sexta-feira, 2 de agosto de 2013

APÓS CINCO ALTAS CONSECUTIVAS, DÓLAR CAI E FECHA A SEMANA EM R$ 2,28

O dólar encerrou a semana em queda após cinco altas consecutivas. A moeda norte-americana fechou em R$ 2,288 nesta sexta-feira, com recuo de 0,61% em relação ao encerramento de quinta-feira. Nesse dia a moeda havia ultrapassado R$ 2,30 pela primeira vez desde 31 de março de 2009, fechando cotada em R$ 2,302. As oscilações do dólar são causadas pelo temor dos investidores de que o Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano) retire os estímulos monetários à economia dos Estados Unidos por entender que ela não necessita mais de suporte. Nesta sexta-feira, o mercado mostrou-se indeciso quando aos dados da maior economia do planeta. O ritmo de contratações diminuiu em julho naquele país, mas a taxa de desemprego recuou para o menor nível em quatro anos. Após reunião na quarta-feira, o Fed informou que a economia dos Estados Unidos ainda precisa de suporte, o que foi interpretado como sinal que não haveria uma retirada imediata do apoio à economia. Para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a volatilidade da moeda norte-americana prosseguirá até o Banco Central do país efetivamente promover a desativação dos estímulos.

PESQUISA IBOPE APONTA QUE PROTESTOS DE RUA DERRUBAM CREDIBILIDADE DAS INSTITUIÇÕES NO BRASIL

Todas as principais instituições perderam boa parte da confiança dos brasileiros após os protestos de junho. Mas, entre elas, nenhuma perdeu mais do que a presidente da República: três vezes mais do que o resto. É o que mostra uma pesquisa nacional do Ibope, chamada Índice de Confiança Social. Feita anualmente desde 2009, a edição de 2013 foi divulgada na quinta-feira. Entre 2012 e julho passado, todas as 18 instituições avaliadas pelo Ibope se tornaram menos confiáveis aos olhos da opinião pública. É um fato inédito nas cinco edições da pesquisa. O índice de confiança nas instituições caiu 7 pontos, de 54 para 47, e, pela primeira vez, ficou na metade de baixo da escala, que vai de 0 a 100. Na primeira edição, em 2009, marcava 58 pontos. "É uma crise generalizada de credibilidade. Está refletindo o momento do País, os protestos de rua. Já havia uma queda leve nos anos anteriores, mas agora a perda de confiança se acentuou", diz a CEO do Ibope Inteligência, Marcia Cavallari. Nenhuma instituição passou incólume pela onda de protestos. Dos bombeiros aos partidos políticos, das igrejas aos sindicatos, todas as instituições se tornaram menos confiáveis para a população,  inclusive os meios de comunicação, governo federal, prefeituras, Congresso e Judiciário. Uns mais, outros menos. A confiança na instituição "presidente da República" foi a que mais sofreu. Perdeu 21 pontos em um ano. É três vezes mais do que a perda média de confiança das 18 instituições pesquisadas. Em 2010, com Lula no cargo, a Presidência era a 3º instituição mais confiável, atrás apenas dos bombeiros e das igrejas. No primeiro ano de governo de Dilma Rousseff, seu índice de confiança caiu de 69 para 60. Recuperou-se para 63 no ano seguinte, e despencou agora para 42 - uma nota "vermelha". Em um ano, saiu da 4ª posição no ranking para a 11ª. Nenhuma outra instituição perdeu tantas colocações em tão pouco tempo. O grau de desconfiança em relação à Presidência varia regionalmente. A queda foi pior no Sudeste, onde a instituição desabou de 60 para 34 pontos em um ano. Menos ruim foi no Nordeste, onde caiu de 68 para 54 pontos. Há diferenças entre as classes de consumo: 36 pontos na classe A/B contra 54 na D/E. Para Marcia Cavallari, "a Presidência cai mais por conta da personificação dos protestos". Segundo a diretora do Ibope, havia uma grande expectativa na economia que não se realizou: "Isso acaba se refletindo mais na instituição Presidência". O resultado é ainda mais preocupante para o Congresso e para os partidos políticos. Mesmo sendo os piores do ranking de confiança das instituições, caíram ainda mais: de 36 para 29 pontos, e de 29 para 25, respectivamente. Mantêm-se nos dois últimos lugares da classificação desde 2009. A confiança no sistema público de saúde sofreu a terceira maior queda, de 42 para 32, e segue na 16ª posição. Daí candidatos de oposição que sonham disputar a sucessão presidencial em 2014 começarem a articular suas candidaturas em torno do tema. A confiança no Judiciário também caiu, de 52 para 46 pontos, mas como as outras instituições caíram ainda mais, a Justiça foi da 11º para a 10º posição no ranking. "O Judiciário havia se recuperado em 2012 por causa do julgamento do Mensalão do PT", lembra a CEO do Ibope. Sinal de que nem toda queda é irreversível. "Reversível sempre é, desde que ocorram mudanças perceptíveis, concretas para que essa credibilidade seja recuperada", avalia.

INDÚSTRIA GAÚCHA FECHA O PRIMEIRO SEMESTRE COM UM DESEMPENHO MEDÍOCRE

Produção e emprego caem; estoques e ociosidade aumentam. A indústria gaúcha encerrou o segundo trimestre sem dinamismo, porque na sondagem todos os indicadores sobre as condições atuais tiveram valores abaixo da linha dos 50 pontos, o que significa pessimismo. Em junho, a produção (45,7 pontos) e o emprego (49,1 pontos) caíram na comparação com o mês anterior. No mesmo sentido, o grau de ociosidade do setor cresceu. O levantamento é da filopetista Federação das Indústrias do Estado (Fiergs). Ele apontou que mesmo com a queda da produção, os estoques de produtos finais (52,3 pontos) continuaram subindo, provocando acumulação indesejada (54,4 pontos). O levantamento varia numa escala de zero a cem pontos. As expectativas para os próximos seis meses tiveram queda, apesar do otimismo ainda predominar.

INTELECTUAIS LIGADOS À "REDE" JÁ LERAM "O PRÍNCIPE"; MARINA SILVA TEM DE LER AO MENOS "O PEQUENO PRÍNCIPE". OU: A DEMOCRACIA COMPORTA VÂNDALOS QUE RECORRER A BARRAS DE FERRO COMO ARGUMENTO?

Alguns intelectuais ligados ao (ou “à”?) Rede, partido de Marina Silva, já leram “O Príncipe”. Marina, se for o caso, tem ao menos de ler “O Pequeno Príncipe” e saber que, moralmente, um político se torna responsável por aqueles a quem cativa com o seu discurso, como ensinava a raposinha chatinha. A ex-senadora petista é quem mais lucrou politicamente com o transe das ruas. Sua fala de substantivos abstratos e frouxos é obviamente simpática ao movimento das ruas. Em suas intervenções públicas, apresenta-se como uma espécie de teórica desse momento de suposta falência dos mecanismos institucionais de representação. Isso não quer dizer que Marina e sua turma estejam na raiz das manifestações, mas que foram mais ágeis na sua apropriação oportunista. Por que isso tudo? Leio em reportagem da Folha que um rapaz chamado Pedro Piccolo, 27 anos, sociólogo, admitiu ter participado da confusão que resultou em quebra-quebra no Palácio do Itamaraty no dia 20 de junho. Nas fotos, ele aparece cobrindo o rosto com uma camiseta da “Rede” e com uma barra de ferro na mão. À Folha, ele declarou o seguinte: “Estou à disposição e tranquilo para o que for decidido. Foi uma coisa pessoal minha, fiquei muito excitado, mas não depredei nada”. Certo! Em sua página no Facebook, ele escreveu este texto singelo: “Vi uma barra de ferro no chão e a agarrei, inicialmente com a intenção de me defender, caso as coisas piorassem por ali. Depois, com as emoções à flor da pele, a pressionei algumas vezes contra diferentes pontos de uma estrutura também de ferro do próprio prédio e em seguida a joguei. Não quebrei nada”. Ai, ai… Volto à frase precisa do compositor Lobão para designar certa ética da responsabilidade no Brasil: “Peidei, mas não fui eu”. Piccolo se juntou à turma que queria depredar o Itamaraty, mas usava a barra de ferro para… se defender!!! Ele não depredou, apenas a “pressionou” contra “diferentes pontos da estrutura”. Se não era para depredar, vai ver estava interessado em escrever uma tese sociológica sobre a resistência de materiais… E tudo isso por quê? Porque essa criança de 27 anos estava muito “excitada”. Assim, concluo que se deve tomar cuidado quando Piccolo se excita… Marina é responsável por todo maluco que veste uma camiseta da Rede? Depende. O “excitado” de que se cuida acima é, atenção!, um dos dirigentes do partido. Se continuar nessa condição e se não for expulso da legenda (ou do grupo, já que o partido não tem ainda existência legal), então Marina passa, sim, a endossar a sua ação. Em nota, o partido disse repudiar toda forma de violência e que a participação de simpatizantes do partido nos protestos “não guarda relação com discussões ou posicionamentos da Executiva ou da Comissão Nacional Provisória”. Não? Marina tem dado palestras por aí sobre esse novo “momento” da política e já se colocou como uma espécie de vanguardista, profeta ou pitonisa do que vai nas ruas. Embora, é claro!, repudie a violência. Já escrevi bastante, como sabem, sobre os tais “protestos”. As três semanas de férias não mudaram a minha leitura sobre o que está em curso. Uma coisa é a justa insatisfação de amplos setores da sociedade brasileira com o governo petista em particular, com os governos no geral e, mais amplamente, com os políticos. Outra, distinta, é a negação sistemática dos caminhos institucionais, legais e democráticos de solução de conflitos e contendas. Aí, não! Aí estamos lidando com fascistas de esquerda, que sempre estiveram, é bom que se diga, a serviço do petismo. O que é novo nesses dias é o fato de os petistas terem perdido o controle dessas “ações diretas”. O partido sempre foi muito hábil em manipular a cachorrada, disfarçada de “militantes sociais”, contra seus adversários. À medida que o partido se “aburguesou”, que passou a falar, por força de sua condição, em nome da “ordem”, a turma do pega-pra-capar foi buscar abrigo em outras praças da utopia. A fala frouxa de Marina Silva — contra “tudo isso que está aí”, para lembrar antigo mantra petista — serve, sim, como uma espécie de catalisador desse sentimento difuso de justiça. Não há nada de errado com sentimentos de justiça, difusos ou não. Quando, no entanto, eles recorrem a “barras de ferro” para “forçar vários pontos da estrutura” de um prédio público, num regime de plena democracia, aí se está lidando com depredadores dessa ordem democrática. E o lugar de gente assim é a cadeia. Vamos ver qual será a decisão da cúpula da Rede. O partido vai dizer até onde podem ir os seus “excitados”. Por Reinaldo Azevedo

LULA DECIDE QUE O “POSTE” PADILHA SERÁ O CANDIDATO DO PT AO GOVERNO DE SÃO PAULO. OU: DISPUTA NO ESTADO ESTÁ NA RAIZ DO TRANSE QUE FEZ DE DILMA, POR ENQUANTO, A PRINCIPAL VÍTIMA

Luiz Inácio Lula da Silva bateu o martelo. O candidato do partido ao governo de São Paulo será mesmo Alexandre Padilha, ministro da Saúde. É o que informa reportagem de Natuza Nery, na Folha. Nenhuma novidade. Quem toma as decisões relevantes no dito “único partido de massas” no Brasil é um homem só: Lula. Ele acredita que poderá repetir com sucesso a fórmula que resultou na eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo. O titular da Saúde, há tempos, era o seu preferido. Os critérios adotados por Lula já na disputa de 2012, na capital paulista, afastavam, de saída, os dois pré-candidatos a 2014 mais conhecidos: Aloizio Mercadante e Marta Suplicy. São nomes considerados “velhos demais” e excessivamente identificados com o PT. Ao escolher Padilha, o Apedeuta pretende apresentar o velho como o novo. Há um viés cínico na escolha. Explico. O núcleo duro do PT, Lula incluído, detesta São Paulo. Seus “inteliquituais”, a exemplo de Marilena Chaui, consideram que o estado reúne a nata do reacionarismo nacional. Marta e Mercadante, por exemplo, que trazem na testa a marca petista, tenderiam a despertar de imediato um forte sentimento de rejeição. Essas considerações já eram feitas antes mesmo das “Jornadas de Junho”. Depois delas, Lula reforçou a convicção de que o partido precisa apresentar um nome mais “neutro”, com um perfil mais supostamente “técnico”. Padilha é um virtual desconhecido do grande eleitorado. O seu grande ativo seria a baixa rejeição. É uma estratégia de risco? É, sim! E isso só revela as dificuldades do partido. Um dos motes das manifestações de rua é “hospitais padrão Fifa”. A penúria em que vive o setor — mais por falta de competência do que de dinheiro — responde, certamente, em grande parte, pelo apoio popular aos protestos. Lula quer que o ministro de uma área que se tornou foco especial de atenção vá para uma disputa eleitoral. O senso comum — e até o bom senso — recomendaria que se fizesse outra escolha. Mas, para tanto, forçoso seria que houvesse alternativas. Não há. A aposta, informa a reportagem, é que o tal programa de importação de médicos estrangeiros produza efeitos nas urnas. Vamos ver. Confirmado o nome de Padilha, o marketing petista certamente tentará opor o “novo” Padilha ao “velho” Alckmin. Pode não ser assim tão fácil. As “Jornadas de Junho” foram muito mais cruéis com a reputação do prefeito Fernando Haddad, por exemplo, do que com a do governador. Haddad passou a ser visto como uma espécie de emblema do embuste petista. A sua gestão, que deveria ser exemplar, funciona mais como uma advertência sobre os perigos da inexperiência administrativa. Tudo bem pensado, a eleição em São Paulo está na origem do transe vivido pela política brasileira. Nunca se esqueçam: os ditos protestos começaram na capital paulista, com meia dúzia de gatos-pingados, que adotaram, desde o início, a tática da violência. Eram todos aliados tradicionais do petismo, que ajudaram a eleger Fernando Haddad. Até aquele momento, os petistas eram os principais beneficiários da “política fora dos partidos”; da “política como movimento da rua”; da “política fora dos espaços tradicionais de representação”. Uma ligeira pesquisa no noticiário político de 2010 e 2012 (eleições, respectivamente, de Dilma e Haddad) vai indicar a mobilização, em favor dos petistas, dos ditos  “coletivos” — esse nome de sotaque saborosamente soviético para designar movimentos supostamente espontâneos, mas que sempre votavam com “o partido”. Quando a baderna de extrema esquerda — e era disso que se tratava — enfrentou a reação mais forte da polícia, amplos setores da imprensa (a mesma que os petistas adoram demonizar) compraram a causa dos manifestantes, que passaram a ser tratados como heróis da cidadania. Os petistas tentaram, imediatamente, “liderar as massas” e jogá-las contra o governo de São Paulo. Quem não se lembra de José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a tirar uma casquinha dos confrontos? Chegou a oferecer “ajuda federal” a Alckmin por intermédio da imprensa. Cuidava, isto sim, de sua própria pré-candidatura ao governo do Estado. Menos de duas semanas depois, o governo federal demonstrava que não conseguia responder pela imposição da ordem nem em Brasília. O processo de demonização das Polícias Militares, que ainda está em curso, resultou numa espécie de “ocupe a rua que está dentro de você”. Todas as insatisfações se juntaram e resolveram ganhar o espaço público. De fato, não era mais “pelos 20 centavos”. Começava-se a assistir a uma jornada contra a política e contra os políticos. Como os petistas estão no poder, sofreram o maior desgaste. A popularidade de Dilma, mais do que a de Alckmin (alvo inicial da súcia), despencou. O tiro saiu pela culatra de maneira espetacular. E a pré-candidatura de Cardozo — aquele que resolveu fazer proselitismo em meio à pancadaria — foi para o brejo. Ele já contava com um adversário poderoso: Lula o detesta e nunca o quis como o nome do partido na disputa pelo governo do estado. Era o preferido de Dilma — talvez uma boa forma de se livrar de sua incompetência… Lula volta a seu plano original, ao tempo em que ele dizia que, “de poste em poste”, iria “iluminar todo o País”. O poste da hora é Padilha. Ocorre que a má consciência do PT acabou gerando um curto-circuito na política. Ninguém entendeu muito bem o que está em curso, mas os mais perplexos são mesmo os petistas. Não deixa de ser divertido assistir ao desespero da turma. Por Reinaldo Azevedo

FUTURO CARREGADOR DAS QUENTINHAS DE JOSÉ DIRCEU RESOLVE ME ATACAR EM UM TEXTO EM QUE DEFENDE OS CRIMES DO FORO DE SÃO PAULO. FAÇO UM DESAFIO AO VALENTÇÃO

Um carregador de malas de José Dirceu — em breve, carregará as quentinhas para forrar o estômago do chefe na cadeia — resolveu me atacar, numa tentativa malsucedida de tréplica ao filósofo Olavo de Carvalho. Não costumo dar bola pra essa súcia porque a canalha conta com a audiência do meu blog para propagar suas ofensas. Mas decidi escrever uma coisinha ou outra. O sujeito estava infeliz porque foi intelectualmente humilhado por Olavo, a quem inicialmente provocou. Desmoralizado, restou-lhe partir para a ofensa e para a conclamação nem tão sutil à violência contra aqueles a quem considera “trânsfugas” — pessoas que foram de esquerda na juventude e que hoje, segundo as suas considerações, seriam servis ao “liberal-fascismo”. Além de Olavo e de mim, inclui no grupo Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli e Marcelo Madureira. Não sei o que quer dizer “liberal-fascismo”. Nem ele. Pela simples, óbvia e boa razão de que não se pode ser, a um só tempo, liberal e fascista — a não ser na mente perturbada, ignorante e criminosa de certa esquerda. O fascismo compreende necessariamente um movimento de massa, instrumentalizado por uma elite delinquente. Pode assumir características de direita — a exemplo dos vários fascismos europeus do século passado — ou de esquerda, a exemplo desses que pipocam na América Latina neste começo de século 21, de que o petismo é a expressão nativa. Costumo brincar que nunca ninguém viu as massas na rua cobrando estado enxuto, privatização e redução de gastos públicos. O futuro carregador de quentinhas, que transformou o “socialismo” numa profissão e num meio de vida, não se conforma que outros possam ganhar a vida de maneira honesta, sem assaltar os cofres públicos e, às vezes, até os próprios colegas. Mais: justificador de um modelo de sociedade que só se impôs pelo terror e pela violência, deixando um rastro impressionante de quase 150 milhões de mortos, considera “trânsfugas” os que escolheram o caminho civilizado para o exercício da divergência. Não por acaso, em seu texto, faz uma convocação oblíqua para que os objetos de sua fúria sejamos devidamente punidos. Não sei o que o rapaz tem em mente. Coisa boa não é. É o caso de enviar o texto para que a Polícia tenha por onde começar uma investigação caso seus asseclas acatem a sugestão. O homem está desesperado. O tiro, reitero o que escrevi em outros posts, saiu pela culatra. O PT, por intermédio de suas falanges — quem é fascista mesmo? — tentou criar o baguncismo em São Paulo e se deu muito mal. O movimento, inicialmente estimulado pelo partido, avançou para um protesto generalizado contra a política e contra os políticos. Como o petismo está no poder e é establishment, acabou se transformando num dos alvos principais dos protestos. Estafeta por vocação e profissão, o rapaz não admite que possa haver pessoas independentes, que pensem sem pedir autorização a ninguém. Basta ler o que cada uma das personalidades mencionadas no primeiro parágrafo disse ou escreveu sobre “o povo na rua” para constatar que não formam um grupo. Tomo como exemplo o caso de Jabor: seja lá qual for o tema — incluindo os protestos em curso —, temos muito mais divergências do que convergências. Mas a todos, incluindo Jabor, reconheço ao menos uma virtude, não houvesse outras: pensam o que bem entendem; servem apenas a suas convicções; não se subordinam a projetos de poder; não são esbirros de máquinas partidárias ou de fantasias ideológicas; não pretendem impor o seu pensamento calando a boca dos que divergem. Têm ainda em comum o apreço pela liberdade. E isso é insuportável para o carregador de malas. Embora ele cante vitória e exalte o que considera a vitória esmagadora da esquerda, é visível que o homem está em pânico. Há quatro meses, seu partido via as eleições de 2014 como mero processo homologatório. Havia mesmo quem raciocinasse como se as urnas fossem já uma obsolescência. Ora, se o povo estava com o PT, eleição pra quê? Essa certeza acabou. E o dado mais saboroso desse pânico é que esse é o resultado inesperado de uma ação calculada pelo partido e suas falanges para esmagar o que restava de oposição no País. E, apesar disso, como sabem os meus leitores, não sou um entusiasta do movimento das ruas porque não gosto de sua retórica contra a política e contra os políticos. Considero, como já deixei claro tantas vezes, que esse ímpeto é de matriz fáscio-petista, ainda que possa episodicamente se voltar contra o próprio PT. Mas por que o pit bull de Zé Dirceu está rosnando? Num texto em que defendia o Foro de São Paulo — reunido na capital paulista desde segunda-feira, fez um ataque boçal a Olavo e recebeu o troco, com sobras. Tratou-se, justiça se faça, de uma reação desproporcional de Olavo: desproporcional no apego aos fatos, desproporcional na capacidade argumentativa, desproporcional na inteligência, desproporcional no aporte de racionalidade. Olavo teve a indelicadeza de lembrar a folha corrida de crimes cometidos por essa entidade que congrega partidos de esquerda da América Latina e Caribe. Ao longo de duas décadas e picos, o Foro de São Paulo acumulou uma folha de realizações que ninguém deveria ignorar: 1) deu abrigo e proteção política a organizações terroristas e a quadrilhas de narcotraficantes e sequestradores que nesse ínterim espalharam o vício, o sofrimento e a morte por todo o continente, fazendo mesmo do Brasil o país onde mais cresce o consumo de drogas na América Latina; 2) ao associar entidades criminosas a partidos legais na busca de vantagens comuns, transformou estes últimos em parceiros do crime, institucionalizando a ilegalidade como rotina normal da vida política em dezenas de nações; 3) burlou todas as constituições dos seus países-membros, convidando cada um de seus governantes a interferir despudoradamente na política interna das nações vizinhas, e provendo os meios para que o fizessem “sem que ninguém o percebesse”, como confessou o sr. Lula, e sem jamais ter de prestar satisfações por isso aos seus respectivos eleitorados; 4) ocultou sua existência e a natureza das suas atividades durante dezesseis anos, enquanto fazia e desfazia governos e determinava desde cima o destino de nações e povos inteiros sem lhes dar a mínima satisfação ou explicação, rebaixando assim toda a política continental à condição de uma negociação secreta entre grupos interessados e transformando a democracia numa fachada enganosa; 5) gastou dinheiro a rodo em viagens e hospedagens para muitos milhares de pessoas, durante vinte e três anos, sem jamais informar, seja ao povo brasileiro, seja aos povos das nações vizinhas, nem a fonte do financiamento nem os critérios da sua aplicação. Até hoje não se sabe quanto das despesas foi pago por organizações criminosas, quanto foi desviado dos vários governos, quanto veio de fortunas internacionais ou de outras fontes. Nunca se viu uma nota fiscal, uma ordem de serviço, uma prestação de contas, um simulacro sequer de contabilidade. A coisa tem a transparência de um muro de chumbo.
Retomo
Lula, um dos fundadores do Foro (o outro é Fidel Castro), faz hoje o seu discurso no evento. A peça de resistência da reunião deste ano é, imaginem vocês!, a celebração da herança chavista. Para a turma do Foro, é na Venezuela que se vive a verdadeira democracia. Lembro que foi num desses encontros que Chávez, segundo ele próprio confessou, encontrou-se com o Raúl Reyes, aquele líder terrorista e pançudo das Farc, morto pelas tropas colombianas num acampamento no Equador. As Farc, como é de conhecimento público, dedica-se ao narcoterrorismo e mantém ainda hoje campos de concentração na floresta amazônica. E o engraxate de Zé Dirceu se mostra interessado em, literalmente, caçar os partidários de um certo “liberal-fascismo”… Aguardam-se para o encerramento do evento as sábias palavras de Evo Morales, o índio de araque que governa a Bolívia. Faz sentido. Evo tomou uma refinaria da Petrobras de armas na mão; criou novos campos de folha de coca — de uma variedade que não serve para mascar — na fronteira com o Brasil; decidiu criar uma indústria de legalização de carros roubados em nosso País e mantém presos brasileiros que não cometeram crime nenhum. O carregador das cuecas de Dirceu não se importa, é claro! A agenda da turma transcende essas questões meramente locais. O patrimônio da Petrobras, por exemplo, foi usado pelo governo Lula para dar uma forcinha a um dos governos comandados pelo Foro. Entre o Brasil e a “organização”, os petistas fizeram a sua escolha. Cada um fale por si. Entendo por que o eunuco moral me detesta. Estivesse na oposição, é evidente que eu levaria essa questão para o horário eleitoral gratuito, revelando ao conjunto dos brasileiros o modo como o PT privatiza o patrimônio público. Em seu texto, o dito-cujo sugere que o Foro e seu partido estão com as massas e as representam. É? Então marquem uma concentração em praça pública e dêem vivas ao PT, a Chávez e a Evo Morales. Se o povo está junto, vai ser uma festa. Coragem, valentão! Por Reinaldo Azevedo

MINISTÉRIO PÚBLICO PEDE EXPLICAÇÕES À ANP SOBRE GARANTIA DA OGX

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu nesta quinta-feira à Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) explicações sobre medida da reguladora em relação à OGX. O procurador Marinus Marsico vai investigar se houve algum tipo de benefício à petroleira do empresário Eike Batista. O Ministério Público contestou o fato de a ANP aceitar que a OGX use óleo do campo de Tubarão Martelo como garantia pelas obrigações referentes à 11ª Rodada de licitação, realizada em maio. A OGX arrematou 13 blocos e precisa garantir para os blocos um investimento mínimo em exploração. O uso de óleo como garantia para o investimento já foi empregado por outras empresas, mas isso geralmente acontece com campos em produção e reservas provadas. Tubarão Martelo ainda não está em produção. A área técnica da própria ANP levantou dúvidas quanto ao volume que será produzido, e pediu à OGX, em junho, para revisar suas estimativas e modelos geológicos. Marsico destaca que o uso de óleo como garantia é legal. Mas o procurador considerou a aceitação inusitada e excepcional, já que o mercado considera a possibilidade de a OGX liquidar seus ativos. "Vamos averiguar se houve benefício à companhia", disse. No ofício encaminhado à diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, o procurador pede que seja encaminhada "cópia do processo administrativo relativo a esse pedido, em especial dos pareceres que fundamentaram tal decisão". Solicitou ainda para ser informado sobre que tipo de garantia foi oferecida pelos arrematantes das demais bacias e setores na rodada.