quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

DEFESA DE JOSÉ DIRCEU QUER, ACREDITEM VOCÊS!, QUE ELE TENHA LICENÇA PARA FAZER O SEU BLOG NA CADEIA

José Dirceu agora quer fazer seu blog na cadeia. Para tanto, precisa, naturalmente, de um laptop e de acesso à Internet. Sugiro que lhe concedam também secretária e equipe de apoio. O pedido foi encaminhado por seu advogado, José Luís de Oliveira Lima, o Juca. Quem sou eu para cuidar da reputação de Oliveira Lima, né? Ele deve saber o que faz. Advogado é advogado e deve procurar fazer o melhor para seu cliente. Mas também deve atentar para certas coisas. Há causas que grudam no profissional. Às vezes, para o bem; às vezes, não. Tomemos o caso do grande, do gigantesco homem franzino Sobral Pinto, que lutou bravamente contra duas ditaduras, a do Estado Novo e a de 1964. Sobral Pinto apelou à Lei de Proteção aos Animais para proteger o militante comunista Arthur Ernst Ewert — que tinha o codinome de Herry Berger — que viera ao Brasil para auxiliar Luiz Carlos Prestes no golpe comunista de 1935. Preso, foi barbaramente torturado, o que levou o militante católico e anticomunista ferrenho Sobral Pinto àquela decisão. Não encontrando na lei que protegia os homens uma forma de livrar seu cliente do horror, apelou à que protegia os bichos. Era um homem digno! Aquele ato corajoso se grudou à sua biografia. Oliveira Lima, há alguns dias, inventou que foi ele quem arrumou o emprego para José Dirceu no Hotel St. Peter. Ninguém havia acreditado. Depois que reportagem do Jornal Nacional evidenciou as, digamos, origens panamenhas do empreendimento, acredita-se menos ainda. Agora ele vem com essa história de pedir autorização para que José Dirceu faça o blog. É mesmo? Reportagem de Severino Motta, na Folha, expõe os motivos. Leiam trecho: “No pedido à Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, o advogado José Luis Oliveira Lima cita que a Lei de Execução Penal estabelece como direito dos presos “o contato com o mundo exterior por meio de correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação”. Desta forma, o direito à liberdade de expressão e informação está garantido aos presos, argumenta. No seu entender, só poderia haver restrição visando impedir crimes, para preservar a segurança do presídio ou evitar fugas e motins".
Retomo
Como Oliveira Lima não é sonso, ele só pode estar fazendo pouco caso da inteligência alheia. No mundo inteiro, mesmo nos países em que o respeito aos direitos dos presos é absoluto, existem regras em penitenciárias: corta-se o cabelo dos presos, impõe-se o uso de uniformes, recomenda-se que o detento não encarem os carcereiros, limita-se o direito à manifestação…Trata-se só de intimidação? Seria o estado burguês impondo, pela violência, as regras do capital ao corpo poético dos rebeldes, como poderiam sugerir alguns foucaultianos destrambelhados? Não! A penitenciária é um minissistema social. Se há um lugar em que deve prevalecer a igualdade — especialmente na restrição de direitos — é a cadeia. E é essa igualdade que desperta certo sentido de solidariedade, que acaba garantindo a convivência — sempre tensa. Dilma tentou ensinar isso aos petistas outro dia. Não adiantou. É claro que o pedido é um absoluto despropósito. Se Dirceu pode, por que não os outros? E se o Marcola resolver escrever textos de filosofia, por exemplo? E se Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP quiserem publicar suas memórias na rede? É uma piada. Vejam bem: por mim, a Papuda teria um ala só para abrigar alguns blogueiros. Mas sem blog.
Congresso do PT
O PT realiza na semana que vem o seu 5º Congresso Nacional. O partido já decidiu que fará um desagravo a seus mensaleiros. Corresponde, entendo, à apologia da corrupção passiva, da corrupção ativa, da formação de quadrilha e da lavagem de dinheiro. Por Reinaldo Azevedo

MINISTRO JOAQUIM BARBOSA DIVULGA NOTA DE PESAR PELA MORTE DE NELSON MANDELA

O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, divulgou nesta quinta-feira nota de pesar pela morte do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, aos 95 anos. Ele sofria de problemas respiratórios e estava recebendo cuidados médicos em casa. Joaquim Barbosa manifestou profundas condolências aos parentes de Mandela, ao governo e ao povo sul-africano. “A morte de Nelson Mandela torna o mundo mais pobre de referências de coragem, dignidade e obstinação na defesa das causas justas. Sua vida altiva traduziu o sentido maior da existência humana. Seu nome permanecerá como sinônimo de esperança para todas as vítimas de injustiça em qualquer parte do mundo", disse o presidente do Supremo Tribunal Federal.

PROPOSTA DE NOVA LEI DE LICITAÇÕES ACABA COM CARTA-CONVITE E TOMADA DE PREÇOS

As modalidades de licitação carta-convite e tomada de preços podem acabar na administração pública, segundo o texto que trata da Reforma da Lei de Licitações e que foi apresentado nesta quinta-feira no Senado Federal pela relatora do tema, senadora Kátia Abreu (PMDB-TO). O relatório final será votado na comissão especial temporária criada para tratar do assunto na próxima quinta-feira. O novo texto da lei de licitações estimula o pregão e a concorrência e mantém o concurso e o leilão como condições prévias para a contratação pelo setor público. Outra inovação introduzida pelo projeto é a responsabilização solidária da empresa ou prestador de serviços pelo dano causado ao erário na contratação direta indevida, por dispensa ou inexigibilidade de licitação. O projeto prevê que a autoridade máxima da administração contratante e os tribunais de contas deverão avaliar, periodicamente, o desempenho dos agentes que motivem ou autorizem a contratação direta indevida, promovendo a responsabilização, quando verificada irregularidade. A proposta da senadora Kátia Abreu veda a contratação direta para a execução de atividades técnicas especializadas relacionadas, direta ou indiretamente, a obras e serviços de engenharia ou arquitetura. O projeto institui a licitação para registro de preços permanente. Por essa modalidade, a existência de preços registrados implica compromisso de fornecimento nas condições estabelecidas, mas não obriga a administração a contratar.

MORREU NELSON MANDELA, UM HOMEM LIVRE

Nelson Mandela, símbolo da luta contra o preconceito e líder que guiou a África do Sul de uma ditadura segregacionista para uma democracia multirracial, morreu nesta quinta-feira, aos 95 anos. Figura inspiradora por sua incansável resistência ao regime racista do apartheid, Mandela construiu um dos mais belos capítulos da história do século XX ao se tornar o primeiro presidente eleito democraticamente na África do Sul, depois de passar 27 anos preso por sua oposição à ditadura. O anúncio foi feito pelo presidente sul-africano Jacob Zuma. Em pronunciamento transmitido pela TV, ele disse que Mandela morreu em paz, em sua casa em Johannesburgo, em decorrência de uma prolongada infecção pulmonar. “Nossa nação perdeu seu maior filho. Nosso povo perdeu um pai. Apesar de sabermos que este dia chegaria, nada pode diminuir nosso sentimento de profunda perda”, disse Zuma, informando que o ex-presidente terá um funeral de Estado. A saúde de Mandela vinha se deteriorando nos últimos dois anos, principalmente por causa da infecção pulmonar – resquício de uma tuberculose contraída na prisão. O ex-presidente esteve internado em um hospital de Pretória por quase três meses, entre junho e setembro, respirando com a ajuda de aparelhos.

RIO GRANDE DO SUL RECEBE MAIS 180 MÉDICOS CUBANOS

O Rio Grande do Sul recebe nesta sexta-feira e no sábado um grupo de 180 médicos cubanos que vão ocupar vagas ociosas da segunda etapa do Programa Mais Médicos em municípios gaúchos. Nesta sexta-feira, às 10 horas, 80 médicos escravos cubanos  devem desembarcar no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Nesta sexta-feira à noite, outro grupo com 80 médicos tem desembarque previsto para as 20h45. Os demais 20 médicos chegarão em Porto Alegre neste sábado, às 11 horas, no aeroporto Salgado Filho. Eles terão uma semana de acolhimento e formação em Porto Alegre. Neste período receberão informações sobre a realidade da rede pública de saúde do Estado e as características epidemiológicas da população. Entre 9 e 13 de dezembro, os profissionais assistirão a palestras sobre os diversos programas desenvolvidos nos municípios e coordenados pela Secretaria da Saúde, como o Primeira Infância Melhor (PIM), o TelessaúdeRS, a Rede de Atenção Psicossocial (Raps), além das políticas de atenção integral à saúde da mulher, do homem, da população LGBT, da pessoa com deficiência, entre outras. As atividades de capacitação terão início já neste fim de semana, quando os profissionais serão divididos em grupos para visitarem a Comunidade Terreira Ilé Àse Yemojá Omi Olodo, no Bairro Partenon, onde receberão informações sobre a Política de Saúde da População Negra no Rio Grande do Sul. A Região Sul receberá 200 médicos do total de 2.117 cubanos. A maior parte do novo grupo, 1.152 médicos, atenderá à população do Nordeste. O Norte contará com o adicional de 406 profissionais, o Sudeste, 247, e o Centro-Oeste, 112 médicos. Do total de 2.117 profissionais, 47 vão atuar em 16 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI).  A distribuição dos médicos nos municípios segue critérios técnicos, dando igual prioridade às cidades em que é maior a parcela de pessoas dependentes completamente do atendimento ofertado pelo SUS e àquelas com alto percentual da população em situação de pobreza, conforme classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os novos profissionais irão atuar na Atenção Básica em 87 municípios gaúchos, conforme relação a seguir: Alecrim, Alegrete, Alvorada, Arroio do Meio, Arroio do Padre, Arroio do Sal, Arroio do Tigre, Bagé, Barra do Quaraí, Butiá, Caçapava do Sul, Cachoeira do Sul, Cachoeirinha, Candiota, Canguçu, Canoas, Capela de Santana, Carlos Barbosa, Cerrito, Cidreira, Colorado, Cristal, Dois Irmãos, Dom Feliciano, Dom Pedrito, Doutor Maurício Cardoso, Eldorado do Sul, Encruzilhada do Sul, Esperança do Sul, Estância Velha, Farroupilha, Flores da Cunha, Formigueiro, Fortaleza dos Valos, Garibaldi, Gravataí, Guaíba, Herval, Ivoti, Jacuizinho, Lavras do Sul, Mampituba, Monte Belo do Sul, Morrinhos do Sul, Morro Redondo, Mostardas, Nova Palma, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Palmares do Sul, Parobé, Pelotas, Pinto Bandeira, Pirapó, Piratini, Portão, Porto Alegre, Porto Lucena, Porto Mauá, Porto Vera Cruz, Quaraí, Redentora, Restinga Seca, Rio Grande, Rio Pardo, Salto do Jacuí, Santa Maria, Santa Tereza, Santa Vitória do Palmar, Santana da Boa Vista, Santo Antônio da Patrulha, São Jerônimo, São José do Norte, São Leopoldo, São Lourenço do Sul, São Marcos, São Sepé, Sapiranga, Sertão, Taquara, Tavares, Terra de Areia, Tiradentes do Sul, Triunfo, Turuçu, Viamão.

ESTADO POLICIAL 1 - GILBERTO CARVALHO TENTA PAUTAR A IMPRENSA CONTRA OS TUCANOS, DIZ QUE SÓ O ESTADÃO TRABALHA DIREITO E ADMITE SEM QUERER: MENSALÃO USOU DINHEIRO PÚBLICO!

É impressionante! Nunca se viu nada parecido. Nem durante a ditadura algo semelhante ocorreria. Gilberto Carvalho, nada menos do que secretário-geral da Presidência, veio a público nesta quinta-feira para dar um pito na imprensa. Segundo este homem isento, o jornalismo não está dando a devida atenção à questão do cartel para a compra de trens em São Paulo. Isso ocorre um dia depois de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, ter prestado um depoimento na Câmara. Também um dia depois, um e-mail é vazado pela Polícia Federal — chefiada por Cardozo — ao qual se pretende emprestar as tintas do escândalo (no próximo post, trato do assunto). E NÃO HÁ NO REFERIDO TEXTO UM SÓ INDÍCIO DE CRIME. Na sua intervenção, é bem verdade, Gilberto Carvalho poupa um veículo. Ele está gostando muito do trabalho feito pelo Estadão. Na sua fala indecorosa, Gilberto Carvalho resolveu comparar a questão do cartel com o mensalão. Afirmou, segundo informa o próprio Estadão:

“Você compara o tratamento que a imprensa tem dado ao caso de São Paulo e ao caso do pessoal do PT, veja a diferença. Tirando o (jornal) O Estado de S. Paulo, não se pergunta pelo crime, se recrimina o acusador. Em São Paulo os volumes de recursos públicos passíveis dessa acusação são muito, muito maiores do que os recursos públicos em jogo no caso do mensalão”, afirmou.”
Retomo
Trata-se de uma mentira asquerosa. O caso está em todos os veículos de comunicação, EMBORA AINDA ESTEJA EM FASE DE INVESTIGAÇÃO. O Jornal Nacional, por exemplo, trata do assunto TODOS OS DIAS, com a fórmula que já se tornou um clássico: os contratos foram feitos “durante as gestões de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra, todos do PSDB”. Gilberto Carvalho está tentando pautar a imprensa. E vai conseguir. Setores importantes do jornalismo são reféns do tribunal do partido. Sem contar que o PT conta com a máquina suja dos blogs e sites financiados por gestões petistas e por estatais. É mentira! Todos os veículos de comunicação tratam do assunto, embora:
1: a apuração se dê no Cade e seja sigilosa;
2: exista um inquérito em curso na Polícia Federal, cujos dados são também sigilosos.
Apesar de tanto sigilo, diariamente são pinçados elementos tanto da apuração do Cade como do inquérito para incriminar os adversários do PT. Destaco, finalmente, que Gilberto Carvalho é o primeiro petista a admitir que houve, sim, uso de dinheiro público no Mensalão. Admitiu sem querer, mas admitiu:
“Em São Paulo os volumes de recursos públicos passíveis dessa acusação são muito, muito maiores do que os recursos públicos em jogo no caso do mensalão”.
É? Digamos que isso venha a se provar verdade: porque, então, os petistas teriam roubado menos, eles mereceriam perdão? É por isso que o PT, partido de que Carvalho é um dos chefões, vai fazer um ato de desagravo aos mensaleiros em seu 5º Congresso, na semana que vem? Porque roubaram menos? Por Reinaldo Azevedo

ESTADO POLICIAL 2 - TENTEM ACHAR ONDE ESTÁ A AÇÃO CRIMINOSA NO QUE VAI ABAIXO. OU: A DECLARAÇÃO DE GUERRA DE CARDOZO

O ministro Gilberto Carvalho tem suas preferências jornalísticas. Ok. Todos temos. A diferença é que ele é ministro de Estado e não pode ter a ambição de dizer o que a imprensa deve ou não deve publicar. Mas ele tem. Há uma reportagem no Estadão intitulada “Lobista aconselhou tucano a conseguir recurso no Exterior para obra do metrô”. Está sendo reproduzia na rede petista de comunicação, financiada com dinheiro público, como se ali estivesse a prova de um crime, de uma grande safadeza. Vou fazer o que não faço quase nunca: reproduzir o texto na íntegra (em vermelho). Comento em azul. Atenção! A reportagem é escrita a partir de um e-mail que integra o inquérito aberto pela Polícia Federal. Vem a público dois dias depois de José Eduardo Cardozo ter prestado um depoimento no Senado e um dia depois do depoimento à Câmara. Nos dois casos, ele foi questionado sobre a condução política da apuração feita pelo Cade e pela Polícia Federal. Ele, claro!, negou que esteja havendo direcionamento e, acreditem vocês!, lamentou os vazamentos. É provável que, ao mesmo tempo, o tal e-mail, que integra um inquérito sigiloso, estivesse sendo… vazado! “Até aí, se o e-mail revela um crime…” Bem, peço que vocês leiam a reportagem. Acionem aí um marcador de texto na tela e tentem colorir a passagem que indica uma ação criminosa. Vamos ver.

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Por Ricardo Chapola, Fausto Macedo e Fernando Gallo:
Cópia de e-mail em posse da Polícia Federal mostra que Jorge Fagali Neto, apontado como lobista da multinacional francesa Alstom e intermediador de propinas, fez sugestões, no fim de 2006, sobre como o governo estadual deveria agir no setor metroferroviário ao tucano Aloysio Nunes Ferreira, então coordenador da campanha de José Serra (PSDB) ao comando do Estado. Uma dessas sugestões — a busca de dinheiro externo para obras de uma linha do Metrô — acabou concretizada depois de Serra ser eleito e Aloysio assumir a Casa Civil do Estado. A obra foi tocada por um consórcio que tinha a Alstom como sócia.
O verbo “dever” é sempre complicado: pode indicar uma relação de subordinação ou simplesmente uma sugestão: “Acho que você deve parar de fumar…”. O tal Fegali estaria dando uma “ordem” a Aloysio ou fazendo uma sugestão, no contexto, óbvia: “Acho que vocês devem procurar financiamento externo…”. Afirmar que, em obras do metrô, deve-se buscar dinheiro no exterior sugere ação criminosa? E daí que a Alstom fosse sócia do consórcio? A questão é saber se houve irregularidade. É isso o que existe de mais grave no e-mail? “E se houver outra coisa?” Ah, bom, aí vamos ver.
Anexada nos autos da investigação sobre o cartel de trens suspeitos de atuar nas gestões do PSDB entre 1998 e 2008, a correspondência é de 26 de setembro daquele ano eleitoral. Faltavam cinco dias para a votação e as pesquisas demonstravam que Serra venceria no 1º primeiro turno, o que de fato ocorreu. Na ocasião, além de coordenar a campanha de Serra, o hoje senador Aloysio era secretário de Governo de Gilberto Kassab (PSD) na prefeitura paulistana.
Sim, tudo isso é fato. E daí? Há a sugestão de um esquema eleitoral ou algo assim, ou, nesse caso, dados referenciais aparecem apenas para tentar adensar o clima de denúncia do texto?
Fagali é um dos 11 indiciados pela Polícia Federal por suspeita de ilegalidades envolvendo contratos de energia da Alstom com o governo estadual. Os investigadores afirmam que ele cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Fagali nega. Antes de se transformar em consultor do setor metroferroviário, no qual a Alstom também atua e é suspeita de formar cartel, ele havia sido secretário de Transportes do governo Luiz Antonio Fleury Filho por um ano: em 1994. Fagali sucedeu no cargo justamente Aloysio, que foi secretário de Transportes de Fleury entre 1991 e 1993. Ou seja, Fagali e Aloysio se conhecem “há muitos anos”, nas palavras do próprio senador tucano, segundo quem o e-mail de 2006 foi apenas um “alerta de um amigo” sobre a situação do setor metroferroviário naquele momento.
Se Fegali é isso tudo, que se leve a apuração adiante e que a Justiça atue. O ponto é outro: o que, até agora, caracteriza crime? Alguém que é ligado à área de transportes, que conhece o setor, seja lobista ou consultor, pouco importa, sugerir que se busque financiamento externo para o metrô constitui indício de crime?
O irmão do consultor, José Jorge Fagali, foi escolhido por Serra para presidir o Metrô, estatal do governo, cargo que ocuparia entre os anos de 2007 e 2010. Fagali, o consultor que mandou o e-mail com as sugestões para Aloysio, está hoje com os ativos bloqueados na Suíça. São US$ 6,5 milhões travados pela Justiça do país europeu por suspeita de lavagem de dinheiro.
Tudo isso é fato, que vem endossar o… O quê? Cadê a evidência do crime, a sugestão que seja. Reitero a pergunta: no resto do e-mail estaria a prova do crime? Ou o crime está no próprio e-mail?
No e-mail, Fagali sugeriu, entre outras coisas, que Aloysio acionasse o Banco Mundial para angariar recursos para a Linha 4-Amarela do Metrô. “Para a linha 4, acredito ser possível um aditamento ao contrato do Banco Mundial”, escreveu o consultor no e-mail. Em abril de 2008, no segundo ano da gestão Serra, o governo assinaria com o Banco Mundial, conforme sugerido pelo consultor, um aditamento de US$ 95 milhões ao contrato de US$ 209 milhões de 2002 para a construção da linha 4-Amarela do Metrô.
E daí? Esse aditamento contém alguma irregularidade? O que há de exótico em que alguém faça essa sugestão?
O dinheiro extra foi usado para obras de ampliação da linha e aquisição de equipamentos, como trens e trilhos. Responsável pela construção da Linha 4, o consórcio Via Amarela tinha entre seus sócios a Alstom. A multinacional francesa forneceu toda a infraestrutura dessa linha do Metrô, como sistema de alimentação de energia e sistemas de controle e de comunicação.
Era e é uma das gigantes do setor. A questão, de novo, é saber se, nesse processo, houve fraude.
O e-mail de Fagali ao tucano chegou às mãos da Polícia Federal por meio de uma ex-funcionária do consultor chamada Edna da Silva Flores. Ela foi secretária pessoal de Fagali entre 2006 e 2009 e prestou depoimento aos federais no dia 9 de outubro passado. Edna disse que “Fagali trocava e-mails com Aloysio Nunes acerca de licitações de metrô em SP”. Ainda em seu depoimento, a ex-funcionária de Fagali fala da amizade do consultor com outros políticos, como Serra. Segundo relatou Edna, Fagali era “muito amigo” do tucano. “Jorge Fagali Neto (…) viajou com Serra para o Japão com a finalidade de tratar de assuntos financeiros do metrô de São Paulo”, disse no depoimento anexado aos autos da polícia. O ex-governador diz que nunca esteve no Japão com Fagali.
Vocês acham mesmo que quem pretende fazer, para usar a palavra óbvia, sacanagem fica combinando essas coisas por e-mail? Tudo o que vai no texto é fato. Todos os fatos estão encadeados para sugerir que houve um grande conluio. Mas conluio em torno de quê?
Edna também relatou ao delegado a relação de Fagali com os irmãos Arthur e Sérgio Teixeira, também consultores apontados como intermediadores de propinas do cartel de trens. Sérgio já morreu e Arthur está indiciado sob suspeita de atuar ilegalmente para as multinacionais do setor metroferroviário. “Fagali tinha contato quase diário com Sergio Teixeira e Arthur Teixeira.”
Não entendi o “também consultores”. Então os Teixeira são consultores, mas Fegali é lobista, é isso? Para usar o “também”, ou Fegali também é consultor, ou os Teixeira também são lobistas.
Em outra parte do inquérito, há um relatório não assinado, mas escrito em abril deste ano pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer, em que Aloysio é citado como sendo próximo de Teixeira. No mesmo relatório, o ex-diretor da empresa alemã sugere que o chefe da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin, Edson Aparecido, foi destinatário de propina. Aparecido chama a acusação de “absurda”.
E pronto! Estamos de volta às cartas de Everton, aquele que confessa ter combinado a denúncia com o chefe do Cade, que pediu a proteção “do partido” e até um emprego. Vocês acharam o crime? Reitero: esse e-mail é parte do inquérito conduzido pela Polícia Federal. O chefe da Polícia Federal é José Eduardo Cardozo. José Eduardo Cardozo é aquele que depôs na Câmara e no Senado e que lamentou os vazamentos. É claro que se trata de uma declaração de guerra. E a campanha eleitoral, oficialmente, ainda nem começou. Tem tudo para ser uma das mais sujas da história. Aguardem pra ver. É assim que Gilberto Carvalho gosta. Por Reinaldo Azevedo

ESTADO POLICIAL 3 - A SELETIVIDADE DA POLÍCIA DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO E O JEITO GILBERTO CARVALHO DE DAR NOTÍCIAS

Estado policial é aquele em que o poder de investigação é posto não a serviço da verdade ou da sociedade, mas de quem está no poder. Gilberto Carvalho já anunciou para a imprensa qual é o modelo de jornalismo de que ele gosta. É o do Estadão. Sem dúvida, a gente nota que o jornal tem acesso a informações sigilosas tanto do Cade como da PF. Pode ser mérito. Por estar tão atilado e ligado ao caso é que pergunto: a reportagem ignorava estas informações, publicadas na seção “Painel” da Folha nesta quarta? Leiam com atenção. Volto em seguida.

Dois guichês
João Roberto Zaniboni, ex-diretor da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) condenado na Suíça por lavagem de dinheiro e indiciado no Brasil sob suspeita de atuar em cartel em contratos de trens em São Paulo, também recebeu da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos), empresa de economia mista ligada ao governo federal. A Focco, empresa da qual Zaniboni era sócio até agosto, tem contrato de R$ 4,6 milhões para consultorias em obras de metrô que integram o PAC.
Escopo
A Focco tem 50% de participação no consórcio contratado em dezembro de 2012 para fazer consultoria técnica, apoio ao gerenciamento e supervisão dos contratos de fornecimento de equipamentos para as regionais da CBTU em Belo Horizonte, Natal e João Pessoa.
Em caixa
Segundo o advogado de Zaniboni, Luiz Fernando Pacheco, a empresa recebeu R$ 500 mil, ou 24,5% de sua parte do contrato. O relatório de gestão da CBTU informa que os R$ 4,6 milhões já foram empenhados e liberados e estão inscritos nos restos a pagar de 2012.
De fora
O contrato com a CBTU não apareceu até agora nem no inquérito da Polícia Federal, no qual a Focco e Zaniboni são citados, nem na apuração aberta pelo Cade sobre cartel. A empresa está com bens bloqueados em função das investigações sobre contratos em São Paulo.
RetomoEntenderam? Quando o tal Zaniboni trabalha para uma empresa sob gestão tucana, ele é lobista; quando atua para uma empresa sob gestão petista, aí ele é “consultor”. Uma questão com essa importância não chegou a uma reportagem que sabe tudo do caso? Para a Polícia Federal, Arthur Teixeira, outro dos investigados no caso, é “lobista”. Encontros sociais com tucanos foram usados como indício de ação criminosa. Muito bem: Teixeira se encontrou com Cardozo. No depoimento do ministro à Câmara, os deputados lhe perguntaram se ele esteve mesmo com Teixeira “em 2003, 2004, 2005…”. A todas as perguntas, o ministro respondeu com um “pode ser”. O Estadão não deu uma linha a respeito. Julgou que não é notícia. O jornal usado por Gilberto Carvalho como referência também não deu atenção (não a compatível com o resto) aos indícios de cartel na construção dos metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte. São contratos no valor de R$ 244 milhões e R$ 172 milhões, celebrados pela CBTU, uma estatal federal, aquela mesma de que Zaniboni é consultor. Se quiserem ler mais a respeito, seguem dois links. Volto depois.

Um milagre do PT – O metrô que liga Belo Horizonte a Porto Alegre

A grande diferençaSe eu fizesse aqui, para o “outro lado”, o trabalho que faz a subimprensa suja e financiada para o PT, estaria a negar de pés juntos que tenha havido irregularidade em São Paulo, assegurando que são todos inocentes e professores de Educação Moral e Cívica. Uma ova! Que se investigue tudo e que os culpados, se houver, paguem. A minha questão é outra desde sempre:
1: acuso, sim, o direcionamento das investigações;
2: esse direcionamento se revela por meio de vazamentos cuidadosamente planejados, oriundos do Cade e da Polícia Federal;
3: personagens que aparecem como “lobistas” na investigação da PF também atuaram para a estatal federal, e não há investigação a respeito;
4: os indícios de cartel nos metrôs de Porto Alegre e Belo Horizonte são gritantes, e isso não gera nem notícia;
5: a Siemens, que assinou o acordo de leniência, é uma das maiores fornecedoras de estatais federais, especialmente na área de energia, e não há qualquer apuração em curso. Segundo o governo, é porque não há “denúncia”. Certo! E qual é a origem da denúncia em São Paulo? O PT.
6: os diretores da Siemens que assinaram o acordo de leniência com o Cade celebraram 30 contratos com o governo federal. Nada está sendo investigado.
Ainda que fossem todos culpados em São Paulo, o “estado policial” estaria caracterizado do mesmo jeito. Porque também é próprio de um estado policial punir os bandidos alheios, mas preservar os próprios. Gilberto Carvalho,  o ombudsman da imprensa, diz qual é o seu gosto. Por Reinaldo Azevedo

BANDIDO MENSALEIRO PETISTA JOSÉ DIRCEU DESISTE DE TRABALHAR EM HOTEL

Condenado no escândalo do Mensalão do PT, o ex-ministro da Casa Civil, o bandido mensaleiro José Dirceu (deputado federal cassado por corrupção), desistiu nesta quinta-feira de trabalhar como gerente administrativo no hotel Saint Peter, em Brasília, com salário de 20 000 reais. Em nota, o advogado José Luis Oliveira Lima, que defende o petista, atribuiu a desistência a um “linchamento midiático” contra o mensaleiro. “A proposta de emprego foi tratada por setores da imprensa como uma farsa. Essa atitude denuncia a intenção de impedir que o ex-ministro trabalhe, direito que lhe é garantido pela lei e que vale para todos os condenados em regime semiaberto”, disse o defensor. Nesta quinta-feira, a Cooperativa Sonho de Liberdade, integrada por 80 presidiários, formalizou no Supremo Tribunal Federal oferta de emprego para o trio bandoleiro petista formado por José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. No caso do ex-ministro da Casa Civil, a proposta é para ser administrador da parte de fabricação de artefatos de concreto, com salário de 508,50 reais, vale-transporte e refeição no local de trabalho.

BANDIDO MENSALEIRO VALDEMAR COSTA NETO RENUNCIA AO MANDATO DE DEPUTADO FEDERAL

O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), condenado a sete anos e dez meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, renunciou ao mandato de parlamentar na tarde desta quinta-feira. A decisão se deu logo após o Supremo Tribunal Federal ter determinado sua prisão imediata – e também a dos ex-parlamentares Pedro Corrêa e Carlos Rodrigues, e do ex-executivo do Banco Rural, Vinicius Samarane. Dos quatro, Corrêa e Samarane já se entregaram. O anúncio oficial foi feito pelo deputado federal Luciano Castro (PR-RR), que leu a carta de renúncia em plenário. De acordo com o líder do PR na Câmara, Anthony Garotinho (PR), Valdemar Costa Neto a entregou há cerca de dez dias no gabinete da liderança da Câmara. No documento, Valdemar afirma que embora a Constituição lhe garanta o direito de exercício ao mandato até o fim de eventual processo de cassação, ele não cogita “impor ao parlamento a oportunidade de mais um constrangimento institucional”. A renúncia reprisa decisão de 2005, quando o ex-presidente do PL (atual PR) entregou o cargo na Câmara dos Deputados em decorrência das denúncias do escândalo do Mensalão do PT. Há oito anos, a renúncia livrou Valdemar Costa Neto de um eventual processo de cassação e permitiu seu retorno ao cenário político. Mesmo sendo apontado como um dos envolvidos no maior esquema de corrupção do País, ele conseguiu eleger-se em 2006, com 104.000 votos, e em 2010, graças aos votos puxados pelo companheiro de partido, o deputado federal Tiririca, que obteve 1,3 milhão de votos. Dessa vez, no entanto, a renúncia de Valdemar Costa Neto só evita um desgaste ainda maior com a Casa. De acordo com a Lei da Ficha Limpa, o parlamentar somente vai retomar seus direitos políticos daqui 15 anos, já que o período de oito anos de inelegibilidade começa a ser contado após o cumprimento da pena. Ou seja: o deputado somente voltaria à cena política com 80 anos. Valdemar Costa Neto foi apontado como um dos integrantes do esquema de recebimento de propina em troca de apoio político ao governo Lula. De acordo com denúncia do Ministério Público, o parlamentar recebeu 8,8 milhões de reais do valerioduto e usou uma empresa fantasma para disfarçar a origem dos recursos. Esta foi a segunda renúncia da semana. Na última terça-feira, o deputado André Vargas (PT-PR) apresentou à Mesa Diretora da Câmara dos Deputados a carta de renúncia de José Genoino (PT-SP), condenado por corrupção ativa. O deputado licenciado já cumpre pena em regime domiciliar, mas tomou a decisão de renunciar quando o PT constatou que seria inevitável fugir de um processo de cassação. O suplente direto de Valdemar Cosa Neto é Helcio Silva (PT), vice-prefeito de Mauá, que já sinalizou que não deve assumir o cargo, tendo já recusado o posto quando lhe foi oferecida a vaga de José Genoino (PT-SP). O próximo da lista é Gustavo Petta (PCdoB), ex-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE). Petta atualmente é vereador de Campinas, mas estuda largar o posto para assumir a cadeira na Câmara dos Deputados.

ZILMINO TARTARI, EX-DIRETOR DO PMDB NA PROCEMPA, DÁ DEPOIMENTO VACILANTE EM CPI NA CAMARA MUNICIPAL DE PORTO ALEGRE

O ex-diretor técnico da Procempa, o peemedebista Zilmino Jacedir Tartari, prestou depoimento nesta quinta-feira na CPI que investiga irregularidades na estatal de tecnologia da informação da prefeitura de Porto Alegre. Zilmino Tartari havia renunciado ao cargo em junho, junto com o ex-presidente da empresa, o petebista André Imar Kulczynski (aquele de cuja janela de casa voou um pacote com 45 mil reais), quando o escândalo de corrupção na estatal se tornou público agudo. O presidente da CPI, vereador Mauro Pinheiro (PT), considerou evasivo o depoimento de Zilmino Tartari. Algumas irregularidades, no entanto, foram confirmadas pelo ex-diretor peemedebista aos parlamentares que ocupavam o plenário da Câmara Municipal. Zilmino Tartari disse que se viu obrigado em algumas ocasiões a recusar-se a assinar processos por problemas no “rito formal”. O vereador petista Mauro Pinheiro julgou significativos os silêncios e hesitações do ex-diretor, especialmente quanto à contratação pela Procempa das empresas Pillatel e Bratelco, e acerca da implantação do Sistema Integrado de Administração Tributária (Siat) para uso da Secretaria Municipal da Fazenda (SMF). Ao ser indagado pela vereadora Fernanda Melchionna (Psol) se sabia que a Pillatel e a Bratelco tinham os mesmos proprietários, Tartari limitou-se a responder que os CNPJ eram distintos. Quanto a seu envolvimento na contratação, ou se teve ciência dela, limitou-se a dizer que “ouviu falar” no contrato, garantindo se tratar de um acordo operacional que não era prejudicial para a Procempa. Ou seja, as coisas aconteciam no âmbito da diretoria dele (a Diretoria Operacional), e ele só "ouvia falar". Fernanda Melchionna definiu como “de pai para filho” o acordo da estatal com as duas empresas. A Pillatel era contratada para instalação de fibra óptica. Já a Bratelco firmou contrato com a Procempa em abril de 2011 para obter acesso a banda larga. O acordo determinava carência de dois anos, ou seja, a Bratelco passaria a pagar somente em maio de 2013. Antes disso, a empresa lucrou com provimento de acesso à internet sem nada pagar à Procempa. Dos pagamentos que teria de fazer desde maio, nenhum foi quitado e a Bratelco manifestou intenção de rescindir o contrato. Quanto ao Siat, Zilmino Tartari confirmou que tinha viajado a Curitiba em agosto de 2007 para discutir o funcionamento do sistema com técnicos da Consult. Mas foi evasivo quando o presidente da CPI inquiriu-lhe o motivo de tratar do Siat com tanta antecedência, visto que o contrato só seria assinado em 2010. Zilmino Jacedir Tartari também não soube explicar a razão de três viagens a Curitiba, em 2010, do ex-presidente Kulczynski; do secretário municipal da Fazenda, Roberto Bertoncini; e do procurador-geral do município, João Batista Link Figueira, para reuniões com a Consult. Pinheiro considera suspeita esta contratação desde seu início, em 2005, quando a Procempa trabalhava no projeto de um sistema com a finalidade do Siat. Após ser consultada em 2005, pelo então secretário municipal da Fazenda, Cristiano Tatsch, se teria condições de concluir o sistema em seis meses, a empresa respondeu que a tarefa era impossível. Diante disso, o governo realizou licitação em 2006 e contratou, após três anos, a Consult. Depois de receber R$ 5,2 milhões pelo desenvolvimento do sistema, a empresa paranaense colocou-o em operação em julho de 2012, sem que estivesse concluído. Desde estão o Siat vem operando com falhas, gerando reclamações dos funcionários da SMF e causando prejuízos ao município. De acordo com Pinheiro, Porto Alegre teria deixado de arrecadar, apenas em IPTU, R$ 58,3 milhões em 2012 e 2013 (os dados de novembro e dezembro de 2013 são estimados). O vereador petista Mauro Pinheiro está considerando convocar para depor o mentor de Zilmino Jacedir Tartari.

AGORA OS PETISTAS SE DÃO CONTA DOS ESTRAGOS PRODUZIDOS PELAS MANDRAKICES DO SECRETÁRIO DO TESOURO NACIONAL, O NEOTROTSKISTA GAÚCHO ARNO AUGUSTIN

Insatisfeitos com os ataques à dificuldade do governo Dilma de equilibrar gastos e receitas, técnicos do Tesouro Nacional passaram a cobrar do secretário Arno Augustin uma definição mais clara sobre até onde o governo pretende ir na área fiscal. Ou seja: qual é o teto de endividamento para bancar a política atual. Há dez dias ele reuniu sua equipe para "lavar roupa suja". Pouco afeito a debates com seus assessores, o neotrotskista Arno Augustin (membro da ultra-radical seita petista DS - Democracia Socialista, comandada pelo deputado estadual sul-riograndense Raul Pont) foi obrigado, dessa vez, a ouvir reclamações e cobranças. Técnicos quiseram saber, por exemplo, se há limites para as operações do BNDES, principal financiador da agenda econômica. O encontro ocorreu antes da mais nova manobra atribuída ao petista: um empréstimo da Caixa Econômica Federal para a Eletrobras pagar dívidas com o setor elétrico. A operação teve de ser abortada diante da repercussão negativa, embora tenha sido decidida em reunião com o ministro Guido Mantega (Fazenda) e a própria presidente petista Dilma Rousseff. Desde o ano passado, o neotrotskista Arno Augustin é apontado como o principal responsável pela perda da credibilidade de Dilma na área fiscal. Em 2012, lançou mão do que foi chamado de "contabilidade criativa" para engordar o caixa do governo sem, de fato, economizar. A prática consiste em tirar da conta dos gastos despesas como as feitas com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e em inflar as receitas antecipando, por exemplo, a entrada de dividendos de estatais. Esse é um dos truques. Arno Augustin também foi atacado por falta de transparência nas estatísticas oficiais. Para se preservar, precisou sair de cena por meses. Reduziu sua participação em reuniões e passou a falar menos nos encontros técnicos. Mas, nas últimas semanas, voltou à ativa, opinando em debates sobre infraestrutura e sendo mais acionado pela chefe. Há dez dias, quando ouviu queixas de seus subordinados, Arno augustin reagiu mal, segundo relatos. Enfatizou que a direção da política econômica quem dá é a presidente e cabe a eles cumpri-la. Disse, ainda, que o governo está no caminho certo e que o fundamental é retomar investimentos. Recusou-se, contudo, a fixar metas. E culpou o mercado e a imprensa pelas críticas que ele e o governo vêm recebendo. Apesar do discurso defensivo e do esforço do Planalto, o secretário segue alvo de "fogo amigo". Nesta semana, com o caso Eletrobras, auxiliares passaram a dizer, em tom bem-humorado, que o secretário precisa frequentar um centro de reabilitação. E voltar, em 2014, completamente abstinente: "Meu nome é Arno Augustin, tenho 53 anos e há X dias não manobro". As trucagens dele são conhecidas desde quando era secretário da Fazenda do Rio Grande do Sul, durante o governo de Olívio Dutra, conhecido como o "Exterminador do Futuro". E daí o seu apelido de "Mandrake". Ele também aprendeu essas "trucagens" enquanto foi auditor externo de carreira do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

CAI A MÁSCARA. PERPLEXO COM A MAQUIAGEM PETISTA, MERCADO PROJETA PIB DE 1,5% PARA O BRASIL EM 2014

Após a divulgação, na terça-feira, de que a economia brasileira se retraiu 0,5% no terceiro trimestre deste ano, economistas começaram a recalcular suas projeções para o crescimento do País no próximo ano, que variam agora desde apenas 1,5% a até 2,1%, segundo levantamento feito em oito bancos e consultorias. O Banco Fibria, por exemplo, reduziu a projeção de 1,8% para 1,5%, a Opus Gestão baixou de 1,8% para 1,6% e o Citibank manteve os 2%. Segundo Silvia Matos, coordenadora do Ibre da Fundação Getulio Vargas (FGV), nada parece ser capaz de “salvar” o PIB do ano que vem. Segundo ela, sem reformas tributária e trabalhista, além de um ajuste fiscal, o País não acelera: "O próximo ano será para controlar a inflação, com juros crescendo mais, renda e crédito crescendo menos. E o lado fiscal não vai ajudar. Temos pouca margem de manobra. Só um milagre". Silvia Matos prevê alta de apenas 1,8% do PIB em 2014. O crescimento do próximo ano será menor do que o deste ano - previsto em 2,2% a 2,4% - pela própria herança de baixo ritmo deste ano. O economista José Márcio Camargo, da PUC-Rio e Ópus Gestão, afirma que o crescimento seria possível se medidas tivessem sido tomadas desde 2012, como os investimentos em infraestrutura, que atrasaram, e um ajuste fiscal: "Se o governo aumentasse o superávit fiscal primário, teria ganho de credibilidade e atrairia investimento privado. Mas seria algo para se beneficiar só em 2015". Para Claudio Frishtak, presidente da consultoria Inter.B, o programa de concessões de aeroportos, rodovias e ferrovias deve elevar a taxa de investimento em infraestrutura no próximo ano para 2,80%, acima dos 2,33% de 2012 e dos 2,45% previstos para este ano: "É um número positivo, mas nada suficiente para elevar o PIB para algo muito acima de 2%". Integrantes da equipe econômica avaliam que muito pode ser feito a curto prazo, mas destacam que a ordem é não adotar medidas que tenham impacto no superávit primário. Um dos caminhos seria impulsionar os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e agilizar as privatizações. Mas, nos bastidores, os técnicos fazem uma crítica à gestão do próprio governo. Segundo um assessor do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o recuo esperado do PIB no terceiro trimestre era de 0,3% e a avaliação é que o resultado foi influenciado pelo clima negativo que se instalou no País com as manifestações, o que afetou os investimentos. O resultado, porém, trouxe certo “alívio” para a política monetária, pois mostrou que a economia está desaquecida e não há inflação de demanda.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMETEU UM GRANDE ERRO NO CASO DE CARLOS CRUSIUS

O desembargador Luis Alberto d'Azevedo Aurvalle, integrante da 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, com sede em Porto Alegre, mesmo não desejando, de maneira implícita, passou um violento "carão" nos membros do Ministério Público Federal que cuidam da ação de improbidade administrativa da Operação Rodin, em tramitação na 3ª Vara Federal Criminal de Santa Maria. Em matéria publicada na quarta-feira, Videversus deixou transparecer como sendo do desembargador Aurvalle a seguinte declaração: "Não há mais ação alguma contra o professor Carlos Crusius, decorrentes da Operação Rodin". Não é correto. Mas é absolutamente certa como sendo do desembargador Luis Alberto d'Azevedo Aurvalle a seguinte declaração: “Caberia ao Ministério Público Federal interpor o competente recurso de agravo. Não o fazendo, não há que perquirir acerca da aplicação do princípio da fungibilidade, ou seja, a possibilidade da troca de uma ação por outra. De consequência, abstraindo-me de perquirir acerca de eventual participação ou não dos apelados no ato tido como ímprobo, tenho que o recurso ressente-se de pressuposto de admissibilidade recursal, impondo-se, pois, o seu não-conhecimento”. A juíza Simone Barbisan Fortes, quando ainda atuava no processo da Operação Rodin, havia excluído o professor Carlos Crusius, Valna Menezes e Rubens Bordini do processo por absoluta falta de provas contra eles na acusação ajuizada pelo Ministério Público Federal. Os procuradores federais não gostaram dessa decisão e recorreram ao Tribunal Regional Federal, o que deveriam ter feito por meio do recurso de agravo, e não por meio de uma ação cível. Ou seja, o desembargador relator Luis Alberto d"Azevedo Aurvalle simplesmente apontou que não havia o que ser julgado, porque os procuradores federais tinham perdido o prazo para mudar o tipo de ação. Com isso, transitou em julgada a decisão da juíza Simone Barbisan Fortes que excluiu os três acusados do processo. É quase inacreditável que procuradores federais não soubessem o tipo de iniciativa judicial que deveriam empregar para recorrer da decisão da juíza. No jargão jurídico, o relator Aurvalle implícitamente passou o "carão" nos procuradores ao votar pelo "não conhecimento" do recurso, porque foi usado o meio errado pelos procuradores. Este monumental erro do Ministério Público Federal sucedeu outro inicial, muito mais grave, que foi promover acusação contra três réus completamente desprovidas de provas, mas que foram trucidados no tribunal da opinião pública, no chamado "linchamento moral".

STF DETERMINA PRISÃO DE MAIS QUATRO MENSALEIROS

O Supremo Tribunal Federal determinou nesta quinta-feira a prisão imediata de mais quatro condenados no julgamento do Mensalão do PT: o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), os ex-deputados federais Pedro Corrêa (PP-PE) e Carlos “Bispo” Rodrigues, e o ex-diretor do Banco Rural, Vinicius Samarane. A Polícia Federal já recebeu as ordens de prisão. Dos quatro, apenas Samarane cumprirá a sentença em regime fechado: oito anos e nove meses pelos crimes de lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Os outros três começarão as penas em regime semiaberto. O trio foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Além das ordens para efetuar as prisões, a Polícia Fedeal informou que recebeu autorização para transportar a banqueira Kátia Rabello e Simone Vasconcelos, que serão transferidas do Presídio da Colméia, no Distrito Federal, para Belo Horizonte. Onze mensaleiros já cumprem pena, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o operador do esquema, Marcos Valério de Souza. O ex-diretor do Banco do Brasil, o bandido mensaleiro petista Henrique Pizzolato, está foragido. Ainda aguardam para começar a cumprir pena o denunciante do esquema, ex-deputado federal Roberto Jefferson, o deputado federal Pedro Henry (PP-MT) e o ex-advogado de Marcos Valério, Rogério Tolentino. Ex-presidente do extinto Partido Liberal, Valdemar Costa Neto foi condenado a sete anos e dez meses de prisão, em regime semiaberto, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. De acordo com o Supremo, o parlamentar teve participação ativa no processo do Mensalão do PT, tendo utilizado diferentes expedientes para evitar que a propina distribuída pelo valerioduto fosse rastreada: contratos forjados entre Marcos Valério e a empresa Guaranhuns Empreendimentos, pagamentos por intermédio do então tesoureiro Jacinto Lamas e ainda o recebimento em mãos dos recursos. Segundo uma lista elaborada por Marcos Valério, Valdemar Costa Neto e seus aliados embolsaram mais de 10 milhões de reais do esquema. Durante o julgamento do Mensalão do PT, o deputado, que também respondia por formação de quadrilha, foi beneficiado por um empate na análise deste crime e acabou por não ser apenado por esse ilícito. Condenado a sete anos e dois meses também em regime semiaberto por lavagem de dinheiro e corrupção passiva, o deputado cassado Pedro Corrêa tentou a todo custo evitar que fosse preso. Ele apresentou habeas corpus à Corte, mas seu pedido foi rejeitado. O mensaleiro também tentou reverter a condenação por meio de embargos infringentes, ainda que tivesse apenas dois votos em seu favor – os dos ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello – e não o mínimo de quatro votos previstos no Regimento Interno do Supremo. No auge do Mensalão do PT, Corrêa foi cassado por seus pares em 2005, afastou-se do comando do PP, mas foi reconduzido à Executiva Nacional da legenda. Bispo Rodrigues foi condenado pelo STF a seis anos e três meses, em regime semiaberto, pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele foi flagrado carregando 150 000 reais do esquema criminoso, mas nunca admitiu ser propina do Mensalão do PT. Durante o escândalo, renunciou ao mandato para escapar da cassação, mas não voltou a ocupar cargo público. Em 2006, teve o nome novamente envolvido em denúncias de irregularidades e foi preso na esteira da Operação Sanguessuga da Polícia Federal. Ex-diretor do Banco Rural, Vinícius Samarane recebeu pena de oito anos, nove meses e dez dias por gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro por, segundo o Supremo, ter ajudado a omitir do sistema de informações do Banco Central o nome dos beneficiários dos recursos do Mensalão do PT sacados das contas de Marcos Valério, infringindo normas do sistema financeiro.