sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Quem é Renato Duque, o petista homem de confiança de Lula, soldado do PT no Petrolão

O petista Renato Duque chega algemado à Polícia Federal no Rio de Janeiro, fim de linha para o petralha
Há uma premissa de ouro na cartilha de como crescer na Petrobras: encontrar um padrinho político. Por mais capacitados que sejam os técnicos, dificilmente conseguem galgar degraus além do terceiro escalão da estatal se não tiverem respaldo de uma legenda — ou de algum nome poderoso no Congresso. Para alcançar tal façanha, engenheiros de carreira negociam o que for preciso (inclusive a alma) para conseguir um bom padrinho. Apontado por delatores do Petrolão como interlocutor do PT na Petrobras, o petista Renato Duque, que por quase dez anos ocupou a diretoria de Serviços da Petrobras, não fugiu à regra. Preso nesta sexta-feira, quando foi deflagrada a sétima fase da Operação Lava Jato, o executivo entrou na empresa em 1978, como engenheiro. Especializou-se em Engenharia do Petróleo na Universidade Federal do Rio de Janeiro e assumiu diversas funções na estatal, até ingressar na rentável área de contratos. Em 2003, quando foi nomeado diretor da empresa, o petista Renato Duque comandava a gerência de contratos da área de Exploração e Produção. Decidia, por exemplo, de quem contratar plataformas, sondas de perfuração, embarcações e helicópteros. Acordos bilionários com empresas nacionais e estrangeiras dependiam de sua canetada. Renato Duque nunca foi um petista histórico. Mas, nos idos do ano 2000, ao estreitar laços com o chefão e bandido petista mensaleiro José Dirceu, achou por bem aderir à legenda. Escolheu, não por acaso, a corrente Construindo um Novo Brasil, a mesma de Lula, e também a mais poderosa dentro do partido. A saída de Renato Duque do nível gerencial para a diretoria se deu por intermédio de Silvinho Pereira, ex-secretário do PT e um dos nomes chave do escândalo do Mensalão do PT. É aquele que em primeiro lugar confessou sua culpa, fazer acordo judicial. É aquele tipo que ficou conhecido como Silvinho "Land Rover" Pereira, por receber de propina um jeep brucutu inglês. Conhecendo as grandes somas que transitavam pela área de Serviços, Silvinho "Land Rover" Pereira queria manter a fonte dentro da cota do partido, já que a área de Abastecimento e a Transpetro estavam sob o comando do PMDB. Renato Duque parecia um bom nome aos olhos dos caciques petistas, mas só foi chancelado depois que Silvinho "Land Rover" Pereira consultou o lobista Fernando Moura, da empreiteira baiana GDK. A empresa ficou célebre depois que veio à tona seu presentinho a Pereira, em 2004, em troca de contratos com a Petrobras: um Land Rover no valor de 73.500 reais. O caso foi revelado em 2005 nas páginas de Veja. A pré-disposição do engenheiro para a contravenção está nos autos do processo conduzido pelo Ministério Público Federal. Nas declarações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef à Justiça, no âmbito da Operação Lava Jato, consta que Renato Duque operava um esquema criminoso de financiamento que drenava 3% dos valores dos contratos de sua área para o PT. Disse Costa em seu depoimento: “Olha, em relação à Diretoria de Serviços, era, todos, todos sabiam, que tinham um percentual desses contratos da área de Abastecimento, dos 3%, 2% eram para atender ao PT. Através da Diretoria de Serviços. Outras diretorias como gás e energia, e como exploração e produção, também eram PT, então você tinha PT na Diretoria de Exploração e Produção, PT na Diretoria de Gás e Energia e PT na área de serviço. Então, o comentário que pautava lá dentro da companhia é que, nesse caso, os 3% ficavam diretamente para, diretamente para o PT”. Ainda segundo a decisão judicial que precedeu a prisão de Renato Duque, os executivos Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Júlio Gerin de Almeida Camargo, da Toyo Setal, confirmaram esses fatos e detalhes a respeito do pagamento de valores por contratos da Petrobras a Duque e ao lobista que o servia, Fernando Soares, também conhecido como Baiano. Mas, antes de operar o esquema que, tudo indica, ajudava a abastecer os cofres do PT, Duque quase sucumbiu. Sua ligação com Silvinho "Land Rover" Pereira e José Dirceu colocou sua permanência na estatal por um fio em meados de 2006. Depois da descoberta do esquema do Mensalão do PT, a principal fonte de arrecadação do partido secou. Armou-se, assim, uma queda de braço na estatal entre PT e PMDB pelos cargos na empresa. Os pemedebistas passaram a requisitar a área de Serviços, alegando envolvimento de Duque com os mensaleiros. Queriam colocar no lugar de Duque o engenheiro Alan Kardec. Mas o PT conseguiu manter o diretor até 2012, quando Maria das Graças Foster assumiu a presidência da empresa, nomeada por Dilma Rousseff. Falava-se, à época, em despolitização da estatal — e a ascensão de Graça era vista com receio pelos partidos que detinham poder nas diretorias. Um dos primeiros movimentos da nova presidente foi tirar o PMDB da diretoria de Abastecimento e demitir Duque — o principal representante do lulismo na empresa. O PT tentou negociar a permanência do diretor até 2013, mas não conseguiu. Tanto ele, quanto Paulo Roberto Costa e Jorge Zelada, da área Internacional, foram defenestrados. Duque curou sua mágoa abrindo uma consultoria de óleo e gás, a D3TM — empresa que usou, em muitos casos, para prestar serviços à Petrobras. Da janela de sua sala, na Rua da Assembléia, era possível avistar a sede da estatal, na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio de Janeiro. Segundo as investigações, a empresa se tornou um veículo de recebimento de propina do megaesquema agora chamado de Petrolão. Os bens da D3 foram bloqueados pela Justiça nesta sexta-feira. Renato Duque ainda possui imóveis na Barra da Tijuca e na Zona Norte do Rio de Janeiro, onde nasceu. Tem ainda uma casa de campo no município de Penedo, no interior do Rio. Todos os seus bens estão bloqueados até segunda ordem.

Relator das contas de campanha da petista Dilma é o ministro Gilmar Mendes

Vice-presidente da Mendes Júnior promete se entregar

Sergio Cunha Mendes, da Mendes Júnior, investigado na Operação Lava Jato da Polícia Federal em foto de 2012

O vice-presidente da construtora Mendes Júnior, o empresário Sérgio Cunha Mendes, deve se entregar à Polícia Federal ainda nesta sexta-feira. Em nota enviada pela assessoria de imprensa da empresa, ele afirmou que estava de férias com a família quando soube do mandado de prisão e "tomou providências para se apresentar à Polícia Federal em Curitiba (PR)". Cunha Mendes é um dos quatro executivos que tiveram a prisão preventiva decretada durante a sétima fase da operação Lava Jato deflagrada pela Polícia Federal nesta sexta-feira. Outros 14, entre eles o ex-diretor de serviços da Petrobras, o petista Renato de Souza Duque, tiveram prisão temporária decretada. Policiais federais fizeram busca e apreensão na sede da construtora e na casa de Sérgio Cunha Mendes. Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, e o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema petista do Petrolão, são considerados foragidos pela Polícia Federal, que acionou a Interpol para localizá-los. A Justiça expediu mandado de prisão para ambos, mas eles não foram localizados pelos agentes. A operação desta sexta-feira se deu a partir da análise do material apreendido até aqui e dos depoimentos colhidos nas fases anteriores da investigação. Ao todo, foram expedidos 85 mandados: quatro de prisão preventiva, 10 de prisão temporária, nove de condução coercitiva e 49 de busca e apreensão no Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, além do Distrito Federal. A Justiça ainda decretou o bloqueio de 720 milhões de reais em bens de 36 investigados. Também foi autorizado o bloqueio integral de valores de três empresas que pertencem a um dos operadores do megaesquema de corrupção investigado pela Lava Jato. Os envolvidos serão indiciados pelos crimes de organização criminosa, formação de cartel, corrupção, fraude à Lei de Licitações e lavagem de dinheiro.

Diretoria da Petrobras: pressão máxima

Ao longo da semana passada, a tensão na diretoria da Petrobras estava nas máximas. Diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa era um dos que ameaçavam renunciar. Dizia que fez uma carreira na estatal, que não participou de esquema nenhum, e que está velho demais para este tipo de emoções. Assim como Barbassa, muitos diretores só não renunciaram até agora porque foram convencidos pela presidente da empresa, Maria das Graças Foster, que os exortou a “segurar as pontas” usando o argumento da responsabilidade da diretoria para com os acionistas e a oportunidade de se defenderem e mostrarem que não estavam envolvidos. Não seria surpresa, no entanto, se a operação de hoje da Polícia Federal der o empurrão final para renúncias na diretoria da empresa, agravando ainda mais uma crise de proporções épicas: a empresa-orgulho do Brasil virou a empresa-vergonha do Brasil, sem balanço auditado, sem acesso ao mercado de dívida, com uma necessidade gigantesca de investir e um endividamento já preocupante. Barbassa tem um mega pepino nas mãos: ele e o ex-presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, assinaram balanços atestando junto à SEC a veracidade das informações prestadas aos investidores. Para operações como oferta de ações e emissões de dívida, um diretor financeiro assina cartas para os auditores (“representation letters”) atestando que as informações da empresa são verdadeiras, “to the best of my knowledge” (ou seja, ele atesta a veracidade “baseado no que ele sabe”). Se a Petrobras agora tiver que republicar balanços antigos — reconhecendo os roubos do petrolão — as chances de Barbassa e Gabrielli serem responsabilizados são grandes. Do ponto de vista pessoal, para estes diretores uma grande angústia é o que acontecerá com o seguro D&O (“Directors & Officers”), que as grandes empresas pagam para seus diretores e que cobrem seus custos com advogados se estes diretores forem processados por atos praticados no exercício de suas funções dentro da companhia. Se ficar comprovado que os diretores sabiam do esquema (mesmo não tendo participado dele), as seguradoras arcarão com os custos? Pode-se imaginar o que vai na cabeça dos diretores da Petrobras implicados ainda que indiretamente no escândalo que não para de crescer: a perspectiva de uma vida respondendo a processos, indo a audiências, ou coisa pior. Receber cartas da SEC, do Departamento de Justiça americano, da Polícia Federal brasileira, do Ministério Público Federal. Gastar muito dinheiro se defendendo e, o pior, aquilo que dinheiro nenhum consegue comprar: a tranquilidade e a paz de espírito sequestrada da vida familiar. Os cônjuges, filhos e netos convivendo com as memórias da vergonha. Dos muitos ensinamentos que esta implosão da Petrobras está produzindo, talvez o menos falado até agora seja um avanço ético valioso para o País: a partir de agora, no Brasil, não basta não ser corrupto. Também não dá pra trabalhar onde você sabe — ou simplesmente suspeita – que existe corrupção. Por Geraldo Samor

Pelé segue internado e tem boa recuperação após retirar cálculos renais

Pelé, tricampeão do mundo pela seleção brasileira e maior jogador de futebol de todos os tempos, craque inigualável, segue internado em hospital de São Paulo nesta sexta-feira, um dia após ter sido submetido a procedimento cirúrgico para retirada de cálculos, e se encontra em boa recuperação, informaram os médicos responsáveis. "O Hospital Israelita Albert Einstein informa que o paciente Edson Arantes do Nascimento (Pelé) segue internado em boa recuperação", disse o hospital em breve boletim médico assinado pelos médicos responsáveis pelo atendimento de Pelé. O ex-jogador, de 74 anos, foi hospitalizado com dores abdominais na quarta-feira, depois de cancelar um evento que participaria em Santos. Exames realizados em Pelé detectaram a presença de cálculos no rim, uretra e vesícula, que dificultavam seu fluxo urinário. Na quinta-feira, Pelé foi submetido a um procedimento cirúrgico para a retirada dos cálculos. Apontado como melhor jogador de futebol da história, Pelé atuou no Santos, onde foi bicampeão mundial e da Libertadores, e disputou quatro Copas do Mundo (1958, 1962, 1966 e 1970) com a camisa da seleção brasileira, sagrando-se vencedor em três ocasiões (1958, 1962 e 1970). Há dois anos, Pelé se recuperou de uma cirurgia no quadril. 

Arte abstrata de Kandinsky chega pela primeira vez ao Brasil

Brasília recebe pela primeira vez uma exposição de obras do artista russo Vassily Kandinsky, considerado por muitos como o pai do abstracionismo, que abrange desde sua experiência com a cultura siberiana até sua imersão lírica na escola alemã. Com direito a uma sala de imersão sensorial interativa, a mostra "Kandinsky: Tudo Começa Num Ponto", é composta por 130 obras do artista russo, que no século 19 trocou sua paixão pelo direito quando conheceu o trabalho de Claude Monet e outros impressionistas. Kandinsky (1866-1944) nasceu em Moscou, mas sua família era da Sibéria, região que percorreu durante a juventude e serviu de inspiração para suas primeiras obras. O artista recusou uma vaga de professor na Universidade de Tartu, na Estônia, para se dedicar totalmente à arte. "Normalmente, as exposições de Kandinsky se limitam à sua fase abstrata, mas mostram pouco sobre seus trabalhos anteriores", disse a curadora Evgenia Petrova. Petrova se referiu à imersão do artista na cultura siberiana, que na exposição foi ilustrada com fotografias antigas e diversos objetos elaborados por artesãos do século 19, que incluem obras e escritos de xamãs russos. A viagem pela obra de Kandisnky continua com sua maior façanha, suas primeiras experiências com o abstrato e a descrição de cores que começou a explorar na Rússia. A plenitude foi alcançada na Alemanha, onde buscou oxigênio frente as limitações impostas pela revolução bolchevique. A primeira fase abstrata é representada em Brasília por algumas telas emblemáticas, como Improvisação nº 11, de 1910, e Em branco, de 1920. As obras expostas em Brasília pertencem ao Museu Estatal Russo de São Petersburgo e a outras sete instituições russas, assim como a coleções de museus de Alemanha, Áustria, Inglaterra e França. O valor das peças expostas exigiu dos organizadores a contratação de um seguro por R$ 350 milhões. Esta é primeira exposição totalmente dedicada a Kandinsky na América Latina e estará aberta até 12 de janeiro, quando será levada ao Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Em abril, será exposta em Belo Horizonte e em junho chegará a São Paulo, onde permanecerá até novembro de 2015.

Estados Unidos investem US$ 425 milhões em supercomputadores mais rápidos do mundo

O Departamento de Energia dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira que está gastando 425 milhões de dólares para pesquisar computação em escala extrema e montar dois supercomputadores, que serão os mais rápidos do mundo, para pesquisas em ciências básicas e armamentos nucleares. O Departamento concedeu 325 milhões de dólares para construir o "Summit", para o Laboratório Nacional de Oak Ridge, no Estado do Tennessee, e o "Sierra", no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia. Outros 100 milhões de dólares serão alocados para pesquisas em tecnologias de "supercomputação em escala extrema", como parte de um programa chamado FastForward2, disse o Departamento em comunicado à imprensa. Os supercomputadores, montados a partir de componentes da IBM, Nvidia e Mellanox, serão entre cinco a sete vezes mais rápidos que os computadores atualmente mais rápidos nos Estados Unidos. O Summit e o Sierra vão funcionar a 150 petaflops e 100 petaflops, respectivamente, em comparação aos 55 petaflops do atual computador mais veloz do mundo, o Tianhe-2, na China, informou a Nvidia em um comunicado separado à imprensa. A IBM construiu o primeiro supercomputador para alcançar 1 petaflop, uma medida precisa de quão rápido os computadores fazem cálculos, em 2008, também para o Departamento de Energia. Pesquisadores do mundo todo poderão solicitar tempo de uso no Summit. A Administração Nacional de Segurança Nuclear dos Estados Unidos usará o Sierra "para garantir a segurança, confiabilidade e eficácia das dissuasões nucleares do país sem testá-los", declarou a Nvidia.

Preço de energia de curto prazo segue no teto em todas as cargas e regiões

A valor da eletricidade para a próxima semana, dado pelo Preço de Energia de Curto prazo (PLD), manteve-se no nível máximo definido para o ano em todos os patamares de carga e regiões do País, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). O PLD para a próxima semana ficou em 822,83 reais por megawatt-hora, segundo a CCEE, repetindo valores definidos para esta semana. O PLD está no teto permitido para todas as regiões e cargas desde a semana de 20 de outubro. A definição do PLD ocorreu depois que o Operador Nacional do Sistema (ONS) elétrico estimou a ocorrência de chuva fraca à moderada nas bacias hidrográficas das regiões Sudeste e Centro-Oeste e nas bacias dos rios São Francisco e Tocantins, no relatório semanal Programa Mensal de Operação (PMO). Segundo o ONS, o ano hidrológico de 2013/2014 da região Sudeste, encerrado em outubro, foi o sétimo pior já registrado desde 1931, com o período chuvoso do intervalo sendo quarto pior, com chuvas correspondendo a apenas 63% da média. Diante do cenário de chuvas para as regiões Sudeste e Centro-Oeste, a expectativa do ONS para o nível das represas na região é de 14,9% ao final de novembro, abaixo da projeção da semana anterior de 15,5%. A redução do nível dos reservatórios do Sudeste ocorre quase que ininterruptamente desde junho de 2013, recuando para o pior patamar para o período desde 2001, ano do racionamento de energia no País. O próximo perído tradicionalmente chuvoso, de novembro a março, será crucial para evitar problemas de suprimento de energia em 2015. Porém dificilmente ele deverá recuperar os reservatórios do Sudeste a patamares totalmente confortáveis para enfrentar o próximo período seco a partir de abril, segundo especialistas do setor. Para o Nordeste, a expectativa do ONS para o nível das represas de hidrelétricas no final de novembro subiu de 11,5 para 12,6%. 
Segundo o ONS, a previsão de carga de energia no subsistema Sudeste/Centro-Oeste em novembro em relação ao mesmo mês de 2013 se manteve em crescimento de 2,3%. Para o Nordeste, a previsão cresceu de 4,7 para 5,7 por cento. No SIN como um todo, a estimativa passou de alta de 2,9 para 3,2%. "As taxas de crescimento previstas nos subsistemas Sul e Nordeste, são explicadas pelo comportamento esperado do consumo das classes residencial e comercial. Adicionalmente, o aumento do ritmo da produção industrial, que já vem sendo observado nestas regiões, também contribui para o desempenho da carga", afirmou o ONS.

Petista Gleisi Hoffman pede ao STF acesso a delações de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef

A senadora e ex-ministra da Casa Civil, a "Barbie" petista Gleisi Hoffmann (PT-PR), pediu ao Supremo Tribunal Federal acesso ao conteúdo das delações premiadas feitas pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e pelo doleiro Alberto Youssef, no âmbito da Operação Lava Jato. O pedido foi protocolado na quinta-feira, 13, e encaminhado ao relator da Lava Jato no STF, ministro Teori Zavascki. No início de novembro, Youssef confirmou em sua delação que deu R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra, que foi eleita senadora naquele ano. O valor teria sido entregue a um empresário, proprietário de um shopping em Curitiba (PR), em quatro parcelas, de acordo com o depoimento do doleiro. A defesa da senadora cita na peça enviada ao Supremo reportagem da revista Veja com as informações sobre a declaração de Youssef e reportagem anterior do jornal o Estado de S. Paulo que aponta que Paulo Roberto Costa citou o ministro das Comunicações e marido de Gleisi, o petista Paulo Bernardo, na delação. Paulo Roberto Costa disse que o ministro solicitou em 2010 "ajuda" na campanha da esposa. A senadora contesta no STF a veracidade das afirmações de Paulo Roberto e de Youssef. A defesa da "Barbie petista" Gleisi Hoffman alega que a "coincidência" do afirmado nas delações do ex-diretor e do doleiro é explicada pelo fato de os dois terem permanecido presos juntos em Curitiba, o que teria possibilitado a combinação dos argumentos a serem usados. A tese alegada no STF é de que a acusação contra Gleisi teria sido "fabricada". A defesa nega o recebimento de colaboração financeira que não tenha constado na prestação de contas da campanha ao Senado e pede cópia dos depoimentos prestados por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef. O pedido foi feito antes da Polícia Federal iniciar a sétima fase da Operação Lava Jato.

Dólar reduz alta após Banco Central elevar rolagem de swap e fecha em R$ 2,60

Após passar boa parte da sessão em alta firme, o dólar fechou com avanço mais fraco, na casa de 2,60 reais, nesta sexta-feira, após o Banco Central ampliar a oferta de swaps cambiais para rolagem, indicando que não está confortável com a forte pressão recente sobre o câmbio. Contudo, operadores acreditavam que a rolagem maior não deve ser suficiente para interromper a escalada da divisa norte-americana, que fechou em queda em apenas um pregão neste mês, já que o quadro de incertezas na cena doméstica deve manter investidores apreensivos. A moeda norte-americana subiu 0,23%, a 2,6007 reais na venda, após atingir 2,6300 reais na máxima desta sessão, maior patamar intradia desde 5 de abril de 2005, quando foi a 2,6330 reais. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de 700 milhões de dólares. Na semana, a divisa acumulou alta de 1,46% e no mês, até esta sexta-feira, o dólar acumula alta de 4,92%.  

Equipe Caterham irá correr no GP de Abu Dhabi de Fórmula 1

A equipe de Fórmula 1 Caterham irá participar na semana que vem do Grande Prêmio de Abu Dhabi, corrida que fecha o calendário anual da modalidade, mesmo sem ter arrecadado os 3,7 milhões de dólares que precisava para ir à corrida, disse um administrador. O site de crowdfunding (financiamento colaborativo) www.crowdcube.com mostrou que a escuderia, que ficou de fora das duas últimas provas, conseguiu 1,87 milhão de dólares, faltando nove horas para o final do prazo. O administrador Finbarr O'Connell, representante da empresa de financiamento Smith & Williamson, afirmou que o time irá mesmo assim. “Agora partimos para Abu Dhabi prontos para mostrar que somos um grupo de pessoas trabalhadoras e positivas, e esperamos garantir o futuro da equipe”, declarou ele em um comunicado. “Durante os últimos dias o interesse de muitos compradores em potencial aumentou imensamente, e correndo em Abu Dhabi a equipe irá se apresentar como uma equipe viva e funcional que merece continuar em 2015 e além”. Os carros da escuderia estavam sendo colocados nos contêineres de transporte nesta sexta-feira, e o vôo deve seguir para o circuito de Yas Marina neste final de semana. O'Connell disse que três compradores “seriamente interessados” com conexões na F1 se manifestaram. As conversas com os pilotos, contou, alguns com experiência na modalidade e outros ainda precisando de uma superlicença, também estão em fase avançada. A Caterham, que em cinco temporadas ainda não obteve um só ponto, sofreu uma intervenção no mês passado depois de ficar atolada em dívidas.

Polícia Federal mantinha principais alvos de operação sob vigilância

Pesou na decisão judicial de mandar prender os principais executivos das gigantes da construção o fato de muitos deles realizarem frequentes viagens ao Exterior. Entre os alvos citados está o operador do PMDB, Fernando Soares, o Fernando Baiano, que estava fora do País, retornou no dia 24 de outubro e viajou outra vez no dia 27. O despacho judicial destaca noticiário recente indicando que "parte dos investigados teria se refugiado no Exterior, temeroso de prisões cautelares". "Embora esse tipo de notícia deva ser visto com reservas, o fato é que a autoridade (da Polícia Federal) aponta, mediante consulta aos registros de controle de fronteiras da Polícia Federal, que vários dos investigados têm feito frequentes viagens para fora do País desde agosto deste ano e que alguns inclusive não teriam voltado", alerta a Justiça Federal. Os investigadores da Lava Jato anotaram que no fluxo migratório dos alvos "há diversos deles que têm empreendido viagens constantes ao Exterior, como, por exemplo, no caso de Leo Pinheiro, da OAS Engenharia, que tem passado longos períodos no Exterior". "Da mesma forma, os executivos da Camargo Corrêa (João Ricardo Auler), Agenor Franklin Magalhães Medeiros e Pedro Morollo Junior (OAS Engenharia), bem como Sérgio Cunha Mendes, da Mendes Junior Engenharia, que se encontra fora do País desde 14 de outubro de 2014, salvo alguma falha no sistema de registro migratório", aponta a decisão judicial. Para a Justiça, "é curioso ainda o fato de que muitos dos investigados estiveram fora do País no mês de agosto, em períodos coincidentes". "Comportamento similar tem adotado Fernando Soares, tendo ele, por exemplo, segundo registros de fronteira, ficado fora do País durante todo o mês de outubro, retornando no dia 24 de outubro e deixado novamente o País em 27 de outubro", informa o despacho judicial.

Executivos apontaram propina do petista Renato Duque em 6 obras

Os executivos da Toyo Setal, Julio Gerin Camargo e Augusto Mendonça de Ribeiro Neto, afirmaram em suas delações premiadas nos autos da Operação Lava Jato que o ex-diretor de Serviços e Engenharia, o petista Renato Duque - nome tremendamente ligado ao PT na Petrobras - recebeu propina referente às obras das refinarias Repav (São José dos Campos), Repar (Paraná) e Replan (Paulínia, SP), no complexo petroquímico Comperj (RJ) e nos gasodutos Cabiúnas e Gasoduto Urucu Manaus. "Os depoimentos transcritos são bastante detalhados, revelando pagamentos de propinas em diversas obras da Petrobras, como na Repav, Cabiúnas, Comperj, Repar, Gasoduto Urucu Manaus, Refinaria Paulínia, a Renato Duque", informa o pedido de prisão. Os dois executivos apontaram ainda o nome de um outro gerente da Petrobras. As afirmações feitas nas delações têm "detalhes quanto ao modus operandi e as contas no exterior creditadas", informam os procuradores. Eles narraram "todo o esquema de cartelização, lavagem e pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, confirmando não só a participação de Alberto Youssef e Paulo Roberto Costa, mas das demais empreiteiras e ainda o envolvimento do petista Renato Duque, diretor de Serviços da Petrobras, e Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, outro operador encarregado de lavagem e distribuição de valores a agentes públicos". 

Petrobras diz que não recebeu notificação da Holanda

A Petrobras informa, sobre as notícias envolvendo a empresa SBM Offshore, que não recebeu nenhuma notificação da Justiça holandesa. A SBM Offshore fechou acordo com o Ministério Público da Holanda para evitar um processo judicial por corrupção. A empresa pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos pelo pagamento de propinas para conseguir contratos no Brasil, Guiné Equatorial e Angola. A estatal afirma que constituiu uma Comissão Interna de Apuração, em 13 de fevereiro, "mesmo dia em que tomou conhecimento das notícias sobre o suposto pagamento de propina pela empresa SBM a empregados da companhia". "O resultado da CIA, divulgado em 31 de março, concluiu, baseado nos trabalhos realizados e restrito à sua competência regulamentar, não ter encontrado fatos e documentos que evidenciassem pagamentos indevidos a empregados da Petrobras". Segundo a Petrobras, no dia 02 de abril, a SBM informou ao mercado que também não havia encontrado qualquer evidência de pagamentos impróprios. "A Petrobras enviou o relatório final da CIA para a Corregedoria Geral da União, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal e vem, enfaticamente, colaborando com as autoridades fornecendo esclarecimentos e documentos. Vale informar ainda que, mesmo após a conclusão dos trabalhos, a companhia continuou apurando novos fatos, por meio da sua Gerência de Segurança Empresarial, e encaminhando documentação complementar à CGU e MPF". Ainda segundo a estatal, em abril de 2014 foi iniciado um processo de Auditoria Especial e Sindicância pela CGU, que utilizou como base o relatório elaborado pela Comissão Interna de Apuração e documentos complementares enviados pela companhia. A Petrobras afirma que ainda não recebeu o resultado da sindicância. A petroleira ainda ratifica que não vem convidando a SBM a participar de processos licitatórios até que sejam concluídos os resultados das investigações em andamento pelos órgãos oficiais.

Empreiteiras dizem que irão colaborar com investigações

As empreiteiras que são alvo da operação deflagrada nesta sexta-feira pela Polícia Federal para busca e apreensão de documentos, além de prisões temporárias e preventivas, informaram por meio de notas distribuídas à imprensa que estão colaborando com as investigações. A ação da Polícia Federal busca identificar supostos desvios em contratos das companhias com a Petrobrás. Em comunicado, a Odebrecht afirmou que a Polícia Federal esteve nesta sexta-feira no escritório do Rio de Janeiro e que a equipe obteve auxílio para acessar qualquer documento ou informação buscada. "A Odebrecht reafirma que está inteiramente à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos sempre que necessário", ressaltou. A OAS disse que foram prestados todos os esclarecimentos solicitados e dado acesso às informações e documentos requeridos pela Polícia Federal durante a ida à sua sede em São Paulo. A Construtora Camargo Corrêa ressaltou que repudia as ações coercitivas, justificando que a empresa e seus executivos desde o início se colocaram à disposição das autoridades. Na mesma linha, a Mendes Júnior explicou que está colaborando com as investigações da Polícia Federal e contribuindo para o acesso às informações solicitadas. Além disso, a empresa destacou que nenhum de seus executivos foi preso. A Queiroz Galvão informou que suas atividades e contratos seguem rigorosamente a legislação em vigor e que a empresa está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos. A Engevix afirmou que prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados por meio dos seus advogados e executivos. A Galvão Engenharia mencionou que tem colaborado com todas as investigações e está permanentemente à disposição das autoridades. A UTC disse que colabora desde o início das investigações e continuará à disposição das autoridades para prestar as informações necessárias. Ou seja, são todas elas empresas "anjinhos", que só se comportam dentro dos limites da lei, não é mesmo?!!!!

Objetos confiscados de Perón após golpe desencadeiam batalha judicial na Argentina

Um biombo ornamentado dado a Evita Perón pelo então líder chinês Mao Tse-Tung, atrás do qual a diva populista argentina se vestia e despia, é um dos milhares de itens desaparecidos sendo disputados em uma batalha judicial prestes a começar em Buenos Aires. A peça de madeira foi presenteada em algum momento entre 1946 e 1952 como gesto de solidariedade entre o país de Mao e o de Juan Domingo Perón, lendário ex-presidente argentino e marido de Evita. O biombo é um dos tesouros de uma coleção de objetos da residência dos Perón que foram confiscados em 1955, quando Perón foi deposto por um golpe de Estado. Armazenados em um banco local, a maioria dos itens desapareceu, desencadeando uma ação civil de Mario Rotundo, cuja fundação Funpaz desfruta de direitos legais sobre as peças desde 1990. “Há uma quantidade enorme de coisas faltando. Eu diria que 95% dos itens sumiram”, disse Rotundo, que processou o Banco Ciudad. As negociações preliminares na ação de 1 bilhão de dólares já começaram, e um julgamento deve ter início antes do fim do ano. O biombo de três painéis – unidos por dois conjuntos de dobradiças e decorado com toques de ouro, prata e marfim – tem mais de dois metros de altura e três de comprimento. Ele foi levado de uma das casas dos Perón que hoje abriga a Biblioteca Nacional no bairro de alto luxo da Recoleta, em Buenos Aires. A peça de mobília não está entre os cerca de 300 itens ainda de posse do banco. O resto da coleção original – que inclui livros antigos, jogos de mesa de porcelana fina e jóias, entre elas um broche dado a Evita pelo falecido ditador espanhol Francisco Franco em 1947 – foi furtada ou arruinada pelas más condições de armazenamento ao longo das décadas. “Ainda sobraram algumas jóias, sobre as quais não sabemos muito. Há uma coleção de armas, pinturas e muitas peças de ouro e prata que foram salvas”, declarou Rotundo, de 64 anos, que conheceu Perón na Espanha em 1970. Os dois continuaram amigos até a morte de Perón, em 1974, o que abriu caminho para que a fundação de Rotundo recebesse os direitos sobre a coleção 24 anos atrás da terceira esposa de Perón, Estela Martínez. Ele entrou com a ação para compensar os itens perdidos. Outra ação apresentada por Rotundo em 2007, e que deve ir a julgamento em breve, busca obter o controle dos objetos remanescentes sem pagar a taxa de 100 mil dólares exigida pelo Banco Ciudad.

Agências afirmam que ratings da Petrobrás não sofrerão impacto imediato com adiamento do balanço

A postergação do balanço da Petrobras não tem impacto no rating da companhia no curto prazo, segundo afirmou a vice-presidente e analista sênior da Moody's, Nymia Cortes de Almeida. Mesmo assim, a analista ressaltou a importância da governança corporativa. "O atraso na publicação dos resultados trimestrais auditados não tem implicação no rating no curto prazo. A governança corporativa é um fator importante na nossa avaliação sobre o rating e nós continuamos a monitorar os padrões de governança corporativa da Petrobras, da mesma maneira que fazemos com todas as empresas que avaliamos", diz Nymia. A companhia de auditoria PricewaterhouseCoopers decidiu não assinar as informações trimestrais do balanço da Petrobras, para esperar a conclusão das investigações no âmbito da Operação Lava Jato. À noite, a estatal confirmou o adiamento da divulgação do balanço do terceiro trimestre de 2014, com estimativa em 12 de dezembro. A Petrobras justifica, em nota de hoje, que diversos contratos com cláusula de covenant (obrigação) determinam o encaminhamento das demonstrações contábeis trimestrais, auditadas ou não, após o prazo de 90 dias do encerramento do trimestre para os agentes financiadores, o que a autoriza a entregar as demonstrações contábeis do terceiro trimestre até o dia 30 de dezembro deste ano. A agência de classificação de risco Standard and Poor's afirmou em relatório que os ratings e a perspectiva da Petrobras não sofrerão impacto imediato das atuais investigações de corrupção e do anúncio de adiamento da publicação do balanço auditado do terceiro trimestre. No relatório a S&Poors comenta que a Polícia Federal brasileira está investigando acusações de lavagem de dinheiro e de corrupção praticada dentro da Petrobras, principalmente por meio de contratos com preços excessivamente altos. A agência observa, ainda, que a estatal anunciou o adiamento do processo de auditoria até que seja concluída a investigação interna sobre as acusações de corrupção. "Nós vamos continuar monitorando o desenvolvimento da investigação durante os próximos 90 dias", afirmou a Standard and Poors. Segundo a agência, o perfil de crédito independente bbb- da Petrobras pode ser revisado para baixo se houver uma revisão na avaliação da agência de uma diretoria e governança "satisfatórias" que modifique o perfil de crédito independente ou se houver multas ou sanções nos negócios pela lei anticorrupção brasileira ou outras leis, "que são incertas no momento e podem enfraquecer o fluxo de caixa da companhia". 

CPMI deve impedir quebra de sigilo de empreiteiras

Mesmo com a deflagração da nova fase da Operação Lava Jato, que levou a prisões de dirigentes das grandes empreiteiras do País, a CPI mista da Petrobras vai evitar eventuais quebras de sigilo bancário e fiscal das empresas e tentará "blindar" as construtoras envolvidas no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro em obras da estatal. Hoje, o consenso é de que parlamentares da base aliada e da oposição mantenham o acordo, firmado em maio, para impedir ações contra as empreiteiras e seus dirigentes na próxima terça-feira, 18, quando a comissão vai se reunir para votar requerimentos. Logo após a abertura da CPI mista, em maio, o jornal O Estado de S. Paulo revelou a existência de um acerto firmado por integrantes da base aliada e da oposição para blindar os fornecedores da Petrobras de serem alvo das quebras de sigilo. O acordo foi materializado no dia 16 de julho, quando nenhuma dessas empresas teve seu sigilo quebrado em sessão de votação de requerimentos pela comissão. O receio dos parlamentares era de que, se as investigações da comissão parlamentar contra as empresas fossem aprofundadas, elas fechariam a torneira das doações de campanhas. As doações, de fato, ocorreram. Levantamento do jornal O Estado de S. Paulo indicou pelo menos R$ 170 milhões em contribuições a comitês financeiros e direções partidárias feitos pelas empreiteiras envolvidas na ação da Polícia Federal de hoje. O valor é parcial, pois o Tribunal Superior Eleitoral ainda não processou todas as doações. Os repasses abasteceram campanhas da base aliada e da oposição, como o PT de Dilma Rousseff e o PSDB de Aécio Neves. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), é contrário a aprovar os pedidos de quebras de sigilo das empreiteiras. Para ele, é preciso antes ter acesso às delações do ex-diretor Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef para decidir o que investigar. "O que adianta quebrar o sigilo se não sabe para onde o dinheiro foi?", afirmou Nogueira, que comanda um partido da base aliada de Dilma. Integrante da CPI, o deputado Sibá Machado (PT-AC) disse que falta tempo para que esses requerimentos surtam algum efeito para as apurações da comissão. "Não vai ter tempo hábil. Até selecionar o que é de competência da CPI, estudar e se debruçar sobre o material, acabou a CPI", disse o petista, referindo-se ao fato que a comissão deve acabar no dia 23 de dezembro. Reservadamente, o PMDB é contra a medida por entender que a iniciativa, às vésperas do encerramento da comissão e sem o conteúdo da delação da operação da Lava Jato, também seria inócua. Para o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN), ainda é cedo para pedir a quebra de sigilo das empresas, defendendo o aprofundamento das apurações antes de exigir acesso às informações sigilosas das empreiteiras. Os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Izalci Lucas (PSDB-DF) fizeram coro a Agripino, dizendo que as empresas precisam responder antes aos pedidos de informação já aprovados no início deste mês. Na ocasião, em vez de quebrar os sigilos, a CPI deu 10 dias de prazo para que as empresas prestem informações genéricas sobre as suspeitas que pairam contra elas. "Se aquilo (as respostas) não for suficiente ou as informações não chegarem, a CPI pode e deve seguir naquilo que é preciso fazer para aprofundar as investigações", disse Maia. Após a eclosão da operação, em março, o Congresso abriu duas CPIs sobre a Petrobras. A primeira era formada exclusivamente pelos senadores, que foi abandonada logo no início pela oposição. Eles preferiram centrar esforços na CPI mista, que conta com a presença de deputados federais, menos fiéis ao governo. Até o momento, entretanto, nenhuma das duas CPIs tiveram grandes avanços.

Ministério Público Federal diz que medidas da operação desta sexta-feira permitem iniciar nova fase da investigação da Lava Jato

O Ministério Público Federal divulgou nota nesta sexta-feira na qual aponta que as medidas adotadas hoje na sétima fase da Operação Lava Jato "possibilitarão avançar nas investigações e iniciar nova fase do trabalho". De acordo com o Ministério Público Federal, estão sendo cumpridos 25 mandados de prisão, 55 mandados de busca e apreensão e nove de condução coercitiva em sete Estados. "O objetivo é coletar provas de crimes contra a administração pública e a ordem econômica e de lavagem de dinheiro, relacionados à Petrobras", afirma o Ministério Público Federal. As ações desta sexta-feira foram realizadas em conjunto por Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. Em entrevista coletiva concedida no Paraná, o procurador regional Carlos Fernando dos Santos Lima classificou esta sexta-feira como "um dia republicano". "Não há rosto nem bolso. Todos somos iguais e quem comete algum tipo de ilícito deve ser punido igualmente", disse o procurador, de acordo com nota do Ministério Público Federal. Lima faz parte da força-tarefa do Ministério Público Federal que investiga o esquema ligado à estatal.

Ministério Público Federal rastreia dinheiro desviado da Petrobras no Exterior

Os executivos Júlio Camargo e Augusto Mendonça Neto, delatores do núcleo empresarial investigado na Operação Lava Jato, relataram em depoimentos que pagaram mais de 30 milhões de reais ao ex-diretor de Serviços da Petrobras, o petista Renato Duque, preso nesta sexta-feira, e a um subordinado dele, Pedro Barusco, que era gerente de serviços. Os pagamentos de propina eram exigidos como condição para que a estatal assinasse contratos com empreiteiras do cartel investigado na operação, de acordo com os delatores. Foram denunciadas propinas em contratos da Refinaria de Paulínea (Replan), do Gasoduto Urucu-Manaus, do Terminal Cabiúnas 3, da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar) no Paraná, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e no Projeto Cabiúnas 2. Camargo e Mendonça Neto chegaram a indicar os bancos no Exterior em que os pagamentos eram feitos. De acordo com eles, havia pagamentos nos bancos Cramer e Credit Suisse, na Suíça, e no banco Winterbothan, no Uruguai. O Ministério Público Federal já requisitou em pedidos de cooperação internacional que os países confirmem a circulação de dinheiro do petista Renato Duque e do subordinado no país. Em relatório, o Ministério Público Federal destaca ainda que Barusco teve recentemente 20 milhões de dólares apreendidos administrativamente na Suíça. O caminho do pagamento de propinas, providenciado pelos delatores na maioria das vezes, foi descrito em diferentes projetos da Petrobras. Em contratos da Repar, por exemplo, o consórcio Interpar contratou a empresa Auguri Empreendimentos, uma das firmas mantidas por Camargo, e o dinheiro seguiu para contas do Exterior do petista Renato Duque e Barusco. O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, também utilizava contas na Suíça para receber propina no Exterior. Mas, em função do acordo de delação premiada, pelo qual prestou depoimentos com o objetivo de elucidar crimes em troca de penas mais brandas, teve de abrir mão do dinheiro. Agora, uma série de políticos teme eventual delação premiada do petista Renato Duque, indicado unicamente pelo PT – mais precisamente pelo ex-ministro e bandido petista mensaleiro José Dirceu.

Justiça cita Dilma e Aécio Neves para "reforçar" Operação Lava Jato

Ao decretar a execução da mais explosiva etapa da Operação Lava Jato, a Justiça Federal recorreu às declarações da presidente reeleita, a petista Dilma Rousseff, e do senador Aécio Neves (PSDB) ainda no calor da campanha eleitoral: "Apesar de adversários políticos na recente eleição presidencial, ambos, em consenso, afirmaram a necessidade do prosseguimento do processo (da Lava Jato) e a importância dele para o quadro institucional". Para a Justiça Federal, a "Operação Lava Jato, fruto de um competente trabalho de investigação e de persecução da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, tem recebido grande atenção da sociedade civil, inclusive com intensa exposição na mídia". "A magnitude dos fatos tem motivado inclusive manifestações das mais altas autoridades do País a seu respeito", destaca o despacho judicial que ordenou prisões temporárias e preventivas e bloqueio de bens dos investigados, entre eles os principais executivos das maiores empreiteiras do País. "Chamaram a atenção deste Juízo recentes declarações sobre a Lava Jato da Exma. Sra. presidente da República, Dilma Rousseff, e do Exmo. Sr. Senador da República, Aécio Neves. Reclamou o Exmo. Sr. Senador, em pronunciamento na Câmara Alta, pelo 'aprofundamento das investigações e exemplares punições àqueles que protagonizaram o maior escândalo de corrupção da história deste País'. Quanto à Exma. Sra. Presidente, declarou, em entrevista a jornal, que as investigações da Operação Lava Jato criaram uma 'oportunidade' para coibir a impunidade no País". "Evidentemente, cabe ao Judiciário aplicar as leis de forma imparcial e independentemente de apelos políticos em qualquer sentido", ressalva o despacho judicial. "Entretanto, os apelos provenientes de duas das mais altas autoridades políticas do País e que se encontram em campos políticos opostos confirmam a necessidade de uma resposta institucional imediata para coibir a continuidade do ciclo delitivo descoberto pelas investigações, tornando inevitável o remédio amargo, ou seja, a prisão cautelar".

Operador do PMDB, Fernando Baiano, distribuiu US$ 8 milhões na Petrobras, segundo delator

Sede da Petrobras, no Rio de Janeiro

Apontado como operador do PMDB no esquema do petrolão, o lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, é acusado de ter distribuído 8 milhões de dólares em propinas à diretoria Internacional da Petrobras. Ele está entre os alvos da sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira. Nesta etapa, a Polícia Federal prendeu executivos de empreiteiras e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, apontado como operador do PT no esquema. As investigações apreenderam papéis, documentos e planilhas com menções a pagamentos e dívidas das empresas a Fernando Soares associados a datas, sem especificar o ano. No total, os apontamentos indicam valores de 2,1 milhões de reais. Além desses valores, trechos do depoimento do executivo da Toyo Setal, Julio Camargo, descrevem a distribuição de propinas na diretoria internacional. O depoimento é citado no despacho em que o juiz Sergio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, autoriza as operações de busca e apreensão da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira. O relatório foi elaborado a partir dos depoimentos das delações premiadas, dados de sigilo bancário e fiscal, além das investigações do Ministério Público Federal. "Júlio Camargo ainda relata, em detalhes, episódio de pagamento de propinas por intermédio de Fernando Soares à Diretoria Internacional da Petrobras, na aquisição de sondas de perfuração pela Petrobras, inclusive revelando a forma de pagamento e a utilização por Fernando Soares, para recebimento de saldo de oito milhões de dólares em propina, das contas das empresas Techinis Engenharia e Consultoria S/C Ltda. e Hawk Eyes Administração de Bens Ltda". Ainda de acordo com o relatório, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, e o doleiro Alberto Youssef" declararam que o mesmo esquema criminoso que desviou e lavou 2% ou 3% de todo contrato da área da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás também existia em outras diretorias", citando as áreas de Serviços, ocupada por Renato Duque, e na área Internacional, dirigida por Nestor Cerveró. "Nestes desvios, atuavam outros operadores que não Alberto Youssef. "Fernando Soares, vulgo Fernando Baiano, estava encarregado da lavagem e distribuição de recursos para agentes públicos relacionados ao PMDB", indica o relatório. Em um trecho do depoimento de Alberto Youssef, o doleiro teria dito que "Fernando Soares operava com Paulo Roberto Costa, para o PMDB, e tinha quem operava a área de navios, que era o seu genro. E tinha um outro que se chamava Henri, que também operava quando o Partido Progressista". Soares foi procurado pela Polícia Federal na manhã desta sexta-feira, mas não foi localizado. A polícia já o incluiu na lista de procurados. Além da prisão, ele teve bloqueados os ativos de duas empresas que estariam em seu nome. Elas são localizadas em Ribeirão Pires (SP) e no Rio de Janeiro. "A investigação revelou modus operandi consistente na utilização de empresas de consultoria para recebimento de propina", diz o relatório do juiz Sergio Moro. De acordo com as investigações, há registros de fronteira indicando que Fernando Soares esteve fora do País durante todo o mês de outubro, com intervalo entre 24 e 27 de outubro. Segundo os investigadores há indícios de que as viagens foram "motivadas por receio do processo".

Aécio Neves é homenageado pelo PSDB em São Paulo



No primeiro ato político, depois das eleições, o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves, e lideranças partidárias conclamaram nesta sexta-feira (14/11), em São Paulo, os brasileiros para que mantenham a garra e a luta em favor de mudanças. O ato reuniu mais de 700 pessoas e vários integrantes da oposição. Aécio Neves lembrou que, nesta campanha, uma das marcas foi o apelos das ruas pelo fim da corrupção. “Os brasileiros foram às ruas para dizer que ‘basta de tanta corrupção’ e de ‘tanto descaso’. O Brasil acordou nessas eleições. Esse é o nosso desafio: de manter viva essa chama. Eu caminho pelas ruas do Brasil inteiro, e o sentimento que eu tenho é de vitória. Pela primeira vez, aqueles que venceram essas eleições, enfrentarão uma oposição conectada com os sentimentos das ruas e dos brasileiros”, afirmou ele. Aécio Neves e os tucanos ressaltaram que o PSDB fará uma oposição ética, atenta e vigorosa. “O PT verá uma oposição vigorosa e corajosa para denunciar as irregularidades, mas também patriótica”, afirmou Aécio Neves, acrescentando: “Se alguns poderiam achar que a derrota eleitoral abateria o meu ânimo, eu me sinto hoje mais determinado, com maior disposição, para exercer o papel que nos foi delegada pela sociedade brasileira". Aécio Neves relembrou, no entanto, que a campanha presidencial também registrou momentos desagradáveis, como as infâmias produzidas pelos adversários contra ele, caracterizando um verdadeiro terrorismo político. “Foi a campanha da infâmia e das mentiras em benefício de um projeto de governo. A história registrará que utilizaram o terrorismo”, disse. Participaram do ato político o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o presidente do PSDB em São Paulo, o deputado federal Duarte Nogueira, presidente nacional do Solidariedade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), o deputado eleito Bruno Covas (SP), o ex-governador Alberto Goldman, e o deputado José Aníbal, entre outros. Candidato a vice na chapa de Aécio Neves, Aloysio Nunes destacou que, na campanha eleitoral, houve o grito de liberdade evocado por 51 milhões de brasileiros que votaram em favor da candidatura Muda Brasil. O lema, reiterou ele, é fazer a oposição: “Nós não daremos trégua em nenhum momento”. Em viagem ao Exterior, o senador eleito José Serra (PSDB-SP) enviou uma mensagem por escrito para os participantes do ato político. “O resultado das eleições em São Paulo (onde Aécio conquistou dos 64% votos) atesta: PT aqui, não”, disse Serra, na mensagem, sendo aplaudido pelos presidentes. “O novo País é possível”, acrescentou. Duarte Nogueira afirmou ainda que o exemplo do que ocorreu em São Paulo, em que Alckmin venceu no primeiro turno e Aécio obteve maioria dos votos, é o da “boa política” executada com transparência e competência.

Aécio Neves avisa em São Paulo que a oposição irá até as últimas consequências



O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta sexta-feira, 14, que a Petrobrás está "maculada". Ao comentar os desdobramentos da sétima fase da Operação Lava Jato, que na manhã desta sexta-feira prendeu um ex-diretor da estatal e executivos de empreiteiras, o tucano disse que a prisão reforça ligação do PT nas suspeitas de corrupção envolvendo a petroleira. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou sentir "vergonha" de falar sobre as denúncias. Em encontro realizado em São Paulo com correligionários para agradecer a votação recebida no Estado nas eleições presidenciais, Aécio Neves usou parte do seu discurso para atacar a gestão do governo federal. Segundo ele, a estatal incorporou "a marca perversa da corrupção". Durante a sua fala, Aécio Neves disse ainda que enquanto o PT celebra as eleições, um "importante diretor da Petrobrás indicado pelo PT" era preso. "A Petrobrás está maculada pela irresponsabilidade de alguns de seus diretores", disse. Na sétima etapa da Lava Jato, foi preso temporariamente Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobrás, área comandada por ele entre 2003 e 2012. Para o senador, a prisão de Duque "vai deixar muita gente sem dormir" porque, segundo ele, representa o elo mais forte com o partido. O tucano criticou também o fato de o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ter aberto investigação contra delegados da Polícia Federal pelo fato de eles terem manifestado nas redes sociais simpatia pela sua candidatura do neste pleito. Para Aécio, a ação é inadmissível e Cardozo deveria estar atento ao que acontece na Petrobrás. Ao falar sobre o escândalo na estatal, o senador Aloysio Nunes ironizou: "A casa caiu". Em rápida entrevista coletiva concedida antes do evento, que reuniu no mesmo palco Aécio Neves, o ex-presidente Fernando Henrique, o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) e o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador mineiro disse que a oposição fará tudo que estiver ao seu alcance para impedir que o governo altere a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a meta fiscal. "Vamos até as últimas consequências para evitar alteração na LDO e vamos impedir qualquer manobra no Congresso. A oposição vai reagir porque o Brasil não pode virar a casa da mãe Joana, onde cada um faz o que quer", disse. Segundo Aécio Neves, a oposição poderá, inclusive, impetrar uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal para impedir que o governo altere a LDO.

O editorial do Estadão desta sexta-feira: “Lula e Dilma sempre souberam”

Leiam o editorial do Estadão desta sexta-feira. Dilma, Lula e o PT manifestaram a intenção de recorrer à Justiça contra aquela capa de VEJA. Vão processar também o Estadão? Chegarão à loucura de processar os fatos? Leiam o texto.

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Em janeiro de 2010, quando ocupava a Presidência da República e Dilma Rousseff era ministra-chefe da Casa Civil, Lula vetou os dispositivos da lei orçamentária aprovada pelo Congresso que bloqueavam o pagamento de despesas de contratos da Petrobrás consideradas superfaturadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Lula sabia exatamente o que estava fazendo, tanto que se empenhou em justificar longamente sua decisão, na mensagem de veto encaminhada ao Congresso. E é impossível que Dilma Rousseff ignorasse o assunto, pois o veto foi encaminhado ao Congresso pela Mensagem n.º 41, de 26/1/2010, da Casa Civil. Até um cego enxerga que os governos petistas permitiram, quando não estimularam, as irregularidades na Petrobrás. E agora está claro e confirmado que Lula e Dilma não desconheciam o assalto à maior empresa brasileira. Tudo está registrado no Diário Oficial da União. As evidências são abundantes, resultado do trabalho do TCU, da Controladoria-Geral da União (CGU), da Polícia Federal (PF) e também do Congresso Nacional. E agora a empresa holandesa SBM Offshore, fornecedora da Petrobrás, faz um acordo com o Ministério Público de seu país pelo qual pagará US$ 240 milhões em multas e ressarcimentos para evitar processo judicial por corrupção por ter feito “pagamentos indevidos” para obter contratos no Brasil, na Guiné Equatorial e em Angola. Os pagamentos incluem US$ 139 milhões relativos a contratos com a estatal brasileira. No Brasil, o assunto já é objeto de investigação pela CGU. Sempre que é questionada sobre os sucessivos escândalos envolvendo a Petrobrás, Dilma alega que os “malfeitos” aparecem porque ela própria “manda investigar”, como se o TCU, a CGU e a PF dependessem de ordem direta da Presidência da República para cumprir suas obrigações constitucionais. Ao contrário de “mandar” investigar, o governo tem feito o contrário, tentando, por exemplo, esvaziar o trabalho das duas comissões de inquérito do Congresso ou vetando medidas profiláticas como as sugeridas pelo TCU. O vínculo do PT com a corrupção na gestão da coisa pública não se explica apenas pela vocação de notórios larápios, mas principalmente pela marota convicção de que, num ambiente dominado pelos famosos “300 picaretas”, é indispensável dispor sempre de “algum” para ajeitar as coisas. Em outras palavras: a governabilidade exige engrenagens bem azeitadas. Pois foi exatamente com esse espírito que Lula, com o óbvio conhecimento de Dilma, ignorou solenemente o acórdão do TCU que apontava graves irregularidades em obras da Petrobrás e vetou os dispositivos da lei orçamentária que, acatando a recomendação do Tribunal de Contas, impediam os repasses considerados superfaturados. Só com isso, Lula permitiu a liberação de R$ 13,1 bilhões para quatro obras da Petrobrás, dos quais R$ 6,1 bilhões eram destinados à construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Ao vetar, “por contrariedade ao interesse público”, os dispositivos da lei de meios que coibiam a bandalheira, Lula argumentou que a aceitação das recomendações do TCU sobre as quatro obras implicaria “a paralisação delas, com prejuízo imediato de aproximadamente 25 mil empregos e custos mensais da ordem de R$ 268 milhões, além de outros decorrentes da desmobilização e da degradação de trabalhos já realizados”. Ou seja, a corrupção embutida nos contratos da Petrobrás, comprovada pelo TCU, seria um mal menor. Perfeitamente aceitável para quem acredita e apregoa que “excessos de moralismo” são coisas de “udenistas” e “burgueses reacionários”. Mesmo se admitindo – só para argumentar e na mais indulgente das hipóteses – que o veto de Lula, afinal, tenha beneficiado o interesse público, é o caso de perguntar: o que foi feito, daí para a frente, para coibir os notórios “malfeitos” na Petrobrás? Os operadores da bandalheira permaneceram rigorosamente intocados, enriquecendo e distribuindo o dinheiro da Petrobrás para políticos amigos até o fim do mandato de Lula. Depois de assumir o governo, Dilma jamais deu importância ao assunto publicamente, limitando-se a garantir que “mandou apurar” tudo.
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Por Reinaldo Azevedo

Herança maldita – Pela 1ª vez em meses de outubro, Brasil fecha vagas de trabalho

O Brasil fechou 30.283 vagas formais de trabalho em outubro, primeiro resultado negativo nesse mês desde o início da série histórica, em 1999, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgado pelo Ministério do Trabalho nesta sexta-feira. Em setembro, haviam sido criados 123.785 postos com carteira assinada, sem ajustes. Analistas esperavam a abertura de 56 mil vagas. O saldo do mês passado é resultado de 1.718.373 admissões e de 1.748.656 demissões. No acumulado do ano até outubro houve criação líquida de empregos formais de 912.287 vagas. A geração de empregos no mês passado ficou bem abaixo do resultado de outubro de 2013, quando houve criação de 94.893 vagas pela série sem ajuste e em 130.865 pela série ajustada. A série sem ajuste considera apenas o envio de dados pelas empresas dentro do prazo determinado pelo Ministério do Trabalho. Após esse período há um ajuste da série histórica, quando as empregadoras enviam as informações atualizadas para o governo. Os setores de construção civil, agricultura e indústria de transformação foram os principais responsáveis pelas demissões verificadas no mês passado. A construção civil apresentou um saldo negativo de 33.556 vagas, a agricultura encerrou 19.624 vagas e a indústria de transformação, 11.849 postos de trabalho. A extrativa mineral fechou 557 vagas. Os serviços industriais de utilidade pública também encerraram vagas, num total de 85. Por outro lado, o comércio abriu 32.771 vagas e o setor de serviços abriu 2.433 postos de trabalho. A administração pública teve um saldo positivo de 184 vagas. Os dados mostram o forte impacto da economia fraca na oferta de empregos em outubro, tradicionalmente um mês de oferta de emprego elevada. Pesquisa Focus do Banco Central com economistas de instituições financeiras mostra que, pela mediana, as expectativas são de que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá apenas 0,2% este ano, bem abaixo dos 2,5% vistos em 2013. O Ministro do Trabalho, Manoel Dias, se disse “surpreso” com o resultado negativo – o mercado financeiro previa crescimento de 56.250 vagas no indicador. De acordo com ele, o governo esperava que as reduções causadas pelos fatores citados fossem compensadas pelas contratações temporárias, comuns no fim de ano. “As demissões foram feitas, mas as contratações acabaram ficando para depois”, argumentou. “Esperamos que no mês que vem sejamos contemplados com os contratos de trabalho temporário.” Dias admitiu que o governo pode não alcançar a meta de criação de postos de trabalho prevista para este ano, de 1 milhão de empregos, mas disse não estar preocupado com uma possível onda de demissões. “A economia mundial não se recuperou como se esperava, mas seguramente vamos nos recuperar, o governo não vai abrir mão de dar prioridade a ações e medidas que garantam a geração de empregos e a valorização dos salários”, disse. O ministro ressaltou que, apesar do resultado de outubro, o saldo do mercado formal de trabalho em 2014 segue positivo, com 912.287 empregos gerados: “Seguimos em situação de pleno emprego no país, não podemos projetar a criação de 200 mil postos, porque não teríamos mão de obra para ocupá-los".

Ações da Petrobras voltam a despencar

Uma hora e meia depois da abertura do pregão da Bovespa, as ações da Petrobras abriram em queda de mais de 4% nesta sexta-feira. Por volta das 12h10, os papéis preferenciais (PN, sem direito a voto) recuavam 4,19%, e as ações ordinárias (ON, com direito a voto) cediam 4,27%. A queda as ações da estatal pressionam o Ibovespa, que também opera no vermelho, em queda de 1,37%, aos 51.133 pontos. O call de abertura da Petrobras, que ocorre diariamente antes do início do pregão com o objetivo de fixar o preço de abertura, foi adiado para às 11h30. Segundo a Bolsa de Valores, o adiamento se deu para que os investidores pudessem digerir o fato relevante divulgado na quinta-feira, em que a Petrobras adiou a divulgação de seu balanço. A situação é tão incomum que fez com que os próprios diretores da bolsa faltassem à coletiva de divulgação de resultados da BM&FBovespa, no início da manhã desta sexta-feira. O adiamento da publicação do balanço referente ao terceiro trimestre de 2014 já fez com que o Bank Of America Merrill Lynch rebaixasse, na manhã desta sexta-feira, a recomendação para as ações da estatal de “compra” para “neutro”. Já o analista de investimentos da Spinelli Corretora, Elad Revi, comentou que o adiamento, para além do prazo legal, é bastante preocupante. Segundo ele, a postergação do balanço e os problemas com a auditoria independente geram insegurança e minimizam a confiança, aumentando o risco para a imagem da companhia. Nesse ambiente, a estatal deve buscar mínimas históricas, previu o analista da Spinelli. Segundo fato relevante divulgado na quinta-feira, 13, pela Petrobras, “em observância ao princípio da transparência, a Petrobras estima divulgar, em 12 de dezembro, informações contábeis relativas ao terceiro trimestre de 2014 ainda não revisadas pelos auditores externos, refletindo a sua situação patrimonial à luz dos fatos conhecidos até essa data”. A auditora PricewaterhouseCoopers (PwC) decidiu não assinar as informações trimestrais da estatal por esperar a conclusão das investigações sobre as denúncias do ex-diretor da companhia Paulo Roberto Costa no âmbito da Operação Lava Jato. A operação entrou nesta sexta-feira em sua sétima fase, com a prisão, em Brasília, do vice-presidente da construtora Mendes Júnior, Sérgio Cunha Mendes, além de fazer buscas na sede da empreiteira. Policiais também vasculharam endereços da Odebrecht e de três de seus executivos. Trata-se de Márcio Faria da Silva, Rogério Campos de Araújo e Saulo Vinicius Rocha Silveira. Executivos das duas empresas são suspeitos de pagar propina a dirigentes da Petrobras em troca de contratos superfaturados em obras da estatal. Parte dos recursos do esquema era direcionada a partidos da base aliada do governo, entre eles o PT e o PMDB, segundo o inquérito.

Boulos, a CUT e outros esbirros do poder marcharam contra “a direita”; quem for neste sábado marchará a favor do “estado de direito”

Manifestações de protesto contra o governo Dilma estão sendo marcadas pelas redes sociais em várias cidades do País para este sábado, aniversário da Proclamação da República. Como costuma acontecer nesses casos, nunca se sabe quantas pessoas serão efetivamente mobilizadas. Podem aparecer alguns poucos entusiasmados; podem ser muitos os indignados. Não importa! Protestar contra o governo de turno, desde que segundo as regras da civilidade, é um dos atributos dos regimes democráticos. Observe-se que os que hoje se levantam contra a roubalheira e os desmandos não dispõem de uma clientela, como a do sr. Guilherme Boulos, o chefão do MTST, que saiu na quinta-feira a vomitar impropérios em defesa do governo. Também não contam com as facilidades da CUT, o sindicalismo chapa-branca que se ancora no dinheiro de um imposto, sobre o qual não precisa nem prestar contas. Se, neste sábado, houver 10 ou 10 mil indivíduos nas ruas, lá eles estarão por conta própria. Não estarão ocupando o espaço público para ganhar uma casinha do movimento do sr. Boulos. Tampouco serão meros contínuos de um partido político, financiados com capilé oficial. Os protestos marcados para este sábado, reúnam 10 ou 10 mil, são expressões da cidadania sem cabresto, da cidadania que não se deixa capturar por um partido político, por um ente de razão, por uma ideologia redentora que precisa alimentar o ódio para ganhar musculatura. O País vive um dos momentos mais delicados de sua história. Esquerdistas de fancaria, nababos alimentados com dinheiro público, burguesotes do capital público e alheio, pilantras que mamam nas tetas do governo, essa escória política resolveu inventar que existe um movimento golpista no País, mesmo truque empregado em 2005, quando explodiu o escândalo do Mensalão do PT. Uma cobertura irresponsável dos protestos antigovernistas tentou pespegar essa pecha em pessoas comuns, justamente indignadas com o fato de que o fruto do seu trabalho é hoje, na prática, expropriado por bandidos. Golpista uma ova! Golpistas são os assaltantes da Petrobras. Golpistas são os ladrões de dinheiro público. Golpistas são os que usam o estado brasileiro a serviço de seu projeto de poder. Golpistas são aqueles que se consideram os donos da agenda, os donos da história, os donos do Brasil. Não sei, reitero, se haverá nas ruas 10 ou 10 mil, mas que todos estejam imbuídos de um único propósito: fazer valer a Constituição; fazer valer as leis; fazer valer o estado de direito. Um único homem pedindo justiça já pode ser o início da revolução da decência. Repudiem, insisto neste aspecto, os imbecis que eventualmente comparecerem a atos públicos cobrando intervenção militar. Ou são idiotas ou, o que é mais provável, agentes provocadores, que alimentarão o jornalismo da distorção. Vai triunfar a lei no País, queiram eles ou não. Se ficar comprovado que Dilma não sabia da roubalheira em curso na Petrobras, ela não perderá seu mandato — não por isso ao menos. Se ficar comprovado que sabia, então será deposta. Não por um golpe, mas pela Constituição. Já aconteceu antes, e o País se fortaleceu. A melhor palavra de ordem para quem quer ocupar as ruas não é o “impeachment de Dilma”. Que a banda boa da Política Federal, da Justiça e do Ministério Público se encarreguem da questão. A boa palavra de ordem é a defesa das leis e do estado de direito. Guilherme Boulos, a CUT e seus truculentos disseram marchar na quinta-feira contra a direita. Errado! Eles foram às ruas contra o estado de direito. E vão perder. Não! O Brasil não pede uma intervenção militar. O Brasil pede a intervenção da sociedade civil, lúcida, democrática, aberta ao futuro, sorridente, esperançosa e feliz. Esses mortos-vivos que tentam impedir o Brasil de se expressar vão perder. Por Reinaldo Azevedo

Iraque expulsa o Estado Islâmico de cidade com maior refinaria do país

O exército iraquiano informou nesta sexta-feira que rechaçou por completo os terroristas do grupo Estado Islâmico (EI) que ocupavam Baiji, cidade localizada 200 quilômetros ao norte de Bagdá e onde está instalada a maior refinaria de petróleo. O general Abdul-Wahab al-Saadi afirmou à televisão estatal que a área urbana foi completamente liberada, mas ainda há relatos de batalhas nas proximidades da unidade petrolífera. Acredita-se que a estrada que leva ao local esteja repleta de emboscadas armadas pelos jihadistas. Segundo um capitão do Exército, aviões de guerra estão sendo deslocados para bombardear os radicais que ainda se concentram na região. Ganhos expressivos em Baiji começaram a ser registrados pelo Exército do Iraque no domingo. Oficiais disseram que os militares usaram sistemas de som para pedir que os moradores ficassem dentro de suas casas durante a operação. Segundo a BBC, 200.000 pessoas moram na cidade. As tropas iraquianas consideram o controle de Baiji estratégico para o combate contra o Estado Islâmico. Além de capturar a refinaria, responsável por um quarto da produção de petróleo do país, os militares esperam utilizar a cidade para chegar a outras fortalezas dos terroristas. Baiji está situada na principal estrada que dá acesso a Mosul, a segunda maior cidade do país e que se encontra sob domínio do Estado Islâmico, e a Tikrit, um reduto jihadista localizado ao sul do país. Um novo relatório divulgado pela ONU nesta sexta-feira acusa o Estado Islâmico de cometer crimes de guerra e impor à Síria um domínio de terror”, reportou a BBC. O documento, escrito com base nos depoimentos de mais 300 pessoas, destaca que o Estado Islâmico está empregando “violência extrema” contra a população. Fotos e vídeos que também foram analisados pelos especialistas indicam que uma das estratégias utilizadas para amedrontar os cidadãos é deixar cadáveres em espaços públicos, o que serviria de aviso para os residentes obedecerem aos terroristas.

Polícia Federal aciona Interpol para localizar foragidos da Lava Jato

A Polícia Federal acionou a Interpol nesta sexta-feira para tentar localizar Adarico Negromonte Filho, irmão do ex-ministro das Cidades Mário Negromonte, e o lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema do Petrolão. A Justiça expediu mandado de prisão contra ambos, mas eles não foram localizados pelos agentes. O irmão do ex-ministro era subordinado ao doleiro Alberto Youssef, um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobras e lavagem de dinheiro que teria movimentado 10 bilhões de reais. O juiz Sérgio Moro, da Justiça do Paraná, determinou a prisão temporária (cinco dias) de Adarico Negromonte. Segundo investigadores, contudo, há dois meses, ele não é localizado. Mário Negromonte, irmão de Adarico, ocupou a pasta das Cidades no governo Dilma Rousseff. "Todos os investigados que não foram localizados já foram registrados no sistema de procurados e estão impedidos de deixar o País", informou nesta sexta-feira o delegado federal Igor Romário de Paula. Segundo ele, a inclusão desses nomes no alerta vermelho da Interpol está sendo providenciada. Na sétima etapa da Lava Jato, a Polícia Federal também prendeu executivos e fez buscas e apreensão em sete das maiores empreiteiras do País, apontadas como o braço financeiro de um esquema de corrupção na estatal. Confira os mandados de prisão decretados pela Justiça Federal: 
1. Eduardo Hermelino Leite, da Construtora Camargo Correa;
2. José Ricardo Nogueira Breghirolli, da OAS;
3. Agenor Franklin Magalhães Medeiros, da OAS;
4. Sergio Cunha Mendes, da Mendes Júnior;
5. Gerson de Mello Almada, da Engevix;
6. Erton Medeiros Fonseca, da Galvão Engenharia.
Prisão temporária:
1) Dalton dos Santos Avancini, da Construtora Camargo Correa;
2) João Ricardo Auler, da Construtora Camargo Correa;
3) Mateus Coutinho de Sá Oliveira, da OAS;
4) Alexandre Portela Barbosa, da OAS;
5) José Aldemário Pinheiro Filho, da OAS
6) Ednaldo Alves da Silva, da UTC;
7) Carlos Eduardo Strauch Albero, da Engevix;
8) Newton Prado Júnior, da Engevix;
9) Otto Garrido Sparenberg, da IESA;
10)Valdir Lima Carreiro, da IESA;
11) Ricardo Ribeiro Pessoa, da UTC;
12) Walmir Pinheiro Santana, da UTC;
13) Othon Zanoide de Moraes Filho, da Queiroz Galvão;
14) Ildefonso Colares Filho, da Queiroz Galvão;
15) Jayme Alves de Oliveira Filho, subordinado de Alberto Youssef;
16) Adarico Negromonte Filho, subordinado de Alberto Youssef;
17) Carlos Alberto da Costa Siva, emissário das empreiteiras;
18) Renato de Souza Duque, ex-diretor da Petrobras;
19) Fernando Antonio Falcão Soares, lobista
Investigados que sofreram bloqueios bancários:
1) Eduardo Hermelino Leite
2) Dalton dos Santos Avancini
3) João Ricardo Auler
4) José Ricardo Nogueira Breghirolli
5) José Aldemário Pinheiro Filho
6) Agenor Franklin Magalhães Medeiros
7) Ricardo Ribeiro Pessoa
8) Walmir Pinheiro Santana
9) Sérgio Cunha Mendes
10) Gerson de Mello Almada
11) Othon Zanoide de Moraes Filho
12) Ildefonso Colares Filho
13) Valdir Lima Carreiro
14) Erton Medeiros Fonseca
15) Fernando Antonio Falcão Soares
16) Renato de Souza Duque

Fernando Henrique Cardoso diz se envergonhar do que o PT fez com a Petrobras

A sétima fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta-feira, foi um dos principais assuntos do encontro que reuniu em São Paulo, nesta sexta-feira, a cúpula do PSDB. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez um dos discursos mais contundentes ao afirmar que, como brasileiro, sente vergonha pelo que está acontecendo na Petrobras. "Não venham dizer que quando fizemos a quebra do monopólio era para privatizar a empresa. Não, era para evitar que ela caísse, como caiu, nas garras dos partidos desonestos. E que se transformasse no uso do dinheiro do povo para fins políticos/partidários", disse, emendando: "Temos de resgatar nossa posição patriótica, nacionalista, mas não de cegos". Para Fernando Henrique Cardoso, o povo vai pagar o preço de todos esses rombos nos cofres públicos, porque isso vai acabar virando imposto e pressionar a inflação. "Nós (PSDB) sabemos governar, não vamos jogar contra o Brasil, mas quero ver essa gente (governar) porque até o ministro da Casa Civil (Aloizio Mercadante) diz que a situação é séria e delicada. Não vamos deixar que eles façam gol contra no Congresso. Vamos para as ruas e não vamos sair delas". Nas críticas ao governo da presidente reeleita Dilma Rousseff (PT), Fernando Henrique disse que basta olhar as fotografias dos vitoriosos nas eleições presidenciais para ver "as caras atormentadas porque não sabem o que vão fazer ou como irão construir um ministério." E continuou: "Eles (governo Dilma) fazem truques, querem agora derrubar a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal), derrubaram os dados sobre miséria, não sabem o que fazer, estão atônitos. E a nossa responsabilidade é combater (este governo) com firmeza, mas sempre com responsabilidade constitucional, pois somos depositários da democracia". No discurso, o ex-presidente tucano defendeu o seu legado, destacando que foi o PSDB quem começou a combater a miséria com o Plano Real, que trouxe a estabilidade da moeda: "Fizemos mais do que fez a Dilma e vem essa gente dizer que o PSDB não olha para o povo. Chega de mentiras". No palanque que reuniu lideranças da oposição em São Paulo, nesta sexta-feira, o ex-presidente disse que o futuro do Brasil já está sendo construído: "Não somos contra o Brasil, mas contra os desmandos dos que estão governando o País". O mote do encontro foi o agradecimento do senador mineiro Aécio Neves, candidato derrotado neste pleito presidencial, à população de São Paulo, pela votação histórica que teve no Estado. Além de Aécio e FHC, estavam no evento o governador reeleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, o senador Aloysio Nunes Ferreira, candidato a vice na chapa de Aécio, o ex-governador Alberto Goldman, o presidente do Solidariedade, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, além de parlamentares eleitos neste pleito. O senador eleito por São Paulo, José Serra, não compareceu porque está em viagem ao Exterior. Mas enviou uma carta, que foi lida antes do início dos discursos, destacando que o PSDB termina 2014 ainda mais forte: "Mostramos que um novo País é possível e o resultado as eleições mostra claramente que em São Paulo o PT não tem vez". As palavras de ordem contra o PT e contra Dilma também foram destaque no evento. Na platéia, alguns correligionários defendiam o impeachment da presidente da República, num contraponto aos dirigentes da sigla que pregavam respeito às regras democráticas. Aécio, quando indagado por uma correligionária se iria defender o impeachment de Dilma, destacou: "Vamos às ruas, mas dentro das regras democráticas, o nosso limite é o respeito à democracia".

Empreiteiras movimentaram R$ 90 milhões para empresas do doleiro Alberto Youssef

A Justiça Federal de Curitiba identificou pagamentos de 90 milhões de reais das empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato às empresas controladas por Alberto Youssef. O doleiro é apontado como o responsável por repassar os recursos desviados da Petrobras a partidos políticos, empresários e outros beneficiados do esquema de corrupção. Os pagamentos às empresas do pivô da Lava Jato eram justificados como quitação de serviços terceirizados de consultoria financeira e técnica mas, de acordo com as investigações, as empresas controladas por Youssef não exerciam qualquer atividade econômica e funcionavam apenas como fachada para a lavagem do dinheiro. Entre as movimentações suspeitas aparecem depósitos de 4,8 milhões de dólares feitos pela OAS African Investments Limited em três parcelas entre maio e agosto de 2013. Os recursos foram depositados em uma conta em agência do PBK Bank, na Suíça, em nome da empresa de serviços off-shore Santa Thereza Services, que também seria controlada pelo próprio Alberto Youssef. Além do depósito, foram localizadas transferências de 5,5 milhões de reais feitas por consórcios liderados pela Mendes Junior, que teve o vice-presidente preso durante as operações da Polícia Federal desta sexta-feira. Também há depósitos da Investminas (4,3 milhões de reais), da construtora OAS (1,6 milhão de reais) e Engevix (3,2 milhões de reais), entre outros. De acordo com o relatório, que embasou as prisões e investigações deflagradas pela Polícia Federal nesta sexta-feira, as investigações indicaram que "as maiores empreiteiras do País formariam uma espécie de cartel, definindo previamente as vencedoras das licitações da Petrobras, o que lhes permitia cobrar o preço máximo da empresa estatal, e que pagavam um porcentual, de 3% ou 2%, sobre o valor dos contratos a agentes públicos". O documento relata que os valores desviados da estatal eram repassados pelos consórcios de empreiteiras a empresas terceirizadas e fornecedoras de equipamentos. Estas, então, repassavam os valores a empresas controladas por Alberto Youssef, como a MO Consultoria e a GDF Investimentos, simulando a execução de serviços de consultoria. Somente o Grupo Sanko teria movimentado mais de 33 milhões de reais para as contas do doleiro. O grupo possui contratos de mais de 3 bilhões de reais para fornecimento de tubulações para obras da estatal. Um dos executivos do grupo, Márcio Bonilho, em depoimento prestado na Justiça Federal, confirmou o relacionamento e os repasses ao doleiro. O relatório apresenta trechos do depoimento em que descreve Youssef como alguém de "credibilidade boa", que "abria portas" e andava com pessoas "tomadoras de decisão" em relação aos contratos. "Saímos tentando vender esse projeto, eu conheci o Alberto Youssef, se eu não me engano uns quatro ou cinco. (...) Ele era uma pessoa que gozava de uma credibilidade boa nesse setor e ele andava com pessoas tomadoras de decisão (...). Eu coloquei a possibilidade, ele falou de uma possibilidade de pagar comissões para ele, eu fechei o negócio e aconteceram as comissões", diz o trecho. Em outra passagem, Bonilho afirmou que o doleiro tinha relações com diretores das empreiteiras e marcava reuniões com o executivo. "Ele apresentava, marcava uma reunião, eu era recebido, fazia a apresentação técnica e nós tentávamos fazer a venda. Eu fechei negócios com o CNCC, fechei negócios com o Conest, fechei negócios com a UTC, fechei negócios com Engevix, com o Estaleiro, fechei... Não recordo todos, mas fechei meia dúzia de negócios, assim, com 10 empresas distintas", completou o trecho. O relatório é assinado pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara da Justiça Federal do Paraná, responsável pelo caso. O documento apresenta uma planilha resultado de perícia elaborada no decorrer das investigações a partir de informações obtidas com a quebra do sigilo fiscal e bancário das empresas. Também foram investigadas "planilhas de contabilidade informal" do doleiro citando "comissões e repasses", mas sem identificar beneficiários. Os depósitos teriam ocorrido entre 2009 e 2013, período em que foram identificadas as irregularidades na Petrobrás. Os depoimentos de funcionários das empresas do doleiro Alberto Youssef também indicaram que os contratos não eram efetivamente cumpridos e que as empresas apenas forneciam notas fiscais. "Não foi colhida qualquer prova de que as referidas empresas MO Consultoria, GDF Investimentos, Empreiteira Rigidez e RCI Software prestassem, de fato, alguma espécie de serviço de consultoria ou mesmo que tivessem quadro especializado de empregados ou terceirizados aptos a atender consultorias técnicas para as maiores empreiteiras de obras do Brasil", completa o juiz Sérgio Moro.

Oposição quer convocar para depor na CPI do Petrolão o afilhado do bandido petista mensaleiro José Dirceu



Desde que foi criada, em maio desde ano, a CPI Mista da Petrobras tenta convocar o ex-diretor de Serviços, Renato Duque, preso nesta sexta-feira na sétima fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal. Quatro requerimentos pedindo a audiência com o executivo foram apresentados, mas todos seguem sem votação graças a uma blindagem da maioria governista. Na última reunião da comissão de inquérito, a sessão foi encerrada mais cedo justamente para evitar a aprovação do pedido. "A bancada do governo esvaziou a CPI para impedir a convocação do Duque. Agora mais do que nunca a CPI precisa chamá-lo", defendeu o líder do DEM na Câmara, deputado Mendonça Filho (PE). "Ele foi preso e isso demonstra que estávamos no caminho certo", continuou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que é membro da comissão. Na última terça-feira, aliados do Palácio do Planalto esvaziaram a reunião da CPI, o que inviabiliza a votação de quaisquer requerimentos por falta de quórum. Deputado do governista PDT, o deputado Enio Bacci (RS) explicou a estratégia: ele contou ter ouvido "sete ou oito" pedidos de integrantes de seu partido e de outros parlamentares governistas para que não comparecesse à CPI – sob a ameaça de que seria destituído de seu lugar na comissão. "É revoltante a forma como isso ocorreu. Em vinte anos, é a primeira vez em que houve uma pressão tão escancarada para que eu não comparecesse a uma CPI", disse durante a sessão. Ainda que o movimento agora seja aumentar a pressão para que Renato Duque compareça ao colegiado, a expectativa é que o executivo, se comparecer ao Congresso, permaneça mantenha em silêncio, a exemplo do que fez o ex-diretor Paulo Roberto Costa. "Isso dificulta um pouco o andamento da CPMI, porque ele também pode entrar na delação premiada e acaba impedido de falar o que poderia falar", argumenta o deputado Izalci (PSDB-DF), também integrante do colegiado: "Pode ser que ele não fale". "Não vamos deixar de convocar. Isso serve para a gente preparar a CPI da próxima legislatura", diz Delgado. "Queremos aprovar tudo, mesmo que não dê tempo de apurar. Vamos ouvir todo mundo e o que não der tempo será usado na próxima CPI que será instalada", acrescenta Izalci. Durante evento nesta sexta-feira, em São Paulo, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) também comentou a nova fase da Operação Lava-Jato e cobrou o aprofundamento das investigações: “As coisas estão chegando muito próximo dos mais altos dirigentes desse governo, e é preciso que essas investigações ocorram. O que posso assegurar é que tem muita gente em Brasília sem dormir nesses últimos dias, e continuará sem dormir”, afirmou. Para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o povo brasileiro sente “vergonha” de dizer o que está acontecendo no País. “Fui tesoureiro da associação pró-Petrobras. Não venham dizer que quando fizemos a quebra do monopólio era para privatizar a empresa. Não, era para evitar que ela caísse, como caiu, nas garras dos partidos desonestos. E que se transformasse no uso do dinheiro do povo para fins políticos/partidários”, afirmou.

Líder do PPS diz que Lava-Jato vai levar Dilma à ruína

O líder da bancada do Partido Popular Socialista (PPS) na Câmara, deputado Rubens Bueno, disse que a corrupção na Petrobras, revelada pela operação Lava-Jato, pode levar o governo de Dilma Rousseff (PT) “à ruína”. A oposição subiu o tom das críticas ao governo e à condução da CPI mista da Petrobras depois da deflagração da sétima fase da Operação, na manhã desta sexta-feira. Os agentes da Polícia Federal cumpriram mandatos de prisão no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná, em Minas Gerais, em Pernambuco e em Brasília, e bloquearam quase R$ 500 milhões em bens de suspeitos. “Se confirma uma previsão que ela não queria ver realizada, não vai sobrar pedra sobre pedra. Dessa vez, ao contrário do que fizeram após o Mensalão, será impossível reconstruir o castelo da corrupção”, disse Bueno, que é integrante da CPI mista. Entre os presos da manhã de hoje está o ex-diretor da empresa, o petista Renato Duque, um dos responsáveis pela arrecadação de propinas na estatal.

Polícia Federal já sabe quem é o petista que recebeu 100 milhões de dólares do Petrolão



Na sétima etapa da Operação Lava-Jato, a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro, Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Ele é suspeito de participar de um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras maior até que o do ex-diretor Paulo Roberto. Só um dos cúmplices de Renato Duque recebeu US$ 100 milhões, segundo revelou ao GLOBO uma fonte vinculada às investigações. Policiais e procuradores da força-tarefa que estão à frente da Lava-Jato já identificaram o suposto envolvimento de Duque em pelo menos nove transações financeiras relacionadas a desvios de dinheiro de contratos de empreiteiras com a Petrobras. Em pelo menos sete delas, ele teria recebido parte do dinheiro. Segundo um dos investigadores, são somas expressivas. Duque comandou uma das mais fortes diretorias da Petrobras. Investigadores suspeitam que parte do dinheiro amealhado na Diretoria de Serviços durante a gestão de Duque abasteceu os cofres do PT. Duque ocupava o cargo por indicação do partido. As primeiras informações sobre o pagamento de propina da Diretoria de Serviços surgiram num depoimento de Paulo Roberto Costa ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Mas os investigadores não se deram por satisfeito e foram atrás de novos dados. No decorrer da apuração, investigadores obtiveram dados detalhados sobre o suposto pagamento de propina para Duque e outros altos funcionários da Petrobras. Parte dos pagamentos ao ex-diretor foram feitos no exterior. Um dos cúmplices de Duque amealhou US$ 100 milhões em propina, algo em torno de R$ 250 milhões. Duque deve ser levado ainda nesta sexta-feira para Curitiba, onde deverá ser apresentado ao juiz Sérgio Moro. Procuradores da força-tarefa disseram que vão aguardar os resultados da busca para falar sobre o assunto. Mas um deles admitiu que as descobertas sobre Duque colocam a investigação sobre fraudes na Petrobras num patamar ainda mais elevado. "O Brasil está ficando mais republicano. É mais um motivo para se comemorar neste 15 de Novembro", disse o procurador.

Finalmente, a Polícia Federal põe a mão na irmã do tesoureiro do PT


Desde o Mensalão que a irmã do tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, Marice Corrêa Lima, era parte ativa do esquema de corrupção do partido. Hoje, finalmente, ela foi levada à Polícia Federal para prestar esclarecimento. Tomara que no Petrolão ela pague pelos seus crimes no Mensalão. Recordar é prender! Em 7 de dezembro de 2005, quando o Mensalão estava sendo investigado, a Folha de São Paulo publicou a seguinte matéria:

"Apontada como a portadora de R$ 1 milhão do PT à Coteminas (Companhia de Tecido Norte de Minas), a coordenadora administrativa do partido, Marice Corrêa Lima, confirmou a petistas ter levado o dinheiro à empresa em maio deste ano. Ela também assinou um recibo em que consta o valor entregue. Mas, pelo fato de os recursos não estarem contabilizados - e para não admitir uma ilegalidade-, o PT continuava ontem agindo como se a operação não tivesse existido. "Não tem como (o PT) assumir esse pagamento. Claro que não. Como a instituição vai assumir algo que não houve?", disse o atual tesoureiro do partido, Paulo Ferreira. A declaração foi dada antes da divulgação da nota do antecessor de Ferreira no cargo, Delúbio Soares, na qual o pagamento foi justificado com recursos que tiveram origem "nos empréstimos feitos por Marcos Valério". Já o presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse ontem que não tem como "provar que não ocorreu" o pagamento de R$ 1 milhão. "O Josué (Gomes, filho de Alencar) diz que ocorreu. O Delúbio (Soares, ex-tesoureiro) diz que ocorreu. Se ambos dizem que ocorreu, quem sou eu para dizer que não ocorreu?" Sobre a participação da coordenadora administrativa no episódio, Paulo Ferreira disse que ela "cumpriu ordens, nem sabia o que estava levando". "Pode não ter sabido, entendeu?", corrigiu-se. "O responsável era o dirigente", disse, numa alusão a Delúbio. A coordenadora Marice aparece como signatária de um recibo emitido pela Coteminas, no valor de R$ 1 milhão. O documento, de 17 de maio de 2005, atesta o "pagamento parcial referente a fornecimento de camisetas para o Partido dos Trabalhadores". No papel consta um "de acordo", acompanhado da assinatura da funcionária petista. Empresa do vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar, a Coteminas afirmou que o pagamento é referente a uma parcela de uma dívida de R$ 11,031 milhões - atualizados em R$ 12.279.036,31-, relativa ao fornecimento de camisetas na campanha eleitoral de 2004. Documentos da Coteminas mostram que Josué Gomes trocou correspondência com três presidentes do PT para cobrar a dívida: José Genoino, Tarso Genro e Ricardo Berzoini. Tarso chegou a apresentar uma proposta de pagamento em 48 meses. Em resposta por escrito, Gomes alegou que, "em função da perversa combinação das políticas monetária e cambial", não poderia aceitar o acordo. Ele propôs pagamento em 12 meses. No dia 11 de outubro, Tarso reiterou a proposta de parcelamento em 48 meses. No dia 25 de outubro, Josué Gomes endereçou nova carta ao atual presidente, Ricardo Berzoini. Nem Tarso nem Genoino quiseram falar sobre a negociação. Procurada pela Folha, Marice disse que não tem autorização para falar sobre o assunto. "Se ele (Ferreira) me autorizar, eu falo. Agora, eu não tenho autorização nem autoridade para fazer isso".