sábado, 21 de abril de 2012

Andrade Gutierrez "avalia sua posição" e também pode deixar a reforma do Maracanã

Andrade Gutierrez "avalia sua posição" e também pode deixar a reforma do Maracanã A empreiteira Andrade Gutierrez também colocou as barbas de molo, após o anúncio da Delta Engenharia de abandonar o consórcio que realiza a reforma do estádio do Maracanã. Neste sábado, a Andrade informou que "avalia a sua posição" no consórcio, do qual faz parte também a Odebrecht. No mundo dos negócios, isso pode representar o prévio aviso de que pode tomar o mesmo caminho da Delta. Suspeita de envolvimento com o bicheiro Carlos Cachoeira, a empreiteira presidida pelo empresário Fernando Cavendish abandonou o consórcio alegando problemas financeiros.

Ex-diretor acusa deputado de ser "agente da Delta" dentro do Dnit

O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, disse na sexta-feira que o deputado Valdemar da Costa Neto (PR-SP) atuava como "um verdadeiro agente da Delta" junto ao órgão, responsável pela contratação de obras em rodovias no País. "Eu entendo que o deputado Valdemar da Costa Neto era um verdadeiro agente da Delta, como era de outras companhias", disse Pagot. Ele havia afirmado em entrevista anterior à revista Época que perdeu seu cargo no Dnit por contrariar os interesses da empreiteira Delta e do bicheiro Carlinhos Cachoeira. O ex-dirigente do Dnit afirmou que Costa Neto teve sucesso na maioria das vezes em que atuou em nome da Delta. "E quando ele não tinha, a raiva crescia. Tanto que ele fez vários movimentos para me tirar do Dnit", disse. Pagot foi demitido no ano passado entre dezenas de servidores supostamente envolvidos em irregularidades no Ministério dos Transportes. O ex-diretor do Dnit disse também que alguns diretores da Delta, como Cláudio Abreu - apontado como braço direito de Cachoeira -, reclamavam das exigências feitas pelo órgão. Pagot disse ainda que Fernando Cavendish, dono da Delta, aparecia eventualmente no Dnit. "O Fernando Cavendish, eventualmente, a cada 60, 90 dias, aparecia para uma visita, para apresentar alguma sugestão, alguma reivindicação, alguma reclamação, enfim". Costa Neto admitiu ter relações sociais com Cavendish, mas negou ter defendido os interesses da construtora nos Transportes. A assessoria da Delta afirmou que Claudio Abreu jamais fez reclamações em nome da empresa junto ao Dnit. A Delta Construções é investigada pela Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, por ligações com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. Segundo escutas gravadas durante as investigações, há indícios de um possível favorecimento à empresa em contratos firmados com o governo.

Construtora Delta abandona consórcio da obra do Maracanã

No meio da pressa para entregar a tempo as obras para a Copa de 2014, a construtora Delta decidiu abandonar a participação no consórcio que está reformando o estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A empresa, um dos alvos da CPI do bicheiro Carlos Cachoeira, já vinha se queixando de dificuldades para os negócios devido aos escândalos políticos, deflagrados por uma operação da Polícia Federal. Aprontar o Maracanã para a Copa do Mundo de 2014 vai custar R$ 859 milhões. Dinheiro do governo do estado do Rio, que conta com financiamento do BNDES. O consórcio responsável pelas obras é formado por três empresas: a Odebrecht Infraestrutura tem 49% de participação; a Andrade Gutierrez, 21 e a Delta Construtora, 30%. Na sexta-feira, a Delta informou ao governo do Rio de Janeiro que está deixando o consórcio "Maracanã 2014". A decisão foi informada também aos dois sócios da empresa na reforma e o governo do Rio de Janeiro aceitou a saída da Delta. A Delta deixou de repassar mais de R$ 6 milhões que seriam usados para pagar fornecedores e despesas operacionais da obra do Maracanã nos últimos dias. A Delta é a construtora que tem mais contratos com o governo do Rio. Desde 2000, eles somam mais de R$ 2 bilhões. A maior parte, quase R$ 1,5 bilhão, desde 2007, quando assumiu o atual governador, Sérgio Cabral. Desse total, R$ 234 milhões foram empenhados em contratos com dispensa de licitação.

Tribunal de Justiça do Distrito Federal decreta que greve dos professores é abusiva

O Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios acatou, na sexta-feira, o pedido do Ministério Público do Distrito Federal sobre a greve dos professores, que chegou ao 43º dia, declarando-a abusiva. A ação requereu que fosse reconhecida, liminarmente, a abusividade do movimento e o desembargador José Divino, da 2ª Câmara Cível, decidiu antecipar os efeitos da tutela pretendida e determinou que 80% dos professores lotados em cada estabelecimento de ensino público de educação infantil, fundamental e médio retornem de imediato à sala de aula. Caso haja descumprimento da decisão, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal está sujeito ao pagamento de multa diária de R$ 45 mil.

Filho de Zé Dirceu, que já foi consultor da Delta, não assinou requerimento para CPÌ do Cachoeira

O deputado federal Zeca Dirceu (PT-PR), filho do deputado federal cassado por corrupção José Dirceu — chamado de chefe de quadrilha pela Procuradoria Geral da República —, não assinou o requerimento em favor da CPI do Cachoeira. Por que será? O Zé, de início, achou que a gritaria em favor da CPI lhe era útil. Saiu gritando “Fogo, fogo na floresta! CPI já!” E tentou engolfar a imprensa na sua pantomima. Aí a construtora Delta, da qual o Zé foi “consultor”, passou a ser um dos principais alvos da investigação. E o filho do Zé não assinou o requerimento… (Reinaldo Azevedo)

Dnit firmou 284 contratos e pagou R$ 3,2 bilhões à Delta

O Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) divulgou na sexta-feira todos os contratos que possui com a construtora Delta, suspeita de ligação com o empresário de jogos ilegais Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo o órgão, foram pagos à empresa R$ 3,2 bilhões em 284 contratos para obras ou manutenção de rodovias desde 2002. Os valores não estão atualizados. Dos 284 contratos, 99 ainda estão ativos, sendo 8 para obras e 91 para manutenção. Estes contratos ativos têm valor original de R$ 2,5 bilhões, sendo que R$ 1,4 bilhão já foram pagos. O órgão de estradas paralisou 19 contratos com a Delta. Eles somam R$ 234,7 milhões e deles foram pagos R$ 182 milhões. Em relação aos contratos encerrados, que somam 166, o órgão pagou à Delta R$ 1,6 bilhão. A soma de todos os 284 contratos da Delta dá um valor R$ 5 bilhões, sendo que, desse valor, R$ 406 milhões foram obtidos através de aditivos, ou seja, valores adicionados após a assinatura. A Delta é a empresa que mais recebeu verbas do Orçamento do Executivo federal desde 2007.

Empresário nega ser sócio de governador de Goiás em avião

O empresário Hélder Rodrigues Zebral, ex-sócio da churrascaria Porcão de Brasília, divulgou nota na sexta-feira em que nega ser sócio do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), em uma aeronave de R$ 4 milhões, como afirma Carlos Cachoeira em gravação realizada pela Polícia Federal na operação Monte Carlo. A gravação, em que Cachoeira conversa com um suposto assessor, foi feita em abril do ano passado. Na nota, Zebral afirma não ter nenhum "contato pessoal" com Perillo nem contratos com empresas ligadas ao governo de Goiás. "O empresário Zebral esclarece que não conhece o senhor Carlos Cachoeira ou que, com ele, tenha qualquer tipo de negócio", dia a nota. Zebral ainda afirma que Cachoeira, na gravação, deixa claro que trata-se de "um empresário que não faz parte do grupo". Na nota, Zebral declara que "evidências demonstram" que ele não tem nenhuma proximidade com Cachoeira.

Marco Maia diz que CPI deveria quebrar sigilo de contatos de Cachoeira

O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), defendeu na sexta-feira que a CPI do caso Cachoeira quebre os sigilos de todos os que tiveram contato com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. "Eu começaria quebrando o sigilo bancário, fiscal, telefônico de todos aqueles que tiveram qualquer tipo de contato com o Cachoeira, mas quem vai tomar essa decisão é o relator", disse ele. Maia voltou a negar interferência do Palácio do Planalto para blindar as investigações: "Eu pelo menos nunca fui consultado, nem fui recomendado nem pela presidenta nem pelo presidente Lula. Essa questão de que há interferência de A, B ou C para turbinar ou abafar a CPI faz parte da imaginação de alguns". O deputado disse que fez um apelo aos líderes partidários para que indiquem membros da comissão que estejam dispostos a investigar , e não transformar a comissão "numa disputa meramente política entre oposição e situação". Maia afirmou que a CPI vai "investigar em todas as direções, sem distinções ou privilégios".

Chesf alocará R$ 444 milhões em novos sistemas de transmissão

A Chesf estima investir R$ 444 milhões nos empreendimentos de transmissão arrematados no leilão realizado na sexta-feira e uma taxa de retorno de dois dígitos, informou o diretor econômico-financeiro da empresa, Marcos Cerqueira. A empresa do grupo Eletrobras venceu três dos quatro lotes licitados, em um leilão sem grandes disputas, mas com deságio médio de 22,8%, e o diretor afirmou que a empresa já iniciará os trabalhos nos empreendimentos para evitar atrasos na entrada em operação. Dois dos três lotes arrematados pela Chesf, o B (no Rio Grande do Norte e Ceará) e o C (na Bahia), têm empreendimentos voltados para a conexão compartilhada de usinas eólicas (ICGs), tipos de instalações que a Chesf já arrematou em leilões passados e que estão com obras atrasadas. "As anteriores todas estão atrasadas... O único problema dos atrasos é ambiental", disse Cerqueira sobre as ICGs que a empresa está construindo no Rio Grande do Norte, Ceará e Bahia, algumas das quais deveriam entrar em operação já em meados deste ano e outras no ano que vem. Cerqueira disse que a empresa fará uma reunião com as geradoras que tem usinas eólicas que dependem das ICGs atrasadas, na próxima semana, para tentar mitigar os problemas de atraso. Segundo ele, algumas usinas eólicas também estão atrasadas e não somente as ICGs. Ele mencionou que a usina eólica Casa Nova, da Chesf, de cerca 180 MW, na Bahia, licitada em 2010, ainda não tem licença ambiental e vai atrasar. O parque teria que entrar em operação em 2013. "O que a gente vai fazer (para empreendimentos vencidos no leilão desta sexta-feira) é iniciar trabalhos que independem de outros", disse ao mencionar as atividades que não dependem da licença ambiental, como negociações fundiárias, por exemplo. Mas o diretor admitiu que os prazos estabelecidos para entrada em operação dos empreendimentos (de 20 meses no caso do leilão de sexta-feira) "são bastante apertados".

Líder do PT diz que relatório sobre código florestal é "retrocesso"

O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), disse na sexta-feira ser um "retrocesso inaceitável" o novo relatório com mudanças no Código Florestal apresentado na quinta-feira pelo deputado Paulo Piau (PMDB-MG). Segundo o líder, o PT vai trabalhar para retomar na Casa o texto aprovado pelo Senado. "O relatório do Piau é um retrocesso. Tinha acordo com os partidos, com o governo, no texto aprovado no Senado. Ele não considerou isso. Vamos tentar dialogar, esperamos modificar isso. Faremos uma reunião da bancada na terça-feira para decidir se vamos obstruir ou votar contra", afirmou. Na opinião de Tatto, o novo relatório é um retrocesso para a agicultura, meio ambiente e para o País: "Fizemos um amplo debate, o Ministério do Meio Ambiente reduziu as faixas de recuperação, demos prazo para os desmatadores, todas as inflexões foram feitas. O relatório simplesmente expressa a visão atrasada de que é possível plantar sem cuidar do meio ambiente, da água". Apesar da falta de acordo entre os partidos para a votação do código, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), disse que o texto será votado no plenário da Casa na terça-feira: "Vamos tentar construir um acordo até o dia 24. Não havendo acordo vai a voto. O plenário é soberano para decidir sobre essas matérias".

TAM e Gol têm redução na demanda de passageiros

TAM e Gol registraram queda na demanda de passageiros no mês de março, quando o setor avançou apenas 1,27%. O volume de passageiros por quilômetro transportados pela TAM caiu 7,73%, enquanto o da Gol caiu 10%. Em março do ano passado, a TAM cresceu 40,41% e a Gol, 35,3%. A queda na demanda foi acompanhada de uma retração ou estabilização na oferta de assentos, mas não o suficiente para estancar a queda na taxa de ocupação dos aviões. A Gol diminuiu sua oferta em 2,91%, e a TAM expandiu em 0,95%. A retração de TAM e Gol, que registraram juntas prejuízo de mais de R$ 1 bilhão no ano passado, reflete uma tentativa de recuperação de margens, com redução de promoções e aumento do preço das passagens. Com o aumento no preço das passagens, muitos passageiros deixaram de voar. Diante do recuo na operação das duas líderes, a concorrência aproveitou para ganhar mercado. A Azul registrou um crescimento de demanda de 31,79%, 4 pontos porcentuais abaixo do crescimento da sua oferta de assentos. Já a Avianca mais que dobrou a oferta (114,6%) e viu sua demanda crescer ainda mais (131%). Empresa adquirida pela Gol no ano passado, a Webjet também registrou forte expansão, de 25%, com aumento da demanda acompanhando o crescimento da oferta de assentos.

Venda de material de construção fica aquém do previsto no primeiro trimestre

As vendas domésticas de material de construção registraram crescimento de 7% em março na comparação com o mesmo mês no ano passado, informou na sexta-feira a associação que representa o setor no País, a Abramat. Em relação a fevereiro, as vendas do setor também cresceram, em 13%, enquanto no primeiro trimestre o setor acumulou alta de 3,3% sobre igual etapa de 2011. O resultado de janeiro a março está abaixo da estimativa da entidade para o fechado do ano, de crescimento de 5% no faturamento. A Abramat informou também que, no mês passado, o nível de emprego na indústria de materiais aumentou 4,5% ante março de 2011, mas ficou estável sobre fevereiro.

Dilma afirma que Ministério da Fazenda é quem cuida da caderneta de poupança

A presidente Dilma Rousseff afirmou na sexta-feira que cabe ao Ministério da Fazenda cuidar da caderneta de poupança, procurando se desvencilhar de um assunto polêmico que teráde enfrentar em breve. "Isso é da área do ministro da Fazenda, em consulta com o Banco Central, isso não é uma área sobre a qual eu me posiciono", afirmou a presidente ao participar de evento no Itamaraty. Há expectativas no mercado de que as regras da aplicação podem ser mudadas para ajudar a Selic (hoje em 9% ao ano) a cair ainda mais. Isso é importante porque, com a taxa básica de juros do País em queda, tirando a atratividade das aplicações em renda fixa, muitos aplicadores podem migrar para a poupança, cuja remuneração é fixada em 0,50% ao mês, mais a variação da TR (Taxa Referencial). Se esse movimento ocorrer, pode trazer distorções nos mercados, até mesmo para o Tesouro fazer emissões com base na Selic. Na quarta-feira, o Banco Central reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual e deixou a porta aberta para mais cortes. A Selic abaixo de 9%, segundo especialistas, pode deixar a poupança mais atrativa.

BNDES afirma que Banco Mundial perdeu força para financiamentos

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou na sexta-feira que o Banco Mundial perdeu força para financiamentos e se tornou pequeno diante da demanda por infraestruturas econômicas e sociais de vários continentes. A declaração foi dada para justificar a criação de um banco de fomento econômico e social pelos países que compõem o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). O assunto foi debatido no encontro dos chefes de Estado ocorrido na Índia no final do mês passado. Segundo o chefe do BNDES, o mundo carece de bancos de fomento. "A África, por exemplo, tem demandas, mas não consegue financiamento. Eles têm um banco, mas é pequeno", disse: "Os investimentos na economia e no social são onerosos e precisam de instituições fortes para fazê-lo". De acordo com Coutinho, a criação do banco de fomento dos Brics está sendo discutida pelos ministros de economia dos países.

Polícia Federal faz operação contra engenheiros suspeitos de fraude em Pernambuco

A Polícia Federal cumpriu na sexta-feira uma série de ordens judiciais para desbaratar uma quadrilha de engenheiros suspeitos de fraude, corrupção e desvio de dinheiro público em cidades do interior de Pernambuco. Segundo a Polícia Federal, o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 20 milhões. As investigações da "Operação Resgate" começaram há três anos. A Polícia Federal aponta a participação de um membro do alto escalão da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) em Pernambuco, um secretário municipal, além de fiscais de contratos municipais. Policiais fizeram buscas nas secretarias de Obras e salas de comissões de licitações nos municípios de Arcoverde, Macaparana, Paudalho e São Benedito do Sul. A polícia diz que a quadrilha captava recursos públicos e aprovava projetos junto a órgãos federais, como Funasa e Caixa Econômica Federal. Quando os repasses das verbas públicas chegavam aos municípios, engenheiros do grupo elaboravam projetos básicos, enquanto outros participavam de licitações fraudadas. Durante a execução do serviço, além de não pagar encargos sociais dos trabalhadores contratados, a Polícia Federal diz que a quadrilha não executava toda a obra e superfaturava preços de materiais de construção.

Execução orçamentária do PAC é recorde no primeiro trimestre

Turbinado por restos a pagar, o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) começou 2012 com a maior execução orçamentária trimestral desde 2007. Foram R$ 8 bilhões pagos nos três primeiros meses do ano, de acordo com levantamento da ONG Contas Abertas com base na execução do Orçamento Geral da União. O montante representa 19,2% do valor previsto para ser investido em 2012 (R$ 41,7 bilhões), enquanto no ano passado a relação foi de 13,6% e a média da primeira etapa do programa de 10,8% da dotação autorizada para cada período. A maioria dos gastos foi decorrente de restos a pagar, compromissos assumidos em anos anteriores. Mais de 97% do valor pago em janeiro, fevereiro e março de 2012, R$ 7,8 bilhões, foram destinados a esse tipo de pagamento. Apenas R$ 220 milhões foram gastos com empenhos emitidos em 2012. O Ministério das Cidades foi o agente do governo federal mais ativo no PAC, graças ao programa "Minha Casa Minha Vida". Até 30 de março, o programa habitacional desembolsou R$ 5 bilhões, 63% dos R$ 8 bilhões desembolsados com todo o PAC no período, calculou a Contas Abertas. De toda a dotação autorizada para este ano (R$ 41,7 bilhões), pouco mais de 40%, ou R$ 16,8 bi, estão reservados para o ministério (R$ 13 bilhões para o programa). O Ministério dos Transportes é a segunda pasta que mais executou o orçamento nos três primeiros meses de 2012. Foi quase R$ 1,5 bilhão gasto até 30 de março (a dotação do órgão é de R$ 15,5 bilhões, valor que prioriza o aumento e a reforma da malha viária, além de investimentos em ferrovias, portos e hidrovias). Em terceiro lugar em termos de desembolsos no PAC aparece o Ministério da Integração Nacional, com execução de R$ 483 milhões para uma dotação anual de R$ 2,7 bilhões.

Argentina quer Petrobras com 15% do seu mercado de petróleo

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, afirmou na sexta-feira que propôs à Petrobras o aumento de sua participação para 15% do mercado de produção, processamento de petróleo e distribuição. Atualmente, a estatal brasileira detém cerca de 8% do mercado argentino. O ministro de Minas e Energia brasileiro, Edison Lobão, afirmou que o governo fará "tudo o que puder" para ampliar os investimentos no país vizinho, e que a proposta "é um bom negócio para a Petrobras". "Atenderemos ao convite da Argentina para que a Petrobras amplie sua atividade lá", disse. O Brasil investiu US$ 500 milhões ano passado, mesma projeção para 2012. Lobão não citou quanto que o Brasil teria que investir para cumprir a proposta argentina. Lobão voltou a falar que a recente nacionalização da petroleira YPF não abala as relações da Petrobras na Argentina: "Nós confiamos nas nossas relações com a Argentina. São relações sólidas". Questionado se não haveria problema de a Argentina colocar em risco as atividades da Petrobras, Lobão falou: "Como aconteceria esse risco, se a Argentina está pedindo para a Petrobras ampliar sua atuação?"

Peemedebista Vital do Rêgo aceita presidir CPI do caso Cachoeira

O senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) aceitou o convite do PMDB, partido que tem a maior bancada, para assumir a presidência da CPI do Cachoeira. Ele aguarda a indicação, pelo PT na Câmara, de um nome para a relatoria da comissão para traçar um plano de trabalho. A CPI, criada com o apoio de 65% dos deputados e quase 90% dos senadores, vai investigar os negócios ilícitos do contraventor Carlinhos Cachoeira com agentes públicos e privados. Os líderes partidários têm até trça-feira para indicar os nomes dos 15 deputados e 15 senadores titulares e igual número de suplentes. Segundo Rêgo, a instalação oficial da comissão e a escolha do relator serão fundamentais para a definição dos primeiros passos da investigação parlamentar. "Eu fui indicado pelo partido, mas ainda preciso ser eleito pela comissão. Eu estou recolhendo os nomes, a composição final será na terça-feira. Meu ponto de partida será a escolha do relator. Vou discutir com ele o modelo de formatação do trabalho. Aí vamos definir o roteiro", disse. De acordo com Vital, a ementa de criação da CPI é "muito ampla" por incluir como base de investigação as operações Vegas e Monte Carlo, da Polícia Federal.

Ministro Guido Mantega quer deixar fundo anticrise para junho

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse na sexta-feira que os aportes dos países emergentes à barreira anticrise do FMI serão decididos apenas no início de junho, quando os chefes de Estado do G20 vão se reunir em Los Cabos, no México. A diretora-gerente do Fundo, Christine Lagarde, havia enfatizado que esperava poder anunciar a barreira de proteção anticrise antes do término da reunião de primavera do FMI. A Rússia anunciou na noite de quinta-feira que contribuirá com US$ 10 bilhões, o que indica que mais uma vez os Brics (Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul) estão em desacordo. A China também sinalizou que alimentará o mecanismo. A expectativa é que o Brasil coloque ao menos US$ 10 bilhões, mas Mantega vem evitando selar o valor. Segundo o brasileiro, o fundo anticrise deverá chegar a US$ 400 bilhões, mas ele insiste que os Brics não definiram quanto cada país aportará. "É provável que haja um acordo em torno de um valor de US$ 400 bilhões. Porém os países não estarão especificando os valores que cada um vai contribuir, principalmente do lado dos Brics", afirmou.

Receita vai fiscalizar pelo menos 200 mil declarações do Imposto de Renda

A Receita Federal informou que pretende fiscalizar pelo menos 200 mil declarações do Imposto de Renda neste ano. Quem não prestar contas direito ao Fisco pode cair na malha fina. A Receita espera receber 25 milhões de declarações em 2012. A omissão ou declaração incorreta dos rendimentos ocupa o topo da lista de razões para a malha fina. Quem tem mais de um emprego não deve esquecer de informar todos os rendimentos, ainda que parte desse dinheiro não tenha o desconto do Imposto de Renda direto na fonte. O mesmo vale para os rendimentos dos dependentes. Neste ano, por exemplo, a dedução por dependente é de até R$ 1.889,64. A Receita Federal já intimou, até o dia 15 de abril deste ano, 158.094 contribuintes com indícios de fraudes na declaração de 2011. No ano passado, 385 mil contribuintes pessoa física foram intimados, o que resultou no lançamento do crédito tributário de R$ 5,8 bilhões.

Ministro Joaquim Barbosa abre o verbo contra seu colega Cezar Peluso

"Desleal", "tirano" e "pequeno", foi assim que o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, referiu-se ao seu colega Cezar Peluso, na entrevista publicada na sexta-feira no jornal "O Globo". Barbosa é desafeto de Peluso e também de Gilmar Mendes, ex-presidentes do Supremo. Com a posse de Carlos Ayres Britto na presidência do tribunal no lugar de Peluso, a crise entre os ministros foi escancarada. As declarações de Barbosa ao jornal carioca foram para rebater uma entrevista que Peluso concedeu ao site "Consultor Jurídico", em que ele fala sobre os problemas de saúde de Joaquim Barbosa (que trata uma doença crônica na coluna, que o obrigou a tirar licença médica), além de considerá-lo "inseguro" e uma pessoa de "temperamento difícil". Ao chamar a gestão de Peluso de "desastrosa", Barbosa ressaltou ainda que ele "incendiou o Judiciário inteiro com a sua obsessão corporativista". "As pessoas guardarão a imagem de um presidente do Supremo conservador, imperial, tirânico, que não hesitava em violar as normas quando se tratava de impor à força a sua vontade", afirmou: "Peluso inúmeras vezes manipulou ou tentou manipular resultados de julgamentos, criando falsas questões processuais ou simplesmente para tumultuar e não proclamar o resultado que era contrário ao seu pensamento". Barbosa também disse que Peluso tratou seu problema de saúde, que o obrigou a faltar inúmeras sessões no STF, de forma desrespeitosa. Ele também comentou o fato de ser o único ministro negro do tribunal: "Alguns brasileiros não negros se acham no direito de tomar certas liberdades com negros. Você já percebeu que eu não permito isso, né?"

Governo anuncia pacote para acalmar ânimos do MST

Na tentativa de acalmar os ânimos da organização terrorista clandestina MST, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, anunciou na noite da última quinta-feira que vai atender a um conjunto de reivindicações, que haviam sido apresentadas ao governo desde a última quarta-feira. O encontro com chefetes da organização começou pouco depois das 20 horas, no próprio ministério, em Brasília, que estava cercado de manifestantes. Apesar de terem desocupado os corredores do prédio para manter a negociação em curso, como exigiu o ministro, os 1.500 militantes levados a Brasília para pressionar o governo, passaram o dia diante do edifício. A reunião, se estendeu até pouco depois das 22 horas e foi intercalada por momentos de tensão. Pepe Vargas enumerou uma lista de benesses para os representantes do MST, que continuavam descontentes. "O movimento sempre vai ser insatisfeito, sempre vai querer mais. Mas isso é da natureza dos movimentos sociais. Eles vão sempre querer que o governo dê mais. O ser humano é um eterno insatisfeito, isso faz parte do processo", disse o ministro. Faz parte da lista de afagos do ministério ao MST a liberação imediata de R$ 42 milhões para cumprir os contratos em andamento, a promessa de não haver qualquer contingenciamento para a reforma agrária este ano e a total execução do orçamento previsto para este ano, ou seja, serão investidos R$ 706 milhões. Outros R$ 44 milhões seguirão imediatamente para o ajuizamento de ações, a fim de liberar 155 imóveis com pendências judiciais. A intenção é de que eles abriguem 11 mil famílias.

Lewandowski diz que seu voto sobre mensalão sai neste semestre

Revisor do processo do mensalão, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, afirmou que vai liberar seu voto ainda neste semestre, o que permitiria o julgamento a partir de agosto. "Pretendo liberá-lo ainda neste semestre. Agora que saí do Tribunal Superior Eleitoral terei mais tempo para estudar os casos complexos que se encontram em meu gabinete", disse ele. Lewandowski nega estar segurando o processo ou que pretenda aliviar a situação dos réus: "Jamais retive nenhum processo em 22 anos de magistratura. Meu gabinete é um dos que têm o menor acervo de processos. Ressalto, ainda, que minhas liminares são apreciadas em 24 ou 48 horas no máximo. E mais, ingressei no ano de 2012 sem nenhum voto-vista pendente". Relator do mensalão, o ministro Joaquim Barbosa já concluiu a leitura de todo o processo e o parecer, um resumo da investigação em 122 páginas. Mas Lewandowski fará a revisão do processo, função tão importante quanto a do relator. Ele analisará o relatório e os demais dados do processo e produzirá um outro voto, que será apresentado logo após o voto de Barbosa. O Supremo tem sofrido pressão para que o processo seja colocado logo na pauta de julgamentos e, para isso, depende que Lewandowski libere o processo.

Eduardo Braga diz que só integraria a CPI do Cachoeira a pedido de Dilma

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), afirmou que só um pedido da presidente Dilma o faria integrar a CPI do Cachoeira. Senadores aliados dizem que só Braga garantirá blindagem ao Planalto, já que devem participar da comissão os "magoados" Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR). O Congresso já criou a CPI do Cachoeira e a investigação deve começar nos próximos dias. O requerimento de criação da comissão mista foi lido oficialmente nesta quinta-feira. Os líderes partidários têm até a terça-feira para indicar os nomes dos 15 deputados e 15 senadores titulares e igual número de suplentes.

Ministro argentino pede mais investimentos da Petrobras

O ministro do Planejamento da Argentina, Julio de Vido, afirmou na sexta-feira que veio ao Brasil para conversar com o ministro brasileiro de Minas e Energia, Edison Lobão, no intuito de aprofundar os investimentos e participação da Petrobras em seu país. De Vido afirmou ainda que veio como interventor da petroleira espanhola YPF para discutir com a presidente da Petrobras, Graça Foster, "assuntos em comum". No início da semana, o governo argentino anunciou a nacionalização da petroleira, do grupo Repsol. Sobre o cancelamento da concessão de exploração do poço da Petrobras na província de Neuquén, no Sul da Argentina, de Vido afirmou que as negociações com as autoridades locais estão avançadas no sentido de reverter o cancelamento. "Falamos com o governador e as negociações estão muito bem encaminhadas", disse. Na última segunda-feira, o Estado argentino tomou o controle da petroleira YPF/Repsol. A presidente do país, a peronista populista Cristina Kirchner, ainda enviou ao Congresso projeto de lei para expropriar os 51% da petroleira sob comando de acionistas espanhóis. A empresa responde por um terço de toda a arrecadação fiscal com empresas na Argentina. Seu faturamento anual é de US$ 15 bilhões. Critisna Kirchner alegou que a empresa não vem fazendo os investimentos necessários para suprir o crescimento da demanda.