sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Deputado catarinense João Pizzolatti é citado em denúncias da Petrobras

Indicado pelo PP para a vaga de direção na Petrobras, o ex-diretor Paulo Roberto Costa, no seu depoimento à Justiça Federal, afirma que todos os contratos com dez grandes empresas, acusadas de integrar um cartel, eram superfaturados em 3% para "ajuste político". Deste valor, 1% seria para o Partido Progressista. E, do total recebido ilegalmente, R$ 5,5 milhões teriam ido para o deputado federal João Alberto Pizzolatti Júnior. O nome dele consta é uma agenda do ex-diretor que detalha o pagamento de R$ 28,5 milhões para sete políticos do PP. Pizzolatti é vice-presidente da executiva nacional da legenda. "Quando começou a ter projetos de construção, principalmente para a área de qualidade de gasolina e diesel, começaram em todas as refinarias grandes obras com esse intuito, me foi colocado lá pelas empresas e também pelo partido que, dessa média de 3%, o que fosse diretoria de abastecimento, 1% seria repassado para o PP e os 2% restantes ficariam para o PT. Isso foi me dito com toda clareza", depõs o ex-diretor em sua delação premiada. Esse taxa de "ajuste político", nas próprias palavras de Paulo Roberto Costa, seria cobrada em todos os contratos das empresas que integravam o cartel, composto por 10 grandes empresas que negociam com a Petrobras. O percentual seria cobrado até nos aditivos contratuais de empreendimentos já em andamento. Mas o diretor também tinha a sua fatia. "Do 1% do PP, 60% iam para o partido e 20% para despesas. Dos outros 20%, 70% vinham para mim e 30% ficavam com Janene e depois com Youssef", explica, na gravação, Paulo Roberto Costa.

Anderson Silva declara apoio a Aécio Neves

Em vídeo, Anderson Silva apóia o candidado do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves

Em vídeo de um minuto, Anderson Silva declara voto em Aécio Neves (YouTube/Divulgação)
O ex-campeão dos médios do UFC Anderson Silva declarou apoio nesta sexta-feira ao candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves. Em depoimento de um minuto divulgado pela página do tucano na internet, o lutador diz que tem "conhecimento de causa" para afirmar que Aécio é o "candidato da mudança". "Eu estou aqui para falar um pouco de conhecimento de causa, que é uma coisa que todo brasileiro deve ter. Vamos fazer com o que o nosso país tenha uma mudança radical. Nos últimos anos, a gente viu muita coisa boa, mas também muita coisa ruim. E agora é hora de mudar", disse o lutador, repetindo o slogan da campanha tucana. Anderson é cliente da agência de marketing esportivo 9ine, cujo dono é o ex-jogador de futebol Ronaldo Nazário, o “Fenômeno”. Amigo pessoal de Aécio, Ronaldo já participou de eventos de campanha do presidenciável e até o acompanhou no último debate da Globo. Além de Anderson, os lutadores Minotauro e Wanderlei Silva também gravaram um vídeo juntos, manifestando apoio ao candidato. Faz parte da estratégia de campanha associar a imagem do tucano a celebridades

Acuada pelo petrolão, Dilma sobe o tom: "Denúncias são golpe da oposição"

As revelações de que a Petrobras era usada para abastecer o caixa do PT, PP e PMDB fizeram a presidente Dilma Rousseff subir o tom em defesa de seu governo – e nos ataques à oposição. Nesta sexta-feira, após uma caminhada em Canoas (RS), a petista associou as denúncias recentes a uma tentativa de "golpe" – embora as confissões tenham partido de um ex-diretor nomeado pelo PT para uma diretoria importante da estatal, Paulo Roberto Costa. "Na véspera eleitoral eles sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe, nós não podemos concordar com ele", disse ela. A presidente petista, com sua sutileza búlgara, também acusou os tucanos de serem lenientes com a corrupção: "Eles jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime horrível", afirmou, insistindo que os escândalos de seu governo são uma prova de que o PT não acoberta desvios. "Eles aparelharam a Polícia Federal. Por isso a Polícia Federal investigou pouco, descobriu pouco, prendeu pouco e condenou muito pouco. Nós, não. Nós investigamos, prendemos e punimos", disse Dilma. Mais cedo, a presidente insinuou que a divulgação dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, alvos da Operação Lava Jato, teve fins eleitorais. A presidente também acusou os tucanos de destilarem "ódio": "Eles destilam ódio, eles destilam mentiras, nós temos de responder com a verdade e a esperança. Diante da urna nós votamos com a consciência, paz e amor no coração". O discurso da presidente foi feito logo após ela percorrer, em carro aberto, um trecho de aproximadamente 700 metros no bairro popular de Guajuviras, em Canoas. Ela estava ao lado do candidato a governador pelo PT, o peremptório "grilo falante" Tarso Genro. Centenas de militantes, a pé, acompanharam a dupla, a maioria de CCs da prefeitura de Canoas, comandada pelo petista Jairo Jorge, que liberou os funcionários com a obrigação de participação na caminhada.

Ministro petista da saúde diz que situação do paciente suspeito de ter Ebola está sob controle

Ao comentar o primeiro caso suspeito de ebola no Brasil, registrado no município de Cascavel (PR), o ministro da Saúde, o petista Arthur Chioro, disse nesta sexta-feira (10) que a situação está sob controle: “Todos os procedimentos realizados foram feitos em um tempo-resposta extremamente adequado e em cumprimento a todo os requisitos de protocolo". Durante coletiva de imprensa, Chioro explicou que a identificação do caso foi feita pela Secretaria de Saúde de Cascavel que, em seguida, isolou o paciente e notificou a Secretaria de Saúde do Paraná e o Ministério da Saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS), segundo o governo brasileiro, já foi informada sobre o caso suspeito. As informações da pasta indicam que o homem de 47 anos, solteiro, saiu da Guiné no dia 18 de setembro sem referir contato com pessoas infectadas pelo ebola. No dia 19 de setembro, ele desembarcou no aeroporto de Guarulhos. Ontem (9), procurou atendimento na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Cascavel relatando febre, tosse e dor de garganta, sintomas iniciados na última quarta-feira (8) – 20 dias depois de sair da Guiné. O último boletim médico indica que o estado geral de saúde do paciente é bom e que ele não apresenta febre ou qualquer outro sintoma, como hemorragia ou diarreia. Ele permanece em isolamento total. Foram identificadas 64 pessoas que tiveram algum tipo de contato com o homem, sendo 60 delas na UPA de Cascavel e três que tiveram contato direto com o paciente. Dois casais hospedados na mesma residência em que o homem estava também estão sendo monitorados. Todas essas pessoas são consideradas de baixo risco, mas serão submetidas ao monitoramento de temperatura uma vez por dia durante 21 dias.

Suspeito de ebola diz que não teve contato com infectados na África

O paciente com suspeita de ebola foi transferido de Cascavél (PR) para o Rio de Janeiro por volta das 5h desta sexta-feira (10)
O paciente com suspeita de ebola foi transferido de Cascavél (PR) para o Rio de Janeiro por volta das 5h desta sexta-feira (10) - Luiz Carlos da Cruz/Folhapress
O primeiro paciente hospitalizado com suspeita de ebola no Brasil afirmou que não teve contato com pessoas ou cadáveres infectados pela doença na África. Segundo o Ministério da Saúde, Souleymane Bah também disse que não se sentiu mal durante a viagem que fez da Guiné, em 18 de setembro. A pasta ainda informou, em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, que o quadro de saúde do paciente é estável. De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o Instituto Evandro Chagas está processando o exame para confirmar se o diagnóstico é de ebola. O resultado está previsto para sair entre 8 e 10 horas da manhã deste sábado, mas pode ser divulgado antes. 
Cinco especialistas do Ministério da Saúde estão em Cascavel, no Paraná, onde o guineense foi internado nesta quinta-feira. A equipe monitora as pessoas que podem ter tido contato com o paciente – que totalizam 64, como informou a pasta mais cedo. "Três pessoas tiveram esse contato direto com ele e já foram identificadas, mas nenhuma delas teve contato com as secreções, que podem transmitir a doença, como vômito, fezes e sangue", disse Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde da pasta. 
Caso o resultado dê negativo, o ministro afirma que haverá uma desmobilização. Se positivo, a ação mais importante será a vigilância epidemiológica por 21 dias das pessoas que tiveram contato com Bah – isto é, se eles apresentam algum sintoma. "Os outros passos são o cuidado ao paciente e a manutenção do regime de seu isolamento", explica Chioro. Na tarde de quinta-feira, Souleymane Bah, um missionário de 47 anos, procurou atendimento na UPA Brasília II, em Cascavel, e relatou ter tido febre pela manhã e no dia anterior. No momento do atendimento, a sua temperatura estava em 36,6 graus e ele não apresentava hemorragia, vômitos ou outros sintomas característicos do ebola. Mesmo assim, pelo histórico de febre e por ter vindo da Guiné, o paciente foi considerado como suspeito de ter contraído a doença. 
Além disso, o período de incubação do vírus, que é o tempo entre o microorganismo entrar no corpo de uma pessoa e os sintomas se manifestarem, é de até 21 dias — exatamente o período desde que o paciente deixou a Guiné e apresentou febre no Paraná. Assim que a possibilidade de infecção foi identificada, Bah foi colocado em isolamento na unidade e seu caso foi comunicado pela Secretaria de Saúde do Paraná ao Ministério da Saúde. 
Na manhã desta sexta-feira, o africano foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, e submetido ao exame que detecta o ebola. Ainda que o teste descarte o vírus, uma nova avaliação será realizada após dois dias. 

Absurdo! Liminar de juiz proíbe retirada de água da segunda parte do volume estratégico da Cantareira e manda impor racionamento

O juiz federal Miguel Florestano Neto, da 3ª Vara Federal em Piracicaba, determinou que a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (DAEE) revejam as vazões de retirada do Sistema Cantareira pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) no abastecimento da Grande São Paulo. Além disso, o juiz proibiu a captação da segunda cota da reserva emergencial do manancial, mais conhecida como volume morto. A decisão, em caráter liminar, acolhe parcialmente uma ação civil pública ajuizada no dia 2 de outubro pelos Ministérios Públicos Estadual e Federal e tem como objetivo assegurar que o consumo da primeira cota do volume morto não se esgote antes do dia 30 de novembro. O juiz determinou ainda que não haja nenhum prejuízo nas vazões liberadas do Cantareira para as cidades da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, na região de Campinas. 

Segundo a decisão judicial, os órgãos reguladores do manancial, ANA e DAEE, deverão definir limites para as novas vazões de retiradas realizadas pela Sabesp com o objetivo de que o Cantareira chegue ao final de abril de 2015 – quando começa o próximo período de estiagem – com no mínimo 10% do volume útil original. O sistema tem operado exclusivamente com a primeira cota do volume morto e está com o nível original negativo em cerca de 12%. Atualmente, a Sabesp tem autorização para retirar até 19.700 litros por segundo do Cantareira para abastecer cerca de 6,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Outros 4.000 litros por segundo são liberados para a região de Campinas, onde 5,5 milhões de pessoas consomem água do manancial. Nesta sexta-feira, o Cantareira atingiu 5,1% da capacidade, o índice mais baixo de sua história. Projeções apontam que esta primeira parte da reserva profunda, que começou a ser bombeada em maio, pode se esgotar em meados de novembro.
Com relação à segunda cota do volume morto do Cantareira – de 106 bilhões de litros –, que foi solicitada pela Sabesp, o juiz considerou que, caso os estudos técnicos apontem para a impossibilidade do cumprimento da decisão que proíbe seu uso, “a liberação da reserva deverá ocorrer com todas as cautelas necessárias à preservação da vida e do meio ambiente”, conforme o pedido feito pelo Ministério Público na ação.
Plano de racionamento
O juiz determina ainda que as agências reguladoras devem definir semanalmente as vazões a serem cumpridas e estabelecer um plano de metas “de restrição ou suspensão de utilização de água pelos usuários”, ou seja, racionamento. Os órgãos deverão adotar medidas necessárias para que o Cantareira se recupere no prazo máximo de cinco anos em seu volume integral, conforme o pedido do Ministério Público na ação. Outro ponto da decisão é a exclusão da Sabesp do comitê anticrise do Sistema Cantareira, estabelecendo que a função deve ser exercida pela ANA, DAEE, e comitês da bacia do Piracicaba, Capivari e Jundiaí e do Alto Tietê. No caso de descumprimento da decisão, a ANA, o DAEE e a Sabesp estarão sujeitos aos crimes descritos no Código Penal e em especial o de desobediência e prevaricação.
“Para que seja fiscalizado o cumprimento do que está sendo decidido, deverão os três réus, em periodicidade não maior que um mês, comprovar nos autos as medidas que vêm sendo adotadas, além de encaminhar tais informações, por meio oficial, aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, da mesma forma e sob as mesmas penas”, finalizou o juiz.
Pedido
Antes da decisão da Justiça, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) encaminhou nesta sexta-feira uma solicitação de outorga à Agencia Nacional de Águas (ANA) pedindo o direito ao uso da segunda parcela do volume morto no Sistema Cantareira. O envio do documento à agência federal foi feito em caráter preventivo para evitar entraves burocráticos caso a segunda parte do reservatório de emergência tenha que ser acionada antes do previsto. Alckmin afirmou que a segunda parcela do volume morto vai começar a ser bombeada para o reservatório quando houver necessidade. “As obras já estão praticamente prontas. Se houver necessidade, esses 5% viram 16% no dia seguinte. Vou encaminhado à ANA pedindo a liberação ainda hoje”, disse o governador.

Aécio critica Dilma sobre petrolão: “Não há nem sequer indignação”

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, criticou na tarde desta sexta-feira a tentativa da presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) de amenizar a gravidade das revelações do depoimento prestado à Justiça Federal do Paraná pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Dilma criticou a divulgação das declarações do ex-diretor no processo judicial, menosprezando os crimes delatados. “A presidente deu uma declaração de que considera estarrecedor o vazamento dos depoimentos. Eu considero estarrecedor esses depoimentos, essa confissão de crime cometido sucessivamente e de forma contínua ao longo dos últimos doze anos. Assaltaram a maior empresa brasileira nas barbas desse governo. E não há sequer indignação da presidente”, criticou Aécio.

O presidenciável tucano ressaltou a gravidade dos crimes descobertos na Operação Lava Jato da Polícia Federal, que movimentaram mais de 10 bilhões de reais em lavagem de dinheiro com participação de políticos, partidos e executivos da estatal. Aécio voltou a repetir que o caso mostra que a “corrupção se institucionalizou no seio da nossa maior empresa”. Ele defendeu o avanço das investigações. “É preciso que as investigações avancem. Se eleito presidente, vamos a fundo nessas investigações”, afirmou o tucano.
Aécio criticou ainda a tradicional “impunidade” de casos do gênero. “O governo do PT deixará essa herança de que política se confunde com corrupção. Política pode ser algo digno, honrado, desde que você tenha chefes que cobrem dos subordinados essa postura”, afirmou.
Na cidade do Rio de Janeiro desde a noite de quarta-feira, Aécio gravou programas eleitorais e fez contato com aliados para definir os próximos passos da campanha. Era aguardado um anúncio de apoio do deputado federal e ex-jogador de futebol Romário (PSB), eleito senador, mas isso ainda não ocorreu. Aécio disse esperar ainda a adesão de Romário a sua campanha, mas disse que respeita o tempo de decisão de possíveis aliados, em referência ao eventual apoio da ex-adversária Marina Silva (PSB). “Marina, no tempo certo, tomará sua decisão que será por nós respeitada”, afirmou. “Tenho muito respeito pelo trabalho parlamentar do Romário. Acho possível que possamos nos próximos dias estar juntos”, acrescentou.
Nesta sexta-feira, em referência ao Dia Nacional da Prevenção da Violência contra a Mulher, Aécio quis reiterar compromissos do seu plano de governo com uma rede de proteção a mulheres vítimas de violência: “Temos que tirar das estatísticas macabras do Brasil o aumento da violência dos crimes contra a mulher”.
Futuro ministério
O presidenciável tucano também sinalizou a divulgação na próxima semana de novos nomes de seu ministério, caso seja eleito. “É provável que teremos um ou dois nomes, que podem sugerir a qualidade que nós teremos. No correr da próxima semana, podemos ter alguma novidade”, afirmou.
Explicações de institutos de pesquisa
Apesar de despontar à frente da presidente Dilma na primeira pesquisa eleitoral desde o início do segundo turno da disputa presidencial, Aécio cobrou explicações dos institutos de pesquisa. “Os institutos de pesquisa devem dar explicações aos brasileiros. As margens de erro não apenas na eleição presidencial, mas também nas estaduais, fogem a qualquer lógica”, apontou. Por Reinaldo Azevedo

Dilma enlouqueceu e agora chama democracia de “golpe”. Isso era pensamento da terrorista da VAR-Palmares, não de quem se fez presidente pelas urnas

“Os deuses primeiro enlouquecem aqueles a quem querem destruir.” Em latim: “Quos volunt di perdere dementant prius”. A citação no singular é mais conhecida: “Quem vult deus perdere dementat prius” — “Deus primeiro enlouquece aquele a quem quer destruir”. Prefiro a citação com “deuses”. O problema de “deus”, no singular, é que a frase parece remeter ao Deus único, este nosso, não àqueles vários do paganismo, que viviam atazanando os homens. É o que me ocorre ao tomar conhecimento do que Dilma afirmou nesta sexta-feira. Ela pode estar perdendo o juízo. Leiam o que afirmou:

Numa caminhada na periferia de Porto Alegre, discursando sobre uma caminhonete, ela se saiu com a seguinte estupidez: “Eles (oposição) jamais investigaram, jamais puniram, jamais procuraram acabar com esse crime terrível que é o crime da corrupção. Agora, na véspera eleitoral, sempre querem dar um golpe. E estão dando um golpe. Esse golpe nós não podemos concordar”.
Golpe? Que golpe? O golpe das urnas, presidente? Haver quem não vote no PT, então, agora é golpe? Uma eleição só é legítima quando vencida pelo PT? Se o seu partido perder, dona Dilma, será porque a maioria terá votado no seu adversário. Será, então, sinal, governanta, de que a maioria do eleitorado terá se transformado em golpista?
A fala é de uma estupefaciente irresponsabilidade. Até porque Dilma, que continua presidente da República, está afirmando, na prática, que, se ela perder a eleição, então o resultado não é legítimo. Se não é, então o PT poderá sair por aí botando fogo no circo. Golpista é a fala da petista!
Eles já recorreram a esse expediente em 2006. Essa tese tem “copyright”, tem autoria: Marilena Chaui, a militante do PT disfarçada de filósofa. Foi ela quem procurou dar alcance até acadêmico a essa vigarice naquele ano. Segundo essa senhora, denunciar o Mensalão correspondia, imaginem vocês, a dar um golpe. Agora, para mostrar que somos legalistas, deveríamos todos nos calar diante do “petrolão”???
Sabem o que é isso? Sinal de desespero. Em dois dias, é o segundo golpe baixo — o primeiro é tentar fazer de Fernando Henrique Cardoso um inimigo dos nordestinos. Imaginem o que vem por aí. Dilma está se esquecendo de que ainda é presidente da República e que tal cargo lhe impõe uma especial responsabilidade.
Democracia como golpe, presidente? Esse pensamento ficava bem na terrorista da VAR-Palmares, não na pessoa que se elegeu por meio das urnas, as mesmas que, no momento, dão a vitória a seu adversário. Até que Dilma não comece a sentir vergonha do que disse, sentirei um pouquinho por ela, a tal vergonha alheia. Por Reinaldo Azevedo

MODO DE SER PETISTA - Dilma acha "estarrecedor" não o roubo revelado no Petrolão, mas a divugação dos áudios dos depoimentos dos delatores

A presidente petista Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, em mais uma demonstração inequívoca do modo de ser petista, se manifestou nesta sexta-feira (10) sobre a divulgação do áudio do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto da Costa, em que acusa o PT de receber dinheiro ilícito de um esquema de corrupção instalado na estatal. A petista diz que acha “muito estranho” e “estarrecedora” a divulgação dos áudios da investigação da operação Lava Jato “no meio da campanha eleitoral”. O material foi liberado na quarta-feira (9) pelo juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal do Paraná. “Sei que essas informações estão ainda sobre sigilo e eu pedi essas informações, então eu acho muito estranho e estarrecedor que no meio da campanha eleitoral façam esse tipo de divulgação”, declarou a petista Dilma durante entrevista coletiva no Palácio da Alvorada, que ela transformou em comitê de campanha. A candidata ainda tentou se desvincular do escândalo, dizendo: “É muito importante que a gente não deixe uma coisa se misturar com a outra. Agora que não se use isso de forma leviana em momentos eleitorais porque nós não temos acesso a todas as informações”. Dilma foi questionada por jornalistas se o PT participou do esquema do Petrolão, e respondeu dizendo que, se for comprovado, os responsáveis devem ser punidos: “Se o PT errou enquanto pessoas do partido erraram, elas têm de punida. Se alguém errou tem que pagar”. Ela falou naquele seu modo búlgaro, de frases desconexas, sem sentido, tortas. A petista disse ainda que a diferença entre o governo dela e o tucano é que ela não varre as denúncias de corrupção “para baixo do tapete”. A presidenta ainda aproveitou para dar mais uma alfinetada no PSDB acusando o partido de aparelhar a Polícia Federal. “Polícia Federal foi aparelhada, sim, foi dirigida durante algum tempo por pessoas que têm filiação ao PSDB”.

Delatores premiados dizem com todas as letras: cartel de empreiteiras fraudava licitações e pagava propinas

O esquema de corrupção na Petrobras, pilotado pelo ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, e implantado no governo Lula, em 2006, incluiu a formação de cartel das empresas fornecedoras, para combinar preços e ratear as licitações. A revelação é do megadoleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa. Ou seja, todas as licitações eram fraudulentas. Eles citaram mais de uma dezena de empreiteiras do esquema, entre elas Odebrecht, Camargo Corrêa, OAS, Mendes Júnior e Andrade Gutierrez. As empresas escolhiam os ganhadores das licitações tão logo as obras eram definidas, e isso era submetido a Paulo Roberto Costa. Ambos confirmaram que as empresas já sabiam que pagariam propina. Segundo Youssef, “se ela (empresa) não pagasse, tinha ingerência política do próprio diretor e ela não fazia a obra”, disse, referindo-se a Paulo Roberto Costa. O doleiro confirmou o pagamento de propina aos partidos, entre 1% e 3%. “Toda empresa de porte maior já sabia que qualquer obra que fosse fazer na área de Abastecimento da Petrobras tinha que pagar o pedágio de 1%. E 1% também para a área de Serviços e Engenharia”. E que isso era “bem colocado sim, muito bem colocado” para as empresas, disse o doleiro ao responder a pergunta do juiz Sergio Moro. Youssef disse que em geral havia uma negociação para que o valor dos contratos chegasse bem próximo ao teto previsto nas regras da Petrobras. O esquema também envolvia aditivos aos contratos, que podiam levar ao pagamento de propinas maiores, em valores correspondentes a percentuais de 2% a 5% dos negócios. Em seu depoimento, Paulo Roberto Costa disse que tentou acabar com o cartel das empreiteiras, mas que não conseguiu devido ao pequeno número de construtoras com capacidade para realizar as obras de grande porte contratadas pela Petrobras. ”Eu tentei, mas me disseram que eu ia quebrar a cara”, afirmou.  O ex-diretor da Petrobras disse acreditar que várias obras no Brasil, como hidrelétricas no Norte do País e usina de Angra 3, tenham sido alvo da cartelização das empreiteiras. Segundo ele, em todo o tempo em que esteve no comando da diretoria de Abastecimento, nenhuma empreiteira jamais deixou de pagar a propina: “Houve alguns atrasos, mas deixar de pagar, nunca deixaram”. E que as empreiteiras pagavam a propina não só pelo receio de não trabalhar mais para a Petrobras, mas também pelo medo de sofrer retaliação em licitações do governo federal, como ministérios e secretarias. Youssef disse que Odebrechet, Sanko Sider e Toyo Setal, todas contratadas da Petrobras, fizeram pagamentos de propina no Exterior.

Brasil inteiro unido contra o PT corrupto, frente de Aécio Neves já contabiliza 15 partidos

Com os apoios fechados até agora ao candidato do PSDB, Aécio Neves, começou a se formar no segundo turno uma frente anti-PT. A coligação do tucano, formada inicialmente por nove partidos, agora chega a 15 siglas, com a adesão do PSB, PV e PSC, entre outros. Aécio Neves conta ainda com dissidentes do PMDB, PDT e PP — que integram a aliança de Dilma Rousseff. Mas a joia da coroa, a adesão da candidata Marina Silva, ainda depende de acertos sobre uma lista de pontos que ela quer ver contemplados no programa de governo de Aécio Neves. Também com nove partidos no primeiro turno, a Coligação Com a Força do Povo, da presidente Dilma Rousseff, não conseguiu atrair novas siglas no segundo turno. A candidata do PSOL, Luciana Genro, vetou voto em Aécio Neves, mas não indicou voto em Dilma. Quadros importantes do partido, porém, como Marcelo Freixo, o deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro, declararam apoio à candidata do PT. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), candidato a vice na chapa de Aécio Neves, acha que, com a divulgação das primeiras pesquisas mostrando o tucano à frente de Dilma, o fluxo de adesões vai aumentar. "Criou-se um fenômeno cumulativo. Uma coisa puxa a outra, quanto mais cresce, mais gente se junta ao Aécio. Agora está muito bom, o ritmo aqui está frenético. No tempo das vacas magras aqui no comitê, eu perguntava para minha secretária: dona Flávia, tem algum recado para mim? Ela respondia desanimada: Não tem nenhum recado, senhor senador! Mas o Aécio foi terrível, não deixou a peteca cair e hoje está desse jeito", comemorou Aloysio, depois de receber, em São Paulo, o apoio do senador Ataides Oliveira (PROS-TO). Depois de um ato que reuniu no memorial JK os presidenciáveis derrotados Pastor Everaldo (PSC) e Eduardo Jorge (PV), além de dissidentes de PDT, PMDB e PP, Aécio Neves voltou ao gabinete no Senado Federal e logo foi chamado à sede do PSB pelo presidente Roberto Amaral para o anúncio oficial do apoio do partido. Na entrada do elevador, encontrou-se com os senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e o recém-eleito Reguffe (PDT-DF), que foram lhe comunicar a adesão. "Venham comigo, vou chegar lá emoldurado por duas das maiores lideranças do Distrito Federal. Ou me esperem aqui no gabinete. Vou lá correndo e volto", convidou Aécio Neves. "Não precisa! Viemos aqui para dizer que estamos com você incondicionalmente", respondeu Cristovam Buarque. Um dos mais ferrenhos anti-lulistas, o presidente do PPS, Roberto Freire (SP), alertou aos novos aliados de Aécio Neves para a necessidade de união para enfrentar a campanha de Dilma no segundo turno: "Temos que ficar atentos porque estaremos lutando contra uma candidatura e um governo que não têm limites. Para enfrentar essa campanha suja, temos que atuar com muita unidade". Dilma não conseguiu agregar mais apoios à sua coligação, com a qual saiu na frente no primeiro turno. Mesmo assim, receberá apoio de integrantes de legendas que declararam apoio a Aécio Neves ou ficaram neutros. É o caso dos governadores da Paraíba, Ricardo Coutinho, e do Amapá, Camilo Capiberibe, ambos do PSB; do deputado estadual Marcelo Freixo e do deputado federal Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro. Já no PCdoB, o governador eleito do Maranhão, Flávio Dino, ficará neutro no segundo turno, apesar de seu partido integrar a coligação de Dilma. O comunista tem como vice um tucano e ficou contrariado com o fato de o ex-presidente Lula ter gravado para a propaganda de seu adversário Lobão Filho (PMDB). Nem os nanicos de esquerda devem fechar com Dilma. O PSTU e o PCO devem anunciar seu posicionamento, que deve ser pelo voto nulo. Apesar do apoio do PSB, e possivelmente de Marina Silva, a Aécio Neves, um revés para a campanha petista, a presidente e seus apoiadores têm insistido que o voto do eleitor “não tem dono”. Eles apostam que herdarão parte dos votos da ex-senadora. Sem a presença da senadora Ana Amélia Lemos (PP), principal aliada de Aécio Neves no Rio Grande do Sul, o candidato do PMDB ao governo gaúcho, José Ivo Sartori, confirmou na quinta-feira apoio ao tucano no segundo turno. Apoiadora desde o início do tucano, Ana Amélia discursou também na quinta-feira na tribuna do Senado com um adesivo de Aécio Neves no peito. O apoio de Sartori e Ana Amélia foi definido na segunda-feira, logo após PP, PSDB, PRB e SD decidirem abrir voto para Sartori no segundo turno. Segundo Sartori, Aécio Neves deverá participar de pelo menos uma atividade junto à sua candidatura até o final da campanha.

Ibope e Datafolha mostram discrepâncias monumentais nos votos de Dilma e de Aécio Neves no Sul e no Sudeste

Ninguém consegue entender a enorme diferença entre os pontos de Dilma e os do candidato do PSDB, Aécio Neves, no Sul e no Sudeste, quando comparados os resultados das pesquisas Ibope e Datafolha, divulgadas nesta quinta-feira, 9. No Sul, Dilma tem 41% de acordo com o Datafolha e 33% segundo o Ibope. Já os pontos de Aécio Neves são 50% segundo o Datafolha e 61% conforme apuração do Ibope. A comparação dá, entre os sulistas, uma diferença pró Aécio de 28 pontos pelo Ibope e de 9 pontos pelo Datafolha. No Sudeste, a candidata à reeleição pelo PT registra 34% da preferência do eleitorado, com base nos dados do Datafolha, quatro pontos a menos do que os 38% contabilizados pelo Ibope. Seu adversário no segundo turno aparece com 55% no Datafolha e 48% no Ibope. A diferença pró Aécio Neves, nesse caso, é de 10 pontos pelo Ibope e de 21 pontos de acordo com o Datafolha. As diferenças nas regiões Sul e Sudeste chegam a ser superiores a 200% entre Dilma e Aécio quando se trata do instituto de Carlos Augusto Montenegro. No Nordeste, não é notada discrepância e, nas regiões Norte e Centro-Oeste, a comparação não pode ser feita da mesma forma, uma vez que o Ibope aglutina os dados das duas regiões. Os levantamentos apontaram ontem empate técnico entre Aécio, que registrou 46%, e Dilma, que teve 44% .  Institutos de pesquisa foram alvo de fortes críticas no primeiro turno das eleições, devido a erros alarmantes em diversos Estados.

Mercadante, o homem forte de Dilma, infla o crescimento de 2014 em 700%. Vocês ainda querem saber por que ninguém mais confia no governo?

Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil, ora licenciado, professor de economia, com um doutorado conseguido, é bem verdade, às pressas e no joelho, não sabe fazer conta. Se tiver de voltar a dar aula, começo a ficar com pena de seus alunos. Até agora, a sua maior contribuição à inteligência brasileira tinha sido no campo da etimologia. Certa feita, ele renunciou à liderança do PT no Senado e anunciou que era uma posição “irrevogável”. Lula, que não gosta muito dele, bateu na mesa e mandou que ficasse. Ele ficou. O “irrevogável”, então, foi submetido a uma revolução de sentido e passou a significar o contrário. Em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, o homem barbarizou. Já chego lá.

Primeiro, os “companheiros”, estes que estão no poder, fraudavam apenas a história. Sim, dou exemplos de fraudes históricas:
- “FHC quebrou o país três vezes.” Não quebrou. Nem uma, nem duas, nem três. Nunca se declarou moratória no governo tucano. O Brasil o fez, isto sim, no governo Sarney, que é aliado de Dilma. Pedir socorro ao FMI não é “quebrar”. O PSDB tem de pedir direito de resposta no horário do PT. “Quebrar” não é juízo subjetivo; é matéria de fato. Como é mentira, a mentira tem de ser combatida.
- “As estatais foram vendidas a preço de banana.” Mentira grosseira. Ao contrário. Foram vendidas a preço de mercado e, no caso da telefonia, muito acima dele, como provaram o valor das ações em Bolsa um ano depois, bem abaixo do que havia arrecado o governo. As antigas estatais se valorizaram brutalmente depois porque passaram a ter gestão privada. Peguem o caso da Petrobras: se privada fosse, valeria hoje mais do que o dobro, com absoluta certeza. Entre outras razões porque não teria abrigado um bando de assaltantes.
- “FHC governou para as elites.” – Outra mentira estúpida. O fim da hiperinflação, que veio com o Plano Real, contra o qual o PT votou, significou um dos maiores programas de inclusão dos pobres no mercado. Excludente era o modelo da inflação cavalar, que corria atrás da correção monetária, que corria atrás da inflação, e assim por diante. O Real veio cortar esse ciclo perverso. O PT foi contra. Aliás, Mercadante afirmou, com peculiar profundidade teórica, que o plano daria errado.
- “FHC arrochou o salário mínimo.” Mentira grotesca. FHC deu início à era de valorização real do salário mínimo. Na sua gestão, ela foi de 85,04%; nos oito anos de Lula, foi um pouco maior: 98,32%; nos quatro anos de Dilma, deverá ser de apenas 15,44%.
Voltemos a Mercadante. O principal coordenador da campanha de Dilma, na entrevista ao “Valor”, afirmou que, se reeleita, ela não adotará o que ele chamou de “medidas ortodoxas” de corte de gastos, seja lá o que isso signifique. Os agentes econômicos leem o que diz por aquilo que vale: se continuar presidente, a petista continuará a gastar mais do que arrecada. Convenham: Dilma não precisa tanto assim de inimigos.
Muito bem! Eméritos fraudadores da história, os valentes deram agora para fraudar a matemática. Há dois dias, em entrevista, Guido Mantega disse que a média de juro real nos governos petistas é de 3,5%. Mentira! É quase o dobro: 6,99%. Na entrevista ao Valor, Mercadante demonstra por que, caso fique sem emprego, deve mudar de ramo e desistir de dar aula de economia. Sabem o que ele afirmou? Que a média de crescimento no governo Dilma será de 2,1%, contra 2,3% nos governos FHC. Mas ressalvou que Dilma enfrenta um cenário mais adverso.
Só pode ser piada. Se a petista for reeleita, Mercadante será o homem forte do governo. Como é que os agentes econômicos vão confiar em quem frauda a história e a matemática ao mesmo tempo? Em primeiro lugar, FHC enfrentou sete crises internacionais; Dilma não enfrentou nenhuma. Em segundo lugar, sua conta está brutalmente errada. De fato, a média de crescimento dos oito anos de FHC, foi de 2,34%. Mas vejamos a conta da gestão Dilma:
2011 – crescimento de 2,7%;
2012 – crescimento de 1,0%;
2013 – crescimento de 2,3%;
2014 – crescimento estimado de 0,3%
Somando-se os números e dividindo-se por quatro, a média de crescimento é de 1,57% — ou seja: Mercadante inchou o índice em 33%. Mas quanto o Brasil precisaria crescer neste ano para que Mercadante estivesse falando a verdade? Eu ensino o ministro a fazer uma equação de primeiro grau. Assim:
2,7 + 1,0 + 2,3 + x = 2,1
4
x = 8,4 – 2,7 -1,0 -2,3
x = 2,4
Sim, o País precisaria crescer 2,4% neste ano para que a fala do ministro fizesse sentido. Mas vai crescer 0,3%. Nesse caso, ele inflou o crescimento em 700%. É um escândalo! Mas esperem: descobri a sua conta marota: ele só considerou os três primeiros anos de Dilma. É como se este 2014, em que se disputa a eleição, não existisse.
A conta patética de Mercadante explica por que ninguém mais confia nessa turma. Fraudar a história é grave e também traz consequências, mas seu preço vem no longo prazo. Fraudar a matemática costuma trazer consequências imediatas. Por Reinaldo Azevedo

EM PÂNICO – Depoimentos não devem ser usados “de forma leviana”, diz Dilma

A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, criticou nesta sexta-feira (10) a divulgação de depoimentos sobre corrupção na Petrobras e afirmou que não devem ser usados “de forma leviana em períodos eleitorais” Na quinta-feira (9), o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef depuseram à Justiça Federal no Paraná e deram detalhes sobre o desvio de recursos da Petrobras, que, segundo Costa, serviria para abastecer PT, PP e PMDB. “Que haja de fato interesse legítimo, real e concreto de punir corruptos e corruptores, mas que não se use isso de forma leviana em períodos eleitorais e de forma incompleta, porque nós não temos acesso a todas as informações”, disse a presidente. 

A campanha do tucano Aécio Nves, veiculada na manhã desta sexta-feira, comentou o depoimento de Paulo Roberto Costa à Justiça Federal. “Esse que está fazendo delação premiada, que está preso, usa tornozeleira, acho que todo mundo até já sabe da existência dessa pessoa”, diz. No último minuto do programa, um “comentarista político” chama Costa de “ex-presidente da Petrobras”.
Os depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef à Justiça na quinta-feira não eram sigilosos, porque foram feitos em uma ação que já estava em curso na Justiça Federal e sem sigilo. Além disso, ambos firmaram acordos de delação premiada com o Ministério Público para dar mais detalhes sobre o esquema, mas os depoimentos da delação são sigilosos e suas íntegras ainda não vieram a público. O governo Dilma pediu acesso à delação, mas ainda não obteve.
“A delação premiada, para ser aceita, tem que estar baseada em provas. O que eu suponho? Que lá esteja a maior parte das provas, que lá tenha um arco bem maior do que esse que foi divulgado. O que eu considero incorreto é divulgar parcialmente num momento eleitoral”, afirmou Dilma. (…) Por Reinaldo Azevedo

Fernando Henrique Cardoso diz que Lula está mentindo e que o povo não é bobo

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) divulgou nesta sexta-feira (10) um vídeo para rebater a crítica indireta de seu sucessor, o ex-presidente Lula (PT), de que ele teria criticado a população nordestina por ter votado na presidente Dilma Rousseff no primeiro turno da sucessão presidencial. O tucano acusou o petista de ter mentido e lamentou que a presidente tenha, “embarcado nessa”. O material foi feito por colaboradores da campanha do presidencial Aécio Neves (PSDB) para ser divulgado em grupos de WhatsApp, aplicativo de mensagens instantâneas de celular. “O Lula mentiu. Eu não falei de Nordeste, nordestino, nada disso. E lamento que a presidente Dilma Rousseff, sem saber, tenha embarcado nessa. Não é verdade, o povo não é bobo”, disse.

O tucano acusou ainda o PT de fazer “demagogia” e de querer jogar o PSDB contra o povo brasileiro. Segundo ele, a sociedade sabe que foi o partido quem fez o Plano Real, que controlou a inflação no País. ”É assim que se combate a pobreza, não é deixando a inflação voltar e depois aconselhando o povo a não comer carne e a comer tomate, frango e ovo. Não é assim que se resolve. Nós, do PSDB, fizemos o que dissemos. E deu certo”, afirmou.
Na quarta-feira (8), o petista divulgou comentário nas redes sociais lamentando o ódio contra os nordestinos depois do resultado do primeiro turno da disputa presidencial. O texto foi publicado dois dias depois do tucano ter dito, em entrevista ao portal UOL, empresa do Grupo Folha, que edita a Folha, que o PT está “fincado nos menos informados”. “O PT está fincado nos menos informados, que coincide de ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados”, afirmou.
Lula voltou voltou a atacar a declaração de Fernando Henrique Cardoso sobre os eleitores do PT na noite de quinta-feira (9) diante de uma plateia de sindicalistas, políticos e membros de movimentos estudantis.  ”Aquilo não é o pensamento dele. Aquilo é uma cultura deles, de dizer que quem não vota neles é mais burro porque não vota neles e quem vota neles são os sabidos e quem vota em nós são os ignorantes”, discursou, acrescentando que “na cabeça dele, o Nordeste brasileiro e a periferia ainda hoje é como era no tempo em que ele era o presidente da República”. Por Reinaldo Azevedo

Polícia Federal indicia presidente da Assembléia gaúcha, Gilmar Sossella, por formação de quadrilha e concussão

O presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, deputado estadual Gilmar Sossella (PDT), e outras sete pessoas foram indiciadas por formação de quadrilha, concussão (exigir para si em razão da função vantagem indevida) e por outros três crimes tipificados no Código Eleitoral, entre eles, coação. O deputado foi reeleito no último domingo com 57.490 votos para o terceiro mandato consecutivo no parlamento gaúcho. Os indiciamentos são resultado de inquérito aberto em agosto pela Polícia Federal, concluído nesta quinta-feira e remetido ao Tribunal Regional Eleitoral. Além de Sossela, foram indiciados também a mulher dele, Melânia Sossella; o superintendente geral, Artur Souto; o superintendente administrativo da Assembléia Legislativa, Ricieri Dalla Valentina Júnior; o diretor do Departamento de Comissões Parlamentares, Ivan Ferreira Leite; a Superintendente Legislativa, Fernanda Paglioli; o chefe de gabinete da Presidência, major Jair Luiz Müller, da Brigada Militar, e a secretária do gabinete do superintendente-geral, Andreza Macedo Teixeira. O gabinete da presidência da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul pressionava servidores a dar parte dos salários para a campanha de Sossela. Diretores e coordenadores, servidores concursados da Casa, detentores de funções gratificadas, foram coagidos a comprar convites no valor de R$ 2,5 mil cada para um churrasco de arrecadação de campanha. Além disso, o gabinete da Presidência recrutou estagiários para atuar como cabos eleitorais para a reeleição do parlamentar: eles teriam de apresentar listas com os nomes dos eleitores. Em setembro, o superintendente-geral havia sido afastado do cargo pelo Tribunal Regional Eleitoral, por conta das suspeitas, porém o tribunal o reconduziu ao cargo no início desta semana, logo após as eleições. Servidores da Assembléia Legislativa afirmam que o sistema de recrutamento de estagiário mudou desde a posse de Sossella como presidente, passando os estagiários a serem escolhidos diretamente pelo superintendente Artur Souto. Depois de contratado, cada estagiário recebia da secretária da superintendência, Andreza Macedo Teixeira, o chamado "caderninho do compromisso" — um caderninho de espiral, onde já estava escrito o nome do estagiário, e onde este deveria anotar o nome completo de eleitores que ele havia convencido a votar em Sossella, junto com a data de nascimento e outros dados. Com essas informações, seria possível rastrear a sessão eleitoral e verificar se o voto de fato confirmou-se em 5 de outubro. A caderneta foi entregue junto com um bombom, de acordo com relatos de estagiários e servidores. Segundo um deles, o caderno servia para anotar os eleitores conquistados.

O PAÍS ACOMPANHA CHEIO DE NOJO E REVOLTA A DEGRADAÇÃO A QUE OS GOVERNOS PETISTAS SUBMETERAM A PETROBRAS! E ESSA É APENAS UMA DAS ESTATAIS! IMAGINEM O QUE SE PASSA NAS OUTRAS

Nojo! Asco! Engulhos! Procurem aí as palavras todas que sintetizem o estômago revirado para resumir o que, agora sabemos (e ainda é tão pouco!), se passava, e talvez se passe ainda, na Petrobras durante os governos petistas. O presidente da empresa, no período, era o militante petista José Sérgio Gabrielli, hoje um dos braços-direitos do governador Jaques Wagner (PT), da Bahia. No cargo, Gabrielli se tornou notório pela arrogância, pela rispidez e pela prepotência. Afinal, era o dono da bola! Em parte do tempo em que vigorou o esquema sujo, Dilma estava na presidência do Conselho da Petrobras; depois, na Presidência da República. A Justiça divulgou os áudios dos respectivos depoimentos de Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal, e do doleiro Alberto Youssef. Ambos estão presos e fizeram um acordo de delação premiada. PT, PMDB e PP dividiam, segundo a dupla, o butim da corrupção, mas a parcela maior ficava com os petistas.

Paulo Roberto e Youssef eram os principais operadores da quadrilha que passou a atuar na empresa a partir de 2006. Nota à margem: a dupla conta tudo com precisão burocrática, cartorial, como se estivessem dizendo: “Hoje é sexta-feira”. Na voz, não há tensão, constrangimento, vergonha. A maior empresa brasileira era usada como caixa de partidos políticos e como fonte de enriquecimento de larápios. É preciso ter uma boa-fé que ultrapassa a linha da estupidez para acreditar que um esquema de tal magnitude vigorasse na estatal sem que o titular do Palácio do Planalto soubesse. Até porque, segundo a dupla, João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, era peça-chave do esquema.
Paulo Roberto e Youssef citam o nome de 13 empreiteiras como fontes pagadoras de propina. Entre elas, estão as gigantes Camargo Corrêa, Odebrecht, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez e OAS, que negam qualquer irregularidade. Em seu depoimento, Youssef foi explícito: “Se ela (a empresa) não pagasse (a propina), tinha a ingerência política e do próprio diretor; ela não fazia a obra se ela não pagasse”. Vocês leram direito: para fazer uma obra para a Petrobras, só pagando propina, que era, segundo os depoentes, incorporada ao valor do contrato — vale dizer: as empreiteiras eram apenas usadas como repassadoras de um dinheiro que os bandidos roubavam do cofre da empresa.
E como funcionava? Simples! Paulo Roberto Costa diz que cada grande contrato com a Petrobras tinha uma propina de 3%. Nas suas palavras: “Me foi colocado lá pelas empresas, né?, e também pelo partido que, dessa média de 3%, o que fosse diretoria de Abastecimento, 1%, seria repassado para o PP. E os 2% restantes ficariam para o PT, dentro da diretoria que prestava esse tipo de serviço, que era a diretoria de Serviços”.
Assim, Paulo Roberto e Youssef, que operavam em parceria, cuidavam do 1% da propina que era paga ao PP — o engenheiro que está preso foi posto lá pelo partido. E dos 2% do PT, quem cuidava? Youssef esclarece: “O contrato é um só. Por exemplo, uma obra da Camargo Corrêa de R$ 3,48 bilhões. Ela tinha que pagar R$ 34 milhões por aquela obra para o PP. Eu era responsável por essa parte. A outra parte, eu não era responsável”. Segundo Youssef, os 2% do PT eram negociados diretamente por João Vaccari Neto, o tesoureiro do partido, por intermédio de Renato Duque, então diretor de Serviços, indicado para o cargo, segundo Paulo Roberto, por José Dirceu. Nestor Cerveró, o principal articulador da compra da refinaria de Pasadena, era o homem do PMDB na empresa.
E os nomes dos políticos?
A Justiça Federal que apura as lambanças da dupla não pode investigar os políticos que têm foro especial por prerrogativa de função. Isso ficará a cargo do STJ ou do STF, a depender do cargo. Por isso seus respectivos nomes não podem ser citados nos depoimentos divulgados. Mas Paulo Roberto não deixa dúvida: “Na minha agenda, que foi apreendida em minha residência, tem uma tabela que foi detalhada junto ao Ministério Público, e essa tabela revela valores de agentes políticos de vários partidos que foram relativos à eleição de 2010”. Reportagem da revista VEJA informou, por exemplo, que Antônio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma naquela ano, procurou Paulo Roberto e lhe pediu R$ 2 milhões da cota que cabia ao PP.
É isso aí. Todos os acusados negam qualquer envolvimento com o esquema. O Planalto não quis se manifestar. Lula também se negou a falar com a imprensa. Preferiu vociferar contra a investigação numa plenária do PT, assunto para outro post.
Assim age aquela gente que se orgulha em palanques de ter mudado o Brasil. Lembro: a Petrobras é apenas uma das estatais. E está mais submetida a controles porque é uma empresa aberta, com ações na Bolsa. Imaginem o que se passa em empresas às quais não se presta muita atenção. É a lama. É a lama. É a lama. Por Reinaldo Azevedo

Lula faz um discurso indecente em plenária do PT. Diante da corrupção, quer “cabeça erguida”. Ou: Uma fala cheia de ódio, que estimula a lambança. Querem saber? Faz sentido!

O ex-presidente Lula, durante comício em Campo Limpo Paulista, em São Paulo, antes do primeiro turno (Ivan Pacheco/VEJA.com)
O ex-presidente Lula durante comício em Campo Limpo Paulista, em São Paulo, antes do primeiro turno (Ivan Pacheco/VEJA.com)
Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar com o saco cheio. Imaginem, então, como está o nosso — nós, que somos as vítimas de um tipo de política de que ele é o grande chefe. Ontem, dados os absurdos e descalabros que emanavam dos depoimentos de Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, o Babalorixá de Banânia não quis falar. Deixou para vociferar na plenária do PT, a primeira depois da eleição do dia 5, realizada no Sindicato dos Bancários. E, aí sim, bufou, vociferou cheio de ódio, vermelho como um pimentão. As sobrancelhas estavam arqueadas. Havia ódio em seu rosto. Sabem o que recomendou aos militantes? “Não abaixar a cabeça.” Sim, Lula quer que eles se sintam orgulhosos.
Afirmou sobre a roubalheira na Petrobras: “Todo ano é a mesma coisa. É sempre o mesmo cenário: eles começam a levantar as denúncias, que não precisam ser provadas. É só insinuar que a imprensa já dá destaque. Eu quero dizer para vocês que eu já estou de saco cheio”. Assim seria se assim fosse: a operação Lava Jato não foi deflagrada pela imprensa, senhor Lula, mas pela Polícia Federal — por aquela parte dela que investiga sem perguntar a filiação partidária do investigado. A imprensa também não atuou como Ministério Público nem como Justiça. Tampouco propôs o acordo de delação premiada.
Como? “Levantar denúncias”? Desta vez, Lula, o PT se encalacrou. Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef admitem terem cometido os crimes. Alguém acha mesmo que eles atuariam sem a proteção de um esquema político? Lula está bravo porque foi ele próprio quem nomeou Paulo Roberto. E foi adiante com a retórica elegante de sempre: “Daqui a pouco, eles estarão investigando como nós nos portávamos dentro do ventre da nossa mãe”. Deus me livre! Pouco me interessa como o homem se portava no ventre daquela senhora. Mas as sem-vergonhices havidas na Petrobras, ah, isso é assunto meu, seu, de todos nós. O poderoso chefão petista parece não se conformar com isso. Entendo. Ele se acostumou com a ideia de que é dono do Brasil.
Referindo-se ao PSDB, afirmou: “Nós não podemos admitir que um partido bicudo venha nos chamar de corruptos”. Epa! Não é um partido bicudo, Lula! Os parceiros do petismo é que decidiram confessar.
O ex-presidente, gostemos ou não, é um líder político. Essa sua fala é desastrosa para a moralidade pública. Ela serve de sinal verde para a lambança. Sua cara de pau não tem limites. Continua a negar que o mensalão tenha existido, apesar das provas e das confissões de Marcos Valério. Parece que decidiu, agora, fazer o mesmo no caso da Petrobras. Estranha essa reação. Estaria Lula aplicando uma espécie de vacina contra o que virá, numa reação preventiva?
Ah, sim: na plenária, ele disse não entender o resultado pífio do PT em São Paulo. Falou isso ladeado por Alexandre Padilha, Fernando Haddad e Eduardo Suplicy, entre outros… E ele ainda não entendeu? Lula já foi mais inteligente. Por Reinaldo Azevedo

Subsolo tem água ‘ociosa’ suficiente para abastecer 1,8 milhão de pessoas em São Paulo

Enquanto observa seus principais reservatórios secarem diante da pior crise de estiagem da história, a Grande São Paulo contabiliza debaixo da terra um volume de água inutilizado que seria suficiente para abastecer cerca de 1,8 milhão de pessoas. Segundo estudo do Centro de Pesquisa de Águas Subterrâneas (Cepas) do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (USP), os aquíferos da região metropolitana têm capacidade para produzir até 16 mil litros de água por segundo, mas 40% dos recursos não são aproveitados. Os cálculos apontam hoje para a existência de aproximadamente 12 mil poços privados em operação na região, cerca de 60% clandestinos, que retiram dos aquíferos cerca de 10 mil litros por segundo para abastecer, predominantemente, indústrias, condomínios, hotéis, hospitais e clubes, entre outros. Com a diferença de 6 mil litros por segundo que estão “ociosos” no subsolo, seria possível abastecer, juntas, as populações de Guarulhos e Mauá, cidades que decretaram racionamento por causa da seca nos Sistemas Cantareira e Alto Tietê. Cada mil litros por segundo abastecem 300 mil habitantes. Se fosse aproveitada integralmente, a reserva subterrânea seria o segundo maior manancial da Grande São Paulo, ficando à frente dos Sistemas Alto Tietê (15 mil l/s) e Guarapiranga (14 mil l/s) e atrás apenas do Cantareira, que tem capacidade de produzir 33 mil litros por segundo, mas opera atualmente com 21 mil litros por segundo. Os cálculos consideram a disponibilidade de água subterrânea nos aquíferos sedimentar e cristalino da região densamente urbanizada, que corresponde a 40% da Grande São Paulo. “Estamos falando de um volume de água expressivo que nem entra na contabilidade dos órgãos oficiais na hora de se planejar o consumo de água. As águas subterrâneas são completamente desprezadas, embora garantam segurança hídrica à região. Se os usuários privados resolvessem abandonar os poços e migrar para o sistema público, a gente veria o colapso do sistema de abastecimento”, afirmou o diretor do Cepas, Reginaldo Bertolo. Segundo ele, as águas subterrâneas apresentam em geral boa qualidade química e são aptas para o consumo humano. Um dos motivos é o fato de que parte da recarga dos aquíferos resulta de vazamentos de água já tratada na rede de distribuição da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que desperdiça cerca de 30% da produção no trajeto até os imóveis. Uma análise feita em 2007 em um ponto de monitoramento na Vila Eulália, na zona leste da capital, constatou que dos 427 milímetros da recarga registrada no poço durante um ano, 244 milímetros, ou 57%, tinham características de água infiltrada da rede da Sabesp e os 183 milímetros restantes eram de água da chuva. “Tenho a impressão de que áreas da zona leste, que é altamente adensada, mas tem baixa quantidade de condomínios e indústrias, são propícias para ter a recarga com os vazamentos e um risco menor de contaminação”, diz Bertolo. Segundo o pesquisador, a crise da água, que se arrasta desde o início do ano, tem provocado uma enorme corrida por poços na região, com cerca de 400 poços perfurados no período de um ano. Bertolo alerta, contudo, que a Grande São Paulo tem áreas com alto risco de contaminação, seja pela poluição industrial do solo, como na região do Jurubatuba, na zona sul da capital, ou pela infiltração da rede de esgoto. “Temos mais de 100 áreas potencialmente com contaminação. Isso tem feito com que os poços sejam cada vez mais profundos”, afirma.

Tesouro Nacional vende R$178,9 mi em ações do Banco do Brasil em momento de alta na bolsa

O Tesouro Nacional vendeu 5,24 milhões de ações do Banco do Brasil, pelo valor total de cerca de 178,9 milhões de reais, entre 29 de agosto e 10 de setembro, em operações que não tiveram relação com o Fundo Soberano do Brasil (FSB). As vendas ocorreram no momento em que as ações do Banco do Brasil tocavam o maior patamar do ano, influenciadas pelo avanço da oposição na corrida presidencial e aposta maior de investidores na derrota de Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição. Investidores têm indicado insatisfação com a política econômica do atual governo e ao que chamam de intervencionismo em empresas estatais. "Não houve movimentação de ações do Fundo Soberano no período", disse o Tesouro. O governo federal anunciou, em 22 de setembro, que irá sacar 3,5 bilhões de reais do FSB para ajudar a fechar as contas públicas. O dinheiro será levantado por meio da venda de ações do Banco do Brasil no fundo. De acordo com informações apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários nesta quinta-feira, com a venda, a participação do Tesouro, acionista controlador do banco, recuou para 57,9% do capital do Banco do Brasil, ante 58,1%. Os negócios foram fechados por valores que variaram de 31,67 reais a 37,10 reais por ação.

Crivella chama de "reacionários" os que têm rejeição a ele e Garotinho

O senador Marcelo Crivella (PRB), candidato ao governo do Rio de Janeiro, chamou de "reacionários" os que têm rejeição a ele e ao candidato derrotado na disputa pelo Palácio Guanabara, agora seu aliado no segundo turno, o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Durante discurso em evento promovido pelo PR em apoio à candidatura do ex-ministro da Pesca, Crivella afirmou que Garotinho não precisa ficar triste com sua rejeição, "que é grande, é enorme", porque ela vem de "setores reacionários" da sociedade que surgem "sempre que há um movimento a favor de diminuição das desigualdades sociais". Bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus, Crivella afirmou que o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) - que nesta eleição tenta reeleger seu sucessor, o também peemedebista Luiz Fernando Pezão - criou um "dogma religioso, do qual é sumo sacerdote", para a classe política de seu partido "dizendo o seguinte: "Comecei como deputado e cheguei a governador porque sempre tive esquema, sempre enriqueci, sempre tive grandes partidos ao meu lado e grandes estruturas. Isso cria uma fantasia na mente de muitos militantes, vereadores, prefeitos e deputados que caem nessa crença, nessa fé, nessa religião". Anthony Garotinho também criticou o PMDB: "Isso é uma quadrilha. Esse grupo: (Jorge) Picciani (presidente estadual, deputado estadual eleito no domingo). Paulo Melo (presidente da Alerj, se reelegeu deputado), Cabral e Pezão são bandidos. Não têm amor pelo povo, compromisso com a causa pública", disse o ex-governador, que convocou a militância do PR para ir às ruas e pedir voto pelo senador. "Agora é Crivella!", gritou para as dezenas de correligionários de PR e também do partido do ex-ministro, o PRB.

Sob aplausos da peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner, emissora pró-Kremlin chega à Argentina

O presidente russo Vladimir Putin pode estar cada vez mais isolado devido às sanções contra a Rússia em resposta à invasão da Ucrânia, mas em alguns países seu regime ainda é bem-vindo. A Argentina da peronista populista e muito incompetente Cristina Kirchner é um deles, como demonstrou nesta quinta-feira o lançamento do serviço em espanhol do canal estatal russo RT (Russia Today). O anúncio foi feito com pompa, por meio de uma videoconferência entre Cristina Kirchner e Putin. A mandatária disse que o canal "vai aprofundar os laços de amizade, o conhecimento e irmandade entre a Argentina e a Federação Russa" e permitir que “todos os argentinos possam conhecer a verdadeira Rússia e todos os russos possam conhecer a verdadeira Argentina, não a que nos querem mostrar alguns meios internacionais e nacionais". “Precisamos ter acesso direto à informação, sem intermediários que queiram nos mostrar as coisas de maneira diferente", acrescentou. Putin, que comanda um regime no qual a oposição política é sufocada e a imprensa, controlada, também não economizou no cinismo ao afirmar que o "direito à informação é tão inalienável como os mais importantes direitos humanos". “O desenvolvimento veloz dos meios de comunicação eletrônicos permitem também manipular a consciência social. As guerras da informação, com tentativas de atores internacionais de estabelecer o monopólio da verdade, caracterizam o tempo atual”, disse: “Nestas condições, são especialmente reclamadas fontes de informação alternativas”. Cristina Kirchner e Putin não especificaram qual a "verdadeira Rússia" que vai aparecer na programação da RT, que transmite uma mistura de noticiários, talk shows e documentários e possui ainda serviços em inglês e árabe. A RT é distribuída em mais de 100 países, entre eles nações da Europa e dos Estados Unidos, por meio da TV a cabo, onde é incluída, graças ao dinheiro do Kremlin, em pacotes básicos de assinatura. Na Argentina, o canal vai ser transmitido por meio da Television Digital Abierta, um sistema de transmissão gratuito criado pelo governo em 2010. O sistema conta com 82 estações digitais de transmissão pelo país e concorre com as operadoras de TV a cabo privadas, entre elas empresas que fazem oposição à Casa Rosada.

Lula diz que acusação de corrupção não pode abaixar cabeça de petista

O ex-presidente e alcaguete Lula (que delatava companheiros para o Dops paulista durante a ditadura militar, conforme Romeu Tuma Jr) disse nesta quinta-feira que as denúncias de corrupção não podem abaixar a cabeça dos petistas, após a divulgação dos áudios dos depoimentos do ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, e do doleiro Alberto Youssef, detalhando um esquema de corrupção na estatal. "Toda eleição é a mesma história. Eles começam a levantar denúncias e, com denúncias, não precisam provar nada, só insinuar. Acusação de corrupção não pode abaixar cabeça de petista", disse o ex-presidente X9 na quadra do sindicato dos bancários no centro de São Paulo. "Toda eleição é a mesma coisa, já estou de saco cheio", acrescentou. Lula também comentou declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, que afirmou que os eleitores do PT são menos informados. As declarações de Fernando Henrique viraram tema do primeiro programa da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, no segundo turno da campanha, em que ela enfrenta o tucano Aécio Neves. "É cultura deles, não é pensamento só do Fernando Henrique. O que eles não sabem é que quem não vota neles não é burro... O que esse povo não gosta é que pobre agora anda de cabeça erguida", disparou o X9 Lula. "Votar na Dilma é botar fim no preconceito da elite", acrescentou: "Não é a Dilma que quer ser candidata a presidente, nós que precisamos dela para não haver retrocesso. O que deixa eles mais nervosos é que fizemos mais pela educação em 12 anos do que eles em cem". Ao cumprimentar os candidatos derrotados do PT em São Paulo Alexandre Padilha, a governador, e Eduardo Suplicy, ao Senado, Lula disse que o partido precisa entender o que aconteceu de errado no Estado, onde o PT perdeu em regiões historicamente ligadas ao partido. "Precisamos encarar esse problema de frente, temos história na periferia e no interior (de São Paulo). Faltou política, debate com diferenciação", disse Lula: "Não podemos admitir que um tucano nos chame de corruptos".

Autoridades da Saúde investigam primeiro caso suspeito de Ebola no Brasil

A Secretaria Estadual do Paraná informou oficialmente ao Ministério da Saúde, nesta quinta-feira, que investiga o primeiro caso suspeito de Ebola no País. O paciente veio de Conacri, capital da Guiné, e fez escala no Marrocos. O homem, de 47 anos, deu entrada às 16 horas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Brasília II, em Cascavel, foi internado e transferido na madrugada para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro, em um avião Cessna Caravan da Polícia Rodoviária Federal que chegou à noite na cidade. O paciente natural da Guiné relatou que teve febre quarta e quinta-feira. Até o início da noite de quinta-feira, estava subfebril e não apresentava hemorragia, vômito ou outros sintomas. Está em bom estado geral e era mantido em isolamento total. Por estar no 21º dia, limite máximo para o período de incubação, foi considerado caso suspeito. Guiné é um dos três países que concentram o surto da doença na África - que já deixou 8.011 contaminados e 3.857 mortos. Inicialmente, suspeitava-se de gripe. O paciente chegou da Guiné no dia 19. Além de Ebola, os sintomas também se assemelham com os de malária e dengue. Equipes da Secretaria Estadual e do Ministério da Saúde foram encaminhadas para o local. A UPA também foi colocada em quarentena, assim como seus funcionários - o número de profissionais não foi divulgado. O diretor da 10ª Regional de Saúde de Cascavel, o médico Miroslau Bailak, acompanhou o isolamento do doente. Segundo ele, o paciente não fala português, o que dificultou a interação com a equipe. “O médico que o atendeu perguntou a sua origem. Foi possível depreender que ele veio da Guiné e está no Brasil há 20 dias”, disse Bailak. A comunicação é feita em inglês, a identidade do paciente não foi divulgada e os protocolos de atendimento foram adotados. A Secretaria Estadual da Saúde reforçou que não há motivo para pânico por se tratar de “uma suspeita”. “Essa é uma doença que só se transmite com contato com secreções, sangue. Não há mínima possibilidade de uma pessoa que esteve no mesmo ambiente, sem tocar no paciente, pegar Ebola. Reforço que a população de Cascavel está segura”, disse Sezifredo Paz, superintendente de Vigilância em Saúde do Paraná. Além disso, o governo destacou que o “índice de contaminação por Ebola” é baixo, em comparação com outras doenças infecciosas. Transmitida por um vírus, a doença é fatal em cerca de 65% dos casos. Especialistas destacam que o Ebola só é transmitido por meio do contato com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes ou mortos, ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. E a doença apenas é transmitida depois que aparecem os sintomas. Apesar das declarações das autoridades, o medo começava a se alastrar pela cidade. “Cascavel inteira está desesperada. A UPA está toda trancada. Ninguém entra, ninguém sai. Estamos muito preocupados”, afirmou a comerciante Fernanda Lúcia Baldi, de 36 anos. Segundo ela, há uma comunidade grande de imigrantes africanos e haitianos, que vivem em uma região vizinha da UPA. “Tem muitas empresas de abate de frango na cidade. Elas dão oportunidade de trabalho para essas pessoas que vêm tentar uma vida melhor aqui”, explica. “Hoje, eles representam 30% dos clientes da minha loja.” Mais cedo, o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, havia afirmado que, embora baixo, existia o risco de o Brasil registrar um caso da doença: “Em nenhum país o risco é zero". Nigéria, Senegal, Estados Unidos e Espanha já apresentaram transmissões localizadas da doença.

Dilma pede fim da corrupção ao lado de Collor e Renan Filho, é inacreditável!!!!

A presidente Dilma Rousseff (PT) encerrou em Maceió seu segundo dia de visitas a cidades do Nordeste, região que lhe garantiu votação mais expressiva no primeiro turno. Ao lado do filho de Renan Calheiros (PMDB), o governador eleito de Alagoas, Renan Filho (PMDB), e do senador reeleito, Fernando Collor de Mello (PTB), Dilma afirmou que seu eventual segundo governo será implacável contra a corrupção. "Não vamos jogar a corrupção para baixo do tapete". O mais engraçado é que ninguém riu, todo mundo levou a sério a afirmação dela. Esta é a primeira vez que Dilma visita Alagoas nesta campanha. No primeiro turno ela não esteve no Estado nem gravou mensagens para os candidatos locais. Publicamente, Dilma diz que o périplo pelo Nordeste tem como objetivo agradecer a votação que teve na região, mas na prática ela pretende não só garantir o eleitorado cativo como avançar sobre os votos dados à ex-ministra Marina Silva (PSB). Em Alagoas, por exemplo, Marina recebeu mais de 356 mil votos.

Libra assina afretamento de plataforma para testes no pré-sal, diz Petrobras

A Petrobras disse nesta quinta-feira que o consórcio Libra assinou carta de intenção com a Odebrecht/Teekay para afretar uma plataforma do tipo FPSO projetada para a campanha de testes de longa duração no pré-sal da Bacia de Santos. O consórcio de Libra é uma parceria entre a Petrobras com Shell, Total e as chinesas CNPC e CNOOC e tem como gestora a recém-criada empresa estatal Pré-Sal Petróleo S.A. A FPSO é uma plataforma que produz, armazena e transfere óleo. Segundo o comunicado, a entrega do FPSO e o início do primeiro teste de longa duração estão previstos para o quarto trimestre de 2016. "A previsão é que sejam realizados testes em várias áreas do bloco, com o objetivo de avaliar o comportamento da produção e adquirir informações sobre a área", diz trecho do documento. De acordo com a Petrobras, a plataforma terá capacidade para processar até 50 mil barris de petróleo por dia e capacidade de injeção de gás de 4 milhões de cúbicos diários. A maioria do gás produzido será reinjetado no reservatório para manter a pressão.

PT responsabiliza "mídia" por subida de Aécio Neves nas pesquisas

O Secretário Nacional de Organização do PT, Florisvaldo Souza, responsabilizou a mídia pelo resultado das pesquisas Ibope/Estadão/TV Globo e Datafolha divulgadas nesta quinta-feira, 9, nas quais o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, aparece numericamente à frente da presidente Dilma Rousseff (PT). Florisvaldo afirmou que os meios de comunicação promovem "denuncismo" e favorecem o tucano no noticiário. Tanto o Ibope quanto o Datafolha apontaram Aécio Neves com 51% dos votos válidos e Dilma com 49%. Como a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos, o que significa que ambos estão empatados tecnicamente. "Só tem notícia ruim para a Dilma e boa para o Aécio. Explorando o resultado de domingo, falando que o PT perdeu em São Paulo, mas não falam que o Aécio Neves perdeu em Minas Gerais", disse. "Continua o vazamento ilegal e irresponsável, sem ouvir as pessoas", acrescentou, citando as denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras. Para ele, as sondagens não surpreenderam e, diante do que chamou de "massacre da mídia", a diferença do tucano sobre Dilma poderia ser até maior. O governo tem sofrido desgastes com as acusações de corrupção na Petrobras que estão sendo reveladas pelos depoimentos à Justiça do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef, alvo da operação Lava Jato, da Polícia Federal. Florisvaldo afirmou que o debate será "equilibrado" com o início do programa eleitoral de rádio e televisão do segundo turno, retomado nesta quinta-feira (9). "Quando o debate ficar mais igual e transparente não tenho dúvidas de que vamos virar e ganhar a eleição", disse.

Tesouro Nacional vende R$178,9 milhões em ações do Banco do Brasil em momento de alta na bolsa

O Tesouro Nacional vendeu 5,24 milhões de ações do Banco do Brasil, pelo valor total de cerca de 178,9 milhões de reais, entre 29 de agosto e 10 de setembro, em operações que não tiveram relação com o Fundo Soberano do Brasil (FSB). As vendas ocorreram no momento em que as ações do BB tocavam o maior patamar do ano, influenciadas pelo avanço da oposição na corrida presidencial e aposta maior de investidores na derrota de Dilma Rousseff (PT), que tenta a reeleição. Investidores têm indicado insatisfação com a política econômica do atual governo e ao que chamam de intervencionismo em empresas estatais. "Não houve movimentação de ações do Fundo Soberano no período", disse o Tesouro por meio da assessoria. O Tesouro não informou o motivo da venda. O governo federal anunciou, em 22 de setembro, que irá sacar 3,5 bilhões de reais do FSB para ajudar a fechar as contas públicas. O dinheiro será levantado por meio da venda de ações do BB no fundo. De acordo com informações apresentadas à Comissão de Valores Mobiliários nesta quinta-feira, com a venda, a participação do Tesouro, acionista controlador do banco, recuou para 57,9 por cento do capital do BB, ante 58,1 por cento. Os negócios foram fechados por valores que variaram de 31,67 reais a 37,10 reais por ação. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli, disse no início do mês que a venda das ações não comprometeria o valor do papel. As ações do BB fecharam nesta quinta-feira com a maior alta percentual do Ibovespa, com ganho de 3,8 por cento, a 31,60 reais, depois de terem subido 5,5 por cento na máxima do dia.

Cresce pressão para demitir presidente da Transpetro

As denúncias do ex-diretor Paulo Roberto Costa de que teria recebido, pessoalmente, uma propina de R$ 500 mil do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, aumentou a pressão por sua demissão do cargo para evitar mais desgastes ao governo. Dilma já tentou demitir Machado, mas acabou recuando para não gerar crise com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que o indicou para o cargo. Ex-senador, Sérgio Machado está na presidência da Transpetro desde o início do governo Lula. Foi nomeado em junho de 2003. No depoimento à Justiça, o ex-diretor Paulo Roberto Costa foi taxativo: “Na Transpetro houve alguns casos de repasses para políticos, sim”. Antônio Figueiredo Bastos, advogado de Youssef, relata o clima no depoimento de Paulo Costa: “Não se ouvia uma mosca na sala…” Senadores do PMDB temem que, em chamas, Sergio Machado incinere a reeleição de Renan Calheiros na presidência do Senado.

Reação de Aécio às imposições de Marina é impecável. Ou: Líder da Rede precisa tomar cuidado para que “Nova Política” não vire política velha

Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, concedeu a entrevista coletiva de todo dia, e o tema principal, como não poderia deixar de ser, foram as exigências feitas por Marina Silva, da Rede, para declarar apoio à sua candidatura. Entre outros itens, ela quer que o presidenciável retire o apoio ao projeto do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), seu vice, que permite que, em situações excepcionais, menores a partir dos 16 anos possam ser processados criminalmente, o que só seria feito depois de ouvidos o Ministério Público da Infância e da Juventude e a Justiça. Marina, tudo indica, resolveu transformar essa questão num de seus cavalos de batalha.

Ela também quer que o tucano se comprometa com o passe livre estudantil, que se comprometa com metas do MST, que se comprometa com o desenvolvimento sustentável, que… Bem, Marina quer, tudo indica, tomar o lugar de Aécio na chapa. Isso não é negociação.
Na coletiva, a fala de Aécio foi impecável do ponto de vista da lógica do processo: “O essencial hoje é a mudança. O caso não é de abrir mão de propostas. É aprimorarmos. Se formos reconstruir o projeto desde o início, não estamos fazendo uma aliança. Aliança tem que acontecer em torno do essencial. O essencial hoje é a mudança. E eu, pela vontade de grande parte dos brasileiros, tenho a responsabilidade de conduzir essa mudança”.
O candidato voltou a defender a proposta de Aloysio e lembrou que a alteração atingiria apenas 1% das infrações cometidas por jovens entre 16 e 18 anos. Mas disse ver convergências com o programa defendido por Marina nas eleições: “Nosso programa tem muita inserção social, educação e sustentabilidade. Mas, quando se busca um apoio no segundo turno, isso não pode nos levar também a abdicar daquilo que acreditamos que seja essencial para o país. Vejo muito mais convergências entre o que tenho ouvido das propostas da candidata Marina do que divergências.”
E fez uma avaliação correta e historicamente fundamentada: “As mudanças não são uniformes. As pessoas que esperam mudanças se distinguem em determinados aspectos ou temas. Na articulação em torno de Tancredo Neves, tinha desde partidos comunistas à Frente Liberal, considerados por alguns da ‘direita conservadora’. Fizeram isso porque Tancredo representava a possibilidade de reencontrarmos a democracia no Brasil. Uma aliança no segundo turno se dá em torno de objetivos maiores: um governo eficiente e ético”.
É isso! Nada a opor ou a acrescentar. Ou talvez acrescente uma coisa: só o PT, entre os oposicionistas, ficou fora daquele arco de alianças que apoiou Tancredo. E ainda expulsou três deputados que votaram no Colégio Eleitoral: José Eudes, Bete Mendes e Airton Soares. Marina Silva, em 2014, não deveria repetir o PT de janeiro de 1985, há quase 30 anos. É política velha, não nova política. Por Reinaldo Azevedo