domingo, 3 de fevereiro de 2013

Ex-ministro do Irã preso em aeroporto na Alemanha portava cheque venezuelano de US$ 70 milhões


Tahmasb Mazaheri, ex-ministro iraniano das Finanças, foi revistado no aeroporto na Alemanha e foi encontrado com ele um cheque de 300 milhões de bolívares (US$ 70 milhões) do Banco da Venezuela. Mazaheri, que também chefiou o Banco Central iraniano entre 2007 e 2008, foi revistado pelos agentes de alfândega do aeroporto de Düsseldorf, no oeste do país, em 21 de janeiro passado. O cheque milionário do Banco Central venezuelano foi encontrado em um dos bolsos da bagagem de mão do ex-ministro, que estava em um vôo procedente da Turquia. Mazaheri afirmou que o cheque serviria para financiar a construção de 10 mil residências por parte do governo venezuelano, e agora a alfândega está investigando se há um possível crime de lavagem de dinheiro.

Dezesseis feridos no incêndio da boate assassina Kiss recebem alta, agora ainda tem 97 vítimas internadas


Com a alta de 16 pacientes, o número de sobreviventes do incêndio na boate assassina Kiss que permanecem internados em hospitais do Rio Grande do Sul caiu neste domingo para 97. Dos que ainda estão hospitalizados, 35 continuam dependendo de ventilação mecânica e são considerados casos mais graves. Na noite de sábado, morreu Bruno Portella Fricks, de 22 anos, que estava no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Formado em administração de empresas pela Universidade Federal de Santa Maria, ele foi à boate acompanhado da namorada, Jessica Duarte, de 20 anos, que está no Hospital Cristo Redentor, na capital gaúcha. O enterro dele está marcado para esta segunda-feira em Santa Maria, onde vivia. Fricks é o terceiro paciente a morrer desde o começo da semana passada após ter sido transferido para Porto Alegre. O total de mortes na tragédia passou para 237. Na última sexta-feira, a Secretaria da Saúde do Estado divulgou o plano de criar um ambulatório fixo no Hospital Universitário de Santa Maria, com apoio de outros hospitais, para atender e acompanhar os sobreviventes. "Deve haver um prosseguimento na atenção a eles, tanto familiar quanto de saúde. Pelo tipo de acidente que tiveram, podem ter algum tipo de alteração ou sequela posterior", disse o secretário Ciro Simoni.

Dono da boate Kiss passa em avaliação médica e deve ir para cadeia nesta segunda-feira

Kiko Spohr

Elissandro Spohr, o Kiko, sócio da boate Kiss detido em um hospital particular na cidade gaúcha de Cruz Alta, deve receber alta nesta segunda-feira e em seguida será levado a uma prisão. Ele permanece internado desde o dia da tragédia porque, segundo os médicos, havia inalado fumaça tóxica e estava muito abalado com o incêndio, que matou 237 pessoas. O médico responsável pelo tratamento, Paulo Viecili, disse neste domingo que uma avaliação feita por um psiquiatra apontou que não há indicação de transferência para um hospital psiquiátrico. No sábado, Viecili já havia dito que uma tomografia apontou a recuperação da capacidade pulmonar do empresário. Kiko Spohr teve a prisão decretada na última segunda-feira, mas, como já estava internado no dia da tragédia, acabou permanecendo no hospital, vigiado por policiais dentro do quarto.

PMDB elege Eduardo Cunha como novo líder da bancada na Câmara dos Deputados


O deputado federal Eduardo Cunha (RJ) foi eleito neste domingo líder do PMDB na Câmara dos Deputados com 46 de 80 votos. Seu adversário, Sandro Mabel (GO), teve 32 votos. Eduardo Cunha venceu os dois turnos disputados. No primeiro, fez 40 votos. Osmar Terra (PMDB-RS), que teve 13 votos no primeiro turno, declarou apoio a Sandro Mabel (PMDB-GO), com 25. A bancada do PMDB tem 78 deputados, mas 80 votaram, já que os deputados Rodrigo Bethlem e Pedro Paulo, licenciados da bancada fluminense e secretários municipais, tomaram posse para a votação. A disputa é considerada uma prévia das eleições à Mesa Diretora da Casa, que deverá ocorrer nesta segunda-feira, e expôs, mais uma vez, o racha na bancada do PMDB da Câmara.

Jovem de Santa Maria cria ONG para fiscalizar boates


No dia seguinte ao incêndio na boate Kiss, em Santa Maria (RS), que matou 237 pessoas, o estudante Giordano Goellner, de 23 anos, frequentador assíduo da casa noturna, disse a si mesmo que não deixaria a tragédia que abalou sua cidade natal passar em branco. Junto com outros sete amigos, Goellner, que estuda Administração de Empresas na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), decidiu criar a ONG Andradas Viva, cujo objetivo é fiscalizar, com a ajuda das redes sociais, locais de grande reunião de público e verificar se tais estabelecimentos estão cumprindo as normas de segurança previstas na legislação. "Nosso intuito é, com a ajuda de nossos colaboradores, saber se o estabelecimento comercial está adequado às normas básicas de segurança. Para isso, vamos contar com a ajuda da nossa página na Internet e das redes sociais", diz Goellner. O nome da entidade, "Andradas Viva", faz alusão à rua onde a boate Kiss está localizada, até então um dos principais pontos de encontro de vários jovens da cidade, incluindo inúmeros estudantes da UFSM que morreram no trágico episódio. Além da fiscalização, que inicialmente se concentrará nas casas noturnas, Goellner explica que também quer conscientizar a população sobre seus direitos e pressionar as autoridades para a alteração de leis que, em sua opinião, estão "atrasadas". ''Até o incêndio na Kiss, eu, por exemplo, não sabia quais equipamentos de segurança uma boate precisaria ter", comenta Goellner: "Também queremos pressionar as autoridades para mudar algumas leis retrógradas, em relação, por exemplo, aos prazos longos que donos de alguns estabelecimentos têm se adequar a certas normas, como alarmes de incêndio". Goellner conta que por pouco não foi uma das vítimas da tragédia em Santa Maria. Ele e sua namorada já haviam combinado de ir à Kiss na noite do último sábado, 26 de janeiro, mas mudaram os planos.

Menina paquistanesa atacada pelo taleban passa por cirurgia no crânio

Malala Yousafzai

A estudante paquistanesa que foi atacada por talebans armados por defender o direito à educação para mulheres passou por uma cirurgia de sucesso em um hospital britânico para reconstruir o crânio e ajudar a restaurar a audição perdida. Uma equipe de médicos realizou uma cirurgia com duração de cinco horas no sábado, em Malala Yousufzai. A garota de 15 anos levou um tiro na cabeça em outubro do ano passado e foi levada à Grã-Bretanha para receber tratamento. Os procedimentos incluíram reconstrução do crânio, visando unir as partes do órgão com uma placa de titânio, e um implante coclear para recuperar a audição do lado esquerdo, que foi afetada no ataque. "Ambas cirurgias foram um sucesso e Malala está se recuperando no hospital", informou o Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham, em nota neste domingo. Malala Yousafzai ficou conhecida quando, aos 11 anos, começou a denunciar abusos do Taleban, como incêndios em escolas de meninas e morte de opositores no vale de Swat. Devido ao trabalho, a jovem recebeu prêmios diversos, incluindo o Prêmio Nacional da Paz, a honraria mais elevada do governo do Paquistão. O Taleban paquistanês considera-a uma "espiã do Ocidente" e já prometeu tentar matá-la de novo, caso se recupere do ataque. Seu pai, Ziauddin Yousafzai, também foi ameaçado, mas descartou que partirá para o exílio quando a filha já estiver bem.

Bandidagem terrorista ataca em Santa Catarina por cinco dias seguidos


Neste domingo já se fazia uma contabilidade tétrica de quatro noites seguidas de atentados terroristas praticados pela bandidagem em Santa Catarina. Por volta das 3h15, a Polícia Militar matou um suspeito em Joinville. Das 18 horas de sábado até as 7 horas deste domingo, a Polícia Militar registrou 12 ocorrências em todo o Estado.O suspeito morto estava em uma moto com um comparsa disparando tiros para o alto em uma das principais avenidas de Joinville. Conforme a Polícia Militar, um policial que dirigia no local avistou os suspeitos e chamou reforços. Ao abordarem a motocicleta em outra rua, o criminoso sacou a arma. A polícia reagiu, matando o suspeito, de 22 anos. Com ferimentos leves, o acompanhante foi preso. A polícia investiga se os suspeitos são os mesmos que haviam atirado contra uma base da Polícia Militar na cidade três horas antes. Por volta da 0h30, dois homens em uma motocicleta dispararam em direção ao posto policial, mas nenhum tiro chegou a atingir o local. A madrugada deste domingo também registrou três atentados a prédios de prefeituras. Em Araquari, norte do estado, quatro homens em duas motos incendiaram uma das salas da subprefeitura por volta da 1h10. No local, também funciona uma base da Polícia Militar. Em Itajaí, no litoral norte de Santa Catarina, um coquetel molotov atingiu o muro da subprefeitura. Em Chapecó, no oeste catarinense, criminosos tentaram atear fogo a uma garagem da prefeitura. Eles chegaram a cortar a tela, mas desistiram da ação, deixando vasilhames de combustível no local. A Polícia Militar registrou atentados contra quatro ônibus. Em São Francisco do Sul, um ônibus foi incendiado, sem deixar vítimas. Em Chapecó, um micro-ônibus escolar estacionado em via pública também pegou fogo. Em Joinville, um ônibus teve um vidro lateral quebrado por um estilingue e, em Criciúma, no sul do Estado, dez homens invadiram um ônibus e atearam fogo no veículo por volta das 18 horas de sábado. Os passageiros conseguiram fugir. Em Maracajá, também no sul do Estado, duas carretas estacionadas no pátio de um posto de gasolina, na BR-101, ficaram completamente destruídas por um incêndio. Desde a noite de quarta-feira, quando a onda de atentados recomeçou no Estado, a Polícia Militar de Santa Catarina registrou 43 ocorrências em 14 municípios. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, cerca de 20 pessoas já foram presas no período, alguns menores de idade.  Um grupo de mais de 20 trabalhadores de um frigorífico passou por momentos de pânico na noite de sexta-feira, em Criciúma. Após o dia de trabalho, o ônibus fretado que fazia o transporte dos funcionários da Seara Alimentos, de Forquilhinha para Criciúma, foi mais um alvo da onda de ataques que assola Santa Catarina. O veículo da empresa Expresso Coletivo Forquilhinha foi incendiado e ficou completamente destruído. Eram 22h45min quando o ônibus estacionou na Vila União, em Criciúma, para o desembarque de uma das passageiras. Neste momento, dois homens armados chegaram em uma moto e um deles invadiu o coletivo. Segundo o depoimento de um dos trabalhadores, a dupla portava armas de cano longo, possivelmente espingardas de caça calibre 22, e gritava para que todos descessem do veículo. Alguns tentaram fugir pela porta da frente e precisaram pular a catraca. Com o tumulto, pessoas caíram e acabaram pisoteadas, mas todos conseguiram sair e ninguém se feriu com gravidade. "Foi um pavor. A galera saiu a mil e aí já entrou o outro cara com um galão. Acho que era gasolina", conta o operador de máquinas. Em minutos, o coletivo estava em chamas. Em pânico, muitos passageiros abandonaram seus pertences no veículo na hora da fuga. Além de documentos e outros objetos, alguns trabalhadores viram o fogo consumir todo o dinheiro recebido pelo trabalho do mês anterior.

Caso de Polícia – A Petrobras, a compra escandalosa de uma refinaria e um prejuízo bilionário para a estatal: Ministério Público decidiu investigar a lambança


Do jornalista Reinaldo Azevedo - Vocês se lembram de um post publicado no dia 15 de dezembro intitulado “ESCÂNDALO BILIONÁRIO NA PETROBRAS. Resta, agora, saber se, ao fim da apuração, alguém vai para a cadeia! Ou: Quem privatizou a Petrobras mesmo?“ Mais ou menos? Ok. Recupero a história em 13 passos e avanço depois, porque já há novidades. Quem tem tudo na memória pode ir direito para o entretítulo “Voltei”.
1 - Em janeiro de 2005, a empresa belga Astra Oil comprou uma refinaria americana chamada Pasadena Refining System Inc. por irrisórios US$ 42,5 milhões. Por que tão barata? Porque era considerada ultrapassada e pequena para os padrões americanos.
2 - ATENÇÃO PARA A MÁGICA – No ano seguinte, com aquele mico na mão, os belgas encontraram pela frente a generosidade brasileira e venderam 50% das ações para a Petrobras. Sabem por quanto? Por US$ 360 milhões! Vocês entenderam direitinho: aquilo que os belgas haviam comprado por US$ 22,5 milhões (a metade da refinaria velha) foi repassado aos “brasileiros bonzinhos” por US$ 360 milhões. 1500% de valorização em um aninho. A Astra sabia que não é todo dia que se encontram brasileiros tão generosos pela frente e comemorou: “Foi um triunfo financeiro acima de qualquer expectativa razoável”.
3 - Um dado importante: o homem dos belgas que negociou com a Petrobras é Alberto Feilhaber, um brasileiro. Que bom! Mais do que isso: ele havia sido funcionário da Petrobras por 20 anos e se transferiu para o escritório da Astra nos Estados Unidos. Quem preparou o papelório para o negócio foi Nestor Cerveró, à frente da área internacional da Petrobras. Veja viu a documentação. Fica evidente o objetivo de privilegiar os belgas em detrimento dos interesses brasileiros. Cerveró é agora diretor financeiro da BR Distribuidora.
4 - A Pasadena Refining System Inc., cuja metade a Petrobras comprou dos belgas a preço de ouro, vejam vocês!, não tinha capacidade para refinar o petróleo brasileiro, considerado pesado. Para tanto, seria preciso um investimento de mais US$ 1,5 bilhão! Belgas e brasileiros dividiriam a conta, a menos que…
5 - a menos que se desentendessem! Nesse caso, a Petrobras se comprometia a comprar a metade dos belgas — aos quais havia prometido uma remuneração de 6,9% ao ano, mesmo em um cenário de prejuízo!!!
6 - E não é que o desentendimento aconteceu??? Sem acordo, os belgas decidiram executar o contrato e pediram pela sua parte, prestem atenção, outros US$ 700 milhões. Ulalá! Isso foi em 2008. Lembrem-se que a estrovenga inteira lhes havia custado apenas US$ 45 milhões! Já haviam passado metade do mico adiante por US$ 360 milhões e pediam mais US$ 700 milhões pela outra. Não é todo dia que aparecem ou otários ou malandros, certo?
7 - É aí que entra a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, então presidente do Conselho de Administração da Petrobras. Ela acusou o absurdo da operação e deu uma esculhambada em Gabrielli numa reunião. DEPOIS NUNCA MAIS TOCOU NO ASSUNTO.
8 - A Petrobras se negou a pagar, e os belgas foram à Justiça americana, que leva a sério a máxima do “pacta sunt servanda”. Execute-se o contrato. A Petrobras teve de pagar, sim, em junho deste ano, não mais US$ 700 milhões, mas US$ 839 milhões!!!
9 - Depois de tomar na cabeça, a Petrobras decidiu se livrar de uma refinaria velha, que, ademais, não serve para processar o petróleo brasileiro. Foi ao mercado. Recebeu uma única proposta, da multinacional americana Valero. O grupo topa pagar pela sucata toda US$ 180 milhões.
10 - Isto mesmo: a Petrobras comprou metade da Pasadena em 2006 por US$ 365 milhões; foi obrigada pela Justiça a ficar com a outra metade por US$ 839 milhões e, agora, se quiser se livrar do prejuízo operacional continuado, terá de se contentar com US$ 180 milhões. Trata-se de um dos milagres da gestão Gabrielli: como transformar US$ 1,204 bilhão em US$ 180 milhões; como reduzir um investimento à sua (quase) sétima parte.
11 - Graça Foster, a atual presidente, não sabe o que fazer. Se realizar o negócio, e só tem uma proposta, terá de incorporar um espeto de mais de US$ 1 bilhão.
12 - Diz o procurador Marinus Marsico, do Tribunal de Contas da União: “Tudo indica que a Petrobras fez concessões atípicas à Astra. Isso aconteceu em pleno ano eleitoral”.
13 - Dilma, reitero, botou Gabrielli pra correr. Mas nunca mais tocou no assunto.
Voltei
José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras e hoje ocupando uma secretaria no governo baiano, chegou a emitir uma nota dizendo que não havia nada de errado com a negociação, mas preferiu não explicar a mágica. Felizmente, o Ministério Público se interessou pelo assunto, segundo informa Danilo Fariello, no Globo. Leiam trechos. Encerro depois.
*
O Ministério Público Federal deve abrir uma investigação criminal para apurar irregularidades no processo de aquisição, pela Petrobras, da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), em 2006, com base em indícios levantados por procuradores do Ministério Público Federal que atuam no Tribunal de Contas da União. Desde a compra da refinaria, a petrolífera investiu US$ 1,18 bilhão nesse negócio, apesar de ela não processar um só barril de petróleo brasileiro e de a estatal não conseguir obter um retorno significativo do investimento feito. Em novembro, os procuradores solicitaram à Petrobras esclarecimentos sobre o processo de aquisição. Após um pedido da Petrobras de prorrogação de prazo para resposta, que foi aceito pelo órgão de controle, a estatal entregou cerca de 700 páginas com documentos, dos quais boa parte já foi analisada. Segundo uma fonte que teve acesso ao conteúdo entregue pela empresa ao Tribunal de Contas da União, durante o recesso de fim de ano, até agora não apareceram argumentos convincentes para justificar o investimento, tanto do ponto de vista financeiro quanto pelo aspecto estratégico. “Há várias decisões questionáveis, que podem levar o Ministério Público Federal a abrir um procedimento para verificar se há ocorrência de crime. Pode até pedir auxílio à Polícia Federal, uma vez que havia uma pessoa ligada à Petrobras que fazia parte da empresa belga (Astra Oil, de quem a estatal brasileira foi sócia na refinaria)”, disse a fonte.
(…)
Encerro
Os números da operação são aqueles que vocês viram, nunca contestados pela Petrobras. Alguém tem alguma dúvida de que estamos diante de um óbvio caso de polícia?

Ministério Público Federal de São Paulo recebe nesta segunda-feira acusações que Marcos Valério faz a Lula para iniciar investigações


Do jornalista Reinaldo Azevedo - O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, encaminha nesta segunda-feira à seção paulista do Ministério Público Federal as acusações que o empresário Marcos Valério, principal operador do Mensalão do PT, faz a Lula. Não é pouca coisa. Valério não só diz que o Apedeuta sabia de tudo e sempre esteve no controle do mensalão como sustenta que foi um dos seus beneficiários. O dinheiro para seu uso pessoal teria sido depositado na conta do faz-tudo Freud Godoy. Com efeito, a CPI dos Correios encontrou repasse da agência de Valério para  o carregador de malas. Muito bem! O procurador que receber o papelório vai decidir se abre investigação ou se pede o arquivamento do caso. Os petistas tratam como um atentado à democracia a possibilidade de Lula vir a ser investigado e se tornar réu numa ação criminal. Há nisso muito de politicagem vulgar, mas também há uma espécie de crença, em vários setores do PT, na infalibilidade de Lula, quem sabe na sua divindade. E ele não faz por menos, como é sabido: expõe-se à adoração. Tivesse atravessado o Mar Vermelho com Moisés, não duvidem: teria liderado a turba contestadora, impaciente com a demora do Patriarca, e seria o primeiro a propor um ídolo de ouro: em vez do bezerro, ofereceria a si mesmo como modelo. Se não conseguisse destituir Deus, daria um jeito de, quando menos, tirar Moisés da história… Não pensem que isso começou com o, como chamarei?, “petismo popular”. De jeito nenhum! O povo é muito menos mistificador do que aqueles que se dizem “intelectuais petistas”, essa contradição dada pelos termos. Contradição? Não pode haver petista culto? Claro que sim! Eu me refiro a “intelectuais” como pessoas comprometidas com a ciência e com o pensamento. Ou bem se busca servir à verdade ou bem se busca servir a um partido. Muito bem! Em julho de 2003, Marilena Chaui — uma das inventoras da tese vigarista de que a denúncia do mensalão era uma tentativa de golpe — concedeu uma entrevista à revista Primeira Leitura, que eu dirigia. Conversou com o jornalista Fernando Eichenberg, em Paris. Ele lhe dirigiu, então a seguinte pergunta: A sra. não acha que Lula despolitiza talvez em demasia sua própria trajetória, repisando o mito do homem milagreiro, do político milagreiro, do evento milagreiro, mais ou menos nos termos pela sra. apontados no livro “Brasil, Mito Fundador e Sociedade Autoritária”? A resposta de Marilena, aquela que já afirmou que, quando Lula fala, o mundo se ilumina, foi fabulosa. Ela comparou seu líder à deusa grega Métis (vocês saberão detalhes). Vale a pena ler a íntegra da resposta. Volto depois.
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Há no Lula um traço que é a marca ocidental do homem político. Há um trabalho feito nos anos 80, pelo Jean Pierre Vernant, sobre um aspecto da cultura grega clássica, segundo o qual os gregos consideravam a prática, contraposta à inteligência teórica. Essa inteligência prática ficava sob a proteção de uma deusa chamada Métis. As características da pessoa dotada de Métis, ou dessa inteligência prática, eram as seguintes: golpe de vista certeiro, ou seja, ela era capaz de, num único golpe de vista, perceber o todo; tinha o senso da oportunidade, ou o sentimento do kairós, do momento oportuno, em que momento intervir, em que a ação seria eficaz; tinha a capacidade de encontrar ou de criar um caminho onde não havia caminho: diante da aporia, do aporós, abre um caminho; e era dotada da capacidade da espreita, de saber observar de longe, de espreitar e de produzir uma estratégia para intervir. Os gregos consideravam que havia alguns tipos sociais que eram dotados de Métis: os capitães de navio, os médicos, os caçadores e os estrategistas militares. Mas a figura que reunia todos os traços da Métis, que era a Métis praticamente encarnada, era o político. O homem político grego era dotado dessas características da Métis. Eu considero o Lula um animal político. Na medida em que ele é dotado dessas características que são constitutivas da figura ocidental do político, ele não pode despolitizar, mesmo que ele queira, porque o modo de ver o mundo é um modo político. É vê-lo como totalidade, como tempo aberto, como conjunto de dificuldades e de aporias, como aquilo que se tem de observar e sobre o que se tem de intervir. Em relação ao discurso do Lula, alguns dizem que é um discurso populista. Ora, o líder populista é aquele que pertence ou à classe dominante ou ao setor aliado da classe dominante. E é aquele que se apresenta para o povo como o protetor, o guardião, como se esse povo fosse imaturo, vivesse na minoridade, incapaz de se conduzir a si mesmo. Isso é o populismo. Nenhuma dessas características se pode atribuir ao Lula. Ele não vem da classe dominante; ele não se dirige a um povo imaturo e incapaz de se dirigir; ele não se propõe a ensinar a esse povo esse bom caminho, porque, se ele tivesse de fazer isso, não teria sido eleito presidente, na medida em que ele é a expressão desse povo. Então, há uma impossibilidade lógica, para usar uma expressão do Paulo Arantes, de que ele seja um líder populista. É dito também que ele é um líder messiânico. O messianismo possui duas grandes características no Brasil. Primeiro, é milenarista, coisa ausente do discurso ou da ação do Lula. A segunda característica é a componente teológico-política, ou seja, de que o governante é um representante de Deus, que ele transcende a sociedade e a controla por mandato divino, o que Lula também não diz. O fato de que, no discurso, Lula invoque Deus, é porque ele é um homem religioso. Nem é uma invocação ao reino de mil anos de felicidade, produzido pela ação justiceira dos santos, nem é ele representante de Deus na Terra. É má-fé dizer que ele é messiânico, sobretudo porque é chamado de messiânico por quem faz ciências sociais e que, portanto, sabe o que é o messianismo. O Lula tem uma estrutura discursiva que vi sendo empregada por ele desde 1978. É a maneira que tem de se exprimir. Sobretudo, quando se diz que ele improvisa, não lê, vai falando qualquer coisa. Uma vez, conversei com ele, e ele me disse que, para poder realmente se dirigir a um interlocutor, precisa perceber o que o está pensando, sentindo, precisa do olhar do interlocutor. A escrita rompe a relação. Isso é uma das coisas mais definidoras do discurso político, porque é aquele que se dirige diretamente ao outro; não é à toa que a política nasceu na assembleia democrática. O Lula fala a interlocutores determinados, estabelece o vínculo típico de quem fez aprendizado na assembleia, porque é assim que ela funciona. Isso é uma característica muito marcante dele. Outra coisa é o fato de ele usar metáforas e provérbios. Qualquer um de nós que tenha nascido e vivido no interior do país sabe que o homem do interior, seja o sertanejo ou o caipira paulista, por exemplo, fala por provérbios. A minha bisavó, que era baiana, falava por provérbios e metáforas. O Monteiro Lobato, falando do caipira paulista, fala por provérbios. Peguem-se as grandes personagens do Guimarães Rosa, elas falam por sentenças, máximas e provérbios. Isso é constitutivo da cultura popular brasileira. Quando eu era ainda adolescente, li, em algum lugar, o Jean-Paul Sartre dizendo que sempre ficou muito impressionado com os provérbios e as máximas populares porque exprimem uma sabedoria pessimista sobre o ser humano. Não necessariamente, mas, de um modo geral, sim. Vou usar um provérbio. O provérbio “é confiar desconfiando”. Há uma maneira popular de se exprimir, universal, e é por provérbios e por máximas. Depois, essa é uma maneira pela qual a cultura popular no Brasil se exprime. Então, tem-se um nordestino, do interior do país, que é formado nessa cultura e exprime por meio dessa cultura. Portanto, dizer que é um discurso imbecilizante, paralisante, estúpido, ignorante, é repetir o preconceito, a exclusão e a divisão levada ao seu extremo. O que se exige dele é que se desfaça do direito de se exprimir a partir de onde se formou. Penso que, das críticas preconceituosas feitas ao Lula, essa tem sido para mim a mais chocante, porque ignora de onde ele veio. Como ele não produz uma frase em francês, um conceito em inglês ou boutade em alemão, diz-se que é um inculto que diz coisas imbecis, quando, na verdade, é uma maneira de organizar o mundo. É interessantíssimo, porque Guimarães Rosa é valorizadíssimo por ter sabido operar com isso. Aquele mesmo que se desvanece diante do trabalho que Guimarães fez sobre esse modo de falar fica horrorizado quando encontra alguém que fala como o Riobaldo. Acho isso inacreditável. Uma pesquisadora portuguesa fez um estudo sobre as discriminações sociais no Brasil pelo uso dos provérbios, das sentenças e das máximas. Ela diz que a classe dominante se dá o direito de produzir máximas, mas não admite a produção nem de máximas nem de sentenças pelos dominados e repudia os provérbios. Quando se ouve intelectuais de esquerda a dizer isso, dói. Dói no estômago.
Voltei
Marilena, a douta professora de filosofia, como se vê, transforma, literalmente, Lula numa divindade, dotado de um saber natural, que ele extrai das pessoas. Não tendo como negar os aspectos obscurantistas da fala do seu líder, ela os atribui, então, ao “povo”. Tem-se, pois, como corolário, e isto está mais do que sugerido na resposta, que criticar Lula corresponde a rejeitar o próprio povo. Escrevi, à época, um textinho na revista explicando quem era, afinal, a tal Métis. Reproduzo: Há algo de curioso, até engraçado, na associação que a professora Marilena Chaui faz entre a deusa Métis e Lula. Talvez seja preciso cavoucar um pouco os simbolismos. Métis é o nome grego de Prudência, a versão latina da deusa que foi a primeira mulher de Zeus (Júpiter). Foi ela quem deu uma poção a Cronos (Saturno), que o fez vomitar, junto com uma pedra, todos os filhos que houvera engolido. Zeus a seduziu. Ao saber que estava grávida e que estava destinada a ter um filho que seria rei dos deuses e dos homens, ele não teve dúvida: engoliu a mulher grávida. Passou mal, com uma terrível dor de cabeça. Pediu a Hefestos (Vulcano) que lhe abrisse o cérebro, e, de dentro, brotou Palas Atena (Minerva), deusa da sabedoria, da guerra, da ciência e das artes, que tomou assento no conselho dos deuses e passou a ser a principal conselheira do pai. O pássaro predileto de Palas Atena é a coruja. Assim como a inteligência ilumina os problemas, os olhos da ave atravessam a escuridão. Se Lula é mesmo Métis, tomara que se deixe “engolir”, no melhor sentido possível, pelas instituições e que seja a democracia o resultado dessa fusão. Por enquanto, o risco de que se torne mero petisco dos antigos vícios políticos parece grande. Por enquanto, como Cronos, Lula só engole os próprios filhos — no pior sentido possível.
Concluindo
Era julho de 2003. Lula estava no poder havia apenas sete meses, e a maquinaria ideológica que tentaria transformá-lo num ente acima da política e das paixões humanas já estava em curso — Primeira Leitura estava atenta a ela. Naquele primeiro ano de governo, o Apedeuta enfrentava mesmo era a oposição do petismo, e os principais esteios de Antonio Palocci no Congresso, acreditem!, eram o PSDB e o PFL… Não sem certa razão: os dois partidos resistiam ao PT mais rombudo, que queria fazer bobagem na economia. A oposição fazia bem em dar apoio ao que, afinal, era o mais racional em economia, mas já errava brutalmente ao não politizar as promessas que Lula, felizmente, ia quebrando. Mas volto a Marilena e ao mito. Aquele que a petista vê como uma divindade está associado ao que há de pior na política brasileira e é, em último caso, o arquiteto da chegada de Renan Calheiros à Presidência do Senado. Vamos ver se o Ministério Público e a Justiça lhe devolvem a humanidade e o confrontam, finalmente, com parte de sua obra.

Missa reuniu cerca de 4 mil pessoas na Basílica da Medianeira em Santa Maria


A Basílica da Medianeira celebrou na noite de sábado a missa de sétimo dia em homenagem às vítimas do incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, que vitimou 237 jovens até agora. Estiveram presentes familiares e amigos dos jovens que morreram na maior tragédia do Estado. O bispo auxiliar de Porto Alegre, Dom Jaime, presidiu a solenidade. Participaram também o bispo referencial da juventude do Rio Grande do Sul, Dom Irineu Gassen, e o arcebispo de Santa Maria, Dom Hélio Adelar Rubert. Por volta das 2h20min a maioria das pessoas presentes em frente ao palco de uma das maiores tragédias do país davam as mãos e faziam orações. Na hora em que o incêndio teria começado na fatídica madrugada do dia 27, às 2h30min, cerca de 200 pessoas ficaram ajoelhadas. O silêncio só foi quebrado pelo choro de alguns dos presentes. Após o momento de reflexão e pesar velas começaram a ser acesas.

Contabilidade trágica do incêndio da boate assassina Kiss se eleva, agora são 237 mortos


A Secretaria Estadual de Saúde do Rio Grande do Sul confirmou a morte da 237ª vítima do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria. Bruno Portella Fricks, 22 anos, estava internado no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O óbito foi confirmado às 22 horas de sábado. Bruno era formado em Administração de Empresas pela Universidade Federal de Santa Maria. O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2 e 3 horas da madrugada do dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, usou efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo começou na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna. Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 237 jovens morreram e outros 100 ficaram feridos. Sobreviventes dizem que seguranças pediram comanda para liberar a saída, e portas teriam sido bloqueadas por alguns minutos por funcionários.

Jipe-robô Curiosity usa perfurador no solo de Marte pela primeira vez

O jipe-robô Curiosity, que está explorando Marte, usou pela primeira vez o seu sistema de perfuração. O equipamento do veículo robótico perfurou brevemente, sem realizar rotações, em uma camada rochosa chata no solo da cratera Gale, local onde o Curiosity pousou em 6 de agosto do ano passado. Apesar de veículos espaciais anteriores terem raspado a superfície de rochas em Marte, o Curiosity é o primeiro capaz de perfurar estruturas rochosas. Engenheiros da agência espacial americana, Nasa, estão adotando uma postura cautelosa em relação ao procedimento. Eles precisam aferir se o que ocorre com a rocha e com o perfurador está seguindo o esperado. Se a placa rochosa for considerada adequada, uma série de perfurações serão feitas, utilizando a rotação, bem como a ação de percussão do perfurador, antes de uma amostra em pó ser retirada e depositada nos laboratórios que o Curiosity carrega. A missão do Curiosity é determinar se a cratera Gale já teve no passado ambientes capazes de abrigar vida bacteriana. Detalhar a composição das rochas é algo crítico para a investigação sobre a possibilidade de as crateras manterem um registro geoquímico das condições em que elas se formaram. Perfurar alguns centímetros dentro de uma rocha pode fornecer uma amostra que não possui as alterações que podem ocorrer na superfície devido a condições meteorológicas ou a radiações. Desde que pousou em Marte, o jipe-robô se deslocou do ponto em que aterrisou, ao leste, rumo ao local identificado em imagens satelitais como sendo a interseção entre três diferentes terrenos geológicos. O veículo se encontra atualmente em uma pequena depressão chamada Baía Yellowknife. A rocha escolhida para a primeira perfuração é uma fina rocha sedimentária, cortada por sulcos do que aparenta ser sulfato de cálcio.

Irmão diz que Muhammad Ali está perto da morte e culpa mulher por briga na família

Muhammad Ali, de 71 anos, está “muito doente” e “pode morrer em dias”. As declarações são do irmão do ex-boxeador, Rahman Ali, que coloca Muhammad nas “mãos de Deus”, diz esperar que ele morra sem dor e aponta uma crise formada na família por culpa da mulher do ex-atleta, Lonnie. Ali foi diagnosticado com Mal de Parkinson em 1984. Recentemente, ele fez uma participação na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Londres, em julho de 2012. Considerado um dos maiores boxeadores de todos os tempos e um ícone cultural, o ex-campeão dos pesos pesados e campeão olímpico em Roma, em 1960, nasceu Cassius Clay e mudou o nome em 1964, convertendo-se ao islamismo. Rahman Ali, que nasceu Rudolph Clay, falou em tom pessimista sobre o atual estado de saúde do irmão. Ele disse que Muhammad "não pode falar", "está muito doente" e "não me reconhece". Segundo Rahman, a morte do ex-atleta pode ocorrer "em meses ou em dias". Pouco antes disso, Rahman conta que Muhammad dizia para o irmão não chorar por ele, dizendo que não sofria com dor e que havia "atingido tudo o que queria atingir" na vida. Rahman diz que só conseguia se comunicar com Muhammad por telefone e culpa a mulher do ex-lutador, Lonnie, pelo afastamento. Segundo Rahman, Lonnie "e a família dela estão drenando" Ali e o "bloqueando" do restante da família. O irmão do ex-boxeador afirma que só pode ver o parente em eventos públicos, o que é algo "muito triste". Lonnie é casada com Ali há 26 anos e é a quarta mulher do americano. Eles têm um filho, Assad Amim, que é adotado. Muhammad tem um total de nove filhos, sendo sete mulheres e dois homens.

O Brasil não conhece o Brasil

Do Oiapoque ao Chuí, o território brasileiro tem cerca de 8,5 milhões de km². Oficialmente, segundo o IBGE, essa é a superfície do País. No papel, porém, o território brasileiro é maior. Quando se faz a soma da área de todos os imóveis rurais cadastrados no Instituto Nacional de Colonização e Reforma (Incra), o resultado final chega a 9,1 milhões de km². É uma diferença notável: a área que sobra equivale a duas vezes o território do Estado de São Paulo. Ou, para quem se sente melhor com grandezas imperialistas, à soma dos territórios da Alemanha e Inglaterra. O esticamento do território nacional foi verificado pelo Sindicato Nacional dos Peritos Federais Agrários, após obter no Incra, por meio da Lei de Acesso à Informação, dados detalhados do Serviço Nacional de Cadastro Rural - que tem a tarefa de recolher informações de todos os imóveis rurais registrados no País. O mapeamento reúne informações de 2011. As de 2012 ainda não foram compiladas pelo Incra. Os peritos concluíram que o Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, está longe de ter um cadastro de terras confiável. O problema mais aparente é o que eles chamam de sobrecadastro - quando a soma das áreas declaradas pelos proprietários nos cartórios supera a superfície real do município. Nessa categoria, o caso que mais chama a atenção é o de Ladário, no Mato Grosso do Sul. Dez andares. De acordo com o IBGE, a superfície daquele município alcança 34.250 hectares. Mas a soma da área dos 139 imóveis cadastrados é mais do que dez vezes maior: chega a 397.999 hectares. Dito de outra forma, para que o território cadastrado coubesse no real seria necessário erguer dez andares de terras sobre Ladário. O município sul-mato-grossense chama a atenção por estar no topo da lista, mas o problema não ocorre só lá, nem é exclusividade do Brasil profundo. Palmas e Cuiabá, capitais de dois Estados que se destacam como importantes produtores agrícolas - Tocantins e Mato Grosso -, enfrentam o mesmo problema. Pelas informações obtidas no Incra, dos 5.565 municípios brasileiros, 1.354 tem sobrecadastramento, o que representa cerca de um em cada quatro. A razão mais comum para o descompasso são fraudes nos registros e até erros na transcrição dos números. Mas não é só. Os peritos apontam desatualização dos registros e, sobretudo, as condições precárias em que são feitos. “Quase tudo gira em torno da declaração que o proprietário faz no cartório sobre o tamanho de sua terra”, diz Fernando Faccio, perito federal do Incra em Florianópolis (SC) e porta-voz do sindicato. “Os órgãos estaduais de terras não possuem um bom mapeamento das áreas; os cartórios não têm obrigação de garantir que a terra registrada não está em cima de outra; e o Poder Público também não vai lá verificar.” Para Faccio, o fato de o Brasil não conhecer sua malha fundiária é inaceitável, principalmente quando se considera que as tecnologias já existentes, como o georreferenciamento, permitem resolver o problema de maneira eficiente. “Só posso imaginar que os empecilhos no caminho da modernidade são essencialmente políticos". Sobra de terra no cadastro não é o único drama. Na região Norte do País verifica-se o subcadastramento, que ocorre quando a superfície registrada é menor do que a real. A causa principal é a existência de grandes áreas de terras devolutas, controladas pelo Estado e frequentemente ocupadas de maneira irregular. O sindicato estima que na região amazônica só 4% do território está cadastrado. “Os órgãos de governo não tem controle de suas terras, o que acaba favorecendo os conflitos agrários na região”, afirma Faccio.O sindicato do qual ele faz parte defende a ideia de que o Incra passe a se dedicar exclusivamente ao controle fundiário, transferindo para outros organismos a questão da reforma agrária. O órgão passaria a se chamar Instituto de Terras. “Sem conhecer sua malha fundiária, o Brasil não consegue definir políticas públicas de maneira consistente, não consegue evitar a insegurança jurídica. No momento não se sabe nem quanta terra se encontra nas mãos de estrangeiros”, observa o perito. O assunto atrai a atenção da presidente Dilma Rousseff desde quando era chefe da Casa Civil. Confrontada com questões relacionadas a desmatamento, conflitos agrários, políticas sociais na zona rural, a então ministra constatou que existem cadastros paralelos no Incra, na Receita Federal e nos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura - e que nenhum deles é confiável. Na Presidência, ela tem cobrado a consolidação de um cadastro único e confiável. A ministra Gleise Hoffmann, que substituiu Dilma na Casa Civil, é uma das pessoas encarregadas de analisar a questão.

Mais um desastre petista na economia

Editorial do jornal O Estado de S. Paulo - O grande tombo da indústria, principal componente do fiasco econômico do ano passado, está confirmado e medido oficialmente. A produção industrial diminuiu 2,7% em 2012, segundo informou na sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi o primeiro resultado negativo desde o recuo de 7,4% registrado em 2009, quando se manifestaram plenamente, em todo o mundo, os efeitos recessivos do estouro da bolha financeira nos mercados de crédito americano e europeu. Mas a pior parte da notícia é outra. É preciso ir aos detalhes para encontrar o significado econômico da crise industrial brasileira e entender o estrago causado por erros políticos acumulados em muitos anos. Os números de 2012 servem tanto para um exame do passado quanto para uma avaliação dos problemas à frente. O mau desempenho em 2012 limita as possibilidades de crescimento do País em 2013 e nos anos seguintes e impõe desafios enormes ao governo e ao empresariado. O recuo de 2,7% foi o resultado médio de todo o setor industrial. A produção da indústria extrativa diminuiu apenas 0,3%. A do setor manufatureiro encolheu 2,8%. É esse o canal mais importante de irradiação de tecnologia e de criação de empregos decentes. É também o mais exposto à concorrência internacional. Quando se decompõe a atividade segundo as categorias de uso, aparece um quadro especialmente sombrio. A produção de bens de consumo diminuiu apenas 1%, porque o governo reduziu impostos sobre veículos e eletrodomésticos e, além disso, o emprego e o poder de compra das famílias permaneceram elevados. A demanda foi em parte suprida por importações competitivas e isso explica o resultado negativo da atividade interna. Mas a fabricação de bens de capital encolheu 11,8%. Vale a pena, de novo, notar alguns detalhes. A produção de máquinas e equipamentos (nomenclatura do IBGE) recuou 3,6%. A de máquinas para escritório e equipamentos de informática recuou 12,7%. A de máquinas, aparelhos e materiais elétricos caiu 5,4%. A queda de produção do setor de bens de capital é um péssimo prenúncio. O investimento, como qualquer outro uso de recursos, influencia o crescimento a curto prazo, mas seu efeito mais importante é outro. O potencial de expansão da economia depende, a médio e a longo prazos, do valor investido em máquinas e equipamentos de vários tipos, em instalações de produção de bens e serviços e em infraestrutura (estradas, portos, armazéns, centrais elétricas, redes de transmissão e distribuição de energia e sistemas de comunicação). No Brasil, o total do investimento desse tipo, também conhecido como formação bruta de capital fixo, continua inferior a 20% do PIB. Em outros países latino-americanos, está nas vizinhanças de 30%. Na Ásia, há taxas maiores e até próximas de 40%, financiadas principalmente por elevados níveis de poupança interna. Também é muito importante o dinheiro investido em capital humano, isto é, o dinheiro aplicado nos vários tipos de educação e nos cuidados de saúde. Mas esses valores são raramente explicitados nas contas oficiais do investimento, assim como os recursos destinados à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos e processos. Mas os resultados são facilmente observáveis no desempenho das empresas e das economias nacionais. Em todos esses itens o Brasil fica muito atrás da maior parte dos demais países. Também é preciso levar em conta, naturalmente, a qualidade do investimento, um item quase sempre negligenciado nas avaliações da atividade econômica brasileira. Muito dinheiro perdido em maus projetos e corrupção acaba incluído na conta de investimentos. Economistas de várias instituições têm estimado em 3,5%, pouco mais ou menos, o potencial de crescimento econômico do Brasil. É um cálculo complicado e impreciso, mas um ponto é indiscutível: o potencial brasileiro, nesta altura, é muito menor que o de outros emergentes. Mas o governo insiste em políticas fracassadas, continuando a atribuir à crise externa e às ações de autoridades estrangeiras (a tal "guerra cambial", por exemplo) os males do Brasil.

Estudante de Chapecó teve alta e está na casa de amigos em Porto Alegre

O estudante Guilherme Ferreira da Luz, um dos sobreviventes do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, está na casa de amigos em Porto Alegre. De acordo com o tio e padrinho, Gilmar Bernardi, o jovem, que ainda está abalado com o ocorrido, teve alta do Hospital das Clínicas na sexta-feira. Desde a tarde do domingo, dia 27 de janeiro, Guilherme estava internado na UTI e respirava artificialmente. No início da tarde do dia 30, ele deixou o Centro de Tratamento Intensivo e foi para o quarto. Guilherme, que está no último período de Zootecnia na UFSM, conseguiu escapar do incêndio e depois ajudou a socorrer outras vítimas. O rapaz aparece em um vídeo ajudando a derrubar a parede da boate. No início da manhã de domingo, conversou com familiares e disse estar bem. Mas, quando voltou para casa, para tomar banho, começou a sentir-se mal. Por volta das 10 horas, vomitou. Às 15 horas, foi hospitalizado em Santa Maria e, às 22 horas, levado para Porto Alegre.

ATENTADO POLÍTICO PODE TER MATADO O GENERAL LINO OVIEDO NO PARAGUAI

O candidato à presidência do Paraguai Lino César Oviedo morreu na noite de sábado após a queda de um helicóptero. Ele participou de um ato político no estado de Concepción e retornava para Assunção, capital do país, no momento do acidente.Uma comitiva de militares e agentes de polícia especial foi enviada à área do acidente, na cidade de Concepción, onde foi encontrado o helicóptero acidentado e os três corpos carbonizados. O general foi vítima de claro atentado político. Lino Oviedo, aposentado militar, 69 anos, teve participação ativa no golpe de estado de 1989, que derrubou o ditador Alfredo Strossner. Desde então, havia adquirido um papel de primeira linha no cenário político do Paraguai.Em 1999, ele foi acusado de incitação ao assassinato do vice-presidente José María Argaña e de ser um dos idealizadores do massacre, que ocorreu durante os protestos populares em março daquele ano, e que levou à saída do presidente Raúl Cubas. Atualmente, Oviedo era candidato pelo partido União Nacional de Cidadãos Éticos (Unace) para as eleições gerais, marcadas para o dia 21 abril. Ele foi legitimado candidato em uma lista única ao lado do candidato a vice-presidente, Alberto Soljancic, após participarem das primárias ocorridas em dezembro do ano passado.