer. O que esse idiota tem para apresentar à sociedade?”, afirmou o deputado.


Novos documentos comprovam denúncias de Venina e os motivos para que os corruptos da Petrobras a condenassem ao exílio em Cingapura


Documentos internos da Petrobras e mensagens encaminhadas por Venina Velosa da Fonseca, a geóloga que denunciou irregularidades, revelam que a diretoria atual não impediu um esquema de desvio de milhões de reais da companhia. Relatórios mostram que negociadores de óleo combustível de navio que atuam em Cingapura e em outros escritórios da estatal no exterior cobram comissões extras elevando os preços à Petrobras. Apesar das denúncias, esses "traders" não foram descredenciados até hoje. No entanto, a estatal afastou Venina do cargo e cortou o seu salário em aproximadamente 40% de seus vencimentos. Documentos aos quais o Valor teve acesso mostram que foi constatada a existência de um esquema de desvios envolvendo negociadores de óleo combustível de navio que atuam em Cingapura e em outros escritórios da estatal no exterior. Os "traders" detêm privilégios na estatal e, mesmo quando constatadas as irregularidades, não sofreram as penalidades aplicadas pelas demais empresas do mercado. Em vez de serem descredenciados para não mais negociarem com a empresa, eles receberam suspensões por curtos períodos e voltaram a trabalhar. Venina deverá depor nos próximos dias, em Curitiba, a autoridades que conduzem a Operação Lava-Jato, quando deverá apresentar detalhes dessas denúncias. Em nota à imprensa enviada na noite de sexta-feira, a companhia informou que "após resultado do grupo de trabalho constituído em 2012, a Petrobras aprimorou os procedimentos de compra e venda de bunker (combustível de navio), com a implementação de controles e registros adicionais". "Com base no relatório final", continua a nota, "a companhia adotou as providências administrativas e negociais cabíveis". "A Petrobras possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma não conformidade no período de 2012 a 2014", concluiu a estatal.

Mas relatórios internos concluídos recentemente mostram que a companhia sofre perdas nas negociações em preços de combustível de navio, na contratação de afretamentos e até no momento de descarregamento de petróleo. No segmento de produtos escuros - jargão do setor para bunkers e óleo combustível - foram verificados desde descontos anormais a apenas alguns clientes privilegiados até venda abaixo do preço de mercado e recompra a preço acima do mercado, no mesmo dia. A apuração dessas práticas foi feita por Venina no período em que ela comandou a unidade de Cingapura, entre fevereiro e novembro deste ano. A geóloga determinou a contratação de um escritório de advocacia naquele país que obteve cópias de mensagens trocadas entre os "traders". O objetivo era romper com o esquema. Numa dessas mensagens, um negociador de uma grande trading, sob o codinome de "Coco Prontissimo", diz a outro negociador credenciado da Petrobras que só ele poderia "proteger o negócio". Em outra mensagem, esse representante da trading internacional admite que terá que pagar comissão extra ao "trader" da Petrobras, identificado como Daniel Filho. Os diálogos foram considerados pelo escritório contratado por Venina como forte evidência ("strong evidence") de que a Petrobras estava sendo prejudicada pelos "traders". A geóloga criou comissões de apuração do esquema, chamadas de grupos de trabalho, e encaminhou relatórios sobre o assunto a seus superiores. Mesmo assim, a Petrobras manteve a atuação dos "traders" suspeitos. Ela recorreu, então, ao novo gerente executivo da área, Abílio Paulo Pinheiro Ramos. Ele é subordinado imediato de José Carlos Cosenza, o diretor de Abastecimento que preside a comissão de apuração de irregularidades e que declarou na CPI mista da Petrobras, em outubro, que nunca ouviu falar de desvios na estatal.

Em 26 de abril de 2014, a geóloga encaminhou um longo e-mail a Abílio descrevendo as irregularidades com que se deparou na companhia, a começar pelas dificuldades durante a gestão de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento, que foi preso na Operação Lava-Jato e resolveu delatar o esquema de desvio de dinheiro da estatal. Costa era o chefe imediato de Venina e as denúncias que ela fez de desvios na área de comunicação daquela diretoria e nos aditivos para a construção da Refinaria de Abreu e Lima fizeram com que fosse enviada para Cingapura, em fevereiro de 2010, onde pediram que não trabalhasse. Ao voltar, dois anos depois, a geóloga ficou cinco meses "numa sala sem nenhuma atribuição". Mandada novamente para Cingapura, Venina disse a Abílio que encontrou um "escritório inchado, totalmente desorganizado e sem controle". No e-mail, a geóloga contou que havia problemas no segmento de "escuros". "Enviei parte do material em caráter confidencial e pedi uma reunião na primeira hora." Ao chegar para a reunião, Venina disse que havia mais gente do que o previsto, inclusive potenciais envolvidos nas práticas suspeitas. "Estavam presentes todos os gerentes, coordenadores e consultores da área. Um público grande para tratar do assunto", escreveu. Ela disse que o objetivo da reunião foi o de convencê-la que estava errada. "Em vão. As evidências eram inegáveis", afirmou Venina. A primeira comissão de apuração, em Cingapura, ouviu empregados brasileiros e locais. A geóloga percebeu que o objetivo não era solucionar os problemas apontados por ela. "Fui procurada por um dos empregados locais que se dizia constrangido pelo seu depoimento não estar formalizado e que isso o exporia perante a legislação de Cingapura", disse. As leis daquele país equiparam a pessoa que sabe de um caso de corrupção à mesma situação do criminoso responsável pelo desvio de dinheiro. Em seguida, foi feita uma auditoria e outra comissão de apuração, sem resultados práticos. Ela contou a Abílio: "Recebemos vários e-mails nos orientando a continuar negociando com as empresas envolvidas nas fraudes. Confesso que prontamente recusei a orientação. A partir daí passei a ser chamada de inflexível".

Após ser convocada para depor nas comissões de apuração de irregularidades de Abreu e Lima, a geóloga descobriu que pessoas informadas por ela de irregularidades, no passado, faziam parte dessas comissões. Em 19 de novembro, ela foi comunicada por Abílio que seria destituída de sua função no comando da unidade de Cingapura. Venina telefonou a Cosenza e enviou um e-mail para Graça Foster, a presidente da Petrobras.  Graça respondeu que o caso dela seria tratado por Cosenza e Nilton Maia, chefe do Departamento Jurídico. A geóloga não recebeu o relatório sobre as causas de sua destituição e encaminhou uma notificação para a direção da estatal. A Petrobras disse, em nota enviada na sexta-feira, que Venina "foi destituída da função de diretora presidente da empresa Petrobras Singapore Private Limited em 19 de novembro de 2014, após o que ameaçou seus superiores de divulgar supostas irregularidades caso não fosse mantida na função gerencial". Na verdade, o que Venina fez, segundo demonstram documentos, foi pedir para voltar ao Brasil, pois estava em licença médica e precisava fazer exames no INSS para receber salário. Um DIP - Documento Interno da Petrobras - assinado por Abílio, em 3 de novembro de 2014, diz que a geóloga encontra-se "em missão de longa duração na Petrobras Singapore", onde exercia a função de gerente-geral. "Recentemente, a empregada manifestou interesse em antecipar o término de sua missão", continua o DIP, sublinhando que a missão estava prevista para terminar apenas em 30 de junho de 2015. Após verificar que os problemas que apontou não seriam resolvidos, a geóloga foi diagnosticada com "transtorno de ansiedade" por uma clínica médica, em Cingapura. "Estou com meus ganhos reduzidos, meu retorno ao País impossibilitado e sofrendo claro assédio comprovado pelos atos e comunicados a mim enviados", disse a geóloga, num e-mail enviado, em 9 de dezembro de 2014, a Cosenza e a diretores da Petrobras Cingapura. "O descumprimento dos procedimentos de meu retorno demonstram que estou sendo mantida doente no Exterior por negativa dos meios de retorno ao Brasil. Se mantida essa posição, não só informarei o fato ao Ministério Público do Trabalho, ao sindicato e ao Judiciário, mas também à mídia", alertou a geóloga, que teve um corte de 40% em seu salário. (Valor Econômico)

PIB da petista Dilma Rousseff despenca ainda mais: 0,16%


Os analistas de mercado reduziram, pela quarta semana consecutiva, a estimativa para o crescimento da economia brasileira neste ano, de acordo com o boletim Focus, do Banco Central. Eles também cortaram, pela terceira vez seguida, a projeção para 2015. As apostas para juros e inflação deste e do próximo ano ficaram inalteradas. A mediana das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2014 caiu de 0,18% para 0,16%. Também nesta segunda-feira, o Banco Central informou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) caiu 0,26% em outubro ante setembro, feito o ajuste sazonal e, com isso, o acumulado no ano marca recuo de 0,12% na atividade. O IBC-Br serve como um indicador antecedente do PIB. Para 2015, o Focus mostra que a mediana das projeções caiu de 0,73% para 0,69%. Quanto à produção industrial, a estimativa seguiu em queda de 2,50% neste ano, mas para 2015 houve ajuste para baixo, de alta de 1,23% para crescimento de apenas 1,13%. Os analistas consultados pelo Focus mantiveram a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 6,38% em 2014 e em 6,50% em 2015 e não alteraram a projeção para a Selic ao fim de 2015, que ficou em 12,50%. Os analistas Top 5, os que mais acertam as previsões, que estimavam o juro em 12% no fim do ano que vem elevaram a projeção para 12,50%. Atualmente, a taxa básica de juros da economia está em 11,75%. Para a inflação, as apostas do Top 5 foram mantidas em 6,28% e em 6,20% em 2014 e 2015, respectivamente. A projeção do mercado para a inflação em 12 meses teve leve desaceleração, de 6,63% para 6,62% e, para este mês de dezembro, seguiram em 0,75%. Embora não tenham alterado a projeção do IPCA no ano, os analistas ajustaram suas estimativas para os preços administrados e o dólar, duas importantes fontes de pressão inflacionária. A mediana dos administrados neste ano subiu de 5,30% para 5,40% e no próximo saiu de 7,20% para 7,48%. Também o dólar saiu de R$ 2,55 para R$ 2,60 ao fim de 2014 e de R$ 2,70 para R$ 2,72 em 2015. (Valor)

CPMI da Petrobras - a Oposição pedirá a demissão da petista Graça Foster em relatório paralelo


O relatório paralelo que a oposição pretende apresentar esta semana na CPI mista da Petrobras irá questionar a atuação da presidente da empresa, a petista Graça Foster, diante das irregularidades já constatadas e pedirá o afastamento dela. O documento, que está sendo elaborado pelo deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), será discutido na noite desta segunda-feira entre líderes da oposição. Uma coisa já está certa: ao contrário do que foi apresentado na semana passada pelo relator oficial da CPI, deputado Marco Maia (PT-RS), o novo texto irá citar nomes de políticos. Falta definir quem será indiciado. Graça Foster, no entendimento da oposição, teria prevaricado ou se omitido diante dos e-mails que lhe foram encaminhados pela ex-gerente da empresa Venina Velosa da Fonseca. As mensagens foram enviadas em 2009 e 2011, quando Graça Foster ainda não presidia a Petrobras, e em 2014, quando já estava à frente da companhia. No material, Venina pedia à então diretora de Energia e Gás ajuda para concluir um texto sobre problemas identificados na estatal. Em 7 de outubro de 2011, mandou mais informes a Graça Foster, relatando um esquema na área de comunicação e obras da diretoria de Abastecimento, cujo diretor era Paulo Roberto Costa. Em depoimento à CPI, Graça Foster negou que soubesse dos problemas na empresa, embora os e-mails revelados agora demonstrem o contrário. – Ou ela se omitiu ou prevaricou – disse o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE). O parlamentar adiantou que o relatório também vai citar nomes dos principais suspeitos de terem participado do esquema que desviou milhões da Petrobras. É o caso dos diretores da estatal e das empreiteiras, que já foram denunciados pelo Ministério Público Federal, e do tesoureiro do PT, João Vaccari, que, embora não tenha sido denunciado, é alvo de denúncias de que receberia dinheiro para financiar o PT. Mendonça adiantou que irão pedir o indiciamento dele. O líder do PSDB na Câmara, Antônio Imbassahy, disse que o documento que está sendo elaborado pela oposição irá citar também o nome do ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra. Ele foi acusado por Paulo Roberto Costa de receber dinheiro de propina para que ajudasse a esvaziar uma CPI criada em 2009 para investigar a Petrobras. Sérgio Guerra faleceu em março deste ano. "Não há por que não citar", disse Imbassahy. Há um debate entre os oposicionistas da CPI sobre o papel da presidente Dilma Rousseff, que esteve à frente do Conselho de Administração da Petrobras quando houve a compra da refinaria de Pasadena. A oposição deve poupá-la no momento, mas pode registrar que, em uma futura CPI, no próximo ano, há que se apurar a atuação do conselho nas ações da empresa. Os parlamentares do DEM, PSDB e PPS avaliam que, caso o nome de Dilma fosse citado no relatório paralelo, os governistas poderiam acusá-los de golpismo e transformar a presidente em vítima. (O Globo)

José Ivo Sartori anuncia grande parte dos seus secretários de Estado


O governador eleito do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori (PMDB), anunciou na tarde desta segunda-feira, no Centro de Treinamento da Procergs (Companhia de Processamento de Dados do Estado) a lista de dois terços do seu secretariado. Os nomes são os seguintes:
Ernani Polo (PP) - Agricultura
Gerson Burmann (PDT) - Obras, Saneamento e Habitação
Lucas Redecker (PSDB) - Minas e Energia
Pedro Westphalen (PP) - Transportes e Mobilidade
Vieira da Cunha (PDT) - Educação
Vantuir Jacini - Segurança Pública
Miki Breier (PSB) - Trabalho
João Gabardo - Saúde
Ana Pellini - Meio Ambiente
César Faccioli - Justiça 
Com isso, já estão definidos os comandantes de 13 pastas. No início do mês, Sartori anunciou os três primeiros nomes dos seus secretários, todos peemedebistas: Carlos Búrigo na Secretaria-Geral do Governo, Giovane Feltes na Secretaria da Fazenda e Márcio Biolchi na Casa Civil. Sartori afirmou que anunciará pelo menos mais seis nomes até o fim do ano. De acordo com o governador eleito, o número de secretarias não deve passar de 21.

Superior Tribunal Militar diz que relatório da Comissão da Verdade é injusto

O Superior Tribunal Militar divulgou nota em que critica o relatório final da Comissão Nacional da Verdade e diz que o documento chegou a conceitos "inverídicos, injustos e equivocados" sobre a atuação do órgão. No relatório, divulgado na última quarta-feira (10), a CNV escreveu que a Justiça Militar "consolidou-se (...) como verdadeiro arauto da ditadura (...); colaborou ativamente para a institucionalização das punições políticas" e "omitiu-se diante das graves violações de direitos humanos denunciadas por presos políticos, seus familiares e advogados". Para o STM, a atuação da corte respeitou os direitos humanos e garantiu a ampla defesa dos acusados. "Se a Comissão pretendia, no tocante à Justiça Militar da União, elucidar fatos daquela época, não cumpriu o seu mister. Na verdade, os processos constantes dos arquivos desta Corte demonstram exatamente o contrário. O Poder Judiciário só age quando acionado e a JMU, à época dos fatos, assegurou os princípios garantistas e os direitos humanos", diz a nota. A Justiça Militar ainda destaca que diversos advogados de renome que atuaram no período da ditadura evidenciaram espírito democrático e respeito à dignidade humana da Corte. Cita, nominalmente, Sobral Pinto, Heleno Fragoso, Evaristo de Moraes e Técio Lins e Silva. "Entende-se, como inverídicos, injustos e equivocados, os conceitos contidos no relatório da Comissão Nacional da Verdade, a respeito da Justiça Militar da União, cuja atuação tem contribuído à estabilidade pátria desde a sua criação há 206 anos".

Standard & Poor's diz que compromisso com a estabilidade pode evitar queda da nota de risco do Brasil

O comprometimento do Brasil com políticas prudentes e com a estabilidade econômica é necessário para evitar que o rating do País passe para uma perspectiva negativa, disse nesta segunda-feira (15) Sebastian Briozzo, analista da agência de classificação de risco Standard & Poor's. "O Brasil vai ter um time econômico novo com força, mas ao mesmo tempo nós vemos um novo empréstimo (do Tesouro) ao BNDES. Os sinais estão aí, mas não são todos claros", disse Briozzo em um evento sobre reavaliação do risco Brasil, realizado no Rio de Janeiro. O rating do Brasil está com perspectiva estável desde março, quando a S&P cortou a nota soberana para "BBB-", a faixa mais baixa da categoria de grau de investimento.

Petrobras sobe em 15% preço do gás liquefeito para comércio e indústrias

A Petrobras autorizou aumento médio de 15% no preço do GLP (Gás Líquido de Petróleo) destinado a usos industrial, comercial e a granel. O aumento, que não atingiu o gás comercializado em botijões e nem o produto encanado que vai para as residências, passou a valer no último sábado (13) e deve ser repassado às distribuidoras ainda esta semana. Conhecido popularmente como "gás de cozinha" ou "gás de botijão", o GLP tem outros usos além da cocção de alimentos. Segundo a estatal, o GLP comercializado em botijões de 13 quilos e que é destinado ao uso residencial, não sofre reajuste desde 2002. Uma alta desse produto, que representa 75% do mercado do gás liquefeito, teria impacto na inflação. O gás que teve reajuste foi, por exemplo, o usado em hotéis, no aquecimento de água e ambientes, em restaurantes, para cocção de alimentos, e nas fábricas. O GLP é utilizado em funções menos complexas na indústria, como acionar maçaricos e esquentar equipamentos. Para atividades como manter ligado um alto forno, por exemplo, o gás utilizado é o gás natural. Segundo a Petrobras, que é quem detém o monopólio da produção, o consumo de GLP nos setores comercial e industrial representa 25% do mercado. 

Petrobras cai mais de 9% e afeta Bolsa; dólar renova maior valor desde 2005

Após ter começado o dia no azul, o principal índice da Bolsa brasileira inverteu a tendência para queda ainda pela manhã e fechou esta segunda-feira (15) no vermelho, acompanhando a forte aversão ao risco nos mercados internacionais. O movimento seguiu uma virada nos preços do petróleo para baixo, que voltaram a atingir seu menor patamar em mais de cinco anos. O cenário negativo aumentou a demanda por aplicações consideradas mais seguras, como o dólar, fazendo com que a moeda americana ganhasse força sobre as principais divisas globais. Em relação ao real, o dólar voltou a atingir sua maior cotação desde março de 2005. O Ibovespa teve queda de 2,05%, para 47.018 pontos. É o menor nível desde 19 de março deste ano, quando atingiu 46.567 pontos. O volume financeiro foi de R$ 10,977 bilhões, impulsionado pelo vencimento de opções sobre ações (quando termina o prazo de contratos que aposta no preço futuro dos ativos), que representou R$ 3,588 bilhões do total. As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras caíram 9,20% no dia, para R$ 9,18 cada uma. É o menor valor desde 14 de junho de 2004, quando custavam R$ 9,08 cada uma. Já as ordinárias (com direito a voto) cederam 9,94%, para R$ 8,52 –menor preço desde os R$ 8,43 registrados em 5 de novembro de 2003. No câmbio, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, teve valorização de 0,97% sobre o real, para R$ 2,688 na venda –maior cotação desde 29 de março de 2005, quando estava em R$ 2,701. Já o dólar comercial, usado no comércio exterior, subiu 1,28%, para R$ 2,685. Também é o valor mais elevado desde os R$ 2,698 registrados em 29 de março de 2005.

Em reunião com Dilma, organização terrorista clandestina MST repudia indicação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura

Em encontro com a presidente Dilma nesta segunda-feira (15), representantes da organização terrorista clandestina MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) criticaram a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) para o ministério da Agricultura. "Kátia Abreu representa o agronegócio, o atraso, o trabalho escravo. E representa, principalmente, em seu Estado a grilagem de terra", afirmou Alexandre Conceição, coordenador nacional do movimento, após o encontro. Segundo ele, o MST "deu o seu recado". 


"Temos colocado sempre que a nomeação da Kátia Abreu é uma simbologia muito ruim para aquilo que foi a eleição nas ruas, quando os movimentos sociais garantiram a vitória da presidenta Dilma", disse. Conceição afirmou que o MST pediu mudanças também na composição atual do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e do Incra. Mas disse que o movimento não apresentou nomes para os ministérios. "Nossa tarefa histórica é a luta pela terra pela reforma agrária e não participar de governo", afirmou. O MST pediu ainda o assentamento de 120 mil famílias até julho do ano que vem e a criação de um plano de metas para assentar, no mínimo, 50 mil famílias por ano até 2018. 

Cana de açúcar deixa de atrair investimentos estrangeiros no Brasil


Com o agravamento da crise no setor sucroalcooleiro, o avanço de grupos estrangeiros no País foi interrompido. De acordo com especialistas, a retomada só deverá ocorrer quando a rentabilidade das usinas voltar a ficar atraente. A entrada dos "gringos" no setor começou no ano 2000 e se intensificou entre 2007 e 2009, quando boa parte das usinas nacionais estava altamente endividada por causa da expansão de capacidade realizada nos anos anteriores. Com a crise financeira global, muitos grupos nacionais foram obrigados a vender parte ou até o controle de seu capital, mas agora mesmo as empresas estrangeiras passam por dificuldades. "Quando chegaram ao País, os grupos internacionais foram atraídos pelo potencial de mercado que o etanol poderia conquistar, com o crescimento das vendas de carros flex (abastecidos com álcool ou gasolina) e as perspectivas de crescimento das exportações do combustível", disse Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da consultoria Canaplan. "A primeira gestão do governo Lula estimulou investimentos. Depois, o governo passou a dar prioridade ao pré-sal, deixando de lado os combustíveis renováveis", disse uma fonte. "É difícil para um grupo estrangeiro ter de explicar para sua matriz que o governo mudou de uma hora para outra as políticas de incentivos. Boa parte das estrangeiras que entraram no País também passa por dificuldades", acrescentou. Neste cenário desanimador, empresários ameaçam abandonar o setor. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, as famílias Junqueira Franco e Biagi, que já figuraram entre os grupos sucroalcooleiros mais poderosos do Brasil, negociam com um pacote de remuneração para deixar a Biosev, braço de açúcar e etanol do grupo francês Louis Dreyfus. Sem poder de voz e insatisfeitos com o rumo tomado pela companhia, as duas famílias devem seguir caminhos próprios. Atualmente, cerca de 30% da produção de cana-de-açúcar do País está nas mãos de companhias estrangeiras, de acordo com levantamento da consultoria Datagro. Das cinco maiores companhias do setor, quatro têm participação de capital estrangeiro: Raízen (joint venture entre a brasileira Cosan e anglo-holandesa Shell), Dreyfus, Bunge e Tereos lideram o ranking. A Odebrecht Agroenergia é a única que ainda não tem sócio relevante de fora. Em meio ao mau momento do setor, muitas companhias estão à venda, mas a maior dificuldade é encontrar comprador para esses ativos. No entanto, a expectativa de que o governo possa aprovar a retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), tributo sobre a gasolina, e elevar a mistura do álcool na gasolina, de 25% para 27,5%, poderá dar fôlego às usinas. Segundo uma fonte do mercado financeiro, já há fundos nacionais e estrangeiros que vislumbram oportunidades. "Poderemos ver investidores estratégicos de olho na produção da commodity, mas o momento de troca de controle a preços elevados acabou", disse Plinio Nastari, da Datagro.

Polícia australiana invade cafeteria em Sydney; sequestrador e dois reféns morrem


A polícia australiana invadiu a cafeteria em Sydney onde pessoas eram mantidas reféns por um homem armado desde a manhã de segunda-feira, pelo horário local. Pelo menos sete pessoas foram retiradas do café em macas. A polícia de New South Wales afirma que três morreram: um homem de 34 anos, uma mulher de 38 anos e o sequestrador. Não foi divulgado se o sequestrador executou as vítimas. Outras três pessoas, entre elas duas mulheres e um policial, ficaram feridas. Familiares disseram que uma brasileira estava entre os reféns. Marcia Mikhael, natural de Goiás, teria sido libertada com vida na operação policial, de acordo com informações publicadas por parentes nas redes sociais. O Itamaraty ainda não confirmou os relatos sobre a brasileira.  O cerco foi encerrado
Brasileira Marcia Mikhael era uma das reféns
após quase dezessete horas de tensão. O sequestrador, identificado como Man Haron Monis, um cidadão iraniano que morava na Austrália, invadiu o local por volta das 9h45 (20h45 da noite de domingo, no horário de Brasília). O café fica em Martin Place, no coração do centro financeiro e comercial da cidade, onde estão instalados o banco central do país, as sedes de grandes bancos privados e o gabinete do primeiro-ministro Tony Abbott. Segundo a imprensa australiana, depois de nove horas de silêncio dentro do estabelecimento comercial, pouco depois das 2 horas da manhã, o estrondo de uma porta alertou as equipes de que os reféns estavam se preparando para sair. Um homem deixou o local com as mãos para o alto. Em seguida, mais cinco pessoas correram para fora. Um segundo estrondo foi ouvido, e a sétima pessoa correu em direção aos policiais. Ouviu-se então o estampido de uma arma de fogo, e as equipes de resgate invadiram o café. Vários tiros foram ouvidos em seguida, além de bombas de efeito moral. Em meio à confusão, vários reféns foram retirados da cafeteria. Ao menos sete pessoas foram levadas em macas. Três feridos estariam em estado grave, segundo a CNN. O responsável pela invasão nasceu no Irã com o nome de Manteghi Bourjerdi, mudou-se para a Austrália em 1996 e adotou o nome de Man Haron Monis, segundo a rede britânica BBC. Monis se apresenta como clérigo muçulmano, mas ainda não está claro se ele é realmente uma autoridade religiosa. Ele estava em liberdade sob fiança, acusado de ser cúmplice do assassinato de sua ex-mulher.

Justiça Federal no Paraná aceita as denúncias contra executivos da empreiteira OAS


O juiz federal Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, determinou nesta segunda-feira a abertura de ação penal contra executivos da construtora OAS, incluindo o presidente da empresa, José Aldemário Pinheiro Filho. Também foram denunciados o diretor da Área Internacional, Agenor Franklin Magalhães Medeiros, o diretor financeiro, Mateus Coutinho de Sá Oliveira, e os funcionários José Ricardo Breghirolli, Fernando Augusto Stremel Andrade, João Alberto Lazzari. Além do grupo da OAS, são acusados o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, o doleiro Alberto Youssef e seu funcionário Waldomiro de Oliveira. Todos responderão pelos crimes de lavagem de dinheiro e corrupção. De acordo com o magistrado, há indícios de que eles participavam do esquema do Petrolão, escândalo que movimentou pelo menos 10 bilhões de reais nos últimos anos por meio de fraudes em licitações na Petrobras e pagamento de propina. “Em relação aos agentes da OAS, há diversas razões especificadas na denúncia para a imputação, como os depoimentos dos colaboradores, o envolvimento deles na celebração dos contratos fraudulentos, o fato de figurarem em comunicações eletrônicas com o grupo dirigido por Alberto Youssef ou o próprio resultado da busca e apreensão", diz o juiz, segundo quem em decorrência do esquema criminoso, os dirigentes da OAS destinaram pelo menos cerca de 1% sobre o valor dos contratos e aditivos da Diretoria de Abastecimento da Petrobras. De acordo com Sérgio Moro, além das revelações colhidas em acordos de delação premiada, como os celebrados pelo doleiro Alberto Youssef e pelo próprio Paulo Roberto Costa, “há prova documental dos contratos celebrados entre as empresas do Grupo OAS e as empresas controladas por Alberto Youssef, com a realização de depósitos vultosos sem aparente causa econômica lícita, e que bastam para conferir, nessa fase, credibilidade à denúncia”. Esta é a segunda denúncia aceita pelo juiz Moro em relação a empreiteiras na sétima fase da Lava Jato, conhecida como Juízo Final. Na semana passada, o magistrado acolheu a acusação contra executivos da empreiteira Engevix. 

Petrobras ignorou alertas sobre comissões extras pagas no Exterior


A diretoria atual da Petrobras não impediu um esquema de desvio de milhões de reais no Exterior, causado pelo pagamento de comissões extras a negociadores de óleo combustível, os traders. A informação tem como base documentos internos e mensagens encaminhadas por Venina Velosa da Fonseca, a geóloga que denunciou uma série de irregularidades na estatal. Os negociadores da Petrobras vendiam petróleo a um valor mais baixo, recebendo, por fora, comissões dos compradores — o que prejudicava os resultados da empresa. Os traders beneficiados atuavam em Singapura, onde Venina trabalhou, e também em outros escritórios da petroleira no Exterior. Apesar das denúncias, esses negociadores não foram descredenciados pela estatal, mas receberam suspensões temporárias e voltaram a trabalhar. Já Venina teve seu salário cortado em aproximadamente 40% e foi afastada do cargo. A apuração dos desvios foi feita por um escritório de advocacia de Singapura, contratado por Venina, que detectou em diálogos "forte evidência de que a Petrobras estava sendo prejudicada por traders". Em uma das conversas, um negociador, sob o codinome de "Coco Prontissimo", admitiu que teria de pagar comissão extra a outro negociador vinculado à Petrobras, identificado como Daniel Filho. Em nota à imprensa enviada na noite de sexta-feira, a Petrobras ressaltou que possui uma área corporativa responsável pelo controle de movimentações e auditoria de perdas de óleo combustível, que não constatou nenhuma irregularidade no período de 2012 a 2014. Venina deverá depor nos próximos dias, em Curitiba, a autoridades que conduzem a operação Lava Jato, quando apresentará detalhes das denúncias. Na semana passada, Venina também havia alertado a diretores da empresa sobre indícios de superfaturamento em obras e contratações irregulares na área de comunicação da Diretoria de Abastecimento, administrada por Paulo Roberto Costa entre 2004 e 2012.

MST invade sede da CNA em Brasília


Um grupo de aproximadamente cem integrantes da organização terrorista Movimento dos Sem-Terra (MST) invadiu o saguão da Confederação Nacional da Agricultura, em Brasília, na tarde desta segunda-feira. O episódio ocorre exatamente no dia em que a presidente Dilma Rousseff recebe lideranças do Movimento dos Sem-Terra no Palácio do Planalto e participa, no começo da noite, da cerimônia de posse da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) em mais um mandato na presidência da CNA. A senadora é adversária declarada do MST porque condena os métodos utilizados pelo movimento para buscar a desapropriação de terras. O grupo, por sua vez, é contra a nomeação de Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura no próximo mandato de Dilma.

Especialista afirma que a queda do preço do petróleo pode afetar mais o xisto que o pré-sal


Uma possível manutenção da trajetória de queda dos preços do barril do petróleo tornaria a exploração do gás e o óleo de xisto inviável, antes que o pré-sal brasileiro pudesse ser impactado, na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca. Segundo ele, as principais produtoras no pré-sal do Brasil, a Petrobras e a britânica BG, já deram sinais de que as profundas áreas abaixo da camada de sal em produção no País, que representam mais de 25% da extração de óleo nacional, têm um custo médio de 45 dólares por barril. "Com a experiência que a gente tem hoje, o pré-sal ainda se sustenta até nesse nível de 45 dólares." "No mundo, óleo de xisto e gás de xisto, tudo isso fica inviável antes de inviabilizar o pré-sal", disse Luca. Tanto o pré-sal quanto o xisto são consideradas fontes de combustível não convencional — ou seja, que precisam passar por um processo químico para se tornarem aptas para o refino. As fontes de xisto são encontradas, sobretudo, nos Estados Unidos e no Canadá. Segundo Luca, a produção não convencional dos Estados Unidos tem custos de 60 a 80 dólares por barril, podendo variar dependendo das reservas e das atividades empresariais. "São custos muito mais altos do que o do pré-sal". Parte da derrocada do petróleo, que perdeu quase metade de seu valor desde as máximas do ano, deve-se à produção adicional dos Estados Unidos. Somente nesta segunda-feira o petróleo Brent para janeiro caiu para mínima de 60,28 dólares por barril, o valor mais baixo desde julho de 2009. Por volta das 14h50, caía quase 1%, para 61,27 dólares. Grande parte da produção brasileira ainda não é proveniente do pré-sal, com algumas áreas mais antigas registrando custos mais altos. Quando questionado sobre projetos fora do pré-sal em produção há algum tempo, Luca ponderou que os campos mais maduros, com custos mais altos, demandam cuidados extras, mas afirmou que a maioria dos projetos brasileiros pode continuar a produzir. De acordo com o presidente do IBP, campos mais antigos e que produzem muita água e pouco óleo eventualmente podem sofrer mais com cenários complicados. Ele acrescentou que há campos no Brasil que produzem mais de 90% de água. Luca não vê dificuldades para o Brasil atrair petroleiras de todo mundo para a 13ª rodada de licitações de blocos exploratórios de petróleo da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), prevista para ocorrer até junho de 2015, mesmo diante de um cenário de preços baixos. "As empresas não gostam de perder oportunidades quando oferecidas", afirmou o presidente da IBP, ressaltando que o Brasil precisaria ofertar áreas com qualidade e sinalizar que está resolvendo problemas atuais da indústria. Uma das defesas do IBP é uma maior previsibilidade de leilões no longo prazo. Mas, na avaliação de Luca, o apetite das petroleiras poderá ser menor no leilão devido ao cenário macroeconômico internacional que está demandando uma redução de investimentos por parte do setor de petróleo em todo mundo. No caso da Petrobras, que além de sofrer com o cenário macroeconômico passa por uma das maiores crises de sua história, envolvida em diversas denúncias de corrupção, os ajustes nos investimentos também poderão vir: "Acredito que alguma mudança pode ter, algum impacto e ajustes nas suas prioridades, não sabemos ainda quais serão os impactos”. Na sexta-feira, a Petrobras disse sem entrar em detalhes que implementou medidas para redução do ritmo de investimentos.

Ação da Petrobras cai mais de 7% e dólar vai a R$ 2,69


Após adiar pela segunda vez a divulgação do balanço do terceiro trimestre, na última sexta-feira, as ações da Petrobras operavam nesta segunda-feira em queda de mais de 7% na BMF&Bovespa, por volta das 16h. As ações preferenciais (PN, sem direito a voto) recuavam 7,02% e as ordinárias (ON, com direito a voto) tinham retração de 7,93%. Pressionado pelo desempenho ruim da estatal, o Ibovespa, principal índice, caía 2,12%. Embora tenha adiado a divulgação do balanço, por causa dos desdobramentos da operação Lava Jato, a Petrobras reportou na sexta-feira alguns números referentes ao intervalo entre julho e setembro, incluindo um endividamento líquido de 261,45 bilhões de reais e fluxo de caixa positivo de 4,25 bilhões de reais. A companhia deve divulgar os resultados até o dia 31 de janeiro de 2015. Para a equipe do BTG Pactual, os resultados apresentados não são conclusivos e fica difícil interpretá-los como positivos sem conhecer a variação do capital de giro da companhia. Em nota a clientes, o banco avalia ser difícil a companhia divulgar os dados auditados em janeiro. O Credit Suisse cortou o preço-alvo das ações da companhia na Bolsa de Nova York (as chamadas ADR) de 14 para 7,30 dólares, e manteve recomendação "neutra".

Petrobras no regime petralha chegou ao limite de assinar contrato em branco com empresa holandesa SBM para construção de plataforma P57

Bruno Chabas resolveu atualizar a correspondência quando viu um recado de Zoe Taylor-Jones, advogado da SBM, empresa holandesa que possui US$ 27,6 bilhões em contratos de navios e plataformas marítimas com a Petrobras. Eles lideravam a equipe que há meses revolvia os arquivos da diretoria recém-demitida. Rastreavam pagamentos de US$ 102,2 milhões em propinas a dirigentes da Petrobras, intermediados pelo agente da companhia no Brasil Julio Faerman. “Cavalheiros, sinto muito, mas esta é a última cereja do bolo”, ele escreveu a Chabas, presidente da SBM, e a mais quatro diretores, acrescentando: “Nós pagamos também a conta de telefone e de internet de Faerman”. Anexou uma fatura pendente de R$ 1.207,00 da operadora Sky. Era 1h35m da madrugada de terça-feira, 17 de abril de 2012. Com a agenda da manhã seguinte sobrecarregada pela auditoria, Chabas mandou uma resposta irônica antes de dormir: “Essa relação nunca pára de me surpreender”. Mais surpreendidos ficaram, dias atrás, os auditores e advogados do Tribunal de Contas da União, da Receita Federal e do Banco Central que analisaram para o Congresso a documentação dos negócios da Petrobras com a SBM. Comprovaram, por exemplo, que a diretoria da estatal subscreveu um contrato em branco para a construção do navio-plataforma P-57. Isso aconteceu na sexta-feira 1º de janeiro de 2008. O contrato de construção da P-57 (nº 0801.0000032.07.2), que chegou à CPMI, não contém “informação expressa sobre seu valor”, relataram os técnicos, por escrito, à Comissão Parlamentar de Inquérito.
Na cláusula específica (“Quinta — Preço e Valor”), os campos simplesmente não foram preenchidos. Ficaram assim:
“5.1 O valor total estimado do presente CONTRATO é de R$ xxxxx (xxxx), compreendendo as seguintes parcelas:
5.1.1 R$ xxxxx (xxxx), correspondente aos serviços objeto do presente CONTRATO, sendo R$ _____ ( ) referente a serviços com mão-de-obra nacional e R$ _____ ( ), referente a serviços com mão de obra não residente;
5.1.2 R$ xxxxx (xxxx), correspondente aos reembolsos contratualmente previstos”.
Somente 207 dias depois — ou seja, passados sete meses — é que “esses valores foram ‘preenchidos’”, registraram os assessores da CPMI. O “Aditivo nº 1” foi assinado na terça-feira 26 de agosto de 2008, mas ainda sem especificar os valores completos dos serviços nacionais e estrangeiros. A plataforma P-57 foi vendida por US$ 1,2 bilhão à Petrobras. Por esse negócio, a SBM pagou US$ 36,3 milhões em propinas — o maior valor entre seus casos de corrupção no Brasil, como admitiu, em acordo de leniência com a promotoria da Holanda e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. A empresa holandesa confessou ter distribuído US$ 102,2 milhões em subornos a dirigentes da Petrobras, entre 2005 e 2011. Assim, obteve 13 contratos de fornecimento de sistemas e serviços à estatal. Foram suas operações mais relevantes no País, durante os últimos cinco anos da administração Lula e no primeiro ano do governo Dilma Rousseff. As propinas foram “para funcionários do governo brasileiro”, constataram a Receita e o Ministério Público da Holanda. Os pagamentos, segundo eles, fluíram a partir de empresas criadas pelo agente da SBM no Rio de Janeiro, Julio Faerman, no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. Julio Faerman controlava três (Jandell Investiments Ltd., Journey Advisors Co. Ltd. e Bien Faire Inc.) e partilhava outra (Hades Production Inc.) com o sócio carioca Luis Eduardo Barbosa da Silva. Quem assinou o contrato da P-57 foi Pedro José Barusco Filho, que, na época, era gerente executivo da Diretoria de Engenharia e Serviços, comandada pelo petista Renato de Souza Duque. No mês passado, Barusco se apresentou à procuradoria federal. Entregou arquivos, contas bancárias e se comprometeu a fazer uma confissão completa em troca da atenuação de penalidades. Informou possuir US$ 97 milhões guardados no Exterior, dos quais US$ 20 milhões na Suíça já estão bloqueados. Duque foi preso e depois liberado. Agora, enfrenta acusações de corrupção, lavagem de dinheiro e tráfico de influência com políticos do Partido dos Trabalhadores. A comissão parlamentar de inquérito identificou outros sete funcionários da Petrobras envolvidos no processo de compra da P-57. Eles são: Márcio Félix Carvalho de Bezerra; Luiz Robério Silva Ramos; Cornelius Franciscus Jozef Looman; Samir Passos Awad; Roberto Moro; José Luiz Marcusso e Osvaldo Kawakami. Um ano depois da assinatura do contrato, a P-57 entrou no projeto de propaganda eleitoral do governo. Foi em outubro de 2009, quando Lula preparava Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil, para disputar a eleição presidencial de 2010. O então presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, que é filiado ao PT, formatou um calendário de eventos. Escolheu o período entre o primeiro e o segundo turnos, em outubro de 2010, para o “batismo” da plataforma, sob a justificativa do 57º aniversário da estatal. Era preciso, no entanto, garantir a entrega antecipada do equipamento. O diretor Duque e seu gerente Barusco recorreram ao agente da SBM no Rio de Janeiro. Faerman informou ser possível, mas a custos extras. Seguiu-se uma negociação com os funcionários Mario Nigri Klein, Ricardo Amador Serro, Antonio Francisco Fernandes Filho e Carlos José do Nascimento Travassos. Em abril de 2010, Duque aprovou a despesa extraordinária pela antecipação da entrega da plataforma, apoiado por Barusco e outro gerente, José Antônio de Figueiredo. Lula comandou o “batismo” da plataforma em comício em Angra dos Reis (RJ), na quinta-feira, 7 de outubro. A antecipação da entrega para o evento, em meio à disputa presidencial, custou à Petrobras um extra de US$ 25 milhões. A SBM enviou US$ 750 mil líquidos para empresas de Faerman nas Ilhas Virgens Britânicas. Tendo trabalhado por seis anos na estatal, nos anos 60, o agente da SBM no Rio de Janeiro conhecia como poucos os chefes, suas carreiras e as áreas de decisão na sede da Avenida Chile, no Centro. Mantinha encontros semanais com alguns. Havia um padrão de abordagem, relata um engenheiro da Petrobras, evitando citar nomes. Iniciante na estatal, nos anos 90, passou a receber sucessivos elogios de um executivo da SBM no Rio de Janeiro, por seu desempenho nas avaliações dos projetos de afretamento de sondas e plataformas, etapa decisiva na rotina pré-contratual. "Fiquei empolgado. Afinal, era um simples funcionário, estava começando e já recebia elogios de executivo de empresa de porte", contou. Um dia foi convidado para um jantar na Zona Sul. A conversa suave, regada a vinho, derivou para seu trabalho na seção de custos de afretamentos. Depois de escolher o prato, o funcionário da Petrobras escutou uma proposta do representante, conhecido como o “homem forte” da SBM: "Quero compartilhar com você parte da minha comissão", disse-lhe, apontando o dedo indicador para o alto, em alusão a eventuais lucros. O incômodo à mesa é inesquecível: "Não dormi naquela noite. Depois me convidaram várias vezes para trabalhar, até que desistiram". No início de 2012, quando rastreava propinas pagas no Brasil, o advogado da empresa holandesa Zoe Taylor-Jones perguntou a Julio Faerman sobre sua rotina de contatos, presentes e propinas a funcionários da Petrobras. Ele negou, dizendo que se limitava a “enviar cartões de Natal”. É certo que o agente da SBM no Rio de Janeiro mantinha uma rede de informantes no centro de decisões da estatal. Em junho de 2009, enviou a um dos chefes da companhia holandesa o projeto da Petrobras para criação de estações de liquefação de gás em alto-mar. “É informação muito confidencial nesse estágio e tem implicações muito sérias se alguma coisa vazar”, advertiu. A cúpula em Amsterdã recebeu, também, uma cópia do “Plano Diretor do Pré-Sal”, classificado como “confidencial”, um mês antes de sua aprovação pela diretoria-executiva da Petrobras. O documento foi copiado com a senha “SG9W”, pertencente a Jorge Zelada, diretor Internacional. Ele admitiu, em audiência no Congresso, a propriedade, mas negou o repasse do plano do pré-sal. "A senha é como uma assinatura digital", lembrou o gerente de segurança da estatal, Pedro Aramis, em outra audiência.

Operação do Ministério Público desmonta esquema corruptor de emendas parlamentares em Rondônia

O Ministério Público do Estado de Rondônia, por meio do Centro de Atividades Judicais – CAEJ e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Grupo Organizado – GAECO, com o apoio da Assessoria Militar – Assmil, Polícia Militar e do Tribunal de Contas do Estado de Rondônia – TCE, deflagrou na manhã desta segunda-feira, 15 de dezembro, a Operação Zagreu. A investigação constatou a existência de sólida e articulada associação criminosa instalada nos Poderes Executivo e Legislativo, com o propósito de desviar verbas do erário, mediante o direcionamento de emendas parlamentares para entidades do terceiro setor (ONGs), utilizadas como laranjas, para a realização de supostos eventos festivos públicos. Há indícios da prática de vários crimes, notadamente, falsidade ideológica, peculato, advocacia administrativa, entre outros, contando com a efetiva participação de servidores públicos e empresários. Na data de hoje estão sendo cumpridos, por força de decisão do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia, três mandados de prisão, seis mandados de busca e apreensão, além de ordens de suspensão da função pública, proibição de acesso a órgãos públicos, indisponibilidade de bens e outras medidas cautelares. Para a deflagração da operação, o Ministério Público contou com a parceria da Companhia de Operações Especiais da Polícia Militar (COE-PM) e técnicos do Tribunal de Contas, que realizaram as imprescindíveis diligências destinadas ao cumprimento dos mandados de prisão e busca e apreensão. A Operação Zagreu é um desdobramento da Operação Baco, deflagrada em Ouro Preto do Oeste no dia 19 de maio de 2014, a qual passou a integrá-la. (RondôniaAgora)

Ministério Público Federal denuncia outro ex-diretor da Petrobras e o lobista Fernando Bueno, é o esquema de propina do PMDB no Petrolão do PT

O Ministério Público Federal apresentou denúncia nesta segunda-feira contra o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, o lobista Fernando Baiano, que está preso, e dois executivos da Toyo Setal, que fizeram delação premiada. Caberá ao juiz Sérgio Moro aceitar a denúncia e abrir processo. A dupla representava o esquema de propina do PMDB na estatal, o Petrolão do PT. O Ministério Público Federal pede a devolução de R$ 300 milhões que teriam sido desviados da companhia. Cerveró é o terceiro diretor da Petrobras atingido pela Operação Lava Jato. Antes dele, foram presos Paulo Roberto Costa, da área de Abastecimento, e o petista Renato Duque, da diretoria de Serviços

Comissão da Farsa – Ignorar crimes das esquerdas é um erro, diz representante da Human Rights Watch

Leitores, acabei ficando preso no Rio em razão de contratempos . Depois falo da maravilha que foi o lançamento de “Objeções de um Rottweiler Amoroso” na Livraria da Travessa. Escrevo no celular. Vamos lá. Afirmei neste blog que é um absurdo a Comissão da Verdade ignorar os crimes das esquerdas. Os idiotas, como sempre, reagiram com idiotices. Agora, quem diz isso é uma das vozes mais respeitadas do mundo em defesa dos direitos humanos em entrevista à Folha. Tratarei do assunto nos Pingos nos Is. Leiam trecho. Volto depois

*
O diagnóstico é contundente: o chileno José Miguel Vivanco, 53, diretor-executivo da divisão Américas da ONG Human Rights Watch, diz que o Brasil está atrasado e precisa de coragem para julgar os acusados, de ambos os lados, de crimes durante a ditadura militar (1964-1985).
Diz sobre a decisão de ignorar os crimes das esquerdas: “Foi um erro. Não pode haver dois pesos e duas medidas. Se houve abusos cometidos por grupos armados irregulares, isso deve constar de um informe dessa natureza. E também haveria servido para mostrar a magnitude dos abusos cometidos pelo Estado e a magnitude dos abusos dos grupos armados.”
Voltei
Não. Não concordo com Vivanco em tudo. Ele acha que a Lei da Anistia pode ser revista para ambos os lados, e eu, para nenhum. Demonstrarei que o Brasil está mais pacificado do que os países que ele usa como exemplo. Vou deixar claro que ele ignora o caso da África do Sul. Mas, no essencial, concordamos: direitos humanos não têm marca ideológica.
E agora? Chamarão Vivanco de “direitista” e agente da ditadura? Por Reinaldo Azevedo

Pessoas são feitas reféns por terroristas islâmicos na Austrália

Pelo menos 13 pessoas, entre clientes e funcionários, foram feitas reféns no Lindt Cafe, em Sydney, na Austrália, por sequestradores armados, que entraram no lugar por volta das 10 horas de segunda-feira (21 horas no horário de Brasília). Imagens da televisão australiana mostravam os reféns com as mãos para cima, próximos às janelas. Uma bandeira preta com inscrições em árabe também foi erguida, o que aumentava a suspeita de uma ação terrorista. Até a 0h30 de hoje não havia sido comprovada uma ligação direta com o Estado Islâmico. Dezenas de policiais fortemente armados cercaram o prédio do café, que fica em Martin Place, centro financeiro de Sydney, onde estão localizados o escritório do primeiro-ministro, Tony Abbott, a emissora de TV Channel 7 e alguns dos maiores bancos do país. Prédios ao redor foram evacuados e o espaço aéreo na região foi fechado. Em um comunicado, o primeiro-ministro disse que iria se reunir com o Comitê Nacional de Segurança para acompanhar o caso. “Este é obviamente um incidente altamente preocupante. Mas todos os australianos devem estar seguros de que nossas forças legais e agências de segurança são bem treinadas e equipadas e estão respondendo de maneira completa e profissional”, afirmou Abott. A Austrália, que apóia os Estados Unidos em sua ação contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, está em alerta para os ataques de radicais muçulmanos. “Não sabemos suas intenções (dos sequestradores) ou se o incidente tem motivações políticas, embora haja indícios que apontem para isso”, disse Abbott. O prédio da Ópera de Sydney foi evacuado após ser encontrado pacote suspeito no local. Mas ainda não havia sido confirmado se realmente se tratava de uma bomba ou se o pacote tinha qualquer relação com o sequestro no café. Trens e ônibus foram parados e estradas bloqueadas na região, após operadores de trens dizerem que houve uma ameaça de bomba em Martin Place.

QUEM É O TAL "CARLOS ARAÚJO" QUE MANDA O ENTREGADOR DE PROPINA DO PETROLÃO LEVAR DINHEIRO NO APARTAMENTO DA IRMÃ DA CUNHADA DO PETISTA VACCARI?

“Diálogo travado em  3 de dezembro de 2013, no qual (Youssef e Breghirolli) combinam duas entregas a serem feitas por Youssef. A primeira, no mesmo dia 3, aos cuidados de Sra. Marice, no endereço Rua Doutor Penaforte Mendes, 157, AP 22, Bela Vista”, informando que a entrega e a mando de “Carlos Araújo”, registra a denúncia. A Polícia Federal tenta identificar ainda quem é “Carlos Araújo”. ”Deve ser destacado que na planilha “Money Delivery” apreendida há referencia, para o dia 3 de dezembro, de registro dos valores de R$ 44.240,00 e R$ 200.000.00 reais com a indicação SP”, sustenta a denúncia.
Executivo indica entrega a Marice em São Paulo

CARTÃO DO GOVERNO DILMA É USADO ATÉ PARA PAGAR MOTEL


Continua sem freio a farra dos cartões corporativos no governo federal. Os gastos de Dilma e de ministros agora são secretos, mas escalões inferiores seguem o mau exemplo dos chefes. José Ademar Araújo, funcionário do IBGE, usou o cartão para pagar despesa de R$ 83,51 no motel Oasis, em Macaíba (RN), em abril deste ano. Há outros casos de gastos em motel realizados com a mesma forma de pagamento. Nestor Santorum, da Presidência da República, pagou com cartão R$ 114,00 no motel Holliday, em Ananindeua (PA), em novembro de 2011. No governo Lula, pagaram-se resorts de luxo, cabeleireira, bebidas etc, e até tapioca (do ex-ministro do Esporte Orlando Silva) com cartão.
Lula alegou “segurança nacional” para tornar secretos os gastos com o cartão. Até auditores do TCU têm acesso dificultado às despesas.

LULA DEVE SER CHAMADO PARA DEPOR NA LAVA JATO


A força-tarefa que desmantelou a roubalheira na Petrobras, no âmbito da Operação Lava Jato, considera inescapável o depoimento do ex-presidente Lula sobre fatos investigados, reforçados em depoimentos sob delação premiada. Discute-se a maneira mais adequada de ouvir o depoimento de Lula, que em princípio ainda não é um investigado. O esquema corrupto começou em 2005, durante seu primeiro governo. Lula pode ser intimado a depor na Polícia Federal em São Paulo, onde mora, ou convidado a prestar esclarecimentos em local de sua escolha. Em depoimento sob delação premiada, em outubro, o megadoleiro Alberto Youssef garantiu que Lula e Dilma Rousseff “sabiam de tudo”. A quadrilha do Petrolão se instalou na Petrobras no primeiro governo Lula enquanto o Brasil estava escandalizado com o “Mensalão do PT”. 

Alckmin diz que corrupção na Petrobras faz parte de "doença sistêmica"


O governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que os casos de corrupção na Petrobras fazem parte de uma "doença sistêmica". "O que parece é que não é uma questão pontual, parece uma questão sistêmica", disse ao chegar neste domingo, 14, para um almoço em homenagem ao ex-governador Mario Covas (PSDB). Questionado se era a favor da substituição da diretoria da estatal, Alckmin disse ser a favor "não só de mudança de pessoas, mudança de métodos": "Os processos de licitação devem estar todos errados". O governador citou ainda o caso do ex-gerente executivo da Diretoria de Serviços, Pedro Barusco, que fechou acordo de delação premiada em que se comprometeu a devolver cerca de US$ 100 milhões e contar o que sabe sobre o esquema de corrupção e propina na estatal: "É inacreditável que um funcionário do terceiro escalão numa delação premiada propor devolver R$ 200 milhões, é uma coisa inimaginável, que precisa ser investigada com profundidade". 

Frente amplia ocupações de usinas e fazendas no interior de São Paulo

Mais uma fazenda e parte das terras de uma usina foram ocupadas na manhã desse domingo, 14, por organizações terroristas de sem-terra ligados à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL). Os grupos ocuparam terras da Usina Vista Alegre, em Itapetininga, e a fazenda Monza, em Guareí, ambas na região de Sorocaba. Com as novas ações, sobe para cinco o número de usinas de cana-de-açúcar ocupadas no interior do Estado de São Paulo desde sábado, 13. As fazendas invadidas já são quatro - também estão ocupadas as fazendas Paiol, em Quadra, Santa Mônica, em Guareí, e Santa Rita, em Itapetininga. De acordo com José Rainha Júnior, líder da Frente, o objetivo é chamar a atenção das autoridades para o descaso com a reforma agrária e reivindicar as terras para assentamento de trabalhadores rurais. Segundo ele, as usinas ocupadas estão falidas e têm dívidas com a União. No final da tarde de sábado, 13, a Justiça deu liminar de reintegração de posse aos proprietários da Usina Dracena, no município de Dracena, oeste paulista. Os sem-terra foram notificados e devem deixar a propriedade na manhã desta segunda-feira, 15. Continuam ocupadas as usinas Santa Fany, em Regente Feijó, Agrest, em Espírito Santo do Turvo, e Decasa, em Presidente Venceslau. A Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) informou que o governo estadual e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) assinaram em fevereiro deste ano convênio para arrecadar terras devolutas para novos assentamentos. Duas áreas foram indicadas e estão em processo de reversão para abrigar assentados. Já o Incra informou que realiza vistoria em fazendas na região de Itapetininga para eventual desapropriação para a reforma agrária.

Fazendeiros e sem-terra fazem atos contra Dilma e Kátia Abreu

Fazendeiros e sem-terra fazem atos distintos nessa segunda-feira, 15, com um objetivo comum: protestar contra o governo da presidente Dilma Rousseff e contra a indicação da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) ao Ministério da Agricultura. Representantes do agronegócio querem que a senadora deixe a presidência da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ao assumir o ministério no governo do PT. A Frente Produtiva do Brasil, criada no início deste mês em Araçatuba, realiza um encontro nesta segunda-feira, em Presidente Prudente, para protestar contra a indicação da senadora e contra o "projeto de poder" do PT. De acordo com o agropecuarista Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente da União Democrática Ruralista (UDR), a frente deixou de ser integrada apenas por produtores rurais e recebeu a adesão de empresários, profissionais liberais, médicos e líderes de vários segmentos. "O objetivo é impedir democraticamente o projeto de poder desse partido que se tornou a marca da corrupção no Brasil", disse. O convite para o encontro, marcado para as 10 horas no Rancho Quarto de Milha, convoca interessados em discutir soluções para "a grave crise que assola o Brasil". No mesmo horário, em Brasília, sem-terra ligados à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) fazem um protesto em frente ao prédio da CNA contra a nomeação da senadora Kátia Abreu para o Ministério da Agricultura. A senadora é considerada pelos sem-terra "inimiga" da reforma agrária. De acordo com José Rainha Junior, coordenador da Frente, após a manifestação, centenas de sem-terra acampam na Esplanada dos Ministérios para reivindicar mais ações pela reforma agrária que, segundo ele, parou no governo da presidente Dilma Rousseff.

Denúncia cita entrega de valores à cunhada de tesoureiro do PT

A força-tarefa da Lava Jato relacionou a suposta entrega de dinheiro para Marice Corrêa de Lima, cunhada do tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, solicitada por um executivo da empreiteira OAS com duas movimentações da contabilidade do “money delivery”, operado pelo doleiro Alberto Youssef. Na denúncia criminal que ofereceu contra seis executivos do Grupo OAS, o Ministério Público Federal considerou como elemento de prova o cruzamento do monitoramento telefônico do doleiro, com José Ricardo Nogueira Breghirolli, com a contabilidade informal de Youssef para indicar o pagamento de valores para Marice, em dezembro de 2013. “Diálogo travado em 3 de dezembro de 2013, no qual (Youssef e Breghirolli) combinam duas entregas a serem feitas por Youssef. A primeira, no mesmo dia 3, aos cuidados de Sra. Marice, no endereço Rua Doutor Penaforte Mendes, 157, AP 22, Bela Vista”, informando que a entrega e a mando de “Carlos Araújo”, registra a denúncia. A Polícia Federal tenta identificar ainda quem é “Carlos Araújo”. ”Deve ser destacado que na planilha “Money Delivery” apreendida há referencia, para o dia 3 de dezembro, de registro dos valores de R$ 44.240,00 e R$ 200.000.00 reais com a indicação SP”, sustenta a denúncia.


Segundo a denúncia pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e formação de organização criminosa, o MPF afirma que Breghirolli “era um dos principais responsáveis por viabilizar pagamentos de vantagens indevidas da OAS no interesse da organização criminosa”. Na quebra de sigilo de Youssef, o executivo da OAS está registrado na lista de contatos como “José Ricardo”. “Em sua grande maioria, referentes a entrega de valores.” Na denúncia, os executivos da OAS, Youssef e seus operadores e o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa são acusados por terem praticado 20 atos de corrupção e 14 de lavagem de dinheiro.


Só nos contratos da OAS com a Diretoria de Abastecimento, entre 2004 e 2012, o MPF almeja o ressarcimento de R$ 213 milhões, referente aos 3% que eram desviados dos contratos. Só a OAS é apontada pelo pagamento de R$ 29 milhões em propina para corromper Costa e o diretor de Serviços Renato Duque – indicado pelo PT. A maior parte era destinado ao diretor petista. Em seu depoimento, Marice negou qualquer irregularidade. Apesar de ter a prisão pedida, a Justiça concedeu apenas o direito da PF leva-la coercitivamente para depor. Aos delegados, ela negou o esquema. Em seu apartamento, foram apreendidos materiais como cinco pen drives que estão sendo analisados e comparados com o material apreendido na OAS. O juiz federal Sérgio Moro, que conduz os processos da Lava Jato, ainda não analisou a denúncia no caso OAS. Marice e Vaccari, no entanto, não fazem parte dos alvos da acusações criminal, eles serão denunciados separadamente, da mesma forma que o ex-diretor de Serviços Renato Duque. João Vaccari Neto tem negado qualquer envolvimento com o esquema do doleiro Alberto Youssef e com as irregularidades em contratos da Petrobrás. Em evento do PT, o tesoureiro disse durante discurso aos membros do partido que era inocente. Marice negou em seu depoimento recebimento de propina.

Ex-gerente da Petrobrás relata troca de ‘crédito’ de propina com tesoureiro

Em delação premiada, Pedro Barusco diz à força-tarefa que procurou João Vaccari Neto para que ele recebesse valores da Schahin, com quem teria "boa relação"; em contrapartida, ex-funcionário da estatal herdaria pagamento que petista iria cobrar de outra empresa. O ex-gerente executivo de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco Filho disse, em delação premiada à força-tarefa da Operação Lava Jato, que fez uma “troca de propinas” com o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto. Ele não especificou valores. Barusco afirmou que possuía um “crédito” da empreiteira Schahin Engenharia, gigante que atua nas áreas de petróleo e gás. O ex-gerente estaria encontrando dificuldades em receber o dinheiro, que, segundo ele, seria relativo ao empreendimento de reforma e ampliação do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), no Rio de Janeiro, complexo de laboratórios na Ilha do Fundão. O ex-gerente disse que procurou Vaccari porque o petista “tem uma boa relação com a Schahin”. A Diretoria de Serviços da Petrobrás, unidade estratégica da estatal e na qual Barusco atuava, era cota do PT. Por ela passam todos os procedimentos de licitações e contratação da estatal. Vaccari, segundo afirmou Barusco, também era credor de propina de uma outra empresa do ramo de óleo e gás que atua em contratos de módulos para o pré-sal e que participou da montagem de Angra I e Angra II. O ex-gerente e o tesoureiro teriam feito, então, uma permuta. No cruzamento de propinas, o “crédito” do petista teria ficado para Barusco e Vaccari teria herdado o pagamento da Schahin. A Schahin já havia sido citada em interceptações telefônicas do doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema na Petrobrás, em que ele e um empresário que fornece materiais para a estatal conversam sobre quem “pagou em dia” e quem “estava atrasado” no repasse de dinheiro. A empresa não tem executivos incluídos nas cinco ações criminais apresentadas pelo Ministério Público Federal. A delação de Barusco foi homologada pela Justiça Federal no Paraná há uma semana. Em uma cláusula do contrato que firmou com a força-tarefa do Ministério Público Federal, o ex-gerente comprometeu-se a devolver ao Tesouro US$ 97 milhões que mantém no Exterior e mais R$ 6 milhões no Brasil. Ele confessou que essa fortuna teve origem em atos “ilícitos”.


O grau de colaboração do ex-gerente impressiona os investigadores da Lava Jato. Ele demonstrou grande senso de organização e disciplina ao fazer uma metódica contabilidade dos repasses de propinas, apontando todos os negócios onde correu dinheiro por fora. Tudo ele registrava em um arquivo pessoal. Barusco passou números de contas bancárias e nomes de beneficiários de comissões. Afirmou que ele e Renato Duque, ex-diretor de Serviços a quem era subordinado, dividiram propinas em “mais de 70 contratos” da Petrobrás entre 2005 e 2010. O ex-gerente disse que fornecedores e empreiteiros não desembolsavam recursos por “exigência”, mas porque o pagamento de propinas na Petrobrás era “algo endêmico, institucionalizado”. Antes de atuar no cargo subordinado ao petista Renato Duque, Barusco foi gerente de tecnologia na Diretoria de Exploração e Produção e diretor de Operações da empresa Sete Brasil, que tem na Petrobrás um de seus investidores. Barusco afirmou que, “na divisão de propinas”, o petista Reanto Duque ficava “com a maior parte”: margem de 60% para o ex-diretor e de 40% para o ex-gerente. Ele entregou uma planilha de contratos onde teria corrido suborno e os valores que o esquema girou. Os contratos são de praticamente todas as áreas estratégicas da Petrobrás. Ele citou Gás e Energia, Exploração e Produção e Serviços. Revelou outros operadores da trama de corrupção na Petrobrás. Além do doleiro Alberto Youssef e do lobista do PMDB, Fernando Soares, o Fernando Baiano, Barusco apontou outros nomes.