quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

A ESPANTOSA IRRESPONSABILIDADE DOS QUE CONFUNDEM DIREITO COM MILITÂNCIA

Ouvi no Jornal Nacional que os advogados dos manifestantes — quem contrata quem nesse caso? — que representavam Fabrício Proteus Chaves, o rapaz baleado por PMs depois de resistir à prisão e ameaçá-los com um estilete, foram destituídos pela família. Proteus passará a ser defendido apenas pela Defensoria Pública.

O rapaz prestou depoimento nesta quarta. Sim, ele admitiu que avançou sobre os policiais com um estilete, mas diz que o fez depois de ter tomado um primeiro tiro. Acredite quem quiser. Admitiu também que os badulaques da mochila (próprios para o confronto com a PM) eram mesmo seus, exceção feita aos explosivos. O depoimento desmoraliza a história da luta de um coitadinho contra uma PM assassina. A família sabe disso. A Defensoria Pública sabe disso. A estratégia agora é a de redução de danos.
E o que fizeram os tais advogados que servem à causa? Afirmaram que Proteus prestou depoimento sob efeito de… morfina — sugerindo que não estaria plenamente consciente dos seus atos. É um escândalo moral. Já se tratou com morfina, leitor amigo? Eu já. Sim, dá uma felicidade imensa, sabem? Mas porque tira a dor. Só por isso. O uso hospitalar da droga, sob controle médico, não altera a consciência de ninguém. Trata-se de uma acusação delinquente.
Durante o depoimento, além dos advogados, estavam presentes familiares do rapaz e o defensor público Carlos Weis, que não pode ser considerado exatamente um amigo da polícia.
Os tais advogados estão bravos porque, acho eu, no fundo, eles estão pouco se lixando para o ex-cliente. Proteus havia se transformado numa causa. Como o seu depoimento — mesmo com aquela história de que só sacou o estilete depois do primeiro tiro — desmoraliza a história da carochinha da luta entre o paladino da liberdade a a PM carniceira, então eles se saem com essa história ridícula e, acho eu, eticamente grave.
Já que a OAB tem o monopólio da concessão do registro profissional, acho que a sua Comissão de Ética deveria se interessar pelo caso. Clientes não podem ser instrumentos de manipulação em favor de causas — por mais nobres que possam ser. E advogados não podem, do nada, acusar a Polícia, a Defensoria Pública e os familiares do cliente de participarem de uma farsa — e foi isso que eles fizeram. Estariam todos compactuando de um crime. A propósito: não está caracterizada aí a falsa comunicação de um crime, uma conduta prevista do Código Penal, que também vale os para os advogados? Não custa notar: eles não fizeram uma acusação no melhor interesse do seu cliente, não é? Por Reinaldo Azevedo

LEWANDOWSKI MANDA JUSTIÇA RETOMAR ANÁLISE DO PEDIDO DE JOSÉ DIRCEU PARA TRABALHAR FORA DA PAPUDA

O presidente interino do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, acolheu nesta quarta-feira pedido da defesa do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e determinou que a Vara de Execuções Penais do DF retome a análise da proposta de trabalho do petista fora do Complexo Penitenciário da Papuda – ele quer trabalhar na biblioteca do advogado José Gerardo Grossi. Condenado a dez anos e dez meses de prisão no julgamento do mensalão, Dirceu havia recorrido na última segunda-feira ao Supremo para tentar reverter a decisão da Justiça, que mandava parar a avaliação do seu pedido.

A decisão de interromper a análise do benefício ao petista foi tomada pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) do DF Ângelo Pinheiro Fernandes de Oliveira. O magistrado determinou a paralisação do caso enquanto não fosse esclarecida a suspeita de que Dirceu usou um telefone celular dentro da cadeia. As restrições impostas ao mensaleiro foram reiteradas na última sexta-feira pelo juiz Mario José de Assis Pegado, também da VEP.
Ao recorrer ao STF, a defesa de Dirceu alegou que um relatório de inteligência já havia descartado a hipótese de uso do telefone celular na Papuda ao apontar que “a conduta e assistência aos penados com seus advogados [é] realizada em sala adequada, separada por um vidro, dentro da área da carceragem, impossibilitando assim qualquer contato físico, apenas visual e verbal”. De acordo com o advogado José Luis Oliveira Lima, a apuração do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), onde Dirceu cumpre pena em regime semiaberto, também havia informado à justiça que o condenado passara por revista corporal antes e depois das conversas com advogados e que não foi encontrado nenhum celular com ele.
No recurso enviado ao Supremo, a defesa de Dirceu pedia a suspensão da decisão da Justiça e questionava os poderes da Vara de Execuções Penais para paralisar a avaliação sobre o trabalho externo mesmo depois das conclusões da investigação interna feita pelo presídio. A VEP havia afirmado que o episódio sobre o telefone celular deveria ser investigado detalhadamente e elencou, na ocasião, uma série de medidas a serem tomadas, como o depoimento do responsável pelo plantão no dia do suposto telefonema, a oitiva de servidores que acompanhavam o mensaleiro no dia da visita em que teria ocorrido a irregularidade, além da declaração de servidores que autorizam o ingresso de advogados e informações sobre se houve ou não revista aos defensores naquele dia.
Em seu despacho, o ministro Lewandowski destacou que o coordenador-geral da Gerência de Sindicâncias da Subsecretaria do Sistema Penitenciário esclarecera, entre outros pontos, que Dirceu não tinha contato físico com advogados ou visitantes – as conversas com defensores, por exemplo, ocorriam em salas separadas por vidros e impedia uma eventual troca de objetos, como um telefone celular. “Os elementos de prova à disposição do magistrado da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal (…) davam conta de que os setores competentes do sistema prisional, concluíram, à unanimidade, após procederem às devidas investigações, que os fatos imputados ao sentenciado não existiram. Determino ao Juízo da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal que analise, fundamentadamente, o pedido de trabalho externo formulado nestes autos”, disse Lewandowski em sua decisão.

EM BRASÍLIA E EM SÃO PAULO, O PT SE OCUPA DE..... ROLEZINHOS! OU: TUDO COMO ERA ANTES, MAS COM PETISTAS NO MEIO, ATRAPALHANDO

O PT, como se sabe, decidiu se meter com os rolezeiros. Nesta quarta-feira, o presidente da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), Nabil Sahyoun, esteve com o ministro Gilberto Carvalho, aquele que disse que a classe média se assusta com o “bando” (sic) de “negros e morenos” que passaram a frequentar os shoppings. Ele só se esqueceu de que os outros “negros e morenos” também não querem o troço. Sahyoun não deixou margem para ambiguidades: se houver rolezinhos marcados, os estabelecimentos fecharão as portas. E ponto. Foi inequívoco: “Nós estamos preocupados em ter uma Copa com muita paz, tranquila. A gente sabe que tem gente infiltrada para tentar criar problemas com a Copa do Mundo. Todo mundo pode fazer uma reivindicação sobre os problemas do Brasil. O que estamos preocupados é com pessoas com intenções de criar a quebradeira, a bagunça”. Ele tem razão.

Em São Paulo, deu-se outra reunião, esta entre o pagodeiro Netinho de Paula (PCdo B), secretário da Igualdade Racial de Fernando Haddad; Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce (Associação Brasileira de Shopping Centers); representantes do Shopping Metrô Itaquera e supostos porta-vozes dos rolezeiros — uma categoria criada pela mente divinal de Haddad.
Lembram-se daquele suposto acordo para fazer rolezinhos nos estacionamentos? Mais do que perigosa, a prática esbarraria em ilegalidades, como já observei aqui. Concentrações públicas requerem o cumprimento de normas e leis impostas pela própria … Prefeitura e pelo Corpo de Bombeiros. Sem contar que, obviamente, sabedores da possibilidade, os consumidores fariam o óbvio: dariam no pé.
Então se combinou o seguinte: os líderes de rolezinhos — pelo menos aqueles que a Prefeitura transformou em representantes do que foi transformado numa categoria — avisarão os shoppings com antecedência. Se houver a concordância do estabelecimento, tudo bem! Mas também não pode ser um grupo muito grande. Os eventos maiores ficam para as praças e outras áreas livres. Não me digam! Ah, sim: o representante dos shoppings deixou claro que os filiados não são obrigados a aceitar os eventos, mesmo com marcação prévia.
Quanta teoria sociológica vagabunda se produziu nesses dias, não é mesmo? É um caso clássico de muito barulho por nada. Netinho de Paula, aquele que anunciou uma espécie de privatização dos manos e das minas, foi mais realista nesta quarta, transferindo, claro!, o ônus de sua política de “integração” para os ombros alheios: “Quem vai dimensionar o evento e cuidar da segurança é o shopping”.
Não me diga! Por Reinaldo Azevedo

FIM DA PICADA! JUIZ DE BRASÍLIA ABSOLVE TRAFICANTE QUE LEVAVA 52 DE PORÇÕES DE MACONHA NO ESTÔMAGO PARA TRAFICAR DENTRO DA PAPUDA. RAZÃO? O DOUTOR CONSIDERA A DROGA "RECREATIVA"

Decisão de juiz se respeita, claro!, mas se discute — e, até onde a lei faculta, pode-se recorrer contra ela. O juiz Frederico Ernesto Cardoso Maciel, da 4ª vara de Entorpecentes de Brasília, vai virar um herói e um símbolo da causa da descriminação das drogas — particularmente da maconha. Será transformado numa espécie de nova face da Justiça: mais humana, mais compreensível, mais pluralista. Tudo bem! Digamos que fosse assim. Ocorre que o senhor Cardoso Maciel tem de julgar segundo as leis que temos, não segundo aquelas que ele pessoalmente acharia justas. O seu arbítrio não é subjetivo: transita num determinado orbital. Por que isso? O doutor resolveu absolver um traficante de maconha. E não era coisa pouca, não! Sob quais argumentos? Leiam trechos da reportagem de Felipe Coutinho, na Folha. Volto em seguida.

Escreveu o doutor:
“Soa incoerente o fato de outras substâncias entorpecentes, como o álcool e o tabaco, serem não só permitidas e vendidas, gerando milhões de lucro para os empresários dos ramos, mas consumidas e adoradas pela população, o que demonstra também que a proibição de outras substâncias entorpecentes recreativas, como o THC, são fruto de uma cultura atrasada e de política equivocada e violam o princípio da igualdade, restringindo o direito de uma grande parte da população de utilizar outras substâncias”.
O juiz Cardoso Maciel tem todo o direito se julgar a cultura brasileira “atrasada” — e posso imaginar o seu sofrimento ao ser juiz em meio a esse atraso, né? Mas nada o impede de se filiar a um partido político e disputar um lugar lá naquele prédio das duas conchas, não é mesmo? Refiro-me ao Congresso Nacional. É lá que se fazem as leis, meu senhor, não aí na 4ª Vara de Entorpecentes de Brasília. Quem deu ao juiz a competência para descriminar a maconha?
Atenção, senhores leitores, o réu em questão foi pego DENTRO DO PRESÍDIO DA PAPUDA COM 52 PORÇÕES DE MACONHA DENTRO DO ESTÔMAGO. O destino era o tráfico entre os presidiários. Pediu pena mínima, e o juiz decidiu absolvê-lo. O advogado do traficante certamente não esperava tanto.
A justificativa, com a devida vênia, é patética. Escreveu ele ainda, segundo a reportagem: “A portaria 344/98, indubitavelmente um ato administrativo que restringe direitos, carece de qualquer motivação por parte do Estado e não justifica os motivos pelos quais incluem a restrição de uso e comércio de várias substâncias, em especial algumas contidas na lista F, como o THC, o que, de plano, demonstra a ilegalidade do ato administrativo”.
Não está em questão, nem é de sua competência, o conteúdo da portaria. Ainda que ele não goste dela, não é sua função declarar a sua ilegalidade. Enquanto ele estiver investido da toga, cumpre-lhe considerar que ela integra o conjunto das normas do estado de direito — que inclui ainda a Lei Antidrogas, a 11.343.
De resto, observo que sentença de juiz não deveria servir para proselitismo e militância em favor de causas. Ademais, há uma questão de fundo: se a maconha fosse legal no Brasil, ele tem a certeza de que o traficante em questão não estaria com a barriga cheia de cocaína, por exemplo? Alguém dirá: “E você, Reinaldo, como pode levantar uma hipótese como essa?”. Posso, sim! O indivíduo sabia que estava cometendo uma ilegalidade — daí ter recorrido àquele ardil. E ele o fez não porque, a exemplo do doutor, considere injusta a ilegalidade da maconha, mas porque decidiu, de forma consciente, transgredir uma lei. Ele não era um militante da liberdade de escolha. Tratava-se apenas de alguém cometendo um ato que sabia ser criminoso.
Um crime que, não obstante, o juiz não reconheceu. Um despropósito absoluto. Por Reinaldo Azevedo

COMISSÃO DE ÉTICA SE NEGA A INVESTIGAR ESCALA DE DILMA EM PORTUGAL PORQUE DIZ NÃO TER COMPETÊNCIA PARA ISSO

A Comissão de Ética Pública da Presidência arquivou nesta quarta-feira o pedido de investigação sobre os gastos da presidente Dilma Rousseff em viagem secreta a Lisboa, onde passou quinze horas no sábado. O pedido para apurar se houve excesso nas despesas durante o pernoite de Dilma, quando ela e sua comitiva gastaram mais de 71.000 reais com hospedagem e alimentação, foi protocolado nesta terça pelo PSDB. De acordo com o presidente do colegiado, Américo Lacombe, a comissão não tem competência para julgar a Presidência ou a Vice-Presidência da República. “Nós só podemos julgar de ministro (inclusive) para baixo. Foi unanimidade”, disse Lacombe. “Nós somos o órgão auxiliar da presidente, a auxiliamos a fiscalizar os funcionários”, continuou. Dilma fez uma escala sigilosa em Portugal depois de participar do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, na sexta-feira, enquanto sua agenda oficial informava que ela seguiria direto para Havana, em Cuba. Após a aparição da presidente ter sido divulgada pela imprensa local, o governo brasileiro chegou a justificar a alteração na rota como uma medida tomada de última hora porque a aeronave não teria autonomia para voo direto entre os países. O governo português, no entanto, desmentiu a versão e afirmou que fora comunicado sobre a viagem com dois dias de antecedência.

Questionado sobre a falta de transparência da presidente, Lacombe afirmou que o tema não cabe. Também informou que os interessados em apurar o fato precisam recorrer ao Congresso Nacional ou ao Supremo Tribunal Federal. A oposição ainda aguarda um posicionamento da Procuradoria-Geral da República sobre o caso. O PPS e o PSDB também ingressaram com ações no Ministério Público pedindo a investigação dos gastos da Presidência em hotéis e restaurantes luxuosos de Lisboa. O presidente da Comissão de Ética disse ainda que tem o poder de investigar os ministros que acompanharam a presidente durante a viagem, mas que “não vê razão” para fazê-lo de ofício. “Eles estavam auxiliando a presidente. Ter jantando não é problema nenhum, desde que paguem a conta. Não é problema nosso ou do contribuinte.”
José Eduardo Cardozo
Nesta manhã, o colegiado também arquivou a representação contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, apresentada pelos tucanos. O ministro repassou à Polícia Federal documentos que envolviam políticos de oposição no cartel do metrô de São Paulo e deixou de investigar o presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Vinícius Carvalho, no caso. Por Reinaldo Azevedo

O DISCURSO DO "FAÇO E ACONTEÇO" DE OBAMA

A popularidade do presidente dos EUA, Barack Obama, nunca foi tão baixa. Nesta terça, no chamado discurso do “Estado da União”, anunciou que será um ano de ação e, como se está vendendo mundo afora, prometeu agir sem o aval do Congresso caso este não concorde com as suas propostas.

É mesmo, é? Obama agora virou ditador?
Acho que não. Ora, ele vai agir sem o aval quando isso for possível. O presidente dos EUA dispõe das chamadas “Ordens Executivas”, que são bem parecidas com as Medidas Provisórias no Brasil. Obama não será o primeiro presidente a recorrer a elas, mas sabe que isso implica desgaste. Até porque, ainda que seja demorado, à medida que ele fizer uma incursão numa determinada área, a depender do caso, o Congresso pode decidir votar uma lei específica sobre o tema.
Há eleições legislativas em novembro. Os republicanos devem conservar a maioria na Câmara, e se especula que podem conquistá-la também no Senado, o que reservaria o pior dos mundos para os dois anos finais do segundo mandato de Obama.
Não sei, não. Um discurso, assim, meio em tom de ameaça… Será que funciona nos EUA? Tendo a achar que não. Até porque, pensando pura e simplesmente na lógica do jogo, a ser essa a disposição de Obama, os republicanos podem empurrá-lo mesmo para um governo de perfil autocrático — a autocracia possível nos EUA, o que reforçaria justamente as características nas quais insiste a direita republicana.
Presidentes americanos, à diferença dos brasileiros, não dispõem da faculdade de propor projetos de lei, por exemplo, nem podem vetar parcialmente uma determinada matéria aprovada pelo Congresso — este, sim, muito poderoso. O contraponto são as ordens executivas. O problema é que, a depender da matéria, o que se compra é uma guerra política. Parece que a ameaça de Obama só faz com que cada um dos lados insista na estratégia já vigente: o presidente continuará a acusar os republicanos de tentar impedi-lo de governar; e os republicanos continuarão a acusá-lo de tentações ditatoriais. Por Reinaldo Azevedo

É, "AMIGATION", CABRAL ACHA, E COM RAZÃO, QUE O PT FEZ UMA "SAFADATION" COM ELE.....

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), reagiu ao rompimento do PT com a sua administração levando para o governo dois partidos que, no Rio, vão se alinhar com a candidatura do tucano Aécio Neves: o Solidariedade e o PSD. O primeiro, presidido pelo deputado Paulinho da Força (SP), já anunciou que caminhará mesmo com o senador mineiro. O PSD, de Gilberto Kassab, vai apoiar a presidente Dilma, mas não no Rio de Janeiro (é o lado PMDB da legenda). O comandante do partido no Estado é Índio da Costa, ex-DEM e ex-candidato a vice na chapa encabeçada pelo PSDB em 2010 — contra Dilma.. Ele já anunciou que apoiará Aécio Neves.

É sinal de que Sérgio Cabral pode romper com Dilma e se alinhar com a oposição? Ninguém aposta muito nisso, embora o governador não esteja nada feliz. E, obviamente, tem seus motivos. No tempo em que ele trafegava lá nas alturas, os petistas o tratavam a pão de ló. Não custa lembrar que ele era cotado até para ser um possível vice numa segunda candidatura de Dilma. Aí chegaram as jornadas de junho, e o governador do Rio foi quem mais sofreu com elas. Nenhum outro político, exceção feita a Fernando Haddad, sofreu desgaste tão grande — para não se recuperar depois.
O senador Lindbergh Farias (PT-RJ) vinha correndo por fora. Ninguém apostava muito. O próprio Cabral apostou que, na hora h, Lula daria um de seus murros na mesa e decidiria: “Vamos nos alinhar com Pezão, do PMDB”. Não desta vez. Quando o partido sentiu o cheiro de carne queimada, pulou fora. Os petistas não são exatamente os animais políticos mais leais — a não ser lá entre eles. E, ainda assim, desde que o vivente cumpra as vontades de quem decide. Deixar o governo Cabral nessa fase tem o inequívoco sabor da covardia e do oportunismo. Mas estão juntos há tanto tempo, não é? Eles se conhecem. O PMDB tem uma máquina considerável no governo do estado e na prefeitura. Se todos os que pretendem sair candidatos realmente se viabilizarem, o resultado é bastante incerto. Hoje, quem lidera as pesquisas de opinião — ai, ai… — é Anthony Garotinho, do PR. 
Cabral já teve seus dias de alegria e de euforia com o petismo. Quando Dilma ainda não era a rainha da popularidade, no Carnaval de 2010, este vídeo ficou célebre. Como no poema, a “festa acabou”. Vejam. Volto depois.
É, “amigation”, é Sérgio Cabral, não o Joel Santana. Convenham, né? Depois disso tudo, ele tem o direito de achar que fizeram uma “safadation” com ele…Por Reinaldo Azevedo

AS ELITES BRASILEIRAS, INCLUINDO BOA PARTE DA IMPRENSA, PERDERAM O JUÍZO E ESTÃO BRINCANDO, LITERALMENTE, COM FOGO

a besta
Ônibus deixaram de circular nas Zonas Sul e Oeste de São Paulo porque, desde o começo do ano, 29 coletivos municipais e 28 intermunicipais já foram incendiados na região metropolitana de São Paulo. As empresas e os motoristas não querem entrar nas áreas consideradas de risco. No domingo, em Santos, depois de sair de uma balada, cerca de 200 jovens resolveram fazer um arrastão num supermercado Extra. Clientes também foram espancados. Um deles levou um extintor na cabeça. Caído, foi alvo de chutes.
Os barateadores da sociologia — aos quais, em regra, a nossa imprensa é tão servil — podem começar a especular sobre, sei lá, o mal-estar do capitalismo nativo… De repente, aquele país que havia migrado em massa para a classe média teria resolvido se revoltar.
Segundo certa delinquência chique em vigor, agora, o tal povo da periferia estaria querendo “direitos”, cansado da segregação. E não veria melhor maneira de conseguir o que o faz feliz do que incendiando ônibus, saqueando supermercados, tentando explodir postos de gasolina. Eventualmente, fazendo rolezinhos, ao som do funk ostentação. Esses pensadores ainda não sabem se o pobre quer ser rico ou comer os ricos.
Quando leio os textos dos colunistas com o dedo sempre em riste — como se a culpa, então, pela desigualdade fosse de seus adversários políticos ou de seus inimigos ideológicos —, penso na satisfação vagabunda dos covardes intelectuais.
Acham que, caso se solidarizem com criminosos — que eles tomam como rebeldes primitivos, que ainda não se descobriram —, já terão, então, feito a sua parte. No boteco, já poderão se sentar à mesa de outros justos, partidários também estes da saliva justiceira.
O que está em curso é algo bem mais prosaico, bem mais comum.
Está em curso no país uma onda de depredação de qualquer noção de ordem e de limites. Ora, se há sempre uma origem social para qualquer crime e se o gesto, mesmo o mais extremo, se explica como expressão de um anseio democrático — o que implica a demonização da polícia e de qualquer esforço para restabelecer a lei —, então tudo é permitido.
Se a polícia atua para conter um rolezinho que fugiu do controle, ela apanha; se prende traficantes, ela apanha; se reprime os black blocs que saem por aí depredando e incendiando, ela apanha; se  um policial atira em legítima defesa, apanha também. O certo, talvez, fosse se deixar matar para não ofender a boa consciência dos justiceiros salivantes.
Desde junho, um mau espírito povoa a cabeça de pessoas antes sensatas, que têm a grave responsabilidade de produzir, num caso, informação — refiro-me à imprensa — e, no outro, educação e cidadania: refiro-me aos políticos.
Estes últimos têm-se negado, com raras exceções, a condenar com clareza a violência gratuita. Procuram, na verdade, fugir do assunto. A imprensa, também com exceções, patrulhada pelas redes sociais, esforça-se para concorrer com a popularidade do Facebook, preferindo a algaravia de vozes desconexas — sempre, claro!, em nome da justiça social.
É consenso que o País avançou bastante nos últimos 20 anos. Se mais não fez, não foi por excesso de apreço e de amor pela ordem. Ao contrário: é justamente onde nos esquecemos dos formalismos, do rigor e do decoro que as coisas se danam. E isso vale muito especialmente para os governos. Que se note: o povo, no geral, é muito mais ordeiro do que o estado no Brasil. Ou seria impossível botar o nariz fora da porta.
Os demagogos, no entanto, estão vencendo a batalha de valores e estão começando a acordar a fera. E é bom saber: a “fera” pode despertar em Londres, por exemplo, como já se viu. Não precisa ser necessariamente na periferia de São Paulo ou nos morros do Rio de Janeiro.
Podem anotar: se o País escolher deixar impunes os trogloditas que saem quebrando e incendiando tudo por aí; se a polícia for tratada como ré quando prende traficantes ou atira para se defender de um ataque; se todo fundamento ancorado na ordem for tratado como uma tramoia contra o povo, o resultado não será bom. À diferença do que poderiam pensar o PSOL ou o PSTU — e aqueles que gostam de fazer justiça com o próprio teclado —, o que vem não é a revolução.
Será que não devemos ser gratos pelo fato de o único líder carismático que há no Brasil, o sr. Luiz Inácio Lula da Silva, ser, assim, um burguesão do capital alheio, que, no frigir nos ovos, não quer arrumar confusão com os seus amigos banqueiros, seu amigos empreiteiros e seus amigos industriais? Na marcha da insensatez em que vamos, um amalucado, de extrema esquerda ou de extrema direita, encontraria um território fértil para a sua pregação.
As elites brasileiras nunca foram exatamente iluminadas. Mas, desta vez, parece que perderam o juízo de vez.  Para arrematar: como o PT, no fim das contas, está sempre ligado aos tais “movimentos sociais”, o PT vira uma espécie de incentivador da desordem, e Lula, o único garantidor da ordem para aqueles seus amigos. E o círculo se fecha. Por Reinaldo Azevedo

PROTEUS CONFIRMA QUE ATACOU POLICIAIS COM ESTILETE, MAS.... OU: O QUE DIRÁ AGORA A FRENTE ÚNICA DE DIFAMAÇÃO DA POLÍCIA? OU AINDA: QUANDO A DEFENSORIA PÚBLICA, PAGA PELOS PAULISTAS, SE DESMORALIZA


Eis o mais novo símbolo da democracia, segundo a Frente Única de Difamação da Polícia
Eis o mais novo símbolo da democracia, segundo a Frente Única de Difamação da Polícia
E agora? O que dirá a Frente Única de Desmoralização da Polícia, de que fazem parte setores da imprensa, do Ministério Público e da Defensoria? Fabrício Proteus Chaves foi ouvido na terça-feira pela polícia. Felizmente, está fora de perigo. Tanto é assim que pôde dar seu depoimento.
Vamos ver.
Ele confirma que atacou os policiais com um estilete. Até terça-feira à tarde, isso era tratado por setores da imprensa como conversa para boi dormir; coisa de policiais trogloditas, que vão às ruas para reprimir esses arautos alados da democracia. Ele confirma que todos os artefatos da mochila (menos os explosivos) — típicos de quem vai para a rua para o confronto — também eram seus. Até terça-feira, a palavra do próprio secretário de Segurança, Fernando Grella, era vista com desconfiança. É claro que se pode duvidar de um secretário. Mas é preciso que haja motivos para isso.
A versão de Proteus é diferente da dos policiais num único particular. Ele diz que primeiro levou um tiro e só depois reagiu. Então ficamos assim: Proteus é um homem de 22 anos que portava uma arma branca — segundo a sua família, coisa de estoquista… Ele confirma que atacou mesmo o policial, mas só depois de levar um tiro. Proteus é o homem que, quando leva um tiro, avança sobre o outro com um estilete. Faz sentido? Talvez para a Frente Única de Difamação da Polícia, que forma uma sigla não muito eufônica.
Carlos Weis, da Defensoria Pública, acredita piamente. Tanto é assim que saiu do depoimento afirmando que o rapaz agiu em legítima defesa. A Defensoria Pública é sustentada pelos impostos dos paulistas que trabalham, não quebram nada nem tentam furar ninguém com um estilete.
Assim, caros leitores, descarte-se a história de que o policial que atirou é que o fez para se defender. Nada disso! Teria sido o contrário. Quem acredita? Do que a Defensoria Pública quer brincar? Que tal de “história da Carochinha”?
É estupefaciente que tenhamos de lidar com coisas assim. A versão de Proteus põe a gente para pensar, não é? Se, ferido com um tiro, ele ainda saca um estilete do bolso para atacar policiais, a gente se põe a pensar do que ele não é capaz quando está em ação, sem ferimento nenhum.
Ele nega que os explosivos também fossem seus. Estes pertenceriam a Marcos Solomão, que foi detido pelos policiais na rua da Consolação, junto com o próprio Proteus, que conseguiu escapar. Assumir que carrega explosivos sempre complica a situação de um réu — se é que ele vai virar um.
Segundo os PMs, já ali, na primeira abordagem, ele os ameaçou com o estilete. Será que os policiais estão mentindo? Pois é… Será que Proteus só avança contra um policial com um estilete depois de levar um tiro?
Segundo o delegado titular do 4º DP (Consolação), José Gonzaga da Silva Marques, informa a Folha, os indícios apontam para uma reação de legítima defesa dos PMs. Fabrício responde a inquérito por desobediência, desacato e resistência.
Cesse tudo o que a antiga bibliografia cantava. O Brasil não precisa de Tocqueville. Precisa é de estilete. Não precisa de Congresso. Precisa é de estilete. Não precisa de Justiça. Precisa é de estilete.
O estilete é o mais novo instrumento de que dispõe a sociedade brasileira — que, como se sabe, vive debaixo de uma tirania — contra o estado e seu aparelho de repressão, as Polícias Militares.
Sinto vergonha até de reproduzir as palavras de alguns. E acho espantoso que não se envergonhem de pronunciá-las. Por Reinaldo Azevedo

DILMA NÃO COBROU DE SÃO PAULO; ELA QUER É FINGIR QUE NÃO É COM ELA....

Estão tentando dar uma “esquentada”, como se diz no jargão jornalístico, numa fala da presidente Dilma Rousseff. Não é difícil saber o que significa: como se considera que a notícia não é forte o bastante, recorre-se a um título que promete o que não entrega ou se usam verbos cuja força não corresponde aos fatos.

Leio na Folha Folha que Dilma disse o seguinte sobre os eventos de sábado em São Paulo:“Houve um problema, tem de ser esclarecido, mas também não se pode prejulgar. É importante que o governo do Estado de São Paulo esclareça as condições, como tem feito o secretário da segurança pública; nós esperamos esses esclarecimentos, junto com todos os brasileiros”. E ainda: “Eu sou contra atos de vandalismo, de violência, contra pessoas e patrimônio público e privado. Isso é inadmissível.”
Ah, bom. Sugerir que a presidente está cobrando uma resposta do governo de São Paulo é ir muito além de sua fala. Ela se limitou a uma declaração quase burocrática, admitindo, diga-se, que o secretário de Segurança, Fernando Grella, está dando os esclarecimentos necessários. Não! Dilma não cobrou nada de São Paulo. Prefere é fingir que não é com ela — embora o protesto havido no sábado seja com ela, sim. Por Reinaldo Azevedo

FORÇA SINDICAL E SINDICATO DOS RODOVIÁRIOS RESOLVEM ENGROSSAR, AGORA É GREVE GERAL DOS ÔNIBUS EM PORTO ALEGRE, BEM COMO QUERIAM OS DONOS DAS EMPRESAS, LOCKOUT ABSOLUTO

A greve dos ônibus em Porto Alegre, que vinha pacífica até o começo da noite desta terça-feira, com a parceria om os empresários, que bancam o "lockout", descambou assim que o sindicato de motoristas, controlado pela Força Sindical, decretou greve geral. Imediatamente começaram os ataques aos ônibus, e os motoristas passaram a voltar para as garagens das empresas com seu veículos. Cerca de 10 onibus foram apedrejados e danificados. O início da pancadaria parece coincidir com o retorno das férias do prefeito José Fortunati (PDT). Ele sabia que haveria greve, e mesmo assim saiu de férias. Deixou uma cidade descontrolada. Agora voltou e resolveu engrossar com grevistas e donos das empresas, como se não fosse ele o responsável maior pela chegada a esse ponto da crise no transporte coletivo de Porto Alegre. Reunido com empresários, Ministério Público, EPTC (empresa comandada por um filopetistas) e Justiça, no Tribunal Regional do Trabalho, o sindicato havia dito que ia cumprir a determinação judicial de colocar 70% da frota nas ruas durante o horário de pico (das 5h30min às 8h30min e das 17h30min às 20h30min). Mas, alegando pressão dos sindicalistas, o sindicato voltou atrás. Seu presidente, Julio Gamaliel, afirmou: "Sinto muito, quem decide são os trabalhadores e nós acatamos. Não é uma afronta à coitada da juíza. O trabalhador decidiu e temos de atacar".  Na tarde desta terça-feira, a juíza Ana Luiza Heineck Kruse havia decretado que 70% da frota deveria estar nas ruas durante os horários de pico, sob pena de multa diária de R$ 50 mil. A medida, em caráter liminar, atendia a uma solicitação da prefeitura da Capital. Júlio Gamaliel disse não ver problemas quanto à penalidade: "Depois nós veremos como pagar". Na audiência realizada no TRT, os membros do sindicato ouviram da desembargadora  que a decisão é "para ser cumprida, não cabe lado": "Eu estou determinando que assim será, não cabe lado, é para ser cumprida. Ordem do juiz se cumpre". Nesta quarta-feira veremos se ordem de juiz se cumpre pela Força Sindical. Os passageiros em Porto Alegre enfrentaram, nesta terça-feira, o segundo dia de greve dos rodoviários. O único alento, em relação à segunda-feira, é que a frota reduzida, com 436 ônibus, saiu mais cedo para a rua. Às 7h30min, 30% da dos ônibus estava na rua. Essa situação descontrolada continuará assim até que alguém tenha a coragem de determinar a realização urgente de uma auditoria patrimonial nas empresas e nos seus proprietários. Esses camaradas vêm engordando suas fortunas pessoais há mais de 40 anos na cidade, sem que jamais tenham passado por uma licitação dos serviços. É o mais gritante escândalo de Porto Alegre, todo mundo sabe e ninguém faz nada. Aliás, a administração José Fortunati é a campeã em fugir das licitações.