sexta-feira, 18 de abril de 2014

BANCO CENTRAL DEFENDE SUA ATUAÇÃO EM POLÍTICA PARA COMBATER A INFLAÇÃO

Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, na quarta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu que a autoridade monetária tem atuado de forma "robusta, clássica e técnica". Repetindo o que já tinha falado na semana anterior, ele disse que parte relevante da alta dos juros ainda não atingiu os preços. Ele rebateu críticas sobre a possibilidade de ter havido perda de eficácia da política monetária, visto que após o Banco Central elevar a taxa básica de juros em 3,75 pontos porcentuais, para 11% ao ano, as expectativas de inflação continuam deterioradas. "O Banco Central vem trabalhando para que o choque de preços se circunscreva aos alimentos. Veremos a inflação mensal recuando", disse Tombini em apresentação sobre perspectivas da economia brasileira em 2014, que contou a presença da presidente Dilma Rousseff, ministros e empresários. "A política monetária opera com defasagens e efeitos cumulativos, e parte relevante da política monetária não tocou a inflação", completou.

PREFEITURA PETISTA DE SÃO PAULO ABRE LICITAÇÃO PARA A INSPEÇÃO VEICULAR

Com dois meses de atraso, a prefeitura de São Paulo lançou na última terça-feira o processo de licitação para escolha das empresas que farão a inspeção veicular na cidade. Segundo anunciado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em janeiro, quatro companhias serão selecionadas para fazer o serviço, uma em cada região da capital. A vistoria nos veículos está suspensa desde 31 de janeiro, quando a Controlar, única empresa a realizar o serviço até então, encerrou suas atividades. O prefeito Fernando Haddad determinou a extinção do contrato com a companhia por considerar que ele havia expirado em 2012. Se o cronograma estabelecido pela gestão municipal for obedecido, a inspeção veicular deve voltar a operar somente no segundo semestre. Apesar disso, a prefeitura calcula que cerca de 2,9 milhões de veículos farão a vistoria neste ano. O valor da tarifa não poderá passar de 40,86 reais nos primeiros doze meses, e depois será reajustado segundo a inflação.

GOLEIRO BRUNO PODE SER TRANSFERIDO DE PRESÍDIO E VOLTAR A JOGADOR FUTEBOL

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais avalia a possibilidade de que o goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos e três meses de prisão pela morte da modelo Elisa Samudio, volte a jogar futebol. Na quarta-feira, o Fórum de Contagem, onde ele foi condenado, deu parecer favorável a sua transferência para Montes Claros, no Norte do Estado. Caso consiga a mudança, Bruno jogaria no time que leva o nome da cidade e disputa o Módulo II (terceira divisão) do Campeonato Mineiro. O jogador assinou contrato no início do mês. Uma vez na cidade, ele poderia trabalhar durante o dia, mas teria de dormir na cadeia, e ficaria impossibilitado de viajar com o clube. Para isso, no entanto, ele teria de progredir do regime fechado, que cumpre atualmente, para o semiaberto. De acordo com a Secretaria de Estado de Defesa Social de Minas Gerais, o benefício seria dado apenas em 2018. Um dos defensores de Bruno, Francisco Simim, acredita que a volta aos gramados possa acontecer antes disso.

NO PROGRAMA MAIS MÉDICOS, 22% ESTÃO ATUANDO NOS GRANDES CENTROS URBANOS

Embora o programa Mais Médicos tenha como principal objetivo o envio de profissionais para áreas de alta vulnerabilidade em regiões distantes dos grandes centros, quase um quarto do total de médicos selecionados nas quatro etapas do programa atuam ou vão atuar em capitais ou regiões metropolitanas brasileiras. Um balanço divulgado na quarta-feira, em São Paulo, pelo secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, mostrou que, dos 13 200 médicos do programa, 1 030 trabalham em capitais e 1 880 em regiões metropolitanas, em um total de 2 910 profissionais, o equivalente a 22% do total. Segundo Barbosa, o número se deve aos bolsões de pobreza dos grandes centros. "Mesmo em um município como São Paulo, se você sair da média e for verificar o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) ou a proporção de pobres em cada distrito, você tem centenas de 'municípios' muito pobres que não são percebidos quando você olha a média do município. Nas capitais e regiões metropolitanas, o efeito do Mais Médicos é muito complementar, porque vai exatamente nesses bolsões de pobreza que não têm muita visibilidade, mas são extremamente importantes", disse.

CONSELHO DE ÉTICA DA CÂMARA ESTÁ À CAÇA DO "DEMÓSTENES DO PT", O DEPUTADO ANDRÉ VARGAS

O deputado federal André Vargas (PT-PR), o "Demóstenes do PT", é alvo de uma espécie de caçada de gato a rato em Brasília. Como o petista está licenciado do mandato e afastado da vice-presidência da Câmara, o Conselho de Ética enfrenta dificuldades para notificá-lo sobre o andamento do processo ao qual foi submetido. Na semana passada, o colegiado chegou ao limite de recorrer a uma mensagem de celular para comunicá-lo da abertura do processo. Vargas respondeu com um torpedo lacônico: "Ok". Antes, o Conselho de Ética tentou outro canal de comunicação: enviou ofício diretamente à residência do parlamentar. Mas a correspondência voltou. “A informação que obtivemos é que o endereço havia mudado”, disse o presidente do Conselho de Ética, deputado Ricardo Izar (PSD-SP). Como o parlamentar pediu licença do mandato por 60 dias, seus funcionários foram exonerados e, consequentemente, seu gabinete particular teve as portas fechadas. Os representantes do colegiado também procuraram por Vargas na vice-presidência da Câmara, mas foram informados que o setor não tinha mais vínculos com o petista. O petista André Vargas começou a ser investigado na Câmara porque a Polícia Federal o flagrou em conversas sobre negócios suspeitos com o doleiro Alberto Yousseff, preso sob acusação de comandar um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou 10 bilhões de reais.

CERVERÓ VAI AO CONGRESSO E DEFENDE A COMPRA DA REFINARIA DE PASADENA, MAS TOMA CUIDADO PARA NÃO SE CHOCAR COM A PETISTA DILMA ROUSSEFF

Em depoimento de mais de cinco horas na Câmara dos Deputados, o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, defendeu a compra da refinaria de Pasadena, dividiu responsabilidades pela decisão com a cúpula da empresa, mas, para alívio dos petistas, não comprometeu mais ninguém da estatal ou do governo. Como havia se oferecido para depor, a oposição esperava que o diretor  defenestrado da Petrobras esclarecesse o “parecer falho”, atribuído a ele, que levou a estatal a fazer um “mau negócio”. Em vão: fazendo coro ao discurso do ex-presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, Cerveró opinou que a operação não pode ser considerada "malfadada". Quanto às cláusulas Marlim e Put Option, que envolviam riscos e acabaram sendo responsáveis pelo prejuízo amargado pela Petrobras, ele alegou que elas não eram importantes "do ponto de vista negocial", e por isso foram excluídas do resumo executivo analisado pelo Conselho de Administração, à época presidido por Dilma Rousseff. O depoimento agradou aos petistas. "Ele traz argumentos consistentes. Foi tecnicamente correto", disse Fernando Ferro (PT-PE). "Temos que analisar o negócio com dados da época, e não de hoje. Se fosse hoje, o negócio seria ruim, mas na época era bom", emendou Amauri Teixeira (PT-BA). Cerveró procurou se defender sem trombar com declarações de Dilma. A presidente afirmou que o colegiado não tinha conhecimento das cláusulas Marlim e Put Option, ou não teria aprovado o negócio. A cláusula Marlim previa à belga Astra Oil, parceira inicial da Petrobras, um lucro de 6,9% ao ano, independentemente das condições de mercado, e a Put Option obrigava a empresa brasileira a comprar a outra metade da refinaria caso houvesse desentendimento com a parceira da Bélgica. O engraçado é que esses vagabundos, administradores de meia pataca, totalmente irresponsáveis, com certeza não assinariam contratos com as tais cláusulas se envolvesse o interesse deles. O advogado de Cerveró, Edson Ribeiro, chegou a negar a versão de Dilma, dizendo que o conselho recebera com 15 dias de antecedência a documentação completa sobre a refinaria do Texas, voltando depois atrás, em entrevista ao site de VEJA.

CERTIDÃO DE ÓBITO APONTA QUE MENINO BERNARDO BOLDRINI TEVE MORTA VIOLENTA

A certidão de óbito do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, atesta que ele morreu de “forma violenta” em 4 de abril, dois dias antes de o pai relatar à polícia sobre o desaparecimento do filho. O corpo de Bernardo foi encontrado na segunda-feira, dez dias depois da morte, enterrado em um matagal na cidade de Frederico Westphalen, no interior do Rio Grande do Sul. Os principais suspeitos do assassinato de Bernardo Boldrini estão presos: o pai do garoto, médico cirurgião Leandro Boldrini; a madrasta, Graciele Boldrini, e a amiga do casal Edelvania Wirganovicz. Segundo a certidão de óbito, o corpo de Bernardo Boldrini estava em “adiantado estado de putrefação” quando foi encontrado. A Polícia Civil do Rio Grande do Sul suspeita que o menino tenha sido morto depois de ter sido dopado e receber uma injeção letal. A informação ainda precisa ser confirmada pela perícia. O pai de Bernardo trabalhava como médico-cirurgião e a madrasta, como enfermeira. A amiga do casal, Edelvania, era assistente social. O advogado Marlon Balbon Taborda, que trabalha para a avó materna de Bernardo, Jussara Uglione, de 73 anos, afirmou que os suspeitos “tinham conhecimento técnico” para manusear substâncias capazes de matar o menino. Ele representa a avó de Bernardo Boldrini em disputas judiciais para permitir que ela visitasse o neto, que morava em Três Passos (RS) com o pai e a madrasta e a irmã, de 1 ano. Em depoimento à polícia, o casal relatou que o menino foi dormir na casa de amigos no dia 4. Ele não retornou depois de dois dias. Leandro, então, acionou a polícia e uma rádio local para descobrir o paradeiro de Bernardo. Nos dias que se seguiram, a população de Três Passos (RS), onde a família mora, mobilizou-se para encontrar o garoto. Após fazer buscas pela cidade, a polícia chegou a Edelvania Wirganovicz, a amiga do casal. Na casa dela foram encontradas uma pá e uma cavadeira. Por fim, ela acabou levando a polícia ao local onde o corpo havia sido escondido, além de ter afirmado que ele morreu com uma injeção letal. Depois disso, a polícia descobriu que a madrasta havia sido multada por excesso de velocidade ao dirigir em uma estrada que liga Três Passos a Frederico Westphalen em 4 de abril, mesma data em que o garoto foi morto. Policiais rodoviários informaram que a criança estava no carro na ocasião.

JUSTIÇA INSTALA PROCESSO CONTRA OS ACUSADOS DO MENSALÃO DE BRASÍLIA

A Justiça do Distrito Federal aceitou a denúncia do Ministério Público contra 19 acusados de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, em 2009. O ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (atualmente no PR), e o ex-vice-governador, Paulo Octávio, entre outros, passam a ser réus em processo criminal por decisão do juiz Atalá Correia, da 7ª Vara Criminal de Brasília. O esquema de corrupção ficou conhecido como Mensalão de Brasília. "A denúncia não é inepta. A peça acusatória apresenta a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, em descrição compreensível, bem como a qualificação dos acusados e os esclarecimentos pelos quais se possa identificá-los. Estão presentes, ainda, a classificação dos crimes e o rol das testemunhas. Não há que se falar de ausência de justa causa para o início da ação penal diante de lastro probatório minimamente coligido na fase inquisitorial", afirmou o juiz no despacho assinado no último dia 10. O esquema desvendado pela Polícia Federal consistia no desvio de recursos públicos para pagamento de propinas a políticos em troca de apoio ao então governador. Os recursos vinham majoritariamente por meio de contratos de informática superfaturados do governo do Distrito Federal. Originalmente, a Procuradoria-Geral da República havia denunciado o caso ao Superior Tribunal de Justiça.  corte, porém, decidiu desmembrar o processo. Com isso, o Ministério Público no Distrito Federal assumiu a acusação.

CONTA DE LUZ NA ÁREA DA AES SUL VAI SUBIR ESTUPENDOS 28,86% NAS RESIDÊNCIAS

Durou muito pouco a promessa de luz barata da petista Dilma Rousseff. A conta do acionamento das usinas térmicas devido ao baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas começa a chegar neste dia 19 a cerca de 3,8 milhões de gaúchos atendidos pela AES Sul, distribuidora que opera em 118 municípios nas regiões metropolitana, dos vales e centro-oeste do Estado. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) confirmou na quarta-feira o reajuste médio de 29,54% para os clientes da empresa, mas o susto também vai chegar aos consumidores atendidos pelas outras concessionárias – e, pior, se prolongar para 2015. Projeções da consultoria TR Soluções, especializada em calcular custo da energia, indicam que os clientes residenciais da RGE, que terão uma nova tarifa a partir do dia 19 de junho, podem começar a receber uma conta 20% mais cara. Na CEEE, o tarifaço a partir de 25 de outubro poderá chegar a 18%, quase três vezes acima da inflação esperada para 2014. No caso da AES Sul, não foi apenas a energia mais cara das térmicas que levou aumento que vai chegar a 30,29% para as indústrias e 28,86% para os domicílios, tentou justificar Antonio Carlos de Oliveira, diretor-geral da distribuidora. Segundo o diretor da AES Sul, em 2012 a companhia pagou menos do que o calculado pela energia que distribuiu, e isso teria sido compensado com alta mais módica na tarifa reajustada em 2013. Desde o ano passado, porém, vem desembolsando mais do que o previsto para comprar a energia que precisa entregar. Sem essas variações, o reajuste seria quase a metade do homologado pela Aneel, calcula a empresa. – Estamos aplicando um reajuste em uma base que estava comprimida. Então não seria um reajuste de 30%, mas de 16,42%. Isso é fruto de uma regra do setor que está sendo aplicada na íntegra. É um reajuste justo. É um reembolso daquilo que a companhia pagou de custo de energia que não estava na tarifa anterior. Por isso este percentual alto", esmerou-se Oliveira na explicação. Mas, os consumidores gaúchos podem se preparar. A conta será ainda maior, porque o Estado aplica uma alíquota de 33% na cobrança do ICMS sobre energia elétrica. E esse imposto é cobrado assim: soma-se o valor da energia com 25% de imposto; sobre o resultado, aplica-se então a alíquota de 25% do imposto. Isso acontece assim porque a lei do ICMS diz o seguinte, em seu artigo 20: "O imposto integra a base de cálculo de produto ou serviço". É bitributação, imposto cobrado por dentro e por fora.

PESQUISA VOX POPULI DIZ QUE DILMA VENCERIA ELEIÇÃO NO PRIMEIRO TURNO, COM 40%

A presidente Dilma Rousseff (PT), pré-candidata à reeleição, oscilou um ponto percentual para menos e continua em primeiro lugar, com 40% das intenções de votos, de acordo com pesquisa Vox Populi/CartaCapital divulgada na quarta-feira. O levantamento mostra que, juntos, os rivais Aécio Neves (PSDB), Eduardo Campos (PSB) e Pastor Everaldo Pereira (PSC) totalizam 26% das intenções de voto. Em segundo lugar está Aécio Neves, que também oscilou um ponto para baixo – de 17% para 16%. Eduardo Campos, que anunciou nos últimos dias a ex-senadora Marina Silva (PSB) como a pré-candidata a vice em sua chapa, tem 8% – ante 6% em fevereiro. Pastor Everaldo tem 2% das intenções de voto. Levy Fidelix (PRTB), Randolfe Rodrigues (PSOL), Eymael (PSDC) e Mauro Iasi (PCB) não pontuaram.

ORÇAMENTO DOS JOGOS OLÍMPICOS DO RIO DE JANEIRO ATINGE R$ 36,7 BILHÕES

A prefeitura do Rio de Janeiro e os governos do Estado e federal anunciaram na quarta-feira gastos no total de R$ 24,1 bilhões para 24 de 27 projetos que foram chamados de "Plano de Políticas Públicas", definidos como legado dos Jogos Olímpicos. Com isso, o valor estimado para a Olimpíada do Rio de Janeiro já alcança R$ 36,7 bilhões, mas ainda está incompleto. Esse total se refere à soma dos R$ 7 bilhões divulgados em janeiro pelo Comitê Rio para operacionalizar os Jogos - recursos exclusivamente privados -, aos R$ 5,6 bilhões divulgados naquele mesmo mês para 24 de 52 obras constantes na Matriz de Responsabilidades (instalações esportivas) e mais os R$ 24,1 bilhões. Na prática, o que foi apresentado na quarta-feira foram projetos de mobilidade, renovação urbana, meio ambiente e projetos de desenvolvimento para o município do Rio de Janeiro. Nenhum dos gastos diz respeito às 52 instalações olímpicas exigidas pelo COI, apesar de algumas das obras anunciadas servirem para treinamento nos Jogos. Na quinta-feira foi divulgado o edital de licitação das obras do Complexo de Deodoro, que receberá nove modalidades em 2016. Ou seja, subiu de 24 para 33 o número de obras com licitação ou já em andamento das que constam na Matriz de Responsabilidades. Com isso, o total global de gastos tem um novo acréscimo. A maior parte dos R$ 24,1 bilhões divulgados na quarta-feira diz respeito a gastos da prefeitura, que assumiu a construção de 14 projetos, com custo estimado em R$ 14,3 bilhões. Desse montante, R$ 9,2 bilhões serão investidos em parceria com o setor privado. Já o governo do Estado é responsável por 10 projetos, cujo valor anunciado alcança a soma de R$ 8,79 bilhões - inclusos os gastos com a Linha 4 do metrô. O orçamento também prevê investimentos de R$ 918 milhões para projetos voltados à Baía de Guanabara e lagoas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá. O governo federal prevê investimentos de R$ 1,3 bilhão, o que inclui os R$ 110 milhões destinados à construção do novo Ladetec, laboratório que ficará responsável pelo controle de dopagem. A conclusão das obras está prevista para o meio do ano.

ASSESSOR PETISTA QUE HOSTILIZOU MINISTRO JOAQUIM BARBOSA SAIU DE LICENÇA MÉDICA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS PARA IR AO ROCK IN RIO

Rodrigo Grassi Cademartori pediu afastamento médico da Câmara dos Deputados para ir ao Rock in Rio

Rodrigo Grassi Cademartori pediu afastamento médico da Câmara dos Deputados para ir ao Rock in Rio(Reprodução Facebook)
Rodrigo Grassi Cademartori, o assessor parlamentar petista que hostilizou o ministro Joaquim Barbosa na saída de um bar na capital federal, pediu demissão do cargo. Ele fez o anúncio horas depois de o site de VEJA procurar o gabinete da deputada federal Érika Kokay (PT-DF) para perguntar sobre a misteriosa doença que o motivou a tirar uma licença médica em setembro do ano passado. Afastado por duas semanas da Câmara dos Deputados, alegando razões de saúde, ele viajou ao Rio de Janeiro para assistir ao Rock in Rio. O próprio militante petista fez o anúncio de sua demissão em seu perfil no Facebook, na noite de quarta-feira. A deputada Érika Kokay (PT-DF), em cujo gabinete Cademartori trabalhava, confirmou ao site de VEJA o pedido de exoneração. 
Rodrigo Cademartori Grassi, o Rodrigo Pilha, ficou famoso depois de perseguir e hostilizar o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em Brasília. Esse foi apenas o evento mais notório de um currículo recheado de tentativas de intimidação – entre as vítimas, está a blogueira cubana Yoani Sánchez. 
Lotado no gabinete de Érika Kokay, ele parecia exercer unicamente a função de perseguir qualquer um que não se identificasse com as bandeiras do petismo. Mas o empenho do inquisidor em favor da moralidade pública parece não ser legítimo.

Entre 12 e 25 de setembro do ano passado, Rodrigo esteve afastado do trabalho por razões de saúde. É o que comprova o boletim administrativo da Casa.

Rodrigo “Pilha” pede afastamento médico para ir ao Rock in Rio 









Na iniciativa privada, um afastamento de duas semanas somente ocorre quando o empregado é acometido por uma doença de certa gravidade. Mas doença grave seguramente é o que Rodrigo não tinha naqueles dias de setembro. Discrição, tampouco. Só foi possível reconstituir a história a seguir porque o assessor de Érika Kokay é obcecado por se exibir na internet.
Em 13 de setembro, já de licença médica, Rodrigo organizou um luau em sua casa e exibiu fotos do freezer recheado de cerveja. Era só um preparativo para o que viria. No dia 18, uma quarta-feira – dia cheio na Câmara dos Deputados – ele embarcou para o Rio de Janeiro para assistir ao festival Rock in Rio. “Mala pronta, violão, identidade e ingressos na mão ! Rock in Rio 2014, aí vai o Pilha!”, entusiasmou-se, em uma publicação no Facebook.

Nos dias seguintes, Rodrigo exibiu novas fotos no festival, ao lado de um grupo de amigos. Em uma das imagens, ele aparece com um grande copo de cerveja na mão. Tudo isso, claro, no período em que ele alegava estar impossibilitado de exercer seu cargo como funcionário público.

A visita ao Rio de Janeiro também incluiu pelo menos um dia na praia (devidamente documentado e exibido nas redes sociais). O dia ainda foi encerrado com um jogo no Maracanã: Rodrigo assistiu à partida entre Fluminense e Coritiba. Ele próprio fez questão de registrar o momento em fotos e em um vídeo no qual aparece gritando e gesticulando. Perfeitamente saudável. 
E a hipótese de uma cura miraculosa seguida de uma súbita decisão pela viagem ao Rio de Janeiro deve ser descartada porque os ingressos para o Rock in Rio estavam esgotados desde abril. Ou seja, Rodrigo teve um tempo bastante hábil para 'programar' sua licença médica de forma que coincidisse com o festival de música. 

A deputada Érika Kokay diz se lembrar do pedido de licença médica, mas afirma que não pode revelar qual foi o motivo alegado pelo funcionário: "Isso é sigilo médico. Não sei como você tem coragem de perguntar", diz ela. A petista também garante que o pedido de demissão foi feito antes de VEJA apontar as incongruências na licença médica solicitada por Rodrigo.