sábado, 8 de fevereiro de 2014

BLACK BLOC SE APRESENTA E É INDICIADO. EM ENTREVISTA, AGORA SEM MÁSCARA, ELE DIZ QUE ACHOU O ROJÃO NO CHÃO E NEM SAIBA O QUE ERA..... VERSÃO VALE UMA NOTA DE R$ 3,00. UM TRABALHADOR ESTÁ À BEIRA DA MORTE EM RAZÃO DE TANTA INOCÊNCIA


Fábio Raposo: agora sem máscara, o black bloc conta uma historia que vale uma nota de R 3 (Imagem extraída de vídeo da GloboNews)
Fábio Raposo: agora sem máscara, o black bloc conta uma historia que vale uma nota de R$ 3 (Imagem extraída de vídeo da GloboNews)
Fábio Raposo Barbosa, 22 anos, estudante de contabilidade e tatuador, foi indiciado pela Polícia do Rio como coautor na tentativa de homicídio do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes. Ele se apresentou depois de ter sido identificado num vídeo que registra o momento em que ele passa a um outro rapaz o morteiro que acabou atingindo Santiago — que segue em coma no hospital Souza Aguiar.
Pois é…
O anjinho, agora de cara limpa, sem máscara, concede uma entrevista à GloboNews. Certamente já falou com advogados. É um direito dele. A propósito: a seção da OAB-Rio não vai sair em sua defesa, já que virou babá de black bloc?  É mesmo um santo. Acho que devemos iniciar um movimento para canonizá-lo. A sua história vale uma nota de R$ 3. Em suma, diz ele, achou o rojão no chão e entregou ao outro. Não tinha nada com aquilo. Ele é um black bloc, mas diz que não sai às ruas para quebrar nada ou atacar policiais, entenderam?
Ele chama a imprensa de “as mídias”… Então tá.
O trecho mais, digamos, significativo de sua fala é este:
“Logo que eu cheguei, houve um corre-corre. Fui até lá para ver o que tinha acontecido. Estava tendo um confronto entre manifestantes e alguns policiais militares. Daí, jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo próximo a mim. Eu coloquei a minha máscara de gás, que é mais para minha proteção mesmo, porque machuca o peito e arde o rosto, e foi isso. Eu cheguei, fui até lá, vi que estava tendo um confronto entre a polícia e os manifestantes. Nesse corre-corre, vi que um rapaz correndo deixou uma bomba cair. Uma bomba, não sei o que é, um negócio preto assim. Daí, eu peguei e fiquei com ela na mão. Esse outro cara veio e falou para mim: ‘Passa aí para mim, que eu vou e jogo. Eu vou e jogo’. Eu peguei e passei para ele. Foi só isso mesmo”.
Como vocês podem ver, tudo simples, objetivo e crível. É uma pena que um homem esteja à beira da morte por conta de tanta inocência, Se Raposo fosse jagunço, repetiria a máxima de que ele só atira, mas quem mata é Deus.
Ah, sim: ele é black bloc e vai para as manifestações com uma máscara contra gases, mas não sabe identificar um rojão. Leiam:“Foi um acaso mesmo, de ver o negócio no chão, pegar para tentar devolver, achando que era algum pertence de alguém, mas infelizmente era uma bomba e ele acendeu de uma forma que foi em cima do repórter”.
Mas ele acredita também na boa intenção do outro:
“Acredito que ele não tenha feito por mal. Acredito que foi um acaso de ele estar filmando, os cinegrafistas ficam no meio do fogo cruzado..
Vejam a entrevista inteira se tiverem estômago. Esses ditos “manifestantes” falam em “fogo cruzado” como se dissessem que hoje é sábado; como se tivessem o direito de sair por atacando a polícia; como se houvesse um confronto entre duas forças legítimas. Errado! A única força legitimada pela democracia é a polícia; o outro lado é banditismo.
E a gente nota que ele também lamenta que o cinegrafista tenha sido atingido. Em nenhum momento  deixa claro que seria igualmente grave se o artefato tivesse ferido um policial — e esse era o objetivo.
É claro que alguém ainda sairia muito machucado dessa história. Infelizmente, foi um trabalhador, que estava lá ganhando o pão de cada dia, e não um dos vagabundos que promovem a arruaça. É isso! Por Reinaldo Azevedo

ONS PREVÊ RACIONAMENTO DE ENERGIA PARA FEVEREIRO

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou neste sábado que as previsões para o mês de fevereiro agravam as preocupações em relação ao abastecimento do País já que os reservatórios, principalmente no Sudeste, estão em níveis baixos críticos e continuam a cair. O ONS trabalha com a hipótese de racionamento de energia para fevereiro. Todas as usinas térmicas do País disponíveis para a operação estão acionadas, conforme indica o custo marginal de operação, que já está superior ao custo de geração da térmica mais cara do País, indicando a necessidade de racionamento. Na terça-feira, curto-circuitos em linhas de transmissão que trazem energia do Norte para Sudeste do País ainda resultaram em apagão que atingiu diversos Estados e cerca de 6 milhões de consumidores.

SILVIO SANTOS MANDA DEMITIR CARLOS CHAGAS E NÊUMANE PINTO, MAS MANTÉM RACHEL SHEHERAZADE

O SBT anunciou formalmente a decisão de demitir os comentaristas Carlos Chagas, Denise Campos de Toledo e José Nêumanne Pinto. A idéia para saída dos três vinha amadurecendo desde o final do ano passado, quando houve a "decisão da emissora de abrir mais espaço para informação nos diversos telejornais da casa". Silvio Santos mandou dizer que não existe, no corte desses profissionais, qualquer relação com os acontecimentos da última semana, que colocaram a apresentadora Rachel Sheherazade no olho do furacão, ao analisar o espancamento de um adolescente no Rio de Janeiro, mas aparentemente o dono do SBT entregou os anéis ao PT para não ter que entregar os dedos. Silvio Santos mais uma vez demonstrou que é um covardaço, e que está pagando as vantagens que obteve do governo petista no episódio do Banco Pan-Americano. É tão covarde que esperou a demissão da ministra petista Helena Chagas para então demitir seu paí, o analista político Carlos Chagas. Silvio Santos nunca mesmo vai passar de um mascate.

JOÃO PAULO CUNHA, O CORISCO, TEVE DE SE ENTREGAR!

João Paulo Cunha prometia ser o Corisco de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha:

Se entrega, Corisco!Eu não me entrego não!Não me entrego ao tenente.Não me entrego ao capitão.Eu me entrego só na morte de parabelo na mão.
Entregou-se. Renunciou ao mandato. Fez o que disse que não faria de jeito nenhum. O que o fez mudar de ideia? Dois fatores: o comando do PT, que ordenou que se entregasse, e Henrique Pizzolato.
O partido não quer deputado seu na cadeia em ano eleitoral. Qualquer solução vindoura era pior do que a renúncia: a) a cassação, a mais provável; b) e a não cassação. De resto, se Genoino, que é Genoino, renuncia, por que João Paulo, que é João Paulo, haveria de resistir?
E há o caso Henrique Pizzolato. Este senhor virou uma espécie de petismo sem máscara. Ao longo desses meses, com a ajuda de setores amigos na imprensa e até de ministros do Supremo, os petistas vinham forjando a fantasia dos heróis, não é? Até aquela fanfarronice indigna da arrecadação de dinheiro pela Internet — pobrezinhos! — tentou ser vendida como ato de resistência.
Mas aí Pizzolato é preso. Com ele, uma soma razoável de dinheiro vivo — o que nunca é problema para os petistas. Descobre-se que o homem forjava documentos em nome do irmão morto, Celso, desde 2007, ano em que a denúncia do mensalão foi aceita. Escafedeu-se. O cinismo era de tal sorte que, em 2008, ele votou duas vezes: como Celso e como Henrique: com o documento falso e com o verdadeiro. Planejava a fuga desde 2007.
Aí acabou a graça. Pizzolato veio lembrar a real natureza dos mensaleiros. Não deu mais para Corisco. Por Reinaldo Azevedo

AO FAZER ATÉ A DOSIMETRIA DE QUEM NÃO FOI NEM JULGADO, JANOT ESTÁ TENTANDO AGRADAR A QUEM?


Janot: sua estranha petição traz a dosimetria de quem não foi nem juglado
Janot: sua estranha petição traz a dosimetria de quem não foi nem julgado
Falo neste blog da imprensa assediada por milícias. Na cabeça desses pterodáctilos, o jornalismo só é sério quando dá as notícias e emite as opiniões com as quais eles concordam. Se não for assim, não vale. Compreendo. Afinal, temos aí o PT, não é? Justiça boa, para eles, é aquela que condena seus adversários. Quando pega alguém da turma, aí não serve. Aí eles acusam os juízes de parciais, de politiqueiros, de despreparados. Já houve petralhas dizendo até que Joaquim Barbosa é negro, acreditam? Pois é. Os milicianos atuam com vigor e energia no caso do mensalão mineiro.
Entre outras falácias, inventaram que o caso aconteceu primeiro, mas não foi julgado até agora porque os tucanos estão sendo protegidos. Errado. Erradíssimo. Está sendo julgado depois porque as acusações apareceram depois, e a denúncia foi oferecida depois, entenderam? Isso não dá para desenhar. Também se insiste em afirmar que o esquema de Minas Gerais é rigorosamente igual ao mensalão petista — essa turma tem esta síndrome: “Nossas sacanagens nunca são originais; aprendemos com os outros…”. Vão mais longe: desafiam os jornalistas, como se fosse preciso grande coragem para tanto, a pedir cadeia para Eduardo Azeredo, como aconteceu com José Dirceu. Então vamos começar a botar alguns pingos nos is, abordando, inclusive, a estranhíssima e inusitada petição apresentada por Rodrigo Janot ao Supremo.
É a mesma coisa? Não!Vamos lá. Se aconteceu tudo conforme a acusação em Minas Gerais, ainda assim, nesse caso, não foi Mensalão mesmo, mas caixa dois de campanha com uso de dinheiro público. Todo o ardil, segundo o Ministério Público, buscava financiar a campanha à reeleição de Eduardo Azeredo. Isso, reitero, caso fique tudo provado. Não havia um esquema de pagamento para parlamentares; não se tratava de cooptação de uma fatia do Congresso — ou da Assembleia de Minas Gerais. Ainda que o dinheiro tenha passado pelas agências de Marcos Valério, ainda que, insisto, tudo seja conforme se acusou, trata-se de outra coisa.
“Ah, então você está dizendo que não é grave?” Uma ova! Eu só estou dizendo tratar-se de outra coisa.
Por que Azeredo sim e Lula não?
Há uma outra diferença fundamental. Azeredo está para o que se passou a chamar de “mensalão mineiro”, ainda em investigação, como Lula estava para o mensalão petista. Refiro-me a seus respectivos lugares. A mesmíssima posição. Cabe perguntar: por que o agora deputado mineiro é réu nesse processo, e Lula não se tornou réu naquele? Dêem uma única e sólida razão.
“Ah, por que não havia provas contra Lula”, responderá alguém. Pois é… E quais são as provas contra Azeredo, as evidências de que sabia de tudo, de que estava no controle? Nenhuma. Há, sim, um troço que foi anexado ao inquérito como prova: a suposta assinatura de Azeredo num recibo de caixa dois ou algo assim. As evidências de que essa assinatura é falsa são gritantes. De resto, é preciso decidir se acham o ex-governador muito esperto ou muito burro para assinar esse tipo de recibo.
A estranha petição de Janot
Rodrigo Janot, procurador-geral da República, enviou uma estranha petição ao Supremo. Não se limitou a, vá lá, pedir a prisão de Azeredo, o que é estranho porque o julgamento está para começar. Mas não se contentou com isso: ele também resolveu fazer a dosimetria, estipulando o tempo de cadeia — nada menos de 22 anos — e o valor da multa a ser paga.
Ou por outra: Janot investigou, ofereceu a denúncia, condenou e já está na fase da dosimetria da pena. Se tudo sair como ele quer, espero que não se ofereça para ser o carcereiro. Ora, é um homem inteligente o bastante para saber que, obviamente, esse é o tipo de coisa que rende manchete, estardalhaço, títulos garrafais, mas que não têm, em si, a menor importância. Sair-se com um negócio como esse antes mesmo de o relator no Supremo se pronunciar fica parecendo, assim, uma espécie de prestação de serviço.
Bem, o assunto vai render muito ainda. Mas os petralhas que resolveram encher o saco poderiam tentar responder: por que Azeredo é réu, e Lula não? De resto, tendo havido os crimes, vale o óbvio: punição a quem deve, um princípio que essa gente estranha. Podem patrulhar à vontade. Escrevo o que quero, não o que querem que eu escreva. Não dependo da boa vontade de quem me detesta para dizer o que penso. Vão patrulhar a vovozinha! Por Reinaldo Azevedo

A IMPRENSA ESTÁ SOB CENSURA DE MILÍCIAS ORGANIZADAS NAS REDES SOCIAIS E SE DEIXA INTIMIDAR. CHEGOU A HORA: OU SE LEVANTA OU SEGUE DE JOELHOS E SE RENDE


Momento em que Santiago Andrade é atingido: como confundir o artefato com bomba de gás?
Momento em que Santiago Andrade é atingido: como confundir o artefato com bomba de gás?
A imprensa está sob censura. Não é mais aquela ditada por um regime de força. Não é a censura institucional. Não é a censura determinada por um governo tirano. A imprensa está sob a censura de milicianos que se organizam nas redes sociais. Repórteres, hoje em dia, veem, mas já não enxergam. O jornalismo chega a uma encruzilhada. Vai para que lado? Continua a buscar a verdade ou segue uma agenda ditada pelo alarido das redes sociais, que, por sua vez, têm “donos” e centros de irradiação de boatos?
O Jornal Nacional fez na sexta-feira um ótimo e detalhado trabalho de reportagem, demonstrando que estava errado aquele repórter da GloboNews que afirmou que o artefato que atingira o cinegrafista Santiago Andrade, da Band, tinha partido da polícia. Não! Por A + B, evidenciou-se que não. A simples análise das fotos ainda na quinta-feira à noite já dizia o óbvio. Mas não vou me estender sobre esse particular, sobre o qual já escrevi bastante. Eu quero é falar da encruzilhada. Eu quero é falar sobre rumo.
O Jornal Nacional entrevistou, e acertou ao fazê-lo, o fotógrafo que fez uma sequência de imagens que deixava claro que Andrade fora vítima de um morteiro — provavelmente adaptado para a circunstância —, armado a coisa de um metro e meio ou dois de onde ele se encontrava com a sua câmera. Mais do que registrar, ele testemunhou o ocorrido. Não posso assegurar, mas me parece certo que o rapaz não é um amador. A fala, alguns jargões, tudo, enfim, sugere que ele é um profissional da área — da imprensa. Ainda que não exerça formalmente uma função no setor, isso não muda a essência do que vou escrever aqui.
Vejam a reportagem se não viram. Ele aceitou falar desde que não mostrasse a cara; desde que seu nome não fosse divulgado; desde que pudesse permanecer no anonimato, com aquela imagem em alto contraste e a voz distorcida. Por quê? Porque ele está com medo. Medo de quem? De bandidos que são candidamente chamados pela nossa imprensa de “manifestantes”. A imprensa, que existe para revelar, hoje tem de se esconder.
E tem de se esconder também nas ruas, não canso de observar isso. Repórteres já não podem se identificar nem deixar claro para que veículos trabalham. Têm de se fantasiar de discípulos do Capilé para não serem linchados por vândalos, por criminosos mascarados, por vagabundos que se arvoram em donos da verdade e estão convictos de que os jornalistas estão nas ruas para mentir.
ENTENDAM BEM: O FOTÓGRAFO QUE DOCUMENTOU UM CRIME, QUE TESTEMUNHOU UM ATO IMPRESSIONANTE DE VIOLÊNCIA, TEM DE SE ESCONDER. E DE QUEM ELE SE ESCONDE?
Da ditadura?
Da governo?
Do poder?
Não! Ele se esconde é dessa corja de extremistas, de minoritários, de fascistoides.
É incrível!
Releio os textos que escrevi a respeito do assunto de junho para cá. Sei o quanto apanhei até de alguns leitores fiéis, que achavam que eu não estava entendendo o que estava em curso. Ouso dizer, com a modéstia de que sou capaz (e, vá lá, não é a minha característica mais saliente, eu sei), que eu estava entendendo tudo, sim. Desde o princípio.
O que nós, da imprensa, ganhamos ao chamar de pacíficos os violentos? O que nós, da imprensa, ganhamos ao negar o caráter autoritário de certas manifestações? O que nós, da imprensa, ganhamos ao satanizar a polícia quando ela acerta e quanto ela erra? O que nós, da imprensa, ganhamos ao afirmar que os manifestantes é que reagem com paus, pedras e coquetéis molotov às bombas da polícia quando, na esmagadora maioria das vezes, acontece o contrário? Mas essas perguntas ainda não são boas. Há uma melhor: O QUE A POPULAÇÃO DO BRASIL GANHA COM ISSO? E há uma pergunta ainda mais pertinente: O QUE A VERDADE GANHA COM ISSO?
Apanhei
Sim, eu apanhei na rua — e outros tantos também (por isso, inclusive, conheço de perto bomba de gás e bomba de efeito moral) — foi para poder dizer o que penso e o que considero verdade MOSTRANDO A MINHA CARA, não para ter de me esconder de mascarados asquerosos, protegidos pelas babás de terno da OAB do Rio.
Boa parte dos que temos certa idade — estou com 52 — corremos riscos, uns mais, outros menos, para que a imprensa pudesse ser livre, não tendo de se submeter a ninguém, nem a essas milícias.
Os tempos que vivemos são tão cinzentos em certos aspectos que as pessoas, mesmo eventualmente de boa-fé, não se dão conta quando dizem barbaridades. O fotógrafo que concedeu a entrevista ao Jornal Nacional presta um serviço à verdade, mas como eu poderia ignorar este trecho da sua fala (prestem atenção ao destaque)?
“E reparei que nessa hora eu vi um homem com um lenço no rosto preto, calça jeans, com uma camisa cinza, arriado, tentando acender um artefato, um foguete, um foguetezinho, nesse momento. Quando eu levantei a câmera pra fazer essa foto, o homem conseguiu acender esse artefato e saiu correndo. Logo em seguida, esse morteiro disparou e atingiu o nosso companheiro cinegrafista. Eu vi que naquele momento o homem na verdade, ele estava tentando, ele posicionou o artefato em direção aos policiais. Mas, infelizmente, pegou no nosso companheiro.”
Talvez ele não tenha querido dizer o que acabou dizendo, mas o fato é que disse. Era para os policiais, mas acabou dando errado, infelizmente… Eu me obrigo a lembrar que policiais também são pais, maridos, filhos, irmãos, namorados… Também têm família. Mesmo quem está a serviço da verdade, em alguma medida, parece ver com naturalidade que um canalha possa armar um artefato contra policiais. Se um PM estivesse no lugar de Andrade, também seria “infelizmente”?
Há mais coisas aí. Eu ainda nem chamei Franklin Martins para essa conversa, o homem que vai cuidar da área de imprensa da campanha de Dilma Rousseff à reeleição. Ainda não chamei os blogs sujos, financiados por estatais. Ainda não chamei a súcia que estimula, direta ou indiretamente, a agressão a jornalistas. Vai ficar para outro texto.
Encerro este post reiterando: os veículos de comunicação e os jornalistas nunca foram tão livres do ponto de vista legal e institucional. E raramente estiveram sob tamanha censura. E o pior inimigo da imprensa livre é o medo, aquele medo que chega a escorrer das notas oficiais de entidades de jornalistas e de empresas ao se referir ao caso e, covardemente, se negar a identificar o grupo agressor.
Chegou a hora: ou a imprensa se levanta e se compromete com os fatos ou segue de joelhos e se rende de vez a seus algozes. Não há Alternativa C. Por Reinaldo Azevedo

ATENTADO À IMPRENSA LIVRE - NOTAS INTELECTUALMENTE COVARDES

Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas).Abraji (Associação Brasileira dos Jornalistas Investigativos)ABI (Associação Brasileira de Imprensa).ANJ (Associação Nacional de Jornais).Abert (Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV).

Todas essas entidades se manifestaram, como noticiou o Jornal Nacional. Ou emitiram nota, ou seus representantes disseram o que pensam e coisa e tal. Obviamente, todos condenaram o ocorrido.
Mas sou obrigado a destacar — e já falei sobre a OAB — a covardia política e intelectual de todas elas. Ficou parecendo que a violência foi protagonizada por ninguém. A nota da Abraji é a pior porque aproveita para fazer proselitismo contra a polícia.
Todas essas entidades deveriam dizer, logo de cara, logo nas primeiras linhas, que jornalistas da grande imprensa estão tendo de se esconder nas manifestações, de trabalhar sem identificação. Se descobertos, podem apanhar — talvez morrer. Vejam o estado em que se encontra o cinegrafista Santiago Andrade.
Um mal-estar e um mau espírito tomam conta de boa parte dos veículos de comunicação e dos jornalistas. Falarei a respeito na madrugada. Os dois grupos nunca foram institucionalmente tão livres e, ao mesmo tempo, nunca estiveram sob patrulha tão severa. Perderam a independência e perderam a coragem.
As notas todas evidenciam isso.
E a questão realmente estupefaciente fica para depois, também derivada do Jornal Nacional. Não! Não se trata de erro técnico nenhum. É que, querendo ou não, o principal programa jornalístico da TV levou ao ar um troço que entrará para a história. Depois dele, ou a imprensa se rende aos fatos ou cai de joelhos. Mas isso é para depois. Por Reinaldo Azevedo

ATENTADO À IMPRENSA LIVRE - OS ESPECIALISTAS DO JORNAL NACIONAL

Considerando os especialistas que falaram no JN, gostei mesmo — todos foram muito corretos, destaco — dos policiais militares. Eles demonstraram como funcionam uma bomba de gás lacrimogêneo e uma de efeito moral. Endossaram, por óbvio, o que venho escrevendo desde ontem. As fotos feitas pela Agência Globo evidenciavam por que o tal artefato não era nem uma coisa nem outra. Ora, o jornalista “que viu a bomba” nem se ocupou de saber como elas funcionam? Estava na rua pela primeira vez? Quantas vezes repórteres viram aquela luz saindo dos instrumentos usados pela polícia? Acho muito impressionante que não tenha ocorrido a ninguém pedir que se analisassem as imagens. Um procedimento simples, sem muitas prosopopeias técnicas, teria bastado para evitar um erro monumental. De todo modo, espero que a ocorrência tenha sido ao menos didática, instrutiva. No dia 25 de janeiro, policias militares de São Paulo também foram demonizados pela imprensa porque teriam atirado contra um manifestante. As câmeras de segurança fizeram pelo jornalismo o que ele não tem conseguido fazer por si mesmo e por inocentes. Não bastou para que se passasse a fazer a escolha certa. A questão — e voltarei ao assunto — é saber a que juiz setores da imprensa estão prestando tributo; a questão é saber que tribunal eles escolheram para “julgar” suas escolhas. Por Reinaldo Azevedo

ATENTADO À IMPRENSA LIVRE - BOMBAS DE UM LADO E ROJÕES DO OUTRO? ERRADO!

O Jornal Nacional fez a coisa certa nesta sexta, não é? Foi ouvir especialistas os mais diversos, procurou testemunhos etc. Não se baseou apenas na impressão de alguém que estava lá no meio da confusão. Aliás, o texto que tenta explicar o erro da GloboNews e do “Bom Dia Brasil” admite que a coisa toda era confusa, com “rojões de um lado e bombas de outro”. Noto que essa formulação já não me agrada muito. Fica parecendo que eram coisas equivalentes,  que se anulavam ou se igualavam.

É um erro de visão. Atos criminosos não têm “outro lado”. O “outro lado” existe para pessoas ou entidades que são individualmente acusadas, certo? Como é sabido, a Polícia Militar só recorreu às bombas de gás e de efeito moral quando os bandidos começaram a quebrar tudo. Sem isso, não teria havido repressão nenhuma. E temos evidências escandalosas de que é assim. Há mais: as bombas, dentro dos limites previstos — como ontem —, estão dentro da lei; os rojões não estão.
Emissoras de TV operam segundo leis. A democracia brasileira se ancora numa institucionalidade, da qual a Polícia Militar faz parte. Então há intimidade entre a repressão e a imprensa? Não! Há um compromisso, e não poderia ser diferente, do jornalismo com o estado de direito. Essa história de “bombas de um lado” e “rojões de outro” acaba igualando o crime à lei. Sim, o crime é o outro lado da lei, e vice-versa, mas ambos não podem gozar do mesmo status na imprensa. Pela simples e óbvia razão de que a lei garante a existência da imprensa livre, e o crime tenta calá-la. Assim, nesse caso, cumpre ter lado, sim: o lado da correta aplicação da lei. Simples também.
O Jornal Nacional, infelizmente, não veiculou o pedido de desculpas pelo erro cometido pela GloboNews e reproduzido no “Bom Dia Brasil”. Segundo o texto que foi ar, fica a impressão de algo semelhante pode acontecer de novo. E, parece-me, não pode. Até porque não conheço outra denúncia de crime que fosse ao ar com base apenas no “eu vi”. Por Reinaldo Azevedo

ATENTADO À IMPRENSA LIVRE - FALA DE PRESIDENTE NACIONAL DA OAB NÃO COMBINA COM COMPORTAMENTO DA SEÇÃO FLUMINENSE DA ORDEM, QUE VIROU BABÁ DE BLACK BLOC

Sim, eu vi o Jornal Nacional, com uma excelente reportagem sobre o que aconteceu no Rio, inclusive com as imagens inequívocas de uma TV Russa, que está de parabéns. Escreverei várias coisas a respeito. E não! Não houve um pedido de desculpas à polícia pela informação veiculada pela GloboNews e reproduzida ainda nesta manhã no “Bom Dia Brasil”. E isso é ruim. Ficou parecendo que um erro daquela dimensão foi a consequência natural dos bons padrões de jornalismo seguidos pela Globo. Errado. Bom padrão — exceção feita à não admissão do erro — foi o de hoje. Mas o post de agora é sobre a OAB.

O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Marcus Vinicius Furtado Coelho, apareceu no JN afirmando que o ataque ao cinegrafista é um atentado à democracia. Está certo! Também acho.
Mas então é preciso perguntar: todas as vezes em que a seção da OAB do Rio se mobilizou — e isso aconteceu — para defender black blocs presos, estava fazendo o quê? Na minha opinião, atentando contra a democracia. Sim, todos têm direito a um advogado. Mas, naquelas circunstâncias, o que se tinha era uma farsa da suposta luta da sociedade livre contra o estado. Outras entidades se manifestaram e já falo a respeito delas. Mas a opinião que mais me irritou foi mesmo a do doutor.
Há quanto tempo venho escrevendo aqui sobre o lamentável comportamento da OAB do Rio? Mesmo com as evidências mais escancaradas de que as manifestações não eram pacíficas e de que os black blocs iam para as ruas para quebrar, incendiar, ferir, a seção local se negou, de forma determinada, a censurar os vândalos e sempre transformou a polícia na grande vilã. Sim, ela também errou. E bastante. Mas, no mais das vezes, reagiu à violência, não a provocou. Como eu estou assoviando e andando para o que os milicianos dizem de mim nas redes sociais e não dependo da opinião que eles têm sobre mim para escrever o que penso, então escrevo o que penso. Simples. Por Reinaldo Azevedo

SENHORES DO MINISTÉRIO PÚBLICO GAÚCHO, VOCÊS NÃO PRECISAM NEM SAIR DE SUAS SALAS COM AR CONDICIONADO E CADEIRAS DE RODINHA, BASTA USAREM A INTERNET PARA DESCOBRIR AS TRAMPAS DO LIXO DE PORTO ALEGRE

O governo de José Fortunati (PDT) na prefeitura de Porto Alegre está promovendo duas milionárias licitações para três serviços diferentes na limpeza urbana da capital gaúcha. A primeira licitação, promovida pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU), via a Secretaria da Fazenda, concorrência nº 004/2013, trata da prestação de serviços de coleta automatizada de resíduos sólidos urbanos no município de Porto Alegre. Nessa Concorrência 004/2013 participa o consórcio registrado como “EMPA/CGL 004/13 POA”, formado pela empresa líder EMPA S/A Serviços de Engenharia e Construtora Gomes Lourenço S/A. A empresa concorrente do consórcio é a CONE SUL SOLUÇÕES AMBIENTAIS LTDA. A segunda licitação, a concorrência 005/2013, trata da prestação de serviço de coleta regular de resíduos sólidos urbanos (domiciliares e públicos) no município de Porto Alegre. Nessa segunda concorrência participa o consório registrado como “CGL/EMPA 005/13 POA”, formado também pela empresa líder EMPA S/A Serviços de Engenharia e Construtora Gomes Lourenço S/A, e a empresa BA Ambiental Ltda. Agora comecem a cair da cadeira senhores promotores: a empresa EMPA S/A Serviços de Engenharia pertence ao grupo português TEIXEIRA DUARTE, que é sócio do grupo brasileiro SOLVI em consórcio de licitação em Portugual para a compra da EGF, na privatização que está em andamento naquele país. O grupo SOLVÍ é dono da Revita Engenharia S/A, que manteve quatro contratos consecutivos sem licitação pública com a prefeitura de Porto Alegre, no (des)governo de José Fortunati. Como a Revita tem o máximo interesse em ganhar as licitações de Porto Alegre, a Revita "entregou" o contrato emergencial da capital gaúcha para empreiteira WK Borges & Cia Ltda. Há mais de 20 anos as empresas WK Borges e Mecanicapina, dos mesmos proprietários, se submetem em prestar serviço como subcontratada da Revita em Canoas, Novo Hamburgo e outros municípios. Então, vamos rememorar: o Grupo Solvi, dono da Revista, é sócio da empresa Teixeira Duarte em Portugal. Em Porto Alegre, surge na licitação do governo José Fortunati a EMPA S/A (pertencente à Teixeira Duarte) propondo-se a vencer essa licitação com documentos questionáveis quanto a sua utilização no certame milionário. Tudo indica que a empresa EMPA S/A entrou na licitação para contribuir, objetivamente, para a anulação da concorrência 005/DMLU. Dessa forma seria mantida a contratação emergencial da coleta do lixo em Porto Alegre. Por consequência, a empresa WK Borges & Cia Ltda, com longas parcerias com a Revita, continua a coletar o lixo domiciliar emergencialmente. Alguma dúvida, senhores promotores?
Agora leia a matéria que foi publicada na quarta-feira no site MacauHub, no link http://www.macauhub.com.mo/pt/2014/02/05/empresas-do-brasil-e-da-china-disputam-privatizacao-do-ano-em-portugal/. A matéria detalha a participação brasileira na bilionária privatização da estatal de águas portuguesa. Diz a matéria: "Empresas do Brasil e da China disputam privatização do ano em Portugal - Os grupos brasileiros Odebrecht e Solvi e chineses Beijing Enterprises Water e Sound Global vão disputar aquela que é a principal privatização confirmada para 2014 em Portugal, a da empresa gestora de resíduos, Empresa Geral de Fomento (EGF). A avaliação preliminar feita à Empresa Geral de Fomento pela Roland Berger, de acordo com o Diário Económico, aponta para valores entre 140 milhões e 200 milhões de euros, mas o governo não apresentou um valor base no concurso público, que deverá conhecer o seu desfecho em junho. As propostas para a compra da EGF, que controla as empresas do grupo público Águas de Portugal para os resíduos sólidos, serão avaliadas com base em oito critérios, como preço, qualidade do projecto estratégico, conhecimentos e capacidades técnicas dos candidatos. O Diário Económico referiu ainda que há contactos entre os dois grupos chineses para concertação de esforços, tendo em vista uma participação conjunta na operação. Além da Odebrecht, grupo brasileiro fortemente implantado em Angola e Moçambique, também a compatriota Solvi está na corrida, juntamente com um consórcio português, constituído pela Mota-Engil, DST e Teixeira Duarte. A EGF é composta por 11 sistemas multi-municipais de resíduos sólidos, com participação média das autarquias a rondar 49%. O negócio da privatização está também a agitar o mercado de advocacia, consultoria e banca de investimento, com os principais escritórios a disputarem a assessoria aos diferentes consórcios. A braços com uma crise financeira e sob assistência européia e do Fundo Monetário Internacional, Portugal tem vindo a alienar algumas das suas principais empresas públicas e participações em empresas-chave do país. Estão previstas receitas de 500 milhões de euros com privatizações em 2014, nomeadamente com a EGF, a venda da maioria do capital dos Correios (CTT) e do capital que resta ao Estado na Redes Energéticas Nacionais, empresa que tem como principal accionista a China State Grid desde a privatização de 2012. Muito aguardada, mas ainda incerta, é a venda da companhia aérea TAP – Air Portugal, que falhou no final de 2012 por insatisfação em relação às garantias financeiras associadas à única oferta existente, mas que recentemente ganhou um novo conjunto de interessados, segundo a imprensa portuguesa. Os investidores chineses ganharam a mais recente privatização, a da Caixa Seguros, que vai passar a ser controlada pela Fosun International Limited. A Caixa Seguros está integrada no maior grupo financeiro português, o estatal Caixa Geral de Depósitos, tendo o governo português decidido a favor do grupo chinês a privatização de cerca de 80% do negócio segurador, a troco de mil milhões de euros. Segundo o governo português, o grupo chinês, que bateu a norte-americana Apollo Management International, apresentou forte ligação ao sector segurador, além do plano de expansão, apoiado em significativas disponibilidades financeiras, baseadas em fundos próprios, que ascenderam a 150% do montante em causa, isto é, a 1.500 milhões de euros em dinheiro. A Fosun pretende agora expandir a actividade da companhia para os mercados asiáticos e africanos. Portugal assistiu a uma vaga de investimento chinês nos últimos anos, que atingiu os seus pontos mais altos com a entrada da China Three Gorges na Energias de Portugal (EdP) e da China State Grid na Redes Energéticas Nacionais. (macauhub)".
Muito bem, Videversus avisou em matéria publicada há algumas semanas que o cartel do lixo no Brasil, reunido em sindicato em São Paulo, havia decidido iniciar uma ofensiva para unificar três áreas de saneamento básico: águas, lixo e esgoto. Como se vê, pelas negociações em Portugal, o grupo Solvi (dono da Revita), está associado com o grupo português Teixeira Duarte. O Grupo Solvi tem um domínio de monopólio na área do lixo no Rio Grande do Sul (controla quase totalmente os aterros sanitários no Estado, determinando quem ganha licitação de coleta do lixo em todos os municípios). Está agora estendendo sua atuação para o mercado de Santa Catarina. O grupo Solvi segue a determinação do sindicato brasileiro do lixo, e tenta integrar as três operações da área de saneamento, água, lixo e esgoto. O grupo Solvi já opera nas principais cidades gaúchas, como Canoas, São Leopoldo, Novo Hamburgo, Santa Maria, Rio Grande, e quer o mercado de Porto Alegre. Nas maiores cidades gaúchas, como Canoas e Santa Maria, há tratativas para privatização dos serviços de água e esgoto. Em Porto Alegre há uma peculiaridade. É preciso dar uma destinação final para 15 milhões de toneladas de lixo depositadas diretamente sobre o solo, sem qualquer cuidado ambiental, no gigantesco aterro localizado na cabeceira da pista do aeroporto Salgado Filho. O prefeito José Fortunati já emitiu um decreto estabelecendo que a área do aterro é de interesse público para efeitos de desapropriação. Ao mesmo tempo, já realizou a primeira parte de um processo de parceria público-privada para contratação de empresa que instale usina de queima de lixo e geração de energia elétrica. Ora, o grupo Teixeira Duarte, sócio do Grupo Solvi (Revita), tem usinas de queima de lixo implantadas em Portugal. Portanto, aí está outro indicativo poderoso para os promotores do Ministério Público do Rio Grande do Sul, sem que precisem sair de suas cadeiras de rodinhas. Mais um detalhe: já está decidida a construção do novo aeroporto internacional, com duas pistas, em Portão. Assim, daria para desmobilizar toda a enorme área do aeroporto Salgado Filho. Resumindo: a capital gaúcha contaria com o maior vazio urbano das cidades brasileiras, estendendo-se até o outro lado da Base Aérea de Canoas. É área suficiente para construir uma nova cidade, com negócios imobiliários não inferiores a 50 bilhões de dólares. Isso é o que move a classe política e os empresários, senhores promotores..... Se quiserem, para gastar seu tempo à beira do mar, usem seus IPads para examinar o site http://www.teixeiraduarte.com.br/empa-engenharia.html. Bom fim de semana....