quinta-feira, 24 de julho de 2014

"TRAIÇÃO AMOROSA" DE SININHO E "GAME OVER" AJUDOU A POLÍCIA A PRENDER BLACK BLOCS

Uma "traição amorosa" envolvendo Elisa Quadros Pinto Sanzi, a "Sininho", ajudou a polícia do Rio de Janeiro a identificar os black blocs que organizaram atos violentos no Rio de Janeiro. Sininho e mais 22 ativistas que tiveram ordem de prisão preventiva decretada na última sexta-feira obtiveram o direito de responder em liberdade ao processo por associação criminosa armada. A líder dos black blocs e os ativistas Camila Jourdan e Igor D'Icarahy deixaram a prisão nesta quinta-feira – 18 estavam foragidos e outros dois continuam presos pela morte do cinegrafista Santiago Andrade. Sininho é acusada em depoimento de ter "roubado" o companheiro da "ativista" Anne Josephine Louise Marie Rosencrantz. Em represália, a traída relatou à polícia as articulações e os atos praticados pelos vândalos mascara"dos, como a tentativa de incendiar a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro. Na popular, a "cornice" determinou a "delação". O depoimento da estudante Anne Josephine, de 21 anos, foi prestado à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática no dia 11 de junho deste ano, na condição de testemunha. Ela contou manter relacionamento antigo com Luiz Carlos Rendeiro Júnior, o "Game Over", de 25 anos, com quem tem um filho de dois anos. Ele foi um dos 23 black blocs beneficiados pelo habeas corpus. Desde o ano passado, "Game Over" namora "Sininho". Quando ela foi presa em flagrante, em outubro do ano passado, acusada de depredações, o rapaz foi fotografado abraçando-a. "Sininho", chorosa, estava em um ônibus cheio de detidos. Colocou a cabeça e os braços para fora, agarrando-se ao namorado. Ele, do lado de fora, parecia tentar consolá-la. A divulgação da imagem incomodou Anne Josephine, que contou ter ouvido de "Sininho" a confirmação do romance com "Game Over". "Sininho diz que ela e Game Over tinham um romance revolucionário", declarou a depoente. O antagonismo entre "Sininho" e Anne Josephine acirrou-se no decorrer das manifestações. A estudante contou no depoimento que a rival costumava criticá-la. "Quando começou a frequentar os protestos, Sininho disse que a declarante deveria respeitar a hierarquia do movimento, que teria que conquistar seu espaço e não aproveitar de ser esposa de Game Over", informa a transcrição do depoimento anexado ao volume três do inquérito policial. Anne Josephine contou à polícia que parte dos manifestantes, entre eles "Game Over", impediu que Sininho consumasse o plano de atear fogo ao prédio da Câmara, na Cinelândia (centro do Rio de Janeiro), na noite de 7 de outubro passado. "Na época em que começaram os atos violentos nos protestos, a declarante viu "Sininho" mandando manifestantes buscar três galões de gasolina. (...) Viu Sininho subindo a escada da Câmara e alguns manifestantes atrás dela carregando os três galões, de aproximadamente dez litros de gasolina. Alguns manifestantes comentaram que a atitude de Sininho poderia fazer com que eles fossem presos, que isso não havia sido combinado pelos manifestantes". A depoente disse à polícia que "os galões de gasolina seriam utilizados para incendiar a Câmara" e que "Game Over e outros manifestantes ficaram contra Sininho e mandaram retirar os galões". Ao final do depoimento, Anne Josephine detalha as funções e o comportamento dos manifestantes apontados pela Polícia Civil como líderes da organização. Afirma ainda ter presenciado o consumo de drogas, como cocaína, por membros do grupo.

ARGENTINA CAMINHA PARA O DEFAULT (CALOTE); TENTATIVA DA JUSTIÇA DOS ESTADOS UNIDOS DE SOLUCIONAR A CRISE COM OS CREDORES NÃO AVANÇA

Daniel Pollack, o mediador escolhido pela Justiça dos Estados Unidos para tentar solucionar a disputa entre a Argentina e os credores que não participaram da reestruturação da dívida do país, disse nesta quinta-feira que se reuniu separadamente com os dois lados, mas as questões que distanciam as partes seguem sem solução e que resta pouco tempo para superar o impasse. Tais credores são os chamados "fundos abutres" (denominação criada pelo governo peronista populista e muito incompetente, de Cristina Kirchner, além de gastador irresponsável, intervencionista ao extremo na economia, e caloteiro), que ganharam na Suprema Corte amerciana uma ação que prevê o pagamento de 1,3 bilhão de dólares por parte do governo argentino. "Depois de falar com os dois lados, separadamente, propus e apelei por conversas diretas, face a face, entre as partes. Os representantes dos detentores de bônus foram favoráveis a conversas diretas; os representantes da Argentina declinaram", disse Pollack, em um comunicado. "As questões separando as partes permanecem sem solução neste momento". O gestor do fundo NML, Jay Newman ( o principal entre os chamados pelos peronistas populistas de "fundos abutres"), afirmou que vem tentando negociar com a Argentina há quase dez anos, sem sucesso. A Argentina tem até 30 de julho para chegar a um acordo com os credores que não participaram da reestruturação. Caso contrário, pelos termos da decisão da Justiça americana, o país ficará impedido de pagar também aqueles que aceitaram a reestruturação da dívida e entrará em default. Embora a Argentina tenha desembolsado em junho 1,031 bilhão de dólares para pagar aos credores que aceitaram a reestruturação, grande parte do dinheiro ficou congelado nos bancos por recomendação do juiz americano Thomas Griesa, que estabeleceu em sentença o pagamento simultâneo aos dois tipos de credores do país.

MALUF NEGOCIOU APOIO COM O PT PARA CONSEGUIR SUPORTE DO GOVERNO DILMA EM SUA INTENÇÃO DE SE LIVRAR DA ORDEM DE PRISÃO EMITIDA PELA INTERPOL

O governo Dilma Roussef emitiu nota nesta quinta-feira informando que é política oficial ajudar brasileiros com problemas no Exterior, mas esqueceu de dizer que esta é a primeira vez que autoridades federais intercedem junto ao FBI e à Justiça dos Estados Unidos para livrar a cara de um político brasileiro com ordem de prisão em andamento na Interpol. O ministro da Justiça, o "porquinho" petista José Eduardo Cardoso, confessou nesta quinta-feira para o governo dos Estados Unidos um comunicado perguntando se o deputado federal poderia ser ouvido no Brasil sobre um processo no qual está relacionado na Justiça norte-americana. O relato é do próprio Paulo Maluf (PP-SP) e foi confirmado pelo Ministério da Justiça, que alegou que o procedimento é praxe para qualquer cidadão brasileiro. Maluf, depois do encaminhamento do pedido, resolveu apoiar o candidato do PT ao governo de São Paulo e admitiu apoiar Dilma à reeleição. Ou seja, tudo não passou de um negócio.

ATÉ O FMI APOSTA EM NÚMEROS PÍFIOS PARA O PIB BRASILEIRO ESTE ANO

A previsão anterior do Fundo Monetário Internacional para o crescimento da economia brasileira era de 1,8%. De acordo com a instituição financeira, emergentes crescerão 4,6% esse ano. O Brasil é um dos emergentes, mas é o que está na pior situação. O mercado financeiro aposta em 1,8% e o governo ainda insiste com 2,3%. O relatório do FMI também reviu para baixo o crescimento dos Estados Unidos e da China.

CANDIDATO DO PSDB AO GOVERNO DE ALAGOAS DESISTE DO PÁREO

O governador de Alagoas, Teotonio Vilela, anunciou nesta quinta-feira (24) que Eduardo Tavares desistiu da candidatura ao Governo do Estado. “Lamento profundamente essa decisão. Continuo convencido de que a história pessoal, a postura pública e o compromisso dele com uma Alagoas melhor, o capacitam para ser um excelente candidato e um grande governador”, declarou Teotonio. “De toda forma, estarei junto com o PSDB na disputa eleitoral para assegurar o projeto de mantermos o nosso Estado no rumo do desenvolvimento, com políticas públicas fortalecidas e ampliadas”, completou. Tavares é ex-procurador-geral de Justiça e deixou o cargo de secretário de Estado da Defesa Social em abril de 2014 visando sua candidatura, anunciada por Teotonio logo após sua exoneração. Eduardo Tavares filiou-se ao PSDB em setembro de 2013, provavelmente já visualizando as eleições de 2014.

MANDRAKE NEOTROTSKISTA ARNO AUGUSTINI NO TESOURO NACIONAL ELEVA A DÍVIDA PÚBLICA R$ 80 BILHÕES EM APENAS UM MÊS

A Dívida Pública Federal (DPF) apresentou elevação de R$ 80 bilhões (3,77%) em junho ante maio e atingiu R$ 2,202 trilhões, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (24) pelo Tesouro Nacional, comandado pelo mandrake neotrotskista petista gaúcho Arno Augustin. O estoque da DPF em maio era de R$ 2,122 trilhões. A correção de juros no estoque da DPF foi de R$ 15,796 bilhões no mês passado. A DPF inclui a dívida interna e externa. A Dívida Pública Mobiliária Federal interna (DPMFi) subiu 4,02% e fechou o mês em R$ 2,111 trilhões. A Dívida Pública Federal externa (DPFe) ficou 1,61% menor, somando R$ 91,72 bilhões em junho. O custo médio da DPF nos últimos 12 meses caiu de 11,29% ao ano, em maio, para 11,05%, encerrados em junho. O custo médio da DPMFi em 12 meses caiu no mesmo período de 11,18% ao ano para 11,17% ao ano. O prazo médio da DPF caiu de 4,33 anos em maio para 4,23 anos em junho. A parcela da DPF a vencer em 12 meses – que mede a dívida de curto prazo – caiu de 28,07% para 28,00% do total do estoque no mês passado. Apenas a participação dos títulos atrelados à Selic continuou em junho fora das metas estabelecidas para a DPF, segundo os dados do Tesouro. A parcela de títulos remunerada pela Selic (taxa flutuante) caiu de 19,39% em maio para 19,13% em junho. A banda do Plano Anual de Financiamento (PAF)vai de 14% a 19%. A participação de títulos prefixados subiu de 39,68% em maio para 40,73% em junho, voltando para dentro da banda do PAF que prevê um intervalo de 40% a 44%. A parcela de títulos atrelados à inflação caiu de 36,67% em maio para 36,12% em junho. A banda estabelecida pelo PAF varia de 33% a 37%. O total de papéis corrigidos pela taxa de câmbio passou de 4,25% do total da DPF em maio para 4,02% em junho, dentro da banda do PAF que vai de 3% a 5%. A participação de investidores estrangeiros na DPMFi caiu de 18,22% em maio para 18,17% em junho, totalizando R$ 383,58 bilhões. A participação de estrangeiros em valores absolutos é recorde, segundo os dados do Tesouro Nacional. O grupo Previdência apresentou uma queda na participação do estoque da DPMFi, passando de 17,32% em maio para  17,08% em junho. As instituições financeiras aumentaram a fatia no estoque de 28,63% em maio para 29,64% em junho. Os papéis nas mãos dos fundos de investimento caíram de 20,98% para 20,75% no período.

PRIMO DO GOLEIRO BRUNO DIZ QUE CORPO DA MODELO ELISA SAMUDIO ESTÁ ENTERRADO PERTO DO AEROPORTO DE BELO HORIZONTE

O primo do ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes, revelou na manhã desta quinta-feira (24) que o corpo de Eliza Samudio estaria enterrado perto do Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com Jorge Luiz Rosa, o corpo foi enrolado em um lençol e colocado dentro de um saco lacrado. Jorge Luiz Rosa era menor de idade na época do crime. Ele foi condenado a três anos de medidas sócio-educativas pelo envolvimento com o crime. “Ela não foi esquartejada. Só cortaram a mão dela. O corpo ficou inteiro”, afirmou Jorge Luiz Rosa , acrescentando que o corpo foi transportado até o local no porta-malas do EcoSport que Bruno Fernandes deu para a avó deles. Jorge Luiz Rosa contou que o ex-goleiro Bruno não sabia que Eliza Samudio seria executada e que o sonho dele é revelar onde está o corpo para a mãe dela poder enterrá-la.

ADVOGADO DE CERVERÓ PROMETE "DESENGAVETAR" A PETISTA DILMA; ELE AFIRMA QUE A PRESIDENTE PETISTA É A MAIOR RESPONSÁVEL PELA COMPRA DESASTRADA DA REFINARIA DE PASADENA

A presidente petista Dilma Rousseff será o alvo da defesa do ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró em sua argumentação contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) de responsabilizar a antiga diretoria pela compra da refinaria de Pasadena em condições desfavoráveis à estatal. Presidente do conselho de administração da empresa na época da decisão de compra da usina, Dilma foi inocentada de qualquer responsabilidade pelo Tribunal, que considerou que a presidente não teve o acesso devido às informações sobre as condições do contrato. Em contrapartida, o TCU responsabilizou, na quarta-feira, os diretores pela aquisição e decidiu pelo bloqueio dos seus bens. O argumento do advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, é que, pelo estatuto da empresa, o conselho de administração é o único responsável por qualquer aquisição. Ele cita trechos do estatuto que exigem do presidente do conselho tomar conhecimento dos detalhes das negociações. "O presidente do conselho pode pedir esclarecimentos sobre os contratos. O resumo executivo é meramente uma apresentação, um suplemento ao que é obrigatório", afirmou. Dilma, em resposta à reportagem do Estado de março deste ano, disse não ter sido informada de cláusulas do contrato consideradas inapropriadas. São elas a de "Put Option", que prevê que, em caso de desentendimento entre os sócios, a Petrobrás seria obrigada a adquirir a totalidade das ações da refinaria; e a "Marlim", que determinava que a Astra Oil, então sócia da estatal na usina, teria a garantia de retorno financeiro de 6,9% ao ano. "O ministro relator foi induzido ao erro. Ele partiu de um pressuposto falso, que inúmeras vezes repetido, passou como se fosse verdadeiro. É falsa a declaração de Dilma de que o resumo executivo das condições de compra de Pasadena era técnica e juridicamente falho. Essa argumentação acabou responsabilizando quem não deveria ser responsabilizado, os diretores", argumentou Ribeiro. Ele diz que a diretoria, na época, encaminhou documentação sobre as condições do contrato à secretaria-geral da Petrobrás, que tem como obrigação encaminhá-la ao conselho para apreciação. "Se a secretaria não encaminhou, os conselheiros não poderiam ter decidido pela compra", contestou. Além de atacar o conselho de administração da estatal, o advogado de Cerveró focou também no ministro José Jorge, relator do processo no TCU. Por meio de petição apresentada na quarta-feira, ele tentará invalidar a decisão do Tribunal de  responsabilizar os diretores com o argumento de que o ministro não poderia ocupar a posição de relator por já ter sido membro do conselho da Petrobrás. "Ele foi presidente do conselho de administração da Petrobrás em 2001 e 2002, tem interesses em sua decisão. Não basta o julgador ser um homem honesto e íntegro. Ele precisa parecer. Para isso, não deveria ser julgador", disse Ribeiro. (Estadão)

MERCADO CALCULA EM 60% A PROBABILIDADE DE AÉCIO NEVES SER O NOVO PRESIDENTE DO BRASIL

A MCM Consultores passou a atribuir uma probabilidade de 60% de derrota de Dilma Rousseff na eleição presidencial em outubro. Desde abril, a consultoria trabalhava com um cenário de probabilidade equivalente à reeleição e à vitória da oposição. Em relatório distribuído na quarta-feira, 23, os analistas da MCM rebaixaram as chances da presidente e agora trabalham com uma probabilidade de 60%-40% contra a reeleição. A consultoria é a segunda instituição financeira a divulgar relatório a clientes apostando publicamente na derrota da presidente Dilma nas eleições presidenciais. A primeira instituição foi a corretora japonesa Nomura Securities, que na quarta-feira, após a pesuisa Ibope/Estadão, aumentou a probabilidade de vitória do candidato tucano Aécio Neves para 70%. No dia 11 de junho, a Nomura Securities já havia atribuído uma probabilidade de 60% de vitória do tucano num segundo turno da eleição presidencial. “Não estamos declarando taxativamente, é bom esclarecer, que a presidente Dilma não se reelegerá. Longe disso. É muito cedo. A campanha ainda nem começou efetivamente”, escreveram os analistas da MCM na nota enviada a clientes na quarta-feira: “Contudo, a nosso juízo, já existem elementos suficientes para atribuir mais probabilidade de vitória à oposição do que à candidatura governista". Segundo a MCM, as últimas pesquisas Datafolha e Ibope representaram um ponto de virada (“turning point”) para o novo cenário, agora desfavorável à reeleição. “Ambas mostraram continuidade na tendência de encurtamento da vantagem de Dilma frente a Aécio Neves e Eduardo Campos no segundo turno e aumento da diferença entre a rejeição à presidente e aos candidatos de oposição”, afirmaram os analistas. Além das pesquisas, destacou a MCM, a mudança de cenário também levou em conta a piora do quadro econômico, “sintetizado pelo resultado decepcionante do último Caged (abertura de apenas 25 mil vagas de trabalho em junho), os sinais de forte rejeição ao PT no Sudeste – de maneira mais acentuada em São Paulo -, e a baixa competitividade das candidaturas petistas nos Estados mais importantes do País, excetuando-se Minas Gerais, onde Fernando Pimentel lidera as pesquisas”. Segundo a MCM, os fatores que beneficiam a candidatura Dilma não desapareceram, entre os quais mais tempo de propaganda no rádio e na televisão, forte apoio entre os eleitores mais pobres, possibilidade de explorar no horário eleitoral gratuito os programas federais voltados principalmente aos eleitores de baixa renda e o apoio do ex-presidente Lula. “Considerando a evolução do quadro econômico e político e suas perspectivas futuras, avaliamos que, neste momento, os elementos favoráveis à presidente Dilma são insuficientes para atribuirmos à reeleição maior probabilidade de sucesso do que de fracasso”, escreveram os analistas da consultoria. (Estadão)

CRISE ECONÔMICA ENTERRA REELEIÇÃO DE DILMA; EM 90 DIAS, CNI REDUZ PREVISÃO DE CRESCIMENTO DO PIB DE 1,8% PARA 1,0%; E O PIB INDUSTRIAL CAI DE 1,7% PARA -0,5%.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reduziu sua projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2013 para 1%. A previsão anterior, divulgada em abril deste ano, era de crescimento de 1,8%. Já a projeção para o PIB da indústria neste ano é de retração, passando de 1,7%, para -0,5%. A informação consta do “Informe Conjuntural Trimestral”, divulgado nesta quinta-feira pela entidade. “As causas da forte desaceleração da atividade industrial são várias e decorrem mais do ambiente doméstico que da economia mundial”, diz nota da instituição. O cenário projetado pela CNI para 2013 considera uma queda do investimento, medido pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), de 2%, ante alta de 2,5% estimada na última divulgação. O consumo das famílias deve crescer outros 1,5%, de acordo com a CNI. No último informe conjuntural, a projeção era de 1,7%. A entidade manteve a projeção de que a taxa básica de juros deve encerrar 2014 em 11%, atual patamar. Com isso, a CNI vê uma inflação acima do teto da meta em 2014. A projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) agora é de 6,6%, ante 6,4% estimados anteriormente. Sobre a balança comercial do País, o Informe Conjuntural da CNI do segundo trimestre manteve a projeção de saldo positivo em US$ 1,5 bilhão. A CNI também se mostrou pessimista quanto às contas públicas. Segundo a entidade, o setor público consolidado deve fechar o ano com superávit primário de 1,5% do PIB. O número projetado no último informe era 1,8% do PIB. (Valor Econômico)

MERCADO ACREDITA NA VITÓRIA DE AÉCIO NEVES E AÇÕES DA PETROBRAS RECUPERAR O VALOR NA BOLSA POR CONTA DISSO

As expectativas do mercado financeiro para a disputa eleitoral de outubro à Presidência da República provocaram nos últimos meses um movimento consistente de valorização das ações da Petrobras, que atingiram a máxima em quase dois anos. Na terça-feira, o papel preferencial da petroleira encerrou o pregão a R$ 21,05, maior cotação desde 14 de setembro de 2012, quando valia R$ 21,06. Desde o piso do ano, de R$ 11,81, de 17 de março, o papel subiu quase 72%, já descontando a desvalorização de quarta-feira, de 3,75%, para R$ 20,26. Juntamente com outras ações de estatais, foi uma das principais responsáveis pela alta de quase 30% do Ibovespa desde a mínima de 14 de março. Apesar da forte escalada, o mercado não projeta um recuo significativo da ação tão cedo. As recomendações para o papel são majoritariamente de neutralidade, mas também há sugestões de compra entre as principais corretoras. Analistas e operadores comentam que expectativas políticas são o principal motor de curto prazo, mas questões operacionais não ficam de fora dos cálculos dos especialistas, a julgar por relatórios recentes. As questões eleitorais farão das cotações da empresa uma "gangorra", que oscilará ao sabor das intenções de voto de Dilma Rousseff. A Petrobras tem disparado a cada pesquisa que mostra chance de vitória da oposição. O governo Dilma é considerado pelo mercado como muito intervencionista, tanto na economia, quanto nas políticas da empresa. A contenção dos preços dos combustíveis como forma de controle inflacionário é uma das principais reclamações dos investidores. (Valor Econômico)

"EITA! FOI VOCÊ QUEM ME APRESENTOU A ELE" - DIZ A PETISTA DILMA A EDUARDO CAMPOS, NO FUNERAL DO ESCRITOR ARIANO SUASSUNA

A presidente Dilma Rousseff (PT), que desembarcou no início da tarde desta quinta-feira, no Recife, para acompanhar o funeral do escritor e dramaturgo Ariano Suassuna, relembrou o seu primeiro encontro com ele. Após cumprimentar os familiares, ela manteve uma rápida conversa com o ex-governador e presidenciável Eduardo Campos (PSB) onde relembrou que foi Eduardo Campos o responsável por apresentar o escritor. "Eita! Foi você (Eduardo Campos) quem me apresentou a ele", disse a presidente. A cordialidade, porém, não poupou a presidente de um constrangimento quando os presentes ao velório entoaram a música "Madeira do Rosarinho, do compositor pernambucano Capiba, que era cantada frequentemente por Ariano em eventos políticos e é considerada uma espécie de hino de campanha do PSB. Dilma cancelou a agenda prevista para esta quinta-feira no Rio de Janeiro para acompanhar o velório do escritor. . Após desembarcar na Base Aérea, anda no início da tarde, a presidente se dirigiu diretamente para o Palácio do Campo das Princesas, onde aconteceu o velório. Assim que chegou ao local, a presidente se dirigiu diretamente aos familiares de Ariano Suassuna para prestar os pêsames pela morte do escritor. A presidente estava acompanhada do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e o líder do PT no Senado, Humberto Costa, que viajaram a Pernambuco no mesmo vôo da presidente. Em função da sua viagem a Pernambuco, a presidente Dilma cancelou a agenda prevista para esta quinta-feira. Pela programação presidencial, Dilma viajaria ao Rio de Janeiro para visitar as obras de integração do FPSO Cidade de Mangaratiba, as obras do Parque Olímpico e Vila dos Atletas, na Barra da Tijuca, e das sondas de perfuração do pré-sal, em Angra dos Reis. Ariano Suassuna morreu na quarta-feira (23), aos 87 anos, em decorrência de uma parada cardíaca enquanto era tratado de um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico. O escritor foi enterrado no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, na Região Metropolitana do Recife. O Estado decretou luto oficial de três dias pela morte do dramaturgo. Dilma Rousseff não teve a mesma deferência na morte do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro, morto no Rio de Janeiro. Ocorre que João Ubaldo Ribeiro era crítico contumaz do seu governo e do PT nos artigos que escrevia semanalmente nos grandes jornais da imprensa brasileira. Já Ariano Suassuna foi eleitor e propagandista das campanhas petistas. Agora estava apoiando a candidatura do socialista Eduardo Campos, em cujo governo era secretário estadual da Cultura, em Pernambuco.

PASADENA - LULA TENTOU INTERFERIR EM JULGAMENTO DO TCU. ATÉ VAGA NO STF FOI USADA PARA PRESSIONAR MINISTROS A APROVAR OPERAÇÃO; DEU ERRADO! US$ 792 MILHÕES DE PREJUÍZO É APENAS PARTE DA HERANÇA MALDITA DO PT NA PETROBRAS

José Múcio: ministro do TCU foi chamado a SP por Lula para discutir Pasadena
José Múcio: ministro do TCU foi chamado a SP por Lula para discutir Pasadena
O julgamento do TCU sobre a compra da refinaria de Pasadena entrará para a história como um emblema da ação do PT na gestão ruinosa da Petrobras. Destaco mais uma vez: tratou-se da investigação de uma única operação numa única empresa. Prejuízo: US$ 792 milhões. Imaginem quando o país tiver condições de fazer a devida contabilidade do tamanho do estrago… Ainda chegará a vez de analisar a refinaria de Abreu e Lima, por exemplo.
E olhem que esse relatório do TCU foi negociado, com muitas idas e vindas. Há versões bem mais severas.  Mas já se falou bastante a respeito. O meu ponto agora é outro. Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo!, tentou pessoalmente interferir no resultado do julgamento do TCU.
Chamou para uma conversa em São Paulo, no que foi atendido, o ministro Múcio Monteiro, que foi titular das Relações Institucionais em seu governo e está hoje no TCU. O chefão petista queria que o seu interlocutor fosse o portador de mensagem sobre a necessidade de não se condenar ninguém. Ele sabe o que disse a Múcio, e Múcio sabe a conversa que manteve com os seus pares de tribunal. Lula, no entanto, não logrou o seu intento.
Na tentativa de impedir a condenação da operação, acreditem!, até mesmo uma vaga no Supremo Tribunal Federal — vocês leram direito! — passou a circular como moeda de troca. O contemplado seria justamente alguém do TCU. Tivesse se realizado o negócio, creio que a nomeação entraria para o livro de recordes como a mais cara cadeira jamais entregue a um ministro de corte superior no Ocidente. Em reais: teria custado  R$ 1.758.240.000,00.
E esse foi apenas parte do jogo pesado. José Jorge, relator do caso no tribunal, passou a ser ameaçado de forma nada velada com uma avalanche de denúncias envolvendo o seu nome caso insistisse na condenação da operação. Resistiu. Os companheiros não brincam em serviço. Nunca! Também não aprendem nada nem esquecem nada. Por Reinaldo Azevedo

ARIANO SUASSUNA - AS ARMAS DO BARÃO ASSINALADO

Ariano Suassuna, um gênio da "raça brasileira"
Ariano Suassuna, um gênio da “raça brasileira”
Lamento, e nem poderia ser diferente, a morte do poeta, dramaturgo, romancista e professor, entre tantas outras coisas, Ariano Suassuna, de 87 anos. Era um gigante. Seu corpo foi sepultado nesta quinta-feira, às 16 horas, no cemitério Morada da Paz, em Paulista, na região de Recife.
Em 1998, a revista Bravo!, da qual eu era redator-chefe, dedicou-lhe uma matéria de capa. Escrevi o texto principal, centrado no “Romance da Pedra do Reino”. Ariano me telefonou numa alegria imensa. Havia em homem tão monumental um quê de alegria quase infantil pelo reconhecimento daquela que ele também considerava sua grande obra e que era e é subestimada. Tanto é assim que, numa entrevista, que está reunida em  um trabalho acadêmico, afirmou: “(…) as pessoas geralmente me aceitam como dramaturgo, mas têm um pé atrás em relação à Pedra do Reino. E, para mim, a Pedra do Reino é minha obra mais importante. Reinaldo Azevedo, da Revista Bravo, pela primeira vez disse que em relação à Pedra do Reino havia uma campanha de silêncio, e há. Há uma má vontade, alguma coisa com o desconhecido, eu não sei (…)”.
Ariano foi durante um bom tempo ensaísta da revista. Era uma honra imensa editar seus artigos.
Em homenagem a Ariano, reproduzo aqui o texto que escrevi para a Bravo!, reunido no meu primeiro livro, “Contra o Consenso” (Editora Barracuda).
*No domingo final deste mês de maio [1998], como em todos os outros, já há seis anos, uma cavalhada no sertão pernambucano consagra o escritor Ariano Suassuna como o inspirador de uma festa popular e celebra alguns dos fundamentos míticos da identidade nacional. Um grupo de cavaleiros paramentados com as alegorias, as armas e as bandeiras de inspiração medieval vai deixar a sede do município de São José do Belmonte (PE), já na divisa com a Paraíba, e andar 30 km até a Pedra do Reino, duas elevações rochosas de trinta e 33 metros de altura, para relembrar, por intermédio da cavalgada sertaneja, os macabros acontecimentos que lavaram as rochas de sangue entre os dias 14 e 18 de maio de 1838, há exatos 150 anos.
Um movimento messiânico, autoproclamado sebastianista, conduziu à morte pelo menos 83 pessoas — trinta delas crianças — em quatro jornadas cruentas. Nas três primeiras, os líderes exortaram os fiéis ao suicídio e ao infanticídio por suposta ordem de d. Sebastião — o rei português desaparecido aos 24 anos na batalha de Alcácer-Quibir, em 1578 —, que, em paga, não só lhes devolveria a vida como ali desencantaria para instaurar um reino da justiça e da liberdade. Na quarta jornada, fazendeiros e a polícia comandaram uma expedição contra os fanáticos, que resultou na morte de trinta fiéis. É essa a expedição recontada pela cavalhada.
O que deu asas à imaginação do líder do tal movimento, João Antônio dos Santos, foram versos de um folheto de cordel sobre a volta de d. Sebastião. Daí por diante, tudo indica, ele e um cunhado, João Ferreira, usaram toda sorte de pilantragem para extorquir dinheiro dos fazendeiros e juntar uma massa de fanáticos que passaram a incomodar os poderosos e a própria Igreja Católica. Euclydes da Cunha, na parte O Homem, de Os Sertões, assim fala da Pedra do Reino: “O transviado encontrara meio propício ao contágio de sua insânia. Em torno da ara monstruosa, comprimiram-se as mães erguendo os filhos pequeninos e lutavam, procurando-lhes a primazia no sacrifício… O sangue espadanava sobre a rocha jorrando, acumulando-se em torno (…)”. José Lins do Rêgo também explorou o massacre em Pedra Bonita.
Mas foi com o paraibano Ariano Suassuna que aqueles episódios sangrentos serviram de pretexto para uma obra-prima, o seu Romance d’A Pedra do Reino. O livro — um catatau de 623 páginas editado em 1971 pela editora José Olympio — deu origem à festa popular. Tal sucessão é inédita na história do país: a realidade copiou o folhetim popular, pagou seu tributo sangrento em história, voltou à letra impressa pela pena de Ariano e, de novo, ganhou curso entre os homens do povo. É a síntese viva do Movimento Armorial criado pelo autor na década de 1970.
Substantivo em português, adjetivo na releitura de Ariano, o termo armorial designa o conjunto de bandeiras, insígnias e brasões de um povo. Ariano diz à Bravo!, em entrevista a Bruno Tolentino, que a heráldica, no Brasil, é, antes de tudo, popular. É o homem do que ele chama “quarto estado” que tem paixão por esses signos, expressa, por exemplo, nas bandeiras de futebol. Daí a escolha do nome “armorial” para um movimento que busca “as raízes populares da cultura brasileira para chegar a uma arte erudita”.
Mas aqui começam os problemas. Das suas origens — filho de latifundiário — às pelejas intelectuais ao longo da vida, o autor, que jamais viajou ao exterior, tem sido vítima de uma espécie de patrulha cosmopolita, que se manifesta pelo silêncio. Se seu teatro mereceu a acolhida da crítica, sua prosa foi e tem sido estupidamente ignorada. Esgotado há mais de 20 anos, A Pedra do Reino é um monumento da literatura moderna de expressão portuguesa dificilmente igualável por qualquer critério que se queira e faz de Ariano o maior prosador brasileiro vivo. Mas o que tanto incomoda a tal vigília nada cívica?
Ariano é um autor que bebe cristalinamente nas fontes da literatura ibérica e do catolicismo medievais. Para entender o seu teatro, por exemplo, é preciso penetrar no universo picaresco e no catolicismo popular em que o Bem e o Mal (Calderón de la Barca, Gil Vicente, Padre Anchieta) disputam a alma humana e lhe ditam nortes éticos distintos. Estamos no mundo da queda e da redenção. A queda se revela em linguagem farsesca, conivente com o público em sua malandragem. À redenção expressa o fundamento da remissão dos pecados, geralmente pela intervenção divina. As personagens de Ariano, no entanto, não são as mesmas da pequena burguesia ordinária da Trilogia da Barca do Inferno, de Gil Vicente, por exemplo. Seu universo é o do homem do Nordeste, da cultura sertaneja. A forma de seus autos se deixa influenciar pelo teatro de bonecos, pelo mamulengo.
Há nesse arranjo tudo de intenção. Ariano faz escolhas, patentes também em sua prosa. É ele quem diz: “Toda cultura universal é primeiramente local. Dom Quixote, de Cervantes, expressa a realidade de Castela. Shakespeare é elisabetano. Quando leio Dostoiévski, encontro ali os dramas do homem segundo o ponto de vista e a cultura da Rússia. Eu, então, me baseio na cultura popular brasileira para fazer meu teatro, meus romances, minha poesia”. Ocorre que Ariano escreve sobre o Brasil em língua de origem inequivocamente portuguesa sem jamais flertar com qualquer vanguarda ideológica ou formalista que lhe desculpe essa herança. Não se vê nele nem mesmo um herdeiro da Geração de 30, como às vezes se quer.
Não se lê em Ariano a preocupação de ideologizar o romance nordestino ou, mais amplamente, a prosa ou a cultura nordestinas, no mesmo tom de denúncia ou de recaída naturalista que marcaram a geração de escritores do Nordeste emigrados para o Rio. Ele também não flertou com realismos socialistas ou morenices sensualistas. E, nem por isso, falou de um ponto de vista menos compromissado. E é em seus compromissos que estão sua grandeza e seu assumido limite. N’A Pedra do Reino, já observou o crítico Wilson Martins no ensaio “Romance Picaresco?” [in Pontos de Vista, vol. 9, T. A. Queiroz Editor, pp. 175-80], Ariano não optou pela farsa ou pelo picaresco em busca do norte moral. O texto costura os traços fundadores da cultura brasileira e em seu percurso confronta teorias diversas sobre a terra e a gente do Brasil.
Ao voltar aos episódios cruentos da Pedra Bonita (nome original do lugar), Quaderna — o personagem-narrador que pretende, cem anos depois, usar os acontecimentos ali havidos para fazer a grande epopéia nacionalista brasileira — não é outro senão o próprio Ariano. As personalidades com as quais convive estão divididas entre as correntes de pensamento que ditaram as vogas ideológicas na década de 1930: integralistas, comunistas e intelectuais de formação européia. Em suas páginas se debatem temas como a função da arte, o confronto entre o Estado e o indivíduo e entre os valores éticos e os estéticos. Num texto que prefere o universo rural ao urbano, a cultura regional a supostos temas universais, o alter ego de Ariano transita entre Sílvio Romero e Joaquim Nabuco e vai compondo um imenso e fecundo painel da cultura brasileira. Em prosa, talvez a mesma tentativa, mas com divisas assumidamente ideológicas e urbanas e numa dimensão reduzida, tenha sido feita por Paulo Francis em Cabeça de Negro. Nos dois casos, estamos diante de romances de idéias.
E elas mudam. Embora considere a sua principal obra, Ariano afirma a Bravo! que submeteria A Pedra do Reino a mudanças: “Eu gostaria de acrescentar um pouco do urbano. O livro também seria mais curto, como está sendo editado agora em Paris. Eu praticamente o refiz”. Ele se refere à versão francesa — La Pierre du Royaume —, assinada por Ydelette Muzart, publicada em março pela editora Métailé. A capa traz um subtítulo provocativo: “Versão para europeus e brasileiros de bom senso”.
Quem refaz também renega. Ariano rejeita hoje a continuação d’A Pedra: História d’O Rei Degolado, publicada em 1977, o segundo volume da prevista trilogia que se completaria com Sinésio, O Alumioso. E explica a razão: “O elemento pessoal entrou com uma força que eu não desejava”. O autor se refere aos episódios que antecederam a Revolução de 30, que resultaram nos assassinatos de seu pai, João Suassuna, e de João Pessoa, então presidente do Estado da Paraíba, transfigurados e transportados para o texto.
Ariano conta que cresceu lendo nos jornais e nos livros de história que seu pai, representante das forças rurais, era o mal, e que João Pessoa, seu adversário, era o bem. Fez o que um filho de bem pode fazer diante do corpo tombado do pai: tomou o seu partido. Diz um de seus sonetos: “Aqui reinava um rei, quando eu menino/ Vestia ouro e castanho no gibão (…) Mas mataram meu pai. Desde esse dia/ Eu vivo como um cego, sem meu Guia,/ Que se foi para o Sol, transfigurado./ Sua efígie me queima. Eu sou a presa,/ Ele a Brasa que impele ao Fogo, acesa,/ Espada de ouro em Pasto ensanguentado”. O mesmo compromisso que o fez refletir em sua obra a sua própria história também o levou a uma espécie de retiro literário. Já “passando da idade madura para a velhice”, o escritor diz ter entendido que os episódios de 30 estavam longe de refletir a luta do bem contra o mal, mas “o confronto entre privilegiados do campo e os privilegiados da cidade”.
Ariano não é, evidentemente, o primeiro autor brasileiro a incorporar a cultura popular à narrativa com um sentido de estudo. Antes dele, Mário de Andrade fez de Macunaíma uma espécie de síntese dos falares brasileiros. Mas há uma diferença: quando Mário não é apenas o turista descritivo ou o compilador dos cocos, sua visão de Brasil é pessimista. Comparem-se Macunaíma e o João Grilo de O Auto da Compadecida. O primeiro merece o epíteto de anti-herói; o segundo, não. Grilo é um herói de fato, é, como diz Ariano, o quarto estado vencendo a burguesia, o clero e a nobreza. Macunaíma é a melancolia tropical. Que o Mário de Macunaíma seja considerado um gênio em certos círculos acadêmicos, e Ariano, ignorado é compreensível: afinal, o primeiro representa os nossos mais acalentados sonhos de derrota, e o segundo aponta para um futuro possível, para um sonho de vitória.
Com frequência, a inteligência brasileira está preparada para perder, jamais para ganhar (Fernando Henrique Cardoso chama a isso de fracassomania…). A alegria é uma espécie de exotismo reservado aos Joões Grilos do povo, que se deve experimentar com o distanciamento crítico de um antropólogo. Ademais, Ariano não aproveitou os seus estudos para alimentar discursos antropófagos de fácil deglutição, não juntou Carmen Miranda e coca-cola para vencer o complexo de autor subdesenvolvido situado na cloaca do mundo. Até porque sempre falou das alturas. Por Reinaldo Azevedo

ISRAEL REAGE A NOTA INDIGNA DO GOVERNO DILMA E DIZ QUE ELA EXPLICA POR QUE O BRASIL É POLITICAMENTE IRRELEVANTE. ESTÁ CERTO! JUDEUS BRASILEIROS PROTESTAM CONTRA O ITAMARATY

Nestes últimos 12 anos, o Brasil se acostumou à diplomacia de chanchada, à diplomacia circense, à diplomacia momesca. Um presidente brasileiro percorreu, por exemplo, ditaduras árabes e se abraçou a facínoras. Emprestou integral apoio a tiranos, enquanto o povo morria nas ruas. Flertou com aiatolás atômicos, negou-se a condenar homicidas em massa na ONU, apoiou e apoia protoditaduras latino-americanas. De A a Z, a política externa brasileira percorreu todos os verbetes da indignidade.

O auge da estupidez estava reservado para uma nota emitida na quarta-feiras. O Itamaraty publicou um verdadeiro repto contra Israel, hoje em guerra com o Hamas, e convocou o embaixador brasileiro em Tel Aviv. Para vergonha da história, o Ministério das Relações Exteriores emitiu a seguinte nota:O Governo brasileiro considera inaceitável a escalada da violência entre Israel e Palestina. Condenamos energicamente o uso desproporcional da força por Israel na Faixa de Gaza, do qual resultou elevado número de vítimas civis, incluindo mulheres e crianças.
O Governo brasileiro reitera seu chamado a um imediato cessar-fogo entre as partes.
Diante da gravidade da situação, o Governo brasileiro votou favoravelmente a resolução do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas sobre o tema, adotada no dia de hoje.
Além disso, o Embaixador do Brasil em Tel Aviv foi chamado a Brasília para consultas.
Como já destaquei aqui, chamar de volta um embaixador é um ato hostil ao outro país. Observem que o governo do Brasil não censura, nessa nota, os ataques feitos pelo Hamas, tratando Israel como mero estado agressor.
Os israelenses reagiram com dureza e fizeram muito bem. Um país que luta contra inimigos poderosos não tem tempo para palhaçadas. Disse a chancelaria de Israel: “O comportamento do Brasil ilustra por que esse gigante econômico permanece politicamente irrelevante”. Segundo aquele governo, o nosso país escolheu “ser parte do problema em vez de integrar a solução”.
É uma reação à altura da indignidade da nota emitida pelo Brasil. Agora, Luiz Alberto Figueiredo, ministro das Relações Exteriores, tenta minimizar o mal-estar, afirmando que a discordância entre países amigos é rotina. Mas emenda: “O gesto que tinha que ser feito foi feito. O Brasil entende o direito de Israel de se defender, mas não está contente com a morte de mulheres e crianças”.
Não me diga! E quem está contente com a morte de mulheres e crianças? Se o Brasil entende o direito de Israel de se defender, deveria ter deixado isso claro na nota. Em vez disso, preferiu transformar o conflito numa luta entre o bem e o mal.
Judeus no Brasil também se manifestaram contra a estupidez. A Confederação Israelita do Brasil emitiu uma nota, que segue:
A Confederação Israelita do Brasil vem a público manifestar sua indignação com a nota divulgada nesta quarta-feira pelo nosso Ministério das Relações Exteriores, na qual se evidencia a abordagem unilateral do conflito na Faixa de Gaza, ao criticar Israel e ignorar as ações do grupo terrorista Hamas.
Representante da comunidade judaica brasileira, a Conib compartilha da preocupação do povo brasileiro e expressa profunda dor pelas mortes nos dois lados do conflito. Assim como o Itamaraty, esperamos um cessar-fogo imediato.
No entanto, a lamentável nota divulgada pela chancelaria exime o grupo terrorista Hamas de responsabilidade no cenário atual. Não há uma palavra sequer sobre os milhares de foguetes lançados contra solo israelense ou as seguidas negativas do Hamas em aceitar um cessar-fogo.
Ignorar a responsabilidade do Hamas pode ser entendido como um endosso à política de escudos humanos, claramente implementada pelo grupo terrorista e que constitui num flagrante crime de guerra, previsto em leis internacionais.
Fatos inquestionáveis demonstram os inúmeros crimes cometidos pelo Hamas, como utilização de escolas da ONU para armazenar foguetes, colocação de base de lançamentos de foguetes em áreas densamente povoadas e ao lado de hospitais e mesquitas.
Também exortamos o governo brasileiro a pressionar o Hamas para que se desarme e permita a normalização do cenário político palestino. Lamentamos ainda o silêncio do Itamaraty em relação à política do Hamas de construir túneis clandestinos, em vez de canalizar recursos para investir em educação, saúde e bem-estar da população na Faixa de Gaza.
A Conib também lamenta que, com uma abordagem que poupa de críticas um grupo que oprime a população de Gaza e persegue diversas minorias, o Brasil mine sua legítima aspiração de se credenciar como mediador no complexo conflito do Oriente Médio.
Uma nota como a divulgada nesta quarta-feira só faz aumentar a desconfiança com que importantes setores da sociedade israelense, de diversos campos políticos e ideológicos, enxergam a política externa brasileira.
Por falar em judeus brasileiros, a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a Juventude Judaica Organizada (JJO)  promovem nesta quinta-feira, 24 de julho, às 19h30, na Praça Cinquentenário de Israel,  em Higienópolis, uma manifestação em favor da paz e pelo direito de Israel de se defender.
Meus caros, política externa é coisa séria. Não pode estar entregue a prosélitos de quinta categoria; não pode ser fruto da ação de camarilhas ideológicas. Qualquer pessoa de bom senso defende o imediato cessar-fogo. Mas este tem de nascer de um entendimento entre as partes em conflito. A cada foguete, entre os milhares, que o Hamas lança contra Israel, numa prática cotidiana, o movimento terrorista investe na guerra, não na paz. E isso a delinquência da política externa brasileira não reconhece. Por Reinaldo Azevedo

COMEÇA NA VENEZUELA O JULGAMENTO DO OPOSITOR LEOPOLDO LÓPEZ, SEM QUALQUER PROVA

O julgamento de Leopoldo López, preso desde 18 de fevereiro, começou nesta quarta-feira na Venezuela com uma demonstração de união de diferentes alas da oposição ao presidente Nicolás Maduro. O apoio a López foi manifestado por opositores que foram às imediações do Palácio de Justiça, no centro de Caracas, ou divulgaram declarações nas redes sociais e na imprensa com uma tese comum, a de que o líder do partido Vontade Popular é vítima de uma perseguição política e que sua prisão é injusta, destacou o jornal espanhol El País. O prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, afirmou que os poderes públicos “estão sequestrados pela cúpula do governo” e criticou a Justiça venezuelana por “castigar os inocentes e absolver os verdadeiros culpados pela crise”. Pelo Twitter, o ex-candidato presidencial Henrique Capriles destacou: “Hoje começa o julgamento da Justiça podre contra nosso companheiro Leopoldo López. A primeira medida que o juiz deveria tomar hoje é libertá-lo”. Em entrevista coletiva, o psicopata bolivariano Maduro lançou sua ira contra López. “Tem que pagar e vai pagar, simples assim. Ele fez muitos danos a este país”, disse: “Sabem que ele é um representante dos gringos na Venezuela que desde pequeno tem uma visão messiânica de que nasceu para ser líder, para ser presidente da Venezuela”. Acusado sem provas de incitação ao crime, associação para o delito, dano a prédios públicos e incêndio intencional, tudo o que López fez foi dar respaldo e voz aos estudantes que foram protestar pacificamente contra o governo. Somadas, as penas pelos crimes aos quais responde podem resultar em mais de treze anos atrás das grades. Em uma dessas idiossincrasias estapafúrdias só existentes em regimes totalitários, López, um civil, é mantido em um presídio militar. O julgamento deverá ser retomado no dia 6 de agosto, segundo informação do jornal venezuelano El Nacional. O Ministério Público responsabiliza ainda Marco Coello, Christian Holdack, Demian Martin e Ángel González pelos danos à sua sede durante manifestação realizada no dia 12 de fevereiro, quando começou a onda de protestos.

MINISTÉRIO PÚBLICO GAÚCHO DENUNCIA CINCO EM SÃO LUIZ GONZAGA POR FORMAÇÃO DE QUADRILHA, CORRUPÇÃO E LAVAGEM DE DINHEIRO EM DESVIOS DO DINHEIRO DO LIXO

A Promotoria de Justiça Especializada Criminal de Porto Alegre e a Promotoria de Justiça de São Luiz Gonzaga denunciaram nesta quarta-feira, 23, cinco pessoas pelos delitos de formação de quadrilha, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Conforme foi apurado nas investigações, três ex-integrantes do Poder Executivo de São Luiz Gonzaga, após prévio acordo, recebiam, com regularidade, vantagens indevidas provenientes do responsável pela empresa contratada pelo município para a prestação local de serviços de coleta, transporte e destino final do lixo. Além disso, para que as vantagens indevidas pagas pelo empresário aos ex-integrantes do Poder Executivo municipal não ingressassem, diretamente, nas suas contas correntes ou no respectivo patrimônio, utilizavam-se de um operador financeiro que, de forma dissimulada, depositava os valores em suas contas bancárias pessoais ou de suas empresas para, posteriormente, repassá-los aos denunciados. A investigação iniciou em 2012, a partir de informações coletadas em apuração relacionada à licitação dos serviços de abastecimento de água e esgoto sanitário de São Luiz Gonzaga, na denominada Operação Guarani. O Ministério Público do Rio Grande do Sul investiga suspeitas de irregularidades em contratos para recolhimento de lixo em pelo menos 50 municípios do Estado. "Esses três servidores do poder Executivo municipal, juntamente com um empresário responsável e proprietário da empresa de lixo, e um operador finaceiro deles, integravam uma quadrilha que tratava mesmo de pagamento e recebimento de vantagens ilícitas para esses servidores", afirmou o promotor Flávio Duarte.
Entre os denunciados estão o ex-prefeito Vicente Diel (PSDB), o ex-assessor jurídico do município Cláudio Cavalheiro e o ex-secretário de obras José Dilamar Batista de Oliveira, todos do mesmo partido. Mensalmente, segundo a investigação, os suspeitos embolsariam propinas entre R$ 20 mil e R$ 30 mil da empresa Engesa. As apurações indicam que a fraude usava “laranjas” para dificultar a identificação do destino dos valores. Entre eles, estaria o ex-candidato a vice-prefeito de Santo Ângelo, Luciano do Nascimento (PSDB). "Quando era em dinheiro, eles recebiam e dividiam entre eles. Quando o pagamento era em cheque, oriundo da própria empresa de lixo, eles utilizavam um laranja, um operador financeiro, para o valor não entrar diretamente na conta desses servidores. O laranja recebia os valores nas contas pessoais ou das empresas dele e depois repassava em dinheiro para as contas pessoais ou de familiares desses mesmos servidores", afirmou o promotor. Também foi denunciado Ivan Luiz Basso, dono da Engesa, que ainda matém o contrato com a prefeitura de São Luiz Gonzaga. Um levantamento realizado pelo Tribunal de Contas do Estado mostra que nos últimos três anos a Engesa faturou quase R$ 30 milhões em contratos com municípios gaúchos. Em dois anos, as suspeitas de irregularidades envolvendo contratos entre empresas do ramo e prefeituras já atingiram ao menos 50 prefeituras. Ou seja, a auditoria do Tribunal de Contas está trabalhando para o Ministério Público estadual, como se fosse um órgão subsidiário. Tribunal de Contas e Ministério Público até hoje não anunciaram qualquer investigação sobre o Grupo Solvi, dono da empresa Revita e do aterro sanitário de Minas de Leão. Essa empresa pratica monopólio no Rio Grande do Sul na área do lixo. Por controlar o destino final (aterros), ela impõe aos municípios a escolha das empresas nas licitações. Foi assim que aconteceu, por exemplo, em Estância Velha. Mas, até hoje, não se tem notícia de investigação desta licitação viciada. A verdade é que o Ministério Público só pega lambari nesta história do lixo no Rio Grande do Sul. E a cada lambari pescado, cacareja como galinha ao por um ôvo.