quarta-feira, 9 de outubro de 2013

SILVIO SANTOS ESCOLHE FILHA CAÇULA COMO SUA SUCESSORA NOS NEGÓCIOS

Aos 82 anos, Silvio Santos já prepara suas filhas para tomarem a frente do SBT e das outras empresas da família. Patrícia Abravanel já foi escolhida para seguir carreira como apresentadora de TV. Daniela Beyruti comanda artisticamente o SBT. Coube à caçula Renata Abravanel, de 27 anos, o papel de mulher de negócios. Ela está sendo preparada para assumir o controle do Grupo Silvio Santos que, além do SBT, administra outras empresas, como a Jequiti Cosméticos. A revelação foi feita por Iris Abravanel, mulher de Silvio Santos, à revista Claudia. "A caçula, a menorzinha, é um Golias. Já está sendo preparada pelo pai, porque gosta. A luz da sala dela é a última que se apaga. Silvio percebeu que seria Renata quando fomos visitá-la na universidade, nos Estados Unidos", conta à publicação. "Para ganhar um dinheirinho, ela administrava dois andares da moradia estudantil. Levava tudo aquilo na ponta do lápis, com técnica, mão de ferro, e não perdeu a amizade dos colegas", diz Iris, sobre a filha, que já atua no comando do Grupo ao lado de Guilherme Stoliar, sobrinho de Silvio Santos. Iris afirma ainda que todas as filhas do apresentador já estão cientes das vontades do pai. "Mostrei ao Silvio a necessidade disso, e ele tem visão do futuro. Não gostávamos de tocar nesse assunto. Mas não somos só nós e as filhas. Silvio, com habilidade, foi falando. As meninas choravam, demoraram a aceitar a realidade. Apesar da clareza das leis, seria inconsequência não deixar tudo acertado", explica. Além de Renata, Patrícia e Daniela, Silvio Santos têm outras três filhas. Cíntia Abravanel era superintendente do centro cultural do Grupo Silvio Santos, que foi extinto. Silvia dirige o núcleo infantil do SBT. Já Rebeca é diretora da Jequiti Cosméticos.

A JUSTIÇA DE SÃO PAULO DECIDE: ELES ESTÃO NO PODER! SE A POLÍCIA PRENDE, UM JUIZ MANDA SOLTAR. OU: TRIBUNAL DE JUSTIÇA LIBERTA CASAL PRESO EM FLAGRANTE

Caetano black bloc
Vejam esta foto, de autoria de Daniel Teixeira (Estadão Conteúdo).
Carro da polícia virado
Na segunda-feira, os vândalos que tomaram conta do Centro de São Paulo depredaram e viraram um carro da Polícia Civil. E brandiram a bandeira preta da desordem. Eles podem. Contam, agora, com aliados objetivos — pouco importam as intenções — na Justiça de São Paulo. O mesmo Tribunal de Justiça que negou a liminar (vejam post anterior) de reintegração de posse da Reitoria da USP, invadida a marretadas, mandou soltar um casal preso em flagrante durante as depredações. Trata-se de Humberto Caporalli, de 24 anos, e Luana Bernardo Lopes, de 19. A decisão é do juiz Marcos Vieira de Morais, do Departamento de Inquéritos Policiais.
Nesta terça, o advogado da dupla, Daniel Biral, explicava tudo direitinho. Pelo visto, convenceu o juiz. Na mochila de um deles, havia uma bomba de gás lacrimogêneo. Como assim? É simples. Segundo o doutor, tratava-se apenas de souvenir da manifestação. Que tal? Recorreu ainda a um estranho argumento: como o artefato poderia ser deles se só pode ser comprado por forças de segurança oficiais? Eis uma boa questão. A qualquer ser lógico, isso só complica a situação em vez de amenizar. O juiz parece ter concordado com ele.
Uma câmera foi apreendida com o casal. Nas filmagens — inclusive da depredação do carro de Polícia —, eles estimulam o pega-pra-capar: “Quebra, quebra…” O doutor considera isso manifestação cultural. Pelo visto, a Justiça acatou o argumento. Explica:
“Eles assumem que estavam no ato, mas negam ter participado de qualquer dano. Estavam na rua registrando e provocando culturalmente, artisticamente. Durante as manifestações estavam pintando determinadas instalações, o que chamam intervenções artísticas. Pelo que eles me contaram, disseram que a cidade ficou mais bonita com a intervenção artística deles. Em nenhum momento tem fotos ou imagens deles participando desse ato. Acredito que foi um equívoco.”
São mesmo duas almas sensíveis, dois artistas, dois estetas incompreendidos.
Humberto Caporalli, está provado, participou de depredações também no Rio de Janeiro. Seu Facebook traz esta foto, e ele se identifica como Humberto Baderna.
Depredador no Facebook
O advogado explica o que ele faz em São Paulo: “Ele veio do interior do estado em busca de melhores oportunidades na vida. Trabalha com grafite e é ligado a ações artísticas”. Entendi. Por Reinaldo Azevedo

HADDAD DEMONIZA OS CARROS E SEUS PROPRIETÁRIOS. É MESMO? VAMOS VER COMO O PT TRATA O SETOR AUTOMOTIVO E POR QUÊ. E AINDA: VAI, PREFEITO, GRITA: "AUDI, MERCEDES, BMW E LAND ROVER, FORA DAQUI". OU AINDA: CONVERSA INÚTIL PARA EMBALAR TOLOS

Eu mal saio de casa — há bem poucas coisas que me interessam fora daqui. Minhas filhas e minha mulher andam de metrô e ônibus sempre que podem etc. e tal. Uma família exemplar mesmo, com baixa produção de carbono. Não sei quanto os meus cigarros exigiriam de compensações, mas já plantei árvores. Sou ecologicamente correto. Tenho a maior tentação de entrar também na demonização dos carros, que é a nova onda política e ecologicamente correta no Brasil. Deve ser gostoso dizer tolices — ou não haveria tantos dedicados a missão tão nobre. A Folha promove um ciclo de debates sobre mobilidade urbana. É claro que é um tema urgente e relevante. O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), falou no evento. Usou a palavra mágica: “privatização”. Segundo ele, ao se privilegiarem os carros, o que se faz, na prática, é privatizar a superfície da cidade. Vale como poesia do irrealismo socialista. Aproveitou, claro!, para criticar a ampliação da Marginal Tietê. Se a situação já é caótica com ela, dá para imaginar como seria sem ela. Mas quem liga para a realidade?

Vamos ver. Qual é a relação do governo petista com o setor automotivo? Tanto Lula como Dilma recorreram à desoneração de impostos para estimular a produção e a venda de veículos. E não era para exportação, não! Era para o mercado interno mesmo. Que cidade absorveu boa parte desse estímulo? Resposta óbvia: São Paulo. E notem: não estou criticando Lula e Dilma, não. Nicolas Sarkozy e Barack Obama fizeram o mesmo, respectivamente, na França e nos EUA. Por que Haddad não faz a conta dos bilhões de renúncia fiscal decorrentes do incentivo concedido à indústria automobilística e não faz uma daquelas contas que encantam os trouxas? “Esse dinheiro poderia ser investido em transporte público…” Não faz porque não é burro, embora seja politicamente oportunista. É bem verdade que, sem incentivo, a economia teria crescido menos, o desempego seria maior, teria havido queda de arrecadação, o consumo (âncora principal do crescimento) teria sido menor. Mas quem liga? Trouxas querem soluções, não fazer contas.
Reitero: não acho que Lula e Dilma fizeram mal em tentar preservar empregos. A indústria automobilística mobiliza uma cadeia produtiva gigantesca, que acaba envolvendo outros setores, como construção civil (obras viárias e de infraestrutura) e energia (combustíveis). Por que Haddad, este gênio do pensamento estratégico, não pediu que seus aliados no governo federal estimulassem o crescimento incentivando o uso de bicicletas, patins e carrinhos de rolimã?
Leiam:
“Quando nós disponibilizamos dinheiro para as financiadoras das empresas automobilísticas venderem carro, o que aconteceu? Aumentou a entrada do carro de 20% para 30%, diminui o número de prestações, de 70, 72, para 36. Ou seja, ao invés de se facilitar, se dificultou a compra do carro”.
É Luiz Inácio Lula da Silva em 4 de dezembro de 2008, dando um pito nos bancos, que, segundo disse, estavam dificultando a compra dos carros. Em 2012, no ano passado!, a Caixa Econômica Federal, um banco púbico, anunciou a redução de juros para a compra de automóveis. Por que não criou uma linha especial para vender patinetes?
Trata-se de um discurso hipócrita, politicamente vigarista, talhado para convence a sub-ilustração politicamente correta, os iluminados habituais que costumam ter respostas simples e erradas para problemas difíceis.
Pedágio urbano
No seminário promovido pela Folha, leio que Paulo Feldmann, professor de Economia Brasileira da FEA-USP e membro do Conselho da Cidade, fez uma defesa entusiasmada da adoção do pedágio urbano. Nem entro no mérito. Preciso pensar com cuidado a respeito. Talvez eu possa até ser favorável. Vigora em Londres, como ele lembrou, com sucesso.
São Paulo não é virgem nesse debate. Em fevereiro de 2009, o governo de São Paulo, do PSDB, enviou à Assembleia Legislativa o projeto que instituía a Política Estadual de Mudanças Climáticas. O texto se propunha a estudar a alternativa. Quem saiu atirando contra a proposta? Ora, ora… Os petistas! Em 2008, Gilberto Kassab, ainda no DEM e candidato à reeleição à Prefeitura, enviara projeto à Câmara instituindo o pedágio urbano. O PT, partido de Fernando Haddad, fez tal salseiro que ele retirou o texto Agora, os “pensadores” de  Haddad voltam a falar a respeito. Na eleição de 2010 (e também na 2012), os petistas atribuíam a Serra a intenção secreta de implementar a medida. E tratavam do assunto como se fosse um crime. O tema foi usado para demonizar o tucano nas redes sociais.
“Fora, Audi, Mercedes BMW e Land Rover”!
Haddad, este pensador sem passado e, agora, sem Arco do Futuro, deveria ter aproveitado o seminário para convencer o governo Dilma a criar dificuldades para a instalação de novas montadoras no Brasil. A Audi está investindo R$ 500 milhões na sua planta industrial em São José dos Pinhais, no Paraná. Fernando Pimentel, ministro da Indústria e Comércio, atribui a chegada de novas montadoras ao Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Inovar-Auto. Quer saber o que é, leitor amigo? Clique aqui. É uma página oficial, do governo. Você verá quantos são os incentivos para que aumente a produção de carros no Brasil. A Mercedes já anunciou que estará de volta em breve. Orgulhoso, Pimentel comemora: “O Brasil nunca teve fábricas do segmento de automóveis de primeira linha. E temos três anunciadas: a BMW, a Audi e a Mercedes-Benz. E a Land Rover em vias de [anunciar]”.
Por que Fernando Haddad, este monumento à coragem e à originalidade, não gritou lá no seminário da Folha:”Fora, Audi, Mercedes BMW e Land Rover!”?
PS – Para quem, eventualmente, não tenha entendido o meu ponto: se eu estivesse no governo, teria concedido os mesmos incentivos ao setor automotivo. E acho correto que se estimule a vinda ao país de novas montadoras. A minha diferença com o petismo, nesse particular (há milhares de outras), é que não sou hipócrita nem tento enganar idiotas, o que não nos cobra nem mesmo sagacidade. Há modos de incentivar o transporte público sem demonizar o automóvel e seus proprietários. Ocorre que o petismo, mesmo quando faz a coisa certa — incentivar o setor automotivo —, só sabe falar a linguagem vigarista do confronto entre pobres e ricos e do arranca-rabo de classes. Isso não é irrelevante, como provam os acontecimentos recentes. Nessa toada, chegará o dia em que extremistas, em nome dos usuários do transporte público, vão se sentir no direito de impedir a circulação de carros, ocupando as vias públicas. A depender do juiz que encontrem pela frente, serão chamados de defensores da democracia e da cidadania. Por Reinaldo Azevedo

A LEI DE SEGURANÇA NACIONAL E OS VÂNDALOS. OU: UMA QUESTÃO DE VERGONHA NA TOGA!

Caetano black bloc
Como os petralhas são chatos e aborrecidos! Eles poderiam, no entanto, ser um pouco mais informados. Há uma penca aqui torrando a minha paciência porque a CBN noticia em sua página (deve ter ido ao ar na rádio) que o governador Geraldo Alckmin se manifestou contra o enquadramento daquele casal da pesada na Lei de Segurança Nacional, chamada pelos tolos (esses e outros; já chego lá!) de “lei da ditadura”. E por que ficam engrolando suas glossolalia subpolítica? Porque eu defendo, sim, o enquadramento dos terroristas nessa lei. Na verdade, fui o primeiro a tocar no assunto, ainda no dia 14 de junho. Muito bem! Ainda que seja exatamente assim e que Alckmin tenha se mostrado contrário (talvez não seja bem isso…), e daí? Por que haveríamos de pensar a mesma coisa? “Porque você é tucano”, responde o semovente. Será mesmo? Tanto o partido como eu repudiamos peremptoriamente essa suspeita. 
A questão
Os supostos defensores dos direitos humanos e os politicamente corretos, inclusive os da imprensa, estão tentando emprestar um viés ideológico à Lei de Segurança Nacional. Pretexto: foi instituída pela ditadura. A ser assim, não se cumpram, então, todas as leis que aí estão e que foram, ora vejam, aprovadas durante regimes ditatoriais, a começar do Código Penal. Pobre José Dirceu! Foi condenado por corrupção ativa, com base do Artigo 333 do Código Penal. Tal artigo é expressão da Lei 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Em 1940, o Brasil vivia sob a ditadura do Estado Novo, bem mais violento e assassino nos porões do que a ditadura militar. E aí?
A Lei de Segurança Nacional não foi revogada pela Constituição democrática de 1988. Suas disposições são compatíveis com a Carta, garantidora dos direitos individuais a mais não poder. Logo, a lei, instituída durante uma ditadura, mas correta nos seus fundamentos, desde que adequadamente aplicada (como tudo), serve ao regime democrático . Assim como o Artigo 333 do Código serviu para condenar os corruptores do mensalão.
Até dá para debater o mérito do texto, se os que estão barbarizando nas ruas estão ou não cometendo os crimes ali definidos — eu acho que estão, mas admito que se possa pensar de modo diferente. Argumentar que a lei é inaplicável porque aprovada durante a ditadura é coisa de vigaristas intelectuais e de apoiadores vulgares de bandidos.
O ponto
O casal preso, é bom que se diga, não foi enquadrado apenas na Lei de Segurança Nacional. Eles são acusados também de outros crimes: dano qualificado, incitação ao crime, formação de quadrilha ou bando e posse ou porte ilegal de armas de uso restrito. Ainda que se queira desqualificar o atentado à segurança nacional — que foi cometido! —, há as demais transgressões.
Há uma boa possibilidade de o governador Alckmin estar sendo pragmático. Os defensores de bandidos que costumam se travestir de defensores dos direitos humanos já deram início à gritaria: “Ah, essa é uma lei da ditadura”. É fato: havendo a disposição para punir o crime, nem mesmo é preciso recorrer à Lei de Segurança Nacional. A Lei 12.850, que define o crime de organização criminosa, é suficiente para punir esses delinquentes. E, sobre ela, não pesa nem mesmo a acusação imbecil de ser uma “lei da ditadura”
Problemas
Ocorre que há um problema. A Lei 12.850 prevê em seu Parágrafo Primeiro:
“§ 1º – Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional.”
Convenham: há muita margem aí para o exercício do direito criativo. O juiz pode entender que não está caracterizada a “associação”, que cada black bloc é, assim, como uma mônada, entendem, dotada de individualidade etc. Já os Artigos 15º a 20º da Lei de Segurança Nacional, quando se tem vergonha na toga, são claríssimos. Transcrevo-os:
Art. 15 – Praticar sabotagem contra instalações militares, meios de comunicações, meios e vias de transporte, estaleiros, portos, aeroportos, fábricas, usinas, barragem, depósitos e outras instalações congêneres.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
§ 1º – Se do fato resulta:
a) lesão corporal grave, a pena aumenta-se até a metade;
b) dano, destruição ou neutralização de meios de defesa ou de segurança; paralisação, total ou parcial, de atividade ou serviços públicos reputados essenciais para a defesa, a segurança ou a economia do País, a pena aumenta-se até o dobro;
c) morte, a pena aumenta-se até o triplo.
§ 2º – Punem-se os atos preparatórios de sabotagem com a pena deste artigo reduzida de dois terços, se o fato não constitui crime mais grave.
Art. 16 – Integrar ou manter associação, partido, comitê, entidade de classe ou grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça.Pena: reclusão, de 1 a 5 anos.
Art. 17 – Tentar mudar, com emprego de violência ou grave ameaça, a ordem, o regime vigente ou o Estado de Direito.
Pena: reclusão, de 3 a 15 anos.
Parágrafo único.- Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até a metade; se resulta morte, aumenta-se até o dobro.
Art. 18 – Tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre exercício de qualquer dos Poderes da União ou dos Estados.
Pena: reclusão, de 2 a 6 anos.
Art. 19 – Apoderar-se ou exercer o controle de aeronave, embarcação ou veículo de transporte coletivo, com emprego de violência ou grave ameaça à tripulação ou a passageiros.
Pena: reclusão, de 2 a 10 anos.
Parágrafo único – Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo.
Art. 20 – Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas.
Pena: reclusão, de 3 a 10 anos.
Parágrafo único – Se do fato resulta lesão corporal grave, a pena aumenta-se até o dobro; se resulta morte, aumenta-se até o triplo.
Encerro
A vantagem da Lei de Segurança Nacional — que está em vigência no regime democrático — é, como se vê, essa clareza. Mas admito: quando se tem vergonha na toga, é possível punir esses bandidos exemplarmente com mais de uma lei. O pressuposto é só este: vergonha na toga. Leis não nos faltam. Por Reinaldo Azevedo

SERRA: "QUEM ACHA QUE SABE O QUE VAI ACONTECER NO ANO QUE VEM NÃO ESTÁ COMPREENDENDO NADA"

O ex-governador José Serra (PSDB) classificou nesta quarta-feira (9) as trocas de partidos das últimas semanas de “mercado partidário” e disse que o governo Dilma Rousseff é “cúmplice” dessa prática. O tucano afirmou que “não lembra” de nada parecido com a situação ocorrida antes do último sábado (5), quando terminou o prazo para filiações visando as eleições de 2014. Com os registros obtidos pelos partidos Solidariedade e Pros (Partido Republicano da Ordem Social), dezenas de deputados trocaram de legenda na semana passada. ”Tempo de televisão no Brasil e verba do fundo partidário viraram mercadoria. É um acinte à nossa democracia”, disse a jornalistas. Serra está em Porto Alegre (RS), onde ministrou uma palestra em uma federação de comércio. Questionado sobre a possibilidade de concorrer à Presidência em 2014, Serra citou o exemplo do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, que definiu sua candidatura meses antes da votação em 2007, para afirmar que não vê a necessidade de precipitação. Disse ainda que o senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do PSDB, já declarou que a decisão sobre a candidatura tucana só ocorrerá em março e criticou a antecipação da corrida eleitoral. (…)  Sobre a ida da ex-senadora Marina Silva para o PSB de Eduardo Campos, o tucano afirmou que o movimento foi “extremamente inesperado”. “Quem acha que sabe o que vai acontecer no ano que vem não está compreendendo nada. As coisas estão realmente bastante indefinidas". Por Reinaldo Azevedo

O BRASIL ESTÁ DE VOLTA AO TOPO DO RANKING MUNDIAL DOS JUROS REAIS - E COM CRESCIMENTO PÍFIO

Não, não sou economista — sim, eu sei. Mesmo os não-economistas podem juntar lé com lé, cré com cré e concluir que algo não vai bem no arranjo geral. Com a elevação da taxa Selic para 9,5% ao ano, o Brasil volta para o topo do ranking mundial dos juros reais, segundo cálculos do economista Jason Vieira, conforme publica o EstadãoDigamos que fosse assim porque, sei lá, a economia estivesse superaquecida, porque fosse necessário dar uma freada no crescimento, porque a demanda excessiva estivesse pressionando a inflação, um desses problemas convencionais que as economias enfrentam volta e meia. Mas não. O Brasil tem o menor crescimento dos Brics. O próprio BC prevê apenas 2,5% para este ano. O FMI antevê os mesmos 2,5% no ano que vem. A ser assim, Dilma produzirá a mais baixa média de crescimento na comparação com os quatro mandatos anteriores — dois de FHC, dois de Lula: 2,15%. Notem: nem estou aqui entrando no mérito da elevação, se boa ou ruim, se necessária ou não. Apenas evidencio que o conjunto da obra, e olhem que faltam muitos elementos negativos ao quadro, é constrangedor. O mercado prevê que o ano termine com a Selic a 10%. Por Reinaldo Azevedo

A "FÚRIA BONDOSA" DE MARINA SILVA JÁ COMEÇA A FAZER BARULHO NA ALIANÇA; CAMPOS DIZ QUE É COISA DE ADVERSÁRIOS; OS FATOS DEMONSTRAM QUE NÃO

Pois é… Eduardo Campos, governador de Pernambuco e presidente do PSB, concedeu um entrevista nesta manhã à radio CBN e acusou os adversários de tentar instalar a cizânia entre ele e Marina Silva. Diz que isso é inútil e coisa e tal e, na prática, ainda que com palavras um tanto rebarbativas, confirmou: pode ser ela a candidata do PSB em 2014 — isso me pareceu óbvio desde o primeiro dia. O ponto que me interessa aqui é outro. Não são os adversários que estão tentando criar confusão. Se já há alguns focos de incêndio, quem põe fogo na mata é mesmo… Marina. O deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) pretende disputar o governo de Goiás por seu partido. No Estado, integra o bloco de oposição ao governo do Estado, onde também está o PSB, de Campos. Está, ou estava, sei lá, em curso um entendimento entre as duas legendas. Caiado já havia manifestado simpatia pela candidatura do governador de Pernambuco e reagiu de modo elegante quando Marina entrou na legenda. Mas sabem como é… A ex-senadora tem que ter os seus Judas para malhar, e ela fez do agronegócio o seu principal inimigo. Com menos de uma semana de acordo, já partiu para cima de Caiado, a quem nesta terça de “inimigo histórico dos trabalhadores rurais”. Indagada como seria uma eventual coligação entre DEM e PSB em Goiás, praticamente chutou o outro. Em entrevista à Folha, a redista afirmou que que ela própria e Caiado são tão coerentes que, se a aliança prosperar, “ele mesmo vai pedir para sair, se é que não está pedindo”. Como se vê, Marina pode, de vez em quando, adotar a linguagem do Capitão Nascimento. Foi uma agressão gratuita. Caiado integra a chamada “bancada ruralista”, que os “modernos” adoram demonizar. Ocorre que até adversários ideológicos seus o têm na conta de um homem de bem, honesto, transparente. Não consta que exista nenhuma evidência de que seja o tal “inimigo dos trabalhadores rurais”.

Conforme informa a Folha, a senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), presidente da CNA (Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária do Brasil), assinou uma nota em conjunto com o presidente da Federação da Agricultura de Goiás, José Mario Schreiner, que defende o parlamentar e acusa Marina de recorrer à “calúnia e difamação” antes mesmo do início da campanha eleitoral.
“A tolerância é imprescindível para elevar o ser humano à condição de civilidade. E se tolerância tem a ver com humildade ou, antes, dela decorre, é incompreensível que esta manifestação tenha vindo da cristã que Marina Silva diz ser”, diz a nota. Kátia, que já declarou que vai apoiar a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição, acusou Marina de “truculência” no plenário no Senado. O texto prossegue: “Esperamos a devida retratação da pré-candidata, que tem revelado profundo desconhecimento do agronegócio brasileiro, pilar mais importante da economia nacional”.
Pois é… Ainda que Rede e PSB mantenham suas respectivas identidades, como dizem os representantes dos dois partidos, é claro que as coisas podem azedar no meio do caminho. Se o candidato titular do PSB for Campos, as alianças serão de um jeito; se for Marina, não há como, serão de outro. Essa definição não será feita amanhã. Há muitos meses pela frente. Em São Paulo, mesmo, a aliança PSDB-PSB é dada por muitos como certa. Nos bastidores, já há buchicho de gente ligada à Rede afirmando que as coisas não são bem assim. Notem uma coisa: Marina não é uma adversária direta de Caiado sob qualquer critério que se queira, menos um: ele era um convicto defensor do Código Florestal aprovado, e ela uma convicta detratora. Posso compreender, claro, que isso crie dificuldades para a aliança, agora que ela, oficialmente ao menos, é do PSB. Mas daí a atacar a honra pessoal do outro — e afirmar que alguém é inimigo do trabalhador rural entra nessa categoria — vai uma distância enorme. Como afirmei aqui no sábado, passada a euforia novidadeira, começariam os problemas. Campos não é fiel à realidade quando diz que os inimigos é que estão querendo criar curto-circuito. Marina, muito à sua maneira, é uma das figuras públicas mais intolerantes da política. Ou as pessoas enxergam o seu horizonte escatológico (em sentido ecológico-religioso) e aquelas que ela considera as chances de redenção (idem) ou são, então, tratadas como inimigas da virtude. Não conheço o deputado Caiado, nunca falei com ele e já divergi de suas opiniões aqui algumas vezes. O ataque gratuito que lhe disfere Marina, com aquele seu jeito etéreo de entidade celestial, é inaceitável e prenuncia mais problemas do que Campos possa supor. Isso nada tem a ver com os adversários, governador! Marina é que precisa aprender a controlar a sua fúria certamente bondosa…
Segue a nota assinada por Kátia Abreu e José Mario Schreiner.
Nota Kátia Abreu
Por Reinaldo Azevedo

VIOLÊNCIA DE VÂNDALOS E TERRORISTAS JÁ CUSTOU R$ 1,31 BILHÃO AO RIO DE JANEIRO DESDE JUNHO. QUEM PAGA A CONTA?

Caetano black bloc
A violência ou simplesmente o temor que passeatas pacíficas terminem em tumultos generalizados provocados por black blocs já custou ao Rio de Janeiro pelo menos R$ 1,31 bilhão desde junho. Nessa conta estão prejuízos do comércio com a queda nas vendas, horas extras pagas a policiais e outros servidores públicos entre outras despesas, segundo levantamento feito nesta terça-feira pelo GLOBO. A conta final é difícil de fechar porque bancos e seguradoras não divulgaram suas despesas e muitos prejuízos ainda estão sendo calculados. Desse total, o prejuízo maior vem do comércio e atividades de prestação de serviços que giram em torno deles. Indicado pela Associação Comercial do Rio para comentar a situação, o presidente do Clube de Diretores Lojistas e do Sindilojas, Aldo de Mouras Gonçalves, ressalta que não inda existe uma conta fechada. Mas ele estima o prejuízo, sem contar o vandalismo, possa chegar a R$ 1,3 bilhão. Os outros R$19,1 milhões são arcados por governos e prestadoras de serviços públicos.
“Desde junho, ocorreram pelo menos dez protestos que terminaram de forma violenta no Centro. Houve problemas ainda na Zona Sul e na Barra. Quando há expectativa de confusão, muita gente evita ir ao Centro para fazer compras, escritórios liberam funcionários antes da hora e lojas fecham mais cedo. Com isso, não é só o comércio que deixa de faturar mas outros serviços, mas ambulantes legalizados e táxis que passam a evitar a área. No dia seguinte aos protestos, muita gente ainda evita frequentar essas áreas devido à depredação.”
Mudança de rotina
A violência impôs mudanças em algumas rotinas dos principais polos comerciais do Centro. O síndico do Edifício Avenida Central, Rhuy Gonçalves, contou que seguranças do prédio passaram a acompanhar as passeatas. No caso de violência, a orientação é fechar o prédio que conta com 194 lojas e 1.061 salas. Ele não quantifica o prejuízo, mas observou que o fechamento antecipado geralmente ocorre num dos horários de pico do prédio. “Os protestos geralmente começam no fim de tarde. Normalmente, ficamos abertos até 21h para receber a clientela que deixa pra fazer compras após passar o dia no trabalho. Infelizmente, tem dia que precisamos fechar as portas mais cedo e isso dá prejuízos”, disse Rhuy.
Sem poder prever qual passeata terminará de forma pacífica ou violenta, a Secretaria de Segurança Pública estima que já tenha gasto R$ 15 milhões para reforçar o policiamento durante manifestações. Ao todo, 53 PMs ficaram feridos. Para se ter uma ideia, os R$ 15 milhões representam a soma que a PM pagou para soldados trabalharem fora de seu horário de serviço na Copa das Confederações e na Jornada Mundial da Juventude. O valor corresponde ainda ao orçamento de dois meses, em adicionais pagos, para reforçar os efetivos de PMs nos batalhões do Estado. Os gastos com armamento não letal não foram divulgados.
A conta com a depredação do mobiliário urbano já chega a cerca de R$ 3 milhões. Conforme o contrato, os custos são arcados pelas empresas que prestam o serviço a prefeitura. Nessa lista estão pelo menos 1.295 itens. Isso inclui 712 papeleiras, 98 blocos de sinais de trânsito e equipamentos de fiscalização eletrônica, 60 postes de identificação de ruas e 60 placas de trânsito. Apenas uma das empresas de mobiliário urbano do Rio já teve que repor 200 vidros temperados de 98 abrigos de ônibus desde junho. O prejuízo não é divulgado pela empresa, mas no mercado comenta-se que essa reposição não saiu por menos de R$ 100 mil. Na Rua Evaristo da Veiga, onde fica um dos acessos à Câmara dos Vereadores, um abrigo já precisou de reparos após os três últimos protestos que terminaram em violência. Na Rua Pinheiro Machado, nas imediações do Palácio Guanabara, os vidros de outro abrigo foram repostos quatro vezes.
“Somente na segunda-feira, foram atacados 12 abrigos, 2 relógios e 4 totens informativos. A estimativa é que vamos levar menos uma semana para recuperar tudo — conta Marcelo Cavalcanti, gerente de Operações da empresa Adshell, que fornece parte do mobiliário urbano do Rio, em troca da exploração de publicidade.”
Perda total nas lixeiras
O presidente da Comlurb, Vinícius Roriz, explica que, geralmente, quando uma lixeira é destruída, a perda é total. A empresa que já preparava uma licitação para a compra de 7 mil novas papeleiras para repor estruturas destruídas e roubadas precisou levar em conta nas estimativas os prejuízos provocados pelos vândalos que atacam nas passeatas.
Na Alerj, os ataques ao patrimônio público representaram um prejuízo de R$ 594,4 mil segundo estimativas feitas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Na Câmara do Rio, o maior estrago ocorreu na noite de anteontem e as contas ainda não foram fechadas. Quase todos os vidros externos foram destruídos e os portões danificados por bombas caseiras. Antes desse ataque, o prejuízo já estava em cerca de R$ 250 mil para repor danos de protestos passados. O presidente, Jorge Felippe (PMDB), disse temer o futuro. Pra ele, os vândalos podem se aproveitar de outras manifestações no futuro tendo o Legislativo por alvo. Ele acredita que a aprovação do Plano de Cargos para os professores possa gerar um efeito cascata em outras categorias de servidores se mobilizando para reivindicar reajustes.
“Além disso, a conta vai aumentar mais. Não apenas pelos prejuízos materiais. A Câmara do Rio precisou reforçar sua segurança com guardas municipais. A prefeitura cedeu o pessoal mas será o Legislativo que pagará os salários pelo período que permanecerem aqui”, disse Felippe.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Alfredo Lopes, revelou que a preocupação com os confrontos provocou uma queda de cerca de 20% o movimento de hospedagem em cerca de 20 estabelecimentos no Centro. Lopes explicou que o prejuízo acaba sendo localizado. Isso porque parte dos visitantes que se hospedam no Centro vem ao Rio a negócios e por isso não desistem das viagens por causa das manifestações. “ A mudança que ocorreu é que muitos tem optados por hotéis em Botafogo e Flamengo em lugar do Centro”, explicou Alfredo Lopes. O diretor do Hotel Viña del Mar, na Joaquim Murtinho (Lapa), José Paredes, calculou ontem os prejuízos com cancelamento de reservas em R$ 18 mil mensais: “ O que preocupa os hóspedes não é o motivo do protesto em si, porque a maioria desconhece as demandas da cidade. Mas o medo que acabe em violência. No nosso caso, estamos praticamente no olho do furacão das manifestações”, disse Paredes.
(…)
Voltei
Há um pequeno e importante reparo a fazer no texto, que não é erro de apuração, mas de viés editorial: “passeatas pacíficas” que terminam em “tumultos generalizados” é uma ficção criada por setores da imprensa. Desde sempre os ditos “pacíficos” contam com a ação dos “violentos” para dar visibilidade à sua luta. Pergunta: Caetano Veloso ainda tem aquele apartamento de muitos milhões na avenida Vieira Souto? Parece que era coisa, assim, na casa dos vinte e tantos… Que tal desapropriar para ajudar a pagar a conta? Por que ele não faz um leilão e doa o rendimento para a cidade. Na última vez em que se manifestou sobre sua ideologia mais profunda, disse ainda não saber se era mesmo anticapitalista. Quem sabe já tenha tomado uma decisão… “Ai, que ironia grosseira!”  É??? E se eu fosse fino como um black bloc, cuja fantasia o cantor vestiu? Por Reinaldo Azevedo

CARGA DE ENERGIA DO SISTEMA NACIONAL CRESCE 5,4% EM SETEMBRO, DIZ ONS

A carga de energia gerada pelas usinas que integram o Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 5,4% em setembro passado, em comparação ao mesmo mês do ano passado. Em relação a agosto, aumentou 1,4%, acumulando nos últimos 12 meses alta de 3,9% ante igual período anterior. Os dados constam do Boletim de Carga Mensal, divulgado nesta quarta-feira pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Por subsistemas, o maior aumento da carga de energia foi observado no Norte do País na ordem de 25,3%, comparativamente a setembro de 2012. Segundo os técnicos do ONS, a expansão pode ser explicada pela integração de Manaus ao Sistema Interligado Nacional, desde julho deste ano, o que refletiu também na taxa de crescimento do sistema. A região concentra os grandes consumidores eletrointensivos (como grandes complexos industriais, por exemplo) conectados à rede básica de energia. O subsistema teve crescimento em relação a agosto de 0,3%, e nos últimos 12 meses de 6,1%. Os Subsistemas Nordeste e Sul também apresentaram crescimento em setembro, em comparação ao mesmo mês do ano passado, de 6,6% e 6,4% respectivamente. Na análise do ONS, a taxa reflete a continuidade do bom desempenho da agroindústria, na região Sul; e do crescimento da renda e da expansão do crédito, que impulsiona o consumo das famílias, no Nordeste. Na comparação com agosto deste ano, porém, verificou-se redução da carga de 0,7% no Subsistema Sul. O Subsistema Nordeste permaneceu com alta de 4,1% no mesmo período. No acumulado dos últimos 12 meses, houve crescimento da carga de energia em ambos os subsistemas, atingindo 4,6%, no Sul; e 7,4%, no Nordeste. A menor alta foi registrada no Subsistema Sudeste/Centro-Oeste (2,6%). Embora participe com 60% na carga total do SIN, o subsistema foi afetado pelo comportamento da indústria, que ainda se mantém em trajetória de recuperação lenta, destacou o boletim.

CADE VETA UNIÃO DAS DUAS MAIORES FÁBRICAS DE GUARD RAILS DO PAÍS

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) vetou nesta quarta-feira a união das duas maiores fabricantes de defensas metálicas do País. Em sessão de julgamento, o Tribunal do Cade rejeitou a compra da divisão de defensas metálicas e de galvanização da Mangels Industrial pela Armco Staco. Também conhecidas como guard rails, as defensas metálicas são barreiras de contenção instaladas nas margens ou no canteiro central de ruas, avenidas e rodovias para impedir que veículos saiam da via. A galvanização é o processamento a fogo de peças e estruturas de aço para a fabricação de defensas metálicas. De acordo com o Cade, a Armco é a líder; e a Mangels, a segunda maior empresa do ramo em atuação no País. Juntas, as duas empresas controlariam cerca de 70% do mercado de defensas metálicas no Brasil. Essa concentração, segundo o órgão, prejudicaria os concorrentes, impediria a entrada de novas empresas e praticamente criaria uma situação de monopólio no setor. Feita sob as regras da antiga Lei de Defesa da Concorrência, a compra da Mangels pela Armco havia sido notificada ao Cade em 2012. Em maio deste ano, a Superintendência-Geral do órgão, que analisa os casos antes de encaminhá-los a julgamento, recomendou em parecer a rejeição do negócio. Segundo o parecer, os concorrentes remanescentes no mercado, bem como potenciais empresas ingressantes e importadores, não seriam suficientes para preservar a concorrência no mercado de defensas metálicas. Em razão disso, a operação poderia gerar efeitos negativos na comercialização do produto. No voto, o relator do caso, conselheiro Ricardo Machado Ruiz, disse que a concentração de mercado resultaria em elevação de preços e traria prejuízos às concessionárias de rodovias e aos governos federal, estaduais e municipais, responsáveis pela manutenção de vias e estradas. De acordo com ele, o impacto seria ainda maior por causa do programa de concessão à iniciativa privada de 7,5 mil quilômetros de rodovias.

CÂMARA PEDIRÁ À RÚSSIA QUE BRASILEIRA ACUSADA DE PIRATARIA RESPONDA A PROCESSO EM LIBERDADE

A Comissão de Relações Exteriores da Câmara vai encaminhar ao governo russo pedido para que a brasileira Ana Paula Maciel, presa durante um protesto do Greenpeace consistente na tentativa de invasão de uma plataforma de petróleo da empresa russa Gazprom no mar de Barents, contra a exploração de petróleo no Ártico, e acusada de pirataria, responda ao processo em liberdade. O requerimento, de autoria do deputado Henrique Fontana (PT-RS), foi aprovado nesta quarta-feira. O pedido será encaminhado à Embaixada da Rússia em Brasília. Ana Paula, que é bióloga e militante do Greenpeace, foi detida em Murmansk, no norte da Rússia, no dia 18 de setembro. No total, 30 pessoas foram presas. Os ativistas eram tripulantes do navio quebra-gelo Arctic Sunrise. Os ativistas foram presos ao tentar escalar a plataforma Prirazlomnaya, que é a primeira em alto-mar na região e, segundo a organização, tem previsão para começar a operar no próximo ano. Cabe uma perguntinha bem simplória: por que essa brasileira Ana Paula Maciel não tentou invadir qualquer uma das plataformas petrolíferas brasileiras no Oceano Atlântico? Se acontecesse isso, a Câmara dos Deputados tomaria qual atitude? E o que faria o petista gaúcho Henrique Fontana?

MINISTRO MARCO AURÉLIO MELLO DIZ QUE DEVERÁ DESMEMBRAR INQUÉRITO DA OPERAÇÃO MIQUÉIAS

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta quarta-feira que deverá desmembrar o inquérito que investiga os fatos apurados na Operação Miquéias, da Polícia Federal. O processo foi remetido na terça-feira ao Supremo Tribunal Federal pela Justiça Federal em função da presença de parlamentares na investigação. O ministro disse que ainda não tomou conhecimento do teor do processo, mas, diante da informação de que existem réus com prerrogativa de foro, deverá desmembrar o processo. Quando a decisão for tomada, a parte da  investigação que trata dos investigados que não são parlamentares seguirá para a Justiça Federal. “Se envolvidos detentores da prerrogativa de foro, eu darei sequência ao inquérito quanto a eles. Eu sempre desmembro. Penso que é um princípio básico que é constitucional e é direito de todo o cidadão ser julgado pelo juiz natural. Eu não sou o juiz natural do cidadão comum”, disse Marco Aurélio Mello. Na Operação Miquéias, deflagrada dia 19 de setembro, a Polícia Federal investigou os envolvidos durante um ano e meio por meio das contas bancárias de empresas de fachada ou fantasmas, abertas em nome de laranjas. Na ocasião, verificou-se a existência de uma holding de empresas que consistia em um serviço de terceirização para lavagem do dinheiro proveniente de crimes diversos.

JUSTIÇA PAULISTA NEGA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA REITORIA DA USP

O pedido de reintegração de posse da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) foi negado nesta quarta-feira pelo juiz Adriano Marcos Laroca, do Tribunal de Justiça paulista. A decisão foi tomada após a audiência de conciliação entre estudantes e representantes da universidade, ocorrida na terça-feira, ter terminado sem acordo. A invasão do prédio, iniciada em 1º de outubro, é por eleições diretas para reitor, votação paritária entre as três categorias (alunos, funcionários e professores) e o fim da lista tríplice, que confere ao governador a escolha do reitor entre os três mais votados. No despacho, o juiz diz que, a partir da audiência, ficou clara a "possibilidade de retomada do prédio sem uso da força, bastando a cessação da intransigência da reitoria em dialogar". Laroca considera que a "desocupação involuntária, violenta, causaria mais danos à USP e aos seus estudantes do que a decorrente da própria ocupação, indefiro, por ora, a liminar de reintegração de posse", assinala. No entendimento do juiz, a reitoria fez a opção de judicializar a ocupação política sem iniciar diálogo com os estudantes. "Fez uma opção clara pelo uso da força, ao invés do debate democrático", avaliou. Embora considere a ocupação uma medida "custosa" tanto à USP como aos estudantes, ele considera que isso é menos problemático "do que a manutenção de normas eletivas de cunho autoritário". Laroca discorda de o assunto ser levado à Justiça. O reitor da USP, diante dessa decisão da Justiça paulista, devia tomar uma decisão: 1) chamar o Batalhão de Choque da Polícia Civil e cercar o prédio, proibindo a entrada ou saída de qualquer pessoa; 2) cortar água e luz no prédio; 3) cortar a folha de pagamento de toda a USP; 4) na evacuação dos vagabundos, só permitir após a identificação de cada um dos invasores, para fim de processo judicical: 5) abertura de processo para expulsão da universidade de todos os invasores do prédio da Reitoria. Não é mais possível que uma ínfima minoria de supostos estudantes paralisem a gigantesca USP. Não é por acaso que a universidade caiu vertiginosamente no ranking de apreciação internacional, é porque os vagabundos, tais como o general franquista Astray, resolveram entoar loas à morte da vida acadêmica. Só pode existir educação onde existir ordem.

JUSTIÇA PAULISTA NEGA REINTEGRAÇÃO DE POSSE DA REITORIA DA USP

O pedido de reintegração de posse da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) foi negado nesta quarta-feira pelo juiz Adriano Marcos Laroca, do Tribunal de Justiça paulista. A decisão foi tomada após a audiência de conciliação entre estudantes e representantes da universidade, ocorrida na terça-feira, ter terminado sem acordo. A invasão do prédio, iniciada em 1º de outubro, é por eleições diretas para reitor, votação paritária entre as três categorias (alunos, funcionários e professores) e o fim da lista tríplice, que confere ao governador a escolha do reitor entre os três mais votados. No despacho, o juiz diz que, a partir da audiência, ficou clara a "possibilidade de retomada do prédio sem uso da força, bastando a cessação da intransigência da reitoria em dialogar". Laroca considera que a "desocupação involuntária, violenta, causaria mais danos à USP e aos seus estudantes do que a decorrente da própria ocupação, indefiro, por ora, a liminar de reintegração de posse", assinala. No entendimento do juiz, a reitoria fez a opção de judicializar a ocupação política sem iniciar diálogo com os estudantes. "Fez uma opção clara pelo uso da força, ao invés do debate democrático", avaliou. Embora considere a ocupação uma medida "custosa" tanto à USP como aos estudantes, ele considera que isso é menos problemático "do que a manutenção de normas eletivas de cunho autoritário". Laroca discorda de o assunto ser levado à Justiça.

JUSTIÇA PAULISTA MANDA SOLTAR PRESOS COM BASE NA LEI DE SEGURANÇA NACIONAL

O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo determinou o relaxamento da prisão dos manifestantes presos na segunda-feira, durante manifestação na capital paulista, com base na Lei de Segurança Nacional. Humberto Caporalli, de 24 anos, e Luana Bernardo Lopes, de 19 anos, foram presos após um quebra-quebra na região central da cidade. Entre outras tipificações, a Lei nº 7.170 de 1983 considera crime "incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas". O delegado titular do 3º Distrito Policial, Antônio Luis Tuckumantel, onde o caso foi registrado, defende a aplicação da lei, que data do período ditatorial. "Se existe uma lei mais severa, por que não aplicá-la?", perguntou Tuckumantel. Ele disse que recorrer a essa lei é também uma forma de pressionar legisladores para enfrentar a questão. Para ele, uma lei mais enérgica é necessária. Segundo o delegado, se o que era considerado crime naquele período, continua valendo, a lei deve ser usada. "Ela está em vigência, não foi revogada. E por que ninguém usa?", questionou. Na manhã desta quarta-feira, Caporalli foi transferido do 2º Distrito Policial para o Centro de Detenção Provisória Belém 2. A estudante já havia sido transferida na terça-feira para a penitenciária de Franco da Rocha. Os jovens, que, segundo a Polícia Militar, estavam envolvidos na depredação de uma viatura policial, foram indiciados especificamente pelo Artigo 15 da Lei de Segurança Nacional, que qualifica como crime "praticar sabotagem contra instalações militares, meios de comunicações, meios e vias de transporte, (...) e outras instalações congêneres". "A viatura é um meio de transporte imprescindível, que foi violado e isso impede o trabalho da polícia", disse Tuckumantel.

CORPO DA ATRIZ NORMA BENGELL SERÁ CREMADO NESTA QUINTA-FEIRA

O velório da atriz e cineasta Norma Bengell, que morreu na madrugada desta quarta-feira, aos 78 anos, vítima de complicações decorrentes de um câncer de pulmão, começou às 18 horas no Cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul carioca. Até a manhã desta quinta-feira, o público poderá prestar sua última homenagem à atriz, que fez história no cinema nacional. O corpo de Norma Bengell será cremado amanhã, às 14 horas, no Cemitério do Caju, zona portuária do Rio de Janeiro. A estréia da atriz nas telas de cinema ocorreu em 1959, com a comédia "O Homem do Sputnik", quando Norma chamou a atenção ao fazer uma paródia da atriz francesa Brigitte Bardot. Carioca, a atriz, que nasceu em 21 de fevereiro de 1935, marcou a cinematografia nacional ao interpretar "Leda" no filme "Os Cafajestes", de Ruy Guerra (1962), protagonizando a primeira cena de nu frontal do cinema brasileiro. Ela se transformou em musa do Cinema Novo brasileiro. Também em 1962, Norma Bengell participou de "O Pagador de Promessas", único filme brasileiro vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes. O sucesso do filme levou a atriz a uma carreira na Europa, onde conheceu o ator italiano Gabrielle Tinti, em 1963, com quem se casou, vindo a se separar em 1969. Por lá fez grandes filmes que foram sucesso de crítica, como "Mafioso", do diretor Alberto Lattuada. Em 1988, com o longa-metragem "Eternamente Pagu", se tornou também diretora, função que desempenhou outras três vezes, com "O Guarani", de 1996; "Magda Tagliaferro - O Mundo Dentro de um Piano"; e "Infinitamente", ambos de 2005.  atriz também fez história ao lutar contra a ditadura militar, além de ser conhecida por defender a bandeira feminista.

COPOM ELEVA A TAXA BÁSICA DE JUROS PARA 9,5% AO ANO

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros (Selic) de 9% para 9,5% ao ano. Foi o quinto aumento seguido desde abril, dos quais quatro com variação de 0,5 ponto percentual, em linha com as expectativas dos analistas financeiros, como mostra o boletim Focus divulgado na última segunda-feira pelo Banco Central. A ata da última reunião do Copom (dias 27 e 28 de agosto) já manifestava a tendência de a autoridade monetária manter o processo de alta da Selic. Nesta quarta-feira o colegiado de diretores do Banco Central reafirmou a disposição de dar continuidade à elevação da taxa de juros para conter a demanda doméstica por compras e impedir o avanço da inflação, que acumula 5,86% nos últimos 12 meses. Ao final da sétima reunião do ano, o Copom divulgou que “a decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano”. A decisão do Copom foi por unanimidade e sem viés (não pode mudar até a próxima reunião do comitê, marcada para 26 e 27 de novembro). De acordo com números do Tesouro Nacional, referentes a agosto deste ano, 22,6% da dívida mobiliária federal estavam atrelados à Selic. Com base nesse dado, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos calcula que cada subida de 0,5 ponto percentual na Selic equivale a acréscimo aproximado de R$ 3 bilhões/ano na dívida pública, transferidos em grande parte para os bancos, que são os maiores credores do Estado. A taxa básica de juros cresceu 2,25 pontos percentuais no ano – passou de 7,25%, em abril, para os atuais 9,5% – e, de acordo com expectativas dos analistas financeiros, deve aumentar ainda mais nas próximas reuniões do Copom, no fim de novembro e em meados de janeiro de 2014, apesar do abrandamento da inflação nos últimos três meses. Os analistas acreditam que a taxa básica de juros terminará o ano em 9,75% ou 10%.

SENADO APROVA PROJETO QUE CRIA PROGRAMA FRONTEIRA AGRÍCOLA NORTE

O Senado aprovou nesta quarta-feira projeto de lei que cria o Programa Fronteira Agrícola Norte, que será implementado na área formada pelos municípios do Amapá, do Pará, de Roraima, do Amazonas, de Rondônia e do Acre, cujas sedes estejam localizadas na faixa de até 450 quilômetros de largura ao longo da fronteira do Brasil com a Guiana Francesa, o Suriname, a República da Guiana, a Venezuela, a Colômbia, o Peru e a Bolívia. Os recursos do programa serão aplicados, prioritariamente, em ações voltadas para a instalação de microempresas rurais; o desenvolvimento sustentável de infraestrutura dos assentamentos rurais; obras de infraestrutura nos setores dos transportes e de recursos energéticos; a defesa sanitária vegetal e animal; a  proteção do meio ambiente e o gerenciamento de recursos hídricos e a criação e a expansão de núcleos de pesquisa científica e tecnológica. Pretende-se estimular a agricultura familiar e a fixação dos produtores na região, evitando o êxodo rural, estabelecer modelos de desenvolvimento sustentável que sejam consonantes com as características naturais da região e direcionar a aplicação dos recursos públicos e privados para a criação de pólos de desenvolvimento local. O programa será gerido pelos ministérios ligados à área, como o de Desenvolvimento Agrário, o de Agricultura e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Os Estados e os municípios deverão estabelecer suas secretarias responsáveis por atuar em conjunto com os órgãos federais. Os recursos para os projetos do programa serão previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA).  A matéria segue para a Câmara dos Deputados.

APROVADO PROJETO QUE AGILIZA PRISÃO CAUTELAR DE PESSOAS SUJEITAS À EXTRADIÇÃO

O plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira o projeto de lei (PLS 126/2008) proposto pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pedofilia que agiliza a prisão cautelar, com fins de extradição. O texto aprovado estabelece que o Supremo Tribunal Federal será a instância responsável por decretar a prisão e decidir sobre a extradição após parecer do Ministério da Justiça. Atualmente, cabe ao ministro da Justiça a decisão de prender e extraditar um estrangeiro acusado de crime em outro país. O projeto revoga a atual lei, que é de 1980, anterior à Constituição de 1988, que estabelece que ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem judicial. Ao definir o Supremo Tribunal Federal como instância responsável pela ordem de prisão cautelar, o projeto corrige o conflito legal. O Ministério da Justiça, entretanto, continuará com a missão de examinar os fatos, observar se o acusado preenche os requisitos legais para continuar no Brasil e se pronunciar a favor da extradição ou pelo arquivamento do processo. O ministério também poderá receber os pedidos de prisão por parte da Interpol, a Polícia Internacional, ou do país que estiver requerendo a extradição, mas apenas em casos de urgência, que requeiram maior agilidade. Mesmo assim, caberá ao Supremo a palavra final sobre a situação do extraditando. Embora a proposta tenha sido apresentada pela CPI da Pedofilia do Senado, ela passou por muitas modificações na Câmara, onde recebeu um substitutivo ao texto original. Os senadores aprovaram o substitutivo da Câmara e o texto será agora remetido para sanção da presidenta Dilma Rousseff.

CPI DA ESPIONAGEM QUER OUVIR O ESPIÃO TRAIDOR EDWARD SNOWDEN POR VIDEOCONFERÊNCIA

Os membros da CPI da Espionagem aprovaram nesta quarta-feira requerimentos para que sejam encaminhados ofícios ao advogado do ex-consultor da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos, o espião traidor Edward Snowden, e para o governo da Rússia, na tentativa de agendar uma videoconferência. Snowden é o responsável pelo vazamento dos documentos da NSA que apontam suposta espionagem de dados e comunicações de autoridades e cidadãos de diversos países, inclusive do Brasil. Ele está asilado na Rússia, essa potência da democracia. “O que nós precisamos saber objetivamente é o seguinte, as informações da ANP (Agência Nacional do Petróleo) foram violadas ou não? Essas informações serão utilizadas para que essa ou aquela companhia, pública ou privada, possa disputar essa concorrência com privilégio? No caso da espionagem do Canadá, ela tem a ver com a disputa entre Bombardier e Embraer? Essas são as informações importantes que precisamos saber”, explicou o relator da CPI, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). O senador disse que tem pressa em ouvir Snowden e outros convidados porque pretende entregar seu relatório até o fim do ano. A CPI da Espionagem ouviu nesta quarta-feira o jornalista americano Glenn Greenwald, um ativista do anti-americanismo, e seu marido, o brasileiro Davi Miranda. Greenwald publicou reportagens com base nos documentos vazados pelo espião traidor Snowden e Davi Miranda foi preso em sua última passagem pela Inglaterra para prestar esclarecimentos sobre o assunto, quando voltava da Alemanha, servindo como pombo-correio para seu marido. É evidente que o governo petista de Dilma Rousseff está no momento em uma das últimas etapas da estratégia bolivariana, que é a ofensiva anti-americanista.

POLÍTICA FISCAL DEVE SER MAIS USADA NO COMBATE À INFLAÇÃO, DIZ A CNI

A elevação de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), que passa para 9,5% ao ano, foi de acordo com as expectativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), conforme nota divulgada logo depois do anúncio do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. A CNI ressalta, porém, a necessidade de a política fiscal ter “papel mais ativo no combate à inflação daqui para a frente”. A entidade representativa dos empresários da indústria entende que “o maior controle dos gastos públicos diminuirá a necessidade de atuação da política monetária e imporá menores custos ao setor produtivo”. Segundo a CNI, mesmo com a retração da inflação, que está em 5,86% no acumulado dos últimos 12 meses, a evolução dos preços exige acompanhamento atento da política econômica, pois a desaceleração atual tem características basicamente de curto prazo, sem sinais de manutenção duradoura. Por isso, é preciso manter o alerta para o comportamento dos preços em 2014. Um fato relevante, diz a nota, é a discrepância de tendências entre os preços monitorados (combustíveis, energia, transportes, saneamento e outros) e os preços livres. “Sem a contribuição dos monitorados, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) dificilmente terminaria 2013 dentro do limite superior da meta de 6,5%. É importante ressaltar que esse expediente será bastante limitado em 2014, com a reversão das reduções praticadas em 2013”, acrescenta.

AUMENTO DA SELIC PREJUDICA A RETOMADA DA ATIVIDADE ECONÔMICA, DIZ A FIESP

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou o aumento da taxa básicas de juros (Selic), anunciada nesta quarta-feira pelo Banco Central. Na avaliação da Fiesp, foi um erro elevar a taxa em razão de a inflação estar dentro da meta e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) apontar para um resultado negativo no terceiro trimestre. “Este novo aumento da taxa de juros vem prejudicar o momento propício à retomada da atividade. O estímulo à produção nacional dado pela desvalorização cambial será anulado pelo aumento da taxa de juros. É hora de baixar juros e aumentar o investimento público direto e em concessões, para voltarmos a crescer”, disse, em nota, Paulo Skaf, presidente da entidade. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa básica de juros (Selic) de 9% para 9,5% ao ano. Foi o quinto aumento seguido desde abril, dos quais quatro com variação de 0,5 ponto percentual.

DONO DE MARCENARIA QUE TERIA FEITO CAVALETES PARA AS CAMPANHAS DE FORTUNATI E OUTROS CANDIDATOS DA SUA COLIGAÇÃO SE NEGA A FALAR NA CPI DA PROCEMPA

A CPI da Procempa na Câmara Municipal de Porto Alegre marcou para ouvir na manhã desta quarta-feira o depoimento do proprietário de uma marcenaria investigada pelo Ministério Público, o qual teria confeccionado cavaletes para campanha eleitoral pagos com dinheiro público. Entretanto, o depoente resolveu não falar, invocando o seu direito constitucional, devidamente orientado por seu advogado. Alcides Guimarães, dono da marcenaria AMG, prefiriu o silêncio. Antes disso, os membros da CPI tinham ouvido a servidora Janete Teresinha Eccel, do setor financeiro da Procempa. Quatro notas fiscais da AMG Marcenaria, no valor total de R$ 463,4 mil, estão sob suspeita. O Ministério Público investiga se a empresa emitiu notas fraudulentas, declarando falsos serviços que teriam sido prestados à Companhia de Processamento de Dados de Porto Alegre (Procempa). As notas da AMG registram a confecção de mobiliário para o Centro Integrado de Comando de Porto Alegre (Ceic), mas sindicância interna da companhia indicou que os serviços foram realizados por outras duas empresas.

JOSÉ SERRA DIZ NA FEDERASUL QUE RIO GRANDE DO SUL É VÍTIMA DA FALTA DE PLANEJAMENTO

O ex-ministro e ex-governador de São Paulo, José Serra (também ex-candidato à Presidência da República pelo PSDB) fez palestra nesta quarta-feira na Federasul, em Porto Alegre, e afirmou que o próximo presidente brasileiro terá de enfrentar, pelos menos, 10 grandes problemas. Inflação, gargalos logísticos, crise na saúde, desequilíbrio externo e falta de uma política de comércio exterior fazem parte, conforme o economista, da "herança do decênio petista". "O Brasil virou curso de graduação e pós-graduação. O sujeito ganha a eleição e vai lá aprender como se governa", ironizou José Serra. Ele também reclamou da "balcanização" do Estado brasileiro, "apropriado por um partido e seus sócios". E avançou mais nas críticas, afirmando que o Rio Grande do Sul é vítima de falta de planejamento: "Aqui, temos três grandes obras vitais para o desenvolvimento, o sistema hidroviário, de metrô e trens e a ponte do Guaíba, que ficou no anúncio". Para José Serra, as medidas adotadas pelo atual governo não passam de uma "cortina de fumaça". Como exemplo, citou o programa Mais Médicos, que, segundo ele, não soluciona os problemas na área da saúde.

PREFEITURA DE PORTO ALEGRE AGORA DERRUBA ÁRVORES PODRES, DEPOIS DA MORTE DE JUIZ DO TRABALHO ATINGIDO POR UMA DELAS

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Smam) da prefeitura de Porto Alegre derrubou nesta quarta-feira 38 eucaliptos na praça Irmã Dulce. As árvores foram derrubadas porque apresentavam risco de queda. Conforme vistoria técnica, pelo menos 10 dessas árvores, todas com aproximadamente 25 metros de altura e 20 anos de idade, tinham a base apodrecida. Se continuar esse trabalho, milhares de árvores serão derrubadas, porque a grande maioria estão apodrecidas, apresentando grandes riscos na cidade.

OBRAS DE REFORMA DO ESTÁDIO BEIRA-RIO CHEGAM A 87,5% DE CONCLUSÃO

As obras de reforma do Estádio Beira-Rio alcançaram 87,5% de conclusão. Mas, somente ao final desta semana estará concluída a tarefa de instalação dos blocos de sustentação externa da cobertura do estádio. Depois disso é preciso concluir toda volta interna com a estrutura prolongada que irá sustentar a lona de cobertura do estádio. Na pressa, estão trabalhando 1.700 operários para a conclusão das obras no prazo, inclusive no horário noturno.

GOVERNO JOSÉ FORTUNATI CONDUZ OBRAS EM RITMO DE TARTARUGA, HOSPITAL PRONTO SOCORRO TEM SÓ 64% DA REFORMA CONCLUÍDA

No governo José Fortunati (PDT) é assim: um grupo de secretários das áreas da Saúde, Governança Local, Esportes, Acessibilidade, Gestão, Planejamento Estratégico e Orçamento e Administração reúne-se para avalar o andamento de obras. Para quê? Que tal eles se levantarem e irem até o lugar onde essas obras estão sendo feitas? Nada..... eles gostam de nomes tão pomposos quanto inúteis. Na reunião do "Comitê de Gerenciamento do Programa Estratégico A Receita é Saúde" foi avaliado o andamento dos Planos de Investimentos e Serviços do OP 2011 e 2012. Em relação as 136 demandas existentes, o tal pomposo comitê informa que 61 já foram concluídas, sendo uma delas a construção de nova sede para a Unidade Básica de Saúde São José, que conta hoje com uma área física de 462 metros quadrados, e a reforma realizada no Centro de Saúde Santa Marta para implantação do SAE DST/Aids. Segundo o secretário Carlos Henrique Casartelli, a Secretaria da Saúde está com um conjunto de obras em andamento, como a reforma da Urgência e Emergência do Hospital de Pronto Socorro, que está com 64% do cronograma concluído, e que "resultará na qualificação e ampliação do número de leitos de emergência", ou ainda a obra de construção da nova Unidade de Saúde da Família COHAB Cavalhada, que se encontra em fase final, estando prevista para ser entregue à comunidade ainda em 2013. Loroto, mais lorota, sempre lorota. O fato concreto é que a área da Saúde, em Porto Alegre, continua no caos, com incríveis superlotações nas emergências hospitalares, todas elas, e com um déficit mínimo de 2.000 leitos para internações hospitalares. E o secretário Casartelli nada faz. Mas ele não cai nunca. Sabem por que? Porque é apadrinhado pela primeira dama, Regina Becker.

PREFEITO JOSÉ FORTUNATI JÁ DENUNCIOU QUATRO À JUSTIÇA POR CORRUPÇÃO NA SUA GESTÃO

Já são quatro os primeiros réus por improbidade administrativa em ação que está tramitando na 2ª Vara de Fazenda Pública do Foro Central de Porto Alegre. O processo é o de nº 001/1.13.0080325-9 é os processados são os seguintes: Adel Dionísio da Silva Goldani, Felipe Bordin Goldani, George Lippert Neto e a empresa RS Realty Investimentos Imobiliários Ltda. Esse é o primeiro resultado das sindicâncias montadas pelo prefeito José Fortunati (PDT) para investigar os desmandos que afetam a sua administração, em quase todas as áreas, com enormes desvios de recursos públicos. Na manhã desta quarta-feira, a Comissão Especial dos Licenciamentos Urbanísticos e Ambientais divulgou o resultado final do levantamento iniciado em novembro do ano passado. De um total de 14 funcionários investigados, a comissão recomenda a demissão de seis e a absolvição de dois. Foi constatada, durante a inspeção, a prática dos crimes de advocacia administrativa e corrupção passiva, dizem os procuradores da prefeitura, transformados em corregedores. Foi o tipo de investigação inerte, apenas para dizer que o prefeito José Fortunati não é conivente com os desmandos em sua administração.

DILMA SANCIONA MEDIDA PROVISÓRIA QUE PERMITE TRANSFERÊNCIA DE CONCESSÕES A FAMILIARES DE TAXISTAS

A presidente Dilma Rousseff sancionou nesta quarta-feira a medida provisória (MP) 615, que permite a transferência de concessões de táxis como herança a familiares. Com isso, as licenças podem ser passadas de pai para filho, o que a presidente afirmou se tratar de uma "reivindicação histórica" da categoria. Além disso, o governo federal anunciou a prorrogação da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para compra de táxis até 31 de dezembro de 2016. Dilma citou que a medida é uma forma de o Planalto auxiliar na renovação da frota no País.

BARACK OBAMA INDICA JANET YELLEN PARA A PRESIDÊNCIA DO FED, O BANCO CENTRAL AMERICANO

O presidente Barack Obama indicou Janet Yellen, nesta quarta-feira, para presidir o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), em uma decisão que garante a continuidade da política de flexibilização monetária acompanhada pelo presidente atual, Ben Bernanke. Se aprovada a escolha, ela será a primeira mulher a ocupar o cargo. "Por sua carreira acadêmica e sua experiência política, não vejo alguém melhor preparado que a senhora Yellen para dirigir o Fed neste momento crucial", disse José Vinals, diretor do departamento de mercados financeiros do Fundo Monetário Internacional (FMI). Obama pediu ao Senado que confirme a nomeação de Yellen o quanto antes. Considerada uma democrata, Yellen passou mais de 12 anos em postos de decisão de política monetária. Ela é vista no seio do Comitê de Política Monetária (FOMC) como mais preocupada com o desemprego que com a inflação.

FLUXO CAMBIAL FICA NEGATIVO EM US$ 2,058 BILHÕES EM SETEMBRO

O fluxo cambial ficou negativo em 2,058 bilhões de dólares em setembro, informou nesta quarta-feira o Banco Central. Este foi o quarto mês consecutivo em que as saídas superam as entradas de recursos no País. Desde o início do ano, o fluxo só foi positivo nos meses de março (391 milhões), abril (3,515 bilhões) e maio (10,755 bilhões). Em todos os outros, a conta fechou no vermelho, com a maior saída verificada em agosto (5,850 bilhões) e a menor, em fevereiro (105 milhões). As operações financeiras responderam por uma entrada líquida de 2,988 bilhões de dólares no mês, diferença entre os 47,306 bilhões que entraram e os 44,318 bilhões que saíram. No comércio exterior, o saldo foi negativo em 5,046 bilhões de dólares no período, com importações de 19,908 bilhões e exportações de 14,862 bilhões. Nestas últimas, estão incluídos 2,834 bilhões em Adiantamento de Contrato de Câmbio (ACC), 3,541 bilhões em Pagamento Antecipado (PA) e 8,487 bilhões de outras entradas. De acordo com os dados do Banco Central, os bancos terminaram setembro vendidos em 6,511 bilhões de dólares. No final de agosto, estavam vendidos em 4,190 bilhões. Essa posição vendida no mercado de câmbio foi vista nos quatro primeiros meses de 2013, mas acabou revertida de maio a julho. No jargão financeiro, estar "comprado" significa expectativa de que a cotação do dólar pode subir. Isso porque, ao ter a moeda em caixa, é possível lucrar com uma eventual alta das cotações. Já estar "vendido" representa previsão de queda da moeda.

MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL DIZ NÃO À MORDAÇA ÀS BIOGRAFIAS PRETENDIDA POR CAETANO, CHICO, GIL, ETC...

Imagine um livro sobre o Primeiro Reinado que não mencionasse o pendor de D. Pedro I para as aventuras extraconjugais, determinantes para a concessão de títulos e a formação de laços políticos no Império, e mesmo para a eleição do local onde foi proclamada a Independência do Brasil. Conta-se que, na data de 7 de setembro de 1822, o então príncipe-regente deixava a casa da principal amante, Domitila de Castro Canto e Melo, a marquesa de Santos, para dizer "Independência ou morte" à beira do riacho Ipiranga, em São Paulo. É um cenário assim o proposto pelo procurador regional da República e professor de Direito Constitucional da UERJ, Daniel Sarmento, em artigo reproduzido no parecer do Ministério Público Federal sobre a Ação de Inconstitucionalidade Indireta (ADI) 4815, pedindo que sejam declarados inconstitucionais os artigos 20 e 21 do Código Civil, aqueles que condicionam a publicação de biografias ao aval dos personagens retratados ou de seus herdeiros. A ação, proposta pela Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel), deu entrada em julho de 2012 no Supremo Tribunal Federal. Favorável ao pedido da Anel, o parecer do Ministério Público Federal é um documento lúcido sobre a questão, além de uma aula de postura democrática, mostrando como o sistema atual asfixia a liberdade de expressão, ameaça a democracia e prejudica a sociedade, alijada de informações de interesse coletivo. Anexado em junho à ADI da Anel, que está sob os cuidados da ministra Cármen Lúcia, o documento seguia inédito, porque ainda não havia chegado à imprensa. É revelado em boa hora, já que a Folha de S.Paulo acaba de noticiar que um grupo de medalhões da MPB, reunidos na Associação Procure Saber, sob a liderança da empresária Paula Lavigne, quer impor restrições ao que pedem editores, autores e leitores através da ação da Anel e também do projeto de lei 393/2011, de autoria do deputado Newton Lima, em tramitação na Câmara dos Deputados. Choca saber que gente como Caetano Veloso, Gilberto Gil (aliás ex-ministro da Cultura do País) e Chico Buarque, um dos maiores alvos da censura na ditadura, estão unidos contra a liberdade de expressão e o acesso à informação. "Tal exigência (de prévia autorização), ainda que motivada pelo propósito de proteção de direitos da personalidade, configura restrição legal manifestamente desproporcional aos direitos fundamentais à liberdade de expressão e ao acesso à informação, consagrados pela Constituição da República", diz o texto do Ministério Público Federal, assinado por Deborah Macedo Duprat de Britto Pereira, procuradora-geral da República então em exercício. "O regime legal questionado gera ainda consequências deletérias sobre a esfera pública democrática e a cultura brasileira. (…) Tal sistemática viola não apenas o direito dos autores e editoras das obras proibidas, como também o de toda a sociedade, que se vê privada do acesso à informação relevante e à cultura", diz o parecer. Lembra ainda que a liberdade de expressão só é posta em segundo plano em circunstâncias excepcionais, como quando há racismo no discurso. Não é o caso de uma figura pública que se ofende por ter uma falha, defeito ou história qualquer exposta a um leitor ou espectador – a ADI também prevê que obras audiovisuais prescindam de autorização. O Ministério Público Federal entende que, pelo fato de já ser pública, não faz sentido a personagem cobrar privacidade absoluta sobre a sua vida. "Sem embargo, é possível reconhecer uma prioridade prima facie da liberdade de expressão e do direito à informação sobre os direitos da personalidade, quando se tratar de personalidade pública", diz o texto. Que pontua: "Uma democracia real pressupõe a existência de um espaço público robusto e dinâmico, em que os temas de interesse social possam ser discutidos com liberdade. Em outras palavras, a democracia exige ampla proteção da liberdade de expressão". Uma medida – 25 centímetros – levou as filhas do jogador de futebol Mané Garrincha a processar o escritor Ruy Castro pela publicação da biografia Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha, lançada em 1995. O número se refere ao tamanho do órgão sexual do ídolo e o detalhe rendeu ao autor e à editora Companhia das Letras uma ação por danos morais e materiais, em 2001, ano em que Ruy Castro foi condenado em primeira instância, em 2001. O título chegou a ser impedido pela Justiça de ser vendido por um ano. Após recorrer, o autor foi eximido do processo por danos morais pelo desembargador João Wehbi Dib da Segunda Câmara Civel do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que viu como elogio a referência ao tamanho avantajado do órgão sexual de Garrincha. A editora e Ruy Castro, porém, não escaparam da condenação por danos materiais e tiveram que repassar 5% do valor de capa de cada exemplar vendido às filhas do jogador. Em texto publicado na internet, a presidente da Procure Saber, Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Vaeloso, alega que autores de biografias muitas vezes buscam se valer de informações da vida privada de uma personagem pública para vender mais livros. “Expor a vida íntima e privada de homens e mulheres públicos, os pedaços de vida que essas pessoas têm e que são absolutamente privados, não serve aos nobres objetivos da instrução e do conhecimento, e sim para alimentar uma das mais conhecidas fraquezas do ser humano: a fofoca. Detalhes picantes, dolorosos ou indiscretos da vida de alguém ‘vendem’ biografias. Cortar a “liberdade” dos editores de usar esse recurso é uma ameaça às vendas”, diz a empresária no texto. Também para isso o parecer do Ministério Público Federal tem resposta. O documento lembra que é trabalho muito subjetivo definir o que é fofoca e o que não é – em outras palavras, o que é informação de interesse da coletividade ou não. E, que, portanto, seria inviável (para não dizer arbitrário) proibir de antemão a divulgação de dados pessoais das personagens: “Esse tipo de filtragem prévia dos fatos suscetíveis de divulgação inviabilizaria o gênero literário das biografias não autorizadas, ‘tendo em vista o grau de subjetividade do julgamento sobre a relevância de detalhes da v ida de qualquer biografado". Curiosamente, porém, a solução proposta por Paula Lavigne não seria vetar determinadas informações, usadas, segundo ela, para vender livros. E sim dividir os lucros com a comercialização das obras. Um tuíte apagado do perfil de Caetano Veloso no Twitter, página controlada pela sua empresária e ex-mulher, dizia: "Querem fazer biografias sem autorização? Ok! Mas paguem ao biografado". Além de cômica, a proposta sugere uma outra questão: por que cantores e compositores não pagam àqueles que os influenciaram e inspiraram ao longo da carreira? Quantas pessoas não viraram tema de música sem receber um centavo por isso? Quem está sendo malandro nessa discussão, afinal?