sábado, 22 de junho de 2013

BELTRAME ADMITE QUE EXÉRCITO PODE SER CONVOCADO PARA SEGURANÇA NO RIO DE JANEIRO

O secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu na sexta-feira a necessidade de reavaliar as ações de segurança para impedir o vandalismo em protestos de rua e também de convocar o reforço de militares do Exército Brasileiro que já estão na capital fluminense. "O Exército está no Rio de Janeiro. Não está em função desses episódios, mas da Copa das Confederações, e eles têm aqui funções específicas, mas tem, sim, um contingente a ser utilizado, se o governo do Estado demandar", informou Beltrame. O secretário disse que pode convocá-los para "proteger a integridade das pessoas e o patrimônio público e privado", completou. É evidente que a tala política de pacificação de Beltrame no Rio de Janeiro é um fracasso, porque não combate os bandidos. Ao contrário, dá guarida para que eles continuem atuando. Aquelas hordas que se vê na televisão, atacando pontos do Rio de Janeiro, são muita parecidas com aquela outra que debando do conjunto de favela do Alemão quando Exército Nacional ocupou a área. Política de pacificação sem prisão da bandidagem é uma mistificação. E os bandidos podem paralisar o Rio de Janeiro a qualquer momento, como se viu agora. A bandidagem se infiltrou entre os mais de 500 mil manifestantes e passou a agir em ponto distinto quando o esquema de policiamento estava distante.

BANCO CENTRAL MANTÉM PROJEÇÃO DE INVESTIMENTO ESTRANGEIRO DIRETO EM US$ 65 BILHÕES

O Banco Central manteve a projeção para os investimentos estrangeiros diretos, que vão para o setor produtivo do País, em US$ 65 bilhões, este ano. Em relação ao PIB, esses investimentos vão corresponder a 2,79%. De janeiro a maio, os investimentos estrangeiros diretos chegaram a US$ 22,856 bilhões, contra US$ 23,907 bilhões nos cinco meses de 2012. De acordo com o Banco Central, esses investimentos não serão suficientes para cobrir o déficit nas contas externas. Os investimentos estrangeiros diretos são considerados a melhor forma de financiar o saldo negativo das transações correntes (compras e vendas de mercadorias e serviços do País com o mundo) por ser de longo prazo. Na sexta-feira o Banco Central aumentou a projeção para o déficit em transações correntes, este ano, de US$ 67 bilhões para US$ 75 bilhões, o que vai corresponder a 3,22% do PIB. Mesmo assim, o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, destacou que os investimentos estrangeiros diretos continuam cobrindo a maior parte do déficit em transações correntes. “As demais fontes (empréstimos, investimentos estrangeiros em ações e renda fixa) fazem com que o quadro de financiamento continue confortável. As taxas de rolagem dos empréstimos continuam confortáveis”, disse. O Banco Central revisou a estimativa para a taxa de rolagem (razão entre desembolsos e amortizações) total de empréstimos de médio e longo, para este ano, de 125% para 138%.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE PEDEM A DILMA QUE VETE LEI DO ATO MÉDICO

Mais uma categoria aderiu às manifestações populares que vêm ocorrendo há mais de uma semana em todo o País, a dos profissionais de saúde, que não concordam com o Projeto de Lei (PL) 286, que trata do chamado Ato Médico. O Senado aprovou o projeto na última terça-feira. Atos de protesto contra o projeto que define as atividades exclusivas dos médicos e as que podem ser executadas por outros profissionais de saúde vêm sendo convocados nos últimos dias por meio das redes sociais. Em São Paulo, o protesto foi realizado às 17 horas de sexta-feira, na Praça Roosevelt, no centro da cidade. Em Brasília, os manifestantes se reuniram a partir das 17 horas em frente ao Museu da República. A categoria pede que a presidenta Dilma Rousseff vete os artigos do projeto que, para ela, ferem a autonomia dos profissionais.

FIFA VAI USAR MÉTODO INOVADOR CONTRA DOPING NA COPA DO MUNDO

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) vai coletar e examinar amostras de sangue e urina de cada jogador das 32 seleções que se classificarem para a Copa do Mundo de 2014, que ocorrerá no Brasil. A informação foi divulgada na sexta-feira pelo coordenador médico da Fifa, Jiri Dvorak. O objetivo é fazer um perfil biológico prévio dos jogadores, método inovador que detecta alterações no organismo do atleta e facilita a identificação do uso de substâncias ilícitas para melhorar o desempenho. “Assim que todas as seleções estiverem definidas, no final deste ano, vamos ver como fazer para executar esses testes”, disse Dvorak. O perfil biológico dos jogadores foi feito nas oito seleções que participam da Copa das Confederações 2013.

SANTAS CASAS TERÃO APOIO FINANCEIRO EM TROCA DA AMPLIAÇÃO DO ATENDIMENTO

O governo Dilma decidiu dar apoio financeiro às santas casas e aos hospitais filantrópicos do País em troca da ampliação e melhoria do atendimento, anunciou na sexta-feira o ministro petista da Saúde, Alexandre Padilha. Segundo ele, o incentivo faz parte de um conjunto de medidas para a recuperação financeira das unidades. “Essa medida é para enfrentar um problema histórico das santas casas que têm dívidas tributárias acumuladas ao longo dos anos. Queríamos inovar na proposta, não é o refinanciamento da dívida, em que se tem que contrair novos empréstimos. É a troca da dívida por mais atendimento no SUS à população”, disse ele. Para usar o benefício, o gestor da Santa Casa deve apresentar ao Ministério da Saúde um contrato firmado com o município ou o Estado, um programa com a previsão de atendimento adicional e de recuperação financeira das entidades. As dívidas tributárias acumuladas pelas entidades totalizam cerca de R$ 13 bilhões. As unidades que aderirem ao programa terão um prazo máximo de 15 anos para quitar os débitos. A medida será encaminhada, em caráter de urgência, por projeto de lei ao Congresso Nacional. Os filantrópicos têm até o final de dezembro para aderir ao programa. Dados da pasta mostram que atualmente existem 1.753 unidades filantrópicas sem fins lucrativos, que respondem por mais de 50% do total de internações do SUS no País. Padilha anunciou ainda que o Ministério da Saúde vai dobrar o incentivo da tabela SUS dos atendimentos dos serviços de média complexidade para as entidades que assinarem contratos com o gestor estadual ou municipal. O incentivo corresponde a um adicional de R$ 2 bilhões. O ministro disse que as medidas já vinham sendo discutidas com as santas casas e com o Congresso.

PRESIDENTE DA CNBB ESPERA GARANTIAS DO ESTADO DURANTE A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cardeal Raymundo Damasceno de Assis, espera que o Estado dê garantias de segurança aos jovens que participarão da Jornada Mundial da Juventude, em julho, no Rio de Janeiro (RJ). De qualquer forma, ele não acredita que as manifestações ocorridas no decorrer da semana, em várias cidades, tragam prejuízos ao evento. O cardeal ressaltou que não há previsão de mudanças na programação da jornada. “Desejamos que a jornada transcorra de maneira calma, acolhendo os jovens que virão de todas as partes. Esperamos que eles possam passar esse dias participando de toda a programação sem nenhum transtorno”, acrescentou. Além das garantias de segurança ao evento, dom Raymundo Damasceno espera que o encontro aconteça de forma tranquila, em todos os sentidos, "com bons serviços e garantia de assistência à saúde”. O presidente da CNBB destacou que os preparativos para a Jornada Mundial da Juventude avançam em ritmo acelerado e em clima de traquilidade.

O PETISTA GILBERTO CARVALHO DIZ QUE EXCLUIR PARTIDOS DE MANIFESTAÇÕES É ANTIDEMOCRÁTICO

O secretário-geral da Presidência da República, o ministro petista Gilberto Carvalho, manifestou na sexta-feira preocupação com as reações contrárias à participação de partidos políticos nas manifestações que estão ocorrendo no País. Segundo ele, democracia e partidos políticos estão diretamente vinculados. Para o ministro, o momento é de celebração, mas também de apreensão. O que a sociedade precisa, disse ele, é se fazer representar por partidos que representem o povo e que não compactuem com a corrupção. “Quando se grita ‘sem partido’, nós vemos aí um grande pedido. E não há democracia sem partido. Não há democracia sem uma forma mínima de instituição. Sem partido, no fundo, é ditadura. Temos de ficar muito atentos a isso. Então, é um momento de celebrar e, ao mesmo tempo, é um momento de apreensão e de convidar a sociedade para que haja uma disputa pela democracia de verdade, que se faça representar por partidos que, de fato, representem o povo e que não compactuem com a corrupção”, disse Gilberto Carvalho na abertura da reunião preparatória da Jornada Mundial da Juventude, prevista para julho no Rio de Janeiro. Segundo Carvalho, o fato de a imprensa brasileira ter estimulado, ao longo do tempo, “um tipo de moralismo no sentido despolitizado e um tipo de antipolítica” também contribuiu para a exclusão dos partidos dessas manifestações. É evidente que o petista tinha que demonizar a imprensa. É o partido dele que causa essa repulsa à política. Afinal, o PT está aboletado no poder há 10 anos, e instalou a crise no Brasil.

TESOURO NACIONAL NÃO CONSEGUE COMPRAR MAIOR PARTE DOS TÍTULOS QUE LANÇOU NA SEXTA-FEIRA

O Tesouro Nacional só conseguiu comprar R$ 25,04 milhões dos títulos públicos leiloados na sexta-feira. Nos últimos dias, o órgão promoveu uma série de leilões extraordinários de títulos públicos para diminuir a instabilidade no mercado financeiro. O Tesouro tentou recomprar 4 milhões de títulos públicos prefixados (com juros definidos antecipadamente) e 2 milhões de títulos corrigidos pela inflação. O órgão, no entanto, conseguiu comprar apenas 10,5 mil de NTN-B (Nota do Tesouro Nacional, série B), papel vinculado à inflação. Os leilões extraordinários de recompra têm como objetivo fornecer uma referência de preço para os investidores que querem se desfazer dos papéis porque acham que estão perdendo dinheiro com a elevação dos juros no mercado financeiro. O fato de o Tesouro comprar um volume tão baixo pode tanto indicar que os investidores preferiram ficar com os títulos. A recompra de NTN-B, título corrigido por índices de preços, de LTN (Letra do Tesouro Nacional) e de NTN-F (Nota do Tesouro Nacional, série F), que são papéis prefixados, havia sido anunciada na quinta-feira. Tão baixo nível de recompra indica que os donos dos títulos não aceitaram o preço colocado pelo Tesouro Nacional.

CNBB DECLARA APOIO A MANIFESTANTES, MAS CRITICA DESTRUIÇÃO DO PATRIMÔNIO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota na sexta-feira em que declara "solidariedade e apoio" às manifestações no País, desde que ocorram de forma pacífica. Na avaliação da CNBB, a movimentação “desperta para uma nova consciência” e atesta que “não é possível mais viver num País com tanta desigualdade”. A nota destaca também a demonstração de intolerância com a corrupção. “As mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num País com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública”, diz o texto. A nota registra ainda que as manifestações recentes mostram que os brasileiros não estão dormindo em “berço esplêndido”. A CNBB critica a violência registrada nas manifestações e alerta que esse comportamento leva ao descrédito. “Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência”, registra.

EMPREGO COM CARTEIRA ASSINADA DIMINUI

A geração de postos de trabalho com carteira assinada teve o segundo mês consecutivo de queda, – 0,18% em maio, em comparação a abril, quando foi registrado aumento de 0,49%, em relação ao mês anterior. Os números divulgados na sexta-feira são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo de pouco mais de 72 mil postos criados é resultado de cerca de 1,8 milhão contratados menos 1,7 milhão demitidos. De acordo com o Caged, o setor que registrou o pior desempenho foi o da construção civil, com o fechamento de mais de 1,8 mil postos. A agropecuária, os serviços e a indústria foram os setores com os melhores resultados, com abertura de 33,8 mil, 21,1 mil e 15,7 mil postos, respectivamente. Na agropecuária, os destaques foram para a produção de café, de cana-de-açúcar e de laranja. Nos serviços, para os relacionados a transportes, comunicações, serviços médicos e odontológicos; administração de imóveis e instituições financeiras. Na área da indústria, as áreas com melhor desempenho foram as de produtos alimentícios, químicos, material de transporte; têxtil, elétrico e de comunicação. Os Estados com os melhores resultados foram Minas Gerais (com o saldo positivo de 25,9 mil empregos formais), São Paulo (22,4 mil) e Paraná (9,7 mil). Os piores foram Alagoas (com saldo negativo de 3,4 mil postos de trabalho), Pernambuco (-2,4 mil) e Rio Grande do Sul (-2,1 mil). A desaceleração de crescimento não era verificada desde 2009, ano da crise financeira internacional, quando foram verificados os números mais baixos para o mês de maio: pouco mais de 131 mil postos de trabalho formal. Em 2009, houve recuperação e foi registrada a geração de mais de 298 mil empregos com carteira assinada. A partir de então, os saldos passaram a ter queda, 252 mil em 2011; 139 mil em 2012; culminando nos 72 mil em 2013.

BNDES LIBERA R$ 2,3 BILHÕES PARA OBRAS DE EXPANSÃO DO METRÔ EM SÃO PAULO

O BNDES concederá dois novos financiamentos para o Estado de São Paulo, totalizando R$ 2,3 bilhões. Os recursos serão destinados à expansão do metrô na região metropolitana da capital, informou o banco na sexta-feira. Segundo a assessoria do BNDES, R$ 1,5 bilhão serão aplicados na expansão da Linha 2 – Verde do metrô, no sentido nordeste da capital, entre os bairros de Nova Manchester e Vila Formosa. O restante (R$ 800 milhões) se destina à implantação da Linha 15 – Prata do metrô em sistema monotrilho, no sentido leste do município. O projeto da Linha 15 do metrô paulistano recebeu no ano passado empréstimo do BNDES no montante de R$ 922 milhões. Ele engloba 17 estações e dois pátios de estacionamento, além da compra de 54 trens, com capacidade de transporte de mil passageiros cada. Durante a fase de implantação da Linha 15 – Prata, serão gerados 9.897 empregos diretos e indiretos.

MEIO ACADÊMICO DIZ QUE MOVIMENTO DE PROTESTO É IMPORTANTE, MAS NÃO SABE EM QUE VAI RESULTAR

Acadêmicos reunidos na sexta-feira, na Universidade de São Paulo (USP), destacaram a importância das manifestações que ocorrem em todo o País para demonstrar o anseio de participação política da sociedade brasileira. Eles disseram, porém, que não sabem ao certo em que esse movimento pode resultar. "Essas pessoas estão insatisfeitas pela forma como são representadas", afirmou o filósofo Renato Janine Ribeiro, um filopetista, professor de ética e filosofia política da USP. O que está acontecendo? Para ele, de alguma forma, o movimento é contra as instituições. "De tempos em tempos, a política precisa ser irrigada por uma injeção forte de vida, mesmo que essa vida não saiba como se expressa, mas para mostrar que política é um meio, e não um fim. Quando se fala em necessidade de participação política, não é aquela feita em moldes tradicionais", explicou. O cientista político petista José Álvaro Moisés,  responsável pelo Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, apontou como pano de fundo das mobilizações "um profundo mal-estar com a democracia existente no Brasil". Segundo Moisés, isso não nega a existência de um regime democrático, mas faz referência à qualidade da democracia brasileira. "Tivemos avanços extraordinários em termos de reconhecimento de direitos nas últimas décadas, mas, visivelmente, tem áreas em que a democracia funciona mal, e provavelmente o maior déficit é o da representação". O historiador em literatura brasileira Alfredo Bosi, professor aposentado da USP, também destacou a necessidade de repensar o modelo de participação política no País. Para ele, as manifestações expõe um problema vital, que é "como tornar viável uma democracia participativa, que me parece o ideal, e pela qual os grande problemas da cidade possam ser tratados com alguma racionalidade." declarou. Ou seja, o chamado "mundo acadêmico", quase todo ele petista, é óbvio que acha que o sistema político vigente não é representativo, e que é preciso achar um modelo de democracia direta. É o sonho de todo esquerdopata para a eternização no poder.

DÓLAR FECHOU A SEXTA-FEIRA EM QUEDA PELA PRIMEIRA VEZ NA SEMANA

Em um dia marcado por intervenções do Banco Central, a moeda norte-americana fechou a semana em queda pela primeira vez em cinco dias. O dólar comercial encerrou a sexta-feira em R$ 2,2445 para venda, com queda de 0,6%. O câmbio vinha operando em alta até o início da tarde e, por volta das 12h30, atingiu R$ 2,2693, a máxima do dia. O Banco Central então vendeu US$ 1,827 bilhão no mercado futuro e conseguiu reverter a tendência. A cotação passou a cair até o fechamento do mercado. Há quase um mês, o mercado financeiro global enfrenta turbulências por causa da perspectiva de que o Federal Reserve norte-americano reduza os estímulos monetários para a maior economia do planeta. A instabilidade agravou-se depois que Ben Bernanke, presidente do Fed, declarou, na última quarta-feira, que a instituição pode diminuir a compra de ativos até o fim do ano caso a economia dos Estados Unidos continue a se recuperar. Caso a ajuda diminua, o volume de moeda norte-americana em circulação cai, aumentando o preço do dólar em todo o mundo.

CENTENAS DE PESSOAS DERAM ABRAÇO SIMBÓLICO NO PALÁCIO DO ITAMARATY APÓS A DEPREDAÇÃO DO PRÉDIO

Centenas de pessoas participaram na tarde de sexta-feira de um abraço simbólico ao Palácio Itamaraty, depredado na quinta-feira durante as manifestações em Brasília. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, criticou a violência contra o prédio, considerado um dos mais belos exemplos de arquitetura, mas disse que os atos de vandalismo não prejudicam a imagem do Brasil no Exterior. “A imagem do Brasil é de uma democracia, de uma sociedade aberta e plural, de amantes da paz, amantes do diálogo, e isso não será afetado por um fato isolado. O que eu estou preocupado é em transmitir essa mensagem aos jovens que se manifestam, façam de maneira pacífica que suas vozes serão respeitadas e ouvidas. Destruindo o patrimônio público, vocês não serão respeitados e não terão autoridade política e moral”, disse o petista Patriota. O prédio, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, ficou com 62 janelas quebradas, além de pichações e móveis destruídos. Peritos da Polícia Federal fizeram análises técnicas para verificar danos, prejuízos e problemas e o laudo deve ser concluído em cinco dias. O abraço ao prédio reuniu principalmente funcionários do Itamaraty e alguns parentes, mas também teve a presença de servidores de outros ministérios.

PESQUISA DATAFOLHA APURA QUE JOAQUIM BARBOSA É O PREFERIDO ENTRE OS MANIFESTANTES PARA PRESIDENTE DO BRASIL

O Datafolha divulgou na sexta-feira uma pesquisa onde revela que o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, é o preferido pelos manifestantes para ocupar o cargo de presidente da República. Segundo o documento, Joaquim Barbosa foi mencionado por 30% dos entrevistados como sendo o melhor para suceder Dilma Rousseff. A ex-senadora Marina Silva ficou em segundo lugar, com 22% da preferência. O levantamento foi feito durante o protesto de quinta-feira, em São Paulo. Foram entrevistados 551 manifestantes.

MANIFESTANTES FECHARAM OITO RODOVIAS EM SÃO PAULO NA SEXTA-FEIRA

As manifestações que ocorrem na noite de sexta-feira em São Paulo bloquearam o tráfego em, ao menos, oito rodovias nas proximidades da capital paulista. Ficaram com o trânsito interrompido, devido aos protestos, a Rodovia Raposo Tavares, na altura de Cotia (SP), nos dois sentidos; a Rodovia dos Imigrantes, que liga a capital ao litoral, também com os dois sentidos interrompidos devido a manifestações. De acordo com a Polícia Militar (PM), também ficou com o trânsito interrompido a Rodovia Anhanguera (nos dois sentidos), em Caieiras (SP); a Rodovia Castelo Branco (no sentido interior); a Rodovia Hélio Smidt, que funciona como acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. As portas de acesso aos terminais do aeroporto foram fechadas e os passageiros não puderam entrar ou sair. Os dois sentidos da Rodovia Presidente Dutra, que liga a capital paulista ao Rio de Janeiro, na altura do quilômetro 223, em Guarulhos (SP), também foram interrompidos. Na Rodovia Régis Bittencourt, que liga São Paulo ao Paraná, ambos os sentidos ficaram bloqueados no quilômetro 326, no município de Juquitiba (SP) devido aos protestos. Também o Rodoanel Mário Covas, em Mauá, ficou interrompido por manifestantes. Na cidade de São Paulo, as manifestações impediram o trânsito na Avenida Politécnica, na zona oeste, e na Marginal Tietê, sentido Castelo Branco, na Ponte do Tatuapé. Foram realizados protestos também na Radial Leste, na Avenida Praça Central de Itaquera, e na Rua da Consolação, que ficou com os dois sentidos bloqueados. Também houve concentração na Praça da Independência, no bairro Ipiranga, zona sul da cidade. Outro ponto com manifestações era a Praça Sílvio Romero, no Tatuapé, na zona leste. Houve o registro de protestos na Praça Moça, com 500 pessoas, no centro de Diadema.

JUSTIÇA DECRETA PRISÃO DE EMPRESÁRIO QUE ATROPELOU E MATOU ESTUDANTE NA PASSEATA DE RIBEIRÃO PRETO

A Justiça de Ribeirão Preto, no interior paulista, decretou na sexta-feira a prisão do empresário Alexsandro Ishisato de Azevedo, de 37 anos, procurado por atropelar 12 pessoas durante manifestação contra a tarifa de ônibus na noite de quinta-feira. O atropelamento matou Marcos Delefrate, de 18 anos . Ele está foragido. Seu carro foi localizado no condomínio de luxo onde reside. A Range Rover preta tinha marcas de sangue, foi periciada e mandada para Araraquara (SP). O empresário foi indiciado por um homicídio e quatro tentativas de homicídio doloso (quando há a intenção de matar). Se condenado, pode pegar mais de 20 anos de cadeia. O empresário atua no ramo de revenda de imóveis e também tem uma academia de artes marciais na qual é professor. Lutador de jiu-jitsu, já responde a mais de dez processos na Justiça, alguns deles relacionados a agressões. Em vídeos feitos pelos manifestantes, ele acelera o carro duas vezes para passar pelo bloqueio na Avenida João Fiúza, em vez de dar ré e retornar. Na terceira vez acelera com tudo e vai atropelando quem está pela frente. Segundo a Polícia Militar, o protesto reuniu 20 mil pessoas na cidade, que tem mais de 600 mil habitantes. Duas jovens seguem internadas e uma delas, em estado mais grave, precisará passar por cirurgia.

GOVERNO DILMA CONTINUA AMEAÇANDO A JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE, DA IGREJA CATÓLICA

O governo e a Igreja Católica estão preocupados com os efeitos das manifestações populares na Jornada Mundial da Juventude, que ocorre a partir de 22 de julho, no Rio de Janeiro, com a participação do Papa Francisco. Há um temor de que os protestos persistam até o evento, ou que sejam retomados no período. Na sexta-feira, o ministro petita Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) disse se preocupar que os episódios de violência dos últimos dias comprometam a realização da Jornada. É terrorismo explícito contra o evento. A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também demonstrou preocupação, mas espera que o governo assegure que o evento transcorra sem riscos aos participantes. "O governo tem a responsabilidade de garantir a realização da Jornada. É um evento mundial, com a presença do Santo Padre, e cabe ao Estado garantir segurança e tranquilidade. Mas acho que as manifestações não vão prejudicar", disse o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno, pouco antes de audiência com a presidente Dilma Rousseff: "Sabemos que a violência afasta os turistas. Onde há risco, é prudente que não se vá. Mas acredito que essa não será a grande motivação da ausência de pessoas da Europa".

PROTESTOS QUE PEDEM FIM DA CORRUPÇÃO PODEM EVITAR REVISÃO DE PENA DOS MENSALEIROS NO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

As repercussões das manifestações que tomam as ruas de vários Estados, tendo como uma das bandeiras o combate à corrupção, passaram a ser vistas por advogados que atuam no processo do Mensalão do PT como uma pressão em potencial ao Supremo Tribunal Federal para a manutenção das penas dos condenados. O jornal O Estado de S.Paulo ouviu nos últimos dois dias cinco advogados de réus do Mensalão do PT. A possibilidade de redução das penas, livrando alguns dos principais réus do regime fechado, e as chances de novo julgamento para alguns dos condenados, poderiam transferir o palco dos protestos para a porta do Supremo. Internamente, ministros contrários à revisão das penas já antecipam, em conversas reservadas, que a redução das punições e o adiamento da conclusão do processo para 2014 não serão bem recebidos pela opinião pública. Entre os ministros, é dado como certa a possibilidade de novo julgamento para parte dos condenados, incluindo o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu, apontado como mentor do esquema do Mensalão do PT. Da mesma forma, vários ministros consideram que o tribunal terá de acolher parte dos recursos movidos pelos réus, o que também poderia acarretar a redução das penas impostas no ano passado. O julgamento dos primeiros recursos dos réus está previsto para o segundo semestre, conforme anunciado pelo presidente do STF, Joaquim Barbosa. Advogados que recentemente despacharam com ministros do Supremo afirmam que a tendência hoje no tribunal é corrigir eventuais erros cometidos no julgamento e baixar as penas impostas a alguns réus. Conforme a defesa, o tribunal falhou ao buscar um critério para calcular as penas de forma isonômica.

BOA PARTE DO PT JÁ DÁ COMO CERTO QUE LULA SERÁ O CANDIDATO DO PARTIDO EM 2014; SE ISSO ACONTECER, CAMPOS ESTÁ FORA DA DISPUTA

Anotem aí: é crescente o número de petistas — e de não petistas também — convictos de que será Lula o candidato do PT à Presidência da República em 2014. Na cúpula do partido, há quem considere que “o governo de Dilma acabou”. Há ocorrências curiosas em curso — ou nem tanto. Mesmo depois de ter ficado claro que os protestos estão caindo no colo da presidente — e só por isso ela teve de vir a público —, aparelhos sindicais solidamente dominados pelo partido estão estimulando a ida das pessoas às ruas. Desencanto com o petismo? Não! A VEJA desta semana traz uma reportagem sobre os funcionários de Gilberto Carvalho que participaram da organização de um protesto, em Brasília, no sábado passado, dia da abertura da Copa das Confederações. Dilma, como vocês devem se lembrar, tomou não uma, mas três vaias estrepitosas no estádio. O malaise já estava no ar, não é? Tentem responder: por que cargas d’água funcionários da burocracia petista, subordinados ao homem mais poderoso no partido depois de Lula, atuariam na organização de um protesto que, caso se generalize, como ameaça acontecer, atinge o governo em cheio? Notem: a equação “hospitais” X “estádios da Copa” não é verdadeira, mas é verossímil quando se conhecem as deficiências da saúde. No pronunciamento de sexta, a presidente tentou negar o óbvio: há, sim, dinheiro público nos eventos esportivos. Estádios que são verdadeiros elefantes brancos, que permanecerão ociosos depois do grande acontecimento, foram erguidos para despertar o ufanismo, o clima de “Brasil pra frente”, de “ninguém segura este país”. Há uma ameaça real de que acabe acontecendo o contrário. Se o Brasil chega à final da Copa das Confederações, Dilma terá de aparecer no Maracanã. Seu nome será fatalmente anunciado pelo serviço de alto-falantes. Segundo o protocolo, vai discursar. Pelo menos 300 mil pessoas foram às ruas na capital fluminense. Há gente séria falando em mais de 500 mil. O Rio, mais do que São Paulo, resolveu mostrar a sua insatisfação. Uma vaia monumental espreita a presidente. A esta altura, há gente torcendo para que a Seleção Brasileira fique pelo caminho. Seria mais um duro golpe depois da confusão dos últimos dias. A eventual transformação da Copa das Confederações e da Copa do Mundo num peso seria um desastre para Dilma. E isso está no horizonte. Os subordinados de Gilberto Carvalho, um lulista fanático, resolveram se meter justamente nessa área. Certamente não é para fortalecer a presidente como candidata do partido em 2014. Sei não… Ou a biruta da marquetagem entortou ou está havendo um trabalho deliberado para empurrar Dilma para o abismo, abrindo espaço para o “salvador”. Convenham: não é inteligente, em meio a toda essa confusão, abordar o financiamento das obras da Copa ou a forma correta de os brasileiros tratarem os estrangeiros. Ao fazê-lo, num clima de hostilidade que pode ser ainda crescente, a coisa pode ficar com cheiro de provocação. Esse pareceu-me um dos erros elementares cometidos pelos “çábios” ontem. Há outro. Como vimos, os que criticam os estádios monumentais da Copa pedem uma educação e uma saúde melhores. Para a primeira, Dilma promete 100% dos royalties do petróleo; para a segunda, “trazer de imediato (sic) milhares de médicos estrangeiros…” De imediato? Milhares? Sei não… Há o risco de Dilma ter contratado já uma desfile de homens e mulheres de branco na Paulista. Está abrindo uma guerra com a categoria. E não em razão de uma reação corporativista, não. Até onde sei, não faltam médicos no país. Eles estão é mal distribuídos porque o estado não oferece as condições mínimas necessárias para que se fixem no interior do país. Também nesse caso, parece ter faltado sensibilidade. Vem confusão por aí. O país não vive o seu melhor momento, mas não houve um agravamento de crise que justificasse, por si, as manifestações de rua, que degeneraram em violência como regra, não como exceção (escreverei mais a respeito). A perplexidade toma conta do governo, do partido e, sejamos claros, até da oposição. A minha explicação não coincide com nada que tenha lido. Fica para outro post. O mal-estar, no entanto, se instalou, e Dilma não parece muito equipada politicamente para enfrentá-lo. O PT e o governo farão uma inflexão à esquerda. Vai adiantar? Não sei. Os mais céticos são os próprios petistas. Acham que Dilma não aguentará os embates e que é preciso devolver a bola a Lula. Até porque, nessa hipótese, Eduardo Campos, governador de Pernambuco (PSB) se retira da disputa. É gigantesco o risco de que as ruas tragam, sem querer, o Apedeuta de volta à cena. Por Reinaldo Azevedo

POR REINALDO AZEVEDO - ANALISO O DISCURSO DE DILMA - CONFORME PREVI, PRESIDENTE USA PROTESTOS PARA ANUNCIAR INFLEXÃO À ESQUERDA DE SEU GOVERNO; SE TUDO DER CERTO PARA ELA E PARA O PT E ERRADO PARA O PAÍS, TEREMOS UM GOVERNO TUTELADO POR CONSELHOS POPULARES, FORMADOS POR GENTE ELEITA POR NINGUÉM

Tudo indica que haverá um esforço do PT e do governo Dilma para que se efetive justamente o que eu temia: uma democracia tutelada por “movimentos populares”, de que o Poder Executivo federal passa a ser um “organizador”, com uma inflexão do PT mais à esquerda. Pior: os petistas tentarão usar esses supostos “representantes do povo” para pressionar o Congresso e o Judiciário. Vão se esforçar para usar esses falsos representantes do povo para, por exemplo, aprovar uma reforma política que só interessa ao PT. Mais: Dilma tentará fazer de conta que o problema é dos outros, não dela. Pode dar tudo errado? Até pode. Mas o plano é péssimo. Os setores do jornalismo que, por alguma razão estúpida, ou uma soma delas, flertou com o Bebê de Rosemary podem se arrepender. Algumas considerações prévias antes de entrar no mérito. Tenho sido um duro crítico de muitos, de quase todos, os aspectos do movimento que tomou as ruas. Vocês conhecem também a minha visão a respeito. Numa síntese rápida, resta evidente que os grupos de extrema esquerda, a começar do Movimento Passe Live, em parceria com o petismo e com amplos setores da imprensa — não se trata de conspiração, mas de identidade de valores —, tentaram criar o caos em São Paulo. O tiro saiu pela culatra, e o balaço caiu no colo de Dilma Rousseff. Por isso ela teve de se manifestar. Num texto que escrevi, afirmei aquele que seria um dos efeitos negativos desses eventos. Reproduzo trecho:  “O lulo-petismo é a única força de massa — ou, se quiserem, no jargão característico, “movimento de massa” — verdadeiramente organizada no País. Por 'organização', entenda-se uma vinculação orgânica com aparelhos sindicais, no campo e nas cidades, capazes de mobilizar recursos e pessoas para atuar em várias frentes. O método do Movimento Passe Livre, ora premiado com a decisão da redução das tarifas — e não restava às autoridades alternativa, a não ser a demonização diária nas TVs —, força uma reciclagem do petismo pela esquerda; convida o partido a uma espécie de volta às origens; introduz um suposto viés de frescor que vem das ruas (que, na verdade, é bolor), do qual o partido andava um tanto distante, agora que se tornou também uma gigantesca burocracia de ocupação do Estado. Aos petistas, não custa muita coisa mudar a chave, não!, da atual posição, vamos dizer assim, mais à direita (em relação a seus marcos anteriores), próxima da social-democracia, para outra mais próxima de seu passado". Antes que eu comente o discurso de Dilma, cuja íntegra segue abaixo, reproduzo mais um trecho do meu texto de quinta-feira: “Entendam, minhas caras, meus caros: eu sei que gente que não tolera mais a corrupção, a impunidade, a bandalheira e a incompetência engrossou as passeatas do Movimento Passe Livre. E o fez por bons motivos. Há entre os manifestantes até mesmo aqueles que foram protestar em frente ao prédio de Lula. Nada disso, no entanto, muda o caráter do que se viu nas ruas ou anula o fato de que o método premiado é danoso para o regime democrático. O que queremos? Uma democracia tutelada por supostos “conselhos populares”? Muito bem. Agora vamos à fala da presidente. Eu a reproduzo e comento em azul. Dou destaque a alguns trechos.
"Minhas amigas e meus amigos,
Todos nós, brasileiras e brasileiros, estamos acompanhando, com muita atenção, as manifestações que ocorrem no país. Elas mostram a força de nossa democracia e o desejo da juventude de fazer o Brasil avançar. Se aproveitarmos bem o impulso desta nova energia política, poderemos fazer, melhor e mais rápido, muita coisa que o Brasil ainda não conseguiu realizar por causa de limitações políticas e econômicas. Mas, se deixarmos que a violência nos faça perder o rumo, estaremos não apenas desperdiçando uma grande oportunidade histórica, como também correndo o risco de colocar muita coisa a perder. Como presidenta, eu tenho a obrigação tanto de ouvir a voz das ruas, como dialogar com todos os segmentos, mas tudo dentro dos primados da lei e da ordem, indispensáveis para a democracia. O Brasil lutou muito para se tornar um país democrático. E também está lutando muito para se tornar um país mais justo. Não foi fácil chegar onde chegamos, como também não é fácil chegar onde desejam muitos dos que foram às ruas. Só tornaremos isso realidade se fortalecermos a democracia – o poder cidadão e os poderes da República. Os manifestantes têm o direito e a liberdade de questionar e criticar tudo, de propor e exigir mudanças, de lutar por mais qualidade de vida, de defender com paixão suas ideias e propostas, mas precisam fazer isso de forma pacífica e ordeira. O governo e a sociedade não podem aceitar que uma minoria violenta e autoritária destrua o patrimônio público e privado, ataque templos, incendeie carros, apedreje ônibus e tente levar o caos aos nossos principais centros urbanos. Essa violência, promovida por uma pequena minoria, não pode manchar um movimento pacífico e democrático. Não podemos conviver com essa violência que envergonha o Brasil. Todas as instituições e os órgãos da Segurança Pública têm o dever de coibir, dentro dos limites da lei, toda forma de violência e vandalismo. Com equilíbrio e serenidade, porém, com firmeza, vamos continuar garantindo o direito e a liberdade de todos. Asseguro a vocês: vamos manter a ordem".
Comento - Essa é a primeira parte do discurso. Dilma condenou o vandalismo e a arruaça. É claro que fez bem, mas não há como elogiar por isso, uma vez que o contrário seria impossível. Imaginem uma presidente da República que dissesse: “É isso aí, moçada! O negócio é ir para o pau!”. Impossível, certo? Mas já há um traço preocupante. Segundo Dilma, essa “nova energia” pode superar limitações políticas e econômicas. As políticas, vá lá, podem até ser superadas, uma vez que costumam derivar de acordos, entendimentos. Se isso não significar atropelar as instituições, tudo certo. Mas pode significar isso também, como se verá adiante. Já as econômicas… Eu não gosto de gente que se refere a fatos sociais falando em “energia”. Para mim, “energia” é coisa de eletricista, engenheiro elétrico, física… Na sociedade, querer lidar com “energias” quase sempre significa ceder a movimentos de pressão que fazem da própria gritaria fonte de sua legitimidade. Vamos à segunda parte.
"Brasileiras e brasileiros,
As manifestações dessa semana trouxeram importantes lições: as tarifas baixaram e as pautas dos manifestantes ganharam prioridade nacional. Temos que aproveitar o vigor destas manifestações para produzir mais mudanças, mudanças que beneficiem o conjunto da população brasileira. A minha geração lutou muito para que a voz das ruas fosse ouvida. Muitos foram perseguidos, torturados e morreram por isso. A voz das ruas precisa ser ouvida e respeitada, e ela não pode ser confundida com o barulho e a truculência de alguns arruaceiros. Sou a presidenta de todos os brasileiros, dos que se manifestam e dos que não se manifestam. A mensagem direta das ruas é pacífica e democrática. Ela reivindica um combate sistemático à corrupção e ao desvio de recursos públicos. Todos me conhecem. Disso eu não abro mão. Esta mensagem exige serviços públicos de mais qualidade. Ela quer escolas de qualidade; ela quer atendimento de saúde de qualidade; ela quer um transporte público melhor e a preço justo; ela quer mais segurança. Ela quer mais. E para dar mais, as instituições e os governos devem mudar".
Comento - Dou uma parada aqui. Como se nota, ela trata do assunto como se fosse um problema dos outros, não dela; como se isso dissesse respeito aos demais entes da federação, não o governo federal. As críticas à corrupção, ficou evidente, eram especialmente dirigidas à área federal, sim, senhores! Agora vem o primeiro pulo do gato — ou da gata. Prestem atenção.
"Irei conversar, nos próximos dias, com os chefes dos outros poderes para somarmos esforços. Vou convidar os governadores e os prefeitos das principais cidades do país para um grande pacto em torno da melhoria dos serviços públicos".
Comento - Dilma se coloca, assim, como a líder de um movimento que vai convocar os outros Poderes. Apresenta-se como senhora e dona de uma agenda. Reivindicações que foram dirigidas especialmente ao Executivo serão divididas com os demais. Huuummm. Vamos seguir.
"O foco será: primeiro, a elaboração do Plano Nacional de Mobilidade Urbana, que privilegie o transporte coletivo. Segundo, a destinação de cem por cento dos recursos do petróleo para a educação. Terceiro, trazer de imediato milhares de médicos do exterior para ampliar o atendimento do Sistema Único de Saúde, o SUS".
Comento - Vamos ver que diabo será o tal plano. Imaginar que o governo federal possa planejar a mobilidade nas cidades é conversa mole para boi dormir. O máximo que pode fazer é conceder ou linhas de empréstimo ou incentivos fiscais para que elas operem reformas importantes na área. Não está claro o que quer dizer. Uma coisa é certa: vão querer meter a mão grande em São Paulo, território que a presidente já percebeu andar um tanto hostil ao PT. Aí vêm os 100% dos recursos do petróleo para a educação e a polêmica importação de “milhares de médicos do exterior”. Até aqui, estamos na fase dos malabarismo e da alegoria de mão. São medidas de tal sorte descoladas entre si que o conjunto parece ser um arranjo de última hora. É agora que a coisa engrossa.
"Anuncio que vou receber os líderes das manifestações pacíficas, os representantes das organizações de jovens, das entidades sindicais, dos movimentos de trabalhadores, das associações populares. Precisamos de suas contribuições, reflexões e experiências, de sua energia e criatividade, de sua aposta no futuro e de sua capacidade de questionar erros do passado e do presente".
Comento - Vamos ver. Esse negócio é só episódico, ou Dilma vai mesmo querer governar com os “conselhos populares”? É só brincadeirinha, ou Mayara Vivian, a tal do Movimento Passe Livre, valerá tanto quanto uma penca de deputados ou senadores? É só para ver se dá uma esfriada nos ânimos, ou vamos nos aproximar um pouquinho mais do bolivarianismo? O governo já faz a interlocução com essa turma, por intermédio de Gilberto Carvalho. Como vai funcionar? De agora em diante, ou o Congresso faz o que querem os movimentos, ou eles param a Paulista, a Getúlio Vargas e o que mais lhes der na telha? Vai piorar.
"Brasileiras e brasileiros,
Precisamos oxigenar o nosso sistema político. Encontrar mecanismos que tornem nossas instituições mais transparentes, mais resistentes aos malfeitos e, acima de tudo, mais permeáveis à influência da sociedade. É a cidadania, e não o poder econômico, quem deve ser ouvido em primeiro lugar".
Comento - Em princípio parece bom. Se for para para submeter o Parlamento e a Justiça a comissariados do povo, aí é ruim. E é o que se vai tentar.
"Quero contribuir para a construção de uma ampla e profunda reforma política, que amplie a participação popular. É um equívoco achar que qualquer país possa prescindir de partidos e, sobretudo, do voto popular, base de qualquer processo democrático. Temos de fazer um esforço para que o cidadão tenha mecanismos de controle mais abrangentes sobre os seus representantes".
Comento - A reforma política que quer o PT é uma estrovenga autoritária, destinada a eternizar os petistas no poder. O partido quer, por exemplo, o financiamento público de campanha, que corresponde a mais uma assalto ao bolso do contribuinte. Já expliquei aqui por quê. Imaginem o Passe Livre e seus amiguinhos a parar a Paulista em nome do… financiamento público. Ah, sim: se preciso, os valentes podem ser mobilizados em defesa do “controle da mídia”.
"Precisamos muito, mas muito mesmo, de formas mais eficazes de combate à corrupção. A Lei de Acesso à Informação, sancionada no meu governo, deve ser ampliada para todos os poderes da República e instâncias federativas. Ela é um poderoso instrumento do cidadão para fiscalizar o uso correto do dinheiro público. Aliás, a melhor forma de combater a corrupção é com transparência e rigor
Comento - Certo! Os petistas poderiam explicar por que se tornaram patrocinadores da PEC 37, que retira poder de investigação do Ministério Público. Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e os governos que estão explorando estes estádios. Jamais permitiria que esses recursos saíssem do orçamento público federal, prejudicando setores prioritários como a Saúde e a Educação.
"Na realidade, nós ampliamos bastante os gastos com Saúde e Educação, e vamos ampliar cada vez mais. Confio que o Congresso Nacional aprovará o projeto que apresentei para que todos os royalties do petróleo sejam gastos exclusivamente com a Educação. Não posso deixar de mencionar um tema muito importante, que tem a ver com a nossa alma e o nosso jeito de ser. O Brasil, único país que participou de todas as Copas, cinco vezes campeão mundial, sempre foi muito bem recebido em toda parte. Precisamos dar aos nossos povos irmãos a mesma acolhida generosa que recebemos deles. Respeito, carinho e alegria, é assim que devemos tratar os nossos hóspedes. O futebol e o esporte são símbolos de paz e convivência pacífica entre os povos. O Brasil merece e vai fazer uma grande Copa".
Comento - Eu não concordo com o raciocínio que opõe estádios a hospitais. As coisas não funcionam assim por razões que não cabem neste texto. Negar, no entanto, que exista uma montanha de dinheiro público na Copa é absurdo. Não só isso: o governo criou um regime especial para a execução de obras, fora da Lei de Licitações.
"Minhas amigas e meus amigos,
Eu quero repetir que o meu governo está ouvindo as vozes democráticas que pedem mudança. Eu quero dizer a vocês que foram pacificamente às ruas: eu estou ouvindo vocês! E não vou transigir com a violência e a arruaça. Será sempre em paz, com liberdade e democracia que vamos continuar construindo juntos este nosso grande país.Boa noite!
Comento - Faltou dizer como é que o governo federal pretende combater a violência e a arruaça. Se quiser, tem em mãos uma porção de mecanismos. Vamos ver. Não sei se as providências que Dilma diz que vai adotar mudará o ânimo das manifestações. Depois de alguns dias, é natural que haja um refluxo — afinal, não vivemos numa tirania árabe. De uma coisa não tenho dúvida: se Dilma e o PT forem bem-sucedidos, do seu ponto de vista, nas medidas anunciadas, o Brasil ficará pior. Muito pior. E menos democrático também.

A OPINIÃO É LIVRE, MAS OS FATOS SÃO OS FATOS. OU: POR QUE UM HISTORIADOR NÃO É UM PIPOQUEIRO

Ô vida dura! Começo a entender melhor certas coisas. Algum fã de Francisco Carlos Teixeira, professor de história contemporânea da UFFRJ e comentarista da GloboNews, enviou uma mensagem para o blog me esculhambando. Com efeito, eu o critiquei duas vezes nesta semana. Na primeira porque, quando a Prefeitura de São Paulo foi atacada por vândalos, em vez de ele censurar os bandidos, ele criticou o prefeito por não ter, até então, baixado a tarifa. Na segunda porque, quando a Polícia Militar do Rio reagiu às agressões que sofreu, ele, mais uma vez, poupou os marginais e criticou a… polícia!!! Desta feita, foi ainda mais longe. Deu uma receita para Dilma debelar a crise e aproveitou para atacar a aprovação em uma comissão da Câmara de um “projeto de cura gay” que custaria uma fortuna aos cofres públicos. Eita!!! Vamos ver: a) não existe um projeto de cura gay; b) o que existe é um Projeto de Decreto Legislativo que derruba duas resoluções do Conselho Federal de Psicologia. Custo para o Estado: ZERO! Vale dizer: opinava sobe assunto que ignorava completamente. Pois é… Longe de mim afirmar que ele é um descuidado sistemático em matéria de história, mas que é capaz de enormidades, ah, isso é, sim. Em 2004, o também professor de história Marco Antonio Villa publicou uma resenha na Folha sobre o lançamento da coleção “O Brasil Republicano”, coordenada por Jorge Ferreira e Lucilia de Almeida Neves Delgado. Francisco Carlos Teixeira assinou o ensaio “Crise da Ditadura Militar e o Processo de Abertura Política”. Cometeu, então, o seguinte parágrafo: "Em 1968, no bojo de uma profunda crise econômica e da perda do controle das ruas e do avanço da guerrilha urbana sequestro do embaixador dos Estados Unidos, por exemplo-, produz-se o chamado golpe dentro do golpe, quando uma junta militar impede a posse do vice-presidente, o mineiro Pedro Aleixo, no afastamento por motivo de saúde do general Costa e Silva, e impõe ao país uma dura série de medidas policiais, consolidadas, numa sexta-feira 13 (dezembro, 1968, início de uma longa noite de terror), no chamado Ato Institucional nº 5″ (pág. 257)". Observa o professor Villa na resenha: “Vamos aos erros. Primeiro: em 1968 já se havia iniciado a retomada da economia, tanto que é o início do “milagre brasileiro”. Segundo: o embaixador Charles Elbrick foi seqüestrado em setembro de 1969. Terceiro: a Junta Militar toma posse em agosto de 1969. Quarto: já na Presidência, a patente de Costa e Silva era a de marechal. Quinto: o AI-5 foi assinado por Costa e Silva, e não pela Junta Militar. Convenhamos: são muitos erros para tão poucas linhas".  Pois é… É erro demais, especialmente quando se é um historiador. Convenha-se: o juízo que se possa ter sobre isso e aquilo pode variar de acordo com ideologia, gosto etc. Mas o compromisso com o fato me parece matéria-prima essencial do historiador. Noto que, no caso do livro, ele usou os mesmos instrumentos de precisão com que analisou o ataque à Prefeitura de São Paulo, a agressão à PM do Rio e o projeto — que não existe — da “cura gay”. O que existe, e é outra coisa, não vai custar um tostão ao Estado. A sua opinião só é considerada mais qualificada do que a de um pipoqueiro ou a de faxineiro da GloboNews porque, supostamente, dispõe de mais instrumentos para distinguir o fato da ficção. Por Reinaldo Azevedo

POPULARIDADE DE DILMA DESABA, 85% DESAPROVAM SUA ATUAÇÃO FRENTE ÀS MANIFESTAÇÕES

A maioria dos moradores da cidade de São Paulo avalia que a presidente Dilma Rousseff (PT) reagiu mal à série de protestos em várias capitais brasileiras, de acordo com levantamento do Datafolha. Pesquisa feita na sexta-feira, antes do pronunciamento da presidente petista, aponta que 55% dos entrevistados avaliaram como "ruim" ou "péssima" a atuação dela ante às manifestações. Uma parcela de 15% classificou a atuação da presidente como "ótima" ou "boa", e 27% a considerou "regular". Na pesquisa anterior, feita na terça-feira, a parcela dos que reprovavam a atuação de Dilma era de 49%. Em sentido inverso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), exibem indicadores melhores na pesquisa de sexta-feira do que na realizada anteriormente. Ainda assim, a maior parcela dos entrevistados reprovou a condução de ambos. A reprovação à atuação de Alckmin diante dos protestos caiu de 51% para 39%. A curva negativa de Haddad tem inflexão menor: passou de 55% de reprovação para 50%. Um total de 24% dos entrevistados achou a conduta de Alckmin positiva; o índice do prefeito Haddad é menor, 17%. Ambos melhoraram em relação à pesquisa anterior. Entre uma pesquisa Datafolha e outra, governador e prefeito anunciaram a redução da tarifa de ônibus, trem e metrô de R$ 3,20 para R$ 3,00. A taxa de reprovação dos três é maior entre os mais escolarizados: a ação de Dilma é rejeitada por 66%. A de Haddad, por 61% e a de Alckmin, por 51% desse grupo.