segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

O EDITORIAL DO JORNAL NACIONAL, O QUE ESTÁ CERTO E O QUE ESTÁ MUITO, MAS MUITO ERRADO

Enquanto o pau voltava a comer no Centro do Rio — E NÃO POR CULPA DA PM, QUE SE SAIBA —, o Jornal Nacional levou ao ar um editorial, com o qual, em parte, concordo. Mas também há passagens das quais discordo radicalmente. Segue o texto na íntegra. Os destaque em vermelho ficam por minha conta. Volto depois.

*
Não é só a imprensa que está de luto com a morte do nosso colega da TV Bandeirantes Santiago Andrade. É a sociedade.
Jornalistas não são pessoas especiais, não são melhores nem piores do que os outros profissionais. Mas é essencial, numa democracia, um jornalismo profissional, que busque sempre a isenção e a correção para informar o cidadão sobre o que está acontecendo. E o cidadão, informado de maneira ampla e plural, escolha o caminho que quer seguir. Sem cidadãos informados não existe democracia.
Desde as primeiras grandes manifestações de junho, que reuniram milhões de cidadãos pacificamente no Brasil todo, grupos minoritários acrescentaram a elas o ingrediente desastroso da violência. E a cada nova manifestação, passaram a hostilizar jornalistas profissionais.
Foi uma atitude autoritária, porque atacou a liberdade de expressão; e foi uma atitude suicida, porque sem os jornalistas profissionais, a nação não tem como tomar conhecimento amplo das manifestações que promove.
Também a polícia errou — e muitas vezes. Em algumas, se excedeu de uma forma inaceitável contra os manifestantes; em outras, simplesmente decidiu se omitir. E, em todos esses casos, a imprensa denunciou. Ou o excesso ou a omissão.
A violência é condenável sempre, venha de onde vier. Ela pode atingir um manifestante, um policial, um cidadão que está na rua e que não tem nada tem a ver com a manifestação. E pode atingir os jornalistas, que são os olhos e os ouvidos da sociedade. Toda vez que isso acontece, a sociedade perde, porque a violência resulta num cerceamento à liberdade de imprensa.
Como um jornalista pode colher e divulgar as informações quando se vê entre paus e pedras e rojões de um lado, e bombas de efeito moral e bala de borracha de outro?
Os brasileiros têm o direito de se manifestar, sem violência, quando quiserem, contra isso ou a favor daquilo. E o jornalismo profissional vai estar lá – sem tomar posição a favor de lado nenhum.
Exatamente como o nosso colega Santiago Andrade estava fazendo na quinta-feira passada. Ele não estava ali protestando, nem combatendo o protesto. Ele estava trabalhando, para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto.
Mas a violência o feriu de morte aos 49 anos, no auge da experiência, cumprindo o dever profissional.
O que se espera, agora, é que essa morte absurda leve racionalidade aos que contaminam as manifestações com a violência. A violência tira a vida de pessoas, machuca pessoas inocentes e impede o trabalho jornalístico, que é essencial – nós repetimos – essencial numa democracia.
A Rede Globo se solidariza com a família de Santiago, lamenta a sua morte, e se junta a todos que exigem que os culpados sejam identificados, exemplarmente punidos. E que a polícia investigue se, por trás da violência, existe algo mais do que a pura irracionalidade.
Comento
Endosso o que não está em destaque. Mas vamos ao que não vai bem:
1: Infelizmente, desde o início, as manifestações já foram notavelmente violentas, e não é verdade que se tratasse de grupos minoritários. Os três primeiros protestos contra o reajuste de passagens em São Paulo, nos dias 6, 7 e 11 de junho, já foram brutais, com depredação, coquetéis molotov e tentativa de linchamento de policiais. ESSA NÃO É A MINHA OPINIÃO. São os fatos. Está tudo devidamente documentado. De resto, nessas manifestações, nem se podia falar em minoria violenta porque eram protestos por si minoritários.
2: Por que a polícia está apanhando num editorial que lamenta a morte de um cinegrafista, quando todos sabem quem são os assassinos? O que ela tem com isso? Parece-me que o expediente ajuda a diluir as responsabilidades. O jornalismo tem de ser isento, claro!, mas não em relação ao estado de direito. Se e quando a polícia cometer seus exageros, falhas, omissões crimes, que seja criticada por isso.
3: Parece-me que há aí uma tentativa de justificar um erro lamentável de apuração cometido por um jornalista da GloboNews. Um jornalista, em circunstâncias assim, terá de colher a verdade justamente em circunstâncias adversas. Há jornalismo de guerra, mas não de monastérios. Incomoda-me que “paus, pedras e rojões de um lado” sejam igualados a “bombas de efeito moral e balas de borracha de outro”. Essa formulação é falsa. O uso de instrumentos de contenção e de repressão da desordem são disciplinados por lei; estão previstos no estado democrático e de direito — o de paus, pedras e rojões não! Sim, a polícia já errou. Que tivesse merecido o seu editorial. Mais: quando é que se deu a omissão? Quando tardou a recorrer aos instrumentos que estão sendo equiparados às armas de delinquentes? Enquanto prevalecer a ideia de que policiais e bandidos disfarçados de manifestantes são forças beligerantes equivalentes, cidadãos estarão correndo riscos desnecessários — inclusive jornalistas.
4: Eu não acho que a manifestação fosse contra o reajuste da passagem, não. Mas aí a divergência é mais funda e vou deixá-la de lado. Eu temo é pelo risco embutido na formulação “para que os brasileiros fossem informados da manifestação contra o aumento das passagens de ônibus e pudessem formar, com suas próprias cabeças, uma opinião sobre o assunto”. Numa leitura imediata, parece apenas sensato. Com um pouco mais de rigor, é preciso deixar claro que a imprensa não pode ser nem isenta nem neutra quando protestos desrespeitam de forma manifesta os fundamentos da democracia, ainda que seja convocada por monges budistas. Como costumo dizer, se tocadores de oboé decidirem promover a desordem no centro da cidade e impedir o direito de ir e vir, os tocadores de oboé têm de ser reprimidos. Se pegarem paus e pedras para atacar a polícia — ou mesmo seus oboés —, terão de ser contidos. Se preciso com bomba de gás, que não é pau. Se preciso com bomba de efeito moral, que não é morteiro. Se preciso, com bala de borracha, que não é pedra. Temos é de exigir que a polícia use com sabedoria, parcimônia e rigor técnico os instrumentos de que dispõe para manter a ordem pública. Ou vamos ignorar que estes que se dizem “black blocs”, em suas páginas das redes sociais, pregam o ataque aos policiais?
Se a policia apanha da imprensa quando erra e apanha da imprensa também quando aqueles que ela reprime cometem um homicídio, então se tem que bater na polícia, por definição, é um princípio civilizador. E eu não acho que seja.
Encerro
Enquanto o editorial era lido, vândalos mascarados, mais uma vez, procuravam provocar a barbárie no Centro do Rio. É uma gente tão asquerosa que nem mesmo teve o bom senso de suspender o protesto no dia em que foi anunciada a morte de Santiago Andrade. Cadáveres fazem parte de sua lógica. Por Reinaldo Azevedo

POLÍCIA DO RIO DE JANEIRO IDENTIFICA O TERRORISTA ASSASSINO BLACK BLOC QUE DISPAROU ROJÃO CONTRA CINEGRAFISTA SANTIAGO ANDRADE, E DELEGADO AFIRMA QUE FOI UM "HOMICÍDIO INTENCIONAL"

A Polícia Civil do Rio de Janeiro pediu nesta segunda-feira a prisão do homem acusado de disparar o rojão que feriu e matou o cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes. De acordo com uma nota divulgada pela instituição, o acusado está identificado e qualificado. “A Polícia Civil está representando pela prisão dele na Justiça”, dizia o comunicado, divulgado no início da noite. Já está preso o tatuador Fábio Raposo Barbosa, que confessou ter passado ao homem que aparece nas imagens de camisa cinza e calças jeans. O cinegrafista teve morte encefálica diagnosticada na manhã desta segunda-feira. Também nesta segunda-feira, o advogado Jonas Tadeu Nunes, que defende Raposo, apresentou à Polícia Civil a identificação do homem que detonou o rojão. Segundo Luciano, as informações do advogado ajudaram a confirmar pistas levantadas pela Coordenadoria de Inteligência Policial da Polícia Civil (Cinpol). Raposo reconheceu, por fotografias, o responsável por acender o rojão. Com o reconhecimento e as imagens que documentam o crime, a polícia resolveu que há provas suficientes para pedir a prisão temporária por 30 dias do suspeito. "Já tinhamos informações dele obtidas pelo setor de inteligência da Polícia Civil. O advogado reforçou as suspeitas e o reconhecimento feito por Fábio foi fundamental. Assim que houver pronunciamento do Judiciário sobre o pedido de prisão, vamos divulgar nome e foto do atirador do rojão", disse o delegado Maurício Luciano, da 17ª DP (São Cristóvão). O tatuador e o homem que acendeu o rojão, a partir de agora, estão indiciados por homicídio doloso (com intenção) qualificado e por explosão, crimes que podem render até 35 anos de prisão. De acordo com o delegado Maurício Luciano, da 17ª DP (São Cristóvão), Raposo detalhou que o responsável por disparar o rojão tinha um perfil violento, de ir para a linha de frente dos protestos para participar de brigas. “Raposo afirmou que conhecia o rapaz apenas das manifestações, não tinha ligação com ele”, disse o delegado. Segundo o delegado, o criminoso tentou atingir policiais com o rojão, mas acabou acertando o cinegrafista. “Foi um homicídio intencional. O que se procurou foi atingir as forças policiais. Santiago Andrade infelizmente foi colocado na linha de tiro”, frisou o delegado. O terrorista assassino ainda pode ser processado por formação de quadrilha. Ele já tinha duas passagens pela polícia, uma como autor de um crime de menor potencial ofensivo, que não foi divulgado, e outro como vítima em uma manifestação. A defesa de Raposo tenta obter para seu cliente o benefício da delação premiada. Mas isso ainda não vai ser analisado neste momento. Segundo o delegado, caberá à Justiça, após a conclusão das investigações e o início do julgamento, decidir se a contribuição dada pelo tatuador pode ser entendida como uma colaboração que permite redução de pena. O advogado também vai tentar na Justiça outra forma de atenuar a pena de Raposo. Ele vai pedir que o tatuador responda por lesão corporal seguida de homicídio, o que seria uma punição menor do que os crimes de homicídio doloso qualificado e explosão.

"PROFESSOR" DE TERRORISMO MATA ALUNOS EM AULA SOBRE BOMBAS NO IRAQUE

Uma explosão ocorrida nesta segunda-feira na província de Samara, ao norte do Iraque, deixou 22 terroristas mortos e outros 15 feridos. Um "professor" jihadista do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) dava uma aula sobre bombas aos seus alunos radicais quando, acidentalmente, acionou um cinto repleto de explosivos. O incidente levou as autoridades rapidamente ao local, o que resultou na prisão de outros oito extremistas que tentaram fugir após a desastrada demonstração. O terrorista que ministrava a aula foi classificado pela polícia como um renomado recrutador de jihadistas, mas não teve o seu nome divulgado. O experiente guerrilheiro não sabia que o cinto usado na aula estava carregado com explosivos. O EIIL se tornou o principal grupo radical no Iraque. Os terroristas conseguiram capturar recentemente as cidades de Ramadi e Falluja, sendo que as autoridades só foram capazes de retomar o controle em Ramadi. O governo iraquiano, com o auxílio dos Estados Unidos, ainda desenvolve um plano militar para tentar expulsar os jihadistas que seguem no poder em Falluja, conhecida por ter sido palco de sangrentos conflitos durante a ocupação americana no país. Apoiado por parte da minoria sunita do país, o EIIL tem cometido ataques diários contra a população xiita para desestabilizar o governo do primeiro-ministro Nuri al-Maliki. As autoridades calculam que o EIIL tenha cerca de 2.000 combatentes lutando dentro do Iraque, e sua área de atuação passou a incluir também a Síria. No Iraque, o principal objetivo dos extremistas do EIIL seria estabelecer uma base de operações na capital Bagdá, que seria controlada pelo terrorista Abu Bakr al-Baghdadi. Já na Síria os jihadistas lutam para derrubar o regime do ditador Bashar Assad e enfraquecer as forças rebeldes que contam com o apoio do Ocidente. Outras ações lideradas por guerrilheiros também foram registradas no Iraque nesta segunda-feira. Uma bomba detonada em uma estrada na cidade de Mosul, ao norte do país, atingiu o comboio que levava o líder sunita Osama al-Nujaifi, o porta-voz do Parlamento. Seis guardas ficaram feridos, mas al-Nujaifi saiu ileso. Em Bagdá, um médico foi encontrado morto com ferimentos de bala na cabeça e no peito apenas dois dias depois de ter sido levado por homens armados de dentro de sua casa. Já no distrito de Baya, ao sul da capital iraquiana, uma explosão próxima a um café deixou quatro pessoas mortas e onze feridos, de acordo com a polícia. Mesmo com toda essa matança, o Iraque não chega nem perto do que morre anualmente de brasileiros assassinados a bala ou faca. O regime petista é o patrocinador mundial de mortandade.

JUSTIÇA PROÍBE O PREFEITO PETISTA HADDAD DE DOAR TERRENO AO INSTITUTO LULA, DO ALCAGUETE DO DOPS PAULISTA, CONFORME ROMEU TUMA JR.

A Justiça de São Paulo proibiu nesta segunda-feira a prefeitura da capital paulista de ceder um terreno no bairro da Luz ao Instituto Lula, pertencente ao alcaguete do Dops paulista durante a ditadura militar, conforme o delegado Romeu Tuma Jr. A decisão, de caráter liminar, foi do juiz Adriano Marcos Laroca, da 12ª Vara da Fazenda Pública. Ele estipulou multa de 500.000 reais por dia em caso de descumprimento. A prefeitura planejava inaugurar no espaço um memorial para abrigar o acervo do petista. Após ouvir a gestão Fernando Haddad (PT), o juiz determinou que a prefeitura não assine o contrato de cessão com o Instituto Lula, nem libere a ocupação do terreno. Por determinação de Laroca, a prefeitura também deverá fiscalizar o local, para que o espaço não seja invadido. O juiz entendeu que a cessão de um terreno público a uma entidade privada “exige prévia licitação”. “Existe enorme risco de que o imóvel público concedido ao instituto-réu, para a instalação do memorial da democracia, seja utilizado preponderantemente para a promoção pessoal do ex-presidente Lula e de seu partido (PT), já que ele continua com sua atividade político-partidária”, anotou na decisão. “A instalação de memorial com acervo privado apenas de um presidente, Lula, fere os princípios da igualdade, da democracia, da impessoalidade e da publicidade”, argumentaram os promotores Valter Foleto Santin e Nelson Luís Sampaio de Andrade. A cessão do terreno à entidade que promove o ex-presidente Lula, alcaguete do Dops paulista e delator de companheiros para a repressão durante a ditadura militar, foi aprovada por lei municipal em maio de 2012, por iniciativa da gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), atualmente aliado do PT no governo federal. Os promotores de Defesa do Patrimônio Público e Social, autores da ação civil pública, sustentaram no processo que a motivação de Kassab foi “eleitoreira”. Laroca acatou a argumentação do Ministério Público. O juiz escreveu que a doação do terreno “no momento político-partidário de reconhecimento nacional do recém-criado PSD, quando o então prefeito buscava aproximação política com o PT, revela o patrimonialismo ou neopatrimonialismo do Estado brasileiro”. O juiz também considerou uma “ofensa à moralidade pública” a concessão do imóvel de quatro mil metros quadrados, avaliado pelo Ministério Público em 20 milhões de reais, quando a prefeitura alega “escassez de recursos”, e a maior parte dos serviços públicos são de “péssima qualidade”. O terreno na Rua dos Protestantes, região central da cidade, ficaria cedido ao Instituto Lula por 99 anos.

À SUA MANEIRA, A MORTE DE SANTIAGO ANDRADE FOI CUIDADOSAMENTE PLANEJADA. OU: UM VIDEO COM ESTRELA GLOBAIS E UM JUIZ QUE EXALTA A TÁTICA BLACK BLOC, QUE MATOU O CINEGRAFISTA

Como eu sou contra a censura; como eu me oponho ao cerceamento da imprensa; como eu acho que estamos lidando com fascistas asquerosos, que odeiam a liberdade, eu vou lembrar todos aqueles que ajudaram a criar o clima que resultou na morte de Santiago Andrade.

No dia 28 de outubro, escrevi um post sobre a convocação que descoletesglobais e outros faziam para novos protestos no Rio. Vejam no arquivo quantas vezes este cão danado aqui apontou que, em Banânia, artista é tratado como pensador — e, infelizmente, muitas vezes, pensadores anseiam a fama de artistas. Os que deveriam buscar aplausos querem ser reconhecidos como filósofos, e alguns “filósofos”, por sua vez, só querem ser aplaudidos…
Abaixo, há um vídeo em que alguns rostos muito conhecidos, outros menos, convocam a população para um protesto. Assistam. Volto em seguida.
Voltei
1: Como vocês viram, um dos alvos da insatisfação é a tal “mídia”. Vocês sabem a quem pertence a agenda que, no fim das contas, criminaliza mesmo é a imprensa. Aliás, o maior “grupo de mídia” do país são as Organizações Globo, que detêm concessões de TV aberta, por assinatura e de rádio, jornal, revista etc. Assina a carteira de trabalho de boa parte dos bacanas. Isso não quer dizer que não possam e não devam dizer o que pensam e discordar. Mas, então, que deem nome aos bois. Qual “mídia” trata de modo inadequado os “manifestantes”? Como sabe toda gente, ao contrário do que se anuncia acima, A IMPRENSA TEM SE NEGADO A CRIMINALIZAR ATÉ MESMO OS CRIMINOSOS.
2: Quem não faz a distinção entre manifestantes e bandidos são os atores globais e os outros dois ou três que se manifestam. Notem:
a) não há uma só palavra de censura às depredações;
b) a polícia é vista como a única responsável pelos confrontos;
c) pessoas detidas depredando a cidade são chamadas de “presos políticos”.
3: Uma jovem chamada Bianca Comparato — nunca vi, mas parece ser atriz —, aos 3min23s, defende, as palavras fazem sentido, o quebra-quebra. Transcrevo sua fala (em vermelho):“[órgãos de imprensa] só reportam o que é que foi quebrado, o que foi destruído. E eu também acho que tem de parar para pensar o que é que está sendo destruído. São casas de pessoas, como (sic) a polícia joga uma bomba de gás dentro de um apartamento? Não! São lugares simbólicos”.
Nunca vi a PM jogando bombas de gás dentro de apartamentos, mas Bianca viu. Ok. Mas isso não é o mais importante. É evidente que ela está defendendo a ação de destruição dos black blocs, mas só a dos “lugares simbólicos”. Do quê? Que eu saiba, quebram bancos, lojas, prédios públicos, praças, estações de trem, de metrô… Lugares simbólicos da civilização?
4: Algumas estrelas do vídeo merecem breves considerações:
a) Wagner Moura, hoje, é o líder dos engajados no Brasil. Tornou-se uma espécie de garoto-propaganda do PSOL, em especial da linha freixista (de Marcelo Freixo);
b) Marcos Palmeira é genericamente a favor de coisas boas, belas e justas, especialmente as ligadas à natureza. Foi uma das estrelas daquele vídeo patético contra Belo Monte. Palmeira sabe como cuidar da questão energética brasileira e, como se vê, é um profundo pensador da democracia. Eduardo Campos o quer como candidato ao governo do Rio pelo PSB.
c) Camila Pitanga é militante petista e garota-propaganda da Caixa Econômica Federal, em especial do programa Minha Casa Minha Vida. Já está engajada na candidatura de Lindbergh Farias ao governo do Rio.
No dia 17 de junho, no Rio, aconteceu isto aqui, vejam:
Os “artistas”, evidentemente, não disseram uma só palavra de censura ao comportamento dos manifestantes. Linchar policias pode. Mas o silêncio não é o mais grave. No vídeo que convoca um novo protesto, a violência dos vândalos não só é negada como chega a ser bem-vista e estimulada por uma das participantes. Se quem editou as falas manteve a de Bianca Comparato e se todos concordam com o produto final, então é evidente que a endossam. Eu sou, claro!, um rottweiler feroz. Mansas são as pessoas que acham que “destruir lugares simbólicos”, num protesto, é coisa de gente que só quer um país melhor.
Um juiz na turma
Há algo ainda mais escandaloso no vídeo acima. Ali está também um juiz, conforme contei aqui no dia  30 de outubro: 
Aqui está ele.
juiz manifestação
A personagem em questão é o juiz João Damasceno, da 1ª Vara de Órfãos e Sucessões, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Tento de novo: temos um juiz, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que participa de um vídeo que convoca manifestações e que acolhe as ações dos black blocs, que, afinal de contas, só depredam o que tem de ser mesmo depredado, segundo se entende….
O juiz Damasceno pertence a tal entidade “Associação Juízes para a Democracia”, como se fosse possível haver uma outra, em que juízes fossem contra a democracia. Esse grupo, declaradamente de esquerda (e sabemos como países socialistas foram verdadeiros reinos de justiça) tem noções muito particulares de direito. Já entrei em alguns embates com eles aqui. Um de seus membros resolveu que, se me ofendesse bastante, elucidaria os absurdos escritos num documento da entidade.
Não pensem que Santiago Andrade morreu por acaso. À sua maneira, essa morte foi cuidadosamente planejada. Por Reinaldo Azevedo

MORRE A EX-VEDETE VIRGINIA LANE

Morreu na tarde desta segunda-feira, aos 93 anos, a ex-vedete Virgínia Lane. A causa da morte foi falência múltipla dos órgãos. Ela estava internada desde o dia 2 de fevereiro no CTI do Hospital São Camilo, em Volta Redonda (RJ). Virgínia foi internada devido a uma grave infecção urinária. No dia 6, o estado de saúde da ex-vedete piorou. De acordo com a filha dela, Marta, a mãe também estava com uma secreção nos dois pulmões e pressão arterial muito baixa. O velório será realizado em duas partes. A primeira acontece na Câmara Municipal de Piraí, na Rua Doutor Luiz Antônio Garcia da Silveira, nº 16, em Volta Redonda. Por volta das 11 horas desta terça-feira, o corpo segue para o Rio de Janeiro, onde será velado no Teatro João Caetano, na Praça Tiradentes. O enterro será no fim da tarde, no Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária. Virgina Lane nasceu em 1920, no bairro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Aos 15 anos estreou no Cassino da Urca e, aos 18, já atuava no cinema. O auge de sua carreira foi na década de 1950. Ela participou de 32 filmes e dezenas de peças no teatro de revista. Aos 34 anos estourou nas rádios com a música "Sassaricando" e recebeu a faixa de Vedete do Brasil das mãos do presidente Getúlio Vargas. As vedetes eram figuras populares nos teatros de revista. Além de desfilar roupas curtas, elas se sobressaíam nas apresentações. Virgínia foi casada duas vezes. Em 1970, com o segundo marido, passou a morar em um sítio em Piraí (RJ), onde fixou residência. Mesmo depois dos 80 anos, a ex-vedete deixava expostas, em eventos públicos, as pernas já consideradas as mais belas do Brasil.

NÍVEL DE BARRAGEM DO SISTEMA CANTAREIRA CAI A 19,6%

Com os reservatórios no nível mais baixo desde 1974, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) contratou, na semana passada, a empresa ModClima para fazer chover em reservatórios do Sistema Cantareira. Após cinco tentativas, porém, foram registradas apenas duas precipitações - insuficientes para elevar o nível dos reservatórios do sistema, cujo volume caiu, nesta segunda-feira, a um patamar inferior aos já preocupantes 20% - 19,6%, informa a Sabesp. Só na represa de Jaguari, que integra o Sistema Canteira, o nível de armazenamento chegou a 15,32%. Apesar dos níveis preocupantes, a Sabesp afirma que, no momento, não há risco de racionamento na capital paulista. O processo de "fazer chover" é relativamente simples: um avião solta gotículas de água na base das nuvens. As gotas ganham volume e, quando estão pesadas o suficiente, a chuva localizada acontece. Segundo a empresa, o processo faz chover de 5 a 40 milímetros. O tempo de abastecimento das nuvens dura entre 20 e 40 minutos. A ação é uma tentativa de amenizar a estiagem - desde que tiveram início as medições oficiais, nunca choveu tão pouco no Estado de São Paulo. O período de chuvas responsável por encher as represas se estende entre outubro e março. De outubro de 2013 até agora, porém, o total de precipitações ficou muito abaixo do esperado - para se ter uma ideia, os meses de dezembro e janeiro quebraram recordes de falta de chuva. Em dezembro, choveu o equivalente a 62 milímetros, quando a média histórica para o mês é de 226 milímetros. No mês passado foi registrado o pior índice em 84 anos: 87,8 milímetros, ante uma média histórica de 260 milímetros. Já em fevereiro, o total acumulado de chuva chega aos míseros 2 milímetros em todo o sistema. Apenas 1.090 milímetros de chuvas foram registrados nas quatro represas do Sistema Cantareira – Jaguari, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro – em 2013. A média histórica anual é de 1.566 milímetros.

CÂMARA DOS DEPUTADOS FORMALIZA RENÚNCIA DO DEPUTADO FEDERAL BANDIDO MENSALEIRO JOÃO PAULO CUNHA

O deputado federal Gonzaga Patriota (PSB-PE) leu nesta segunda-feira, no plenário da Câmara dos Deputados, a carta em que o deputado bandido petista mensaleiro João Paulo Cunha renuncia ao seu mandato. A medida foi tomada para evitar o desgaste ao PT de ter de enfrentar o processo de cassação votado abertamente pela Casa. Os benefícios parlamentares são cortados e o suplente será convocado imediatamente para a vaga. De acordo com a Secretaria-Geral da Câmara, com a renúncia do bandido petista mensaleiro João Paulo Cunha, a deputada Iara Bernardi (PT-SP), que atualmente está na Casa como suplente, passa a ser a titular da vaga. Para o lugar da deputada será diplomado como suplente o ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gustavo Petta (PCdoB-SP), cunhado do ex-ministro e atual vereador de São Paulo Orlando Silva (PCdoB). Com a renúncia do bandido mensaleiro petista João Paulo Cunha, condenado a nove anos e quatro meses de prisão no processo do Mensalão do PT, serão cortados o salário e as verbas de gabinete do deputado; os funcionários que trabalhavam para o mensaleiro serão dispensados, e a família do petista terá um mês para deixar o apartamento funcional em Brasília. Na última sexta-feira, emissários do bandido petista mensaleiro João Paulo Cunha entregaram à Câmara a carta de renúncia do parlamentar. Ele teve a prisão decretada na semana passada e, a exemplo dos outros três deputados condenados no Mensalão do PT, apresentou documento oficializando o desligamento do cargo. No texto, o parlamentar disse ter “consciência de dever cumprido” e citou o escritor cubano Leonardo Padura: “A dor e a miséria figuram entre aquelas poucas coisas que, quando repartidas, tornam-se sempre maiores”. Quando surgiram as denúncias do escândalo do Mensalão do PT, em 2005, o bandido petista mensaleiro João Paulo Cunha enfrentou processo de cassação, mas os deputados contrariaram parecer do Conselho de Ética e o consideraram inocente em votação no plenário. O episódio não teve impacto nas urnas, e o petista conseguiu a reeleição em 2006 e em 2010. Isto é para se ter idéia de como os eleitores brasileiros são canalhas. A condenação pelo Supremo Tribunal Federal, porém, destruiu suas mais recentes pretensões eleitorais, e ele teve de abdicar da candidatura a prefeito de Osasco (SP) no meio da disputa.

O DIA EM QUE O APRESENTADOR DE UM TELEJORNAL DA BAND DEFENDEU A TÁTICA BLOCK BLOC, QUE É A DE QUEBRAR TUDO

Já escrevi a respeito e volto ao tema porque, até onde sei, o jornalista em questão não se desculpou. Há pouco mais de um ano e meio, o jornalista Ricardo Boechat, que apresenta o “Jornal da Band” desde 2006, concedeu uma entrevista a um site chamado “Pato com Laranja”. Não sabia da sua existência. Alguns leitores mandaram o link, e, claro!, nestes dias, o vídeo está vendo visto como nunca. É bastante impressionante mesmo. Transcrevo trecho do que ele diz:

“(…) Essa realidade vai mudar (…) se a população atacar, partir pro contra-ataque. Eu sou favorável a arranhar carro de autoridade, eu sou favorável a jogar ovo, eu sou favorável a revolta, a quebra-quebra, o c..lho. ‘Ah, isso é vandalismo!’ Vandalismo é o cacete! Vandalismo é botar as pessoas quatro horas na fila das barcas todo dia (…) Vandalismo é tu roubar feito um condenado o dinheiro público (…).”
O vídeo está aqui. Volto em seguida.
Voltei
O que vocês querem que eu diga?
Um ano e oito meses depois, os métodos preconizados por Boechat estão nas ruas. Ele estava, então, segundo diz, com 60 anos. Não se tratava de um rompante juvenil. Não vi e não verei como ele está noticiando no jornal que ancora os eventos que estão aí . Não vi e não verei como ele noticiou a morte de Santiago Andrade.
Um leitor ou outro enviaram o link para a área de comentários deste blog na linha “é isso mesmo! Que cara corajoso!” Não serão publicados! O nome disso não é coragem. Boechat não foi visto depredando nada por aí. Deve achar, suponho, que isso é uma tarefa dos oprimidos, das pessoas que passam pelos perrengues que ele descreve. Defender a violência quando só os outros — depredadores e policiais, que também são pobres — correm riscos é a expressão mais acabada da covardia.
Em qualquer país do mundo em que práticas assim se generalizam, o que se tem é morte em penca. Porque isso não é política, mas a guerra de todos contra todos. Ele já me atacou uma vez de forma boçal porque afirmei que Niemeyer era metade gênio e metade idiota. Respondi. À época, boa parte da esquerda xucra reproduziu o ataque que ele dirigiu contra mim.
É espantoso que, sendo uma figura pública, tenha concedido essa entrevista. Se, depois, se retratou, ignoro. Mas sempre é tempo. Se não o fizer, é sinal de que continua a achar que é por aí que se muda o Brasil.
A prática que ele exaltou resultou na morte de Santiago Andrade, da Band, a emissora que apresenta o jornal que ele ancora. Peço um favor: essa história já tem irracionalidade demais. Nos comentários, torçam apenas para que ele tenha recobrado a razão. Por Reinaldo Azevedo

A ILEGALIDADE ESCANCARADA DO MAIS MÉDICOS E O TRÁFICO DE CARNE HUMANA

Já havia escrito algumas vezes aqui, como vocês sabem, e agora o procurador Sebastião Caixeta, do Ministério Público do Trabalho, confirma: os contratos celebrados pelo governo para o programa “Mais Médicos” são ilegais. Segundo ele diz, sacrificam “valores constitucionais”. É preciso ficar claro: ele aponta ilegalidades no conjunto da obra, não apenas nas relações com os cubanos. Nesse caso, obviamente, há o agravante de os médicos não receberem diretamente o salário. Os R$ 10 mil mensais por médico são repassados para a Organização Pan-Americana de Saúde, a tal Opas, que transfere o dinheiro para a ditadura cubana. O regime dos irmãos Castro, então, paga a cada um de seus escravos algo em torno de US$ 400. Escárnio: o pagamento é executado pela própria embaixada de Cuba no Brasil. É como se os cubanos, em nosso país,, estivessem submetidos apenas às leis vigentes naquela ditadura.

O inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público em agosto do ano passado, mas estava parado. A deserção da médica cubana Ramona Rodriguez reacendeu a questão. A propósito: outro cubano caiu fora. Trata-se de Ortélio Jaime Guerra, que já conseguiu fugir para os EUA. O MP não tinha tido nem mesmo acesso aos contratos porque a Opas alegava confidencialidade. Ficamos sabendo de outra coisa escabrosa: eles eram assinados com uma tal “Sociedade Mercantil Cubana – Comercialização de Serviços Médicos”, um troço de que ninguém ouvira falar. Até o nome da empresa lembra tráfico de escravos.
Já lhes falei aqui a respeito certa feita e volto ao tema. O trabalho rural, por exemplo, está disciplinado pela Norma Regulamentadora nº 31. Ela estabelece, prestem atenção!, DUZENTAS E CINQUENTA E DUAS EXIGÊNCIAS para se contratar um trabalhador rural. Pequeno ou médio proprietário que tiver juízo não deve contratar é ninguém. O risco de se lascar ainda que numa prestação temporária de serviços é gigantesco! 
Se um empregado é contratado para trabalhar numa plantação de café, por exemplo, e, por alguma razão, o dono da propriedade o transfere para cuidar do jardim e do gramado da sede da fazenda, isso só pode ser feito mediante exame médico aprovando a sua aptidão para o novo trabalho. A depender do humor do fiscal, o descumprimento de qualquer uma das 252 exigências pode render uma infração por “trabalho análogo à escravidão”. E o proprietário rural está lascado. Entra na lista negra do crédito, expõe-se ao pedido de abertura de inquérito pelo Ministério Público e pode, no limite, perder a propriedade.
Estou dizendo com isso, leitores, que o trabalho formal no Brasil obedece a uma legislação rigorosa — uma das mais rigorosas do mundo. Por que seria o governo a promover flagrantes ilegalidades no caso do Mais Médicos? Já está mais do que claro que não se trata de programa de bolsa ou de aperfeiçoamento coisa nenhuma! Ramona mesmo passou por ridículos dois dias de treinamento. Na entrevista que concedeu, deu para perceber que nem mesmo fala português — a exemplo da esmagadora maioria dos cubanos. Dominar a nossa língua era um dos pré-requisitos para o trabalho. Convenham: nem sempre a comunicação entre as várias regiões do próprio Brasil é tranquila. Imaginem o que anda a acontecer por esses rincões na relação com os cubanos.
Os petistas tentam fugir do tema como o diabo da cruz. O deputado Mendonça Filho (PE), líder do DEM na Câmara, já pediu audiência a Maria do Rosário, da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos. Até agora, nada! Solicitou também um encontro com Eleonora Menicucci, ministra das mulheres. Ela está muito ocupada e só marcou a conversa para o dia 18.
Vamos ver. O Ministério Público do Trabalho pedirá ao governo que ajuste a sua conduta. No caso dos cubanos, a coisa é muito complicada. É preciso ficar claro que a ilha dos irmãos Castro faz tráfico de gente, de pessoas, de carne humana. Seus médicos se transformam em fonte de divisas para o governo dos tiranos.Por Reinaldo Azevedo

ENTERRO DO CINEGRAFISTA SANTIAGO ANDRADE, DA REDE BANDEIRANTES, ASSASSINADO PELOS BLACK BLOCS, SERÁ NESTA TERÇA-FEIRA; FAMÍLIA DOOU SEUS ÓRGÃOS PARA TRANSPLANTES QUE JÁ COMEÇARAM A SER FEITOS

O corpo do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, da TV Bandeirantes, que morreu nesta segunda-feira, no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, aos 49 anos, será sepultado nesta terça-feira. Ferido por um rojão lançados por assassinos terrorristas dos Black Bloc, quando cobria uma manifestação a semana passada, no centro do Rio de Janeiro, ele teve morte cerebral confirmada nesta segunda-feira pela Secretaria Municipal de Saúde. Ele estava internado no Centro de Tratamento Intensivo do hospital, onde foi submetido a cirurgia para diminuir a pressão causada pelo afundamento do crânio, mas, no último fim de semana, seu estado se agravou. Os órgãos do cinegrafista já foram retirados para doação, conforme autorização dada pela família do jornalista. Até o momento, foi confirmada a doação do fígado para um paciente da cidade do Rio de Janeiro.

NÍVEL DE RESERVATÓRIOS DO SUDESTE E CENTRO-OESTE É O MENOR EM 13 ANOS

Com previsões ainda pouco animadoras para chuvas, o nível do reservatório de água do subsistema Sudeste/Centro Oeste, que responde por 70% da geração de energia do País, é o menor em mais de 13 anos para meses de fevereiro. O patamar de 37,6% visto no último domingo, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), está abaixo do dia mais preocupante de fevereiro do ano passado, quando os reservatórios estavam com capacidade de armazenamento de apenas 37,89%. Ele também está quase encostando no fechamento do mesmo mês de 2001. Não há dados diários no sistema do ONS sobre fevereiro de 2001, ano em que houve racionamento de energia elétrica, mas no fechamento do mês, o patamar dos tanques estava em 33,45%. É possível que, se o regime das chuvas demorar ainda mais a chegar e o calor continuar evaporando a água dos reservatórios, este ano bata um novo recorde mínimo para o as reservas de água. Em 10 de janeiro de 2013, o nível do SE/CO chegou a 28,31%. Em meados de 2001, chegou a menos de 26%. Em um cenário de poucas chuvas e consumo de energia batendo recordes, o  Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência nos contratos de energia para o período de 8 a 14 de fevereiro, continua no maior patamar histórico: 822,83 reais por megawatt-hora (MWh). Segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), "a manutenção da conjuntura hidrológica verificada na primeira semana de fevereiro fez com que o Custo Marginal de Operação (CMO) dos submercados Sudeste e Sul permanecesse em valores acima do preço máximo em todos os patamares".

PROCURADOR OUVE MÉDICA CUBANA E DIZ QUE PROGRAMA DO GOVERNO PETISTA DE DILMA ROUSSEFF "SACRIFICA" VALORES CONSTITUCIONAIS

Após tomar o depoimento da médica cubana Ramona Rodriguez nesta segunda-feira, o procurador do Trabalho Sebastião Caixeta afirmou que o programa federal Mais Médicos “sacrifica” as relações de trabalho e foi “desvirtuado” para suprimir a falta de profissionais nos rincões do País. A lei que criou o Mais Médicos, sancionada em outubro do ano passado, carrega a bandeira de profissionalização dos participantes, o que justificaria a ausência de direitos trabalhistas e a remuneração em formato de bolsa. Diz a lei: “O programa visa aprimorar a formação médica no País e proporcionar maior experiência no campo de prática médica durante o processo de formação”. Para o procurador, apesar de tentar afastar as relações trabalhistas, o Mais Médicos tem todas as características de um emprego formal. “O que nós constatamos é que ao se suprimir a necessidade de médicos no País, há o desvirtuamento genuíno das condições de trabalho”, disse Caixeta. “Esse projeto está sendo implementado de maneira a sacrificar outros valores constitucionais que também são caros, como os da relação de trabalho". Ramona, que há uma semana abandonou o programa federal, afirmou ao procurador que, apesar de integrar o programa desde outubro, somente em meados de janeiro foi submetida a um curso de especialização – em duas sextas-feiras. Ramona disse ainda desconhecer o médico responsável pela “supervisão profissional”, conforme previsto em lei. Para Caixeta, o fato de ter passado por um curso não descaracteriza a relação trabalhista, já que a médica trabalhava oito horas por dia, com pausa de duas horas para almoço. O depoimento de Ramona integrará inquérito civil público instaurado em agosto do ano passado pelo Ministério Público do Trabalho. O procurador vai pedir ao governo federal a correção das ilegalidades do programa, como a diferença salarial entre os cubanos e demais participantes e a falta de garantias trabalhistas – férias e 13º salário. Além disso, Caixeta também quer que a União pague os profissionais vindos de Cuba em relação à diferença salarial – enquanto todos os participantes recebem 10.000 reais mensais, os cubanos ganham 400 dólares, cerca de 1 000 reais, conforme mostrou a cubana Ramona Rodriguez. O documento deve ser concluído até o fim deste mês. Caixeta afirma ter tentado acesso ao contrato entre cubanos e a Organização Panamericana de Saúde (Opas) – órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS) que, segundo o governo brasileiro, intermediou a vinda dos profissionais de Cuba –, mas que não conseguiu sob a alegação de que há uma “cláusula de confidencialidade exigida pelo governo de Cuba”.

ASSASSINOS E TERRORISTAS VAGABUNDOS DOS BLACK BLOC MANIFESTAM "CONDOLÊNCIAS" PELO ASSASSINATO DO CINEGRAFISTA SANTIAGO ANDRADE E CONVOCAM NOVO "PROTESTO" NA CENTRAL DO BRASIL, NO RIO DE JANEIRO

Para o Black Bloc, o assassinato do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade, causado por um rojão lançado por um mascarado na última quinta-feira, é tratado como um acidente de percurso, ou mero efeito colateral da “causa”. Em uma nota de condolências publicada no fim da manhã, um integrante do grupo, na página “Black Bloc RJ”, manifesta solidariedade à família de Andrade, em uma frase. Em seguida, cita “dois protestantes” (sic) mortos pela polícia e “milhares de famílias de mortos pela polícia”. Sem assumir ou citar a ação que vitimou o cinegrafista – apesar da confissão de um dos envolvidos, o tatuador Fábio Raposo, que entregou o artefato explosivo ao homem que o detonou – o comunicado do Black Bloc critica a atenção dada ao caso. “Quero deixar minhas condolências a este país, por seu povo ignorante e alienado que agora discute um caso isolado como se fosse o todo desta questão”, conclui o texto, que ignora um aspecto da morte de um inocente: para a família de Andrade, e de cada vítima de qualquer guerra, cada caso isolado é também toda a questão. Os mascarados assassinos estavam empenhados no momento na convocação de uma nova manifestação, programada para as 18 horas desta segunda-feira, com concentração no Largo ao Lado do Panteão Duque de Caxias, junto à Central do Brasil – local onde o cinegrafista foi atingido na cabeça por um rojão adaptado, segundo indicam as investigações da Polícia Civil. Na página do grupo “Anonymous Rio”, na qual foi publicado um manual de guerrilha no ano passado, também há uma nota na qual os participantes dizem estar “muito chateados” com a morte de Santiago Andrade – também em uma linha. A frase seguinte cobra explicações sobre a morte de um homem, por atropelamento, no mesmo dia da explosão que feriu gravemente o cinegrafista na cabeça.

CÂMARA DOS DEPUTADOS REJEITA SESSÃO SECRETA PARA CASSAR O PARLAMENTAR BANDIDO E PRESIDIÁRIO NATAN DONADON

Depois do vexame protagonizado no ano passado, quando legitimou a figura do primeiro deputado presidiário do País, a Câmara rechaçou nesta segunda-feira o pedido do deputado federal Natan Donadon (RO) para votar seu novo processo de cassação de mandato em sessão secreta. O advogado Marcus Gusmão, que defende o congressista-detento, alegava que a deliberação sobre a perda do mandato de Donadon deveria ocorrer em votação secreta porque quando a representação por quebra de decoro foi protocolada, em setembro, a regra previa votação sigilosa para cassações. Pelo entendimento de Henrique Alves, não há violação constitucional no fato de modificar os critérios de votação de processos de quebra de decoro, como é o caso de Donadon. “Normas jurídicas de natureza processual possuem aplicabilidade imediata e colhem os processos em curso no estado em que se encontram”, disse o presidente da Câmara em despacho encaminhado à defesa do deputado. Com a decisão da cúpula da Câmara, Donadon deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal para tentar votação secreta em seu processo de cassação. A sessão em que os deputados vão selar o destino do congressista está agendada para a noite de quarta-feira. As votações de processos de quebra de decoro eram feitas por meio de voto secreto, uma histórica ferramenta para “salvar” aliados e os livrar da perda de mandato. Pressionados pelas manifestações populares do ano passado, porém, deputados e senadores acabaram com o sigilo das votações para processos de cassação. Em agosto do ano passado, o plenário da Câmara chegou a absolver o deputado no processo de cassação aberto após o Supremo Tribunal Federal ter confirmado pena de mais de treze anos de cadeia para o parlamentar. Depois do episódio, que culminou com a esdrúxula figura do deputado-presidiário, o PSB protocolou nova representação, desta vez no Conselho de Ética da Câmara, para forçar a rediscussão do caso do deputado.

ELES QUERIAM MATAR SANTIAGO ANDRADE? NÃO. ERA PIOR: QUERIAM MATAR QUALQUER UM

À medida que o cerco dos fatos vai se fechando, a narrativa vai mudando, certo? Fábio Raposo, o rapaz que está preso, havia concedido uma entrevista à GlobNews em que afirmara que não tinha a menor ideia de quem era rapaz a quem ele passou o morteiro. Na sua versão, encontrou o troço no chão e passou para o outro. Mas nunca o tinha visto — até porque, ora vejam, ele estava mascarado.

Sei, sei… Já disse aqui o quanto vale essa versão: uma nota de R$ 3. Agora seu advogado afirmou que, numa conversa privada, seu cliente afirmara que teria condições de identificar o outro rapaz, em razão de um amigo comum. Entendi. Existe um amigo comum, embora ele não saiba quem é o outro. Rapidamente, chegou-se ao nome do rapaz, que já foi passado à polícia.
O advogado dá a entender que teria tentando convencer o sujeito que acendeu o artefato a se entregar, mas parece que ele não topa. Tentou? Mas houve ou não conversa? Não sei por quê, mas fico cá com uma pulga atrás da orelha a me dizer que estamos falando de um grupo de pessoas que se conhecem. E a tal “Sininho”, a jovem que se apresentou ao advogado oferecendo criminalistas para cuidar do caso? Segundo ele, a moça o fez em nome do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), a quem um dos assassinos seria ligado — o que o parlamentar nega, ameaçando com a “justiça burguesa” os que sugerirem o contrário. Cuido de Freixo já, já.
Não, não! A morte do cinegrafista Santiago Andrade não se deveu a uma inconsequência, a um acidente. Ela foi criminosamente planejada. “Para matar Santiago especificamente?” Não! De certo modo, é coisa pior: era para matar qualquer um. Por Reinaldo Azevedo

E FREIXO, HEIN? ELE AMEAÇA OS CRÍTICOS COM A "JUSTIÇA BURGUESA", MAS TUDO ESTÁ MAL EXPLICADO. OU: O LIDER DOS SOCIALISTAS DE DE COPACABANA, LEBLON E IPANEMA


Caetano, Freixo e Chico: eles sabem o que é bom para o Brasil
Caetano, Freixo e Chico: eles sabem o que é bom para o Brasil
Já disse uma quinhentas vezes que o fato de o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) ter combatido as milícias não faz dele, a meu juízo, um, como vou chamar?, esteio da democracia brasileira. De jeito nenhum! Seu partido, ao contrário, odeia certos rituais do regime democrático. Vejam como essa gente, por exemplo, tiraniza estudantes nas universidades públicas. Vejam o que a turma fez na reitoria da USP. Vejam como misturam dinheiro de sindicato com verba de campanha. O comportamento da legenda na greve dos professores foi asqueroso. Pois é… Conversa vai, conversa vem, e o nome de Freixo — o queridinho dos socialistas com vista para mar de Ipanema, Leblon e Copacabana — aparece nessa história sórdida, que resultou na morte de Santiago Andrade.
O Fantástico levou ao ar neste domingo a reportagem. A tal da militante “Sininho” (Elisa Quadros; ela acha que a imprensa é composta de “carniceiros”…) procurou o advogado de Fábio Raposo para oferecer criminalistas — e disse que o fazia em nome de Marcelo Freixo, o queridinho de Caetano Veloso, de Wagner Moura, de Chico Buarque e de outros deslumbrados do miolo mole que deveriam se ater a seu ofício — ou, então, estudar um pouco. A moça também teria dito que o rapaz que acendeu o pavio é ligado ao deputado.
Freixo nega. Ameaça quem insistir na hipótese com os rigores da Justiça que seu partido considera “burguesa” — mas isso é compreensível: Lênin já recomendava que seu partidários se aproveitassem das brechas oferecidas pelo regime com o qual eles queriam acabar.
Pois é… Não vou incriminar ninguém sem os devidos elementos. Freixo poupe a “Justiça burguesa” de aborrecimentos. O que conheço é o discurso do partido ao longo desses meses. Jamais o vi a condenar a violência de maneira clara e inequívoca. Ao contrário: os psolistas e afins sempre viram nesses protestos uma espécie de forçada de mão à esquerda, um movimento progressista…
O PSOL, o partido de Freixo, promoveu manifestações em parceria com os black blocs por intermédio do sindicato dos professores, durante a greve. E todos, no Rio, conhecem essa parceria. O PSOL era um dos comandantes do protesto contra o reajuste na passagem. Antes do quebra-quebra, seus partidários marcharam ao lado dos black blocs.
Quem é que anda com bandidos mascarados em nome da paz? Quando se levantou a hipótese de o acendedor do estopim ser ligado a Freixo, o deputado veio a público com suas ameaças. Certo! Teve mais uma chance, em rede nacional, de condenar a violência. Não o fez. Aproveitou o espaço que lhe deram para, uma vez mais, atacar a polícia. Eis Marcelo Freixo. Por Reinaldo Azevedo

E AQUELA FOTO, CAETANO BLACK BLOC VELOSO?

Outros não vão lembrar por delicadeza, afinidades eletivas, gosto estético, sei lá o quê. Eu vou. Vou porque os que se expõem publicamente sobre questões púbicas têm de arcar com suas responsabilidades. E esta foto?

 Caetano black bloc
Sim, é Caetano Veloso fantasiado de black bloc, surfando, como é de seu feitio. Sim, é claro!, ele, a exemplo de tantos outros que ou se calaram ou estetizaram a violência, não têm nada com isso, certo? As coisas são assim: a violência e o mal vão se banalizando, alguns vão pegando carona, as tragédias acontecem, dão de ombros  e tudo bem…Até agora, Caetano Veloso não de desculpou por aquela foto. Usou a sua coluna no Globo para tentar me desqualificar uma vez ou outra, mas nada de dizer o óbvio: “Fiz bobagem!” Espero que peça perdão à família de Santiago. Por Reinaldo Azevedo

EX-GOVERNADOR TUCANO DIZ QUE "NÃO SABIA" E QUER MESMO TRATAMENTO DADO AO EX-PRESIDENTE LULA, O ALCAGUETE DA DITADURA MILITAR, CONFORME TUMA JR.

O ex-governador e deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) afirma que é tão inocente no caso do Mensalão mineiro quanto o ex-presidente Lula é, em sua opinião, no rumoroso caso do Mensalão petista."Minha situação é semelhante à do Lula. Ele foi presidente e houve problema no Banco do Brasil. Corretamente, não foi responsabilizado", afirmou: "Eu também não posso ser responsabilizado". Azeredo é acusado de ter autorizado o desvio de R$ 3,5 milhões (cerca de R$ 9,3 milhões em valores atualizados) do banco estatal Bemge e de duas empresas públicas para um esquema organizado para financiar sua campanha à reeleição como governador de Minas Gerais, em 1998. Na última sexta-feira, a Procuradoria-Geral da República pediu 22 anos de prisão para Azeredo, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal pelos crimes de peculato (desvio de recursos públicos) e lavagem de dinheiro. Azeredo diz que não autorizou os repasses que alimentaram o caixa de sua campanha eleitoral e não pode ser responsabilizado por isso. Para ele, a Procuradoria não levou em consideração as provas do processo. "Sou absolutamente inocente", disse. No caso do mensalão petista, que distribuiu milhões de reais a políticos que apoiaram o governo Lula, o STF concluiu que o esquema foi alimentado por empréstimos bancários irregulares e recursos controlados pelo Banco do Brasil no fundo Visanet. Lula, o alcaguete do DOPS paulista na ditadura militar, não foi denunciado pela Procuradoria e por isso não foi julgado pelo Supremo Tribunal Federal. "Ele não foi questionado pelo Visanet do Banco do Brasil", disse Azeredo. "Eu defendo o presidente Lula. Ele não tinha mesmo que ser penalizado". Ao pedir 22 anos de prisão para Azeredo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que seu papel no mensalão tucano foi "equivalente" ao do ex-ministro José Dirceu, considerado pelo Supremo o principal responsável pelo mensalão petista e atualmente preso em Brasília. Uma declaração dessas equivale quase a uma confissão. Os dois esquemas foram operados pela mesma pessoa, o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, dono de agências de propaganda que fizeram negócios com o governo de Minas Gerais e com o governo do delator Lula. Condenado por seu envolvimento com o mensalão petista, ele está preso em Brasília. Num depoimento prestado sigilosamente à Procuradoria-Geral da República perto do fim do julgamento, Marcos Valério disse que Lula sabia do esquema e deu a ele seu aval, mas a declaração recebeu pouco crédito das autoridades e não foi investigada. Para Azeredo, Janot se precipitou ao pedir a pena de 22 anos de prisão no seu caso. "Só se fixa pena depois da condenação. Se não existe condenação, não tem porque já querer fixar pena. Isso realmente me deu muita estranheza", afirmou o deputado. O ministro do STF Marco Aurélio Mello disse que essa é uma atribuição da Procuradoria: "Não é usual, mas a precisão é sempre elogiável. Não vejo extravagância". A defesa de Azeredo terá 15 dias para entregar suas alegações finais no processo. Depois, o relator do caso, ministro Luís Roberto Barroso, redigirá seu voto, que será revisado pelo ministro Celso de Mello. A expectativa no STF é que o caso seja julgado ainda no primeiro semestre.

MAIS UM MÉDICO ESCRAVO CUBANO DESERTA E ABANDONA PROGRAMA MAIS MÉDICOS

O médico cubano Ortelio Jaime Guerra é o segundo caso registrado de cubano que abandona o programa federal Mais Médicos. Assim como sua compatriota Ramona Matos Rodriguez, ele buscou os Estados Unidos como forma de não voltar a Cuba. Os Estados Unidos possuem um programa de vistos específicos para profissionais cubanos em missão no Exterior que não querem retornar à ilha. Em sua página no Facebook, o médico cubano Ortelio Jaime Guerra contou, na madrugada desta segunda-feira, ter deixado o posto em Pariqueira-Açu (SP) e já estar nos Estados Unidos. "Meus amigos de Pariqueira-Açu, eu preciso que vocês saibam que tive que ir embora de lá sem falar isso pra ninguém por questões de segurança", diz o médico na rede social, em um misto de português e espanhol. "Estou bem, agora nos Estados Unidos, e ainda que considere preciso dar este passo sempre me sentirei muito orgulhoso de minha terra e minhas raízes", postou o médico. Segundo seu perfil, ele é especialista em nefrologia, formado no Instituto Superior de Ciências Médicas de Camaguey. A secretaria de saúde da cidade paulista confirma a desistência do médico, sem dar mais detalhes. O Ministério da Saúde também confirma a saída do médico cubano do programa, mas diz ainda não ter mais informações. Estão no Brasil cerca de 7.400 médicos cubanos, vindos ao País por meio de um acordo triangulado pela organização marxista Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).

PAPARAZZO AFIRMA QUE BARACK OBAMA ESTÁ TRAINDO MICHELLE E TEM CASO COM BEYONCÉ

Um paparazzo europeu afirmou à rádio Europe 1 que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, estaria traindo a primeira-dama Michelle com ninguém menos que a cantora Beyoncé. Segundo o fotógrafo francês Pascal Rostain, os detalhes do que ele chama de “algo enorme” serão revelados na edição desta terça-feira do jornal americano The Washington Post. “Sairão amanhã no Washington Post as indiscrições”, disse o paparazzo. Obama é pai de duas filhas com Michelle e Beyoncé, casada com o rapper Jay-Z, é mãe de uma menina. Há algumas semanas, a imprensa noticiou que os casal Obama estava dormindo em quartos separados na Casa Branca, mas a informação foi prontamente negada pela assessoria. A diretora de comunicação do Washington Post, Kristine Coratti, afirmou que a informação de que o jornal estaria produzindo uma reportagem sobre o assunto é falsa. “O Post não prepara matérias desse tipo”, disse. O fotógrafo também mudou de idéia e afirmou que nunca havia dito que Obama e Beyoncé têm um caso, mas a sua declaração foi gravada. Beyoncé fez uma apresentação durante o aniversário de Michelle no final de janeiro. A situação remete ao triângulo amoroso entre John Kennedy, a então primeira-dama, Jacqueline Kennedy e a atriz Marilyn Monroe. Marilyn inclusive cantou “Happy Birthday Mr. President” de uma maneira nada convencional.

PARA SENADORA ANA AMÉLIA, ASSASSINATO DO CINEGRAFISTA SANTIAGO ANDRADE POR TERRORISTA BLACK BLOC MERECE RESPOSTA

A senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) pediu nesta segunda-feira uma resposta ao ato de violência que tirou a vida do cinegrafista da Band, Santiago Andrade. “A morte do cinegrafista do grupo Bandeirantes, Santiago Andrade, não pode ficar impune”, disse ela. Santiago foi atingido com um rojão na cabeça quando fazia imagens da manifestação contra o aumento nas passagens de ônibus do Rio de Janeiro. Nesta segunda-feira foi confirmada a morte cerebral do cinegrafista e, para a senadora, o fato tem de ser melhor apurado. “Não gostamos da Copa? Tudo bem, levante uma bandeira, faça um cartaz, diga que não gosta da Copa, mas não destrua, não violente, não fira, não mate”, reclamou. “Todos devem se manifestar, é um direito do processo democrático, mas o que não é aceitável é essa forma triste e vergonhosa. O mundo hoje vai ver essa imagem de barbarismo, de violência, que é inaceitável sob todos os aspectos”, concluiu.

DILMA QUER POLÍCIA FEDERAL, A POLÍTICA POLÍTICA DO PT, INVESTIGANDO MORTE DE CINEGRAFISTA NO RIO DE JANEIRO

Com a morte cerebral do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, decretada pelos médicos, a presidente Dilma determinou que a Polícia Federal investigue as circunstâncias da tragédia. Agora é preciso todo cuidado, porque a Polícia Federal é a polícia política do PT. Com o discurso de que é revoltante e merece punição, Dilma só esqueceu de mencionar que pouco, ou nada, aconteceu aos Black Blocs que atuaram durante o ano passado. A morte de Santiago Andrade pode servir para uma mudança de fato no tratamento dos marginais infiltrados entre os manifestantes, mas não apaga a omissão das autoridades que os deixam livres para agir.

POLÍCIA DO RIO DE JANEIRO JÁ TEM NOME DE HOMEM QUE DISPAROU ROJÃO QUE ATINGIU E MATOU O CINEGRAFISTA SANTIAGO ANDRADE

O advogado do tatuador Fabio Raposo, Jonas Tadeu Nunes, membro dos Black Blocs, entregou ao delegado titular da 17ª DP (São Cristóvão), Maurício Luciano de Almeida, o nome do homem que teria acendido o rojão que atingiu o cinegrafista da Band Santiago Andrade, de 49 anos, que teve morte cerebral na manhã desta segunda-feira. Segundo o advogado, o cliente dele disse que conhecia uma pessoa próxima ao acusado, e essa pessoa teria identificado e dado o nome do homem que aparece nas imagens com camisa cinza e suada. O advogado disse, ainda, que não falou com o acusado, mas que, através de terceiros, ofereceu seus serviços e o aconselhou a se entregar, o que foi negado. De acordo com informações da polícia, já há equipes em diligências na rua para tentar encontrar o acusado. O advogado Jonas Tadeu Nunes disse ainda, ao deixar a delegacia, que vai tentar durante a defesa de seu cliente que ele seja enquadrado no crime de lesão corporal gravíssima, seguida de morte, e não homicídio, como deve sugerir a polícia. “Quando eu fiquei sozinho com Fábio, ele me deu a indicação de uma pessoa que iria me dar a identidade do rapaz que acendeu o rojão. Eu já tenho o nome do rapaz e a identificação civil dele, mas só vou entregar para as autoridades”, disse o advogado. Ainda segundo o advogado, seu cliente disse que o rojão foi achado e que ele só conhece o autor do disparo de manifestações. Eles não foram ao ato com a intenção de usar o artefato. “Foi apenas um inconsequência, uma negligência”, afirmou o advogado. Apesar de não ter tido contato com o rapaz que acendeu o rojão, Jonas Tadeu Nunes falou com uma pessoa próxima ao suspeito, mas não quis revelar o nome do interlocutor. “Ele está muito abalado e com medo, já até pensou em suicídio”, disse. O advogado do tatuador contou ainda que está tentando convencer o manifestante a se entregar. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Raposo foi transferido, na manhã desta segunda-feira, para o Presídio Bandeira Estampa, no Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste. Ele foi indiciado por tentativa de homicídios e explosão e busca se beneficiar da delação premiada. Por Reinaldo Azevedo

ASSEMBLÉIA GAÚCHA DÁ ANDAMENTO AO PEDIDO DE IMPEACHMENT DO GOVERNADOR PETISTA "GRILO FALANTE! TARSO GENRO APRESENTADO POR JOÃO LUIZ VARGAS

O presidente da Assembléia do Rio Grande do Sul, deputado estadual Gilmar Sossela, de PDT, resolveu dar andamento aos dois pedidos de impeachment protocolados pelo ex-deputado João Luiz Vargas (quatro mandatos, ex-presidente da Assembléia, ex-conselheiro e ex-presidente do Tribunal de Contas do Estados). Os dois pedidos de impeachment do governador petista, o peremptório "grilo falante" Tarso Genro, irão agora para a Comissão de Constituição e Justiça, conforme previsão do Regimento Interno. O primeiro dos pedidos, que se refere ao esbulho do Fundo de Custas Judiciais, não andou sob a direção anterior do deputado estadual Pedro Westphalen, que mandou engavetar a representação de João Luiz Vargas. No último pedido, João Luiz Vargas acusa Tarso Genro pelo crime de responsabilidade no caso da proibição de intervenção das forças de segurança para garantir o cumprimento de decisão judicial sobre a garantia aos serviços de transporte coletivo em Porto Alegre. O governo perdeu a maioria na Assembléia Legislativa desde que PSB e PDT saíram da base. Isto significa que pedidos de impeachment poderão ir até a decisão final do plenário. Os pedidos do ex-deputado do PDT vinham sendo tratados com descaso pela Assembléia Legislativa e pelo peremptório "grilo falante" Tarso Genro, mas ao ganhar curso no Legislativo, o caso vira incidente político e não tem como mais ser ignorado pelos deputados, pelo governo e pela imprensa, até porque o mandato do governador está agora ameaçado.

MORTEIROS E COQUETÉIS MOLOTOV CONTRA A DEMNOCRACIA

Cravei aqui ainda na noite de quinta que o cinegrafista Santiago Andrade, da Band, não tinha sido ferido pela polícia. Sou adivinho? Acontece, meus caros, que enfrentei bombas de gás e de efeito moral quando lutava contra a ditadura. Conheço as duas e sei que não soltam fogo vermelho. Bastou-me ver as fotos. Mas noto que ninguém tinha o direito de se enganar ainda que jamais tivesse topado com uma coisa ou com outra: bastaria ter pedido a um policial que analisasse as imagens.

E aqui vai uma diferença importante: uma coisa é ir às ruas lutar contra uma ditadura. Eu fui e me orgulho. Outra coisa é fazer o que fazem esses arruaceiros: estão lutando contra a democracia. Quem leva coquetéis molotov, morteiros, bombas caseiras e chaves de grifo para um protesto, numa sociedade democrática, está querendo é ditadura. E tem de ser severamente reprimido, punido, de acordo com a lei. E boa parte dos jornalistas precisa parar com essa mania de que a polícia é sempre culpada e está sempre errada.
Infelizmente, se aquele morteiro que atingiu Santiago tivesse atingido um policial, ferindo-o com a mesma gravidade, não haveria metade dos protestos a que estamos assistindo. E protestos que, deixo claro, são justos.
Fábio Raposo Barbosa, o rapaz que aparece passando a um outro o morteiro que feriu o cinegrafista, teve a prisão temporária decretada. Ele estaria disposto a negociar uma espécie de delação premiada, a colaborar com a polícia. Ele já tinha concedido uma entrevista à GloboNews em que contou uma história da carochinha: teria encontrado o artefato no chão e passado a um desconhecido. Não cola! Se, agora, afirma que quer colaborar, é sinal de que sabe mais do que disse.
O rapaz foi indiciado por tentativa de homicídio. A polícia apura ainda se ele pertence ao grupo dos black blocs e se atua em conjunto com outros, o que pode render também a acusação de “associação criminosa”. Nesse domingo, três ditos “manifestantes” foram acompanhar o depoimento de Fábio Raposo. Um deles, acreditem, se desentendeu com um cinegrafista da Band e não teve dúvida. Apontou o dedo para o profissional e disse: “Você será o próximo”. O cinegrafista bateu, então, com a câmera em sua cabeça, fazendo um pequeno ferimento. Os dois acabaram depondo na delegacia.
Alguém precisa deter esses vândalos, esses criminosos. Santiago segue em coma no hospital Souza Aguiar. Outra arruaça está marcada para hoje na Central do Brasil contra o reajuste da tarifa de ônibus. Está posta uma questão para a democracia brasileira: qual deve ser o limite de tolerância com o banditismo? Eu tenho uma resposta que me parece simples, eficiente: a lei.
Basta! Essa gente já foi longe demais! São inimigos da imprensa, da liberdade de expressão, das garantias democráticas, do estado de direito. E setores da imprensa não podem se acovardar, com medo do que esses milicianos fazem nas redes sociais. Por Reinaldo Azevedo

A BARBÁRIE BRASILEIRA E A GRITARIA DOS HIPÓCRITAS. OU: NÃO ADOTE UM BANDIDO; ADOTE AS PESSOAS DE BEM: OU AINDA: O LINCHAMENTO DE SHEHERAZADE

A VEJA fez muito bem em estampar na capa da edição desta semana um emblema da barbárie brasileira. Emblema é mais do que retrato, é mais do que fotografia; é um símbolo. A reportagem aborda os vários fatores que concorrem para o processo de “incivilização” do Brasil. Fazer justiça com as próprias mãos, obviamente, é uma das manifestações de uma sociedade doente. O procedimento tem de ser repudiado de maneira clara, inequívoca, sem ambiguidades. Não custa lembrar que as milícias no Rio e os matadores das periferias das grandes cidades brasileiras nascem do sentimento de autodefesa e logo se transformam em franjas do crime organizado.

O estado tem de conservar o monopólio do uso legítimo da força — até porque essa conversa tem um pressuposto: estamos falando do estado democrático. Exposto o princípio de maneira solar, vamos ver agora como algumas almas e penas farisaicas resolveram se apropriar do tema e sair gritando, como costumo ironizar, feito o coelho do filme Bambi: “Fogo na floresta! Fogo na floresta!”.
Em 2012, foram assassinadas no Brasil 50.108 pessoas. Em três anos, a guerra civil na Síria, estima-se, matou uns 100 mil. No período, 150 mil brasileiros foram assassinados. Boa parte dos que gritam agora contra os justiçamentos e linchamentos — e todos temos mesmo de fazê-lo — estavam onde? Fazendo o quê?
Não sou governo. Não tenho partido político. Não faço política. O único instrumento de que disponho para tratar do assunto é o teclado. Neste blog, sei lá quantas dezenas de textos, talvez centenas, escrevi a respeito! Na Rádio Jovem Pan, já comentei o assunto mais de uma vez. Na Folha, no dia 10 de janeiro, num texto intitulado “Mortos sem pedigree”, escrevi (em azul):
Em novembro, veio a público o Anuário Brasileiro de Segurança Pública com os dados referentes a 2012. Os “crimes violentos letais intencionais” (CVLI) somaram 50.108, contra 46.177 em 2011. A taxa saltou de 24 para 25,8 mortos por 100 mil habitantes. Na Alemanha, é de 0,8. No Chile, 3,2. Os “CVLI” incluem homicídio doloso, latrocínio e lesão corporal seguida de morte. Nota: esses são números oficiais. A verdade deve ser mais sangrenta.
Segundo a ONU, na América Latina e Caribe, com população estimada em 600 milhões, são assassinadas 100 mil pessoas por ano. Com pouco menos de um terço dos habitantes, o Brasil responde por mais da metade dos cadáveres. O governo federal, o PT, o PMDB, o PSDB e o PSB silenciaram. Esse é um país real demais para produtivistas, administrativistas e nefelibatas. A campanha eleitoral já está aí. Situação e oposição engrolarão irrelevâncias sobre o tema. Prometerão mais escolas e mais esmolas. Presídios não!
Algumas dezenas de black blocs mobilizaram o ministro da Justiça, os respectivos secretários de Segurança de São Paulo e Rio e representantes da OAB, do CNJ e do Ministério Público. Rodrigo Janot, procurador-geral da República, quer até um fórum de conciliação para juntar policiais e manifestantes. Sobre a carnificina de todos os dias, nada! Quem liga para cadáveres “pobres de tão pretos e pretos de tão pobres”, como cantavam aqueles? No país em que os aristocratas são, assim, “meio de esquerda”, segurança pública é assunto da “direita que rosna”, certo? Os 400 e poucos mortos da ditadura mobilizam a máquina do estado e a imprensa. É justo. Os 50 mil a cada ano só produzem silêncio. Dentro e fora dos presídios, são cadáveres sem pedigree.
Retomo
O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro pediu a cabeça de Rachel Sheherazade, jornalista e apresentadora do SBT, em razão de um comentário que ela fez sobre aquele rapaz que foi atado pelo pescoço. Não endosso boa parte do que ela disse. É preciso, reitero, deixar claro com todas as letras que aquela não é uma solução — e, a rigor, ela não disse que é. Faz-se necessário evidenciar que se trata de outro crime. Mas parte de suas observações procede, sim, e vai ao ponto: dissemina-se, de maneira perigosa, preocupante, a sensação do homem comum de que lhe cabe fazer alguma coisa, já que, para expor a ideia genérica, “ninguém faz nada”.
Estamos começando a chegar a um limiar perigoso. É claro que a gritaria mais estridente contra Sheherazade — que parte de gente que nunca deu 10 tostões pelos mais de 50 mil cadáveres brasileiros a cada ano — tem muito pouco de humanidade, de piedade, de bondade congênita ou algo assim. É ideologia! Há muito tempo esperavam que ela cometesse um erro para maximizá-lo no limite do insuportável, declarando, então, que ela tem de ter a cabeça cortada. É um caso clássico de farisaísmo, de gente que apela a supostos “fundamentos” para eliminar aqueles que considera incômodos.
Leio, por exemplo, um texto contra Sheherazade assinado por um notório defensor de mensaleiros; que andou se esmerando, há coisa de 15 dias, em, ora vejam!, nos recomendar que ouvíssemos o que Henrique Pizzolato tinha a dizer. É isso mesmo! Imaginem quantas criancinhas poderiam ter sido tiradas da pobreza com aqueles mais de R$ 70 milhões do Fundo Visanet, né? Outro, uma espécie de intérprete permanente da alma de José Dirceu, também quer ver pendurada no poste a cabeça da jornalista. E fica evidente que não é só por causa do comentário que ela fez: é pelo conjunto da obra.
Hipócritas!
Farsantes!
Vigaristas!
Se perguntarem a esses delinquentes morais quem é Fabrício Proteus, eles dirão de primeira: “É a vítima da Polícia de São Paulo” — aquela “vítima”, vocês sabem, que avançou com estilete contra PMs. Mas perguntem quem é Alda Rafael. Nunca ouviram falar. É possível que nem vocês se lembrem porque o caso logo desapareceu. Trata-se da policial que levou um tiro pelas costas no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro.
Direitos humanos
Não se trata de saber se direitos humanos devem existir também para bandidos. Os direitos humanos, vejam que coisa!, humanos são — e deles ninguém se exclui ou pode ser excluído. Ponto final. A questão é de outra natureza: cumpre tentar entender por que esses prosélitos mixurucas, esses propagandistas vulgares, jamais se ocupam da guerra civil que está em curso no Brasil há décadas. Então os mais de 50 mil que morrem por ano no país não merecem a sua atenção?
Sei que pode parecer estranho a esses oportunistas, mas Sheherazade não amarrou ninguém. A violência que a gente vê é só um pouco da violência que a gente não vê. Os linchamentos se espalham Brasil afora. Os mais de 50 mil homicídios a cada ano no país é que mereciam uma “Comissão da Verdade”. Por que os que agora pedem a cabeça de uma apresentadora de TV jamais se ocuparam das 137 pessoas (média) que são assassinadas todos os dias no Brasil? Por que não acenderam, como vela, ao menos um adjetivo piedoso por Alda Rafael?
Os imbecis tentarão ler no meu texto o que nele não está escrito. Dou uma banana para os tolos. Quanto mais eles recorrem à tática da desqualificação, mais leitores vão chegando — e, agora, mais ouvintes também. Não dou a mínima. Não me deixo patrulhar. Sim, eu acho que os que prenderam aquele rapaz pelo pescoço têm de ser punidos. Eu acho que os que recorrem a linchamentos também têm de arcar com as consequências.
Mas acho igualmente que essa gente que decide resolver por conta própria — que também é pobre de tão preta e preta de tão pobre — merece ter estado, merece ter segurança, merece ter proteção. Se sucessivos governos se mostram incapazes de dar uma resposta — por mais que eu deteste, por mais que eu ache que o caminho errado, por mais que eu tenha a certeza de que a situação só vai piorar —, as pessoas farão alguma coisa.
Parece-me que foi esse o sentido que Sheherazade deu à palavra “compreensível” — o que não implica necessariamente um endosso. Os historiadores já se debruçaram sobre os fatores que tornaram “compreensível” a eclosão dos vários fascismos na Europa do século passado ou da revolução bolchevique na Rússia. Compreender um fenômeno não quer dizer condescender com ele. Eu, por exemplo, penso que é compreensível que o PT tenha chegado ao poder, entenderam?
Ainda que, reitero, avalie que o comentário foi, sim, desastrado. Mas tentar linchar Sheherazade moralmente, aí já é um pouco demais! Estranha essa gente: defende o direito de defesa para os bandidos mais asquerosos — e nem poderia ser diferente —, mas pede a execução sumária de alguém por ter emitido uma opinião infeliz.
E por quê?
E por que se silencia de maneira sistemática, contumaz, cínica, sobre a guerra civil brasileira? Naquele artigo da Folha, sintetizei a razão (em azul):
E por que esse silêncio? É que os fatos sepultaram as teses “progressistas” sobre a violência. A falácia de que a pobreza induz o crime é preconceito de classe fantasiado de generosidade humanista. A “intelligentsia” acha que pobre é incapaz de fazer escolhas morais sem o concurso de sua mística redentora. Diminuiu a desigualdade nos últimos anos, e a criminalidade explodiu. O crescimento econômico do Nordeste foi superior ao do Brasil, e a violência assumiu dimensões estupefacientes.
Os Estados da Região estão entre os que mais matam por 100 mil habitantes: Alagoas: 61,8; Ceará: 42,5; Bahia: 40,7, para citar alguns. Comparem: a taxa de “CVLI” de São Paulo, a segunda menor do país, é de 12,4 (descarta-se a primeira porque inconfiável). Se a nacional correspondesse à paulista, salvar-se-iam por ano 26.027 vidas.
Com 22% da população, São Paulo concentra 36% (195.695) dos presos do país (549.786), ou 633,1 por 100 mil. A taxa de “CVLI” do Rio é quase o dobro (24,5) da paulista, mas a de presos é inferior à metade (281,5). A Bahia tem a maior desproporção entre mortos por 100 mil e (40,7) e encarcerados: 134. Estudo quantitativo do Ipea (aqui) evidencia que “prender mais bandidos e colocar mais policiais na rua são políticas públicas que funcionam na redução da taxa de homicídios”.
Isso afronta a estupidez politicamente correta e cruel. Em 2013, o governo federal investiu em presídios 34,2% menos do que no ano anterior — caiu de R$ 361,9 milhões para R$ 238 milhões. Para mais mortos, menos investimento. Os progressistas meio de esquerda são eles. Este colunista é só um reacionário da aritmética. Eles fazem Pedrinhas. Alguém tem de dar as pedradas.
Encerro
Boa parte dos que estão vociferando não está nem aí para os pobres, os humilhados etc. Estes coitados servem apenas de pretexto para aquela turma perseguir os de sempre. Não fosse assim, esses bacanas estariam mobilizados, cobrando uma ação do estado brasileiro para pôr fim ao Açougue Brasil, especializado em carne humana. Por Reinaldo Azevedo