quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Banco do Brasil lança subsidiária para atender a brasileiros nos Estados Unidos


O Banco do Brasil vai iniciar nova fase de atuação nos Estados Unidos. E já começa pela inauguração do Banco do Brasil Americas, nesta sexta-feira, em Miami. No início do ano, o Banco do Brasil concluiu o processo de compra do Eurobank, banco de varejo que operava no estado norte-americano da Flórida. O Banco do Brasil remodelou o banco para ser lançado agora como uma subsidiária. O Banco do Brasil Americas tem três agências, localizadas nas regiões de Coral Gables, Pompano Beach e Boca Raton. Segundo o Banco do Brasil, o público atualmente atendido pela instituição compreende clientes norte-americanos, portugueses, hispânicos e uma pequena parcela de brasileiros. Os serviços oferecidos são conta-corrente, cartão de débito, cartão de crédito e poupança, além de 50 mil pontos de terminais de autoatendimento (em rede compartilhada) distribuídos por diversos estados, serviços de mobile banking e internet banking. “A estratégia do Banco do Brasil para o mercado norte-americano está voltada a atender integralmente à demanda por produtos e serviços financeiros dos mais de 1,5 milhão de imigrantes brasileiros residentes naquele país, além de dar suporte a empresas brasileiras com atividades nos Estados Unidos e clientes do segmento atacado”, informa o Banco do Brasil, que pretende inaugurar, nos próximos cinco anos, cerca de 20 agências em regiões com concentração de imigrantes brasileiros.

Divisão de votos sobre ex-ministro dos Transportes leva Supremo a impasse


Relator do processo do Mensalão do PT, o ministro Joaquim Barbosa pediu nesta quinta-feira a condenação de Anderson Adauto, ministro dos Transportes do governo Lula, pelo crime de lavagem de dinheiro. Mas, cinco integrantes do Supremo Tribunal Federal já o absolveram e o julgamento dessa acusação deve terminar empatado, segundo previsão dos próprios magistrados, quando o processo for retomado na segunda-feira. Além de Anderson Adauto, os ex-deputados petistas Paulo Rocha (PA) e João Magno (MG) foram absolvidos por metade do plenário. Dois ministros votaram pela condenação e devem ser seguidos pelos três restantes. Há duas correntes no Supremo. Uma defende que o empate beneficiaria o réu e ele seria absolvido. Outros argumentam que prevaleceria o voto proferido pelo presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto. Se prevalecer a segunda corrente, Adauto, Rocha e Magno serão condenados, pois Ayres Britto já indicou que votará nessa direção, assim como Celso de Mello e Gilmar Mendes. Confirmada essa projeção, o Supremo chegará ao segundo empate no processo. O ex-deputado José Borba (PMDB) foi condenado por corrupção passiva, mas aguarda desfecho sobre a acusação de lavagem de dinheiro. Os casos de empate devem ser solucionados no fim do julgamento, quando o plenário discutir as penas dos condenados. O relator do processo, ministro Joaquim Barbosa, e o revisor, Ricardo Lewandowski, devem adotar posições distintas. Para Lewandowski, o empate beneficia o réu, pois indica dúvidas. Joaquim  Barbosa já sinalizou que, para proteger a sociedade da prática do crime, o réu seria condenado. Anderson Adauto recebeu R$ 800 mil do valerioduto através de dois intermediários. O tribunal já havia absolvido o ex-ministro da acusação de corrupção passiva por unanimidade, por entender que ele não ajudou na cooptação de deputados do PTB. Resta a acusação de lavagem de dinheiro. Se for absolvido, sairá do processo ileso. Paulo Rocha, ex-líder do PT, foi beneficiado com o repasse de R$ 820 mil pelo empresário Marcos Valério, operador do Mensalão do PT. O dinheiro foi recebido por intermédio de dois assessores. João Magno recebeu R$ 360 mil também por meio de duas pessoas. Ambos são acusados somente do crime de lavagem. Os ministros que votaram pela absolvição disseram não haver provas de que eles sabiam que o dinheiro do valerioduto tinha origem criminosa. Por isso, não poderiam ser condenados por lavagem. Votaram nesse sentido, além de Lewandowski, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Marco Aurélio e Dias Toffoli. Entendimento oposto tiveram Joaquim Barbosa e Luiz Fux. Para o relator, os três praticaram crime, pois usaram intermediários e a engrenagem de distribuição de dinheiro oferecida pelo Banco Rural e pelo grupo de Marcos Valério. "Entendo que esses políticos só procuraram Delúbio Soares para pedir dinheiro porque sabiam que havia um vasto esquema de distribuição de dinheiro ilícito", disse ele. Joaquim Barbosa afirmou que "metade do Congresso" sabia da distribuição de propina pelo ex-tesoureiro. "A posição de destaque ocupada por Anderson Adauto, de ministro dos Transportes, reforça a conclusão de que tinha conhecimento da origem ilícita dos valores recebidos", completou. Já houve maioria de votos para inocentar o ex-deputado petista Professor Luizinho, que foi líder do governo Lula na Câmara. Pela acusação, ele teria recebido R$ 20 mil do esquema por intermédio de um assessor. Todos os ministros votaram pela absolvição por falta de provas. Eles também absolveram Anita Leocádia, ex-assessora de Paulo Rocha, e José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete de Adauto.

Pelo Brasil afora, 118 prefeitos eleitos estão sub judice


Eleitores de 118 cidades escolheram para a prefeitura candidatos com registros indeferidos ou cassados que ainda aguardam decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Eles aparecem com votação zerada na apuração, e o sistema da Justiça Eleitoral aponta como vencedores os segundos colocados. Mas, dados divulgados separadamente pelo tribunal mostram que, juntos, os candidatos barrados e eleitos somaram 1,1 milhão de votos. Ao todo, há 429 candidatos ao Executivo vetados e à espera do julgamento de recurso. Eles receberam 2,4 milhões de votos, anulados pelo Tribunal Superior Eleitoral. Se deferidos em última instância, os votos serão computados. As votações zeradas geraram fatos curiosos. Nas cidades de Cedro (PE), Monte Alegre (RN), Bom Jesus de Goiás (GO) e Cedro (CE), ainda não existe prefeito eleito porque os dois únicos concorrentes estão com os registros negados. Então, a pergunta: os eleitores não são sem-vergonha?

Justiça do Rio de Janeiro condena petista Lindbergh Farias por improbidade administrativa, ele já é ficha suja

Lindbergh Farias

O senador Lindbergh Farias (PT) foi condenado por improbidade administrativa e teve os direitos políticos suspensos, conforme a decisão da 10ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Como é um tribunal de segundo grau, a decisão já torna o senador petista um ficha suja, impedido de concorrer em eleições em 2014, e com direitos políticos cassados. A condenação diz respeito a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Estadual contra Lindbergh e a empresa Luxelen Montagens Elétricas Ltda, contratada sem licitação em março de 2005. Na época, ele era prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Pastor Silas Malafaia bota a boca no petista Fernando "Kit Gay" Haddad


O pastor Silas Malafaia acaba de gravar um vídeo para atacar de vez a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. No programa, Malafaia ataca a recente acusação de Haddad sobre a “instrumentalização das religiões” que estaria sendo feita por José Serra na campanha. Até o julgamento do Mensalão é citado no vídeo. "Quando algum líder evangélico apóia vocês é opinião, quando é do outro lado é fundamentalista religioso. O povo não é otário não, Haddad. Vocês que tentaram instrumentalizar políticos de outros partidos". (Lauro Jardim) Veja a fala do pastor Malafaia

Chalita deve ganhar ministério de Dilma


A reforma ministerial que será feita pela presidenta Dilma Rousseff (PT) após as eleições deve ter vaga para o deputado Gabriel Chalita (PMDB-SP), derrotado na disputa pela prefeitura de São Paulo. A vaga será em troca do apoio do PMDB de Chalita ao candidato do PT, Fernando "Kit Gay" Haddad, no segundo turno contra José Serra (PSDB). A adesão do PMDB à campanha de Haddad foi anunciada nesta quinta-feira, com a presença do vice-presidente da República, Michel Temer. A troca de vagas na Esplanada foi um dos assuntos discutidos na quinta-feira durante reunião de Dilma com o ex-presidente Lula, em São Paulo.

Filho de Kadafi deve ser enforcado, segundo Tribunal Penal Internacional


Seif Al Islam, de 40 anos, filho do ex-presidente da Líbia, Muammar Kadafi, deverá ser condenado à morte por enforcamento, informou o Tribunal Penal Internacional (TPI). O TPI e o governo da Líbia disputam o direito de julgar Islam, preso em Zenten (a 170 quilômetros de Trípoli, capital líbia), em novembro de 2011. A disputa também envolve o ex-chefe dos Serviços Secretos, Abdallah Al Senoussi, de 63 anos, extraditado da Mauritânia para a Líbia em setembro. Em maio, as autoridades líbias apresentaram requerimento para contestar a competência do TPI para julgar Islam, suspeito de crimes contra a humanidade. As duas partes apresentaram argumentos e nas próximas semanas deve ser anunciada uma decisão sobre o impasse. Para Melinda Taylor, do Tribunal, o julgamento de Islam na Líbia "não será movido pelo desejo de justiça, mas de vingança", e alertou para a possibilidade de o filho de Khadafi "definhar na prisão enquanto a Líbia tenta construir um sistema judiciário".

Geddel pediu que ex-candidato à prefeitura pelo PMDB deixe o partido


O ex-ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), afirmou no Twitter na manhã desta quinta-feira que pediu a Mário Kertész para deixar o partido. “Fui eu que ontem pedi a Mario Kertz que deixasse o PMDB, e fico feliz que ele tenha compreendido”, declarou Geddel em post na rede social. Em entrevista ao Bahia Notícias, publicada no último dia 24 de setembro, o radialista e ex-candidato à Prefeitura de Salvador, Mário Kertész, declarou que se não fosse para o segundo turno, retomaria suas atividades no Grupo Metrópole e deixaria a legenda. “Vamos trabalhar na suposição um pouquinho só, que eu não vá para o 2º turno, eu volto para a rádio, qual o problema? Nenhum. Primeiro, eu me desligo de qualquer atividade política partidária, porque eu disse que não queria reiniciar a minha carreira política. Estou fora do partido, volto para a rádio”, disse. O PMDB anunciou na quarta-feira o apoio ao candidato ACM Neto, do DEM, no segundo turno. Kertész, porém, decidiu seguir com Nelson Pelegrino (PT).

Servidora do Senado que insultou funcionário do TST tenta se justificar


A servidora do Senado que se irritou com um também servidor público, do Tribunal Superior Eleitoral, após ele ter consultado sua remuneração, acredita não ter se excedido na reação. Ela se referiu a ele como "fofoqueiro" e "bisbilhoteiro". Segundo a servidora, assim como o cidadão tem o direito de fazer a consulta, ela tem "direito de gostar ou não". A Diretoria-Geral do Senado informou que não pode manifestar posição oficial a respeito do caso, pois é necessário haver denúncia formal por meio da Ouvidoria. Fica evidente que o sistema de informática do Senado foi preparado para comunicar ao consultado que seus dados foram investigados. Isso é altamente comprometedor. O insultado foi Weslei Machado, do TSE. "Assim que começaram as discussões quanto ao aumento salarial no Judiciário, resolvi comparar nossa remuneração com as remunerações dos outros poderes", justifica. Sempre que um contribuinte entra na página do Senado e clica no nome de servidor para saber quanto ele ganha, conforme prevê a Lei de Acesso à Informação, o alvo da pesquisa é informado sobre quem está investigando seu salário. Isso funciona como uma ameaça ao cidadão comum, com o nítido objetivo de restringir os acessos.

Petista Gilberto Carvalho diz que adversários não se darão bem usando o Mensalão do PT


O ministro petista Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) afirmou nesta quinta-feira que os adversários do PT não conseguirão utilizar o julgamento do Mensalão para ganhar o segundo turno das eleições 2012. “Quem na eleição passada tentou usar temas morais para fazer campanha não se deu bem. Então, quem for inteligente não vai tentar fazer esse uso", disse ele. "Se o fizer, a população tem muita sabedoria para julgar e entender que o que vale é a prática de um projeto que está mudando o País, diminuindo a pobreza, que recolocou o Brasil em uma outra dimensão, e esse projeto ao ser levado para as prefeituras também tem dado muito certo", completou o camarada Gilberto Carvalho, para defender seu partido. Gilberto Carvalho era do secretariado do assassinado prefeito Celso Daniel em Santo André. Nas investigações surgiram informações de que a administração de Celso Daniel era corrupta, desviava dinheiro para o PT, e que esse dinheiro era entregue a José Dirceu, em malas conduzidas por Gilberto Carvalho.

Igreja Renascer apóia José Serra em São Paulo


A Igreja Renascer em Cristo anunciou nesta semana que vai apoiar José Serra à prefeitura de São Paulo. A igreja pertence ao apóstolo Estevam Hernandes e sua esposa, a bispa Sônia. Eles oficializaram a entrada na campanha de Serra depois de uma reunião da Confederação das Igrejas Evangélicas Apostólicas do Brasil, que reúne 5,5 mil pastores e 2,5 mil ministérios. A Confederação da Renascer apoiava Celso Russomanno (PRB) no primeiro turno.

Sindicato dos bancários é multado por propaganda favorável a Haddad


O Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região foi multado em R$ 5.000,00 por veiculação de propaganda ilegal em favor do candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, no jornal impresso da instituição. A decisão, que já havia sido tomada anteriormente em caráter liminar, foi confirmada pelo juiz da propaganda eleitoral Marco Antonio Martin Vargas em favor da Coligação Avança São Paulo (PSDB/PSD/DEM/PR/PV). A multa se refere a reportagem que apresentou os três candidatos que lideravam as pesquisas de opinião: Celso Russomanno (PRB), José Serra (PSDB) e Fernando Haddad (PT). Para o juiz, a matéria em questão “trouxe apenas aspectos negativos a respeito de José Serra, tratamento nitidamente oposto ao dado ao candidato Fernando "Kit Gay" Haddad, com destaque exclusivo das qualidades em favor deste.” Vargas determinou ainda a proibição de distribuição de novo material com conteúdo igual, bem como a veiculação do mesmo na internet.

Mortalidade por AVC cai 32% em dez anos entre pessoas com até 70 anos


Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 2000 e 2010, a mortalidade por acidente vascular cerebral (AVC) caiu 32% na faixa etária até os 70 anos, que concentra as mortes evitáveis. Apesar disso, a doença está entre as principais causas de morte e internação no País, segundo o próprio ministério, e, só em 2010, mais de 33 mil pessoas morreram em decorrência de AVC nessa faixa etária. A Organização Mundial de AVC (WSO) alerta que, no mundo, 15 milhões de pessoas têm AVC a cada ano, e, dessas, cerca de 6 milhões não sobrevivem. O presidente da WSO, Stephen Davis, na abertura do 8° Congresso Mundial de AVC, disse que esse problema “pode ser evitado, tratado e manejado a longo prazo”. O acidente vascular cerebral decorre da insuficiência no fluxo sanguíneo em uma determinada área do cérebro. Essa falta ou restrição no fornecimento de sangue pode provocar lesão ou morte celular e danos nas funções neurológicas. Além de provocar mortes, o AVC é a principal causa de incapacidade em adultos no mundo. A WSO recomenda, para saber se uma pessoa está tendo AVC, primeiramente, pedir que a pessoa sorria e que se observe se o sorriso está torto. Em seguida, verificar se ela consegue levantar os dois braços. Outro passo é verificar se há alguma diferença na fala, se está arrastada ou enrolada. Caso seja identificado algum desses sinais, deve-se procurar imediatamente um serviço de saúde.

A questão da lavagem de dinheiro, o que diz a lei e o tribunal dividido


Já discutimos a questão aqui. E ela volta a inflamar os ministros do Supremo: o que é, afinal de contas, lavagem de dinheiro? A questão foi suscitada pelo ministro Marco Aurélio de Mello, segundo quem está havendo uma interpretação muito vaga e elástica da lei. Nessas horas, não tem jeito, é preciso voltar ao texto. A lei pela qual estão sendo julgados os réus é a 9.613, de 3 de março de 1998 — que foi mudada depois pela 12.683, de 2012. Reproduzo o trecho que tem gerado o confronto de pontos de vista.
Art. 1º Ocultar ou dissimular a natureza, origem, localização, disposição, movimentação ou propriedade de bens, direitos ou valores provenientes, direta ou indiretamente, de crime:
I – de tráfico ilícito de substâncias entorpecentes ou drogas afins;
II – de terrorismo;
II – de terrorismo e seu financiamento; (Redação dada pela Lei nº 10.701, de 9.7.2003)
III – de contrabando ou tráfico de armas, munições ou material destinado à sua produção;
IV – de extorsão mediante sequestro;
V – contra a Administração Pública, inclusive a exigência, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, de qualquer vantagem, como condição ou preço para a prática ou omissão de atos administrativos;
VI – contra o sistema financeiro nacional;
VII – praticado por organização criminosa.
(…)
§ 2º Incorre, ainda, na mesma pena quem:
I – utiliza, na atividade econômica ou financeira, bens, direitos ou valores que sabe serem provenientes de qualquer dos crimes antecedentes referidos neste artigo;
(…)
Voltei
Noto que a nova lei, de 2012, tornou ainda mais severa a lei e aumentou a possibilidade de se punir alguém por lavagem à medida que simplesmente eliminou a lista de crimes antecedentes. Lava dinheiro quem faz qualquer daquelas coisas previstas no caput com dinheiro oriundo de “infração penal”. Adiante.
Qual é o ponto da discórdia? Querem alguns ministros — e, nesse julgamento, a questão foi originalmente posta pela ministra Rosa Weber — que a ocultação do dinheiro é o que se chama “exaurimento” do crime de corrupção passiva — vale dizer: tal procedimento está implícito no próprio recebimento ilegal de dinheiro. Condenar, nessas circunstâncias, alguém por lavagem também seria um caso de “bis in idem”, de dupla punição por um mesmo crime.
A outra linha
Qual é a outra linha, com a qual concordo, de que é expressão mais visível o ministro Luiz Fux? É aquela que se volta, entendo, a um só tempo, para a literalidade e para o espírito da lei. E aí é preciso ficar atento para as implicações do verbo “dissimular”.
Recupero uma formulação do ministro Ayres Britto que me parece sintetizar bem todas as condenações por lavagem havidas nesse processo. Prestem atenção: “Simular que não se recebeu um dinheiro não é necessariamente lavagem; dissimular que se recebeu o dinheiro não é necessariamente lavagem, mas SIMULAR QUE OUTRO RECEBEU O DINHEIRO, aí, não tem jeito: é lavagem”.
Muito bem! O que fizeram os políticos mensaleiros, quase todos? Participaram de um esquema de SIMULAÇÃO de recebimento de dinheiro por terceiros, de modo a ocultar, sim, tanto o recebimento em si como a origem criminosa dos recursos. Ou qualquer um deles tinha alguma dúvida sobre a ilegalidade daquela grana? Não fosse assim, por que toda aquela engenharia criminosa?
João Paulo Cunha
No fim das contas, o que se está discutindo é a terceira condenação do deputado João Paulo Cunha, o que fatalmente o empurra para a cadeia. Ele foi condenado por lavagem (além de corrupção passiva e peculato) por seis votos a cinco — Cezar Peluso, ainda no tribunal, o absolveu. Logo, se ninguém mudar o voto, condenado está. Mesmo que Teori Zavascki assuma a cadeira a tempo de participar do julgamento, não há o que fazer quanto a esse caso.
Muito bem! A mulher de João Paulo foi pessoalmente ao Banco Rural buscar o que se conhece do que ele recebeu do esquema: R$ 50 mil. Tivesse esse dinheiro entrado na conta de João Paulo, com a devida documentação legal, sem qualquer simulação de recebimento de terceiro, não haveria por que se cogitar de lavagem. Mas não foi isso o que aconteceu.
Seu nome ficou registrado só no gerenciamento paralelo da dinheirama movimentada por Marcos Valério. De fato, o cheque que originou o saque era da SMP&B. E o sacado era a SMP&B. É evidente que se está recorrendo a terceiros para simular que outro recebeu.
Entendeu até agora a maioria dos ministros, e eu estou com eles, que isso é, sim lavagem. Noto que, segundo o texto da lei pela qual estão sendo julgados, o branqueamento propriamente do dinheiro, o seu uso numa atividade legal e regular, é uma modalidade da lavagem, conforme especifica o parágrafo 2º.
Argumento ruim
O ministro Marco Aurélio Mello usou dois argumentos ruins, a meu ver, no seu combate ao entendimento da maioria até aqui. Em tom entre irônico e jocoso, advertiu os advogados criminalistas para o risco de serem acusados de lavagem ao defender um traficante, já que poderiam ser acusados, ao receber seus honorários, de dar aparência legal a um dinheiro de origem ilícita.
É uma ilação despropositada. Se o advogado em questão receber seus honorários segundo as leis e as regras, não há o menor risco de que isso venha a acontecer. Mas, ministro Marco Aurélio, se ele recorrer aos métodos dos mensaleiros, aí, parece, será lavagem, sim. Afinal, advogado de defesa não é cúmplice, como adverte meu colega Augusto Nunes.
Marco Aurélio disse ainda que uma interpretação que ele considera ruim dessa lei pode desmoralizar todo o julgamento. Vênia máxima ao ministro, por quem, frequentemente, tenho admiração, trata-se de um argumento meio terrorista — na verdade, uma bobagem.
Por Reinaldo Azevedo

Barbosa condena Adauto; Lewandowski anuncia que vai ler um resumo, já que seu voto tem “apenas” 250 páginas… Absolve todo mundo


Joaquim Barbosa condenou Anderson Adauto por lavagem de dinheiro e absolveu José Luiz Alves, concluindo o item VII. Lewandowski iniciou o seu voto. Anunciou, altaneiro, que seu voto sobre esse item — que conta com apenas seis réus e com uma única imputação (lavagem de dinheiro) — tem 250 páginas. Mas, generoso, vai fazer um… resumo! Que bom! Acaba de absolver Anita Leocádia, José Luiz Alves e Professor Luizinho. Nos considerandos, deixa claro que tende a absolver também Paulo Rocha, João Magno e Anderson Adauto.

Chalita, essa alma bondosa que só pensa em programa de governo, deve ganhar um ministério para apoiar Haddad! Um momento lindo!


O PMDB anunciou hoje o seu apoio à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Gabriel Chalita, o candidato derrotado, e Michel Temer, presidente do partido, estavam presentes. Tentaram emprestar à adesão a grandeza de um acordo maiúsculo, programático, coisa de gente séria. De fato, no acordo, está a promessa de que Dilma dará um ministério a Gabriel Chalita em troca do apoio. É espantoso! A tentativa de eleger Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo vai custar dois ministérios. Como se vê, vale tudo e qualquer coisa para derrotar Serra em São Paulo. Estamos diante de um caso escancarado de uso da máquina oficial em favor de um candidato. Ou vejamos. Acordos e coligações políticas, como lembrou ontem o ministro Ayres Britto, fazem parte do processo político. Lotear a administração para tentar obter um determinado resultado nas urnas é coisa de república bananeira. Dilma Rousseff, como se vê, não nega sua origem e sua natureza. A presidente já entregou o Ministério da Cultura a Marta Suplicy em troca de sua entrada na campanha em favor de Haddad. Agora garante que Chalita, essa alma bondosa, que só pensa no nosso bem, terá um assento na Esplanada em troca da adesão. (Reinaldo Azevedo)

Fux segue relator; absolve três e condena três por lavagem de dinheiro


Luiz Fux também acabou antecipando o voto. Absolveu Anita Leocádia, José Luiz Alves e Professor Luizinho e condenou Anderson Adauto, Paulo Rocha e João Magno. Seguiu, então, o relator.

TARSO GENRO VAI PRIVATIZAR CONSTRUÇÃO DE AEROPORTO, ESTRADAS, HIDROVIAS - NÃO SE FAZ MAIS PT COMO ANTES


Para destravar a infraestrutura gaúcha, o governador do Rio Grande do Sul, o peremptório petista Tarso Genro, depois de dois anos de paralisia quase total, resolveu apelar para o capital privado, e vai lançar ainda este mês um pacote de privatizações abrangendo as áreas de transportes, hidroviário, aéreo e terrestre. Como o governo não tem dinheiro, o petista Tarso Genro também vai privatizar, como faz Dilma Rousseff. Assim será construído o novo aerporto metropolitano, em uma área entre Nova Santa Rita e Portão. Finalmente o governo se rendeu ao fato de que o Aeroporto Salgado Filho não pode ter sua pista aumentada, porque seria preciso remover cerca de um milhão de toneladas de lixo antes de construir a base para o aslfaltamento desse prolongamento de 900 metros. Na cabeceira da pista do Salgado Filho tem um imenso lixão, com cerca de 15 milhões de toneadas de lixo, que se constitui no maior passivo ambiental do Estado do Rio Grande do Sul, instalado bem dentro da capital gaúcha. É pagar para ver se isso tudo não ficará exclusivamente no papel, mais um plano de papel do governo petista.

Ministro Ayres Britto afirma: "Esquema do Mensalão serviu para manter projeto de poder do PT"


O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ayres Britto, afirmou nesta quarta-feira, ao condenar ex-ministro José Dirceu e os chamados núcleos político e publicitário por corrupção na ação penal do Mensalão do PT, que o esquema serviu para manter um projeto de poder do PT. Com a posição do presidente, José Dirceu obteve oito votos pela condenação, contra dois de absolvição. José Genoino, ex-presidente do PT, teve nove votos pela condenação e apenas um pela absolvição. O ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, o empresário Marcos Valério e seus sócios Ramon Hollerbach e Cristiano Paz, além da funcionária Simone Vasconcelos, foram condenados por unanimidade pela Corte. Geiza Dias, funcionária de uma agência de Marcos Valério, e o -ex-ministro dos Transportes, Anderson Adauto foram inocentados por Ayres Britto, que ainda condenou o ex-advogado de Valério, Rogério Tolentino. Em seu voto, o presidente da Corte afirmou que José Dirceu teve papel central, de organizador, do esquema de compra de apoio parlamentar e, no governo, era "plenipotenciário". "José Dirceu era de fato o primeiro-ministro do governo instalado a partir de 2003... Ele deixa claro (em seu depoimento) que tudo passava pelas mãos dele", afirmou o ministro. "José Dirceu não fazia relatórios, alguém fazia relatórios para ele", completou. Para o presidente da Corte, o esquema serviu para manter um projeto de poder do PT, que ia "muito além de um quadriênio quadruplicado". Sobre Marcos Valério, indicado como o operador do esquema, Ayres afirmou que era "praticamente impossível não saber que lidar com ele era participar de um sofisticadíssimo esquema de corrupção ou de, no mínimo, lavagem de dinheiro". Ayres chamou Rogério Tolentino de "advogado e parceiro mercantil" de Marcos Valério e Simone de "sua tesoureira". Ao votar pela condenação de José Genoino, Ayres disse ainda que ele participou dos atos, mesmo tendo papel menor do que outros integrantes: "O papel de centralidade de José Genoino está abaixo do papel de centralidade de José Dirceu". Ayres Britto, assim como os demais ministros, fez uma longa explanação sobre o esquema, que provocou a pior crise do governo Lula. "Este estilo de fazer política é que o ordenamento político brasileiro excomunga", disse ele, chamando ainda de "catastrófico modo de fazer política partidária".