segunda-feira, 4 de novembro de 2013

GOVERNO DOS ESTADOS UNIDOS E CONGRESSO SÃO CONTRA CLEMÊNCIA PARA O ESPIÃO TRAIDOR SNOWDEN

A Casa Branca e os líderes dos comitês de Inteligência do Congresso norte-americano rejeitaram o pedido de clemência ao ex-analista terceirizado da Agência Nacional de Segurança (NSA), o espião traidor Edward Snowden. "Snowden violou a lei norte-americana", afirmou o conselheiro da Casa Branca, Dan Pfeiffer, no domingo, sobre o ex-analista, que está asilado na Rússia. "Ele deve voltar para os Estados Unidos e enfrentar a Justiça", afirmou Pfeiffer, acrescentando, ao ser perguntado, que não são discutidas ofertas de clemência a Snowden. Snowden fez o pedido em carta entregue a um político alemão e divulgada na sexta-feira. Em carta de uma página, ele pediu clemência das acusações sobre o vazamento de informações secretas da NSA a órgãos de imprensa. "Falar a verdade não é um crime", escreveu Snowden. As revelações do espião traidor, incluindo as acusações de que os Estados Unidos grampearam líderes aliados, como a chanceler alemã Angela Merkel, fizeram com que aliados pedissem o fim da espionagem e levou o Congresso a revisar as leis de vigilância e reduzir os poderes das agências do setor. Mas a presidente do Comitê de Inteligência do Senado, Dianne Feinstein, disse que se Snowden fosse um verdadeiro delator, ele poderia ter feito as revelações ao comitê, de forma privada. "Isso não aconteceu e agora ele prestou um enorme desserviço ao nosso país", afirmou a senadora democrata. Eu acho que a resposta é um não ao pedido de clemência". O presidente do Comitê de Inteligência da Câmara, deputado Mike Rogers, disse que o pedido de clemência para o espião traidor Snowden é uma "idéia terrível". "Ele precisa voltar e assumir", disse o republicano Rogers. "Se ele acredita que há vulnerabilidades no sistema que ele gostaria de revelar, não se faz isso cometendo um crime que, na verdade, coloca as vidas de soldados em risco em lugares como o Afeganistão". Rogers afirmou que as revelações de Snowden fizeram com que três organizações terroristas mudassem a forma como se comunicam.

PRESIDENTE DA SOCIEDADE RURAL BRASILEIRA FILIA-SE AO PSD

O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho da Silva, participou nesta segunda-feira de uma cerimônia para oficializar sua filiação ao Partido Social Democrático (PSD), no centro da capital paulista. O evento contou com a participação do presidente nacional da sigla, o ex-prefeito Gilberto Kassab, e de outras lideranças da legenda. Cesário, que é agricultor e pecuarista, afirmou que decidiu aceitar o convite para "ter o partido muito bem representado" no setor rural. "A gente vai falar de agricultura no partido, porque é só o que eu sei falar", disse. Segundo ele, ainda não há nenhum tipo de anseio por cargos eletivos em pauta. "Por enquanto, nós estamos chegando para apoiar o partido, as pessoas, os deputados e os muitos amigos que eu tenho aqui", explicou. Cesário reforçou que aceitou o convite, pois acredita que o partido se identifica com as questões do campo.

PMDB QUER DISPUTAR PRESIDÊNCIA EM 2018, DIZ SENADOR VALDIR RAUPP

O presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou nesta segunda-feira que o partido pretende encabeçar a disputa presidencial de 2018. Para isso, a legenda, principal aliada do PT no governo federal, adotará a estratégia de disputar os Executivos estaduais na maior parte do País no ano que vem, inclusive contra candidatos do atual parceiro. "Minha vontade é lançar candidatos em todos os Estados. Vamos lançar em pelo menos 18 a 20, para eleger dez. A idéia é preparar um candidato para 2018", disse, em discurso durante reunião de peemedebistas na capital mineira. De acordo com o senador, a "tendência é ser confirmada na convenção a reedição da aliança Dilma-Michel", mas o acordo não será imposto aos diretórios estaduais, ao menos no primeiro turno. "Os Estados têm liberdade total para montar suas chapas e lançarem suas candidaturas. Próprias ou coligação. Se a vontade do PMDB for de candidatura própria, terá candidatura própria", disse. Apesar de o presidente do PMDB afirmar que a tendência é o partido confirmar na convenção nacional no ano que vem "a reedição da aliança Dilma-Michel", o senador Roberto Requião (PR), também presente ao evento desta segunda, defendeu a ruptura da parceria com o PT e o lançamento de candidatura própria à Presidência já no ano que vem. Para o parlamentar, o PMDB já teria condição de encabeçar a disputa em 2014, pois a legenda tem "o vice-presidente (Michel Temer) e os presidentes da Câmara (o potiguar Henrique Eduardo Alves) e do Senado (o alagoano Renan Calheiros)". "Mas não nos reunimos para elaborar uma proposta", admitiu.

TERRORISTA MARIGHELLA GANHA HOMENAGEM NO LOCAL ONDE MORREU EM CONFRONTO COM AGENTES DA REPRESSÃO HÁ 44 ANOS

A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva e a viúva do terrorista Carlos Marighella, Clara Charf, fizeram nesta segunda-feira um ato na Alameda Casa Branca, na região da Avenida Paulista, para lembrar a data do assassinato dele, ocorrido nessa rua há 44 anos, durante uma emboscada da polícia. O terrorista Marighella foi morto em um tiroteio entre agentes policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo e membros da Ação Libertadora Nacional (ALN), organização que ele chefiava. De acordo com Clara Charf, o importante da homenagem é marcar uma posição perante a história, porque muitas pessoas não sabem que Marighella foi morto naquela rua, em 4 de novembro de 1969. “Ele veio se encontrar com os frades dominicanos que simpatizavam com a causa porque queria que ajudassem a tirar os perseguidos políticos do País pela fronteira. A polícia montou todo um esquema e transformou essa rua em um horror. Ele entrou de peito aberto como sempre, sem saber que aquilo tudo o que havia na rua era apenas um cenário”. Clara Charf assinalou ainda que há uma coisa nova no cenário político brasileiro, com o surgimento de novos movimentos políticos que estão levantando bandeiras e chamando a atenção para as injustiças da sociedade. “Ninguém pode ficar de braços cruzados achando que vivemos em uma democracia e que está tudo no bem-bom. Não é nada disso, existe um regime, claro que comparando hoje com a democracia que nós conquistamos com o que era no passado, está muito diferente, mas as bandeiras continuam de pé, apesar de se ter conquistado muito”. O presidente da Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva, Adriano Diogo, ressaltou que Marighella foi um grande vulto da história que pode ser comparado a personalidades da humanidade que influenciaram a sociedade. “No Brasil, se Marighella não tivesse sido morto, teria a importância de diversos personagens que foram marco na história da civilização e organização dos povos”. Para Adriano Diogo, atos como o desta segunda-feira tinham que ter mais mais participação. “Todos os jovens que se beneficiaram da luta pela democracia deviam reconhecer a biografia de Marighella. Nós fizemos um ato singelo em frente a um monumento quase abandonado e quais desses jovens vultos que sucederam Marighella estava aqui hoje? Nenhum. Nem municipal, estadual ou federal”. Membro do Comitê Paulista pela Verdade e Justiça e do Fórum de Ex-Presos Políticos e Perseguidos do Estado de São Paulo, Clóvis de Castro destacou que a homenagem ao militante é justa porque é importante lembrar sempre das pessoas que "lutaram pela democracia" (o que é uma profunda mentira, já que ele e sua organização lutavam com armas na mão para estabelecer uma ditadura comunista no Brasil).

TRT MANTÉM CONDENAÇÃO DO MAGAZINE LUIZA POR DUMPING SOCIAL

O Tribunal Regional do Trabalho de Campinas manteve a condenação da rede varejista Magazine Luiza por dumping social. Segundo o Ministério Público do Trabalho, autor da ação civil pública, a empresa reduzia custos desrespeitando direitos trabalhistas para obter vantagem desleal em relação aos concorrentes. A decisão estipulou o pagamento de R$ 1,5 milhão de multa. De acordo com o Ministério Público do Trabalho, a empresa recebeu 87 autuações por desrespeito a direitos trabalhistas, principalmente por submeter os trabalhadores a jornadas excessivas. O órgão constatou que, em alguns casos, os expedientes passavam de 12 horas e que não eram concedidos intervalos para repouso, alimentação e descanso semanal. E Dilma queria a Dona Luiza como ministra.....

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA LANÇA CENSO NACIONAL DOS MAGISTRADOS

O Conselho Nacional de Justiça lançou nesta segunda-feira o Censo Nacional dos Magistrados. A pesquisa foi criada para definir o perfil dos 17 mil magistrados que atuam em 91 tribunais e três conselhos do Judiciário brasileiro. O formulário ficará disponível no site do CNJ  até o dia 13 de dezembro. O formulário contém 71 perguntas que devem ser respondidas por ministros, desembargadores, juízes e conselheiros. O tempo estimado para responder aos questionamentos é dez minutos. Magistrados aposentados e juízes militares dos conselhos permanentes e especiais da Justiça Militar da União e dos Estados não devem responder às perguntas. Os dados são sigilosos e serão divulgados de forma genérica. De acordo com Paulo Teixeira, conselheiro do CNJ, o objetivo do levantamento é conhecer o funcionamento do Judiciário brasileiro para elaborar medidas que façam com que os serviços prestados pela Justiça sejam de melhor qualidade. “É importante para o CNJ conhecer o perfil para poder fazer um diagnóstico e atacar os pontos que são necessários ser atacados para que a gente tenha um Judiciário cada vez melhor para a população brasileira.”, afirmou o conselheiro.

PRESIDENTE DO BAYERN SERÁ JULGADO POR EVASÃO FISCAL

O presidente do Bayern de Munique, Uli Hoeness, será julgado entre os dias 10 e 13 de março de 2014 por evasão fiscal. Segundo o tribunal estadual de Munique (Alemanha), juízes decidiram na última semana admitir a acusação contra o dirigente e levar o caso a julgamento. O Bayern de Munique garantiu que Hoeness seguirá à frente do clube. Hoeness foi acusado de evasão fiscal por promotores alemães no final de julho, quando ganhou o prazo de um mês para apresentar sua defesa. No começo do ano, o presidente precisou explicar às autoridades alemãs quantias não declaradas ao fisco do país que estavam em uma conta bancária na Suíça. O tribunal de Munique informou que planeja convocar quatro testemunhas para depor, mas não identificou quem seriam, além de não revelar o valor que Hoeness deve em impostos.

CUBANOS DO MAIS MÉDICOS IRÃO TRABALHAR EM FAVELAS CARIOCAS

Um grupo de 65 médicos cubanos começará a atuar em favelas das zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro a partir da próxima semana. Eles estão na cidade como integrantes do programa Mais Médicos, do governo Dilma. Atualmente, 3.664 profissionais participam do programa no País, sendo 819 brasileiros e 2.845 estrangeiros. Até março de 2014, o governo quer atingir a meta de trazer 12.996 médicos. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, 31 médicos serão distribuídos por 18 unidades de atenção primária na Zona Norte e atenderão moradores do Complexo do Alemão, do Jacarezinho e da Maré - favela que ainda não recebeu uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Outros 34 serão alocados em 22 postos da Zona Oeste, nos bairros de Realengo, Cosmos e Costa Barros. Em nota, a secretaria informou que "o critério de lotação não é por área de risco, mas pela vulnerabilidade social (são todas áreas carentes) e dificuldade de lotação de profissionais, por motivos diversos. Algumas unidades que receberão esses profissionais são dentro de favelas, outras não, mas todas atendem a comunidades carentes". Os médicos se apresentaram nesta segunda-feira às coordenadorias de cada região para dar início a uma série de palestras e reuniões.

BNDES APROVA R$ 52,7 MILHÕES PARA AMPLIAÇÃO DA BR-116

O BNDES anunciou nesta segunda-feira a aprovação de empréstimo de 52,7 milhões de reais para obras de ampliação e recuperação estrutural do trecho da BR-116 em concessão no estado do Rio de Janeiro (Rio-Teresópolis-Além Paraíba). Segundo o banco de fomento, as obras incluem a construção da terceira faixa de rodagem da Serra de Teresópolis. O projeto consiste em tornar o tráfego no trecho de subida mais seguro aos usuários, possibilitando maior agilidade ao fluxo de veículos. O empréstimo do BNDES foi concedido à Concessionária Rio-Teresópolis S.A. (CRT), responsável pela exploração da infraestrutura e da prestação de serviços públicos e obras, corresponde a 60% dos investimentos totais. Além da terceira faixa de subida, o projeto prevê obras de intervenção e contenção em diversos trechos da rodovia. O trecho da BR-116 administrado pela CRT tem 142,5 quilômetros e abrange a região onde estão os municípios de Duque de Caxias, Magé, Guapimirim, Teresópolis, São José do Vale do Rio Preto e Sapucaia, indo até a divisa com Minas Gerais, próximo à cidade de Além Paraíba. Entre 2004 e 2012, o total de veículos trafegando pela rodovia passou de 12,5 milhões para 15,7 milhões, o que representa crescimento de 25%.

FOTOS MOSTRAM VIDA MANSA DE TERRORISTAS DAS FARC EM CUBA

Neste fim de semana, a imprensa colombiana divulgou uma série de fotografias que mostram membros do grupo terrorista Farc, também narcotraficante, em atividades “revolucionárias”, como fumar charutos, passear de barco nas águas cristalinas do Caribe e aproveitar o tempo livre no clima tropical. Todos são membros da delegação que negocia desde o ano passado um "acordo de paz" em Havana com enviados do governo do presidente Juan Manuel dos Santos. Em uma das fotografias, aparecem três membros das Farc – Iván Márquez, Jesús Santrich e Laura Villa – em um barco num dia de sol. Em outras é possível ver Iván Márquez, um dos principais negociadores, que tem dezenas de condenações e ordens de prisão por sequestro, tráfico de drogas e assassinato, aproveitando um dos fabulosos charutos produzidos na ilha. Enfim, realizando atividades que normalmente são proibidas para os cidadãos da ilha prisão. As primeiras fotografias foram divulgadas por membros de setores ligados ao ex-presidente Álvaro Uribe, que se opõe às negociações de paz, mas logo repercutiram nas redes sociais e na imprensa colombiana. Diante da controvérsia dos registros, o "chanceler" das Farc, Rodrigo Granda, que também aparece em imagens passeando com sua família em Havana, resolveu apelar para o cinismo para defender as férias revolucionárias, segundo declarações reproduzidas pela agência EFE. “A foto é muito bonita. Passa uma imagem de  tranquilidade dos guerrilheiros, que têm direito ao descanso. Estamos em uma ilha, cheia de praias, sol e mar. Os guerrilheiros das Farc trabalham até a madrugada e têm que descansar”. Segundo informações divulgadas pela imprensa colombiana, a vida mansa dos negociadores vai além do que se pode ver nas fotografias. O governo cubano instalou seus amigos em uma luxuosa vila nos arredores da capital, parte do complexo de El Laguito, um conjunto residencial construído nos anos 20 pela elite açucareira do país e que depois da revolução cubana passou a ser reservada para os novos chefões comunistas.

ABL ENTRA NO PROCESSO CONTRA CENSURA DE BIOGRAFIAS

A Academia Brasileira de Letras (ABL) vai entrar nesta semana como ‘"amicus curiae" no processo movido pela Associação Nacional de Editores de Livros (Anel) no Supremo Tribunal Federal contra a censura prévia às biografias. Isso significa que a ABL, mesmo não fazendo parte do caso, voluntaria-se a oferecer informações que possam ajudar a corte a tomar sua decisão. Com isso, a entidade fará parte da ação e se manifestará formalmente a favor da tese da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) nos autos. Ela também vai se manifestar quando a ação for a julgamento pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. O Instituto Histórico e Geográfico é outra instituição que já havia se voluntariado. A iniciativa foi apoiada pelos imortais em votação. A entrada da ABL no caso demonstra como os editores estão se reforçando na briga pela Lei das Biografias, como está sendo chamado o projeto de lei do deputado federal Newton Lima (PT-SP), em tramitação na Câmara. Já o lado oposto, formado essencialmente pela associação Procure Saber, comandada pela ex-mulher de Caetano Veloso, Paulo Lavigne, enfrenta uma série de discussões internas. Em sua coluna publicada neste domingo no jornal O Globo, Caetano Veloso, um dos integrantes do grupo -- ao lado de Roberto Carlos, Gilberto Gil, Chico Buarque e outros -- criticou publicamente a atitude de Roberto Carlos, que "só apareceu agora, quando da mudança de tom" na discussão sobre as biografias. Ele se refere à entrevista que Roberto Carlos concedeu ao Fantástico na semana retrasada, quando declarou ser a favor das publicações sem autorização prévia. "RC só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos muito da mídia e das redes, ele vem de Rei. É o normal da nossa vida. Chico era o mais próximo da posição dele; eu, o mais distante", escreveu Caetano. Caetano afirmou também que o advogado de Roberto Carlos, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, tido como novo porta-voz e que sugeriu o fim da Procure Saber, "não fala oficialmente pela associação".

FINANCIAL TIMES DIZ QUE QUEDA DE EIKE BATISTA CONSTRANGE O GOVERNO DE DILMA ROUSSEFF

A queda do império de Eike Batista foi constrangedora para a presidente Dilma Rousseff, segundo o jornal britânico Financial Times. De acordo com o texto publicado no blog Beyondbrics, a chancela da presidente à petroleira OGX foi um episódio do qual a presidente deve se recordar e, de certa forma, "arrepender-se". A empresa entrou com um pedido de recuperação judicial na última quarta-feira, alegando um endividamento da ordem de 11,2 bilhões de reais. Em abril de 2012, poucos meses antes do início da derrocada do empresário, Dilma compareceu a uma plataforma de exploração da OGX, na Bacia de Campos, para celebrar o "primeiro óleo" retirado de um dos poços da companhia, que mais tarde se mostraram grande "micos". À época, a presidente disse palavras de estímulo ao empresário e comemorou os feitos do setor de óleo e gás no País. O principal motivo da crítica, no entanto, é o fato de Dilma ter destacado as parcerias que OGX e a Petrobras poderiam fazer com a exploração do pré-sal. "As duas empresas podem ganhar muito com essa parceria", disse a presidente. Segundo o Financial Times, Eike Batista era, de certa forma, o "empresário de estimação do PT", e o apoio que recebia do governo levanta questionamentos sobre o futuro da política econômica. A ascensão de Eike Batista deu credibilidade às afirmações do partido de que a condução da economia era 'pró-mercado', ainda que os atos do governo neste sentido mostrassem o contrário. "Mas será que sua queda vai tornar o partido mais ou menos intervencionista?", questiona a publicação. O texto também questiona o silêncio do governo diante da queda de Eike Batista e a insistência dos principais nomes da política econômica, como Luciano Coutinho, presidente do BNDES, e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, em dizer que o fracasso de Eike Batista nada tem a ver com a gestão petista.

MANTEGA E CENTRAIS SINDICAIS DISCUTEM SEGURO-DESEMPREGO

Em reunião com centrais sindicais nesta segunda-feira em São Paulo, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, discutiu sobre a elevação dos gastos do governo com seguro-desemprego e abono salarial. Segundo ele, os gastos com essas modalidades corresponderão a 47 bilhões de reais este ano, ou 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele afirmou que algumas empresas podem estar cometendo fraudes, ao comentar que o seguro-desemprego está crescendo de forma atípica em um cenário de pleno emprego. A atual taxa de desemprego do Brasil é de 5,4%. "Não queremos diminuir o direito dos trabalhadores, mas sim o excesso de rotatividade", disse. Após o encontro, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, disse que uma nova reunião foi marcada para dia 7 de novembro em São Paulo para discutir ainda mais a questão do seguro-desemprego no Brasil. Freitas disse ainda que o órgão defende o fim do trabalho informal, a diminuição da rotatividade no trabalho e o fim do fator previdenciário. Mantega lembrou ainda no encontro que as desonerações tributárias realizadas pelo governo a partir de 2008 tinham como objetivo evitar que alguns segmentos produtivos dispensassem trabalhadores.

APÓS ENCONTRO COM DILMA ROUSSEFF, RENAN CALHEIROS DESISTE DE PAUTAR INDEPENDÊNCIA DO BANCO CENTRAL

Não durou muito a disposição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de colocar em pauta a proposta que dá autonomia ao presidente do Banco Central. Após encontro com a presidente Dilma Rousseff, nesta segunda-feira, Renan recuou: disse que não há condições de o Congresso apreciar a proposta neste ano, como ele mesmo havia sugerido na semana passada. O presidente do Senado afirmou que falta consenso para votar a matéria: "Os governos são contra a regulamentação. A oposição também. Isso, na verdade, interditou um debate que parecia amadurecido", disse, após conversar com a presidente. Na semana passada, entretanto, Renan minimizou as divergências e afirmou que era preciso colocar o tema em pauta, apesar das resistências. Dilma é contra a proposta, que criaria um mandato fixo para o comandante do Banco Central e reduziria a interferência do governo sobre o banco. Já Renan e outros nomes importantes do PMDB são a favor da medida. O presidente do Senado foi acusado de sacar o texto da gaveta como forma de pressionar o governo a atender interesses da sigla - como a nomeação do senador Vital do Rêgo Filho (PMDB-PB) para o Ministério da Integração Nacional. Apesar da mudança de postura, Renan garante que a autonomia do Banco Central não foi tema do encontro com a presidente.

AUDITOR ACUSADO DE FRAUDES NA PREFEITURA DE SÃO PAULO ERA FILIADO AO PMDB

Acusado de participar do desvio de até 500 milhões de reais dos cofres da prefeitura de São Paulo, o auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos foi filiado ao PMDB de outubro de 2009 até outubro de 2011, período em que o esquema de fraudes e pagamento de propina estava a todo vapor, segundo as investigações do Ministério Público Estadual e da Controladoria-Geral do Município. O diretório estadual do PMDB confirmou a filiação de Barcellos, mas não informou o motivo da desfiliação em outubro de 2011. Barcellos mantinha um cargo de confiança na gestão do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) como ex-diretor do Departamento de Arrecadação e Cobrança. Em janeiro deste ano, foi exonerado e remanejado para o cargo de auditor, com o salário de 20 608,40 reais. Junto com os auditores Ronilson Bezerra Rodrigues e Carlos Augusto di Lallo, Barcellos teve o pedido de prisão temporária prorrogado e está detido no 77º Distrito Policial de Santa Cecília. Segundo o Ministério Público, o trio cobrava propina de empresas imobiliárias para reduzir o valor do Imposto Sobre Serviços (ISS), fazendo com que o Tesouro Municipal recolhesse uma parcela considerada “ínfima” do tributo. Eles são acusados de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, corrupção ativa, concussão e advocacia administrativa. Uma das maiores empresas do ramo imobiliário, a Brookfield informou ter pago mais de 4 milhões de reais aos fiscais. O dinheiro foi depositado em uma conta bancária aberta pelos suspeitos. Por enquanto, o Ministério Público ainda investiga se as incorporadoras foram vítimas do esquema ou se participaram dele como cúmplices. Nesta segunda-feira, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que vai intimar ao menos quinze construtoras para esclarecer o suposto envolvimento com os auditores. Na última quarta-feira, o prefeito disse que não havia indícios de ligação entre acusados e políticos.

APÓS CASO AMARILDO, UPP DA ROCINHA TRANSFERE 70 POLICIAIS MILITARES

O comando da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro vai substituir 70 policiais militares da Rocinha, o equivalente a 10% do efetivo total da favela. De acordo com o coronel Frederico Caldas, comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora, a troca dos policiais militares ocorreu porque, desde o caso Amarildo, os policiais estavam "retraídos" e não se sentiam em condições de atuar no policiamento da favela. Caldas admitiu que muitos dos remanejados haviam pedido transferência após a repercussão do caso da tortura. "Os policiais estavam se sentido acuados, intimidados. A gente compreende o que está acontecendo e decidiu fazer a troca", disse Caldas, durante o enterro do soldado Melquisedeque Basílio dos Santos, assassinado no sábado após ataque de traficantes à UPP do Parque Proletário, na Penha. O primeiro pedido de transferência da UPP da Rocinha ocorreu poucos dias após a noite de 14 de julho, quando Amarildo de Souza foi capturado e levado para ser torturado na sede da UPP, acrescentou ele. De acordo com o Ministério Público, o policial que pediu para sair da favela é um dos que recebeu a ordem do ex-comandante da UPP, major Edson Santos, para ficar no contêiner enquanto o pedreiro era torturado. A promotora Carmem Eliza Bastos de Carvalho, que atua na investigação, afirmou que quatro dos doze policiais do setor administrativo que ouviram os pedidos de socorro de Amarildo ficaram muito abalados e dois chegaram a falar em sair da polícia militar. A volta dos confrontos entre traficantes e policiais na Rocinha, que recebeu uma UPP em setembro do ano passado, é outra preocupação dos militares, que muitas vezes temem fazer rondas nos becos estreitos e com pouca iluminação. Domingo, a favela amanheceu sob intensa troca de tiros. A Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) informou que os disparos ocorreram por volta das 6h30, quando policiais se depararam com criminosos armados. Duas horas depois, moradores ouviram mais disparos, que segundo a CPP não teria envolvido policiais militares. Na última quinta-feira, outro tiroteio assustou os moradores da favela. Em maio deste ano, traficantes deram mais uma demonstração de que não deixaram a favela: o turista alemão Frank Daniel Baijaim foi baleado quando passeava com um amigo. Na época, foi divulgado que eles foram surpreendidos por um homem armado num beco, na localidade conhecida como "Roupa Suja". Assustado, o turista teria tentando correr, quando foi atingido. Escutas da Operação Paz Armada, divulgadas nesta segunda-feira pelo jornal Extra, revelam que o alemão foi atingido por engano. O objetivo dos traficantes era acertar um policial militar do serviço reservado (P2) da UPP que estava infiltrado entre os turistas.

JUIZ ENCAMINHA PROCESSO DA OGX PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO

O processo de recuperação judicial da petroleira OGX chegou nesta segunda-feira às mãos do juiz Gilberto Clovis Farias Matos, da 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. Em despacho desta segunda-feira, o juiz determinou que o processo de cinco volumes e mil páginas seja encaminhado ao Ministério Público, o qual deverá apresentar um parecer a respeito dos documentos apresentados pela companhia para concluir a ação. Isso inclui as demonstrações financeiras da empresa, as relações de bens particulares dos administradores e da controladora Centennial Asset Mining Fund, relação de empregados e credores, entre outros pontos. A OGX entrou com o pedido de recuperação judicial na última quarta-feira, 30 de outubro.

MINISTÉRIO PÚBLICO ABRE AÇÃO CIVIL PÚBLICA PARA ANULAR AUMENTO DO IPTU EM SÃO PAULO

O Ministério Público Estadual de São Paulo entrou com uma ação civil pública em que pede a anulação da votação do projeto de lei que aprovou o aumento do Imposto Predial e Urbano (IPTU) na semana passada na Câmara Municipal. Na petição, o promotor de Justiça da Habitação e Urbanismo, Maurício Antonio Ribeiro Lopes, atacou a forma como o texto foi aprovado em plenário e não exatamente seu teor, o que está previsto por ele em uma próxima etapa, caso a Justiça acate o pedido de nulidade. “A votação atabalhoada é um belo sintoma do sério risco que a prefeitura correu de perder caso fosse dado mais tempo aos vereadores. Foi uma estratégia politica para aprovação, que desconsiderou os formalismos da lei”, disse o promotor. No processo, Lopes questiona judicialmente a manobra da Câmara de antecipar a segunda votação do projeto de lei um dia antes do previsto, em 29 de outubro, graças a requerimento sugerido pelo vereador Arselino Tatto (PT) na mesma data, o que extirpou o direito do munícipe em acompanhar a votação. “Ainda assim, o placar foi apertadíssimo o que demonstra uma clara divisão na Câmara, mais um motivo para pedir a anulação”, diz o promotor. A mudança repentina de data foi articulada às pressas pela base de Haddad, que temia enfrentar uma sequência de manifestações, além de evitar o risco de deserções de aliados com a pressão popular. Além da nulidade da votação, a ação movida pelo Ministério Público aguarda parecer do juiz também sobre a notificação direcionada ao prefeito Fernando Haddad que o impede de sancionar o projeto de lei. A antecipação da votação foi motivo de muita reclamação por parte dos vereadores da oposição na Câmara Municipal. “Percebendo que poderia ter uma pressão popular, o governo deu um pinote para votar hoje com as galerias vazias, é um golpe do prefeito”, criticou o vereador de oposição Floriano Pesaro (PSDB) no plenário, do dia 29. “O governo enfiou a votação goela abaixo”, definiu Ricardo Young, do PPS. Além disso, o promotor Lopes chama a atenção para os prejuízos à população paulistana decorrente do aumento do IPTU, como a evasão de famílias de baixa renda do centro da cidade, região que irá concentrar um dos maiores índices de aumento. O texto de autoria da prefeitura e aprovado por 29 votos favoráveis (um a mais do que o mínimo necessário), na segunda votação, estabeleceu teto da elevação do IPTU no ano de 20% para imóveis residenciais e de 35% para os comerciais. A proposta inicial de Haddad era maior: alíquotas de 30% para residenciais, e 45% para comerciais. Em 2015, esse teto cairá para 10% e 15%, respectivamente. No caso dos imóveis que se valorizarem acima do teto, o aumento será cobrado de forma diluída nos anos seguintes.

ABIN DE LULA ESPIONOU AMERICANOS, RUSSOS E IRANIANOS

O principal braço de espionagem do governo brasileiro monitorou diplomatas de três países estrangeiros em embaixadas e nas suas residências, de acordo com um relatório produzido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e obtido pelo jornal Folha de S. PAULO. O documento oferece detalhes sobre dez operações secretas em andamento entre 2003 e 2004, no governo do petista Lula, e mostra que até países dos quais o Brasil procurou se aproximar nos últimos anos, como a Rússia e o Irã, viraram alvos da Abin. Segundo o relatório, que foi elaborado pelo Departamento de Operações de Inteligência da Abin, diplomatas russos envolvidos com negociações de equipamentos militares foram fotografados e seguidos em suas viagens. O mesmo foi feito com funcionários da embaixada do Irã, vigiados para que a Abin identificasse seus contatos no Brasil. Os agentes seguiram diplomatas iraquianos a pé e de carro para fotografá-los e registrar suas atividades na embaixada e em suas residências, conforme o relatório. A Folha entrevistou militares da área de inteligência, agentes, ex-funcionários e ex-dirigentes da Abin nas últimas duas semanas para confirmar a veracidade do conteúdo do documento que obteve. Alguns deles participaram diretamente das ações. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao qual a Abin está subordinada, reconheceu que as operações foram executadas e afirmou que todas foram feitas de acordo com a legislação brasileira.Segundo o governo, foram operações de contrainteligência, ou seja, com o objetivo de proteger segredos de interesse do Estado brasileiro. Nos últimos meses, o vazamento de documentos obtidos pelo espião traidor americano Edward Snowden permitiu que o mundo conhecesse detalhes sobre atividades de espionagem dos Estados Unidos em vários países, inclusive no Brasil. Diante da revelação de que até suas comunicações com assessores foram monitoradas, a presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita aos Estados Unidos e classificou as atividades americanas como uma violação à soberania do País. As operações descritas no relatório da Abin têm características modestas, e nem de longe podem ser comparadas com a sofisticação da estrutura montada pela Agência de Segurança Nacional americana, a NSA, para monitorar comunicações na internet. Ainda assim, o documento mostra que, apesar do que a retórica da presidente poderia sugerir, o governo brasileiro também não hesita em mobilizar seu braço de espionagem contra outros países quando identifica ameaças aos interesses brasileiros. As operações descritas no relatório ocorreram no início do governo do ex-presidente Lula, empossado em 2003. Na operação "Miucha", de 2003, a Abin acompanhou a rotina de três diplomatas russos, incluindo o ex-cônsul-geral no Rio de Janeiro, Anatoly Kashuba, que deixou o país no mesmo ano, e representantes da Rosoboronexport, a agência russa de exportação de armas. A Abin desconfiava que os funcionários russos estivessem envolvidos com atividades de espionagem no Brasil. O brasileiro Fernando Gianuca Sampaio, cônsul honorário da Rússia em Porto Alegre, também foi monitorado pelo mesmo motivo. "Sou sim um agente russo, mas um agente oficial", disse Sampaio, em tom irônico. Na operação "Xá", que monitorou a rotina e os contatos de diplomatas iranianos, a Abin seguiu os passos do então embaixador do Irã em Cuba, Seyed Davood Mohseni Salehi Monfared, durante uma visita ao Brasil, entre os dias 9 e 14 de abril de 2004. Um agente da Abin que examinou o relatório a pedido da Folha afirmou que provavelmente os iranianos foram vigiados a pedido do serviço secreto de outro país, um tipo de cooperação usual entre órgãos de inteligência. O relatório mostra ainda que o governo brasileiro espionou a embaixada do Iraque após a invasão do país pelos Estados Unidos, em 2003. Na época, muitos diplomatas buscavam refúgio no Brasil por causa da guerra, e por isso a Abin foi mobilizada para segui-los. O então encarregado de negócios da embaixada, um dos que foram espionados, largou a diplomacia para se fixar no Brasil. Ele ganhou residência permanente e vive no Guará, nos arredores de Brasília. A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) monitorou um conjunto de salas alugadas pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília por suspeitar que eram usadas como estações de espionagem. A operação "Escritório" é descrita em relatório elaborado pelo Departamento de Operações de Inteligência da Abin e obtido pela Folha. Segundo o documento, os agentes brasileiros concluíram que os americanos tinham ali equipamentos de comunicação, rádios e computadores. "Funcionando diariamente, com as portas fechadas e com as luzes apagadas, e sem ninguém trabalhando no local", diz o relatório: "Esporadicamente, a sala é visitada por alguém da embaixada". A embaixada dos Estados Unidos afirmou que essas salas - como outras alugadas pela representação em Brasília - são usadas para guardar equipamentos de comunicação simples, como rádios walkie-talkie. Os aparelhos de rádio, ressaltou, são usados por funcionários do corpo diplomático somente em situações de emergência. Segundo a embaixada, o funcionamento dessa estrutura foi autorizado pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A embaixada negou qualquer ligação das salas com atividades de espionagem da CIA, a agência de inteligência americana, ou da NSA, a Agência de Segurança Nacional, que monitora comunicações telefônicas e na internet. Agentes do serviço de inteligência brasileiro disseram à Folha que o lugar provavelmente é usado como estação de espionagem ainda hoje. Um deles, que pediu para não ser identificado, afirmou que é comum a CIA manter no Exterior imóveis para espionagem. Ele próprio, recém-aposentado, disse ter sido convidado por agentes americanos para administrar um desses aparelhos no Brasil, mas recusou a oferta.

PETROBRAS TORRA 38 EMPRESAS NO EXTERIOR A]PARA BANCAR O PRÉ-SAL; EM 10 ANOS, O PT ARREBENTOU O CAIXA DA ESTATAL

Sob comando direto da presidente petista Graça Foster, a Petrobrás tem reduzido sua atuação na área internacional e fechado representações no Exterior. Em Portugal, Austrália, Irã, Nova Zelândia, Turquia e Líbia as atividades estão sendo encerradas. Todas as seis representações da companhia na África passarão ao guarda-chuva de uma joint venture criada junto com o BTG, deixando o balanço da estatal mais leve. Quando a petista Graça Foster assumiu em 2012, a Petrobrás tinha operação em 23 países. Hoje, o portfólio foi reduzido para 17. Deve enxugar ainda mais quando forem incluídas as seis unidades africanas que sairão do balanço da companhia: Nigéria, Angola, Gabão, Benin, Namíbia e Tanzânia. Ainda há atividades operacionais na Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai, Colômbia, Peru, Venezuela, México, Estados Unidos e Japão. "Fizemos muitas aquisições na área internacional antes do pré-sal, quando o planejamento estratégico era crescer no Exterior. E quando se faz aquisição, traz-se junto algumas empresas que, isoladamente, não se compraria" , disse Graça Foster. Parte das empresas existe apenas no papel; outras têm apenas escritório montado, sem operação de fato. Ao todo, 15 empresas já foram extintas e outras 38 serão encerradas até dezembro de 2015. Graça Foster cita como exemplo a aquisição da argentina Perez Companc, em 2002, por US$ 1 bilhão, que trouxe à companhia um pacote de exploração em três países (Peru, Equador e Venezuela), além de hidrelétricas que não seriam compradas isoladamente. "Entraram várias empresas que a gente certamente não compraria, empresas de geração de energia elétrica, hidrelétricas enormes, de 600 megawatts."Segundo fontes da companhia, houve também uma decisão de Graça Foster de manter maior controle sobre a área, alvo de investigações de autoridades por suspeitas de superfaturamento e evasão de divisas, a exemplo da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Pouco após ser indicada à presidência, Graça Foster assumiu pessoalmente a direção da área internacional e mudou os gerentes executivos desse departamento, colocando gente de sua confiança. "Essa área está comigo, até segunda ordem. Estou aqui aprendendo um monte de coisas", brinca a executiva. Além dos 17 países em que ainda tem representação operacional, a Petrobrás também detém empresas em uma dezena de países sem atividades operacionais desde 2012 ou que desempenham outros papéis para o sistema. Entre eles, há alguns paraísos fiscais: Bahamas, Curaçau, Equador, Espanha, Holanda, Ilhas Cayman, Ilhas Virgens, Inglaterra, Trinidad e Tobago. Parte é necessária, por exemplo, para operações de compra e venda de petróleo no mercado internacional. Outras, no entanto, são uma incógnita e seus balanços financeiros não podem ser acessados. A Petrobrás alega que, por terem sede no Exterior, essas empresas não respondem às leis de informações brasileiras. É o caso da Petrobrás Américas, a unidade americana, ou a PRSI, da Refinaria de Pasadena. Hoje, ainda existem 120 empresas sob gestão da área internacional, contando a holding controlada Petrobrás International Braspetro B.V que formará uma joint venture (50% cada) com o banco BTG, do banqueiro André Esteves, para exploração e produção de óleo e gás na África. A estatal continuará no continente por meio da joint venture. O negócio, de US$ 1,5 bilhão, foi anunciado em junho deste ano e ainda está em curso. "Aí junta-se tudo, elas saem do balanço e fecham", disse Graça Foster. A Petrobrás vem diminuindo gradativamente sua atuação internacional desde que descobriu o pré-sal. Além de investir menos, a companhia tem vendido ativos no Exterior para concentrar esforços no Brasil. No ano passado, o plano quinquenal da estatal previa desinvestimentos de US$ 14,8 bilhões, incluindo algumas operações financeiras. Neste ano, o plano de negócios 2013-2017 prevê vendas de US$ 9,9 bilhões. Até outubro, foram vendidos US$ 4,3 bilhões em ativos, a maioria no Exterior, segundo informou em evento no mês passado a coordenadora de relacionamento externo da área de Exploração e Produção corporativo da Petrobrás, Rafaela Monteiro. Em abril, a companhia vendeu uma participação de 20% em seis blocos no Golfo do México, nos Estados Unidos, recebendo US$ 110 milhões, mais participação em um outro bloco no País. Em maio, foi vendida a participação de 12% em um bloco na Tanzânia para a Statoil, com volume não divulgado. A venda de 100% das ações da Petrobrás Colômbia para a Perenco rendeu US$ 380 milhões à estatal brasileira em setembro passado, incluindo participações em 11 blocos e oleodutos. Em outubro, foi vendida participação de dois blocos no Uruguai à Shell por US$ 17 milhões.

BENEDITO DOMINGOS, DEPUTADO DISTRITAL EM BRASÍLIA, VIRA NOVO ALVO DE CASSAÇÃO

Um novo processo que pede a cassação do deputado distrital Benedito Domingos (PP) por quebra de decoro parlamentar acaba de ser protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Assinado por integrantes do grupo Adote um distrital, o pedido mira a última condenação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, que deve ter acórdão publicado em breve. Cassado o deputado Raad Massouh (PPL), Benedito Domingos passa a ser alvo mais frágil a responder também por processo de quebra de decoro parlamentar. O grupo que combate a corrupção questiona a proteção da Casa no processo de cassação do deputado Benedito Domingos. “Note-se que a cassação de Raad Mtanios Massouh se deu sem que houvesse qualquer espécie de condenação judicial e não existe qualquer inconveniente que assim tenha sido”, compara. No pedido protocolado pelo Adote um distrital é apontado que o parlamentar responde a 22 inquéritos policiais. Ele também coleciona quatro condenações por crimes cometidos contra a lisura de procedimentos licitatórios e pelo crime de formação de quadrilha.

POLÍCIA RECUPERA 1.500 OBRAS QUE ESTAVAM COM NAZISTAS

A polícia da Alemanha recuperou um enorme acervo de arte que esteve em poder dos nazistas desde a 2ª Guerra Mundial. Foram mais de 1500 obras recuperadas em uma operação na casa de Cornelius Gurlit, filho do historiador responsável pelas pinturas durante o regime nazista, Hildebrand Gurlit, em Munique. As investigações começaram em 2010, após Cornellius ter sido abordado pela polícia. Pensava-se que os quadros tinham sido destruídos durante um bombardeio. As obras foram avaliadas em R$ 3 bilhões. Entre os autores renomados estão Picasso, Renoir e Matisse.

SEM LICITAÇÃO, MANTEGA CONTRATA EMPRESA PARA TER CAVIAR EM SEUS VÔOS EM JATINHOS DA FAB

O ministro Guido Mantega (Fazenda) não poupa dinheiro público. Ele firmou um contrato – sem licitação – no valor de até R$ 74,6 mil por ano só para garantir lanches rápidos em seus voos pela Força Aérea Brasileira (FAB). O cardápio exigido pelo ministro é diversificado e nada modesto: canapés de caviar, camarão e salmão defumado. Segundo a ONG Contas Abertas, a União pagará por mês o valor estimado de R$ 6,2 mil para a empresa RA Catering, que também tem contratos com os ministérios das Relações Exteriores, Meio Ambiente, Integração Nacional e com a Advocacia-Geral da União. O Ministério da Fazenda justifica a dispensa de licitação afirmando que a lei permite o ato em caso de inviabilidade de competição para a contratação de serviços técnicos.

OS DADOS VERGONHOSOS DA VIOLÊNCIA: HOMICÍDIOS VOLTAM A SUPERAR A MARCA DOS 50 MIL; SÃO PAULO SEGUE COM A TAXA MAIS BAIXA (CONFIÁVEL) DE MORTES; VIOLÊNCIA NA BAHIA, MAIOR ESTADO GOVERNADO PELO PT, CONTINUA ALARMANTE

Já começam a circular os dados do 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O site do Fórum ainda não traz o relatório completo, que, segundo entendi, estará no ar nesta terça-fera. Mas já dá para fazer algumas considerações. O levantamento traz os números da violência no Brasil em 2012. Atenção! O País voltou a superar a marca dos 50 mil homicídios: 50.108, contra 46.177  em 2011. A taxa de mortes violentas subiu de 24 por 100 mil habitantes para 25,8. Aqui e ali, já noto, tenta-se forçar a mão e fazer de São Paulo o dado, vamos dizer, negativo do levantamento. Em 2012, com efeito, houve um aumento de número de homicídios no Estado: de 4.193 para 4.936. Pois é… Ocorre que o Estado segue sendo, segundo dados do próprio governo federal, o SEGUNDO EM QUE MENOS SE MATA NO PAÍS EM NÚMEROS RELATIVOS — vale dizer: que leva em conta o tamanho da população: 12,4 homicídios por 100 mil. Só perderia para o Amapá, com 10,4. Ocorre que o anuário distingue dados de alta confiabilidade — como os de São Paulo — dos de “baixa confiabilidade”, como os do Amapá. Assim, entre os Estados em cujas estatísticas se pode confiar, São Paulo ainda é o que apresenta a menor taxa de homicídios. Houve um aumento do número absoluto de homicídios e da taxa em 16 das 27 unidades da federação: Amapá (210,9%); Pará (188,1%);  Piauí (47,2%); Ceará (31,2%); Goiás (26,2%); Acre (22,3%); Sergipe (18,2%);  São Paulo (14%);  Rio Grande do Sul (13,1%); Rio Grande do Norte (11,2%);  Tocantins (9,9%); Distrito Federal (9,9%); Minas Gerais (8,4%); Maranhão (3,4%); Rondônia (0,8%) e Roraima (14,3%). Dilma prometeu uma verdadeira revolução na segurança pública. Anunciou que a experiência das UPPs no Rio de Janeiro se espalharia Brasil afora — não disse como faria. Só anunciou o milagre. O PT governa o Estado mais populoso do Nordeste, o quarto do País: só perde para São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro (por pouco). Jaques Wagner está no sétimo ano de mandato. A violência no Estado segue sendo escandalosa, estupefaciente. Com mais de 42 milhões de habitantes, São Paulo registrou 5.180 mortes violentas (latrocínios, homicídios e lesão seguida de morte). Com pouco mais de 15 milhões, houve 5.764 ocorrências na Bahia. Assim, a taxa por 100 mil habitantes no Estado governado por Jaques Wagner situa-se entre as maiores do País: 40,7 por 100 mil, contra 12,4 de São Paulo. “Por que falar da Bahia? Só para pegar no pé do PT?” Não! Só para ser óbvio. Os petistas prometeram, na disputa eleitoral, dar uma resposta eficaz à segurança pública. Dilma, reitero, anunciou uma  revolução na área. Wagner governa o Estado, diz, em parceria com o governo federal e PRATICAMENTE SEM OPOSIÇÃO. A Bahia é um Estado rico, mas que concentra um grande número de pobres; tem à sua disposição tudo o que pode oferecer a modernidade, mas também bolsões de atraso. É uma boa síntese do Brasil. Ali os petistas poderiam demonstrar a sua expertise na área. Em vez disso, nos sete anos de governo do partido, a violência explodiu.
Os nefelibatas ficarão furiosos
Os tempos andam hostis aos fatos. Vejam estes dados sobre número de presos por 100 mil habitantes:
São Paulo – 633
Bahia – 134
Alagoas – 225
Agora vejam as taxas de homicídios por 100 mil desses mesmos estados:
Alagoas – 62
Bahia – 40,7
São Paulo – 12,4
Vejam que coisa curiosa: mais bandidos presos, menos mortos nas ruas. Mas não diga aos nefelibatas e aos poetas da segurança pública. Eles consideram que esse negócio de afirmar que lugar de criminoso é na cadeia é coisa de rotweiller furioso, de direitista. O submarxismo chulé entende que o “encarceramento” é só uma das expressões da luta de classes. Digo ser “submarxismo” porque os comunas mesmo, os originais, nunca deram trela para maginais e nunca julgaram que o crime fosse um instrumento útil à sua causa. Lênin mandava passar fogo na tigrada. Como não sou leninista, acho que basta prender. Com todos os dados em mãos, voltarei certamente ao assunto. Por Reinaldo Azevedo

VEM AÍ O PROGRAMA "MAIS ENGENHEIROS"

Será nesta terça-feira, às 14 horas, no auditório do Ipea, em Brasília, debate sob o tema “O Brasil enfrenta escassez de engenheiros?” A discussão sairá por videoconferência com especialistas de Brasília, São Paulo, Minas Gerais, Mogi das Cruzes e Califórnia.  O Ipea é órgão do ministério do Planejamento. O governo alimenta-se de informações e dados para promover um programa do tipo “Mais Engenheiros”. Vai sobrar para os engenheiros brasileiros.

STF CONFIRMA JULGAMENTO DE NOVOS RECURSOS DO MENSALÃO DO PT PARA 13 E 14 DE NOVEMBRO

A assessoria de imprensa do Supremo Tribunal Federal confirmou nesta segunda-feira que os segundos embargos de declaração no processo do Mensalão do PT, tipo de recurso apresentado por dez dos 25 condenados, acontecerá nos dias 13 e 14 de novembro. No final da sessão, os ministros deverão decidir se irão decretar a prisão dos condenados que não têm direito a outro tipo de recurso, como fizeram no processo contra o deputado federal Natan Donadon (sem partido-RO). Nesse caso, concluído em junho, o réu teve a prisão decretada logo após o julgamento dos segundos embargos de declaração. Nesta segunda-feira, o presidente do tribunal, ministro Joaquim Barbosa, enviou comunicado aos demais magistrados informando a data.

INVESTIDORES QUE MICARAM COM PAPÉIS DE EIKE BATISTA INGRESSARÃO COM AÇÃO NA JUSTIÇA CONTRA O "REI DO PAPEL"

Em meio a desistências de grupos de investidores que abdicaram de reaver perdas que tiveram com investimentos na petroleira OGX, de Eike Batista, um permanece firme em sua decisão de enfrentar o empresário na Justiça. A petroleira entrou com pedido de recuperação judicial na última quarta-feira e tem dívidas que somam R$ 11 bilhões. O grupo de cerca de 20 investidores minoritários, liderado pelo advogado Márcio Lobo e pelo economista Aurélio Valporto, pode ter perdido valores que variam de R$ 100 mil a até R$ 4 milhões. Eles são de diversas cidades do País. A previsão é de que entrem com a ação na Justiça nesta semana.

PAULO MALUF É CONDENADO POR DESVIO DE RECURSOS EM OBRA PÚBLICA E FICA INELEGÍVEL POR CINCO ANOS

O deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) foi condenado nesta segunda-feira no Tribunal de Justiça de São Paulo a pagar uma multa de R$ 42,3 milhões por desvios que ocorreram na construção do túnel Ayrton Senna. O Tribunal de Justiça determinou que Maluf não poderá disputar eleições nos próximos cinco anos. A decisão foi unânime (três desembargadores votaram contra Maluf) e acarreta como consequência imediata a inscrição de seu nome no Cadastro Nacional das Pessoas Condenadas em Ações Cíveis por Improbidade Administrativa e Inelegibilidades, no qual fará companhia a seu colega deputado federal Alceu Moreira (PMDB-RS). Ele ainda pode recorrer, mas já está inelegível. A condenação por uma turma é suficiente para os efeitos da Lei da Ficha Suja. A suspensão dos direitos políticos pelo período de cinco anos foi independente da legislação eleitoral. Com essa condenação, a Justiça Eleitoral ainda pode aplicar a Maluf a pena prevista pela Lei da Ficha Limpa, de oito anos sem direitos políticos. A multa terá de ser paga solidariamente por Maluf, Reynaldo de Barros (que era presidente da Emurb na época) e pelas empresas Constran e CBPO. Três funcionários da Emurb também foram condenados. Eles terão de pagar multa de R$ 21 milhões mais 10% de multa. A desembargadora Teresa Ramos Marques considerou que Maluf foi responsável pelo superfaturamento da obra, inaugurada em 1995. Segundo o voto dela, não há dúvidas de que Maluf acompanhou a construção do túnel e autorizou a suplementação de verbas. "Constitui prova de que Paulo Maluf colaborou para a execução da fraude a nomeação de Reynaldo de Barros para a Presidência da Emurb e, cumulativamente, para a Secretaria Municipal de Obras e Vias Públicas", disse a desembargadora em seu voto. "É óbvio que Maluf sabia sobre os valores superfaturados. O túnel Ayrton Senna era a obra mais importante da administração dele", disse o promotor Roberto Livianu, que sustentou o voto da acusação. A defesa de Maluf sustentou que ele não poderia ser condenado porque não assinara nenhum documento autorizando pagamentos. Ele e o petista José Dirceu..... Em nota, a assessoria de Maluf nega que ele tenha se tornado 'ficha-suja' e afirma que vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

PERDERAM

Leiam o artigo de Vinicius Motta na Folha desta segunda-feira: "Quem passou da infância à vida adulta nas décadas de 1980 e 1990 acostumou-se ao padrão. Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil nunca perdiam. Alinhados às boas causas, eram reputados como reserva de sabedoria de nossa vida pública corrompida. Tratava-se, obviamente, de uma fábula. O primeiro compromisso desses artistas sempre foi com seus legítimos interesses profissionais e empresariais. A qualidade intrínseca de suas intervenções na política e no debate de ideias jamais se aproximou do seu desempenho como letristas. A influência que exerciam nos palanques nacionais indicava a rarefação de nossa esfera pública. A conversão de capital cultural em capital político não é certa nem imediata nas democracias consolidadas, que separam muito bem esses campos. Celebre-se, portanto, como sinal de amadurecimento do país a derrota esmagadora do (ex-)grupo Procure Saber, encabeçado pelo trio de ouro da MPB, no debate das biografias não autorizadas. A causa era decerto ingrata. O grupo propunha-se a convencer a opinião pública de que biografias só poderiam circular mediante autorização do biografado ou de seus familiares. Não há meio de aceitar essa cláusula sem ferir a liberdade de expressão, consagrada na Carta de 88. Sim, a liberdade de expressão é também a liberdade de injuriar, caluniar e difamar. Para esses males, a lei determina remédios. Mas é sobretudo a liberdade de criticar e contar histórias e versões menos abonadoras sobre quem quer que seja. E de oferecê-las ao crivo do debate público. Habituados a despertar solidariedade automática nos círculos intelectuais e políticos, Chico, Caetano e Gil talvez pensassem que iriam levar mais esta. O tempo passou na janela, mas eles não notaram. O Brasil começa a descobrir que, como políticos e intelectuais, eles são apenas bons compositores e empresários".

ROUBALHEIRA NA PREFEITURA DE SÃO PAULO - INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA CITA DOAÇÃO DE R$ 200 MIL A SECRETÁRIO DE HADDAD

Uma escuta telefônica autorizada pela Justiça aponta que o secretário de Governo de Fernando Haddad (PT), Antonio Donato, é citado pelo recebimento de R$ 200 mil do auditor Luis Alexandre Camargo Magalhães, um dos quatro servidores da Prefeitura presos na semana passada por formar um esquema de propinas para sonegação de impostos na gestão Gilberto Kassab (PSD). A conversa em que o secretário e o valor são citados é entre Magalhães e sua ex-amante, que o ameaçava. O áudio foi divulgado no, pelo Fantástico, da Rede Globo. Donato nega veementemente ter recebido dinheiro de Magalhães ou de qualquer outro membro do grupo. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o Ministério Público investiga denúncia que o dinheiro teria sido usado na campanha de Donato para vereador em 2008. O valor relatado na investigação, no entanto, seria a metade, R$ 100 mil. O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime de Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro (Gedec) pretende repassar as informações para Promotoria Eleitoral. O eventual crime eleitoral, no entanto, se ocorreu, já está prescrito, de acordo com a legislação. Conforme o Estado antecipou no domingo, Donato é citado em outro grampo da investigação, realizado em 16 de junho, quando o ex-subsecretário de Arrecadação da Secretaria Municipal de Finanças, Ronilson Bezerra Rodrigues, diz a um interlocutor que o procuraria depois de ter sido chamado para depor na Controladoria-Geral do Município (órgão da Prefeitura que, junto com o Ministério Público Estadual, conduziu as investigações). No áudio, Rodrigues também diz ter marcado com o vereador Paulo Fiorilo (PT), atual presidente da CPI dos Transportes. Donato confirmou ter se encontrado com Rodrigues no dia em que o fiscal prestou depoimento. Disse que Rodrigues pediu a intervenção na investigação, mas que ele afirmou que não poderia ajudar. O secretário também foi apontado, por outro secretário, Jilmar Tatto, de Transportes, como responsável pela manutenção de Rodrigues em cargos de diretoria da atual gestão. Rodrigues ocupou o cargo de diretor de Finanças da São Paulo Transporte (SPTrans), empresa que administra a bilionária conta sistema, do bilhete único. Em entrevista concedida no domingo, Donato também negou a indicação. Disse que a nomeação foi feita por Marcos Cruz, secretário de Finanças, mas reconheceu que sugeriu o servidor para Cruz por considerá-lo um técnico capacitado, que ele conhecia por ter mantido contato profissional na época em que presidiu a Comissão de Finanças da Câmara. “É o secretário de Finanças (Cruz) que indica os cargos de diretoria de Finanças das empresas públicas”, disse Donato.

ALÔ, ORGANIZAÇÕES GLOBO! PEGUEM A "LISTA DE MIRIAM LEITÃO" E COMECEM A CORTAR CABEÇAS EM NOME DO RADICALISMO DE CENTRO! OU: NÃO FAREI COM MIRIAM UM LATIDO DE SURDOS!


Miriam Leitão está pronta para comandar os expurgos na Rede Globo em nome do radicalismo de centro
Miriam Leitão está pronta para comandar os expurgos na Rede Globo em nome do radicalismo de centro
Abaixo, em vermelho, o artigo da jornalista Miriam Leitão no Globo. Respondo em azul.*O Brasil não está ficando burro. Mas parece, pela indigência de certos debatedores que transformaram a ofensa e as agressões espetaculosas em argumentos. Por falta de argumentos. Esses seres surgem na suposta esquerda, muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais, ou na direita hidrófoba que ganha cada vez mais espaço nos grandes jornais.
Vocês verão que Miriam Leitão inclui a mim e a Rodrigo Constantino, que é também articulista de O Globo, onde ela escreve seu texto, na “direita hidrófoba”. Miriam Leitão é intelectualmente covarde. Há alguns anos, a canalha da Internet financiada por estatais faz um trocadilho grotesco com o seu nome e a chama de “Miss PIG”, numa alusão à “Miss Piggy”, a simpática porquinha. Vocês já entenderam a falta de graça da coisa: “PIG (porco; Leitão)-Piggy”. “PIG” é também a sigla a que alguns vagabundos recorrem para designar um certo “Partido da Imprensa Golpista” — como se todos os veículos de comunicação e todos os articulistas da chamada “grande imprensa” tivessem um ponto de vista comum. Como resta evidente, isso é mentira.
É mentira, mas deixa muitos covardes assustados. Eu, confesso, não me assusto. No dia em que essa gente falar bem de mim, aí, sim, vou me preocupar. Miriam Leitão nunca respondeu. Miriam Leitão nunca contra-atacou. Miriam Leitão nunca escreveu uma vírgula contra a canalha a soldo da Internet. Ela decidiu fazê-lo só agora. Covarde que é, no entanto, resolveu atacar também a mim e a Constantino. Ou por outra: Miriam Leitão só consegue responder à esquerda a soldo da Intenet se criticar também o que ela chama de “direita hidrófoba”. Miriam Leitão, em suma, precisa de um país burro para que ele possa parecer independente.
É tão falso achar que todo o mal está no PT quanto o pensamento que demoniza o PSDB. O PT tem defeitos que ficaram mais evidentes depois de dez anos de poder, mas adotou políticas sociais que ajudam o país a atenuar velhas perversidades. O PSDB não é neoliberal, basta entender o que a expressão significa para concluir isso.
Nunca escrevi aqui, o arquivo está à disposição, que “todo mal está no PT”. Na verdade, desconheço quem pense essa bobagem.  O que sempre escrevi é outra coisa: “O PT não inventou a corrupção; o seu mal é tentar transformá-la em categoria de pensamento”. Dos mais de 40 mil posts publicados neste blog, algumas centenas são dedicadas a demonstrar que é uma bobagem chamar o PSDB de “neoliberal”. Na verdade, eu nem reconheço a existência dessa categoria. Assim, nada do que escrevo habitualmente no blog diverge de Miriam Leitão nesse particular.
A ele [ao PSDB], o Brasil deve a estabilização e conquistas institucionais inegáveis. A privatização teve defeitos pontuais, mas, no geral, permitiu progressos consideráveis no país e é uma política vencedora, tanto que continuou sendo usada pelo governo petista. O PT não se resume ao mensalão, ainda que as tramas de alguns de seus dirigentes tenham que ser punidas para haver alguma chance na luta contra a corrupção. Um dos grandes ganhos do governo do Partido dos Trabalhadores foi mirar no ataque à pobreza e à pobreza extrema.
Até aqui, não teria divergência nenhuma com Miriam Leitão porque os meus textos — que são públicos — não negam isso. Ao contrário. Por uma questão de honestidade intelectual, é preciso fazer uma ressalva que ela não fez: a esmagadora maioria dos tucanos reconhece alguns méritos do PT, mas os petistas, ao contrário, jamais reconheceram méritos do PSDB. Ao contrário. Lula inventou a farsa da “herança maldita”. Qualquer pessoa razoável sabe que a herança foi bendita — inclusive aquela de que o PT se aproveitou, a estabilização da econômica, para tocar o seu projeto.
Os epítetos “petralhas” e “privataria” se igualam na estupidez reducionista. São ofensas desqualificadoras que nada acrescentam ao debate. São maniqueísmos que não veem nuances e complexidades. São emburrecedores, mas rendem aos seus inventores a notoriedade que buscam. Ou algo bem mais sonante.
Começo pelo fim do trecho. “Algo mais sonante”, minha senhora, é aquele dinheiro que certos consultores de ONGs e empresas ganham para fazer terrorismo ambiental.  “Algo mais sonante” é aquela bufunfa que se recebe em palestra antevendo o apocalipse caso os ouvintes não adotem as ideias do consultor… Vá pentear macaco, dona Miriam Leitão! Quer falar de coisas sonantes? Eu topo!
Agora vamos às palavras. Como está definido neste blog e no glossário de “O País dos Petralhas I”, o “petralha” é um tipo específico de petista. Nunca escrevi — e já disse isso na televisão —  que todo petista é petralha.  O petralha é aquele que justifica o roubo em nome do partido; é aquele que explica a safadeza em nome da causa; é aquele que diz ser necessário fazer determinadas lambanças para construir o partido. Não estou emprestando agora esse sentido à palavra, que já entrou no dicionário. Está registrado, reitero, em livro.
Quanto à palavra “privataria”, dizer o quê? Que eu saiba, é uma criação de Elio Gaspari. Ele inventou “privataria”; eu inventei “petralha”. Gaspari escreve na Folha, onde também escrevo (e já divergi dele dezenas de vezes, sem nunca ofendê-lo pessoalmente) e no Globo, onde Miriam publica seus textos. Gaspari fale por si. Eu discordo da expressão; não acho que tenha havido “privataria” no Brasil, mas também não acho que ele tenha criado a palavra para ganhar dinheiro, como sugere Miriam. Reitero: É MAIS FÁCIL GANHAR DINHEIRO DANDO PALESTRA SOBRE O APOCALIPSE AMBIENTAL. É MAIS FÁCIL VENDER O FIM DO MUNDO.
Quanto às questões emburrecedoras, daqui a pouco.
Tenho sido alvo dos dois lados e, em geral, eu os ignoro por dois motivos: o que dizem não é instigante o suficiente para merecer resposta e acho que jornalismo é aquilo que a gente faz para os leitores, ouvintes, telespectadores e não para o outro jornalista. Ou protojornalista. Desta vez, abrirei uma exceção, apenas para ilustrar nossa conversa. Recentemente, Suzana Singer foi muito feliz ao definir como “rottweiller” um recém-contratado pela “Folha de S.Paulo” para escrever uma coluna semanal. A ombudsman usou essa expressão forte porque o jornalista em questão escolheu esse estilo. Ele já rosnou para mim várias vezes, depois se cansou, como fazem os que ladram atrás das caravanas.
Tola. Prepotente. Reitero o que já publiquei em outro post. Em sete anos e meio, Miriam Leitão teve o nome escrito neste blog 29 vezes. Atenção! Com 40.065 posts e 2.286.143 comentários, há VINTE E NOVE MENÇÕES (estão todas reunidas aqui). Dessas 29, 14 são meras referências (“Fulano disse para Miriam Leitão que…”). Em sete das vezes, elogio a jornalista. Em oito posts, contesto opiniões suas — contesto, sem ofensa. O arquivo está aí, e vocês podem fazer a pesquisa.
Acontece que Miriam acha que só se pode discordar dela “rosnando”. Observem que ela nem cita o meu nome, como se isso fosse conspurcar a limpeza de seu texto. Quem rosna é cachorro. Se eu chamá-la de cadela, isso resolve alguma coisa? O debate se transforma num latido de surdos. Suzana Singer, ombudsman da Folha, chamou-me, vocês sabem, de rottweiler. Miriam está dizendo que não há nada de mal nisso. Segundo esta senhora, fiz por merecer o xingamento.
O link vai acima. Tentem achar uma só ofensa que eu tenha dirigido a Miriam. Não há. Ela escreveu, certa feita, um texto mentiroso afirmando que o novo Código Florestal estimularia ocupações urbanas irregulares, por exemplo. Proveique era mentira e cobrei que se retratasse. Ela não o fez. Jamais me perdoou. Evidenciei que a lei que cuida da ocupação de áreas urbanas é outra. Estava desinformada. Confundia a militância ambiental — que, em matéria de moeda sonante, costuma ser muito rentável — com os fatos. Ela não respondeu. Porque não havia o que responder. Agora vem o trecho mais desonesto de seu artigo.
Certa vez, escreveu uma coluna em que concluía: “Desculpe-se com o senador, Miriam”. O senador ao qual eu devia um pedido de desculpas, na opinião dele, era Demóstenes Torres.
O texto a que ela alude está aqui. Nunca estive com esse político. Nunca apertei a sua mão. Falava, sim, com ele ao telefone, como falo com outros — Miriam também. Assino cada linha daquele post. Cobrei que ela se retratasse porque afirmou uma porção de bobagens sobre a questão racial no Brasil, matéria em que é de uma espantosa desinformação. Reitero: se tiverem tempo, leiam o post. Nesse artigo, mais uma vez, não a ataco, mas divirjo. Ao contrário. Reconheço méritos. Escrevo lá, por exemplo: “A jornalista de economia Miriam Leitão é um dos alvos costumeiros do subjornalismo a soldo que toma conta da Internet. Mais de uma vez, sua reputação profissional foi atacada de maneira vil pelos tontons-maCUTs, especialmente nos tempos em que ela ficou praticamente sozinha na defesa da sobrevalorização cambial. À época, eu achava que ela estava equivocada — o que ficou claramente evidenciado. Mas nunca considerei que fosse má fé. Às vezes, as pessoas erram. Seu prestígio profissional, felizmente, sobreviveu a um erro histórico. Sinal de que ela tinha e tem qualidades que podem suportar uma escolha errada. Quando se erra de boa-fé, sempre há a chance para corrigir as falhas. Miriam, é verdade, nos tempos da sobrevalorização cambial, não abria muito espaço para o contraditório. Havia sempre a sugestão nada leve de que os que se opunham à sua teoria gostavam mesmo era de farra, de inflação, de gastança.
É um texto de 8 de março de 2010. O então senador Demóstenes combatia a política de cotas. Isso quer dizer que todos os que se opõem à proposta estão comprometidos com as lambanças daquele político? A sugestão é de uma desonestidade asquerosa. Mais: à época, Miriam afirmou que ele havia sustentado que os escravos eram corresponsáveis pela escravidão. E ele não o havia feito.  Cobrei, sim, que ela se desculpasse pelo argumento falacioso. Depois de achar que faço por merecer ser chamado de cachorro, Miriam escreve um parágrafo abjeto tentando me ligar a Demóstenes, sem deixar claro aos leitores do que se trata. Aquele texto  de 2010 de Miriam segue sendo mentiroso. As ligações do então senador com Carlinhos Cachoeira não tornaram verdade uma mentira.
Não costumo ler indigências mentais, porque há sempre muita leitura relevante para escolher, mas outro dia uma amiga me enviou o texto de um desses articulistas que buscam a fama. Ele escreveu contra uma coluna em que eu comemorava o fato de que, um século depois de criado, o Fed terá uma mulher no comando.
Além de exibir um constrangedor desconhecimento do pensamento econômico contemporâneo, ele escreveu uma grosseria: “O que importa o que a liderança do Fed tem entre as pernas?” Mostrou que nada tem na cabeça. Não acho que sou importante a ponto de ser tema de artigos. Cito esses casos apenas para ilustrar o que me incomoda: o debate tem emburrecido no Brasil. Bom é quando os jornalistas divergem e ficam no campo das ideias: com dados, fatos e argumentos.
É um trecho de impressionante vigarice intelectual. Miriam Leitão já apoiou o ataque que sofri de Suzana Singer, que me chamou de “rottweiler”; ela mesma afirmou que rosno — nada menos! —, mas diz que gosta é do debate de ideias. Ora, cadê os artigos em que a ataco? Onde estão? Por que ela não os exibe? Miriam Leitão não suporta é ser contestada. A propósito: ela se refere, no trecho acima, a Rodrigo Constantino, como ele mesmo deixa claro em seu post a respeito. Não custa perguntar: “Dona Miriam, o que importa o que a liderança do Fed tem entre as pernas?”. Prove que a senhora tem algo na cabeça e nos explique. Existirá um jeito “feminino” de conduzir a instituição? Como se vê, desonestidade intelectual, por exemplo, não tem sexo.
Isso ajuda o leitor a pensar, escolher, refutar, acrescentar, formar seu próprio pensamento, que pode ser equidistante dos dois lados. O que tem feito falta no Brasil é a contundência culta e a ironia fina. Uma boa polêmica sempre enriquece o debate. Mas pensamentos rasteiros, argumentos desqualificadores, ofensas pessoais, de nada servem. São lixo, mas muito rentável para quem o produz.
Se Miriam Leitão tiver um mínimo de honestidade intelectual, um pouquinho que seja, vai apontar trechos dos meus textos em que incorro na violência retórica gratuita, como ela faz comigo. Quem diz que o outro rosna só porque ousou discordar apela à “contundência culta é à ironia fina”???  Ora, tenha mais pudor, minha senhora!
O mais interessante é que esse seu texto bucéfalo foi freneticamente reproduzido pelos blogs e sites financiados por gestões petistas e por estatais, os mesmos que a chamam  de “Miss PIG”; os mesmos que costumam fazer trocadilhos grotescos com seu nome; os mesmos que a acusam de, como direi?, escrever o que escreve por motivos “sonantes”. Miriam nunca reagiu. Ela precisava de um bom pretexto para responder aos esquerdistas cretinos que a achincalham. Para demonstrar que é isenta, atacou também a “direita”. Assim, pode posar de “radical de centro”.
No fim das contas, dona Miriam Leitão está é pedindo a minha cabeça e a de Constantino. Segundo diz, a “direita hidrófoba” ganha cada vez mais espaço na mídia. É mesmo? Vamos cobrar de Miriam que dê os nomes que compõem tal grupo. Ela poderia dar início a seu macarthismo às avessas fornecendo à própria direção das Organizações Globo a lista de profissionais que incorrem nesse pecado. Afinal, convenham: se limparmos a maior empresa de comunicação do país dessa escória, já será uma profilaxia e tanto, não é? Assim, pergunto — e espero que ela tenha coragem intelectual de apontar:
– quais são os nomes que integram a “direita hidrófoba” na Rede Globo?
– quais são os nomes que integram a “direita hidrófoba” no jornal O Globo?
– quais são os nomes que integram a “direita hidrófoba” na GloboNews?
– quais são os nomes que integram a “direita hidrófoba” na, para ser mais amplo, Globosat?
Vamos lá, Rainha de Copas! Comece por propor uma limpeza na própria casa. Não sem antes demonstrar como essa tal “direita hidrófoba” ameaça a liberdade de expressão no Brasil. Não sem antes demonstrar como essa “direita hidrófoba” ameaça cassar concessões do grupo. Não sem antes demonstrar como essa “direita hidrófoba” persegue nas ruas os jornalistas do grupo. Não sem antes demonstrar como a “direita hidrófoba” manda recados.
Num desses blogs financiados por estatais, publicou-se certa vez:
“Bem, falando-se da FSP, nossa sorte é q esse jornal vende apenas 300 mil exemplares num universo de quase 190 milhões de brasileiros… Ainda é pouco! Do contrário teríamos de eliminar a balas (sic) seres do naipe de Clóvis Rossi, Mainardi, Reinaldo Azevedo, Civita, famiglia Marinho, Jabor, Leitão, Noblat… Um infinito de jornalistas medíocres…”
Escrevi a respeito. Miriam Leitão, claro!, não disse nada! Não disse porque, tudo indica, no fundo, ela concorda que pelo menos parte dessa lista merece mesmo levar um tiro na cara.
E esse foi um dos 29 posts — dos 40.066 que já publiquei — em que citei Miriam. Sinto, ao ler o seu texto, a vergonha que ela certamente não sentiu ao escrevê-lo. Há 11 anos o PT recorre ao dinheiro público para criar sites e blogs que patrulham a imprensa e demonizam pessoas  — inclusive ela própria. Nunca se ouviu um pio de Miriam.  Só teve a coragem de tocar no assunto quando viu a oportunidade de atacar também “a direita”. Vergonhoso!
*
PS – Ainda que a coluna de Miriam Leitão seja de uma indignidade escandalosa, aviso que não serão publicados comentários com agressões pessoais a esta senhora. Miriam Leitão chame de cachorro quem ela bem entender. Ninguém precisa nem deve tomá-la como padrão.
Por Reinaldo Azevedo

TODOS ESPIONAM...... ATÉ O BRASIL!

Pois é… Mais de uma vez dei de ombros para essa conversa da espionagem americana. Quando não o fiz, tratei Edward Snowden por aquilo que é: um pilantra. Como ele não me deixa mentir, tornou-se um fiel servidor do regime de Vladimir Putin… A grande conspiração que Glenn Greenwald denunciou ao mundo não passa de operação de rotina. A China, até onde sua tecnologia alcança, faz a mesma coisa. A Rússia idem. Todo mundo espiona todo mundo. O equilíbrio que há no mundo — ou, segundo alguns, “desequilíbrio” — se deve também à espionagem. Há, emendo à margem, algo de patético em querer disciplinar esse tipo de coisa. Ainda que se estabeleçam as regras, é próprio da atividade não haver regra nenhuma. Dilma Rousseff fez grande escarcéu — não iria perder a oportunidade, não é? — com a história da suposta espionagem. Cancelou uma visita oficial aos EUA. O Brasil exigiu um pedido de desculpas que nunca veio — e, na forma pretendida ao menos, não virá. A Folha de hoje traz uma reportagem de Lucas Ferraz informando que diplomatas estrangeiros — russos, iranianos e iraquianos — foram espionados no Brasil. Leiam trecho. Volto em seguida.

*
O principal braço de espionagem do governo brasileiro monitorou diplomatas de três países estrangeiros em embaixadas e nas suas residências, de acordo com um relatório produzido pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e obtido pela Folha. O documento oferece detalhes sobre dez operações secretas em andamento entre 2003 e 2004 e mostra que até países dos quais o Brasil procurou se aproximar nos últimos anos, como a Rússia e o Irã, viraram alvos da Abin. Segundo o relatório, que foi elaborado pelo Departamento de Operações de Inteligência da Abin, diplomatas russos envolvidos com negociações de equipamentos militares foram fotografados e seguidos em suas viagens. O mesmo foi feito com funcionários da embaixada do Irã, vigiados para que a Abin identificasse seus contatos no Brasil. Os agentes seguiram diplomatas iraquianos a pé e de carro para fotografá-los e registrar suas atividades na embaixada e em suas residências, conforme o relatório. A Folha entrevistou militares da área de inteligência, agentes, ex-funcionários e ex-dirigentes da Abin nas últimas duas semanas para confirmar a veracidade do conteúdo do documento que obteve. Alguns deles participaram diretamente das ações. O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, ao qual a Abin está subordinada, reconheceu que as operações foram executadas e afirmou que todas foram feitas de acordo com a legislação brasileira. Segundo o governo, foram operações de contrainteligência, ou seja, com o objetivo de proteger segredos de interesse do Estado brasileiro. Nos últimos meses, o vazamento de documentos obtidos pelo analista americano Edward Snowden permitiu que o mundo conhecesse detalhes sobre atividades de espionagem dos EUA em vários países, inclusive no Brasil. (…)
Retomo
Vejam bem… A “nossa” espionagem parece ser uma pouco mais rudimentar, não é? Lembro-me de um quadro do infelizmente extinto “Casseta & Planeta” em que apareciam os “homens do saco” — espiões que se apresentavam com saco pardo enfiado na cabeça, com dois buracos no lugar dos olhos. Comparado o que se deu aqui com a operação da NSA, a da Abin está mais para a caricatura. Pouco importa a qualidade do serviço; a questão é de princípio. A espionagem é parte do jogo. É claro que a Abin vai tentar saber quem passou a informação à Folha para punir os agentes. É o seu papel. Imaginem se fosse o contrário; imaginem uma agência de Inteligência, que é braço do estado brasileiro, a incentivar o vazamento de informações…
Outra informação de Ferraz:
“A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) monitorou um conjunto de salas alugadas pela embaixada dos Estados Unidos em Brasília por suspeitar que eram usadas como estações de espionagem. A operação ‘Escritório’ é descrita em relatório elaborado pelo Departamento de Operações de Inteligência da Abin e obtido pela Folha. Segundo o documento, os agentes brasileiros concluíram que os americanos tinham ali equipamentos de comunicação, rádios e computadores. ‘Funcionando diariamente, com as portas fechadas e com as luzes apagadas, e sem ninguém trabalhando no local’, diz o relatório. ‘Esporadicamente a sala é visitada por alguém da embaixada.’ Como as outras operações descritas no documento da Abin, a ‘Escritório’ foi classificada pela agência como uma ação de contraespionagem.”
E aí?
O que farão os países “espionados”? Muito provavelmente, nada! Tudo está dentro do jogo. O mínimo que se espera da Abin é que faça isso mesmo. O que não é parte do jogo é haver vazamento de uma operação como essa. É um sinal de que o serviço precisa ser aprimorado. Snowden, no entanto, é a evidência de que não é a sofisticação do aparato que faz a segurança. Por Reinaldo Azevedo