terça-feira, 25 de março de 2014

AS 13 BARBARIDADES DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO EM UMA INUSITADA E INSÓLITA ENTREVISTA COLETIVA: É SINAL DE PÂNICO! OU: MINISTRO DE ESTADO OU PROSÉLITO VULGAR DE UM PARTIDO?

Conforme escrevi aqui, o que realmente está preocupando o Planalto é o pedido encaminhado por senadores ao Procurador-Geral da República, com base na Lei da Improbidade Administrativa, para que se investigue a atuação de Dilma Rousseff na compra da refinaria de Pasadena.

Tanto preocupa que, em um gesto inusitado, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, convocou uma entrevista coletiva para esconjurar a ação dos senadores, que classificou de parte de um “embate político-eleitoral”, uma tese difícil de demonstrar quando se vêem os nomes que compõem o grupo: Pedro Simon (PMDB-RS), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Taques (PDT-MT), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF). Será que todos eles estarão em um mesmo palanque? Excetuando-se PSOL e PSB, os demais partidos integram a base de apoio ao governo. Mas isso é o de menos.
Cardozo fez questão de afirmar que convocou a entrevista por iniciativa própria, sem falar com a presidente. É mesmo? Quase me esqueço, ao ler essa informação, que ele era um dos que Dilma chamou “Os Três Porquinhos” na campanha de 2010: os outros dois eram José Eduardo Dutra, atual presidente da BR Distribuidora (chefe de Nestor Cerveró), e Antonio Palocci.
Cardozo, como advogado e ministro da Justiça, é mesmo um homem capaz de juízos surpreendentes. Afirmou, por exemplo, o seguinte:
“Tenho o dever de informar que, nesta representação, nenhum fato novo foi apresentado. Nada além daquilo que já havia sido noticiado pela imprensa, nada além do que já está sendo investigado foi acrescentado nesse pedido à PGR e, portanto, nos parece a clara intenção desta representação se projetar na perspectiva de transformar em embate político-eleitoral uma investigação que deve ser feita de maneira absolutamente séria, rigorosa e correta”.
Esse trecho da fala não faz sentido por duas razões:
1: quem disse que um pedido de investigação de responsabilidade à Procuradoria-Geral tem de trazer apenas fatos que não foram noticiados pela imprensa? Se Cardozo apontar onde isso está escrito, eu paro de encher o saco dele e não escrevo mais nada;
2: por que o fato de as informações contidas no pedido já terem sido noticiadas caracterizaria o embate político-eleitoral? Em que escola Cardozo estudou lógica?
E o ministro seguiu adiante:
“De fato a Astra Oil comprou a empresa Pasadena por 42,5 milhões de dólares. Porém a representação omite que 84 milhões de dólares foram investidos na empresa pela Astra Oil. Em segundo lugar, há uma imprecisão, ou uma inverdade, como queiram. Se diz que a Petrobras pagou 360 milhões de dólares pela empresa. A Petrobras pagou 190 milhões de dólares, porque 170 milhões de dólares não se referiam propriamente à aquisição da empresa, mas à aquisição de 50% do estoque da empresa”.
Bem, temos aqui várias questões;
3: Foi Dilma quem emitiu uma nota afirmando que, como presidente do Conselho, decidiu sem ter em mãos todas as informações — e isso, de fato, se provou verdade — naquela hora ao menos;
4: foi Dilma quem demitiu Nestor Cerveró, oito anos depois da compra de 50% da refinaria de Pasadena;
5: somem-se os US$ 84 milhões de investimento dos belgas aos US$ 42,5 milhões (pagos, havia menos de um ano, pela refinaria toda), descontem-se os US$ 170 milhões do estoque de petróleo, e se conclui que a Petrobras pagou, por 50% da refinaria, US$ 190 milhões. Ela toda tinha custado aos belgas, então, US$ 126 milhões. Ou por outra: a Astra Oil transformou US$ 63 milhões em US$ 190 milhões. Haja valorização de mercado, não? Duzentos por cento!
6: Não por acaso, no balanço de 2005, disponível no site da Universidade Católica de Leuven, na Bélgica, a empresa afirma que a parceria com a Petrobras acabou sendo um “sucesso financeiro além de qualquer expectativa razoável”. Entenderam? NEM OS QUE LUCRARAM COM A GENEROSIDADE DA PETROBRAS ACHAVAM AQUILO RAZOÁVEL. MAS CARDOZO ACHA! Será que o conselho sabia quanto os belgas haviam pagado pelo empreendimento?
7: No balanço de 2006, ano em que a Petrobras, de fato, pagou por metade da refinaria, a Transcor Astra teve um lucro recorde. No mesmo balanço, a CNP mencionou a existência da cláusula do “put option” aos acionistas, explicando que, sob certas circunstâncias, poderia obrigar a Petrobras a comprar a outra metade da refinaria.
E Cardozo seguiu atropelando a lógica, o direito, os fatos. Afirmou ainda:
“Chama atenção que a representação é dirigida exclusivamente à presidenta, quando na verdade os fatos narrados dizem respeito a decisão tomada por um órgão colegiado e que decidiu, solidariamente, por unanimidade. Não podemos deixar politizar com inverdades como omissões”
Então vamos ver
8: Cardozo está indagando por que não se pediu a investigação dos demais conselheiros. Bem, os senadores apelaram à Lei de Improbidade Administrativa, e servidora pública, no grupo, era Dilma Rousseff, ministra da Casa Civil;
9: mas isso ainda é o de menos. Vamos dar de barato que o conselho não soubesse quanto os belgas haviam realmente pagado pela refinaria, que se sentisse amparado pelas informações técnicas, que tenha sido enganado por um memorial executivo falho… Ok. Esse, definitivamente, não é o ponto;
10: A Astra decidiu vender os outros 50% já em 2007. Parece difícil que Dilma não tenha, então, tomado ciência do que havia acontecido. Digamos que não: a partir de 2008, já não há mais desculpa. A chefe da Casa Civil sabia muito bem o que tinha acontecido. A presidente do Conselho também. Tanto é assim que decidiu enfrentar os belgas na Justiça.
11: se decidiu, então é porque não julgou razoável. E cumpre indagar: fez exatamente o quê? Até onde se sabe, nada!
12: o mesmo Nestor Cerveró que Dilma mandou demitir agora da direção financeira da BR Distribuidora seguiu à frente da direção da área internacional da Petrobras.
13: Cerveró só deixou aquele cargo por conveniência política, saiu coberto de elogios. Dilma descobriu oito anos depois que tinha sido enganada e que Cerveró havia omitido as cláusulas Marlim e Put Option? Não se trata de desconfiar da presidente. Está provado que, a partir de 2008, quando a Petrobras decide enfrentar os belgas na Justiça, ela já sabia de tudo. Dado que o desentendimento com a Astra já se deu em 2007, parece óbvio que a empresa evocou a cláusula já neste ano, não é mesmo?
O papel desempenhado por Cardozo não é o de um ministro da Justiça, mas o de um prosélito vulgar de um partido político. Até porque foi ele quem evocou a questão político-eleitoral. Por Reinaldo Azevedo

PETISTA LUCIANO COUTINHO FALA SOBRE "DINHEIRODUTO" DO BNDES PARA DITADURAS NO EXTERIOR - BILHÕES (SEM LICITAÇÃO) DRENADOS PARA EMPREITEIRAS COM OBRAS NO EXTERIOR

O presidente do BNDES, o economista petista Luciano Coutinho, foi obrigado a comparecer nesta terça-feira ao Congresso Nacional para dar explicações sobre os financiamentos desse banco a projetos de infraestrutura no Exterior, nos setores rodoviário, aeroportuário, hidroviário e de logística. O “dinheiroduto” é destinado preferencialmente para países sob regimes autoritários, onde não há órgãos de controle como tribunais de contas ou ministério público. A audiência pública interativa foi realizada em conjunto pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE). O governo Lula (alcaguete a serviço do Dops paulista na ditadura militar, para o qual delatava companheiros) desenvolveu uma forma engenhosa de evitar submeter ao Senado o financiamento do BNDES para empreiteiras amigas, e sem licitação. Desde então, bilhões de dólares têm sido drenados, sem licitação, diretamente para a conta de empreiteiras brasileiras contratadas sem licitação para realizar obras, em vários países, em geral governados por ditadores. Casos de Cuba, no financiamento do porto de Mariel, e de Guiné Conacri, na África, onde o banco financia um aeroporto internacional. O financiamento do BNDES é condicionado à contratação de empreiteiras brasileiras para executar obras nos países beneficiados com juros irrisórios e generosos prazos de carência. Mas o dinheiro é pago diretamente às empresas, no Brasil. Limpo, sem licitação, sem fiscalização, sem controle. O debate foi requerido pelo senador José Pimentel (PT-CE) e pela senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS). As críticas aos investimentos no Exterior cresceram com a ida da presidente Dilma Rousseff a Cuba, no fim de janeiro, para a inauguração do Porto de Mariel, que recebeu no mínimo US$ 800 milhões do BNDES. Para o senador José Agripino (DEM-RN), o BNDES tem muitas explicações a dar, visto que os recursos recebidos do Tesouro são emprestados pelo banco a juros baixos. Além disso, observa, os investimentos nem sempre são exitosos e não são “modelos acabados de correção”.

GOVERNO PETISTA DE DILMA ROUSSEFF DEVE SUBIR IMPOSTOS PARA BANCAR USO DE USINAS TERMELÉTRICAS, CONTRIBUINTE PAGARÁ A FATURA DAS TERMELÉTRICAS

A carga tributária brasileira pode ficar ainda mais pesada. O secretário adjunto da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, afirmou que o fisco estuda medidas de aumento de tributos. A arrecadação extraordinária é para ajudar o Tesouro Nacional a pagar a fatura de R$ 4 bilhões com a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE). A Receita Federal informou nesta terça-feira que foram concluídos os estudos para aumento de Pis/Cofins de produtos importados e do setor de cosméticos e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de bebidas frias (cervejas, refrigerantes, isotônicos e água) para fortalecer as receitas. A decisão de aumentar os tributos cabe ao Ministério da Fazenda e à Casa Civil. Nunes não revela quando o aumento será anunciado: “Existe uma série de medidas anunciadas. Há cenários que foram apresentados. Mas a decisão é política de quando serão anunciadas. O ministro (Guido Mantega, da Fazenda) já colocou isso”. Os aportes à CDE servirão para compensar o aumento dos custos no setor elétrico gerado pela crise energética, que o governo federal insiste em negar. O setor foi duramente afetado pelo acionamento das termelétricas em meio a forte estiagem que castigou o País no começo do ano.

DEPUTADO FEDERAL ASDRÚBAL BENTES SE ENTREGA À VARA DE EXECUÇÕES PENAIS E JÁ ESTÁ COMPONDO A BANCADA DA PAPUDA

O deputado federal Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) se entregou nesta terça-feira à Vara de Execuções Penais, em Brasília. Ele foi condenado a três anos, um mês e dez dias de cadeia pelo Supremo Tribunal Federal. Como a pena é inferior a quatro anos, a punição será cumprida em regime aberto, com prisão domiciliar. Asdrúbal Bentes foi condenado por oferecer cirurgias grátis de esterilização para mulheres em troca de votos, em 2004. Agora, a expectativa é que a Câmara dos Deputados abra um processo de cassação contra o parlamentar, que até hoje se declara inocente: ”Isso foi uma questão política aqui de Marabá”, justifica. Asdrúbal Bentes é o sexto deputado federal em exercício que o Supremo Tribunal Federal manda prender desde 1988. É uma certa hipocrisia, porque praticamente não existe mandato no Brasil que não seja rigorosamente "comprado". É o modo de eleição da representação popular atualmente no Brasil.

SENADORES QUEREM QUE JANOT INVESTIGUE DILMA POR IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA; LEI É DURA; CONDENAÇÃO IMPLICA ATÉ PERDA DE MANDATO. SERÁ DIFÍCIL O PROCURADOR RECUSAR A ABERTURA DE INVESTIGAÇÃO. VEJAM POR QUÊ

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, está com um problema de bom tamanho nas mãos. Um grupo suprapartidários de senadores, que se dizem independentes, encaminhou a ele um pedido para investigar a conduta da presidente Dilma Rousseff na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, com base na Lei 8.429, a Lei da Improbidade Administrativa, que é a que mais apavora os políticos. Ela pune atos de servidores ou agentes públicos considerados lesivos a qualquer uma das esferas administrativas e a empresas e órgãos estatais. Essa lei pune também o enriquecimento ilícito, mas não é por aí que a presidente corre riscos. O bicho pode pegar é nos Incisos I, II, III, IV e XII do Artigo 10, transcritos abaixo:

Art. 10. Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no art. 1º desta lei, e notadamente:
I – facilitar ou concorrer por qualquer forma para a incorporação ao patrimônio particular, de pessoa física ou jurídica, de bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei;
II – permitir ou concorrer para que pessoa física ou jurídica privada utilize bens, rendas, verbas ou valores integrantes do acervo patrimonial das entidades mencionadas no art. 1º desta lei, sem a observância das formalidades legais ou regulamentares aplicáveis à espécie;
IV – permitir ou facilitar a alienação, permuta ou locação de bem integrante do patrimônio de qualquer das entidades referidas no art. 1º desta lei, ou ainda a prestação de serviço por parte delas, por preço inferior ao de mercado;
V – permitir ou facilitar a aquisição, permuta ou locação de bem ou serviço por preço superior ao de mercado;
XII – permitir, facilitar ou concorrer para que terceiro se enriqueça ilicitamente;
Retomo
Parece evidente que a compra da refinaria de Pasadena incide em todos eles, não? Sim, é verdade: Dilma era apenas a presidente do Conselho, e já se sabe que o memorial executivo preparado omitiu as cláusulas “Marlim” e “Put Option”, que estão no cerne do espeto de US$ 1,18 bilhão com o qual arcou a Petrobras na compra da refinaria de Pasadena. A questão, reitero, é saber por que, mesmo sabendo das cláusulas danosas a partir de 2007, Dilma nada fez como presidente do Conselho de Administração, como ministra ou como presidente da República.
A lei é dura. Vejam o que dispõe, por exemplo, o Artigo 7º:
Art. 7° Quando o ato de improbidade causar lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, caberá a autoridade administrativa responsável pelo inquérito representar ao Ministério Público, para a indisponibilidade dos bens do indiciado.
Mas, pior do que isso, é o que está no Inciso II do Artigo 12 — que é o que se aplicaria no caso:
II – Na hipótese do art. 10, ressarcimento integral do dano, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, se concorrer esta circunstância, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de cinco a oito anos, pagamento de multa civil de até duas vezes o valor do dano e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de cinco anos;
Problemão
Janot está com um problemão nas mãos, não é mesmo? Será muito difícil demonstrar que, a partir de 2007, Dilma não se encaixa nos Incisos I, II, IV, V e XII da Lei de Improbidade Administrativa. Até porque a melhor prova que se tem contra Dilma é… Dilma. Foi ela quem demitiu Nestor Cerveró, não é?, afirmando que seu memorial executivo era técnica e juridicamente falho. Vamos ver como o procurador-geral da República se sai dessa. Notem que basta a responsabilidade culposa — não precisa ser dolosa. Em tese, alguém pode ser absolvido num processo criminal por um determinado ato, mas ser condenado pela Lei de Improbidade.  Integram o grupo de independentes os seguintes senadores: Pedro Simon (PMDB-RS), Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Pedro Taques (PDT-MT), Ana Amélia Lemos (PP-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF). Por Reinaldo Azevedo

A TODO VAPOR - ARROMBANDO OS COFRES

O governo petista de Dilma Rousseff autorizou um recorde histórico para o funcionamento das usinas térmicas nesta semana. Um total de 17 966 megawatts médios. Bateu o recorde da semana anterior. Há exatamente um ano, foi autorizado o acionamento de 15 218 megawatts médios. Hoje, 28% da energia consumida no Brasil sai das usinas térmicas. Como a operação dessas usinas é muito mais cara, o contribuinte brasileiro é que irá pagar essa poderosa e gigantesca conta.

ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA GAÚCHA DERRUBA VETO DO PEREMPTÓRIO GOVERNADOR PETISTA "GRILO FALANTE" TARSO GENRO

A Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul derrubou na tarde desta terça-feira o veto do governador do Estado, o peremptório petista "grilo falante" Tarso Genro, a uma emenda do PSDB que obriga o governo a abrir e manter em uma conta bancária específica o montante de 1,3 bilhão de reais que Tarso Genro dá de mão de recursos da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica). O peremptório petista Tarso Genro pretendia desviar esse dinheiro para o Caixa Único do Estado e gastá-lo conforme sua vontade.

VEM BOMBA AÍ....

O senador Renan Calheiros deu o sinal verde para o início da CPI que vai investigar os transportes públicos das grandes capitais. Roberto Requião será o relator. Vai ser um fogueteio dos poderosos. Transporte público é sinal, no mínimo, de formação de cartel do setor sob patrocínio de prefeituras. Cartel é uma ilegalidade, mas os políticos fazem de conta que não sabem, e os Ministérios Públicos não se mexeram nos últimos 30 anos para colocar em prática o que determinava disposição transitória da Constituição, obrigando a realização de licitações.

SENADO CHAMA LOBÃO E GRAÇA FOSTER PARA EXPLICAR COMPRA DE REFINARIA PELA PETROBRAS

Duas comissões do Senado aprovaram nesta terça-feira convites para realizar audiências com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e com a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster. Eles serão ouvidos em sessão conjunta das comissões de Fiscalização e Controle e a de Assuntos Econômicos. Como os requerimentos são “convites” – e não convocações –, as datas serão negociadas.

Nos requerimentos, os senadores pedem explicações sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, que causou prejuízo bilionário para a Petrobras. O negócio é investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas da União por suspeita de superfaturamento e evasão de divisas.
Na semana passada, Lobão e Foster já haviam sido chamados por comissões da Câmara dos Deputados para falar sobre o assunto. Agora, com o agravamento da crise, a base governista negocia audiências no Congresso para evitar o desgaste da aprovação de convocações, cujo comparecimento é obrigatório. O governo também articula para que tanto Foster quanto Lobão sejam ouvidos preferencialmente no Senado, onde o ambiente é considerado mais amistoso pelo tamanho reduzido das bancadas de oposição e pela distância da ala rebelde do PMDB da Câmara.
Também nesta manhã, a base aliada conseguiu adiar a aprovação de requerimento para ouvir o ex-diretor financeiro da BR Distribuidora Nestor Cerveró, apontado como o responsável pela produção do relatório que levou o Conselho de Administração da Petrobras a aprovar, em 2006, a compra da refinaria no Texas. Um acordo costurado pelo líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), postergou pelo menos até a semana que vem a votação de convites para que Cerveró e o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli sejam chamados no Congresso.
Apesar do sucesso da operação no Senado, a blindagem a Cerveró e Gabrielli não está assegurada na Câmara. Partidos de oposição trabalham para votar nove convites em comissões da Câmara.

PETROBRAS - DEMITIIDO POR DILMA EMITE SINAIS DE QUE QUER FALAR; PLANALTO USA DIRETOR PRESO PARA FAZER TERRORISMO. OU: CHEGOU A HORA DA CAMPANHA "A PETROBRAS É NOSSA, NÃO DO PT!"

Longe de esfriar, o caso Petrobras só esquentou. Está pelando. E agora os emissários do governo resolveram fazer um pouco de terrorismo para assustar os parlamentares. A primeira frente de preocupação do Planalto vem de Nestor Cerveró, presidente da Área Internacional da Petrobras quando a empresa brasileira comprou a refinaria de Pasadena, em 2006. Ele teria feito o memorial executivo recomendando a compra, em parceria com Paulo Roberto Costa, diretor de Abastecimento e Refino até o ano retrasado — é aquele sujeito que está preso, acusado de se envolver com lavagem de dinheiro. Já falo a respeito dele.

Muito bem! Oito anos depois da compra da refinaria de Pasadena, Dilma jogou toda a responsabilidade nas costas de Cerveró e o demitiu de maneira humilhante, pela imprensa, da direção financeira da BR Distribuidora, cargo que ele ocupava até a semana passada. O homem está fora do País e, segundo informa a Folha nesta terça-feira, emitiu sinais a parlamentares da oposição de que está disposto a falar no Congresso. A falar o quê? Ninguém sabe! Serão apresentados requerimentos convidando-o a depor nas comissões de Minas e Energia, Fiscalização e Controle, Finanças e Tributação e Relações Exteriores.
Esse não é o único fio desencapado. O outro é Paulo Roberto Costa, cuja prisão passou ontem de temporária para preventiva. Numa eventual CPI da Petrobras — que o governo tenta evitar a todo custo —, ele seria certamente uma das principais personagens.
Sim, Costa fez com Cerveró, a quatro mãos, o documento que recomendou a compra de Pasadena, omitindo as cláusulas que geraram um prejuízo à Petrobras de US$ 1,18 bilhão. Mas está mais enrolado do que isso. Segundo a PF, ele era um dos parceiros do doleiro Alberto Yousseff, principal personagem da operação Lava-Jato. A Polícia Federal acredita que Yousseff pagou a Costa R$ 7,9 milhões de propina relacionados à refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. É aquele empreendimento que a Petrobras deveria tocar em parceria com a PDVSA, da Venezuela, e que, na prática, caiu inteiro no seu colo. Até aí, vá lá. Ocorre que a refinaria foi orçada em US$2,5 bilhões e, hoje, estima-se que não saia por menos de US$ 20 bilhões.
Na estatal, Costa acabou, vamos dizer assim, sendo adotado pelo PMDB e pelo PT. Nos bastidores, emissários do Planalto fazem terrorismo. A mensagem é a seguinte: se o ex-diretor falar, pode ser ruim para todo mundo. Segundo comentam deputados e senadores petistas, o temor maior de uma CPI não é o, por si, escandaloso contrato de Pasadena, mas as ramificações políticas do diretor que está preso. Até 2012, ele circulava pampeiro e poderoso por vários gabinetes da Câmara e do Senado.
Eis o ambiente que garantiu a decadência da maior empresa do País, que perdeu mais de R$ 200 bilhões em valor de mercado em três anos e que viu a sua dívida saltar R$ 180 bilhões para R$ 300 bilhões no período. Escolham o que vocês acham que poderia render uma CPI na Petrobras. Prejuízo de US$ 1,18 bilhão na compra de uma refinaria nos EUA? Sim, tem isso. O confisco de duas refinarias da Petrobras por Evo Morales, aliado dos petistas? Tem isso também. Uma refinaria orçada em US$ 2,5 bilhões que já está custando US$ 20 bilhões e ainda não começou a operar? Ora, é claro que tem! Atraso de quatro anos na construção de um complexo petroquímico, no Rio de Janeiro, cujo custo já saltou de R$ 19 bilhões para R$ 26,6 bilhões? É só pedir, que a Petrobras produziu esse escândalo. Negócios suspeitos com uma empresa de plataformas holandesa? É claro que esse produto não poderia faltar!
A maior empresa brasileira, que serviu ao proselitismo político do PT em três eleições consecutivas, se transformou numa casa de horrores, na casa da mãe joana, em instrumento das politicagens mais vis.
Hoje, já não cabe mais a campanha “O petróleo é nosso”. Hoje, é preciso lançar a campanha “A Petrobras é nossa” — antes que o PT acabe com ela. O partido já torrou mais de R$ 200 bilhões de seu valor de mercado. A parte que sobrou já é menos da metade. Por Reinaldo Azevedo