terça-feira, 1 de maio de 2012

Justiça gaúcha determina redução obrigatória de presos no Presídio Central de Porto Alegre

A partir desta terça-feira, conforme decisão do juiz Sidinei Brzuska, da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, só poderão ingressar no Presídio Central da capital gaúcha, o pior do sistema penitenciário brasileiro, presos provisórios. Ele não poderá mais receber criminosos condenados. A regra não vale para os condenados que já estão no Central, apenas para os que forem capturados nas ruas. Agora eles serão enviados para as penitenciárias Estadual do Jacuí (PEJ) e Modulada de Charqueadas, ambas no município de Charqueadas. Quando foi inaugurado, em 1959, o Presdio Central só deveria abrigar presos não condenados. Hoje tem mais presos condenados (2.506) do que provisórios (2.100).

Plataforma de petróleo da Transocean é estabilizada

A plataforma de perfuração da empresa Transocean, que havia adernado cerca de três graus no sábado à noite na Baía de Guanabara, foi estabilizada. Em nota, a Transocean informou que a entrada de água em uma das pernas da plataforma, que havia causado o desnível, já havia parado e que todo o líquido estava sendo bombeado para fora. Ainda de acordo com a nota, a GSF Arctic 1 estava na Baía de Guanabara para passar por uma manutenção já programada. Segundo a empresa, as causas do incidente estão sendo investigadas. A Transocean informou que todos os empregados que haviam deixado a plataforma no sábado à noite, voltaram à embarcação, mas não disse quantos eles eram. Em nota divulgada no domingo, a Capitania dos Portos afirmou que "o fato não causou poluição hídrica e não causa risco à navegação".

Equador indenizará Petrobras com US$ 217 milhões por final de contrato

O Equador indenizará à Petrobras com US$ 217 milhões pelo fim unilateral de um contrato petroleiro que a empresa brasileira tinha com o Estado equatoriano, anunciou nesta segunda-feira o ministro de Recursos Naturais Não-Renováveis, Wilson Pástor. Desde novembro de 2010, era negociada uma compensação pelos ativos da companhia, que não aceitou as condições exigidas pelo governo às petrolíferas para seguir operando no país. "Chegamos a um acordo que poderá se concretizar nas próximas semanas. Estamos falando de um montante de US$ 217 milhões em duas parcelas", disse Pástor. Em julho do ano passado, o ministro afirmou que a companhia tinha aproximadamente US$ 160 milhões de investimento não amortizado no Equador e que reivindicava uma rentabilidade. O presidente do Equador, Rafael Correa, antecipou no último sábado que estava definido o pagamento à Petrobras, mas não informou detalhes da indenização. A estatal brasileira é a companhia que pedia a maior compensação pelo fim de seu contrato, já que seu volume de produção era de 18 mil barris por dia.

Odebrecht assume parte da Delta na reforma do Maracanã

A construtora Odebrecht assumirá os 30% da participação da Delta no consórcio que reforma o Maracanã para a Copa de 2014. Com isso, ficará com 79% da sociedade, e a Andrade Gutierrez manterá seus 21%. A decisão encerra a negociação para a saída da Delta da obra do governo do Estado do Rio de Janeiro, orçada em R$ 860 milhões e que tem o prazo de fevereiro de 2013 para ficar pronta. A empreiteira também já saiu de outra obra de infraestrutura da Copa e da Olimpíada de 2016, a primeira fase da via expressa Transcarioca, que será completada só pela Andrade Gutierrez. Esse contrato, de R$ 798 milhões, é da Prefeitura do Rio de Janeiro.

Chávez volta a Cuba para último ciclo de radioterapia

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, partiu na segunda-feira para Cuba, onde será submetido à "reta final" da radioterapia contra um câncer, revelou o próprio líder. Chávez embarcou no avião acompanhado por sua filha mais velha, Rosa Virginia, segundo imagens do canal estatal VTV. O presidente, que deve permanecer ao menos cinco dias em Cuba, foi levado ao aeroporto por alguns de seus ministros mais próximos. "Devo retornar nas próximas horas a Havana, estamos na reta final do tratamento correspondente à radioterapia", disse Chávez ainda no Palácio de Miraflores: "Estes não são dias fáceis, mas guerreiros existem para enfrentar a adversidade e com a fé em Deus, em Cristo Redentor e com esse amor imenso do povo venezuelano e com esta vontade de lutar, viver e vencer, nós seguiremos adiante". O presidente havia retornado à Venezuela na madrugada de quinta-feira, após permanecer onze dias em Havana para sessões de radioterapia contra a recorrência do câncer que teve diagnosticado pela primeira vez em 2011.

Ministro do Esporte visitará Valcke

Uma reunião em Zurique marcará a retomada das relações entre o governo brasileiro e o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, após as declarações do cartola de que o País deveria levar um chute no traseiro para acelerar as obras da Copa-2014. Em 8 de maio, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, encontrará com o dirigente e com o presidente da entidade, Joseph Blatter, para discutir a preparação para o Mundial e para a Copa das Confederações de 2013. O principal tema do encontro será a competição do próximo ano cujas sedes terão de ser definidas até junho. Assim como nos últimos meses, quando a Fifa pressionou o governo, as obras nos estádios estão longe de cumprir o cronograma inicial, que previa o término em 2012. Ainda assim, o COL (Comitê Organizador Local), que também estará em Zurique, verificou aceleração de obras em Salvador e Recife e já tende a apoiar a inclusão delas na Copa das Confederações. O Maracanã está dentro por decisão política da Fifa, já que o andamento das obras também indica que não ficará completamente pronto para essa competição.

Leão Ambiental vence licitação da Prefeitura de Ribeirão Preto

A empresa Leão Ambiental S/A venceu novamente a licitação da limpeza urbana de Ribeirão Preto. O valor do contrato é de R$ 32,4 milhões e é válido por 12 meses ou até que a administração conclua a PPP (Parceria Público-Privada) para o setor. A abertura dos envelopes da licitação, realizada por pregão presencial, foi feita na segunda-feira e o resultado publicado no Diário Oficial do Município. Também participaram da concorrência as empresas Sanetech e Alfa Ambiental. A Leão Ambiental já é responsável pelo serviço na cidade. De acordo com o edital, entre os serviços a serem prestados pela empresa estão os de coleta de lixo domiciliar, lavagem manual e mecanizada de ruas, limpeza e desinfecção de feiras livres e transporte e destinação final de resíduos sólidos domiciliares.

Bank of America demitirá 2.000 funcionários de alto escalão

O Bank of America (BoA) planeja demitir 2.000 funcionários de alta renda em suas divisões de banco de investimentos, banco comercial e gestão de ativos não-americanos, informou nesta terça-feira o "The Wall Street Journal". Estas operações apresentaram uma grande expansão após a compra do Merrill Lynch em 2009 e a redução de postos prevista é significativa devido ao desempenho dessas contas para boa parte dos ingressos do banco, disse o jornal. A estes cortes se soma a eliminação de 30 mil postos de trabalho do banco de varejo em três anos, anunciada em setembro passado, como parte de um plano para reduzir em US$ 5 bilhões os custos da empresa e restaurar a confiança dos investidores. O último corte de empregos planificado se produz em um momentos em que o BoA enfrenta uma onda de deserções de funcionários de alto escalão e de outros negócios institucionais. O BoA informou redução no lucro líquido do primeiro trimestre, devido ao impactado de encargos contábeis relacionados à dívida do banco. A instituição apresentou lucro líquido de US$ 653 milhões no trimestre, contra US$ 2,05 bilhões no mesmo período do ano anterior.

Alckmin não descarta rever contratos da Delta em São Paulo

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou que não descarta rever os contratos firmados pelo Estado com a construtora Delta, investigada por envolvimento com o empresário Carlinhos Cachoeira. "Os contratos sempre são analisados. É sempre bom rever, analisar. Isso é sempre positivo", afirmou em Ribeirão Preto. O governo disse ter hoje três contatos com a Delta, no valor de R$ 75,9 milhões. De 2003 a abril deste ano, já repassou R$ 281 milhões à empreiteira. O maior contrato foi assinado em 2009 para a ampliação da marginal Tietê, licitação de R$ 287 milhões. O contrato foi aditado para R$ 358 milhões, 24,9% acima do valor inicial. Deputados estaduais do PT pediram abertura de investigação pelo Ministério Público Estadual.

Gravações da Polícia Federal indicam ligação de jogador Túlio com Cachoeira

Diálogo interceptado pela Polícia Federal mostra o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tratando com um integrante do seu grupo sobre um contrato de R$ 30 mil para o atacante e ex-vereador Túlio Maravilha. Segundo a Polícia Federal, Túlio teria montado um esquema de funcionários fantasmas na Câmara Municipal de Goiânia. O advogado de Túlio afirma que o valor refere-se a uma doação eleitoral feita por Cachoeira à campanha de deputado estadual do jogador em 2010. O atacante renunciou no ano passado ao cargo de vereador de Goiânia para continuar jogando futebol. Próximo do milésimo gol na carreira, segundo suas contas, Túlio joga pelo Tanabi, que disputa a quarta divisão do Campeonato Paulista.

Novo ministro, Brizola Neto diz que PDT "tende a marchar pela unidade"

Anunciado na segunda-feira como o novo ministro do Trabalho, Brizola Neto (PDT) afirmou nesta terça-feira que o seu partido "tende a marchar pela unidade". "A grande questão agora é a unidade partidária. É importante o partido dar sinalização de unidade. Creio que não teremos dificuldade porque existem questões maiores a nos unir do que divergências desse processo de escolha do ministro", afirmou o novo ministro, que participou das comemorações do Primeiro de Maio em São Paulo. "Este primeiro momento é de buscar reafirmar a unidade do partido em torno do fundamental, que a nossa identidade e o apoio ao governo Dilma", disse Brizola Neto. "A divergência é resultado do processo natural da escolha. Com o desfecho dessa questão, o partido tende a marchar no caminho da unidade". Brizola Neto assumirá o posto de ministro mais novo da Esplanada. Neto de Leonel Brizola, fundador do PDT e ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, o deputado exerce o segundo mandato na Câmara dos Deputados. Chegou a liderar o PDT em 2009 e teve uma atuação sempre fiel ao governo. Em 2011, se licenciou da Câmara para exercer o cargo de secretário de Trabalho e Renda do Rio de Janeiro. Ele tem um linguajar fascistóide em seu blog na internet, exigindo represálias contra a imprensa e fazendo uma irrestrita defesa do governo Dilma, o que mostra que sua indicação para o ministério representará a total domesticação do PDT pelo PT.

Demitido da CBF, tio de Ricardo Teixeira diz ter sido alvo de mineiros

Marco Antonio Teixeira, ex-secretário geral da CBF, demitido pelo sobrinho Ricardo Teixeira, foi sondado para voltar a trabalhar no futebol. Ele afirma já ter recebido sete propostas, mas pretende responder somente no final do mês. As ofertas têm a ver com ocupar cargos executivos junto a clubes de futebol. Uma das agremiações que o procuraram tem como base Minas Gerais. O prazo pedido pelo cartola coincide com o final dos três meses que resolveu dedicar integralmente ao descanso. Marco Antonio foi demitido da CBF em janeiro, dois meses antes de Ricardo Teixeira deixar o controle da entidade.

PSDB quer convocar Cabral para depor na CPI do Cachoeira

O deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), representante do partido na CPI do Cachoeira, deve protocolar nesta quarta-feira na secretaria da comissão um pedido para a convocação do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB). O PSDB diz que pretende apurar uma suposta conexão entre a amizade de Cabral com o dono da Delta, Fernando Cavendish, e o aumento dos contratos entre a construtora e o Estado do Rio de Janeiro. A Delta virou um dos focos da CPI devido à relação de executivos da empresa com o empresários Carlos Cachoeira, investigado pela Polícia Federal. "Diante de tantas denúncias da íntima relação de Cavendish com o governador, a sociedade do Rio de Janeiro exige esclarecimentos", disse o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ). Desde sexta-feira, o deputado federal e ex-governador fluminense Anthony Garotinho (PR), rival político de Cabral, veicula em seu blog fotos e vídeos que mostram Cabral e parte do seu secretariado confraternizando com Cavendish em viagens à França e a Mônaco. Desde que Cabral assumiu, em 2007, a Delta recebeu do Estado R$ 1,16 bilhão, o triplo dos cinco anos anteriores.

No Dia do Trabalho, Cuba reafirma mudanças no socialismo

As comemorações de Primeiro de Maio em Cuba nesta terça-feira tiveram o tradicional desfile da massa, mas com novidades: a participação de trabalhadores do setor privado da ilha e a unidade em torno da "atualização" do modelo econômico socialista. O presidente Raúl Castro liderou o ato principal no Dia dos Trabalhadores na Praça da Revolução de Havana, onde ocorreu a marcha. O setor da saúde cubana abriu o desfile atrás de um cartaz com o lema "Preservar e aperfeiçoar o socialismo". No entanto, foi o secretário-geral da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), Salvador Valdés, quem fez o discurso principal, centrado em "reafirmar" o compromisso com as reformas econômicas empreendidas no país. "Os trabalhadores e o movimento sindical são os principais protagonistas na tentativa de materializar a atualização do modelo econômico cubano", afirmou o líder sindical. Valdés reconheceu que a "batalha econômica" não está isenta de "obstáculos e dificuldades" e pediu o aumento da produção e produtividade, além do combate à corrupção e à indisciplina social. O líder também exigiu o fim do bloqueio que os Estados Unidos mantém sobre a ilha há 50 anos e reivindicou liberdade para os cinco agentes cubanos condenados no país. No entanto, o líder sindical não mencionou a reforma trabalhista empreendida no país para diminuir o setor estatal. O governo de Raúl Castro pretende eliminar 500 mil empregos públicos de forma progressiva até 2015. Já foram suprimidos 140 mil postos estatais e, nesse ano, serão mais 110 mil. Uma das alternativas sugeridas aos demitidos é o trabalho autônomo, outra medida das reformas econômicas do general Raúl Castro, que concedeu uma tímida abertura à iniciativa privada. Contudo, a principal novidade do Primeiro de Maio deste ano foi a participação de trabalhadores do setor privado no desfile. Estima-se que 80% desse grupo esteja filiado ao movimento sindical depois da aprovação da CTC de uma política para sindicalizar os autônomos, em 2010.

Argentina de olho no dinheiro da China

O assalto do governo argentino à empresa petroleira privada YPF, até então pertencente à espanhola Repsol, pôs fim às embrionárias negociações pelas quais a multinacional chinesa Sinopec pretendia adquirir a maioria das ações da companhia agora estatizada. Também não seguiu adiante o suposto interesse da Sinopec em comprar a YPF estatizada — um portal de notícias econômicas chinês chegou a afiançar que a oferta chegaria a 15 bilhões de dólares. O que não arrefeceu foi o interesse das multinacionais chinesas da área, todas estatais, pela joia da coroa que a YPF, ainda em mãos da Repsol, descobriu em novembro de 2011: a grande reserva petrolífera de Vaca Muerta, na província de Neuquén, na Patagônia argentina — onde também atua, entre outras empresas estrangeiras, a Petrobras. Foi a maior descoberta de petróleo da história da Repsol. E provavelmente o fato que deu o empurrão final na cobiça que o governo da presidente Cristina Kircher já revelava em relação à YPF, ex-estatal privatizada em 1999. A formação geológica de Vaca Muerta se estende por 30 mil quilômetros quadrados, dos quais a YPF tinha concessão para explorar 12 mil. Apenas em 8 mil quilômetros desses 12 mil, chegou-se a estimar que possa haver 21,1 bilhões de barris de petróleo. Imagine-se o potencial da formação inteira. Calcula-se que a exploração de Vaca Muerta requeira 5 bilhões de dólares anuais, no mínimo, pelos próximos cinco anos, dinheiro que a Argentina não tem nem em sonhos. É aí que entrariam as gigantes chinesas: China Petrochemical Corporation (Sinopedc), China Petroleum Corporation (Cnpc) e China National Offshore Oil Corporation (Cnooc). A Cnoc dificelmente terá chances em uma eventual negociação com o governo de Cristina Kirchner, já que possui desde 2010 uma parcela de 50% das ações do grupo argentino Bridas, controlador da segunda maior empresa de petróleo argentina, a Pan American Energy. (Ricardo Setti)

Governo irá promover interligação ferroviária, afirma presidenta Dilma

Na edição da coluna Conversa com a presidenta Dilma desta terça-feira a presidenta Dilma Rousseff afirmou que o governo está realizando investimentos no setor ferroviário para promover interligação ferroviária entre todas as regiões do País. Sobre o uso de ferrovias como alternativas para transporte de longa distância, a presidente respondeu que em 17 anos, entre 1986 e 2002, foram construídos apenas 215 quilômetros de linhas férreas. Nos últimos nove anos, foram entregues 753 quilômetros. “Em 17 anos, entre 1986 e 2002, foram construídos apenas 215 km de linhas férreas. Nos últimos nove anos, entregamos 753 km. Com a ampliação da malha que estamos promovendo, haverá uma participação muito mais efetiva das ferrovias na matriz de transportes do Brasil”, disse a presidente.

Indio cocaleiro Evo Morales nacionaliza companhia espanhola na Bolívia

O presidente boliviano, o índio cocaleiro Evo Morales, nacionalizou nesta terça-feira a Transportadora de Eletricidade S.A. A companhia é gerida pela Rede Elétrica Internacional, filial do Grupo Rede Elétrica, da Espanha. Morales ordenou também às Forças Armadas que ocupem “as instâncias e a administração” da empresa. “O presente decreto supremo tem por objetivo nacionalizar a favor da ENDE (Empresa Nacional de Eletrificação), representante do Estado Plurinacional, o pacote acionário em mãos da sociedade Rede Elétrica Internacional na Empresa Transportadora de Eletricidade”, declarou em um ato público. Fundada em 1997, a TDE possui 73% das linhas de transmissão do país, de acordo com sua página oficial na internet. Aproximadamente 99,94% de seu capital estava com a Rede Elétrica Internacional e 0,06% pertencia aos trabalhadores da companhia, segundo a mesma fonte.

Juiza argentina quer exumação do corpo de Jango Goulart

A morte do ex-presidente João Goulart no seu exílio na Argentina, em Mercedes, atribuído a causas naturais, poderá sofrer uma releitura surpreendente, caso a Justiça do Brasil acolha a decisão tomada pela juiza Gladis Borda, que na sexta-feira ouviu o neto de Jango, Christopher, que defendeu a exumação do corpo do avô para a realização de autópsia, porque a família acha que houve um assassinato político em 1976. Christopher Goulart viajou na semana passada para a Argentina. Há vários anos os familiares denunciam o assassinato, que teria sido praticado a mando dos militares brasileiros que governavam o Brasil na época e que exilaram Jango. As denúncias na Justiça do Brasil nunca progrediram. O caso ganhou proporções depois que o ex-espião uruguaio Mário Barreiro confessou no presídio de Charqueadas (RS) que participou da conspiração que conduziu à troca de medicamentos que Jango tomava para tratar seus problemas cardíacos. Caso a perícia ocorra, ela será feita por profissionais da Argentina. Num caso extremo, o julgamento dos assassinos ocorrerá na Argentina, onde a Lei da Anistia não protege antigos ditadores.

Deputado usou cargo para agilizar vistos do grupo de Cachoeira

Gravações feitas pela Polícia Federal apontam que o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) usou o prestígio do cargo de presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara para agilizar a emissão de vistos internacionais a pedido do grupo do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Cachoeira, preso na Operação Monte Carlo sob a acusação de comandar um esquema de jogo ilegal, acionou Leréia para conseguir um visto para sua sogra Meire Alves Mendonça e uma babá viajar aos Estados Unidos no ano passado. O tucano também teria obtido vistos para familiares do ex-vereador Wladimir Garcez (PSDB), apontado como operador do esquema. Leréia é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal que apura suas ligações com Cachoeira. As gravações mostram Cachoeira celebrando a posse do deputado como presidente da comissão de Relações Exteriores em 2 de março de 2011: “Você agora é o homem dos vistos, é?” O deputado brinca e cita o episódio envolvendo os passaportes aos filhos do ex-presidente Lula. “Rapaz, o primeiro que quero chamar é o Lula pra depor. Aquele negócio dos vistos dos filhos dele. Vou falar ‘o Lula vem cá, vamos fazer um acordo’. O pessoal perguntou se falo inglês, falei ‘estudei junto com o Lula, somos colegas de turma’”. Às 17h10 de 27 de abril, Leréia e Cachoeira comentam a emissão do visto de Meire Mendonça, mãe de Andressa, sua mulher. “Quando que ela tem a viagem dela, tá previsto pra quando?”, questionou Leréia. “Você põe aí Leréia a viagem dela quando liberar o visto aí”, disse Cachoeira. O deputado disse: “Vou antecipar pra ela aqui. 9 de maio não sei se dou conta, vou viajar. A data do dia 20 de maio dou conta. Tá bom né?”. No mesmo diálogo o deputado cita o visto da filha de Wladimir Garcez: “A do Wladimir também tô resolvendo dele aqui”. Cachoeira respondeu que, como a filha de Garcez já tinha conseguido o documento, era preciso cuidar do visto de sua sogra e da babá Elisângela. Leréia deixou a presidência da comissão no mês passado.

Polícia Federal apura ligação do grande patriota e agora colunista Delúbio Soares com fraude no Espírito Santo

Em Presidente Kennedy, no litoral sul do Espírito Santo, a Justiça determinou no mês passado a prisão do prefeito e afastou o vice e quatro dos nove vereadores da Câmara. A decisão foi o primeiro resultado de uma operação da Polícia Federal, batizada de Lee Oswald (assassino do presidente norte-americano John Kennedy em 1963), contra esquema de fraude a licitações e desvio de verbas que envolveria empresários e administradores da cidade. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público estadual encontraram indícios, no entanto, que Presidente Kennedy, distante 150 quilômetros de Vitória, seria apenas a ponta de um esquema que se espalha por outros municípios do Espírito Santo, Goiás, Bahia, Minas Gerais e São Paulo. Em dado momento, apareceu nas investigações o nome do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, um dos réus do processo do mensalão. Delúbio teria discutido formas de vender a outras cidades lousas digitais, um dos focos de fraude apontados. De acordo com denúncia do Ministério Público, os atos criminosos eram liderados pelo prefeito de Presidente Kennedy, Reginaldo Quinta (PTB). Os vereadores afastados seriam responsáveis por evitar que os contratos fossem fiscalizados. A Controladoria Geral da União calcula que R$ 55 milhões foram desviados.Um dos casos diz respeito a contrato de pouco mais de R$ 1 milhão para instalar três lousas digitais nas três escolas do município, mediante aluguel mensal de R$ 101 mil.

CPI do Cachoeira convidará Gurgel para ir à comissão

O presidente e o relator da CPI do Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) e o deputado federal Odair Cunha (PT-MG), vão fazer um convite nesta quarta-feira para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, compareça à comissão parlamentar que tem por objetivo investigar as relações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, com agentes públicos e privados. O encontro de Vital e Cunha está marcado para as 10 horas na sede do Ministério Público Federal, em Brasília. A dupla pretende fazer o convite para que Gurgel explique posteriormente à CPI, entre outros assuntos, o motivo pelo qual demorou três anos para abrir uma investigação contra o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) por envolvimento com Cachoeira no Supremo Tribunal Federal. A decisão da dupla é um gesto político que procura evitar que a comissão vote requerimentos que pretendem convocar o chefe do Ministério Público. No caso do convite, ele pode ser declinado. Já uma convocação para uma CPI não pode ser recusada. Na semana passada, durante a primeira reunião de trabalho da comissão, o senador Fernando Collor (PTB-AL) quis convocar Gurgel. Petistas demoveram-no da idéia de pedir a votação do requerimento.

PMDB tenta evitar convocação de Sérgio Cabral na CPI do Cachoeira

Integrantes da cúpula do PMDB começaram a se mobilizar no fim de semana para tentar blindar o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), e evitar que seja aprovada sua convocação para depor logo no início dos trabalhos. Dirigentes peemedebistas não escondiam na segunda-feira o desconforto e a preocupação com a superexposição das relações de Sérgio Cabral com o dono da Delta, Fernando Cavendish, em fotos divulgadas pelo ex-governador e deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ). A avaliação feita em conversas reservadas era de que a CPI começa a caminhar com as próprias pernas, e que a cúpula do PMDB terá que rever sua estratégia inicial de se manter à margem da CPI que nunca quis. Por isso, apesar do feriado, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), chegou a Brasília para uma reunião com o presidente licenciado do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e com o presidente da CPI, Vital do Rêgo (PMDB-PB), para discutir como conduzir o caso e não deixar que o foco da CPI extrapole o objeto de sua criação: o esquema Carlinhos Cachoeira, Delta e o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO). A preocupação é com o descontrole das investigações além dos limites dos negócios da Delta no Centro-Oeste, que podem atingir os governadores Marconi Perillo (GO) e Agnelo Queiroz (DF). O governador do Distrito Federal é o único que já tem pedido de inquérito aberto pelo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sob a alegação de que assessores receberam propina para facilitar contratos em seu governo. Marconi Perillo é acusado de relações estreitas com o grupo de Cachoeira e Demóstenes, que teriam indicado servidores em postos de alto escalão em seu governo. Mas não há ainda inquérito ou gravações que o incriminem diretamente. Um dos representantes do PMDB na CPI, o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES) disse, num primeiro momento, que seria inevitável a convocação de Cabral. "Será uma oportunidade para ele se explicar sobre as denúncias de que privilegiou a Delta por ser amigo do Fernando Cavendish. Não faria sentido chamarmos outros governadores acusados de envolvimento na teia da CPI, como o Perillo e o Agnelo, e deixarmos o Cabral de fora só porque pertence ao PMDB ou porque governa o Rio de Janeiro”, declarou Ferraço no domingo. Nesta segunda-feira, depois da mobilização da cúpula peemedebista, Ferraço estava mais cauteloso, alegando que Garotinho estava fazendo disputa política: “O Renan me deu liberdade para agir de acordo com minhas convicções. E minha convicção é que não vou ser instrumento de lutas regionais. Pode tirar o Garotinho da chuva!” Nas conversas de bastidores, peemedebistas avaliaram que a situação de Cabral se complicou muito no final de semana com a divulgação dos vídeos e fotos.

Começa o processo de compra do Aerodilma, ou "Vassoura Fantasma"

O governo federal reabriu a compra de um novo avião presidencial, processo que estava parado desde que Dilma Rousseff tomou posse, no ano passado. O futuro avião, apelidado informalmente de Aerodilma, mas também já conhecido na rede da internet como "Vassoura Fantasma", será maior e terá maior autonomia do que o atual Aerolula, e poderá custar quase seis vezes mais. No mês passado, a FAB emitiu dois pedidos de informação, a primeira etapa da compra: um para a aquisição de um avião de transporte VIP e outro para uma aeronave de reabastecimento aéreo. Três empresas poderão fazer ofertas: a Airbus europeia, a Boeing norte-americana e a IAI israelense, que não fabrica aviões, mas adapta modelos usados. O custo é o problema: tanto o avião-tanque quanto o VIP novos podem sair por quase US$ 300 milhões (R$ 570 milhões) cada; modelos usados, um terço do preço. Enquanto a decisão política não sai, a FAB adianta o processo. Além disso, a Força espera para este semestre a definição da compra dos seus novos caças, um negócio que pode chegar a R$ 10 bilhões. A troca do avião presidencial é tema sensível. Com 8.500 km de autonomia, o A319 não voa de Brasília à Europa, necessitando de uma escala. Para a Ásia, são duas paradas. Versões de transporte VIP dos jatos Boeing-777 e Airbus-A340, que têm custo similar ao A330MRTT, mas não são aviões-tanque, podem chegar a 17 mil quilômetros sem escalas, ligando quase todos os aeroportos do mundo diretamente.

Juiz extingue ação contra pastor Malafaia e deixa claro, ele não foi homofóbico

O juiz federal Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível de São Paulo, extinguiu ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal contra o pastor Silas Malafaia, da Assembléia de Deus, contra a TV Bandeirantes e também contra a União. No programa “Vitória em Cristo”, Malafaia criticou duramente a parada gay por ter levado à avenida modelos caracterizados como santos católicos em situações homoeróticas. Malafaia afirmou o seguinte: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, sabe? Baixar o porrete em cima pra esses caras aprender. É uma vergonha!” Acionado por uma ONG que defende os direitos dos gays, o Ministério Público Federal recorreu à Justiça, acusando o pastor de estar incitando a violência física contra os homossexuais. O que queria o Ministério Público Federal? Na prática, como entendeu o juiz Victorio Giuzio Neto, a volta da censura. Pedia que o pastor e a emissora fizessem uma retratação e que a União passasse a fiscalizar o programa. A decisão é primorosa. Trata-se de uma aula em defesa da liberdade de expressão. O juiz lembra que o Inciso IX do Artigo 5º da Constituição e o Parágrafo 2º do Artigo 220 impedem qualquer forma de censura, sem exceção. De maneira exemplar, escreve: Permite a Constituição à lei federal, única e exclusivamente: “… estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no artigo 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente”. Estabelecer meios legais não implica utilização de remédios judiciais para obstar a veiculação de programas que, no entendimento pessoal, individual de alguém, ou mesmo de um grupo de pessoas, desrespeitem os “valores éticos e sociais da pessoa e da família” até porque seria dar a este critério pessoal caráter potestativo de obstar o exercício de idêntica liberdade constitucional assegurada a outrem". Mais adiante, faz uma síntese brilhante: "Proscrever a censura e ao mesmo tempo permitir que qualquer pessoa pudesse recorrer ao judiciário para, em última análise, obtê-la, seria insensato e paradoxal". Afirma ainda o magistrado: "Através da pretensão dos autos, na medida em que requer a proibição de comentários contra homossexuais em veiculação de programa, sem dúvida que se busca dar um primeiro passo a um retorno à censura, de triste memória, existente até a promulgação da Constituição de 1988, sob sofismático entendimento de ter sido relegado ao Judiciário o papel antes atribuído à Polícia Federal, de riscar palavras ou de impedir comentários e programas televisivos sobre determinado assunto". O juiz faz, então, uma séria de considerações sobre a qualidade dos programas de televisão, descartando, inclusive, que tenham influência definidora no comportamento dos cidadãos. Lembra que as pessoas não perdem o senso de moral porque veem isso ou aquilo na TV; continuam sabendo distinguir o bem do mal. Na ação, o Ministério Público Federal afirmava que os telespectadores de Malafaia poderiam se sentir encorajados a sair por aí agredindo gays. Lembrou também o magistrado que o telespectador tem nas mãos o poder de mudar de canal: não é obrigado a ver na TV aquilo que repudia. Giuzio Neto analisou as palavras a que recorreu o pastor e que levaram o Ministério Público Federal a acionar a Justiça: As expressões proferidas não são reveladoras de preconceito se a considerarmos como manifestação de condenação ou rejeição a um grupo de indivíduos sem levar em consideração a individualidade de seus componentes, pois não se dirigiu a uma condenação generalizada através de um rótulo, ao homossexualismo, mas, ao contrário, a determinado comportamento ocorrido na Parada Gay (….) no emprego da imagem de santos da Igreja Católica em posições homoafetivas. Diante disto, não pode ser considerado como homofóbico na extensão que se lhe pretende atribuir esta ação, no campo dos discursos de ódio e de incentivo à violência, pois possível extrair do contexto uma condenação dirigida mais à organização do evento - pelo maltrato do emprego de imagens de santos da igreja católica - do que aos homossexuais. De fato não se pode valorar as expressões dissociadas de seu contexto. E, no contexto apresentado, pode ser observado que as expressões “entrar de pau” e “baixar o porrete” se referem claramente à necessidade de providências acerca da Parada Gay, por entender o pastor apresentador do programa, constituir uma ofensa à Igreja Católica reclamando providências daquela. É cediço que, se a população em geral utiliza tais expressões, principalmente na esfera trabalhista, para se referir ao próprio ajuizamento de reclamação trabalhista “vão meter a empresa no pau”. Outros empregam a expressão “cair de pau” como mera condenação social; “entrar de pau” ou “meter o pau”, por outro lado, estaria relacionado a falar mal de alguém ou mesmo a contrariar argumentos ou posicionamentos filosóficos. Enfim, as expressões empregadas pelo pastor réu não se destinaram a incentivar comportamentos como pode indicar a literalidade das palavras no sentido de violência ou de ódio implicando na infração penal, como pretende a interpretação do autor desta ação". O juiz dá um conselho sábio, com certo humor e uma pitada de ironia: "Para os que não aceitam seu sepultamento - e de todas as normas infraconstitucionais que a previram - restam alternativas democráticas relativamente simples para a programação da televisão: a um toque de botão, mudar de canal, ou desliga-la. A queda do IBOPE tem poderosos efeitos devastadores e mais eficientes para a extinção de programas que nenhuma decisão judicial terá". Sábias palavras a do juiz federal Victorio Giuzio Neto!

Cavendish planeja fugir?

Fernando Cavendish, dono da Delta, está mudando de endereço. De acordo com o blog do jornalista petista Ricardo Noblat, uma Kombi teria retirado todos os pertences do seu apartamento na Avenida Vieira Souto, 582, em Ipanema, na tarde de segunda-feira. Cavendish pode ser o alvo principal da terceira da etapa da Operação Monte Carlo, que foi seguida pela Operação Saint-Michel. Na sexta-feira passada, Marcelo Itagiba, ex-diretor-geral da Polícia Federal alardeou que a próxima etapa se chamaria Pedra Bonita e ocorreria no Rio de Janeiro, tendo como foco a Delta. A Polícia Federal teria conseguido implantar aparelhos de escuta ambiental em seu escritório. Cavendish contratou o advogado José Luiz de Oliveira Lima (também é advogado de José Dirceu) e já entrou com pedido de habeas corpus preventivo. Também determinou a entrega de documentos à CPI, antes mesmo que fossem solicitados, para demonstrar boa vontade com os parlamentares. Sua situação, no entanto, se complicou com a divulgação de fotos e vídeos pelo deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ), revelando sua intimidade com o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, numa comemoração em Paris e Monte Carlo.

Dólar rompe barreira de R$ 1,90 pela primeira vez desde setembro de 2011

O dólar comercial fechou a segunda-feira, último dia do mês de abril, com alta de 1,07%, cotado a R$ 1,907. O dia teve baixo volume de negócios pelo fato de ser véspera do feriado do Dia do Trabalho o que também fez com que as negociações pressionassem o valor da moeda para cima. "O dólar está subindo globalmente e o baixo volume de negócios no mercado acaba acelerando a valorização. O investidor fica com poucas alternativas de investimento quando há baixo volume de negócios", disse Jason Vieira, economista-chefe da Cruzeiro do Sul. A moeda fechou o mês de abril com valorização de 4,42% e desde o início do ano subiu 2,06%. Segundo o economista, o patamar de R$ 1,90 é interessante para o governo, que busca proteger o real da queda internacional do dólar quando há grande fluxo da moeda. Por outro lado, o dólar alto exerce pressão sobre os preços, o que pode começar a gerar preocupação para o governo. Quebrar a barreira também tem um efeito psicológico, explica Vieira: "Não estava difícil de ser rompida a barreira de R$ 1,90, mas para o mercado esses momentos são importantes porque acabam definindo uma nova média de negociações da moeda". Com isso, as quedas que vierem daqui para frente podem ficar em um nível mais alto, formando novos pisos para o dólar.

Chanceler Antonio Patriota vai aos Estados Unidos para se reunir com a comunidade judaica

Em meio a uma série de acordos bilaterais assinados entre Brasil e Estados Unidos, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, viajou nesta terça-feira para Washington. É a segunda viagem à capital norte-americana em menos de um mês. Na anterior, ele acompanhou a presidenta Dilma Rousseff. Patriota vai fazer uma palestra no Fórum Global do Comitê Judaico sobre o papel do Brasil e dos demais Brics – Rússia, Índia, China e África do Sul – no desenvolvimento mundial. Patriota fará a palestra nesta quarta-feira, em Washington. Essa visita de Patriota aos Estados Unidos faz parte das articulações do governo brasileiro com a comunidade judaica. O governo brasileiro é favorável ao Estado de Israel, mas defende também o direito de os palestinos terem sua autonomia política e geográfica. A iniciativa de Patriota integra a política de relações exteriores, pois o chanceler voltou no fim de semana de uma viagem a três países árabes na África – Tunísia, Etiópia e Mauritânia. Na ocasião, o chanceler ratificou o interesse do Brasil em ampliar os acordos na região.

Dilma quer acabar "feudo do PDT" no Ministério do Trabalho

A presidente Dilma Rousseff pretende acabar com o ‘feudo do PDT’ montado pelo ex-ministro Carlos Lupi no Ministério do Trabalho. Durante as negociações que levaram à escolha de Brizola Neto (PDT-RJ) ao comando da pasta, o Planalto impôs a nomeação de secretário-executivo ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), do PT. E também a divisão dos cargos da Força Sindical com outras centrais. Ex-dirigente da CUT e amigo de Lula, o espanhol José Lopez Feijoo é cotado para secretário-executivo. Ele é assessor de Gilberto Carvalho. O Planalto pretende ainda submeter a criação de novos sindicatos ao Conselho Nacional, e não mais à Secretaria de Relações do Trabalho. Novo ministro do Trabalho, Brizola Neto apanhou no microblog Twitter: “No Dia do Trabalho, Dilma nomeia quem nunca trabalhou". Brizola Neto tentava virar ministro do Trabalho desde março de 2011, enquanto organizava brizolistas históricos para destronar Carlos Lupi da presidência do PDT. Para ele, Lupi sempre envergonhou o partido. Carlos Lupi mostrou força: mesmo demitido em dezembro sob denúncias de malfeitorias, ele foi o principal obstáculo à nomeação de Brizola Neto. Só cedeu quando o garotão pediu a bênção a ele.

Professores impõem nova derrota ao governo estadual na Justiça do Rio Grande do Sul

Um grupo de professores da rede pública estadual do Estado, representado pelo Escritório Moraes de Vasconcelos, ingressou na Justiça com mandado de injunção (mandado de injunçãon. 70045681616) para obter o direito a acréscimo remuneratório pelo trabalho noturno. O Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, através da decisão de relatoria do Desembargador Armínio José Abreu Lima da Rosa, abriu importante precedente concedendo adicional de 20% aos oito professores que desenvolvem suas atividades no turno da noite. O voto foi acompanhado por unanimidade pelos Desembargadores do Órgão Especial. Até então, os integrantes do quadro do magistério não recebiam adicional noturno, por falta de previsão legal. O Poder Judiciário Estadual supriu uma lacuna do legislativo, concedendo às partes um direito constitucional ainda não regulamentado por lei ordinária. O Escritório Moraes de Vasconcelos ressalta que a decisão vale apenas para os autores da ação e tem força de lei entre as partes, até que seja editado regramento próprio. A decisão também poderá fazer jurisprudência, inclusive, para outras categorias de servidores públicos que trabalham em horário noturno e hoje não recebem o adicional.

Depois de prisão de jornalista, vereadores levantam restrições à imprensa em Nova Petrópolis

Depois da péssima repercussão do projeto de resolução que proibia filmagens das sessões, a Câmara de Vereadores de Nova Petrópolis voltou atrás e revogou a censura. No dia 19 deste mês, um repórter do jornal O Diário foi impedido de realizar a cobertura da sessão, sendo retirado do recinto pela Brigada Militar. No novo projeto de resolução, porém, há uma nova irregularidade. As filmagens podem ser feitas pelos órgãos de imprensa, deixando brecha para proibição para o cidadão comum. Outro absurdo jurídico. Resta saber como a Mesa da Câmara de Nova Petrópolis irá controlar as filmagens através de smartphones.

Tribunal de Contas gaúcho proibe contratação de consultoria por parte do Daer

Medida cautelar emitida pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul suspendeu a licitação do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagens (Daer) para a contratação de uma empresa de consultoria na área de concessões rodoviárias. O objetivo do Daer era, a partir da consultoria, realizar uma devassa no atual modelo de concessão de estradas mediante pedágio. De acordo com o conselheiro Iradir Pietroski, que expediu a liminar, o edital da concorrência apresenta vícios capazes de gerar danos aos cofres públicos. A medida foi adotada durante inspeção especial que o Tribunal de Contas está fazendo no Daer. Os envelopes referentes à documentação exigida e as propostas deverão ser armazenados até uma nova manifestação sobre a matéria. De acordo com o tribunal, o diretor-geral do Daer tem prazo de até 15 dias para se pronunciar.

Cúpula do PDT não endossa Brizola Neto no Trabalho e desconfia de acordo eleitoral em favor de Haddad

Por mais inusitado que pareça, integrantes do PDT estão revoltados com a indicação do deputado Brizola Neto (PDT-RJ) para o Ministério do Trabalho. Eles avaliam que a decisão da presidente Dilma Rousseff foi pessoal e que, por isso, a legenda não precisa assumir nenhum compromisso com o governo nas eleições de 2012 e de 2014. “A decisão agradou a poucos”, disse um parlamentar da legenda que preferiu não se identificar. O próprio presidente do PDT, Carlos Lupi, que se reuniu com Dilma na segunda-feira, havia comentado recentemente que era melhor o partido abrir mão do cargo caso o escolhido fosse mesmo Brizola Neto. Mesmo contrariado, Lupi teve de aceitar a imposição da presidente. Além dele, reprovaram a indicação o deputado Vieira da Cunha (RS) e o secretário-geral da sigla, Manoel Dias, ambos cotados para assumir a vaga. Segundo um parlamentar do PDT, o líder da legenda na Câmara, André Figueiredo (CE), ficou “furioso” com a decisão do Planalto. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) avalia que o partido cometeu um erro ao aceitar uma pasta na Esplanada dos Ministérios. “A decisão é um risco para o partido, porque o impede de procurar espaço próprio em 2014", afirmou: “O PDT estará a reboque do PT”. Integrantes do PDT desconfiam que o deputado Paulo Pereira da Silva (SP) fez um acordo com o Planalto para deixar sua candidatura à prefeitura de São Paulo em troca da nomeação de Brizola Neto e, claro, apoiar o candidato do PT, Fernando Haddad. Paulo Pereira da Silva, que preside a Força Sindical, defendeu com unhas e dentes a nomeação do neto de Leonel Brizola para o Ministério do Trabalho. O Planalto nega a suposta troca. “Em nenhum momento a decisão envolveu a eleição municipal”, garante um interlocutor de Dilma.

Moradia não basta para combater miséria

O governo federal decidiu mudar os critérios de escolha dos projetos do programa Minha Casa, Minha Vida para cidades com até 50.000 habitantes, passando a priorizar os municípios onde os índices de pobreza são maiores. Como justificativa para a mudança, o Ministério das Cidades afirmou que considera a habitação “importante para melhorar a vida das pessoas e combater a miséria”. Para os especialistas, o governo é coerente na mudança, pois nas cidades de pequeno e médio porte a pobreza é um problema maior que o déficit habitacional - critério que era utilizado anteriormente. “Como solução para a miséria, entretanto, o Minha Casa, Minha Vida tem efeito temporário”, afirma o economista Mansueto Almeida. O problema está, segundo o economista, em construir casas em locais onde falta estrutura em outras áreas, como saneamento, saúde e emprego. “Não adianta dar casa para uma família onde, por exemplo, não há oportunidade de trabalho”, explica. “Eles vão acabar vendendo a casa e migrando para outros lugares”. O Minha Casa, Minha Vida só funcionará efetivamente no combate à miséria caso seja feito um planejamento para integrá-lo a outros programas, afirma Geraldo Tadeu Moreira Monteiro, diretor do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. “Contudo, hoje não há um alinhamento dos programas de governo”, diz Monteiro. “No nosso último levantamento, eram mais de 300 programas, distribuídos entre os ministérios com diferentes focos e geridos de acordo com a lógica burocrática e ministerial que faz com as ações não conversem entre si”. A mudança no critério de seleção do Minha Casa, Minha Vida para cidades de até 50.000 habitantes atrasou em quase três meses a divulgação do resultado da oferta pública que possibilitará a construção de mais de 107.000 unidades habitacionais em todo o País.

Dilma faz um duro ataque aos bancos em pronunciamento do Dia do Trabalho

O governo elevou o tom na briga contra os juros altos cobrados pelos bancos. A presidente Dilma Rousseff aproveitou um pronunciamento na segunda-feira, em cadeia nacional de rádio e televisão, para orientar os clientes a exigirem “melhores condições” de financiamento. No novo ataque do Planalto contra o sistema financeiro, Dilma classificou de “inadmissível” o custo dos empréstimos no Brasil e recomendou às instituições privadas seguirem o “bom exemplo” dos bancos estatais, que já fizeram pelo menos duas rodadas de corte de juros nas principais linhas de financiamento. “É inadmissível que o Brasil, que tem um dos sistemas financeiros mais sólidos e lucrativos, continue com os juros mais altos do mundo”, desabafou a presidente, em seu pronunciamento aos trabalhadores, em comemoração ao 1º de maio. Apesar de os maiores bancos privados terem anunciado cortes nos custos dos financiamentos por conta da pressão que o governo vem fazendo nas últimas semanas, Dilma deixou claro que há mais espaço para cortes e recomendou às instituições privadas que sigam o “bom exemplo” da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que já cortaram em pelos menos duas ocasiões as taxas de juros de várias linhas de empréstimo. “A Caixa e o Banco do Brasil escolheram o caminho do bom exemplo e da saudável concorrência de mercado provando que é possível baixar os juros cobrados dos seus clientes em empréstimos, cartões, cheque especial, inclusive no crédito consignado”, afirmou Dilma. O ataque da presidente na TV é mais um capitulo na luta que o governo resolveu travar com os bancos privados. O governo considera inaceitável a grande diferença entre a taxa de juros que os bancos pagam para pegar recursos e o que é cobrado dos clientes que vão tomar um empréstimo, o chamado spread bancário. Outro fator que tem incomodando bastante a equipe econômica e o Palácio do Planalto é que o Banco Central iniciou em agosto do ano passado um ciclo de corte da taxa básica de juros - que está atualmente em 9% ao ano -, mas o custo do financiamento para os clientes bancários não tem acompanhado esse movimento, pelo menos não na velocidade e na magnitude esperada. “Os bancos não podem continuar cobrando os mesmo juros para empresas e para o consumidor enquanto a taxa básica Selic cai, a economia se mantém estável, e a maioria esmagadora dos brasileiros honra com presteza e honestidade os seus compromissos”, disse Dilma. “O setor financeiro, portanto, não tem como explicar essa lógica perversa aos brasileiros. A Selic baixa, a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de credito não diminuem". Para demonstrar que o governo está preocupado com as denúncias que têm surgido a cada dia antes mesmo do início do funcionamento da CPI de Carlos Cachoeira e mostrar que o governo não compactua com desvios, Dilma encerrou o pronunciamento falando que combaterá a corrupção. “Garanto às trabalhadoras e aos trabalhadores brasileiros que vamos continuar buscando meios de baixar impostos, de combater os malfeitos e os malfeitores, e cada vez mais estimular as coisas bem feitas e as pessoas honestas de nosso país”, declarou a presidente, avisando que não vai abrir mão de “cobrar com firmeza, de quem quer que seja, que cumpra o seu dever”.

Cachoeira articulou compra da seção goaiana do partido do homem do aerotrem

Definido pela mulher como “preso político”, o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preparava uma ofensiva política em Goiás. Conversas interceptadas pela Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo mostram Cachoeira negociando a compra de um partido. Os áudios da Polícia Federal indicam que seria a seção goiana do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), cujo presidente nacional Levy Fidelix é citado em diversas escutas. As conversas sobre a compra do partido começam em maio de 2011, quando Cachoeira questiona um aliado sobre a direção da legenda em Goiás. A idéia era tirar do cargo Santana Pires, presidente regional da sigla. Dois dias depois, o contraventor pede a Wladimir Garcêz que envie uma mensagem para alguém, cujo codinome entre o grupo é “nosso maior”, questionando se valia a pena “pegar” o PRTB. A Polícia Federal identificou que o sargento aposentado da Aeronáutica, Idalberto Matias Araújo, o Dadá, também fazia parte da negociação. Em um grampo, Dadá diz a Cachoeira que falou com o advogado (possivelmente do partido) e que ele teria pedido R$ 300 mil. “Já aumentou aquele valor que falei para você. Falou que era R$ 200 mil, passou para R$ 300 mil”, diz Dadá. “Tá roubando. Que garantia que tem?”, pergunta Cachoeira. “Disse que faz na hora. O presidente vem e faz tudo e vai para o TRE. Resolve tudo”, explica o araponga. Cachoeira então quer saber quanto custa a manutenção anual do partido e Dadá diz que ele não falou sobre o assunto. “Falou que fica com o Estado todo na mão e nomeia os municípios.” Cachoeira anima-se e diz que é para fechar o negócio por R$ 150 mil: “Até R$ 200 mil dá para fazer. Fecha logo, mas tem que ter garantia”. Segundo a Polícia Federal, em agosto o grupo continuava discutindo o assunto. No início do mês, Dadá liga para Cachoeira perguntando se ele ainda estava interessado “naquele negócio do partido?” Ele confirma e pergunta qual era a legenda. Dadá responde que é o mesmo partido do Levy, o PRTB.

Delegado da Polícia Federal é suspeito de firmar sociedade com grupo de bicheiro

Um delegado da Polícia Federal é suspeito de ter firmado uma sociedade com integrantes do grupo ligado ao bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso pela polícia em fevereiro. Deuselino Valadares dos Santos e sua mulher utilizaram o carro que, segundo a polícia, pertencia à organização criminosa. O delegado não foi encontrado para falar sobre as denúncias. Segundo relatório da Polícia Federal, entre março e junho do ano passado, o carro ficou com o delegado. Deuselino é suspeito de ter firmado uma sociedade com integrantes da quadrilha na empresa Ideal Segurança. De acordo com a polícia, a empresa tinha Cachoeira e o ex-diretor da Deltra Cláudio Abreu como sócios ocultos. O delegado Deuselino dos Santos pode agora ser expulso da Polícia Federal por causa da ligação com a quadrilha. A situação de Deuselino é semelhante a de outro delegado da Polícia Federal, Fernando Byron, que também era considerado ótimo policial até que a Operação Monte Carlo revelou o envolvimento dele com o grupo de Carlinhos Cachoeira. Os dois delegados foram presos na operação da polícia, mas já estão em liberdade.

Deputado diz que Cachoeira, Delta e Agnello se juntaram para grampeá-lo

O deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR) apresentou na segunda-feira gravações de interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal que, segundo ele, provam que o governador do Distrito Federal, Agnello Queiroz, a construtora Delta e o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, atuaram juntos para grampeá-lo ilegalmente. “Agnello pediu, a Delta executou e o Cachoeira pagou”, resumiu o deputado, que integra a CPI do Cachoeira. “As conversas divulgadas mostram que interceptaram minhas ligações e que foi o Cachoeira quem pagou, por solicitação da Delta, serviço feito por um policial federal do mal, que deveria estar preso e demitido”, afirma o deputado, que é delegado federal. As escutas apresentadas registram conversas telefônicas gravadas na Operação Monte Carlo da Polícia Federal, nos dias 30 e 31 de janeiro e no dia 4 de fevereiro. As conversas são entre Cachoeira; Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, braço-direito de Cachoeira; o policial federal de nome Tomé, que teria grampeado Francischini, e o ex-policial civil Marcelo de Oliveira Lopes, que era assessor do chefe de Gabinete do governador do Distrito Federal. Giovanni Pereira da Silva, contador de Cachoeira que está foragido, é citado nas conversas, quando Dadá diz a Tomé que vai “cobrar mais tarde do Giovanni lá, que é o menino do pagamento, ver se ele fez o depósito”. Segundo Francischini, o interesse em grampeá-lo era a busca de informações, pela Delta e pelo governo do Distrito Federal, sobre investigações da liberação de um terreno nos arredores de Brasília, para a Delta fazer um lixão. A empresa teria pago propina pela liberação do uso do terreno. O grupo que fez e pagou as escutas ilegais teria interesse também em informações de Francischini sobre investigação de pagamento de propina por uma empresa farmacêutica a Agnello, quando ele diretor da Anvisa. “Tenho certeza de que o governador Agnello Queiroz está envolvido”, afirmou o parlamentar. O deputado federal abriu guerra contra 50 perfis fakes nas redes sociais que publicam informações falsas sobre suas relações com Cachoeira. Ele identificou e pediu a quebra do sigilo de 50 perfis à Delegacia de Crimes Cibernéticos de Curitiba. Um blog atribui a Francischini envolvimento na morte de um juiz no Espírito Santo. “Essas mentiras vão sendo republicadas na internet e você fica indefeso”, lamenta. No domingo, Francischini denunciou ter sofrido ameaça de morte, depois que um tweet com a marcha fúnebre foi postado no perfil dele. “Não me afeta ouvir a marcha fúnebre, tocada quando um policial é sepultado, mas isso aflige minha família”, disse nesta segunda-feira.

Bicheiro conseguiu avião para Cavendish quando aconteceu a tragédia na Bahia

O contraventor Carlinhos Cachoeira providenciou a liberação de um avião para prestar ajuda ao ex-presidente da Delta Fernando Cavendish, após o acidente de helicóptero que causou a morte da mulher do empresário, em junho de 2011. O pedido foi feito a Cachoeira um dia após a tragédia, no litoral baiano, pelo ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu, preso pela Polícia Civil do Distrito Federal. A aeronave foi emprestada pelo suplente do senador João Ribeiro (PR-TO), Ataídes de Oliveira (PSDB-TO), amigo de Cachoeira e, à época, no exercício do mandato no Senado. O objetivo do empréstimo do avião, de acordo com conversa telefônica interceptada pela Polícia Federal entre Cachoeira e Ataídes, era conduzir Cavendish e Cláudio Abreu da Bahia rumo ao Rio de Janeiro. Na Bahia, antes do acidente, Fernando Cavendish comemoraria seu o aniversário na companhia de familiares e amigos, como o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. A tragédia resultou na morte de sete pessoas. O ex-presidente da Delta vem sustentando que desconhecia a ligação entre Cláudio Abreu e o grupo do bicheiro Cachoeira. Clauio Abreu fez o pedido a Carlinhos Cachoeira em 18 de junho, sábado. O ex-executivo da Delta aparece como o porta-voz de uma solicitação do diretor de operações da empresa no Rio de Janeiro, Dionisio Janoni Tolomei, que estaria enfrentando dificuldade para encontrar uma aeronave disponível na cidade do Rio de Janeiro. - Será que seria demais pedir o avião do Ataíde emprestado, cara? - pede Abreu. - Pode ligar para ele aí. Liga aí - autoriza Cachoeira. - Tá uma dificuldade. O diretor lá do Rio, o Dionísio, me pediu ajuda. Tá pedindo até pra mim ir pra lá (Bahia). Tô combinando de ir para lá amanhã, pela manhã - explica Abreu. Em outra ligação, logo após o próprio Cachoeira telefonar para o então senador Ataídes e pedir o empréstimo do avião, Abreu lamenta profundamente o acidente e pede ao contraventor que envie uma mensagem de condolências para Fernando Cavendish. - Mandei uma mensagem para ele. Depois você manda uma mensagem também. Telefone, ele não tá atendendo, mas mensagem ele tá respondendo. Me emocionei com a mensagem que ele me respondeu - relata Abreu. Na conversa com Ataídes de Oliveira para pedir a aeronave emprestada, Carlinhos Cachoeira explica que “Fernando” está acompanhado do governador do Rio, Sérgio Cabral. Porém, não menciona se a aeronave serviria ou não para transportar também Sérgio Cabral.