quarta-feira, 9 de julho de 2014

DISTRIBUIDORAS TERÃO MAIS PRAZO PARA PAGAR DÍVIDA POR COMPRA DE ENERGIA

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou nesta quarta-feira o adiamento do prazo para que as distribuidoras paguem parte do valor gasto com a compra de energia no mercado de curto prazo feita em maio. O pagamento deveria acontecer nesta semana, mas os diretores decidiram adiar até o dia 31 de julho a liquidação de parte deste valor. O pagamento é relativo ao gasto das distribuidoras com a compra de energia no mês de maio, com pagamento previsto para este mês. O valor total a ser pago neste mês será de R$ 1,84 bilhão, mas, desse total, R$ 1,32 bilhão poderá ser pago até o fim do mês. O pagamento dos outros R$518 milhões não será adiado, porque esse valor está coberto pela tarifa de energia cobrada do consumidor. O pedido de adiamento foi feito no mês passado pela Associação Brasileira de Energia Elétrica (Abradee) para que haja tempo hábil para os ajustes financeiros das distribuidoras. Segundo o relator da matéria na Aneel, diretor Reive Barros, o pedido foi deferido porque ainda não há uma solução que possibilite que as distribuidoras honrem todos os seus compromissos com a compra de energia no mercado de curto prazo. Durante a reunião, representantes da Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel) e da Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica (Apine) se disseram surpreendidos com o pedido de adiamento do pagamento e alertaram para o risco de a decisão criar um precedente negativo no setor. “Queremos que se cumpra a regra do mercado, com a liquidação total. Queremos que se encontre uma solução definitiva para o problema”, disse Reginaldo Medeiros, presidente da Abraceel. Segundo ele, uma possibilidade de solução definitiva seria a revisão tarifária extraordinária das distribuidoras com dificuldades financeiras. O diretor-geral da Aneel, Romeu Rufino, ressaltou que os agentes do setor elétrico têm características diferentes, e que as distribuidoras não têm liberdade de compra de energia. Ele disse também que a revisão extraordinária pode ser pedida pelas distribuidoras à Aneel, mas não é a solução para o problema.

BALANÇA DO AGRONEGÓCIO TEM SUPERÁVIT DE US$ 8,4 BILHÕES EM JUNHO

A balança comercial do agronegócio encerrou junho com superávit (exportações maiores que importações) de US$ 8,4 bilhões - resultado de US$ 9,61 bilhões em vendas externas menos US$ 1,21 bilhão em compras do Brasil no Exterior, de acordo com números divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O superávit é 6,3% superior ao saldo registrado em junho de 2013. A receita com exportações cresceu 4,7% na comparação com o mesmo período. Os gastos do Brasil no Exterior, por sua vez, caíram 5%. As vendas do complexo soja (grão, farelo e óleo) puxaram a alta, com exportações equivalentes a US$ 4,62 bilhões em junho, 10,5% mais do que no mesmo período do ano passado. A quantidade embarcada ficou em 8,73 milhões de toneladas, 10,6% maior. A soja em grão somou US$ 3,57 bilhões em vendas, 4% mais do que no ano passado. Foram comercializadas 6,89 milhões de toneladas, volume 6,1% superior. Os recordes de embarque da soja têm compensado o fato de a commodity (produto primário com cotação internacional) estar com preços inferiores aos praticados em 2013. O segundo principal setor exportador foi o de carnes, com vendas de US$ 1,42 bilhão, 11,3% superiores às de junho de 2013. Foram embarcadas 489 mil toneladas, 1,3% mais do que no mesmo mês do ano passado. A carne bovina teve alta de 10,4% no preço médio internacional, em um ano com registros de queda nos preços das commodities em geral. O complexo sucroalcooleiro foi o terceiro principal exportador, mas o volume arrecadado, US$ 867 milhões, caiu 24,5% ante o mesmo período do ano passado. O volume embarcado, que somou 1,99 milhão de toneladas, recuou 18,1%. O mesmo se deu com o preço médio no  mercado internacional, que caiu 7,8%. Os produtos florestais venderam US$ 792 milhões em junho, com variação de 1,3% a mais em relação a igual mês de 2013. O volume vendido atingiu 1,35 milhão de toneladas - 8,1% a mais que em junho do ano passado. Papel e celulose lideraram as vendas externas do setor, com receita de US$ 592 milhões (alta de 2,6%) e embarque de 1,08 milhão de toneladas (17,8% mais do que em 2013).

JUSTIÇA MANTÉM CONDENAÇÃO DE JOSÉ ROBERTO ARRUDA POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

A 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios manteve nesta quarta-feira a condenação do ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, por improbidade administrativa. O processo é um dos desdobramentos das investigações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que desvendou o esquema de corrupção conhecido como Mensalão de Brasilia, em 2009. Filiado ao PR, José Roberto Arruda é candidato ao governo do Distrito Federal pela coligação União e Força e pode concorrer normalmente às eleições. A Lei da Ficha Limpa impede candidatura de condenados na segunda instância da Justiça. No entanto, a Lei das Eleições (Lei 9.504/97) diz que as condições de inelegibilidade são aferidas no momento do pedido de registro da candidatura, feito na semana passada, quando o recurso de José Roberto Arruda ainda não tinha sido julgado. Além disso, a suspensão dos direitos políticos só vale após o trânsito em julgado, o fim do processo. Em nota, o Ministério Público afirmou que vai analisar o caso. “O Ministério Público Eleitoral vai examinar a decisão do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios tão logo tenha conhecimento do inteiro teor dela, e verificar as consequências da condenação no processo eleitoral”, diz a nota.

ARGENTINA VENCE HOLANDA NOS PÊNALTIS E VAI À FINAL DA COPA DO MUNDO

Depois de uma partida difícil, com poucas chances de gol e com os grandes astros das duas equipes apagados, a Argentina garantiu a vaga para a final da Copa do Mundo, derrotando a Holanda nos pênaltis. No final, brilhou a estrela do goleiro Romero, que defendeu duas cobranças. Os argentinos chegam à final do Mundial depois de 24 anos, e o adversário será o mesmo, a Alemanha, que venceu a  Copa de 1990 por 1 a 0. O jogo desta quarta-feira no Itaquerão, em São Paulo, teve pouca emoção e defesas muito bem armadas. Robben e Messi, principais nomes das duas seleções, produziram pouco no gramado. O primeiro tempo mostrou muita disposição da Argentina, que vem melhorando o desempenho a cada jogo. Os argentinos tiveram as melhores oportunidades das poucas que ocorreram nos 45 minutos iniciais. Aos 13 minutos, a primeira boa chance do jogo veio com uma cobrança de falta de Messi. Cillessen, no entanto, fez boa defesa.Os argentinos chegavam com mais liberdade na frente da área adversária. A Holanda tinha muito trabalho para furar a defesa sul-americana. A principal arma laranja, Robben, não tinha espaço para aparecer. Após cobrança de escanteio, aos 23 minutos, Garay quase marcou para a Argentina, mas a bola subiu demais. A partida continuou muito presa no meio de campo no segundo tempo. Com os atacantes bem marcados, os dois times tiveram dificuldades para ameaçar os goleiros. Aos 29 minutos, o torcedor holandês se assustou. Pérez fez ótimo cruzamento para Higuaín que, dentro da pequena área, esticou-se todo para fazer o gol, mas o chute acertou a rede pelo lado de fora. A Argentina ameaçava mais. A Holanda respondeu aos 45 minutos. Robben recebeu ótimo passe de Sneijder, entrou na área driblando e, na entrada da pequena área, bateu para o gol, mas a defesa se recuperou e travou o chute. Foi a última oportunidade do tempo normal – as redes continuavam intactas e a prorrogação foi inevitável. No tempo extra, a Holanda assumiu mais as ações da partida. Robben foi mais acionado, embora persistissem os erros de passe, lançamento e finalização. Aos nove minutos do segundo tempo da prorrogação, a melhor chance foi argentina. Palacios recebeu lançamento na entrada da área, cabeceou cara a cara com Cillessen, mas o goleiro holandês fez a defesa sem dificuldades. O cansaço e os erros não ajudaram, e o placar ficou em branco também na prorrogação. Os dois times se preocuparam em não perder e acabaram não tirando o zero do placar. Foi a primeira vez que uma semifinal de Copa terminou sem gols. Nos pênaltis, brilhou a estrela de Romero. O camisa 1 argentino defendeu o primeiro pênalti, cobrado por Vlaar, e também parou Sneijder. Todos os batedores argentinos acertaram suas cobranças e carimbaram a passagem para o Rio de Janeiro. No domingo, argentinos e alemães decidem o título, às 16 horas, no Maracanã, no Rio de Janeiro. Um dia antes, em Brasília, Brasil e Holanda enfrentam-se em Brasília, na disputa do terceiro lugar.

NOVA REAÇÃO DE ISRAEL NO SUL DE GAZA AOS BOMBARDEIOS DOS TERRORISTAS DO HAMAS ELEVA PARA 56 O NÚMERO DE MORTOS

Pelo menos mais duas pessoas morreram nesta quarta-feira e 15 ficaram feridas depois de um bombardeio das forças israelenses contra um grupo de famílias que se encontravam em uma praia nas proximidades da cidade Khan Yunes, no sul da Faixa de Gaza. Em 48 horas desde a intensificação da Operação Limite Protetor, a reação de Israel aos bombardeios criminosos dos terroristas do Hamas provocou a morte de 14 pessoas apenas nesta quarta-feira, elevando o número total de mortos palestinos para 56. O exército israelense recebeu ordens de Tel Aviv para atacar 160 novos alvos em Gaza para evitar o lançamento de foguetes por parte da organização terrorista islâmica Hamas e debilitar o grupo. Esses ataques causaram seis mortes. Cinco membros das brigadas terrloristas Ezedin Al Kasem morreram pelo fogo de bombardeio reativo das forças israelenses, quando tentavam entrar no território israelense pelo mar.

ARGENTINOS FAZEM FESTA EM RITMO DE TANGO NAS AREIAS DE COPACABANA

Os torcedores argentinos vibraram, sofreram e comemoraram nas areias de Copacabana como se estivessem dentro da Arena Corinthians, em São Paulo. A Fifa Fan Fest da orla carioca lotou durante a partida entre Argentina e Holanda, com um predomínio evidente das cores azul e branco contra o laranja. O empate em 0 x 0 no tempo normal e na prorrogação foi um teste para os nervos e o coração de todos, que só piorou com a disputa nos pênaltis. A tensão diminuiu para os hermanos com o primeiro pênalti defendido pelo goleiro Romero, mas aumentou entre os torcedores da Holanda, que ainda viram mais um chute a gol ser defendido, o que praticamente selou o destino dos europeus, que agora vão disputar com o Brasil o terceiro lugar, sábado, no Estádio Nacional de Brasília. “Eu gostei mais ou menos. Sofri muito. O Messi não brilhou como deveria. Mas o coração estava forte. Temos um ótimo goleiro. Contra a Alemanha, vamos ver o que acontece”, disse Juan Amarillo,  da província de Missiones, que trabalha em um supermercado e veio ao Brasil com a esposa. “Estamos na final. É incrível. O Messi não jogou muito, mas ganhamos assim mesmo. Vamos fazer o possível contra a Alemanha. Está difícil, mas acho que podemos ganhar. Agora estou muito feliz por chegar na final, principalmente no Brasil”, disse o jornalista Simon Gramacho, de Tucumán. “Estava muito nervoso. Sofremos muito. Nasci em 1987 e nunca vi a Argentina ser campeã. É o meu sonho. Vamos ganhar da Alemanha”, vibrou, ainda chorando, o jovem Gonzalo García, de Ushuaia, na Terra do Fogo. Em menor número, os holandeses saíram tristes, porém resignados. “Foi um jogo equilibrado. Mas a disputa nos pênaltis é sempre uma incerteza. A gente nunca sabe o que vai acontecer”, lamentou Fritsh Haedr. Após o jogo, os argentinos foram se espalhando e tomando conta das calçadas e até da Avenida Atlântica, próximo à Fifa Fan Fest. Vibrando muito, sacudindo faixas e bandeiras, os hermanos estavam se sentindo em casa, fazendo um carnaval em ritmo de tango.

LULA NÃO VAI AO VELÓRIO DE PLÍNIO DE ARRUDA SAMPAIO: QUANDO A GROSSERIA SE ENCONTRA COM A MESQUINHEZ

Plínio de Arruda Sampaio, que morreu nesta terça, aos 83 anos: Lula ficou longe
Plínio de Arruda Sampaio, que morreu nesta terça, aos 83 anos: Lula ficou longe
Eu não concordava com praticamente nada do que pensava e dizia Plínio de Arruda Sampaio, que morreu nesta terça de câncer, aos 83 anos, e foi sepultado nesta quarta. Há coisa de uns três ou quatro anos, tivemos um debate bastante azedo na Faculdade de Direito da USP. Ele não teve receio nenhum de dizer o que pensava sobre as minhas opiniões e as minhas escolhas políticas, e eu idem. Alguns tentaram colar em mim a pecha de agressivo porque eu não teria respeitado a sua idade — coisa de que ele, obviamente, não reclamou porque, também para bater, ele não pensava no assunto. Há pouco mais de um ano, ainda nos encontramos num bate-papo promovido pela revista “Imprensa”, aí numa conversa cordialíssima. Era um homem inteligente e educado no trato pessoal, que fez uma trajetória curiosa: o tempo o foi conduzindo cada vez mais para a esquerda. Como tinha formação intelectual bastante sólida, às vezes eu chegava a desconfiar de sua adesão a certas ideias. Eu julgava impossível que ele não soubesse que algumas contrariavam a aritmética. Era, no entanto, um militante político em sentido, vá lá, clássico (ou ortodoxo): mais valia a coerência política do que a aritmética.
Não é verdade que sempre tenha sido um homem de esquerda, como li em muitos lugares. Era, como ele próprio chegou a admitir mais de uma vez, o que se chamava um “conservador”, do Partido Democrata Cristão. Foi secretário de Carvalho Pinto. Nesse grupamento, aí, sim, alinhava-se com algumas teses da ala progressista da Igreja Católica. E foi caminhando para a esquerda, fundou o PT e dele se desligou para criar o PSOL. Tinha um pensamento até certo ponto curioso: digamos que fosse marxista nos meios, mas não na teoria. E se acrescente — no Brasil, nunca é demais — que jamais pesou qualquer sombra de dúvida sobre a sua honradez pessoal.
Muito bem! Políticos das mais diversas correntes compareceram a seu velório: muitos deles ligados à esquerda e ao PT; outros,  a partidos aos quais Plínio se opunha, como é o caso dos tucanos Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, e de José Serra, ex-governador e ex-prefeito, com quem Plínio chegou a dividir uma casa nos EUA, no tempo de exílio.
Pois é… Plínio foi um fiel militante petista — nunca submisso, isso é verdade — desde a criação do partido até a sua decisão de romper com a legenda para se filiar ao PSOL. Por mais que eu discordasse também da crítica que ele fazia ao PT — onde ele via os problemas, eu enxergava algumas poucas virtudes —, sua crítica sempre foi de natureza política. Jamais enveredou para o terreno do ataque pessoal. Lula, não obstante, pouco importa o pretexto, não compareceu a seu velório.
Foi uma decisão mesquinha. Gostemos ou não disto — eu, deixo claro, não gosto —, Lula é uma das lideranças mais importantes do país e é certamente uma das referências da militância alinhada com a esquerda — ainda que seu esquerdismo tenha um viés muito particular (Plínio também diria isso por motivos distintos dos meus). Não tem jeito, não! O Babalorixá de Banânia não perdoa ninguém que desafie a sua liderança, não importa se dentro ou fora do arco de forças da esquerda.
A decisão de não comparecer ao velório remete a uma deformação moral de que já tratei aqui muitas vezes: Lula é capaz de se oferecer para lavar a biografia do pior sacripanta se este lhe cair aos pés e jurar fidelidade. E não hesita um minuto para enlamear a reputação de uma pessoa digna se esta resistir a seus encantos.
Não comparecer ao velório de Plínio é de uma grosseria política e de uma mesquinhez inaceitáveis. Por Reinaldo Azevedo

JOAQUIM BARBOSA PEDE FÉRIAS

Além de ter pedido adiamento de sua aposentadoria (leia mais aqui), Joaquim Barbosa também surpreendeu hoje o STF com um novo requerimento. Desta vez, Barbosa comunicou que tirará férias entre os dias 14 e 31 de julho. Ou seja, adiou para 6 de agosto a aposentadoria, que começaria nesta semana, mas ficará longe do Supremo na segunda quinzena do mês.

OPERAÇÃO LAVA JATO INVESTIGA CONTRATOS FECHADOS EM GESTÃO DE KASSAB

O consórcio Sehab (OAS e Constran) está na mira da Operação Lava Jato. O contrato fechado pela Prefeitura de São Paulo durante gestão de Gilberto Kassab (PSD), em 2010, para urbanizar a favela Real Parque, por R$ 146 milhões, será investigado pela Polícia Federal. A Polícia Federal suspeita que a OAS e a UTC Constran pagaram, só em janeiro de 2011, um montante de R$ 431,7 mil a MO Consultoria, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, para que fosse repassado como propina aos políticos que intermediaram os contratos. O consórcio Sehab só tem contratos com a prefeitura paulistana. Comprovantes apreendidos pela Polícia Federal mostram ainda que a OAS pagou, sozinha, R$ 619,4 mil à empresa de consultoria de Youssef, além de fazer transferências para uma conta do doleiro na Suíça. Já a Constran usou o doleiro para receber uma dívida do governo do Maranhão, de R$ 110 milhões. Youssef também trocava mensagens com o presidente da UTC Constran, Ricardo Pessôa, e com diretores da OAS. O Tribunal de Contas da União também apontou uma série de problemas nos contratos de urbanização da favela, o programa de Kassab consumiu R$ 1,3 bilhão. Para o TCU, há indícios de conluio na divisão de lotes entre as empreiteiras, já que os descontos oferecidos na licitação parecem combinados: nunca passam de 2%. Outro problema apontado é que as empresas eram proibidas de dar desconto em 19% do valor dos serviços. O TCU afirma que essa proibição trouxe prejuízo aos cofres públicos: “O dano ao erário fica caracterizado perante a existência de cláusula que impedia a oferta de desconto pelas licitantes”. Posteriormente o TCU aceitou as justificativas da prefeitura e aprovou os contratos.

PT MENTE SOBRE INFLAÇÃO NO SITE DE SUA CANDIDATA DILMA ROUSSEFF

Considerado um dos principais inimigos da presidente Dilma Rousseff na campanha eleitoral deste ano, o índice de inflação é tratado sob uma ótica mais otimista no site oficial da candidata petista à reeleição. Enquanto o mercado e o próprio Banco Central prevêem uma inflação de no mínimo 6,4% em 2014, a página de Dilma na internet cita uma previsão de "especialistas" de que o IPCA, índice oficial do sistema de metas, pode fechar o ano em 5,5%. Confirmada a visão otimista desses especialistas ouvidos pela equipe da petista - cujos nomes não são citados -, os assessores presidenciais escreveram que "a taxa média de inflação do governo Dilma será de 5,95% (abaixo do teto da meta, que é de 6,5%) e bem menor que a média dos oito anos de governo FHC (9,24%)". Ao considerar estimativa que não é respaldada nem mesmo pelo Banco Central, a equipe de campanha faz um esforço para diminuir a inflação média dos quatro anos do mandato. Pela conta da campanha, a variação média do índice de preços ficará abaixo de 6%. Se confirmada as previsões do Banco Central de Dilma, esta taxa pode alcançar 6,16%, perto do teto. Pelas contas do Ministério da Fazenda, a alta dos preços neste ano deve ser de 6%. Lançado no domingo, primeiro dia oficial de campanha, o site de Dilma lista programas e ações nos quais a presidente teria tido sucesso. Entre eles, o "controle da inflação, dentro da meta há dez anos consecutivos", ilustrado com a imagem de um dragão sentindo dor na cabeça provocada por uma estrela vermelha, símbolo do PT. O texto diz que "os governos Dilma e Lula têm um feito a comemorar: há dez anos a inflação do Brasil está dentro da meta fixada para o ano. Nunca o País viveu um período tão longo de estabilidade econômica". Meta que, neste ano, está ameaçada. O estouro pode ser evitado por manobras do governo, que tem segurado o reajuste dos preços dos combustíveis e empurrado para 2015 o que pode de aumento das contas de energia elétrica. Em seu último relatório de inflação, o Banco Central prevê que o IPCA fechará o ano em 6,4%. Já o relatório de mercado divulgado pelo mesmo Banco Central, chamado de Focus e que ouve opinião de economistas, estima a inflação em 6,46%.

TESTEMUNHAS DE ARGÔLO E PETISTA ANDRÉ VARGAS NÃO VÃO AO CONSELHO DE ÉTICA DA CÂMARA

Testemunhas dos processos dos deputados federais André Vargas (PT-PR) e Luiz Argôlo (SDD-BA) não compareceram nesta quarta-feira ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados. Algumas testemunhas alegaram problemas de agenda, enquanto outras sequer se manifestaram sobre o convite. Uma nova tentativa de ouvi-las será feita no dia 15. André Vargas e Luiz Argôlo respondem a processo por suposto envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso em março pela Polícia Federal por participação em esquema de lavagem de dinheiro. A defesa do petista André Vargas designou oito testemunhas, entre elas três prefeitos e um deputado estadual paranaense. O Conselho de Ética não tem poder de convocar, mas apenas de convidar testemunhas e algumas delas já receberam o convite duas vezes. Para o relator do caso André Vargas, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), é clara a intenção da defesa em protelar o processo. No entanto, Delgado garante que o prazo de 40 dias úteis para a investigação (instrução) será cumprido à risca (até 29 de julho, se não houver recesso parlamentar; ou até 12 de agosto, se houver recesso). "Nós vamos continuar convidando as testemunhas, mas vê-se, claramente, que não existe nenhuma intenção de comparecer aqui. Um fala que só pode vir depois da Copa, outro fala que só pode vir com dez dias de prazo para convite. As suas ausências demonstram claramente que eles estão orquestrados e intencionados de não comparecer para que esse processo se arraste", disse Júlio Delgado. A defesa de André Vargas, no entanto, nega a estratégia protelatória. O advogado Michel Saliba lembrou de outros processos com duração mais longa no Conselho de Ética da Câmara e reclamou que o prazo atual é menor do que o recomendado pelo "devido processo legal", o que acaba "cerceando o direito de defesa". Saliba não abre mão das testemunhas e prometeu substituir alguns dos nomes que não demonstraram interesse em depor. "O prazo determinado pelo Código de Ética é extremamente exíguo para se proceder uma instrução com a mínima qualidade processual. O caso do deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) levou dois anos entre a instauração e a análise em Plenário. Agora, me parece que há uma tentativa de exposição do deputado André Vargas em um momento em que se aproximam as eleições", disse o advogado. Saliba acrescentou que, por enquanto, não pensa em recorrer à Justiça para garantir um prazo maior neste processo, já que ainda existem instâncias internas de recurso, como a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Quanto ao processo do deputado Luiz Argolo, o prazo para a apresentação da defesa escrita ao Conselho de Ética vence no dia 16.

DESASTRE HISTÓRICO 1 - POR ONDE COMEÇAR? PELO PÉ FRIO!

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Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 2 - O QUE ESTE BLOG ESCREVEU NO DIA EM QUE FELIPÃO FOI NOMEADO TÉCNICO, COM PARREIRA DE "VICE". OU: BRASIL PRECISO DE TÉCNICO; QUEM PRECISA DE "PAI" SÃO OS ÓRFÃOS....

Felipão, o paizão ou o tiozão meio rabugento: esse estilo já era!
Felipão, o paizão ou o tiozão meio rabugento: esse estilo já era!
Estou assistindo à entrevista de Felipão. Já trato de algumas sandices lógicas que ela está a soltar pelos cotovelos. Não sou um especialista em futebol, mas sei quando as palavras não fazem sentido.
No dia 28 de novembro de 2011, escrevi um post sobre a sua nomeação para comandar a Seleção, na companhia de Carlos Alberto Parreira. É este que segue.
ESCOLHA DE FELIPÃO
Muito bem! A Seleção passou a ganhar os jogos, levou a Copa das Confederações, e, evidentemente, passei por mau profeta. Alguém dirá: “É fácil criticar o derrotado e elogiar o vitorioso”. Pois é… Felipão nunca foi do meu agrado — e não apenas porque não fazia sentido pegar um técnico que tinha ido para a segunda divisão e mandá-lo para o cargo mais importante do futebol.
Não gosto do modo como ele pensa. Não tenho simpatia nenhuma por essa cascata de “Família Scolari”. Esse negócio de “paizão” ou “tiozão” que trata a “molecada” como menores irresponsáveis, sempre a depender de um coroa meio rabugento, é uma coisa, digamos, tão… latina! Na esfera psicológica, remete-me a coisa pior, de que me dispenso de tratar aqui. Seja como for, não faz pessoas autônomas.
Vamos convir: nos 12 tempos que jogou nesta Copa, o futebol brasileiro só apareceu, ainda que de modo meio atrapalhado, no primeiro tempo contra a Colômbia. E olhem que a agressão covarde de que o Neymar foi vítima escondeu um fato escandaloso para quem pretende estar entre as melhores seleções do mundo: foram 54 faltas ao longo do jogo, 31 cometidas pelos brasileiros. Ninguém fraturou a vértebra de James Rodríguez, felizmente! Mas ele apanhou mais do que Neymar. O Chile não era a equipe que menos batia. Mesmo assim, o Brasil, campeão em faltas até aqui, cometeu 28 infrações contra 23.
Vale dizer: a Seleção Brasileira não teve medo nenhum de jogar feio — o que as equipes de Telê Santana, lembram-se?, não sabiam fazer. Felipão só não conseguiu fazer o time jogar bonito. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 3 - O IMPROVISO COMO MÉTODO

Na entrevista coletiva que concedeu, Felipão não admitiu em nenhum momento que errou na escalação do time — tanto é assim que, com as alterações, o vexame no segundo tempo ao menos, foi menor. Ele tem um modo muito particular de ver as coisas, que eu definiria, deixem-me ver, como autocrático-estúpido-fatalista.

É autocrático porque, oh, oh, bate no peito e chama para si a responsabilidade. Vá lá… só faltava jogar tudo nas costas dos jogadores, embora estes não possam e não devam se eximir. É estúpido porque, ao longo de seis partidas, nós só o vimos mudar de ideia quando, santo Deus!, o Brasil perdia por… CINCO A ZERO. E é fatalista porque ele está convicto de que nada havia a fazer.
Atenção! Há uma diferença muito grande entre chamar para si a responsabilidade e admitir o erro. Ainda que pareça piada, e parece, Felipão tentou ser mais “ofensivo” hoje do que nos cinco jogos passados — e decidiu sê-lo justamente contra a Alemanha, a mais arrumada das equipes com as quais o Brasil jogou nesta Copa. O placar está aí. Mas volto a esse particular daqui a pouco.
Quero me fixar num aspecto de sua entrevista. Indagado se Neymar teria feito a diferença em campo, ele até deu uma resposta correta: muito provavelmente, não teria conseguido impedir a vitória da Alemanha porque, atenção para o que vai entre aspas, “ele (Neymar) não teria como defender aquelas jogadas trabalhadas”.
Ah, bom! Então a Alemanha tinha o que nunca tivemos: jogadas trabalhadas. E pôde exercitá-las com desassombro, não é mesmo?, porque o time brasileiro permitiu. Quando a Seleção Brasileira venceu a de Camarões, no dia 23,escrevi o seguinte:
repertório felipão
E isso, obviamente, não mudou. A rigor, nunca existiu um time, o que o talento de Neymar sempre serviu para esconder. O garoto teria feito a diferença? Talvez o placar fosse menos vexaminoso, mas não custa lembrar que, até se machucar, ele fazia uma péssima partida contra a Colômbia.
Desculpem-me pela severidade, mas esse negócio de general que fica assumindo a derrota não me comove. Sim, é melhor do que jogar a culpa dos ombros alheios, mas isso não elimina seus erros. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 4 - DILMA E FRED OUVEM O CORO NO MINEIRÃO: "VAI TOMATE CRU"

É claro que dar a notícia logo se confunde com incentivo, como tentaram fazer crer alguns militantes petistas disfarçados de jornalistas, alguns deles recebendo o rico dinheiro de empresa americana e pagando de anti-imperialistas… Que nojinho desses covardes, não é mesmo? Não é incentivo, não! É notícia mesmo!

O estádio inteiro, por razões que, creio, dispensam explicações, mandou ver: “Ei, Fred, vai tomate cru”. Mas não só pra ele: também se ouviu o mesmo coro com a mudança do vocativo: em lugar do centro-nunca-avante, Dilma! Sim, o coro com que a presidente Dilma foi premiada no Itaquerão voltou a ser ouvido de forma reiterada no Mineirão. E não creio que, desta feita, alguém se atreva a dizer que era coisa da “elite branca”, não é mesmo? Até porque Lula e Dilma juraram ter feito a “Copa das Copas” para o povão, não é isso?
Ainda voltarei a esse tema e ao esforço evidente de tentar tratar o povo como marionete.
Dilma poderia ter se mantido um tantinho mais distante da disputa, como estava depois de hostilizada no Itaquerão. Mas seus especialistas decidiram que era hora de “faturar” — inclusive com a vértebra fraturada de Neymar. Quem mete a cara na janela se expõe à reação do povo, não é mesmo? Não acho que se devam dirigir palavrões contra a presidente. Mas também não acho que a presidente deva tentar manipular o sentimento da população. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 5 - NÃO É SÓ PELOS 7 A 1. É TAMBÉM PELA VERGONHA! OU: A ALEMANHA HONRA O FUTEBOL, E QUATRO BRASILEIROS TENTARAM CAVAR PÊNALTIS QUE NÃO EXISTIRAM!

Sim, foi a maior humilhação da história do futebol brasileiro sob qualquer ponto de vista. Ainda voltarei a esse aspecto. A Seleção da Alemanha honrou o futebol de várias maneiras — e de uma particularmente vexaminosa para os brasileiros.

Em primeiro lugar, os alemães jogaram limpo, com pouquíssimas faltas. Em segundo lugar, já foi o tempo em que se dizia que eles praticavam em campo algo muito parecido com o futebol, mas que era outra coisa, dada a seca objetividade. Continuam objetivos, mas agora têm um belíssimo toque de bola e craques capazes de lances espetaculares. Em terceiro lugar e mais importante: os alemães estavam visivelmente felizes e excitados por estar jogando com o Brasil, a Seleção pentacampeã do mundo. E convidou os nossos atletas para jogar… futebol!!!
Sim, eles, os alemães, se zangaram duas vezes ao menos: quando os brasileiros tentavam cavar pênaltis. Houve ao menos quatro simulações descaradas — ou sem caráter: de Fred (acreditem!), de Marcelo, de Oscar e de um quarto cujo nome não anotei (mas houve).
Um jogador alemão passou uma verdadeira e merecida descompostura em Marcelo. Depois da cena patética protagonizada por Fred no jogo contra a Croácia, é evidente que Felipão deveria ter dito nos bastidores, se é que diz alguma coisa além de tautologias: “O primeiro cai-cai que simular um pênalti está fora do jogo! Só é para cair quando não der mesmo para ficar de pé. Se o outro não fez nada, evite o tombo espetacularmente ridículo”. Mas parece que isso não foi dito.
Na Europa, esse tipo de comportamento é severamente punido; é considerado, e é mesmo!, uma das fraudes mais graves que se podem cometer em campo. Não obstante, lá estava a grande Seleção Brasileira, tão esperada pela da Alemanha, a tentar dar truque em quem jogava limpo. Confesso que, nessas horas, não consegui sentir nem pena nem raiva. Só me sobrava mesmo a vergonha. Parecia que os alemães estavam a dizer: “Levante-se daí, rapaz! Jogue com dignidade! Esteja à altura da Seleção pentacampeã do mundo!”.
Não posso jurar, mas me pareceu que, num dado momento, a Seleção Alemã desistiu do jogo. Recuou, esperou o avanço dos brasileiros, que não veio, e evitou ir adiante, ou os 7 gols poderiam ter sido oito, nove, dez… Quando Oscar fez o gol de honra do Brasil, os alemães aplaudiram — e não pareceu haver ironia naquilo. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 6 - A DERROTA BRASILEIRA NA IMPRENSA INTERNACIONAL

O alemão ”Bild”: “Vitória para a eternidade: 7 a 1”

Imprensa estr. Bild
No jornal espanhol ”Marca”: “Desonra eterna”
Marca Jornal Espanhol
No francês ”L’Equipe”: “O desastre”
Imprensa estr. francês
No italiano ”La Gazetta dello Esport”: “Brasil, humilhação história: a Alemanha o aniquila”
Imprensa estr. La Gazetta
No americano “The New York Times”: “Derrota devastadora deixa Brasil às lágrimas”
Impr. estrangeira NYT
No inglês The Guardian”: “Alemanha demole o Brasil rumo à final”
Imprensa estr. Guardian
Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 7 - Ô PARTIDINHO SECA-PIMENTEIRA ESTE PT!!!

Partidinho seca-pimenteira este PT, né, não? Juscelino foi campeão do mundo (1958). Jango foi campeão do mundo (1962). O ditador Médici foi campeão do mundo (1970). Itamar Franco foi campeão do mundo (1994). Fernando Henrique Cardoso foi campeão do mundo (2002). Com o PT, o Brasil dançou em 2006, 2010 e agora, em 2014, paga esse mico! Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 8 - PRINCÍPIO DE TUMULTO EM VÁRIAS CAPITAIS DEPOIS DE DERROTA

Na Folha: A cidade de São Paulo registrou uma série de ataques a ônibus na noite desta terça-feira (8) após a derrota do Brasil na semifinal da Copa do Mundo. Também foi registrado ao menos uma tentativa de saque a uma loja de eletroeletrônicos e um incêndio em um pátio de coletivos desativados. O incêndio no pátio, que pertence a empresa VIP (Viação Itaim Paulista), começou por volta das 19h20 e terminou com 20 ônibus atingidos pelas chamas, sendo 19 totalmente destruídos e um parcialmente. A garagem está localizada na rua João de Abreu e os veículos, segundo a SPTrans, estavam fora de uso. Segundo Jorge Euclides Dias, funcionário da empresa de ônibus, foi encontrado um recipiente que teria sido jogado de fora da garagem, com gasolina. Segundo ele, o galão não estava na garagem antes do incêndio. Havia apenas um segurança no local no horário do ataque. Não há registro de pessoas detidas ou feridas nessa ocorrência. (…)

Belo Horizonte
A cidade que se coloriu durante esta terça-feira (8) em Belo Horizonte terminou o dia cinza. O amarelo das camisas ficou pálido e, assim que a partida foi encerrada em campo, com goleada histórica da Alemanha sobre o Brasil de 7 a 1, o centro da cidade estava parado. Silêncio absoluto, nem um carro passava. No bairro da Savassi, região com grande concentração de bares, houve um princípio de tumulto ao final do primeiro tempo do jogo, quando um grupo de torcedores começou a queimar uma bandeira. Policiais militares tentaram apagar o fogo e pelas costas foram atingidos por uma lata de cerveja. Para dispersar o grupo, a PM usou gás. Três foram detidos. Para controlar qualquer confusão que possa vir a acontecer por parte de torcedores mais exaltados, a Cavalaria, Tropa de Choque e policiais do Batalhão Copa fazem esse monitoramento. “São 13 mil policiais nas ruas de toda a cidade, preparados para prevenir ocorrências”, afirma o assessor de comunicação da PM, tenente-coronel Alberto Luiz. (…)
Curitiba
Dois ônibus foram alvo de incêndio no início da noite desta terça-feira (8) na região metropolitana de Curitiba depois da derrota do Brasil para a Alemanha na Copa do Mundo. O primeiro ataque ocorreu às 18h40 no bairro Sítio Cercado. Segundo a Polícia Militar, de quatro a cinco homens assaltaram um dos veículos que faz o transporte urbano no bairro. Eles levaram o dinheiro arrecadado com as passagens e mandaram todos os passageiros saírem do ônibus. Em seguida, jogaram gasolina e atearam fogo ao veículo. Por volta das 19h, em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, adolescentes jogaram um coquetel molotov em um ônibus. O motorista conseguiu controlar rapidamente a chama com o extintor do veículo. (…)
Rio
A Fan Fest, evento organizado pela FIFA em Copacabana, Zona Sul do Rio, terminou com pancadaria e seis detenções depois que a seleção brasileira sofreu sua maior derrota em Copas do Mundo. O Brasil perdeu por 7 a 1 contra a Alemanha. Pouco depois do intervalo do primeiro para o segundo tempo, quando o jogo já estava 5 a 0 para o time adversário, pequenas brigas e confusões já ocorriam tanto do lado de dentro da festa quanto do lado de fora, na avenida Atlântica, que contorna a orla marítima. Alguns torcedores apontaram um suposto arrastão e uma correria se estabeleceu na região próxima ao hotel Copacabana Palace à estação de metrô Cardeal Arcoverde. A assessoria de imprensa da Polícia Militar nega que tenha havido arrastão e afirma que ocorreram apenas “furtos pontuais”, com seis detenções em função da confusão na Fan Fest. Os seis foram encaminhados à delegacia. (…)
Salvador
O trio elétrico estava lá, posicionado. Mas ao redor dele, ao invés de foliões curtindo a classificação do Brasil para a sua oitava final de uma Copa do Mundo, não havia ninguém. Com a derrota e eliminação brasileira da Copa nesta terça-feira (8), a prefeitura de Salvador decidiu cancelar o show do cantor de pagode Léo Santana, programado para depois do jogo no Farol da Barra. Segundo a prefeitura de Salvador, o cancelamento do show foi uma recomendação da Polícia Militar, que temia um acirramento de conflitos entre torcedores. Ainda no intervalo, houve pelo menos duas brigas na área em frente ao telão principal da Fan Fest. Quatro torcedores foram detidos, um deles com sangramentos na cabeça. A programação do palco da Fan Fest foi mantida com um curto show da banda Oito7Nove9, dos filhos do cantor Bell Marques. (…) Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 9 - PM DISPERSA TORCEDORES NA VILA MADALENA APÓS CONFUSÃO E BRIGAS

Na Folha Online: A PM dispersou por volta das 2h desta quarta-feira (9) os torcedores brasileiros e estrangeiros que se divertiam na Vila Madalena, bairro boêmio que estava sendo o principal local de confraternização da Copa em São Paulo, após cenas de brigas e correria. O principal foco de confusão foi entre brasileiros e argentinos. Grupos de torcedores do país vizinho começaram a chegar ao bairro por volta das 21h, comemorando a eliminação do Brasil.

Segundo frequentadores do bairro, houve grupos de brasileiros que ameaçaram argentinos que não procuravam confusão. Mas eles também viram torcedores da Argentina que mexeram com o público que estava nos bares. A confusão fez a PM reforçar o policiamento fechar o acesso do público às principais ruas do bairro por volta da 1h. Houve bate-boca entre os policiais e quem chegava ao local e tentava entrar.
Após ao menos dois episódios de briga flagrados pela reportagem da Folha, a PM começou a dispersar os frequentadores. A PM estima que ao menos 5.000 pessoas estavam no local nesta madrugada. Utilizando um megafone o major Marcelo Franciscon falava à multidão que a festa tinha terminado e pedia para abrir espaço para o pessoal da limpeza. O major disse que pediu para o departamento de comunicação traduzir também para o inglês a mensagem. “Decidi utilizar o megafone depois de uma sugestão do repórter Roberto de Oliveira, da Folha de S.Paulo, que viu isso em países da Europa”, disse Francisco.
Algumas pessoas xingavam os policiais militares que formavam cordões de isolamento forçando todos a irem embora. Atrás da PM seguiam equipes de limpeza varrendo e lavando as ruas. No total, 400 policiais militares e 120 Guardas Civis Municipais participaram da operação, além de 20 fiscais da prefeitura. A PM ainda não tinha durante a madrugada um balanço das ocorrências. Segundo o major Franciscon, houve apreensão de mercadorias de ambulante, uma pessoa ferida gravemente em uma briga e furtos de celulares.
A reportagem da Folha flagrou um homem machucado no chão e outro ser agredido por um grupo na frente da PM, que precisou intervir. Ele ficou caído e foi socorrido pelos bombeiros. Nenhum agressor foi preso. No 14º Distrito Policial (Pinheiros), onde as ocorrências foram encaminhadas, havia durante a madrugada PMs registrando caso de apreensão de lança-perfume e pessoas que tiveram os celulares roubados. (…) Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 10 - É PRECISO IMPORTAR TÉCNICOS PARA OS GRANDES TIMES E PARA A SELEÇÃO; SALÁRIOS MILIONÁRIOS JÁ HÁ; SÓ FALTAM AGORA OS TÉCNICOS TALENTOSOS

Em matéria de Seleção Brasileira, há uma contradição que me parece insanável. Praticamente a totalidade dos jogadores escolhidos atua em times estrangeiros. Além do seu talento, o que se quer é também a sua experiência internacional em centros de alta performance futebolística — coisa que o Brasil, convenham, há muito tempo não é. Na hora, no entanto, de escolher um treinador, ficamos mesmo com a prata da casa — que anda uma lástima. Escrevi há dois anos, quando Felipão foi indicado, e repeti ontem no blog: ele foi guindado para a Seleção Brasileira quando havia acabado de contribuir, de modo importante, para mandar o Palmeiras para a segunda divisão. Tem uma carreira com méritos, incluindo uma Copa do Mundo, mas me parece evidente que está ultrapassado. O vexame que a Seleção Brasileira sofreu foi, antes de tudo, tático.

Nesta terça-feira, nós todos vimos Felipão, na beira do campo, a dar um pito em alguém — talvez em David Luiz: “Não adianta! Está seis a zero!”. Repetiu a fala e reproduziu o placar com uma mímica. O que estaria querendo dizer com aquilo? Nem Deus sabe, não é? Se o Altíssimo gostasse de futebol, naquela hora, estaria se regozijando com outras ovelhas, não com as nossas.
A CBF dispõe de condições e recursos para contratar técnicos estrangeiros. Dos que estão na praça, me digam: quem está em condições de oferecer algum diferencial à Seleção? Felipão, com todo o respeito à sua trajetória, transformou-se num distribuidor de camisas. A escalação que fez contra a Alemanha não evidencia ignorância apenas sobre o seu próprio time, mas me parece, e isto é mais grave, está a evidenciar também uma leitura errada do time alemão. Não me lembro, no tempo em que acompanho futebol, de ter visto um time montado sem meio de campo.
E fomos amargando, então, alguns recordes negativos:
1: a pior derrota da nossa Seleção em Copas;
2: o pior resultado da equipe em todos os tempos, incluindo amistosos: antes, havia perdido de 5 a 1 para a Bélgica, em 1963, e de 6 a 0 para o Uruguai, em 1920;
3: a pior derrota de um time numa semifinal de Copa do Mundo;
4: tomou o maior número de gols em menos tempo: em 29 minutos, foram cinco;
5: quatro dos sete gols alemães foram feitos em 6 minutos: aos 23, aos 24, aos 26 e aos 29;
6: três gols resultaram de bolas roubadas, como quem toma doce de criança;
7: ao fazer seu sétimo gol, a Alemanha tinha realizado 13 finalizações — 54% de eficiência, o que deve também ser recorde;
8: durante todo o primeiro tempo, o Brasil fez 2 finalizações — a Alemanha, sete, com cinco gols.
9: perder é do jogo; deixar-se humilhar é coisa de quem não respeita a história alheia nem a própria.
Pelas mesmas e óbvias razões por que exportamos jogadores, está na hora de importar treinadores — e isso vale também para os grandes clubes. Está na cara que o Brasil se tornou, no futebol, um país de Jecas-Tatus, eternamente de cócoras sobre a própria incompetência. E olhem que não faltam salários milionários aos nossos técnicos. Dá para trazer os melhores que atuam nas grandes praças futebolísticas do mundo.
Os jogadores talentosos estão aí. Continuam a ser fornecidos todos os dias pelas escolinhas e pelas periferias deste Brasil imenso. Mas a  CBF, assim como o país, tem de mudar.
Sim, é preciso aprender com as derrotas. Quando essa derrota é um vexame sem precedentes, é preciso uma terapia de choque. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 11 - PUBLICIDADE NO INTERVALO E DEPOIS DO JOGO TORNOU TUDO MAIS SURREALISTA

Não há condições técnicas — não ainda ao menos — de programar uma publicidade para a vitória e outra para a derrota. E, é natural — não estou censurando ninguém —, os produtos anunciados (cerveja, bancos, carros etc.) vinham embalados por euforia e otimismo. Só que a realidade era bem outra. Ok, meus caros, já aconteceu antes. A minha geração — estou com 52 — não teve “Maracanaço”, mas teve a derrota para a Itália em 1982. Ocorre que nós todos amávamos aquele time, mesmo com os seus defeitos. Era inequívoco que jogava com talento incomum — embora tivesse uma defesa descuidada. Também naquele caso e em outros tantos, a propaganda refletia uma realidade que já não nos pertencia mais. Desta feita, não foi a derrota em si que tornava a coisa toda meio surrealista, mas a forma como se deu e, obviamente, o placar. Apesar da euforia, é evidente que havia e que há certo clima desconfiança cercando a realização do torneio no Brasil. No intervalo, lá estavam as mensagens ufanistas e insuportavelmente alegres, quando perdíamos por 5 a zero. Terminado o jogo, voltaram os comerciais. De novo, lá estávamos nós, os felizes imbatíveis da tela, derrotados na vida real por sete a um. No futuro, e a tecnologia se encarrega do assunto, é o caso de pensar alternativas para a vitória e para a derrota. Mas não se peça a ninguém, nem acho que seja o caso, que se faça um anúncio para a humilhação. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 12 - O TRIUNFO DO RACIOCÍNIO MÁGICO E DA BURRICE. OU: MACUMBA LÓGICA

Na segunda, no programa diário “Os Pingos nos Is”, que ancoro na Jovem Pan (entre 18h e 19h; volta ao ar nesta quinta-feira, em horário normal), esculhambei a tese cretina que vi esposada em muitos lugares segundo a qual a saída de Neymar até poderia representar um ganho para a Seleção Brasileira. O raciocínio estúpido e mágico se sustentava em dois pilares:

a) componente psicológica – o desagravo ao nosso melhor jogador e o sentimento de unidade nacional gerado por sua contusão estimulariam os nossos guerreiros, que, então, lutariam ainda com mais garra;
b) componente técnica – por motivos insondáveis, a ausência de Neymar tornaria cada jogador mais compenetrado e ciente das suas obrigações, o que obrigaria o time a jogar um futebol mais eficiente e solidário.
Obviamente, nada disso aconteceu. Eu, aborrecidamente lógico que sou, considero que, com a possível exceção de Fred, menos nunca é mais, a não ser quando se somam ou se multiplicam entre si grandezas negativas. Se Neymar é nosso melhor jogador e se ele é o único da Seleção que lembra um armador, caso ela saia, a Seleção ficará, obviamente pior.
Mais: como eu não tinha percebido — nem eu nem ninguém — a existência de algum esquema tático de Felipão que não fosse Neymar, a sua saída implicava ficar sem nada. Some-se a isso a ausência de Thiago Silva — esta, sim, muito mais devastadora para o jogo desta terça —, e temos, então, o “Mineiraço”. Explico a referência a Fred, que estava em campo não por culpa sua, diga-se, mas de Felipão: ele atuou na Seleção como massa negativa. Tê-lo era como jogar não com 10, mas com nove jogadores. Era a soma que subtraía. Onde se pensava haver um centroavante, havia apenas alguém lutando contra sei lá que demônios do futebol. Não é que ele não tenha ajudado; ele atrapalhou.
Enquanto o futebol — e o mesmo vale para o País — se deixar perder nessas bobagens, não vamos muito longe, não. É possível que até Felipão tenha caído presa da armadilha: “Ah, vamos fazer do limão uma limonada”. E aí meteu Bernard e Hulk para correr pelas pontas, deixou a armação para David Luiz, e aí foi a zaga que entrou em parafuso. Quando o ataque não marca, a zaga está em pânico e não existe meio-campo, o resultado de 7 a 1  é até barato. Todos vimos que, num dado momento, a Alemanha decidiu parar. Um dos jogadores concedeu uma entrevista e chegou praticamente a se desculpar. Falava a sério. Não era arrogância.
Patético
Na entrevista coletiva que concedeu, perguntaram a Felipão por que ele deu a entender, no treino, que Bernard não estraria, que ele armaria um time um pouco mais defensivo e adensado no meio-campo, e depois fez o contrário. Ele respondeu que agiu daquele  modo porque a imprensa estava no treino, e ele não queria entregar seus segredos.
Ah, bom! Felipão guardava uma surpresa a sete chaves: a derrota por sete a um contra a Alemanha. De tudo o que ele disse na entrevista, concordo com uma coisa: ele é o principal culpado.
Para encerrar, meus caros, reitero a máxima de que macumba, ela mesma, nunca fez ninguém ganhar jogo. Mas também não consta que faça perder. Já as macumbas lógicas, ah, essas conduzem a grandes desastres: no futebol, na política e na vida. Por Reinaldo Azevedo

DESASTRE HISTÓRICO 13 - A DERROTA DA SELEÇÃO BRASILEIRA E A DO PT. OU: É TOIS, DILMA!

Nunca achei, e os leitores sabem disto, que a vitória ou a derrota da Seleção Brasileira teria uma tradução imediata nas urnas. Tratei do assunto na minha coluna na Folha na sexta-feira passada, intitulada “A derrota da Seleção e a de Dilma”. “A derrota da Seleção e a de Dilma”. Escrevi então:

“A vigarice intelectual tenta transformar o tal ‘pessimismo com a Copa’ numa espécie de metáfora –ou metonímia– do suposto ‘pessimismo com o Brasil’. Também as críticas ao governo e o legítimo esforço para apeá-lo do poder segundo as regras do jogo seriam obra de pessoas de maus bofes, que saem por aí a espalhar o rancor e a amargura –coisa, enfim, de quem deveria deixar ‘estepaiz’, já que se mostra incapaz de amá-lo… Com todo o respeito, a tese de que o Brasil precisa perder a Copa para Dilma perder a eleição é só uma trapaça intelectual de quem quer que Dilma vença a eleição, ainda que o Brasil perca a Copa.”
O desastre a que assistimos no campo, nesta terça, ele sim, é simbólico de certo estado de coisas no Brasil. Reparem que foram muito poucas as críticas contundentes ao desempenho pífio da Seleção Brasileira nos cinco jogos anteriores. Aqui e ali se apontou o descompasso entre a realidade e os fatos, mas nada com a dureza e com a clareza que a ruindade do time estava a pedir. Por quê? Porque também o jornalismo — com raras exceções — vivia e vive sob uma espécie de tutela, com receio de ser acusado de falta de patriotismo.
O governo federal decidiu, infelizmente, fazer politicagem com a Copa do Mundo. A máquina publicitária oficial não teve pudor nem mesmo de pegar carona na contusão de Neymar, tentando transformá-lo numa espécie de herói nacional. Dilma Rousseff resolveu bater um papinho com Dilma Bolada no Facebook, de sorte que não dava para saber se a Bolada era a Rousseff ou a Rousseff, a Bolada. A presidente encontrou tempo para atacar os “urubus do pessimismo”. Referia-se, em princípio, àqueles que previam que o torneio seria um desastre organizacional, o que, é sabido, não foi. Mas não só a eles: os tais “pessimistas” estariam interessados na derrota do Brasil só para o PT perder as eleições…
Há, ainda, uma fatia dos políticos brasileiros que está convicta de que pode manipular a vontade popular a seu gosto. Sim, muitas críticas infundadas foram feitas à realização da Copa no Brasil, mas é evidente que parte delas procedia e procede — como procedentes são milhares de restrições outras que se fazem ao governo de turno, o que é normal numa democracia.
A máquina publicitária oficial, no entanto, incapaz de fazer a exploração rasteira do torneio — como esquecer as vaias do Itaquerão? —, decidiu “monitorar” às avessas o debate: tolhendo as críticas, intimidando os críticos, tentando silenciar as vozes discordantes, colando a pecha de sabotadores naqueles que dissentem. Não custa lembrar que o PT, com o apoio de setores comprados da imprensa — comprados pela publicidade oficial —, criou até uma lista negra de jornalistas, sobre a qual muita gente que chegou a me parecer séria um dia fez um silêncio cúmplice, preferindo olhar para o outro lado. Críticos do governo foram tachados de “jornalistas da oposição” e de “adversários da realização da Copa no Brasil”.
Pois é… Nos últimos dias, especialmente depois que veio a público uma pesquisa Datafolha em que Dilma havia oscilado quatro pontos para cima, na margem de erro, o Planalto se assanhou de novo em pegar carona na Copa. Dilma anunciou na sua conversa no Facebook que vai ao Maracanã, no domingo, entregar a taça ao vencedor — ocasião, então, em que “Maracanaço” talvez passe a ter outro sentido.
Qual é a última torcida que cabe à presidente? Por razões que o técnico argentino chamou nesta terça de “culturais” — ele se referia ao fato de que a imprensa de seu país comemorava o desastre brasileiro —, resta à nossa governanta torcer desde já para que seja a Holanda ou a Alemanha a vitoriosa. Ou lhe caberá a honra, depois de ter esconjurado os urubus, de entregar o troféu ao capitão da Seleção da Argentina.
Eu não acho que a derrota da Seleção fará o eleitor votar dessa ou daquela maneira. Não o subestimo assim. Isso não nega o fato de que o PT tinha planos para tentar fazer da eventual vitória uma arma para esmagar os adversários. Seria ineficaz porque, reitero, não é assim que se dão as coisas. Mas o Brasil ficaria um pouquinho mais incivilizado, matéria em que essa gente é craque. É TOIS, DILMA! Por Reinaldo Azevedo

COPA DO MUNDO - UM ÓTIMO EDITORIAL DO ESTADÃO E UMA REPORTAGEM QUE REPETE UMA MENTIRA ESCANDALOSA DO PT

O Estadão desta quarta-feira publica um excelente editorial sobre a tentativa da presidente Dilma Rousseff de faturar com a realização da Copa do Mundo e até com a contusão de Neymar. Chama-se “Dilma tropeça na bola”. Quem acompanha o que escrevo aqui sabe que não tenho como discordar do que vai lá. Reporoduzo um trecho em azul: “Depois da partida de sexta-feira, em que o Brasil venceu a Colômbia e perdeu Neymar, a equipe da presidente Dilma Rousseff programou para daí a três dias um bate-papo entre ela e internautas sobre um único e óbvio assunto: a Copa. Tanto se tratava de uma jogada eleitoral que a primeira idéia foi usar a página que o PT administra na rede social em nome da candidata. Aí, abandonando-se ao cinismo, resolveram dar um tom “institucional” à marquetagem, transferindo a conversa para a página oficial da Presidência da República. (…) Esperta, Sua Excelência. Em dado momento do chat, para desdenhar das críticas, ela equiparou as previsões pessimistas em relação à Copa às que cercam, com mais razão ainda, o desempenho da economia este ano. A taxa do PIB em 12 meses mal supera 1%. Ninguém com a cabeça minimamente no lugar aposta numa metamorfose que redima os desastres da política econômica. Mas – e aí reside a esperteza dilmista – o resultado final do ano só será conhecido em começos de 2015. A essa altura, a presidente ou terá sido reeleita ou terá deixado o Planalto. Em qualquer hipótese, não haverá quem perca o seu tempo lhe cobrando o despropósito de agora". 

Admiravelmente bem escrito, como costumam ser os textos que se publicam na página 3 do jornal, ainda um reduto de cuidado com a Inculta & Bela. Eis, no entanto, que, mais adiante, na página A6, topo com uma reportagem intitulada “Goleada em campo não vai influenciar eleição, diz Planalto”. Lá está Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, tentando pautar o debate e coisa e tal. Quero chamar a atenção para um trecho (em vermelho) do texto, que vem com sete assinaturas:
“Embora o caos previsto pela oposição na organização da Copa não tenha ocorrido, o Planalto teme que o trauma da população com o fracasso do Brasil afete a autoestima dos brasileiros e provoque, sim, impacto eleitoral”.
Pois é…
O que vai acima em vermelho nunca aconteceu. A “oposição” — não sei quais são as pessoas designadas por essa palavra — jamais previu o insucesso da Copa do Brasil, muito menos “o caos”, que já é uma palavra carregada de carga política. Ou, então, os sete que assinam a reportagem, em companhia de quem a editou, exibam reportagens do próprio Estadão (só para começo de conversa) em que “a oposição” anuncie o… caos!
Isso é o que diz o PT sobre seus adversários. Fazer tal afirmação, como se dado da realidade fosse, assim como quem assegura que “hoje é quarta-feira”, corresponde a fazer campanha político-eleitoral. E NÃO ESTOU A DIZER QUE HAJA DOLO NISSO, NÃO! NÃO ESTOU A DIZER QUE OS JORNALISTAS FAZEM TAL AFIRMAÇÃO PORQUE ESTEJAM, DE MODO DELIBERADO, JOGANDO ÁGUA NO MOINHO DO PT. O EFEITO MAIS DELETÉRIO DA PATRULHA PETISTA É JUSTAMENTE ESTE: ESPALHAR A VERSÃO COMO SE FOSSE FATO, DE MODO QUE AQUELES QUE A REPETEM NEM SE DÃO CONTA DO QUE ESTÃO A FAZER.
A imprensa, sim; oposição, não!
Reportagens publicadas pela imprensa, estas sim, anteviram mais problemas do que de fato se estão verificando. E não havia dolo também nesse caso. Um de seus papéis é alertar para dificuldades. É bom possível que muita coisa se tenha corrigido em razão de sua vigilância; é bem possível que muitos problemas tenham sido evitados em razão de suas advertências.
Quem é “a oposição”? Aécio? Serra? Alckmin? Aloysio? Campos? Marina? Preencham aí os nomes à vontade. Onde está a previsão de caos? Ora, ninguém é idiota a tal ponto. De resto, as críticas mais ácidas à realização da Copa do Mundo no Brasil surgiram de movimentos de rua, inicialmente em grupos de extrema esquerda, chegaram a ganhar o cidadão comum, que logo foi empurrado de volta para dentro de casa, constrangido por black blocs, com os quais Gilberto Carvalho dialoga. Ao governo federal, a violência dos mascarados sempre foi útil porque servia para espantar as pessoas de bem. Não estou afirmando, de forma oblíqua, que o Planalto esteja por trás dos black blocs. Estou afirmando de maneira clara, escancarada e inequívoca que o Planto dialogou com eles. E quem dialoga reconhece a legitimidade do outro. Fim de papo.
Mas já me desviei. Acho, como leitor apenas, inaceitável que a pauta de um partido — “a oposição previu o caos na Copa” — seja transmitida a leitores e internautas como se fosse informação séria, como se fosse fato. Não é.
O que oposicionistas fizeram, cumprindo a sua função, foi chamar a atenção dos brasileiros para as promessas que não foram cumpridas (obras de mobilidade), para os acusações de superfaturamento das obras, para o descumprimento de prazos — tudo, em suma, o que cabe, havendo motivos, a adversários do governo fazer numa democracia. Assim como a imprensa, também a oposição tem seu papel institucional.
Mas “caos” não! Reproduzir essa afirmação como se fosse informação corresponde a fazer campanha eleitoral petista. Se, antes, isso não era sabido, agora é.
PS — Ah, sim: quem escreve este texto é alguém que considera que a derrota do PT é fundamental para a sobrevivência da democracia no Brasil; que acha o governo incompetente; que sustenta que o PT é um partido autoritário; que nunca achou ou afirmou que a Copa seria um caos e que defende que lugar de black blocs é a cadeia, enquadrados na Lei de Segurança Nacional. Quem passa a mão na cabeça deles é Gilberto Carvalho, não eu. Mesmo assim, fui parar na “black list” do PT. Já os black blocs foram convidados para um cafezinho… Por Reinaldo Azevedo