terça-feira, 4 de novembro de 2014

VAMOS PARAR DE CONFUSÃO! É AUDITORIA, SIM! SHAKESPEARE EXPLICA POR QUÊ!

Vamos botar “os pingos nos is” nessa história. Vocês leram aqui que o TSE aceitou a auditoria nas eleições de 2014 e, leram em outros lugares, que ele rejeitou. Então vamos entender. O PSDB havia entrado com um pedido para que uma comissão de partidos analisasse todo o processo que envolve as urnas eletrônicas. A comissão foi rejeitada, sim. E o que foi liberado POR UNANIMIDADE? Atenção! O PSDB poderá indicar uma equipe de peritos para acompanhar todo o processo, de cabo a rabo: será garantido a esses peritos o acesso a programas e arquivos eletrônicos usados. Mais: se outros partidos quiserem indicar representantes, poderão fazê-lo.

O trabalho será feito em conjunto com técnicos do TSE. Todos os requerimentos apresentados pelo PSDB foram deferidos. Isso significa que todas as solicitações, por unanimidade, foram consideradas procedentes.
Falei há pouco com o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), um dos coordenadores jurídicos da campanha presidencial tucana, e ele afirma: “Nós convidaremos todos os partidos a participar da análise dos dados a que teremos acesso após esse deferimento dos pedidos que fizemos ao Tribunal Superior Eleitoral”.
Não querem chamar o processo que haverá de “auditoria”? Bem, chamem como lhes der na telha. Como diria Julieta, a de Shakespeare, o que chamamos “rosa”, com outro nome, teria igual perfume, não é mesmo? O que queriam os tucanos? Que uma comissão tivesse acesso aos dados. “Ah, não vai ser a comissão, mas um grupo de peritos…” Então tá: alguém fica mais satisfeito com o nome “peritagem”? Que fique: mas é auditoria.
Ainda voltarei ao assunto. Desmoralizaram-se todos aqueles, inclusive na imprensa, que tentaram tratar a reivindicação como tentativa de disputar o terceiro turno. O TSE percebeu que é crescente o sentimento de descrença que vai nas ruas. Fazer a auditoria, que poder ser um “peritagem” e poderia se chamar “rosa”, é medida que fortalece o próprio sistema.
Assim, com esse grupo de peritos, as denúncias de irregularidades, que são muitas, se transformam em hipóteses que poderão ser testadas. Tomara que se chegue à conclusão de que não há nada de errado. Para o bem do Brasil e dos brasileiros. Por Reinaldo Azevedo

Petrobras adia anúncio de reajuste do preço da gasolina

A Petrobras afirmou nesta terça-feira que ainda não há decisão sobre o reajuste no preço da gasolina e do diesel — informação amplamente aguardada pelo mercado, em nota divulgada após o término da reunião do seu Conselho de Administração. "Em relação ao reajuste de preços, a companhia reitera o que foi divulgado em comunicado ao mercado no dia 29/10/2014, que este assunto é discutido frequentemente pela sua Diretoria Executiva e pelo seu Conselho de Administração, mas, até o momento, não há decisão quanto ao reajuste no preço da gasolina e do diesel", afirmou em nota de esclarecimento ao mercado. Na saída da reunião, que ocorreu em Brasília, a presidente da estatal, Maria das Graças Foster, limitou-se a afirmar que o "aumento de combustíveis não se anuncia, pratica-se". A estatal recebeu a autorização do Ministro da Fazenda, Guido Mantega, para elevar os preços da gasolina e do diesel. Contudo, o porcentual ainda não foi acordado. Graça Foster entregou a Mantega um pedido de 8%. Contudo, a expectativa é de que o reajuste não seja superior a 5%. A política de preços da Petrobras prevê reajustes anuais capazes de equilibrar os valores cobrados no Brasil com aqueles praticados no Exterior. Desde 2012, contudo, os reajustes são alvo de intensos debates no Palácio do Planalto. Primeiramente, foram represados como forma de conter o avanço inflacionário. Mas, diante dos prejuízos bilionários que a empresa passou a acumular com o congelamento, o governo se viu obrigado a autorizar reajustes, ainda que moderados. Sem a elevação dos preços, é a diretoria de Abastecimento da estatal que absorve a diferença entre os valores pagos com a importação de gasolina e aqueles cobrados no Brasil. Na teoria, a política de preços da estatal deve ser definida por sua diretoria executiva, e passa por aprovação do Conselho de Administração. Contudo, na prática, como a elevação está fortemente ligada ao avanço da inflação, a decisão deixou de ser técnica e se tornou política. Ainda que a expectativa de reajuste fosse amplamente aguardada pelo mercado, o ponto mais delicado da pauta de reunião do Conselho tem sido a aprovação das contas da estatal. Na reunião da última sexta-feira, houve debate "acalorado" entre os conselheiros sobre os números que constam do balanço da empresa. A reunião foi interrompida sem que houvesse conclusão — e retomada nesta terça-feira.

Fenômeno genético pode abrir caminho para cura da aids

Os cientistas acreditam que a cura para a aids pode vir da integração do vírus ao DNA humano, que gera uma resistência transmissível aos descendentes

Cientistas franceses descreveram um fenômeno natural através do qual eles acreditam que dois homens foram curados da infecção pelo vírus HIV. A pesquisa foi publicada nesta terça-feira no periódico Clinical Microbiology and Infection e pode abrir caminho para uma nova estratégia de combate à aids. Os dois pacientes, que jamais se submeteram a tratamentos, estavam infectados com o HIV sem terem apresentado sintomas ou uma quantidade detectável de vírus no sangue. Segundo os autores do estudo, o vírus ficou inativo devido a uma alteração em um gene do HIV, que se integrou às células humanas. Eles acreditam que esse processo foi causado pela ação de uma enzima, que pode no futuro ser estimulada com medicamentos para produzir a mesma resposta em mais pacientes. "Esta observação é muito interessante e pode representar um caminho para a cura", explicou Didier Raoult, professor da Faculdade de Medicina de Marselha, na França, e coautor do estudo. Um dos pacientes foi identificado como soropositivo há 30 anos, e o outro em 2011. Nenhum deles apresentava outros fatores de resistência ao HIV conhecidos, como mutações na proteína CCR5, que permite ao HIV infectar as células. Os pesquisadores mostraram que o HIV foi inativado por um sistema de interrupção da informação fornecida pelos genes do vírus. O sistema marca o fim da tradução de um gene em proteína. O vírus torna-se incapaz de se multiplicar, mas permanece presente no DNA dos pacientes. Estas interrupções se devem a uma enzima conhecida, a Apobec, que faz parte do arsenal disponível nos seres humanos para combater o vírus, mas normalmente é desativada por uma proteína do HIV. Os cientistas acreditam que a cura para a aids pode vir da endogenização, a integração do vírus ao DNA humano, que gera uma resistência transmissível aos descendentes. Um fenômeno semelhante foi observado em coalas. Um vírus de macaco, causador de câncer e leucemia, já não os faz adoecer após a integração e neutralização do vírus em seu genoma, diz Raoult. Para os pesquisadores, trata-se de um mecanismo provavelmente comum em epidemias anteriores. Portanto, pode-se pensar que ocorre a um certo número de pessoas infectadas com o vírus da aids.

Em entrevista, Obama antecipa fracasso nas eleições

O presidente Barack Obama

O presidente Barack Obama reconheceu que os democratas vão terminar em desvantagem nas eleições de meio do mandato desta terça-feira. Para o chefe do Executivo, muitos dos 36 Estados em disputa para eleger deputados e senadores tendem a ser historicamente hostis aos democratas. "Existem um monte de Estados que estão sendo disputados que tendem a pender para os republicanos", disse Obama. "Esse é provavelmente o pior grupo de Estados para os democratas desde Dwight Eisenhower", disse Obama, se referindo ao presidente republicano que governou os EUA entre 1953 e 1961 e sofreu uma pesada derrota nas eleições de meio do mandato, perdendo treze cadeiras no Senado para os democratas, que conquistaram ainda os dois postos do então recém-criado Estado do Alasca. As declarações foram dadas durante uma entrevista para a rádio WNPR. O jornal The New York Times interpretou as afirmações como sendo uma preparação de Obama para engolir uma derrota pesada. No momento, os republicanos já controlam a Câmara e devem manter a maioria nessa casa. No Senado, bastam seis assentos para que os republicanos ultrapassem os democratas. As disputas nos Estados New Hampshire, Carolina do Norte, Kansas, Geórgia, Alaska, Iowa, Colorado, e Louisiana são essenciais para esta definição. Apesar de ter pedido para que todos os eleitores comparecessem às urnas (historicamente, as eleições de meio do mandato têm baixo comparecimento), Obama disse que entende a frustração dos eleitores com sua administração.  "Eles sabem que as coisas melhoraram de onde eles estavam seis anos atrás, mas eles não veem o tipo de cooperação entre os democratas e republicanos que eles gostariam de ver. A polarização só piorou. Esse cinismo é algo que precisamos combater", disse Obama.

Alckmin, Skaf e Padilha gastaram ao todo 109,7 milhões de reais

Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Skaf (PMDB) e Alexandre Padilha (PT) gastaram ao todo 109,7 milhões de reais nas eleições 2014 para o governo de SP

As três principais candidaturas ao governo do Estado de São Paulo – de Geraldo Alckmin (PSDB), Alexandre Padilha (PT) e Paulo Skaf (PMDB) – gastaram 109,7 milhões de reais, segundo prestação de contas fornecidas pelas campanhas aos Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e divulgadas nesta terça-feira. O candidato petista saiu da corrida eleitoral, vencida pelo tucano, com uma dívida de 24,6 milhões de reais. Segundo dados do TSE, Padilha gastou cerca de 40,2 milhões de reais, mais do que o dobro da receita de 15,5 milhões.  A campanha de Alckmin terminou com 620,50 reais em caixa e foi a mais cara nas eleições estaduais paulista: 40,3 milhões de reais. Skaf teve o orçamento mais enxuto dos três e também foi o que apresentou o maior saldo: 10.162 reais dos 29,1 milhões de reais dispendidos. O governador Geraldo Alckmin foi reeleito em primeiro turno com 57,38% dos votos. Skaf ficou em segundo, com 21,56%, e Padilha em terceiro, com 18,1%.

TSE nega pedido do PSDB para criar comissão para auditar eleições

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negou nesta terça-feira (4)  pedido do PSDB para a criação de uma comissão a fim de auditar o resultado das eleições presidenciais. O tribunal, no entanto, autorizou o partido a ter acesso aos arquivos eletrônicos e demais documentos referentes à totalização dos votos. O plenário seguiu o voto do presidente do TSE, Dias Toffoli. Ele ressaltou que todos os procedimentos deferidos constam em resoluções da corte que tratam da transparência do processo eleitoral e estavam disponíveis antes da eleição. Ou seja, vão continuar as tremendas dúvidas levantadas por milhares de pessoas sobre a integridade do sistema das urnas, da transmissão e totalização dos votos. Em seu voto, Toffoli disse que o partido não apresentou indícios de fraude e limitou-se a relatar a descrença de algumas pessoas no resultado da votação. Apesar de autorizar os procedimentos, o presidente garantiu a transparência das eleições e ressaltou que o desenvolvimento dos programas usados na apuração das urnas esteve a disposição, desde abril, de todos os partidos políticos, do Ministério Público Eleitoral e da OAB, desde o momento em que começaram a ser elaborados. Sobre a criação de uma comissão para auditar os resultados, o presidente rejeitou o pedido, formulado por um delegado do partido, pessoa sem legitimidade perante o Tribunal Superior Eleitoral. Apesar da unanimidade formada no plenário, o ministro Gilmar Mendes defendeu que a Justiça Eleitoral acabe com suspeitas de fraude no resultado nas eleições, mesmo que sejam descabidas e levantadas por meio das redes sociais. Segundo o ministro, o pedido do PSDB contribui para a pacificação do assunto. Durante o julgamento, Gilmar Mendes disse que a insegurança também é provocada por declarações de autoridades públicas. O ministro citou uma frase dita pela presidenta Dilma Rousseff, em 2013, um ano antes do período eleitoral.  "Eu não cometo nenhuma imprecisão ao lembrar a declaração da presidenta Dilma que diz 'a gente faz o diabo quando é hora de eleição'. A gente pode entender essa expressão de várias formas. Mas, fazer o diabo tem uma carga figurativa muito grande. Será que fazer o diabo significa que é capaz até de fraudar a eleição? Vejam a responsabilidade de pessoas que ficam a falar bobagem, inclusive em campanha eleitoral. Veja o peso que isso tem no imaginário das pessoas. O que significa fazer o diabo na eleição? ", perguntou Gilmar Mendes. A frase da presidente foi dita em março de 2013, em João Pessoa (PB), durante a entrega de casas e retroescavadeiras a municípios da Paraíba. No pedido de auditoria, protocolado na semana passada, o PSDB  diz ter "absoluta confiança" de que o tribunal garantiu a segurança do pleito, mas pretende tranquilizar eleitores que levantaram, por meio das redes sociais, dúvidas em relação à lisura da apuração dos votos. O partido solicitou que o TSE crie uma comissão formada por integrantes dos partidos políticos para fiscalizar todo o processo eleitoral, desde a captação até a totalização dos votos. Essa ação ajuizada pelo PSDB é uma grande porcaria, um enfeite, uma açãozinha cor de rosa, de punhos de renda, cheia de salamaleques com a Corte. O que deveria ter sido pedido era a imediata suspensão da promulgação dos resultados até a finalização de inquérito sumário para investigar o gigantesco crime de coação contra o eleitor, por meio de terrorismo eleitoral, verificado em quase todo o País, com amplíssimas provas sobre esta ocorrência. Como o eleitor não pode ser coagido, isto significa um gigantesco crime capaz de anular o resultado da eleição.

O Tesouro Nacional, do trotskista petista gaúcho Arno Augustin, prepara nova mandrakice para pagar as dívidas das elétrica

O Tesouro Nacional começou a negociar com as distribuidoras uma saída alternativa para pagar os atrasados e regularizar seus repasses às empresas. Os 9 bilhões de reais prometidos para a Conta de Desenvolvimento Enérgico (CDE), previstos no Orçamento de 2014, não serão suficientes para bancar todas as despesas que o Tesouro assumiu desde o fracasso retumbante do programa de redução da conta de luz. Para arcar com todos os subsídios tarifários, as empresas calculam que vão precisar de mais 4 bilhões de reais até o fim do ano. A CDE é o fundo setorial do setor que bancou a fracassada redução da conta de luz em 2013 e parte do custo adicional provocado pela falta de chuva e o acionamento das térmicas, que geram uma energia mais cara. Em um momento de dificuldades e déficit das contas públicas, o Tesouro busca receitas extraordinárias e ativos da própria CDE para evitar ter de fazer um aporte maior de despesas orçamentárias. Em resumo, novas mandrakices, especialidade do trotskista petista gaúcho Arno Augustin, o Mandrake das finanças pública. Eventualmente, os recursos que faltarem serão compensados com dinheiro do Orçamento. "A CDE tem um conjunto grande de receitas e de fluxo de ativos que será utilizado. É possível compatibilizar o que tem para pagar com o fluxo existente", disse a fonte. Segundo a fonte do Ministério da Fazenda, essas receitas são semelhantes às obtidas com a operação feita esse ano pela Celg. A empresa tomou um empréstimo na Caixa Econômica Federal de 1,9 bilhão de reais, dos quais 1,2 bilhão de reais foram usados para quitar dívidas com os fundos do setor elétrico, principalmente a CDE. O secretário do Tesouro, o mandrake Arno Augustin, se reuniu, na sexta-feira passada, com representantes das distribuidoras e procurou tranquilizá-los com a mensagem de que o governo não deixará as empresas na mão, pagando a "totalidade" do que elas estimam ser necessário até o final do ano. Ou seja, passou mais uma lábia nas empresas. Além dos problemas com o cronograma de desembolsos para a CDE até o fim do ano, as empresas manifestaram preocupação com questões regulatórias que afetam os seus balanços. O secretário mandrake Augustin disse que tinha condições de manter os pagamentos previstos. No pacote de socorro às distribuidoras, anunciado em março, o governo prometeu um aporte adicional de 4 bilhões de reais de recursos orçamentários, além dos 9 bilhões de reais previstos. Mas, em setembro, esse aporte foi retirado do planejamento orçamentário. Por enquanto, o Tesouro deixou em banho-maria a proposta de voltar a vender antecipadamente recebíveis de Itaipu para reforçar o caixa do governo. A informação de que essa medida poderia ser acionada provocou estresse no Ministério da Fazenda porque tal antecipação é encarada pelos economistas com um tipo de "contabilidade criativa", ou seja, a mandrakice, para aumentar as receitas. A proposta foi combatida, mas não está descartada para o futuro. O governo já vendeu no ano passado parte desses recebíveis. A legislação permite ao governo repassar à CDE recursos até o limite de recebíveis de Itaipu, que são da União e da Eletrobras. O Tesouro tem direito a metade dos recebíveis - cerca de 6 bilhões de dólares.

Câmara aprova em primeiro turno aumento dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite de terça-feira, dia 4, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 426/14, do Senado Federal, que aumenta de 23,5% para 24,5% o repasse de recursos da União para o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O acordo é para que haja um aumento de 0,5% em 2015 e 0,5% em 2016. A Constituição determina que a União repasse ao FPM um total de 23,5% do produto líquido da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Com a PEC, o total passa a 24,5%. Esta proposta oportunizará o desenvolvimento dos municípios que são prejudicados com a escassez dos recursos e assim terão uma distribuição equilibrada. O FPM representará R$ 4 bilhões e 300 milhões para o País e R$ 295 milhões de recursos novos para o Rio Grande do Sul.

Polícia Federal apreende R$ 13,4 milhões em operação contra tráfico de drogas

Divididos em quatro estados do País, agentes da Polícia Federal cumpriram nesta terça-feira 50 mandados judiciais expedidos para a operação Veraneio, que tem como alvo um esquema de narcotráfico internacional. Em Mato Grosso foram cumpridos 20 mandados judiciais e os demais 30 foram cumpridos em cidades dos Estados de Minas Gerais, São Paulo e Amazonas. Segundo último balanço da Polícia Federal, todos os mandados foram cumpridos, resultando em sete prisões temporárias e na apreensão do equivalente a R$ 13,4 milhões em cheques e cédulas de reais, dólares e euros. De acordo com o delegado Samir Zugaibe, a quadrilha investigada nos quatro Estados atuava na logística do esquema de tráfico de drogas a partir de Sinop, a 503 km de Cuiabá, buscando carregamento de entorpecentes na Venezuela e entregando-o em Honduras. “Essas drogas provavelmente eram das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e tinham como destino os cartéis mexicanos”, afirmou o delegado. Para desmantelar o esquema, a Polícia Federal obteve na Justiça mandados judiciais para prisão temporária de investigados, condução coercitiva (quando o investigado é levado para ser interrogado pela autoridade policial) e busca e apreensão. De acordo com a Polícia Federal, a maior parte dos mandados foi expedida pela Justiça Federal para a cidade de Sinop, a 503 km de Cuiabá: foram quatro prisões, cinco conduções coercitivas e nove mandados de busca e apreensão. Somente na cidade foram apreendidos oito carros de luxo pertencentes à quadrilha investigada. Também foram cumpridos dois mandados judiciais em Sorriso (a 420 km da capital), sendo um de condução coercitiva e outro de busca e apreensão. No Estado de São Paulo, os agentes da Polícia Federal atuaram em oito municípios, sendo que três prisões ocorreram na capital, em Sorocaba e em Campinas. Outros 18 mandados de condução coercitiva e busca e apreensão foram cumpridos nestas cidades e também em Atibaia, Tatuí, Mogi das Cruzes, Guarulhos e Ribeirão Preto. Em Minas Gerais, foram 5 mandados judiciais cumpridos: um de condução coercitiva e outro de busca e apreensão tanto em Belo Horizonte quanto em Pará de Minas e um mandado de busca e apreensão em Formiga. No Estado do Amazonas, os agentes federais estiveram em Manaus e Tabatinga. Em cada cidade eles cumpriram uma condução coercitiva e um mandado de busca e apreensão. A Polícia Federal esclareceu que, originalmente, foram expedidos 48 mandados judiciais ao todo; o número final de 50 é consequência do desmembramento de mandados para endereços em cidades distintas. Todos os materiais apreendidos por força da operação deverão agora ser analisados dentro das investigações da operação Veraneio. Eles pertenciam à quadrilha que a Polícia Federal visa desmantelar. Conforme o que se investigou até agora, a quadrilha atuava apenas com esquemas de narcotráfico fora do Brasil, com uma movimentação mensal de pelo menos uma tonelada de droga. O entorpecente não entrava em território brasileiro, segundo o delegado Samir Zugaibe. Conforme as investigações, a quadrilha montou uma base de operações em uma fazenda localizada na região de Sinop. No local, afastado do centro da cidade, eram feitas adaptações em aviões de pequeno porte adquiridos no Brasil para o transporte de cargas. Os números de identificação das aeronaves também eram adulterados. A Polícia Federal apontou que as aeronaves buscavam cocaína na Venezuela e transportavam a droga até Honduras. O avião era depois abandonado e os traficantes retornavam para o Brasil em vôo comercial. Além da Polícia Federal, compõem as investigações autoridades policiais de Honduras, da Força Aérea Colombiana e da Agência Antidrogas dos Estados Unidos. O esquema é investigado desde 2011. Em 2012, a quadrilha chegou a ser flagrada durante o trajeto de uma carga de uma tonelada de droga. Rastreado desde a Venezuela, um monomotor com o carregamento sobrevoava a cidade de Catacamas, em Honduras, quando foi forçado pelas autoridades a pousar numa estrada rural. Na descida, houve confronto com a polícia hondurenha. Dois suspeitos que estavam a bordo da aeronave tentaram fugir. Um deles morreu e o outro, brasileiro, foi mantido preso em Honduras.

PT chama sua militância "às armas"!

Em nota de reconhecido duplo sentido, o PT convocou sua militância "às armas". Disse o partido que o objetivo agora é "conclamar a militância a participar dos atos em defesa da democracia e da reforma política, previstos para a semana de 9 a 15 de novembro" e "priorizar ações de comunicação, fortalecendo nossa agência de notícias, articulando-a com mídias digitais, com ação permanente nas redes sociais. A nota surge uma semana depois que o ministro das Milícias da Venezuela, Elias Jaua, assinou acordos com MST e CUT, todos visando mútua colaboração, naquilo que já se entende como apoio logístico para a implantação de focos armados de defesa da "revolução bolivariana brasileira", como pregou Nicolas Maduro na segunda-feira da semana passada, ao saudar a eleição da "companheira socialista Dilma Roussef". Nesta primeira fase, diz a nota do PT que o objetivo não é o confronto armado: "Integrar nossas ações de comunicação com o rico movimento cultural em curso no País amplamente divulgados no site do partido, até a próxima reunião do Diretório Nacional".

Populares gritam para José Dirceu na saída do Fórum: "Ladrão !" Equipe do Pânico tenta entregar maço de dinheiro para o mensaleiro do PT

Onze meses e 20 dias após ser preso, o ex-ministro da Casa Civil, o bandido petista mensaleiro José Dirceu deixou na manhã desta terça-feira pela última vez o Centro de Progressão Penitenciária (CPP) de Brasília, onde cumpria pena em regime semiaberto. José Dirceu foi para o trabalho e compareceu à Vara de Execuções Penais (VEP) para ser informado dos termos da prisão domiciliar que passou a cumprir. Em seguida, passou novamente no escritório de advocacia onde trabalha e foi para casa. Antes de ser liberado, o ex-ministro ouviu uma palestra de um dos juízes sobre direitos e obrigações dos presos em regime domiciliar. "A palestra foi muito boa, muito oportuna", disse José Dirceu ao advogado José Gerardo Grossi, que ofereceu emprego ao bandido petista mensaleiro José Dirceu em seu escritório. Ele chegou à VEP em um carro preto e aguardou por cerca de dez minutos em uma entrada lateral. Depois, o carro deu a volta no prédio e o deixou em frente à porta principal. José Dirceu desceu acompanhado do advogado José Luis de Oliveira Lima e passou entre jornalistas. Alguns populares que estavam na entrada gritaram “ladrão”. Antes, a saída da prisão foi marcada por uma confusão com a equipe do programa Pânico, da TV Bandeirantes. O ex-ministro gritou com o humorista Guilherme Santana que tentava entrevistá-lo, e seguranças impediram que lhe fosse entregue um maço de dinheiro.

Fala de Aécio é auspiciosa num momento em que eleitores de oposição são hostilizados por partidos, jornalistas, imprensa e até Procuradoria-Geral da República

Num momento em que manifestantes que se opõem ao governo Dilma estão sendo francamente hostilizados por partidos políticos, por jornalistas, pela imprensa como ente e até pela Procuradoria-Geral da República, soa auspiciosa a fala do senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e candidato derrotado à eleição presidencial neste 2014 por uma diferença de pouco mais de três pontos percentuais. Afirmou o senador no seu retorno a Brasília nesta terça-feira: “Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por 51 milhões de brasileiros. Vou ser oposição sem adjetivos. Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros. No mais, nós vamos cobrar eficiência da gestão pública, transparência dos gastos públicos, vamos cobrar que as denúncias de corrupção sejam apuradas e investigadas em profundidade”. É isto: oposição não tem adjetivo mesmo; é um primado da democracia. Não existe na China, na Coréia do Norte, no Irã ou em Cuba, mas é forte no Chile, na França, no Reino Unido, na Alemanha, no Japão ou nos Estados Unidos. Quando os eleitores vão às urnas, não elegem apenas o governo, mas também quem lhe fará oposição. Escolhe os oposicionistas aquele que vota em “A”, não em “B”; escolhe os oposicionistas aquele que, votando em “B” já na expectativa de que seja derrotado, insiste na sua opção para que este possa exercer a devida vigilância sobre “A”. Não compreender esse jogo é ignorar o básico da democracia. Sim, o PT ignora; não é um partido que acate os valores da democracia. É por isso que, em sua resolução, a legenda associa o adversário ao racismo, ao machismo, à ditadura militar, a práticas, enfim, odiosas que, se fossem verdadeiras, fariam do PSDB um grupamento desprezível. Mas é claro que isso é falso. Trata-se apenas de um esforço para desqualificar o outro e tentar deslegitimá-lo como um ator político. Quem trata assim o adversário assaca contra este as piores baixarias, faz uma campanha no esgoto e ainda culpa a vítima. Que o PSDB não se esqueça mesmo do papel que lhe atribuíram as urnas. E que saiba ser politicamente implacável com um governo que, desligadas as urnas, eleva a taxa de juros, corrige a tarifa de energia e se prepara para aumentar o preço dos combustíveis — imputações que fazia aos adversários. Mas esses ainda são os estelionatos menores. O maior foi ter fraudado, uma vez mais, a história. Nessa campanha eleitoral, a oposição voltou, em grande medida, a ter o domínio de sua própria narrativa, que havia sido sequestrada pelo PT. Que continue a ser a melhor porta-voz de si mesma, sempre atenta aos múltiplos tentáculos do petismo e à sua capacidade de tornar influentes mentiras grotescas, como a que tenta atribuir aos que protestam nas ruas um intento golpista. É uma mentira estúpida. A tarefa de Aécio Neves é árdua. Por Reinaldo Azevedo

Aécio volta ao Congresso e afirma: “O Brasil despertou”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com: O candidato derrotado à Presidência pelo PSDB, Aécio Neves, retornou nesta terça-feira ao Congresso Nacional. Ele foi recebido com festa por militantes e parlamentares tucanos ao chegar ao Senado pela primeira vez desde o fim das eleições. Aos gritos de “Aécio, Aécio”, caminhou rumo à Casa seguido pelos militantes, que chegaram ao Congresso em três ônibus fretados. Cruzou a portaria do Parlamento e seguiu direto para o plenário. “O Brasil despertou. O Brasil hoje é um Brasil diferente do Brasil antes da eleição. Emergiu um novo Brasil, que quer ser protagonista do seu próprio futuro”, afirmou o tucano.

Em uma tumultuada entrevista concedida no Senado, o tucano disse que vai fazer uma oposição “sem adjetivos”. “Eu chego hoje ao Congresso Nacional para exercer o papel que me foi delegado por 51 milhões de brasileiros. Vou ser oposição sem adjetivos. Se quiserem dialogar, apresentem propostas que interessem aos brasileiros”, disse ele, que prosseguiu: “No mais, nós vamos cobrar eficiência da gestão púbica, transparência dos gastos públicos, vamos cobrar que as denúncias de corrupção sejam apuradas e investigadas em profundidade”.
Nos quatro primeiros anos de seu mandato no Senado, Aécio Neves evitou fazer parte da ala mais combativa do bloco PSDB-DEM, e apostava na chamada “oposição propositiva” – o que lhe rendeu críticas de aliados. A prometida “oposição sem adjetivos” acena com uma mudança de postura do tucano: “Eu vou estar aqui vigilante para que essa permanente tentativa de cerceamento das liberdades, em especial da liberdade de imprensa, sejam contidas".
Aécio Neves mandou um recado ao governo: “Quando o governo olhar para a oposição eu sugiro que não contabilize mais o número de assentos ou de cadeiras no Senado e na Câmara, olhe bem que vai encontrar mais de 50 milhões de brasileiros que vão estar vigilantes, cobrando atitudes desse governo”.
O tucano deu a entender que não aceitará tão cedo o diálogo proposto, de forma genérica, pela presidente Dilma Rousseff. “Esse governo, pela forma como agiu na campanha eleitoral, de forma absolutamente desrespeitosa com seus adversários, de forma absolutamente temerária em relação aos beneficiários de programas sociais permanentemente ameaçados de perdê-los se nós vencêssemos as eleições, não legitima o governo nesse instante para uma proposta de diálogo sem que o conteúdo dessas propostas seja conhecido por nós”, disse ele.
O tucano também parafraseou a ex-senadora Marina Silva: “Infelizmente, o governo da presidente Dilma venceu essas eleições perdendo. Eu, e aqui lembro Marina Silva, perdi essas eleições vencendo”. Sobre a auditoria pedida pelo PSDB ao Tribunal Superior Eleitoral, ele disse que é uma medida natural e que ele acredita na lisura dos ministros da corte. “Foi uma decisão do departamento jurídico da nossa coligação, o que eu respeito. Até porque é um direito de qualquer parte envolvida no processo eleitoral”, afirmou. “Nós não estamos querendo mudar o resultado da eleição”, disse ainda. Por Reinaldo Azevedo

PT chama seus militantes “às armas”. Ou: Como funciona a correia de transmissão imprensa-petismo

Querem saber como funciona a correia de transmissão imprensa-petismo? É simples e fácil de entender. O PT postou em sua página no Facebook um chamamento intitulado “Militância, às Armas”. É um convite para que a turma recorra a todos os meios possíveis de comunicação para enfrentar os críticos do governo Dilma.

Em consonância com a aloprada resolução do PT, o texto chama os adversários do partido de “representantes do atraso” e “verdadeiros fantasmas do passado”. Lê-se mais: “Eles tentam criar um terceiro turno da disputa eleitoral ao suscitarem sandices como intervenção militar e até o impeachment da presidenta”. Nota irônica: segundo a hierarquia do PT, o impeachment da Dilma seria mais grave (“até”!!!) do que a intervenção militar. Que gente exótica! Mas sigamos adiante.
Vejam aí: um único manifestante, presente ao protesto de sábado, pedindo intervenção militar virou assunto na imprensa petistófila e, claro!, pautou o partido. O truque é velho e barato, mas funciona: as pessoas são obrigadas a se defender daquilo que não pensam ou daquilo que o PT diz que elas pensam. Reitero: havia tanta gente pedindo golpe lá que os repórteres da Folha e do Estado entrevistaram o mesmo sujeito.
Golpe, quem prega é o PT em sua resolução. Quanto ao impeachment de Dilma, dizer o quê? Se ficar comprovado que ela sabia da roubalheira na Petrobras, a presidente vai cair. E o vice vai assumir se não estiver comprometido com lambanças. Se estiver e se isso ocorrer nos dois primeiros anos, haverá novas eleições. Se for nos dois anos finais, o Congresso indica o presidente.
É simples e sem dor! Já impichamos um presidente antes e já empossamos um vice. O país melhorou em vez de piorar. Isso é gritaria de quem tenta calar a voz da sociedade, que protesta contra o mar de lama. “Ai, que imagem lacerdista!” É mesmo? Quem vai dar um tiro no próprio coração desta vez? Ninguém? Então deixem Lacerda de lado. Por Reinaldo Azevedo

Mais um executivo resolve colaborar com investigações de operação da Polícia Federal

Por Mario Cesar Carvalho, na FolhaO executivo Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, investigado pela Operação Lava Jato sob suspeita de ter pagado propina por meio do doleiro Alberto Youssef, fez um acordo de delação premiada com os procuradores do caso. Ele é o segundo executivo a fazer um acordo de colaboração com a Justiça: o primeiro foi Julio Camargo. Ambos são ligados à Toyo-Setal, empresa controlada pela japonesa Toyo Engineering, que tem contratos de mais de R$ 4 bilhões com a Petrobras. Com a adesão de Mendonça Neto, já são quatro os delatores da Lava Jato: Paulo Roberto Costa, que foi diretor de abastecimento da Petrobras, o doleiro Youssef e os dois executivos ligados à Toyo. Todos prometeram contar o que sabem sobre o esquema de suborno na estatal para ter uma pena menor.

Mendonça Neto faz parte do conselho de administração da EBR (Estaleiros do Brasil), empresa instalada no Rio Grande do Sul e controlada pela Toyo. Ele é vice-presidente do Sinaval, sindicato das empresas que fazem navios e plataformas para extração de petróleo. Uma empresa dele, a Tipuana Participações, depositou R$ 7,3 milhões em contas controladas pelo doleiro, segundo laudos da Polícia Federal. Como as empresas de Youssef nunca tiveram atividade, os procuradores dizem que as transferências eram repasse de propina. (…) A Tipuana já foi alvo de ação da Justiça Eleitoral por doação irregular a um candidato a deputado federal do PT em 2006. (…) A Toyo-Setal faz duas grandes obras para a Petrobras: uma unidade para produção de hidrogênio de R$ 1,1 bilhão no Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro) e uma fábrica de R$ 2,1 bilhões para fazer amônia, usada para produzir fertilizantes, em Uberaba (MG). O maior contrato da EBR foi assinado no início do ano passado com a Petrobras para produzir módulos da plataforma P-74 por US$ 741 milhões (R$ 1,85 bilhão pelo câmbio atual). A plataforma será usada no pré-sal. Os contratos que a Toyo-Setal conquistou na Petrobras partiram de projetos e licitações da diretoria de serviços, ocupada entre 2003 e 2012 por Renato Duque, indicado ao cargo por José Dirceu. Costa e Julio Camargo afirmaram em sua delação que Duque era beneficiado pelo esquema de suborno. Duque nega as acusações e entrou com uma ação contra Paulo Roberto Costa. (…) Por Reinaldo Azevedo

Crise do setor elétrico criada por Dilma já custou R$ 105 bilhões, mais do que o quádruplo do apagão de 2001

Na VEJA.com: O governo federal perdeu 105 bilhões de reais com a crise do setor elétrico, desde a publicação da Medida Provisória 579 em setembro de 2012 que determinava a redução das tarifas e a renovação das concessões de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. O valor equivale a um ano de receitas das distribuidoras de energia. Os cálculos foram realizados pelo especialista do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, e pelo especialista da Consultoria PSR, Mário Veiga, a pedido do jornal Folha de S. Paulo. “O racionamento em 2001 causou um rombo de 25 bilhões de reais. Essa crise, sem racionamento, já custou três vezes mais”, disse Pires.

Os especialistas afirmam que 60% das perdas atuais serão compensadas diretamente pelos consumidores, via reajuste de contas de luz. Os 40% restantes serão pagos com dinheiro do Tesouro, financiado pelos tributos dos mesmos contribuintes.
O rombo foi causado pelo desequilíbrio entre as receitas e as despesas das distribuidoras devido à baixa produção de energia hidrelétrica e às indenizações pagas às empresas que renovaram as concessões. A MP 579 também reduziu a oferta de energia elétrica, obrigando as distribuidoras a recorrerem ao mercado de curto prazo, mais caro por causa da lei da oferta e da procura (quem tem pressa, paga mais caro) e pelo uso excessivo das usinas térmicas (com custo de produção elevado).
Com a escassez de chuvas no início deste ano, o preço da energia no mercado de curto prazo, chamado de Preço de Liquidação das Diferenças (PDL) passou grande parte do ano no teto permitido por lei, de 822,23 reais por megawatt-hora.
Gastos
Os especialistas consultados pela Folha de S. Paulo calculam que o governo federal gastou 20 bilhões de reais em 2013 com repasses às distribuidoras e indenizações às empresas que renovaram as concessões. O valor mais do que dobrou para 54,9 bilhões de reais em 2014, sobretudo devido ao pequeno volume de chuvas.
Somente os gastos com repasses às distribuidoras subiram de 20 bilhões para 21,8 bilhões de reais, impulsionados pelo aumento do preço da energia no mercado de curto prazo. Os gastos com indenizações permaneceram em 10 bilhões de reais. Mas, também pesou sobre as contas do setor elétrico este ano um prejuízo de 23,1 bilhões de reais com empresas que não conseguiram gerar eletricidade suficiente para honrar seus contratos.
Os especialistas estimam que as perdas totalizarão 30,5 bilhões de reais em 2015, sendo 8,5 bilhões de reais devido ao uso de usinas térmicas e 22 bilhões de reais devido aos gastos com indenizações. Por Reinaldo Azevedo

O PT aloprou pra valer, mas, pela primeira vez, fala a verdade: resolução do partido confessa querer a reforma política para se impor como partido único, prega a revolução cultural para conquistar a hegemonia e deixa claro que proposta de diálogo de Dilma é uma farsa

O PT, finalmente, fala a verdade — pode não ser toda ela, mas é parte dela ao menos. Na segunda-feira, a Comissão Executiva Nacional do partido divulgou uma resolução espantosa (clique aqui para ler a íntegra). Trata-se de um dos textos mais rancorosos e esquerdopatas desde que o partido chegou ao poder, em janeiro de 2003. Vale dizer: 12 anos no comando do País, com chance de chegar a 16, não aplacaram, como diria o poeta, a fúria do algoz. Ao contrário. O texto tem, reitero, ao menos a virtude da sinceridade:

a: deixa claro que a disposição para o diálogo do governo Dilma é uma farsa;
b: confessa que seu objetivo é promover o que chama “revolução cultural” para construir a “hegemonia”;
c: evidencia que o objetivo da reforma política é mesmo aniquilar ou subordinar as demais vozes da sociedade.
Eu nunca tive dúvida a respeito desses propósitos. Mas havia quem tivesse. Agora, não precisa ter mais. Os petistas o confessam.
Entre outras barbaridades, pode-se ler no documento: “A oposição, encabeçada por Aécio Neves, além de representar o retrocesso neoliberal, incorreu nas piores práticas políticas: o machismo, o racismo, o preconceito, o ódio, a intolerância, a nostalgia da ditadura militar”. Uma única mentira constrange; uma borrasca delas assume certo tom de comicidade. Note-se que não vai acima o perfil de um partido adversário, mas o de uma força que tem de ser eliminada.
Esse é o partido que terá o comando do governo, ao qual pertence a presidente Dilma Rousseff, que diz querer o “diálogo” com a oposição. Mais: Aécio obteve 48,36% dos votos — 51.041.155. Quer dizer que metade do eleitorado votou no racismo, no machismo, no ódio, na intolerância e na nostalgia da ditadura? Um texto como esse é um acinte e um disparate. Essa gente está no comando do País, o que explica muita coisa.
Reitero, no entanto, que não falta à resolução ao menos a virtude da sinceridade. O texto confessa: “É urgente construir hegemonia na sociedade, promover reformas estruturais, com destaque para a reforma política e a democratização da mídia”.
O leitor pouco familiarizado com alguns termos próprios da política pode não identificar, mas o PT está se referindo à “revolução gramsciana”, numa referência ao teórico comunista italiano Antonio Gramsci. Na mesma resolução, o partido deixa claro: “Para transformar o Brasil, é preciso combinar ação institucional, mobilização social e revolução cultural”.
O que é “hegemonia”? É a ditadura perfeita. Prefiro citar o próprio Gramsci, que a definiu como ninguém. Para que você entenda a referência, é preciso saber que ele chamava o partido que comandaria a sociedade como o “Moderno Príncipe”. Leiam o que escreveu:
“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.
Entenderam? A revolução cultural gramsciana, que conduz à hegemonia, esta que o PT agora diz abertamente querer, faz do “partido” a única verdade possível. Desaparecem os valores e a moral. Será crime o que o partido definir que é crime. Será virtude o que o partido definir que é virtude. Toda ação, diz Gramsci, deve ser analisada apenas segundo um critério: ela serve para aumentar o poder do partido ou para combatê-lo? Se servir para aumentar, não importa o que seja, é bom; se servir para combatê-lo, não importa o que seja, é ruim.
Mensalão, aloprados, roubalheira na Petrobras??? Aumentam o poder do partido? Então são virtudes.
E o PT dá o caminho da sua busca pela ditadura perfeita. Está lá na resolução:
- reforma política, precedida de um plebiscito, através de uma Constituinte exclusiva;
- democracia na comunicação, com uma Lei da Mídia Democrática — isso quer dizer “censura”;
- retomada do projeto que entrega a administração federal a conselhos populares.
A resolução do PT retira a máscara do segundo governo Dilma e deixa claro que aqueles que embarcarem nessa conversa estarão pondo a corda no próprio pescoço. Assim, tudo o que os políticos comprometidos com a democracia representativa puderem fazer para que os petistas não assumam o comando da Câmara deve ser feito.
Para encerrar, observo: não se iludam os líderes do PMDB. O partido está na mira da “revolução cultural” petista, cuja hegemonia, obviamente, só poderia ser conseguida com a destruição da legenda aliada.
Espalhem o texto. Agora não há mais disfarce. É projeto ditatorial mesmo! Mas não vão conseguir.
PS: Aí o idiota diz: “O Reinaldo acha que o PT é comunista!”. Não! Eu não acho! Quando vejo Lula e Zé Dirceu, penso em outros tipos… Em comunistas, não! Nunca disse que o PT é comunista. Digo que é autoritário com pretensões totalitárias. Isso, eu digo. Por Reinaldo Azevedo

TSE, Procuradoria, associações de jornalistas, partidos políticos, imprensa… Desta feita, todos contra o povo na rua! O que mudou?

Caros leitores, estamos diante de um momento muito especial. Um juiz do TSE — mais precisamente o seu corregedor, João Otávio de Noronha —; o procurador-geral da República, Rodrigo Janot; amplos setores da imprensa; associações de jornalistas; um partido político — no caso, o PT —; analistas os mais variados, todos decidiram se unir para atacar pessoas que estão exercendo o sagrado direito de sair às ruas e protestar de forma pacífica, ordeira, sem quebrar nada, sem atacar o patrimônio público ou privado, sem agredir ninguém.

No sábado, pelo menos 2.500 brasileiros se juntaram em São Paulo para reivindicar, o que é um direito legítimo, uma auditoria nas eleições e o impeachment de Dilma Rousseff caso se comprove que ela sabia da roubalheira em curso na Petrobras.
Nos jornais, a presença ao ato de um indivíduo pregando a intervenção militar — e ainda que fossem dez ou cem —, bastou para que se atribuísse ao protesto um viés golpista. Ora, ora… Nas chamadas jornadas de junho de 2013 e até bem recentemente, os ditos “black blocs” barbarizavam as cidades, agrediam o patrimônio público e privado, ameaçavam pessoas. Um cinegrafista foi morto.
Recuperem o que se escreveu a respeito: foram tratados como democratas radicais, em estado puro — como se banditismo fosse democracia; mereceram até a alcunha de estetas. Pior: o ministro Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, confessou que se encontrou várias vezes com lideranças dos mascarados. E não se ouviu um pio da imprensa ou de jornalistas.
Enviam-me uma nota emitida pela Abraj — a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo — em que se lê o seguinte:
“A Abraji repudia a incitação à violência e o assédio contra repórteres encarregados da cobertura de manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff ocorrida no último sábado (1.nov.2014). Grupos insatisfeitos com o resultado das eleições presidenciais acusam de partidarismo jornalistas que fazem seu trabalho e, com essa desculpa, expõem os perfis dos assediados em redes sociais, levando-os a serem difamados e receberem ameaças de violência.”
A associação cobra providência e punições. Quero deixar claro que eu também repudio a hostilização de jornalistas. Aliás, quem entrar no arquivo do meu blog vai ver quantas vezes repudiei a violência promovida por ultraesquerdistas contra repórteres, que eram obrigados a trabalhar sem a identificação dos veículos aos quais pertenciam. Lamento que, então, a Abraji tenha demorado tanto para emitir uma nota. De resto, afirmar que os que se manifestam são “grupos insatisfeitos com o resultado das eleições” é um juízo de valor muito pouco digno de uma associação de jornalismo investigativo. Falta investigar mais e sentenciar menos.
Lamento, ainda, que a Abraji jamais tenha se manifestado contra a rede organizada de blogs e sites, financiados por estatais, que promove campanhas as mais sórdidas contra profissionais de imprensa. Lamento que a Abraji tenha se calado quando o PT incluiu o nome de nove profissionais de comunicação numa lista negra — sim, estou lá. A organização internacional “Repórteres Sem Fronteiras” se manifestou. A Abraji e outras associações de jornalistas fizeram um silêncio sepulcral. Janio de Freitas, um jornalista que já foi homenageado pela associação, tratou do assunto: atacou a Repórteres Sem Fronteiras. Na prática, apoio a lista negra.
O que é preciso para ter direito a uma nota de solidariedade de tão valorosa associação? Fazer parte da clube? Ser membro da corporação? Fazer parte da turminha? Ser do grupinho? O viés é ideológico? Não que uma nota de protesto da Abraji me tenha feito falta. Não fez. Mas não venham com hipocrisia.
Debatam com os jornalistas, e só!
Não organizo protestos nem tenho voz ativa nas manifestações. Mesmo assim, atrevo-me a dar algumas dicas. Cuidado com agentes provocadores! Farão de tudo para caracterizar, de agora em diante, os grupos de oposição como truculentos, fascistas, malvados, golpistas etc. Por mais que boa parte do jornalismo seja hostil a manifestações que não sejam de esquerda, jornalistas devem ser deixados em paz. Podem e devem ser questionados, como qualquer pessoa. Não estão acima do bem e do mal. Mas o questionamento não supõe nenhuma forma de ameaça.
Ah, sim: um dia antes da eleição, um militante petista publicou meu endereço na rede, com a foto do prédio em que moro. Não fui pedir socorro para Abraji. Até porque eu investigo só a natureza de certas ideias. Sem contar que sempre haveria o risco de eu ouvir que a culpa era minha. Afinal, quem manda eu escrever as coisas que escrevo, não é mesmo? Se o Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, pode fazer listas negras, sob o silêncio cúmplice da “catchiguria”, por que um delinquente não poderia publicar meu endereço na rede?
Liberdade de imprensa
Não cumpre, obviamente, aos que combatem o fascismo petista devolver na mesma moeda. Eles é que querem controlar a imprensa. A melhor maneira que um leitor, um telespectador, um ouvinte ou internauta tem de evidenciar a sua insatisfação com o trabalho incorreto e enviesado de um jornalista é deixando de comprar o jornal ou a revista, mudando de canal ou de estação ou deixando de acessar uma determinada página.
Isso não quer dizer, reitero, que jornalistas não possam jamais ser questionados. Podem, sim. Não são a voz de Deus — nem mesmo chegam a ser a voz do povo. Mas todos sabemos que há modos civilizados de contestar as pessoas. Houve gente que saiu da redação e foi à rua para caracterizar como golpistas pessoas que protestavam? Houve. É perfeitamente possível deixar isso claro sem partir para a baixaria.
Um país curioso
Que curiosa parte da nossa “elite intelectual”, não é mesmo? Pode-se marchar neste país, em nome da liberdade de expressão, em favor da legalização do consumo de drogas e do aborto — práticas caracterizadas como crimes no Código Penal e repudiadas pela Constituição. Pessoas, no entanto, que reivindicam um auditoria na eleição — e todos têm o direito de fazer petições — ou que defendem o impeachment de Dilma, caso se comprove que ela sabia da roubalheira na Petrobras, são caracterizadas como truculentas e marginais.
A propósito: a Abraji emitiu alguma nota contra a agressão de que foi vítima a Editora Abril? Se emitiu, não achei. Como é mesmo? A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude.
Reitero: sempre que um cretino optar por atos violentos ou que decidir hostilizar um jornalista, acuse-o de ser o que é: um adversário da democracia. A melhor maneira de combater o mau jornalismo ainda é mudar a sua fonte de informação, leitor.
Em tempo: é certo como dois e dois são quatro que a auditoria na eleição será recusada. Sabem o que isso quer dizer? Que o preço da liberdade continua ser a eterna vigilância. Se você desistir de fazer a coisa certa por isso, então já perdeu.
Ora vejam! TSE, Procuradoria-Geral da República, associações de jornalistas, imprensa, partidos políticos, intelectuais do nariz marrom… Todos, desta feita, estão contra o “povo na rua”. É a velha esquerda de sempre com medo do que chama “nova direita”, que vem a ser aquela gente insuportável que trabalha, paga impostos e enche as burras do Estado privatizado por um partido político.
Tenham ao menos senso de ridículo, já que o de decência, parece, já foi faz tempo! Por Reinaldo Azevedo

Venda de veículos novos no Brasil recua 7% em outubro, diz Fenabrave

As vendas de veículos novos no Brasil em outubro subiram 3,6% sobre setembro, mas caíram 7% no comparativo anual, para cerca de 306,9 mil unidades, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta segunda-feira. Os licenciamentos de carros no mês passado somaram 216,6 mil unidades, enquanto os emplacamentos de comerciais leves foram de 74,8 mil. O setor teve ainda vendas de 12 mil unidades de caminhões e de 3,1 mil ônibus no mês passado, disse a Fenabrave. A indústria divulga dados consolidados do setor da Anfavea na quinta-feira, incluindo produção e exportações. Por dia útil, as vendas totais do mês passado corresponderam a 13,3 mil unidades ante média de 14,4 mil em outubro de 2013. O desempenho de outubro está em linha com a média de vendas por dia útil do primeiro semestre, de 13,3 mil veículos, embora os dados da primeira metade do ano sofreram influência de feriados forçados em cidades-sede da Copa do Mundo. Até o final do ano, a Fenabrave espera um aquecimento nas vendas, devido à antecipação de compras por conta do fim do benefício do IPI, programado para o dia 31 de dezembro. "Com isso, imaginamos encerrar o ano com cerca de 5% de aumento nas vendas", disse em nota o presidente da entidade, Flavio Meneghetti. A Anfavea espera que o movimento de vendas do segundo semestre seja melhor que o da primeira metade do ano, crescendo 14,3% no período. Para o ano como um todo, a expectativa é de queda de 5,4% nos licenciamentos, a 3,564 milhões de unidades. Com o desempenho do mês passado, a indústria acumula vendas de 2,83 milhões de veículos, queda de 9% sobre o total licenciado de janeiro a outubro de 2013. Na semana passada, executivos de montadoras presentes no salão do automóvel de São Paulo afirmaram que esperam certa recuperação nas vendas nos últimos meses do ano em relação aos meses anteriores, diante do fim das incertezas sobre eleições e pagamento do 13 salário. Os executivos, que incluíram o presidente da General Motors para a América do Sul, Jaime Ardila, defenderam início de negociações do setor com o governo federal para uma prorrogação das alíquotas reduzidas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre as vendas de veículos para além de dezembro deste ano.

Vazão do Rio Piracicaba aumenta dez vezes com a chuva de domingo

A chuva que caiu no domingo, 2, fez a vazão do Rio Piracicaba subir dez vezes. Em três pontos de medição, durante quatro horas, choveu mais que o volume de chuvas registrado no mês de outubro inteiro. A vazão do rio foi de 6,5 mil litros por segundo para 65 mil litros na Rua do Porto, ponto turístico da cidade de Piracicaba. O efeito disso é percebido de imediato, pois as pedras do fundo que estavam à vista em vários pontos do leito, agora ficaram quase encobertas por completo pela água. A medição da vazão do Rio Piracicaba é feita pelo Sistema de Telemetria do Consórcio das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) que, às 17 horas desta segunda-feira, 3, apontava 56,5 mil litros por segundo no posto de análise do Distrito de Artemis. O sistema também indicava um volume crescente de água no leito do rio, importante para dezenas de municípios e ainda para o Sistema Cantareira, responsável por abastecer a Região Metropolitana de São Paulo. De acordo com o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), deve chover esta semana na cidade - que continuará com temperatura elevada, na casa dos 30ºC. A possibilidade de chuva é de 80%, mas ela deve ser curta e acompanhada de trovões. O índice pluviométrico foi alto entre a noite de domingo, 2, e o início da madrugada desta segunda-feira, 3, quando a precipitação atingiu 36,6 milímetros, bem acima dos 23,5 milímetros marcados durante todo o mês de outubro. Até o fim de novembro a expectativa é de que chova 100 milímetros, quantidade igual ao mesmo mês de 2013 e que ajudaria na recuperação do rio. O leito do Piracicaba chegou a ter pouco mais de 60 centímetros de profundidade, foi a 80 centímetros e dobrou nos dois últimos dias, chegando a 1,60 metro. A pouca quantidade de água fez milhares de peixes morrerem nos últimos meses por falta de oxigênio.

Cidade iraquiana tomada pelo Estado Islâmico é forçada a mudar costumes

Depois que capturou Falluja em janeiro, o Estado Islâmico convenceu um homem que fazia capas automotivas a vender coletes para homens-bomba, uma das muitas mudanças na cidade iraquiana que se adapta à vida sob o cerco dos militantes sunitas radicais. O Estado Islâmico ganhou fama por decapitar e executar qualquer um que se colocasse em seu caminho quando tomou cidades pequenas e grandes no Iraque e na Síria e formou seu autoproclamado califado, muitas vezes usando suicidas para promover avanços. Os militantes emitiram diretrizes para a vida de acordo com sua ideologia, exigindo que todas as mulheres usem véus no rosto e proibindo cigarros e cortes de cabelo de estilo ocidental, populares em Falluja até então. Muitos moradores se sentem alienados com as alterações, mas para poder manter seu “império” e sua guerra santa contra governos e Exércitos, o Estado Islâmico também faz acordos com pessoas como o alfaiate, de acordo com visitantes recentes de Falluja. O Estado Islâmico forneceu um gerador e combustível de graça ao profissional liberal, o que lhe permitiu aumentar o lucro com a fabricação em escala de coletes, cintos e calças em um edifício crivado de balas disparadas por militares dos Estados Unidos contra a Al Qaeda quase uma década atrás. “Passei por tempos difíceis. Tenho filhos para sustentar. Escolhi esta nova profissão conscientemente e assumo a responsabilidade pelo desfecho”, disse o alfaiate. Falluja foi a primeira cidade no Iraque a cair diante do Estado Islâmico, uma dissidência da Al Qaeda composta de árabes e terroristas estrangeiros que ameaça tomar a vizinha capital, Bagdá. Durante a ocupação norte-americana, na esteira da deposição de Saddam Hussein, em 2003, a cidade emergiu como principal área da insurgência sunita na província de Anbar, no oeste iraquiano, e rapidamente se tornou um reduto da Al Qaeda. Os fuzileiros navais dos Estados Unidos disputaram com a Al Qaeda em 2004 em duas das maiores batalhas da guerra norte-americana no país. Uma década mais tarde, o Estado Islâmico está profundamente enraizado em Falluja, o que a torna um dos maiores exemplos do que a vida poderia se tornar em vastos trechos de território iraquiano e sírio sob controle do grupo e sua ideologia ultraconservadora. Todas as mulheres que chegam às entradas de Falluja recebem de graça um niqab, um véu que as cobre da cabeça aos pés, e são forçadas a vesti-lo em uma cabine com vidros escurecidos para não serem vistas. O Estado Islâmico tem diretrizes do que é proibido escritas em panfletos colados em prédios e mesquitas pela cidade: nada de cigarros ou narguilés, já que podem desviar a atenção das pessoas das orações, nada de cortes de cabelo de estilo ocidental, nada de camisetas com dizeres em inglês ou imagens de mulheres. Mulheres não têm permissão de sair de casa sem a companhia de um parente masculino, uma regra que aprofundou as frustrações. Uma testemunha recordou o caso de uma mulher que procurou o tribunal do grupo para argumentar que deveria poder andar sozinha por ser viúva e não querer atrapalhar seus irmãos. Ela gritou com militantes do lado de fora da corte. “Vocês dizem que Deus não aceita que uma mulher saia de casa sozinha. Então como Deus pode aceitar vocês matando gente?”, teria dito ela. Um militante respondeu: “Nós a decapitaríamos se você fosse um homem”. O tribunal decidiu que ela fosse expulsa de Falluja, de onde partiu com seus pertences em uma caminhonete. O grupo terroristas ficou com sua casa. Meninas menores de 12 anos, o limite para obrigar o uso do niqab, devem usar um lenço na cabeça.

Parte do portão do campo de concentração de Dachau é roubada

Símbolo histórico do período nazista, um portão de ferro com o slogan “Arbeit macht frei” (o trabalho liberta) foi roubado de um campo de concentração da cidade de Dachau, na Alemanha. A inscrição era reproduzida em diversos campos e esteve presente no cotidiano de milhões de prisioneiros. O crime foi informado pela polícia e pela diretora do memorial nesta segunda-feira, 3. O campo montado em 1933 em Dachau, próxima de Munique, tinha intenção de deter rivais políticos. Ele foi criado logo após a ascensão de Adolf Hitler ao poder. O local se tornou o protótipo de uma rede de campos de concentração onde seis milhões de judeus foram exterminados, assim como ciganos, russos, poloneses e homossexuais. Nos 12 anos de funcionamento, morreram em Dachau cerca de 41.500 pessoas. Mais de 200 mil prisioneiros foram libertados do local por tropas americanas em 1945. De acordo com a diretora do centro de visitas criado no local, Gabriele Hammermann, o campo de Dachau é o mais visitado na Alemanha, com aproximadamente 800 mil visitantes por ano. Ela afirmou que a inscrição é o “símbolo central do sofrimento dos prisioneiros do campo de concentração de Dachau, e por isso o roubo foi um golpe no coração do memorial". A polícia acredita que pelo menos dois adultos estejam envolvidos no roubo, uma vez que o portão de ferro fundido mede 1,90 m por 95 cm e teria sido cuidadosamente planejado. Essa não é a primeira vez que uma inscrição com o slogan é roubada. Em 2009, um sueco com laços com a extrema direita roubou a placa do portão de entrada do campo de concentração nazista de Auschwitz, na Polônia. Dias depois, a placa foi encontrada. O homem foi sentenciado, um ano depois, a quase três anos de prisão. Dois poloneses receberam penas de até dois anos e meio por retirar a placa e cortá-la em pedaços para caber no veículo utilizado no roubo.

Governo não é favorável que 'perdão' das dívidas dos Estados e municípios seja retroativo, diz petista

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), afirmou nesta segunda-feira, que o governo Dilma Rousseff, a princípio, não aceita aprovar que a mudança do indexador da dívida de Estados e municípios com a União tenha efeitos retroativos. O projeto que trata do assunto está previsto para ir à votação no plenário do Senado na tarde desta quarta-feira, 5. A partir das 18 horas, os líderes partidários da Casa vão se reunir com o ministro das Relações Institucionais, Ricardo Berzoini, a fim de discutir a pauta de votações. Na semana após a reeleição da presidente Dilma Rousseff e numa tentativa de restabelecer a confiança na economia brasileira, o governo tenta mostrar à sua base aliada que está comprometido em impedir a votação das chamadas "pautas-bomba" no Congresso - projetos que têm impacto orçamentário. O projeto que trata das dívidas prevê que, se for aprovada a adoção da retroatividade, implicaria uma redução de R$ 360,8 bilhões do passivo de Estados e municípios com a União. Se isso passar, na prática, o governo deixaria de arrecadar tal valor ao longo dos anos. "Isso não dá para bancar", afirmou Humberto Costa (PT-PE), ao destacar que esse era o último acordo de votação entre o governo e sua base aliada com o Senado. Ele disse que ainda não há qualquer orientação do Palácio do Planalto para tentar retirar do texto de votação a questão da retroatividade. "Imagina (aprovar uma mudança dessas), num clima desses", afirmou Costa, num indicativo de que a orientação não deve ser alterada para a votação de quarta-feira. Segundo ele, os aliados estudam retirar a retroatividade do texto por meio de uma emenda supressiva em plenário. Isso permitiria que o projeto seguisse diretamente para a sanção presidencial sem a necessidade de, por ter sido alterado, voltar para análise da Câmara dos Deputados. A proposta foi apresentada pelo Executivo no início do ano passado ao Congresso e sofreu alterações na Câmara. O projeto original previa a troca do indexador das dívidas atuais, o IGP-DI mais 6% a 9% ao ano, pelo IPCA mais 4% anual ou pela taxa Selic (atualmente em 11,25% ao ano), o que for menor dos dois no momento. Quando passou pela Câmara, os deputados permitiram que o fator de correção tivesse efeito retroativo, o que, na prática, concede um desconto no estoque da dívida. Principal beneficiária da medida, a prefeitura de São Paulo, comandada pelo petista Fernando Haddad, poderia ter R$ 20 bilhões de abatimento no saldo devedor. Governistas querem barrar esse ponto no Senado. O projeto foi uma das bandeiras assumidas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para votação na Casa logo após o segundo turno das eleições. Renan defende a votação do projeto com efeitos retroativos. Em dobradinha com seu filho, o deputado federal e governador eleito de Alagoas, Renan Filho (PMDB-AL), o presidente do Senado cobrou a votação da matéria para propiciar aos Estados mais recursos em caixa para fazer investimentos.

BNDES fica sob holofotes diante de pressão de contas do governo federal

Por anos, as empresas brasileiras têm contado com crédito barato do BNDES, mas essa dependência tem enfraquecido as contas públicas e tirando bancos privados dos mercados de crédito. Críticos afirmam que em vez de forçar as empresas a mudarem de postura, a presidente Dilma Rousseff injetou mais recursos no BNDES desde que assumiu a presidência do País em 2011. Com a economia brasileira agora estagnada, Dilma enfrenta pressão para reduzir a intervenção do Estado na economia. Nos primeiros nove meses do ano, o governo federal gastou mais do que arrecadou, mesmo após o pagamento de dívidas, no primeiro déficit primário desde 1994. Agências de classificação de risco alertaram que podem reduzir a nota do Brasil em 2015 e estão olhando atentamente se o papel menor do BNDES estará entre as mudanças de políticas de Dilma em seu segundo mandato, a partir de janeiro. "A redefinição do papel do BNDES é um sinal importante de que o governo será sério no fronte fiscal", disse Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina no Goldman Sachs: "Os investidores ficarão muito atentos sobre qualquer passo para resolver a presença excessiva do banco nos mercados de crédito". Desde seu lançamento em 1952, o BNDES tem praticamente sido a única fonte de crédito corporativo de longo prazo no País. Sob o governo de Dilma, o banco emprestou mais de 570 bilhões de reais a taxas subsidiadas financiadas principalmente pela venda de títulos do Tesouro, o que causou um salto na dívida. A diferença entre a taxa de juros que o governo paga a investidores para financiar o BNDES e a que o banco paga por esse apoio alcançou 6,25%, custando aos contribuintes 35 bilhões de reais por ano. A cifra deve crescer em 2015. O governo federal reconhece os efeitos que os empréstimos do BNDES causam, mas eles ajudaram a guiar o crescimento ao longo dos anos, o que preocupa o governo federal sobre uma redução do papel do banco de fomento. Isso ocorre especialmente em um momento em que o crédito do setor privado continua escasso e caro, afirmaram duas fontes próximas do assunto. Se a presidente não promover mudanças ou promover ajustes graduais na política fiscal e no BNDES, economistas temem que os problemas piorem, incluindo aumento no déficit orçamentário e da inflação, saída dos bancos do mercado de financiamento corporativo e, no final, perda do grau de investimento do País. Economistas também argumentam que o elevado financiamento promovido pelo BNDES difícultando para o Banco Central controlar a oferta de dinheiro, o que influencia no aumento da inflação. Apesar do volume de recursos emprestado pelo BNDES, o papel da instituição parece menos importante agora que a economia brasileira está apresentando fraca performance: a atividade industrial e de investimento caíram por quatro trimestres seguidos e o Produto Interno Bruto se contraiu em três deles. Além disso, algumas empresas apoiadas pelo banco, como a companhia de serviços para a indústria de petróleo Lupatech e as empresas endividadas do empresário Eike Batista estão apresentando dificuldades financeiras. Dois terços da carteira de empréstimos do BNDES vai para grandes companhias que poderiam buscar recursos com outras fontes. Petrobras, TIM e ALL estão entre as 10 principais empresas que pegaram recursos com o banco no ano passado. Porém, tentativas de se reduzir o total de empréstimos do banco ao conter o subsídio via TJLP, que o BNDES cobra sobre seus empréstimos, pode atingir centenas de companhias do País. "O banco não pode abandonar o atendimento das necessidades das empresas, portanto seu tamanho vai depender destas necessidades e da disponibilidade de outras fontes de financiamento alternativo", disse o BNDES. Sem as taxas de juros do BNDES abaixo das taxas de mercado, as companhias do País teriam que pagar cerca de 32% por um crédito rotativo e 174% no cheque especial. A criação de condições para que os bancos comerciais e mercados de bônus assumissem parte da carga sobre o BNDES poderia mitigar os efeitos da redução do tamanho da instituição de fomento. A melhora de garantias ou aliança com banco comerciais para formar empréstimos sindicalizados poderiam ajudar o BNDES a reduzir o risco de crédito sem que sua carteira de crédito crescesse significativamente, disse Sergio Lazzarini, professor de finanças da escola de negócios Insper. Nelson Barbosa, que algumas fontes vêem como candidato a novo ministro da Fazenda de Dilma, defende a implementação gradual de aumentos na TJLP para reduzir o peso sobre os cofres do governo federal e as distorções nos mercados de crédito. Apesar de toda a discussão sobre a redução do tamanho do BNDES, autoridades têm evitado comentar a respeito. O banco emprestou 185 bilhões de reais nos 12 meses até junho, quase um recorde, e 60% mais que o total financiado globalmente pelo Banco Mundial. O BNDES foi um dos pontos principais na política de criação de companhias "campeãs nacionais". Seus empréstimos financiaram a companhia de alimentos JBS que se tornou a maior processadora de carne do mundo. Os financiamentos do banco também ajudaram na criação da Fibria, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo. Em 2013, o BNDES financiou mais de um quarto do investimento em capital fixo do Brasil, ante 6% cento uma década atrás.

OAB coleta assinaturas para projeto de lei de reforma política

A OAB vai organizar, junto com mais de 100 entidades, um esforço concentrado nos próximos meses com intuito de coletar ao menos 1 milhão de assinaturas para que a reforma política se torne um projeto de lei de iniciativa popular. Junto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outras associações, a entidade conseguiu reunir cerca de 500 mil assinaturas durante aproximadamente oito meses para o projeto que prevê, entre outras mudanças, o fim do financiamento privado de campanhas. O projeto de lei elaborado pelas entidades já está em tramitação no Congresso. A intenção, contudo, é tornar o texto uma proposta de iniciativa popular para pressionar os parlamentares. Com o fim das eleições e o tema trazido à tona nas últimas semanas, a entidade acredita que irá conseguir conquistar o total de assinaturas necessárias para apresentar projeto de iniciativa popular - 1,5 milhão - no mais tardar até a abertura do próximo ano legislativo. Para isso, entre 15 de novembro e 15 de dezembro, as associações irão marcar atos de mobilização espalhados pelo País. Nesta segunda-feira, a OAB organizou na sede do Conselho Federal, em Brasília, um encontro entre as associações para definir o "esforço concentrado" a ser feito a partir de agora. O projeto não prevê alteração na Constituição Federal, o que permite, na visão da OAB, aprovação mais fácil no Congresso, pois não depende de maioria qualificada. "Além de se transformar em algo mais possível de ser aprovado no Congresso, também possibilita a participação popular, pois não há no Brasil projeto de iniciativa popular de emenda à Constituição", disse presidente da OAB nacional, Marcus Vinicius Furtado Coelho. A OAB, de acordo com o presidente, é contra a idéia de convocar uma constituinte para elaborar a reforma política e considera que não é o momento para discutir sobre o uso de plebiscito ou referendo para consultar a população a respeito do tema. "A discussão sobre plebiscito ou referendo é uma discussão final. Não é uma discussão de forma que vai atrapalhar o debate do conteúdo, que é o principal", afirmou o presidente da entidade. O texto prevê, entre outras coisas, o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais e o fim do sistema proporcional em lista aberta - em que o voto é dado a qualquer dos candidatos da lista do partido. A proposta é adotar eleições proporcionais em lista pré-ordenada, com dois turnos. No primeiro, o voto é dado ao partido e à lista de candidatos já ordenada. No segundo, com base no quociente eleitoral que define a quantidade de parlamentares de cada partido, o voto é dado ao candidato. "A cada eleição, você aumenta a conta milionária das campanhas. Nas eleições presidenciais, tivemos cerca de R$ 1 bilhão gastos em três meses. A corrupção administrativa tem um germe inicial na corrupção eleitoral", critica Coelho. Também é prevista uma alteração no sistema de coligações, em que o tempo de TV, por exemplo, não é incorporado quando há adesão de algum partido ao grupo.

Preço do minério exportado por Brasil cai 40% e renova mínima em 4 anos em outubro

O preço médio do minério de ferro exportado pelo Brasil fechou outubro a 59,5 dólares por tonelada, no menor nível desde março de 2010, com os valores das vendas brasileiras sendo afetados pela conjuntura de grande oferta global do produto e um crescimento mais fraco da demanda. Com a queda de 40% no preço e de 2,3% no volume embarcado, a receita com as exportações de minério de ferro do país recuou para 1,89 bilhão de dólares em outubro ante o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior nesta segunda-feira. Em outubro de 2013, o preço médio do minério exportado pelo Brasil estava em 99 dólares por tonelada. Em setembro, o preço estava em 67,3 dólares por tonelada, na esteira da queda dos preços globais, que atingiram mínimas de cinco anos no mercado da China, maior importador global. Pelos dados do governo brasileiro, o preço de exportação do minério é o mais baixo desde que alcançou 52,3 dólares por tonelada em março de 2010, quando com a economia global ainda se recuperava da crise financeira de 2008-2009. Os baixos preços do minério impactaram fortemente os resultados da mineradora Vale no terceiro trimestre, quando a maior produtora global de minério e principal empresa exportadora brasileira registrou um prejuízo líquido. Os volumes exportados de minério de ferro pelo Brasil recuaram para 31,8 milhões de toneladas no mês passado, ante 33,1 milhões toneladas em setembro e 32,5 milhões de toneladas em outubro de 2013.

Espanhola ACS vence leilão de energia com projetos solares no Brasil

O grupo de infraestrutura espanhol ACS disse na segunda-feira que suas divisões Cobra e Lintran venceram o leilão de energia solar do governo brasileiro na sexta-feira passada, e irão construir e operar nove usinas de energia solar em São Paulo, no valor total de 406 milhões de euros (507 milhões de dólares). A ACS disse que a construção das usinas começará no quarto trimestre de 2015, com as instalações devendo entrar em operação 16 meses mais tarde. A empresa disse que o contrato envolve a venda de energia a 218,37 reais por megawatt-hora (MWh), acima do valor médio de 215 reais/MWh de outras licenças.

Israel avança planos de construção em Jerusalém

Autoridades israelenses avançaram nesta segunda-feira com planos de construir novos edifícios de apartamentos em um assentamento em Jerusalém Oriental depois que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu deu sua aprovação na semana passada. O anúncio feito pelo Comitê de Planejamento e Construção de Jerusalém de aprovar a construção de 500 unidades habitacionais em Ramat Shlomo é o primeiro passo de uma longa série de aprovações necessárias antes que a construção real possa começar. O processo pode levar anos. "É lamentável que após a posição inequívoca e unânime na última semana da comunidade internacional de se opor à construção em Jerusalém, nestes tempos sensíveis, que as autoridades escolham seguir em frente", afirmou Edgar Vasquez, porta-voz do Escritório de Assuntos do Oriente Próximo do Departamento de Estado dos Estados Unidos. Jerusalém Oriental abriga locais sagrados judaicos, cristãos e muçulmanos. Israel diz que toda a cidade será para sempre a sua capital, citando razões históricas, religiosas e de segurança. Os palestinos querem que essa área seja a futura capital e se opõe a qualquer construção israelense construção na região.

O bandido petista mensaleiro Henrique Pizzolato diz: "Ao Brasil não volto

Henrique Pizzolato avisa: ao Brasil não volta e não vai mais falar de política. Nesta terça-feira, ele daria uma coletiva de imprensa em Modena, mas, faltando menos de 24 para o evento, cancelou o encontro com os jornalistas. "Ele quer fechar seu passado e iniciar uma nova vida na Itália", declarou seu advogado, Alessandro Sivelli. "Ele me disse, ao Brasil não volto", afirmou. No domingo, Pizzolato não apareceu para recolher seus documentos em La Spezia e, apesar de solto há uma semana, até agora não apareceu no endereço que ele forneceu à polícia, em Maranello. Oficialmente, o cancelamento da coletiva de imprensa ocorreu porque a imprensa publicou "notícias falsas" sobre ele. Ao receber os jornalistas para explicar a situação, Sivelli mudou a explicação para o cancelamento. "O combinado era de que falaríamos apenas sobre o processo. Mas quando ele viu que poderiam falar de temas políticas e de seu passado, decidiu que não queria", disse. "Ele não quer intervir na política brasileira e existe o risco de que suas declarações sejam usadas politicamente, de um lado ou de outro", disse. "Houve uma mudança política no Brasil", constatou. "Pizzolato me disse: não quero falar do meu passado", disse. Itália. Sivelli ainda confirmou que Pizzolato pretende ficar na Itália. "Ele não vai colocar o pé em San Marino ou em Monte Carlo", declarou o advogado, em uma referência ao caso do ex-banqueiro Salvatore Cacciola que, ao viajar, acabou sendo preso e extraditado. "Ele quer uma vida normal, fora da imprensa, tranquila", disse. Sivelli indicou que, na prisão, Pizzolato "visitava a enfermaria praticamente todos os dias": "Ele estava traumatizado". O advogado ainda argumentou que, inicialmente, Pizzolato achava que a coletiva de imprensa seria dada pelo advogado. Quando entendeu que era ele que falaria, mudou de opinião. "Suas declarações não foram respeitadas e foram manipuladas", declarou. As explicações do advogado foram diferentes do que o comunicado indicou, horas antes. Em um email, seu advogado esclareceu que o cancelamento ocorreu porque "algumas de suas declarações foram manipuladas e foram instrumentalizadas e que foram publicadas notícias falsas sobre sua atual condição de vida e que não tem relação com a decisão da Corte de Bolonha". O comunicado não cita nem as reportagens e nem os veículos de comunicação. "Pizzolato não tem nada a adicionar à argumentação jurídica decidida no processo de extradição e que foi acatada pela Corte de Bolonha", indicou o texto. Na sede do escritório, advogados se recusaram a dar respostas e até desligaram o telefone ao saber que se tratava de jornalistas. Seu advogado, Alessandro Sivelli, aproveitou para insistir que a recusa da Corte em extraditá-lo é resultado da constatação de que ele não teve seus "direitos de defesa" respeitados no Supremo, não teve direito de recorrer e que as prisões brasileiras não garantem seus "direitos fundamentais". A coletiva de imprensa ocorreria nos escritórios de Sivelli, no centro de Modena. Televisões brasileiras viajaram até o local, assim como muitos dos correspondentes brasileiros na Europa. Para participar do evento, Sivelli pediu que Pizzolato não fosse contatado antes, que a imprensa não o parasse na rua e nem que não tentasse entrevistá-lo. "Tudo o que ele achar que deve falar será dito na conferência", escreveu na semana passada. No domingo, ele voltou a pedir que a imprensa deixe Pizzolato em paz: "Peço que respeitem a privacidade do meu cliente e das pessoas que estão próximas a ele e que os conhece".