quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Credit Suisse compra área de private bank do HSBC no Japão

O HSBC, maior banco da Europa, está abandonando o mercado de "private banking" (gestão de fortunas) no Japão, vendendo negócios na área que atende a clientes abastados ao Credit Suisse. A venda é parte da estratégia definida em maio pelo HSBC. O presidente-executivo, Stuart Gulliver, quer reduzir custos anuais em US$ 3,5 bilhões e definir o foco do banco na Ásia por meio da saída de países ou negócios onde a instituição carece de escala. O HSBC informou que os ativos brutos que estão sendo vendidos valiam US$ 2,7 bilhões no final de outubro, mas não divulgou o preço final da venda ao Credit Suisse, que está ampliando sua presença no segundo maior mercado de milionários do mundo."Eles provavelmente não vêem muito potencial de crescimento no mercado japonês, então vão focar recursos em outros países na região da Ásia-Pacífico", disse Daniel So, estrategista da Sun Hung Kai Financial, em Hong Kong. A riqueza combinada da Ásia cresceu 12% no ano passado, para US$ 10,8 trilhões, superando a Europa e se aproximando da América do Norte, onde a riqueza cresceu 9%, para US$ 11,6 trilhões. Mais da metade dos milionários do mundo ainda pode ser encontrada nos Estados Unidos, Japão e Alemanha. O HSBC vai vender seus negócios de private banking no Japão que atendem clientes com mais de 200 milhões de ienes (US$ 2,57 milhões) em ativos financeiros, informou um representante do banco no Japão, que pediu para não ser identificado.

Governo argentino quer barrar operações da Cablevisión, diz diretor

Após ter a sede de sua empresa revirada por policiais militares de Buenos Aires, o diretor geral da companhia de TV a cabo Cablevisión, Carlos Moltini, afirmou que o grupo Vila-Manzano, em aliança com o governo de Cristina Kirchner, quer interromper as operações da empresa do grupo Clarín em 60 dias e dividí-la. "Nunca vi algo assim, com os agentes da polícia militar exibindo armas. É uma coisa que não faz sentido. Um deles me dizia que não queria estar ali", disse Moltini. O juiz federal Walter Bento ordenou, na terça-feira, a intervenção na sede da operadora de TV a cabo Cablevisión, do grupo Clarín, o maior do setor de multimídia da Argentina, que interpretou o fato como parte de uma "perseguição" do governo de Cristina Kirchner. Cinquenta agentes da polícia militar entraram na sede da Cablevisión em Buenos Aires, cumprindo ordens do magistrado da província de Mendoza, por denúncia de "exercício presumível de concorrência desleal" e "posição dominante". Em 2010, o grupo Clarín teve um faturamento acumulado de 7,6 bilhões de pesos e lucro antes de impostos de 2,3 bilhões. Cerca de 77% desses ganhos foram originados das operações da Cablevisión. Em resposta à operação, a companhia de TV a cabo divulgou dois comunicados. No primeiro dele, classificou a operação policial como "sem precedentes, inscrita dentro de uma campanha sistemática de perrseguição que o governo realiza contra as empresas do grupo Clarín". "A presença de mais de 50 policiais exibindo armas na sede central, em uma atitude intimidante e opressiva, configura um fato de indiscutível gravidade, sem dúvida parte de um capítulo da ofensiva do governo contra a mídia não governista", disse na segunda nota. A Cablevisión se disse "vítima de uma medida judicial irregular ordenada por um juiz da província de Mendoza", em referência a Bento. A empresa não tem operações em tal localidade. De acordo com o "Clarín", o grupo de multimídia Vila-Manzano, a que pertence o Supercanal, é um aliado fundamental do governo argentino. Em defesa da administração federal, o ministro do Interior, Florencio Randazzo, disse que "é um disparate" considerar que a ordem partiu do governo de Cristina Kirchner, sustentando que o Corpo de Gendarmes "atua como auxiliar da Justiça". O juiz designou um "interventor coadministrador" depois da queixa apresentada pela empresa concorrente Vila-Manzano, titular do Supercanal, também de televisão a cabo, segundo Ricardo Mastronardi, advogado do funcionário designado interventor pela Justiça, Enrique Anzoise. governo Kirchner e o grupo empresarial que publica o jornal "Clarín", o de maior circulação na Argentina, mantêm um confronto que cresceu nos últimos dias.

Últimos pilotos americanos no Iraque retornam aos Estados Unidos

Dezenas de membros da Força Aérea dos Estados Unidos destacados no Iraque voltaram na terça-feira a pisar em solo americano, deixando para trás uma guerra que, após dezenas de milhares de mortos e oito anos de disputa, agora chega ao fim. Desde o último dia 15, quando houve a cerimônia de retirada da bandeira americana em Bagdá, deu-se por concluída oficialmente uma guerra que começou em 2003 com o objetivo de derrubar Saddam Hussein e encontrar armas de destruição em massa que, como se demonstrou depois, nunca existiram. Na terça-feira, na cidade de Baltimore, os familiares dos últimos pilotos destacados no Iraque esperavam ansiosos para voltar a vê-los, dessa vez com a certeza de que não retornarão ao país árabe, pelo menos não para servir no mesmo conflito.

Alupar e Furnas investirão R$ 800 milhões em parques eólicos no Ceará

O consórcio formado por Furnas e Alupar Investimento pretende construir dez parques de geração eólica no município de Aracati, no Ceará, o que representa um investimento da ordem de R$ 800 milhões. Na terça-feira o consórcio vendeu 204 megawatt (MW) de energia eólica para entrega a partir de janeiro de 2016, em leilão de geração promovido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). O preço vencedor foi equivalente a R$ 110 por MWh (megawatt-hora), uma queda de cerca de 5% sobre o valor inicial."Estamos investindo mais de R$ 1 bilhão em geração eólica e temos todo interesse em avaliar novas oportunidades", afirmou a diretora de Planejamento, Gestão de Negócios e de Participações de Furnas, Olga Simbalista. O investimento faz parte da estratégia das empresas de diversificar suas fontes de geração de energia renovável. No empreendimento, serão utilizados aerogeradores fabricados pela alemã Fuhrländer. Os equipamentos têm potência de 2,5 MW e 141 metros de altura, segundo a Alupar, os mais altos no Brasil.

Brasil fica atrás de seus vizinhos na punição a torturadores, diz The New York Times

Os "fantasmas" do regime militar brasileiro mostram que, se o Brasil é um líder regional em termos econômicos, ele fica atrás de seus vizinhos quando se trata de punir autoridades responsáveis por torturas e assassinatos, afirma uma reportagem publicada nesta quarta-feira no jornal "The New York Times". De acordo com o texto, desde que a presidente Dilma Rousseff sancionou a criação da Comissão da Verdade (que investigará crimes cometidos durante a ditadura) e a Lei de Acesso a Informações Públicas (que limita o sigilo de documentos oficiais), os céticos se perguntam se o país está preparado para "lidar com os crimes do passado". "O Brasil começou a encarar a possibilidade de que, no âmbito dos direitos humanos, diferentemente de assuntos econômicos e diplomáticos regionais, o manto da liderança pode não vir tão facilmente, no fim das contas", diz a reportagem: "Fantasmas do período militar, de 1964 a 1985, começaram a se mexer, revelando como o Brasil, embora uma potência emergente da América Latina e a quarta maior democracia do mundo, ainda fica atrás de seus vizinhos no que diz respeito a processar autoridades por crimes que incluem assassinatos, desaparecimentos e tortura". O texto afirma que a Comissão da Verdade, que começa a trabalhar em janeiro, foi criticada tanto por militares quanto das famílias das vítimas, que consideram o projeto "simbólico", já que os responsáveis por abusos continuam protegidos pela Lei da Anistia de 1979. A reportagem do "The New York Times" diz que, enquanto países como Argentina, Uruguai e Chile aplicaram penas pesadas a militares que cometeram crimes, e até revogaram leis de anistia, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Lei da Anistia de 1979 ainda é válida, embora ela seja considerada irregular pelo Tribunal Interamericano de Direitos Humanos da OEA. "Até aqueles intimamente familiarizados com as tentativas de lançar luz sobre o período militar do Brasil ficam frequentemente perdidos sem entender por que tal resistência é tolerada", afirma o texto, que lembra o fato da presidente Dilma Rousseff raramente fazer referências ao fato de ter sido presa e torturada enquanto era militante de esquerda, nos anos 1970.

Dona da Ellus fecha acordo para comprar grife Mandi por R$ 40 milhões

A Inbrands anunciou nesta quarta-feira que firmou acordo para adquirir a grife Mandi, por R$ 40 milhões, passando a deter os direitos sobre as marcas Mandi, LOS DOS e Mandi&Co e de exploração da marca Juicy Couture. A Inbrands é dona das marcas Ellus, Richards e Alexandre Herchcovitch. Do valor a ser pago (que exclui a dívida líquida da Mandi), metade será paga em dinheiro. Os R$ 20 milhões restantes serão pagos por meio de aumento de capital da Inbrands, com a emissão de 2.862.528 novas ações ordinárias. Com 33 lojas, a Mandi é controlada pelo empresário Alexandre Brett, do grupo BR Labels, que detém as marcas VR, VR Kids e Calvin Klein Jeans no Brasil. No final de novembro, a Inbrands anunciou a compra da Companhia das Marcas, dona da marca Richards e acionista controladora das marcas Salinas e Bintang, por R$ 135 milhões.

Decisão do Supremo paralisa investigação contra juízes de São Paulo

A decisão do Supremo Tribunal Federal que restringiu o poder de investigação do Conselho Nacional de Justiça suspendeu as apurações sobre o patrimônio de 70 juízes e servidores do Tribunal de Justiça de São Paulo. A liminar, concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, impede que o conselho investigue juízes antes que os tribunais onde eles atuam analisem sua conduta, o que, na prática, suspendeu todas as apurações abertas por iniciativa do CNJ. No caso do Tribunal de Justiça de São Paulo, o conselho investigava a suspeita de enriquecimento ilícito de magistrados e outros servidores. A liminar ainda será submetida à análise do plenário do Supremo, que entrou em recesso na terça-feira e só volta das férias em fevereiro, mas os efeitos da decisão são imediatos. A decisão foi concedida em resposta a uma ação movida pela AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) contra uma resolução do CNJ que uniformiza procedimentos adotados para punir juízes.

Rendimento médio sobe pelo segundo mês no Brasil, diz Seade/Dieese

O rendimento médio real dos ocupados (descontada a inflação) cresceu 2,5% no País em outubro, ficando em R$ 1.426,00. Já o dos assalariados apresentou alta de 2%, para R$ 1.478,00. Este é a segunda alta consecutiva no rendimento, após oito quedas e estabilidade nos meses de julho e agosto foram de estabilidade, segundo a pesquisa realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em sete regiões metropolitanas, divulgada nesta quarta-feira. O rendimento dos ocupados aumentou 4,7% em São Paulo (para R$ 1.559,00), no Distrito Federal (1,9%, para R$ 2.168,00) e Recife (0,7%, a R$ 1.033,00). Permaneceu praticamente estável em Belo Horizonte e Salvador, com alta de 0,3% em ambas cidades (para R$ 1.400,00 e R$ 998,00 respectivamente). O rendimento apresentou retração em Fortaleza (1,5%, a R$ 922,00) e Porto Alegre (recuo de 0,8%, para R$ 1.439,00).

Um ano após posse, Dilma mantém política externa de Lula

Após um início de governo marcado pela expectativa de que mudaria o rumo da política externa brasileira, a presidente Dilma Rousseff completará um ano no poder sem grandes diferenças em relação a seu antecessor, afirmam analistas. "Acho que há essencialmente uma continuidade", disse o historiador americano John French, professor da Duke University, na Carolina do Norte. A manutenção da política externa adotada no governo Lula, apesar de não surpreender, contradiz a idéia de mudança de rumo que começou a ganhar força, principalmente no Exterior, logo após a eleição de Dilma e ainda antes da posse. Em dezembro do ano passado, Dilma deu uma entrevista ao jornal americano "The Washington Post" na qual criticava a posição do governo Lula de se abster em uma votação na ONU que condenava o Irã por abusos de direitos humanos. Essas declarações provocaram uma onda de análises na imprensa estrangeira, que viu na entrevista mostras de que a nova presidente iria romper com as políticas de seu antecessor e dar mais atenção à questão dos direitos humanos na política externa. A expectativa foi reforçada em março deste ano, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, quando o Brasil votou a favor da criação de um relatório especial para investigar a situação dos direitos humanos no Irã. No entanto, apesar da aparente sinalização inicial de mudança, nesta semana o Brasil voltou a se abster em uma votação na Assembléia Geral da ONU, em Nova York, que condenou violações de direitos humanos no Irã. Essa foi a 9ª resolução anual sobre direitos humanos no Irã a ser votada na Assembléia Geral e a que teve a maior margem de aprovação: 89 votos a favor, 30 contrários e 64 abstenções, entre elas a do Brasil. Há uma década que a diplomacia brasileira se abstém nas votações de relatórios sobre a situação de direitos humanos no Irã no âmbito da ONU em Nova York. A única exceção ocorreu em 2003, no início do governo Lula, quando o Brasil votou a favor de uma resolução.

Gigantes do varejo perdem participação entre as maiores do setor

As cinco maiores redes varejistas do País perderam participação no ranking das maiores empresas do setor. O movimento aponta para uma menor concentração das gigantes, enquanto as menores ganharam espaço. O faturamento dos cinco grupos líderes representou 47% do faturamento das 80 maiores em 2010, ante os 56% que tinham sido registrados no ano anterior, queda de nove pontos percentuais. Os dados foram divulgados pelo Ibevar (Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo). "As médias empresas têm feito movimentos de consolidação. Sem considerar as 10 maiores, ao menos 15 empresas entre as 70 principais passaram por algum processo de compra ou venda recentemente", afirma Eduardo Terra, vice-presidente do Ibevar. As quatro primeiras colocadas em 2010 foram as mesmas do ano anterior: Pão de Açúcar, Carrefour, Walmart e Americanas. Já a quinta posição ficou com o Makro.

Com quase 70 mil habitantes, Rocinha é a maior favela do País

A Rocinha, em São Conrado (zona sul do Rio de Janeiro), é a maior favela do Brasil. Segundo dados do Censo divulgados nesta quarta-feira, a comunidade tinha 69.161 habitantes no ano passado. Na pesquisa, porém, o IBGE procurou seguir a divisão legal dos registros das prefeituras. Com isso, alguns complexos de favelas do Rio de Janeiro, como o do Alemão e o da Maré, tiveram suas favelas contabilizadas isoladamente. No Alemão, por exemplo, o IBGE separou os dados em dez favelas isoladas: Relicário, Morro das Palmeiras, Parque Alvorada, Vila Matinha, Joaquim de Queiróz, Nova Brasília, Mourão Filho, Itararé, Morro da Baiana e Morro do Alemão. Somados, os domicílios chegam a 16.359, próximo ao número da Rocinha, que tem 23.352. O mesmo ocorreu com a Vila Cruzeiro (zona norte do Rio de Janeiro), que foi separada de outras três favelas (morro do Cariri, Penha e Laudelino Freire). Somadas, as quatro comunidades chegam a 9.596 domicílios, número acima do da favela do Vidigal, com 3.235.

Censo mostra que 6% da população vive em favelas e similares

Dados do Censo divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE revelam que, em 2010, 6% da população brasileira vivia em favelas e similares. Isso significa que 11,4 milhões dos 190 milhões de habitantes do País moravam em áreas de ocupação irregular e carência de serviços públicos ou urbanização, chamadas pelo IBGE de "aglomerados subnormais". No total, o Censo identificou 6.329 favelas e similares no País, que somavam 3,2 milhões de domicílios e estavam distribuídas por 323 municípios. Entraram no levantamento apenas as áreas que concentravam ao menos 51 domicílios nessas condições. A região Norte foi a que apresentou a maior proporção de pessoas vivendo em favelas, palafitas e similares, 12% da população local. Em seguida vêm o Sudeste (7%), o Nordeste (6%), o Sul (2%) e o Centro-Oeste (1%). Em números absolutos, porém, é o Sudeste que reúne o maior contingente de pessoas vivendo nessas áreas. São 5,9 milhões de moradores, mais da metade do total do País.

Belém tem a maior proporção de habitações irregulares e precárias

Dados do Censo 2010 divulgados nesta quarta-feira revelam que a região metropolitana de Belém, no Pará, é a que tem a maior proporção de habitantes vivendo em áreas ocupadas irregularmente e com serviços ou urbanização precários. No total, segundo o IBGE, 52,5% dos domicílios da região se encontram nessas condições. Juntos, eles reúnem 54% da população local. Em seguida vêm as regiões metropolitanas de Salvador (26% da população em favelas e similares), São Luís (24,5%) e Recife (23,2%). Em Belém, quase 90% dos domicílios irregulares e precários está localizada em aglomerados de grande porte, ou seja, em áreas que reúnem pelo menos mil domicílios nessas condições.

Falta de coleta de esgoto é principal problema em favelas, diz IBGE

Dados divulgados nesta quarta-feira pelo IBGE mostram que a falta de uma solução adequada para a coleta de esgoto é o principal problema de saneamento nas favelas e similares do Brasil. O Censo de 2010 revelou que o País tem 11,4 milhões de pessoas vivendo em áreas de ocupação irregular e serviços ou urbanização precários. De acordo com o levantamento, apenas 67,3% dos domicílios localizados nesses aglomerados eram ligados à rede coletora de esgoto ou dispunham de fossa séptica. Nas áreas regulares dos mesmos municípios, esse percentual chegava a 85,1%. O dado, porém, não considera se o esgoto é ou não tratado. O fornecimento adequado de energia elétrica, com medidores de consumo exclusivos para cada residência, também é mais raro nas favelas, onde apenas 72,5% dos domicílios estavam nessas condições em 2010. Nas demais áreas urbanas, eram 88,5%. No caso da coleta de lixo e do abastecimento de água, a diferença é menor. Nas favelas, a cobertura desses serviços atinge, respectivamente, 95,4% e 88,3% dos domicílios. Nas áreas regulares dos municípios com favelas, os percentuais são de 98,6% e 92,9%.

Desemprego no País recua para 9,7%

A taxa de desemprego no Brasil, em novembro, recuou para 9,7%, ante 10,1% em outubro, de acordo com PED (Pesquisa de Emprego e Desemprego) realizada pela Fundação Seade e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) em sete regiões metropolitanas e divulgada nesta quarta-feira. Esta é a primeira vez que a taxa de desemprego no País fica abaixo de 10%, desde janeiro de 1998, início da série histórica. "Impressiona o grau de formalização do mercado brasileiro, a qualidade do emprego. Esse é o dado mais forte, somado à divulgação de ontem do Caged, que mostrou a geração de mais de 17 milhões de empregos desde 2007. Isso aparece claramente na PED", avalia Sérgio Mendonça, técnico do Dieese. Em novembro, havia 2,1 milhões de pessoas desempregadas no País, 78 mil a menos do que em outubro. Todas as cidades apresentaram queda em seus percentuais em novembro. A taxa registrada em São Paulo caiu de 9,9% para 9,5%. As reduções mais significativas foram registradas em Recife (de 13,5% para 12,8%) e Belo Horizonte (de 6% para 5,7%). No Distrito Federal, houve redução da taxa de 12,2% para 11,9%, seguida por Salvador (de 15,9% para 15,5%), Porto Alegre ( de 7,1% para 7%) e Fortaleza (de 8,3% para 8,2%). O total de ocupados nas sete regiões pesquisadas foi estimado em 20,1 milhões de pessoas, para uma PEA (População Economicamente Ativa) de 22,2 milhões. O rendimento médio real dos ocupados (descontada a inflação) cresceu 2,5% no País em outubro, ficando em R$ 1.426. Já o dos assalariados apresentou alta de 2%, para R$ 1.478,00. Este é a segunda alta no rendimento consecutiva (após oito quedas e estabilidade nos meses de julho e agosto).

Incidência de raios cresce 11% nas cidades grandes

A incidência de raios cresceu em média 11% nas cidades com população acima de 200 mil habitantes, de acordo com os dados mais recentes do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica), núcleo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). "Tanto essas cidades têm mais tempestades, quanto elas estão também cada vez mais intensas, e a urbanização pode ser apontada como uma das principais responsáveis", diz Osmar Pinto Junior, coordenador do Elat. Com base em dados de satélites, o Elat informou que, no ranking mundial, o Brasil ocupa o primeiro lugar na incidência de raios, com 57,8 milhões de ocorrências por ano, seguido pela República Democrática do Congo, com 43,2 milhões, pelos Estados Unidos, com 35 milhões, pela Austrália, com 31,2 milhões, China, com 28 milhões e Índia, com 26,9 milhões. Por meio da Rede de Monitoramento BrasilDAT, coordenada pelo Elat em conjunto com outras instituições, é possível saber a cada 24 horas se o fenômeno ocorreu em alguma parte das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. Sensores de detecção espalhados em vários pontos captam o campo eletromagnético do fenômeno e as informações são repassadas para a central de omputadores do Grupo de Monitoramento do Elat. Até o fim do ano que vem, a área de cobertura será estendida para a Região Norte. Embora o coordenador do Elat tenha constatado a influência do aquecimento do clima e da urbanização, a cidade onde mais caíram raios proporcionalmente ao tamanho do município foi Porto Real, no Rio de Janeiro, com área de 50,8 quilômetros quadrados e população de 16.574 pessoas. A incidência naquele local foi de 27 raios por quilômetro quadrado. A segunda colocada no ranking nacional é São Caetano do Sul, com 22,8 raios, a campeã no estado de São Paulo. Na cidade de São Paulo foram 14 raios por quilômetro quadrado. Segundo o Elat, nas últimas décadas, os grandes centros urbanos apresentaram aumento expressivo na incidência de raios. Na capital paulista, o número excede em 60% o registrado há 50 anos. No último mês de novembro, foram verificadas 1.166 ocorrências, com concentração no último dia 29 (745), o que é quase o dobro do pico registrado em novembro de 2008, mês em que ocorreram 1.505 e, em um só dia (24), 379. Comparando os meses de novembro dos últimos quatro anos, o maior número foi em 2009, com 3.385, e concentração no dia 24, com 1.172. Em 2010, a incidência de todo o mês foi a menor desse período, com 841 raios e maior número no dia 9, com 481.

Estudo traça paralelo entre música e avanço da surdez de Beethoven

Uma equipe de pesquisadores na Holanda apresentou uma inédita prova da ligação entre os diferentes estilos de composição ao longo da vida do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827) e a progressiva surdez que afetou o gênio. O artigo "A surdez de Beethoven e seus três estilos" foi publicado na terça-feira na revista "British Medical Journal" por Edoardo Saccenti e Age Smilde, do Instituto Swammerdam para Ciências da Vida, da Universidade de Amsterdã, e Wim Saris, da Universidade de Maastricht. "Este exercício-piloto indicou a existência de uma relação entre a progressão da surdez de Beethoven e o uso de notas agudas em sua música", escrevem os autores. A audição de notas agudas costuma ser afetada primeiro nos casos de surdez progressiva. "Isso é muito comum, basta pensar em pessoas idosas que começam a ter dificuldade em ouvir outros falando. Isso acontece porque as consoantes, que fazem as palavras serem compreensíveis, soam na região de alta frequência", disse Saccenti. "Os períodos de composição de Beethoven correspondem aos estágios da progressão de sua surdez, embora a correlação não implique causalidade", escreveram os autores na revista médica. O primeiro período vai até cerca de 1802 e mostra influência de predecessores como Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), a quem ele admirava, e Joseph Haydn (1732-1809), que foi seu professor. Nessa fase, ele compôs suas duas primeiras sinfonias e os quartetos de corda conhecidos como Opus 18. A fase intermediária, ou "heroica", por conta dos seus esforços em lutar com a surdez, inclui seis sinfonias (3ª a 8ª), uma delas conhecida como "Eroica", dedicada a Napoleão Bonaparte, além de mais quartetos. O período final começa em 1815, já com a surdez avançada, e contém obras mais maduras e complexas; além de inovações formais, houve o desrespeito a regras consagradas. Por exemplo, ele inseriu um coral na Sinfonia nº 9 pela primeira vez na história da música, uma exaltação da poesia e da música. Saccenti e colegas analisaram partituras de quatro grupos de quartetos de corda, considerados exemplos perfeitos das diferenças de estilo de composição das três fases, e checaram a frequência de notas agudas (acima de 1.568 Herz) no primeiro violino do primeiro movimento. A porcentagem dessas notas decresceu no período entre 1798 e 1801, mas voltou a crescer entre 1824-26, os anos da surdez praticamente total. Com a progressão da surdez, ele passou a usar mais notas com frequências médias e baixas, que ele conseguiria ouvir melhor; mas, quando ficou muito surdo, parou de tentar escutar e passou a compor com seu "ouvido interno" cerebral, com isso, voltando a usar notas mais agudas. A equipe pretende agora checar as sonatas de piano do compositor para verificar se o efeito descoberto nos quartetos é confirmado ou não. Ludwig van Beethoven morreu em 1827, aos 56 anos. Sua surdez já se manifestara de forma aguda quando ele completara 44. Aos 52, desistiu de vez de procurar novos médicos para curá-la.

Vale vai desenvolver mina de carvão na Austrália com Aquila

A Vale e a australiana Aquila Resources fecharam acordo para o desenvolvimento da mina de carvão Eagle Downs, dando fim a uma longa disputa entre as duas companhias e evitando uma venda forçada da participação da Aquila. A Aquila aceitou o projeto para evitar recorrer a uma cláusula de direitos que poderia ter levado à venda compulsória de seus 50% à Vale. A mina deve produzir, na primeira década de operação, uma média de 4,5 milhões de toneladas por ano de carvão coque duro, usado na produção de aço, afirmou a companhia australiana em comunicado. A Aquila vinha brigando contra uma opção preferida pela Vale de desenvolver a mina antes do porto e ferrovia que ligariam o projeto, mas disse no comunicado que um comitê conjunto aprovou o plano. A Aquila estima os custos em US$ 1,25 bilhão, divididos meio a meio. A Vale tinha alegado que a preferência da Aquila de começar os dois trabalhos ao mesmo tempo atrasaria a produção em um ano. Neste ano, a mineradora australiana havia acusado a brasileira de não agir de "boa-fé" e atrasar o projeto para enfraquecer o fluxo de caixa da Aquila e forçar a venda da participação a um preço abaixo do valor de mercado. A Aquila disse que votou a favor da opção da Vale para evitar o risco do direito de compra favorecer a Vale por causa dos termos do contrato da joint venture. Um porta-voz da mineradora australiana disse que a companhia vê sua participação como um "ativo altamente valioso no estrategicamente significativo mercado de carvão de coque duro". As sócias estão tentando encontrar e garantir um porto compatível e uma rede ferroviária para o projeto, de acordo com o representante. Uma opção seria utilizar a estrutura criada por uma expansão do porto de Wiggins Island, no Estado de Queensland.

Fraude com CDBs do Banco PanAmericano podem custar R$ 5,4 bilhões para a Caixa Federal

É alarmante a denúncia de que o Banco Panamericano (Silvio Santos), agora sob controle da Caixa Econômica Federal, colocou CDBs frios no mercado. A fraude pode chegar a R$ 5,4 bilhões.

Peluso, que recebeu R$ 700 mil do Tribunal de Justiça paulista, defende Lewandowski

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, fez uma nota para defender a decisão do ministro Ricardo Lewandowski, que suspendeu inspeção feita pelo Conselho Nacional de Justiça na folha de pagamento do Tribunal de Justiça de São Paulo. Lewandowski recebeu pagamentos sob investigação, feitos a todos os desembargadores da corte por conta de um passivo trabalhista da década de 90. O próprio ministro Peluso, que, como Lewandowski, foi desembargador do Tribunal de Justiça paulista, recebeu recursos desse passivo. Ele recebeu R$ 700 mil. Peluso considera que, apesar dos recebimentos, nem ele nem Lewandowski estão impedidos de julgar ações sobre o tema porque os ministros do Supremo não se sujeitam ao CNJ. Portanto, não seria possível falar que agem em causa própria ou que estão impedidos quando julgam a legalidade de iniciativas daquele órgão, já que não estão submetidos a ele, e sim o contrário, de acordo com a Constituição e com decisão do próprio Supremo. A corregedoria do CNJ iniciou em novembro uma devassa no Tribunal de Justiça de São Paulo para investigar pagamentos que magistrados teriam recebido indevidamente junto com seus salários e examinar a evolução patrimonial de alguns deles, que seria incompatível com sua renda. Um dos pagamentos que estão sendo examinados é associado à pendência salarial da década de 90, quando o auxílio moradia que era pago apenas a deputados e senadores foi estendido a magistrados de todo o País. Em São Paulo, 17 desembargadores receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão de uma só vez, e na frente de outros juízes que também tinham direito a diferenças salariais. Tanto Peluso quanto Lewandowski dizem ter recebido menos do que esse valor. Leia a íntegra da nota de Peluso: “O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Cezar Peluso, repudia insinuações irresponsáveis de que o ministro Ricardo Lewandowski teria beneficiado a si próprio ao conceder liminar que sustou investigação realizada pela Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra magistrados de 22 tribunais do País. Em conduta que não surpreende a quem acompanha sua exemplar vida profissional, o ministro Lewandowski agiu no estrito cumprimento de seu dever legal e no exercício de suas competências constitucionais. Inexistia e inexiste, no caso concreto, condição que justifique suspeição ou impedimento da prestação jurisdicional por parte do ministro Lewandowski. Nos termos expressos da Constituição, a vida funcional do ministro Lewandowski e a dos demais ministros do Supremo Tribunal Federal não podem ser objeto de cogitação, de investigação ou de violação de sigilo fiscal e bancário por parte da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. Se o foi, como parecem indicar covardes e anônimos “vazamentos” veiculados pela imprensa, a questão pode assumir gravidade ainda maior por constituir flagrante abuso de poder em desrespeito a mandamentos constitucionais, passível de punição na forma da lei a título de crimes".

Mais de 60 mil funcionários públicos gaúchos devem ser reembolsados por desconto indevido da Previdência

Apoiado pelos deputados aliados, o governo do Rio Grande do Sul, do petista Tarso Genro, deverá apresentar, em fevereiro, projeto de lei para estabelecer um regime de previdência complementar aos novos servidores estaduais. Imagine, essa era uma das propostas básicas do governo de Antonio Britto, então no PMDB (em 1995), que foi totalmente torpedeada. Britto se tornou para os petistas xiitas gaúchos o símbolo do satanás neoliberal. Pois agora o PT, capitaneado pelo peremptório Tarso Genro, vai apresentar a proposta. Essa proposta petista é a principal alternativa do Palácio Piratini após o Tribunal de Justiça ter declarado, na segunda-feira, a inconstitucionalidade de dois artigos da lei que determinou o aumento da alíquota previdenciária dos atuais servidores, de 11% para 14%, para os salários mais altos. A decisão do Tribunal de Justiça, que abortou parte das medidas do fracassado Pacotarso, pacote do governo petista para supostamente enfrentar o déficit da Previdência, que chegou a R$ 4,5 bilhões em 2009, foi objeto de debate entre Tarso Genro, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, e aliados. Reunidos nesta terça-feira, eles demonstraram simpatia pelo sistema complementar, que em passado recente chamavam de praga neoliberal. Segundo a Secretaria da Fazenda, cerca de 62 mil matrículas irão receber reembolso por terem sofrido desconto previdenciário indevido nos contracheques de novembro, dezembro e do 13°, ocasiões em que foram aplicadas as alíquotas de até 14% para aqueles que recebem mais que R$ 3.691,74. O montante a ser devolvido chega a R$ 35 milhões. O secretário Odir Tonollier afirmou que a definição sobre a data de devolução ocorrerá após notificação judicial. O Tribunal de Justiça informou que o acórdão com a decisão será publicado no Diário da Justiça em 15 ou 16 de janeiro. Os deputados da base apontaram que a melhor saída é a previdência complementar, garantiu o deputado estadual Miki Breier (PSB). Engraçado, este socialista também aderiu ao discurso "neoliberal" revisitado. O PT, diz o deputado estadual Jeferson Fernandes, também está mobilizado para viabilizar a iniciativa. Pestana evitou avançar, mas confirmou o aprofundamento de estudos acerca do tema: "Surgiram alternativas que devem ser estudadas. E uma delas é a da Previdência complementar". Outra hipótese, que retoma a idéia de elevação da alíquota, não está descartada. Para não infringir as determinações constitucionais suscitadas pelo Tribunal de Justiça, a contribuição teria de atingir todos os servidores, sem os redutores que causaram a quebra da isonomia, e ser inferior ao patamar de 14%, considerado confiscatório. O peremptório petista Tarso Genro teria sugerido uma alíquota única de 13% de desconto previdenciário para todos os funcionários públicos. O presidente da Associação dos Juízes (Ajuris), João Ricardo dos Santos Costa, é contrário à proposta: "Nós imaginávamos que o governo faria isso. Ele aprovou um projeto flagrantemente inconstitucional e conseguiu o resultado judicial que queria justamente para justificar a privatização da Previdência. Há interesses de corporações para colocar a mão nesses recursos abundantes".

Ministro do Supremo beneficiou a si próprio ao paralisar inspeção do CNJ nos tribunais

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, está entre os magistrados que receberam pagamentos investigados pela corregedoria do Conselho Nacional de Justiça no Tribunal de Justiça de São Paulo, onde ele foi desembargador antes de ir para o Supremo. Lewandowski concedeu na segunda-feira uma liminar suspendendo a investigação, que tinha como alvo 22 tribunais estaduais. O ministro atendeu a um pedido de associações como a AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), que alega que o sigilo fiscal dos juízes foi quebrado ilegalmente pela corregedoria, que não teria atribuição para tanto. Lewandowski disse que não se considerou impedido de julgar o caso, apesar de ter recebido pagamentos que despertaram as suspeitas da corregedoria, porque não é o relator do processo e não examinou o seu mérito. A liminar que ele concedeu suspende as inspeções programadas pelo Conselho Nacional de Justiça e permite que o relator do caso, ministro Joaquim Barbosa, volte a examinar a questão em fevereiro, quando o Supremo voltará do recesso de fim de ano. A corregedoria do Conselho Nacional de Justiça iniciou em novembro uma devassa no Tribunal de Justiça de São Paulo para investigar pagamentos que alguns magistrados teriam recebido indevidamente junto com seus salários e examinar a evolução patrimonial de alguns deles, que seria incompatível com sua renda. Um dos pagamentos que estão sendo examinados é associado a uma pendência salarial da década de 90, quando o auxílio moradia que era pago apenas a deputados e senadores foi estendido a magistrados de todo o País. Em São Paulo, 17 desembargadores receberam pagamentos individuais de quase R$ 1 milhão de uma só vez, e na frente de outros juízes que também tinham direito a diferenças salariais. Lewandowski afirmou, ainda por meio de sua assessoria, que se lembra de ter recebido seu dinheiro em parcelas, como todos os outros. O ministro disse que o próprio Supremo reconheceu que os desembargadores tinham direito à verba, que é declarada no Imposto de Renda. Ele afirmou que não entende a polêmica pois não há nada de irregular no recebimento. A corregedoria afirmou nesta terça-feira, por meio de nota, que não quebrou o sigilo dos juízes e informou que em suas inspeções "deve ter acesso aos dados relativos à declarações de bens e à folha de pagamento, como órgão de controle, assim como tem acesso o próprio tribunal". No caso de São Paulo, a decisão do Supremo de esvaziar os poderes do Conselho Nacional de Justiça suspendeu investigações sobre o patrimônio de cerca de 70 pessoas, incluindo juízes e servidores do Tribunal de Justiça. Liminar concedida anteontem pelo ministro Marco Aurélio Mello impede que o conselho investigue juízes antes que os tribunais onde eles atuam analisem sua conduta -o que, na prática, suspendeu todas as apurações abertas por iniciativa do CNJ. No caso de São Paulo, a equipe do conselho havia começado a cruzar dados da folha de pagamento do tribunal com as declarações de renda dos juízes. O trabalho foi paralisado já nesta terça-feira.

Encontradas no Peru valas comuns com 100 vítimas de terrorismo de esquerda

Quatorze valas comuns com vítimas do terrorismo de esquerda nos anos 80 foram descobertas na região de Ayacucho, no sudeste do Peru, denunciou nesta terça-feira o congressista Alberto Beingolea. O legislador da opositora Aliança pela Grande Mudança informou, segundo o portal do diário "El Comercio", que um grupo de dirigentes camponeses fez a descoberta no povoado de Huayco, perto da entrada ao Valle de los Ríos Apurímac e Ene, onde há presença do narcotráfico e das forças remanescentes do grupo terrorista esquerdista (maoísta) Sendero Luminoso. Beingolea acrescentou que, segundo os testemunhos entregues a ele, nas valas há aproximadamente 100 cadáveres. "Este é um tema vigente e atual. Há um tema de desaparecimento que nós só vemos em números, mas que para milhares de peruanos continua sendo uma realidade penosa. Eles querem justiça, não pela reparação econômica, mas porque lutam pelo direito de enterrar seus mortos", manifestou o congressista.

Máfia do jogo do bicho tentava interferir em nomeação para a Polícia Federal, e ressurge o nome de Erenice Guerra

Preso na semana passada, acusado de chefiar um dos braços da máfia do jogo do bicho no Rio de Janeiro, o ex-prefeito de Teresópolis, Mário Tricano, tentava interferir em decisões do Ministério da Justiça, em Brasília. Um trecho do relatório da Operação Dedo de Deus, da Polícia Civil do Rio de Janeiro, tem transcrições de uma interceptação telefônica autorizada pela Justiça em que Mário Tricano conversa com um interlocutor que demonstra proximidade com a cúpula do ministério. Esse interlocutor afirma que terá, em breve, um encontro com um homem que, para os investigadores, seria o ministro José Eduardo Cardozo. O nome todo do ministro, no entanto, não aparece nas gravações. A conversa interceptada e transcrita no relatório da Polícia Civil ocorreu em 20 de dezembro de 2010, às 19h15. A informação veio a público na edição desta terça-feira do jornal carioca O Dia. A voz de Mário Tricano, provavelmente protegida por um sistema de criptografia, não aparece no áudio. O amigo de Mário Tricano afirma: “Eu vou ter uma reunião de final de ano com o Cardoso para a questão da nomeação do diretor-geral da Polícia Federal. Essa reunião está marcada para ser quarta-feira”. E, mais à frente, avisa: “Vai ter coisa pra frente que nós vamos precisar, até porque se tudo sair certo a indicação do diretor vai seguir uma linha muito boa e uma linha que vai ajudar muito aquilo que eu falei pra você que eu quero fazer aí no Rio de Janeiro”. O caso abre uma nova frente nas investigações sobre as ligações da máfia do jogo no Rio de Janeiro. O que se pode afirmar, até o momento, é que alguém, na conversa com Mário Tricano, tentava vender influência no ministério. Nove dias depois do diálogo interceptado, o ministro José Eduardo Cardozo anunciou o delegado federal Leandro Daiello Coimbra como futuro chefe da instituição. Além do teor da conversa, o que chama atenção é a origem do telefonema. O número utilizado para o contato com Mário Tricano está em nome do escritório Trajano e Silva Advogados Associados, de Brasília. Um dos sócios da empresa é Antônio Eudacy Alves Carvalho, irmão da ex-ministra da Casa Civil do governo Lula, Erenice Guerra. Antônio Eudacy teve seu nome ligado ao escândalo da Casa Civil quando se descobriu que outra irmã da ministra petista, Maria Euriza Alves Carvalho, contratou o escritório Trajano e Silva, sem licitação, para o Ministério de Minas e Energia, ao qual está vinculada. Como mostrou reportagem da revista Veja, o escritório era usado por Israel Guerra, filho de Erenice, para despachar com os clientes. Um dos advogados da banca é Marcio Silva, que atuou como coordenador em Brasília dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma.

Decisão anti-CNJ ameaça 2.500 casos

Praticamente todos os 2,5 mil processos em tramitação no Conselho Nacional de Justiça correm o risco de "morrer na praia" com a liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, que esvaziou as atribuições do colegiado. De acordo com integrantes da Corregedoria Nacional de Justiça, quase todos os processos (entre pedidos de providência, reclamações disciplinares, sindicâncias e processos administrativos) foram abertos diretamente no Conselho Nacional de Justiça. Muitos foram encaminhados para os tribunais locais continuarem a investigação e outros permaneceram no próprio Conselho. Pela decisão do ministro, somente os tribunais locais podem abrir processos para investigar irregularidades cometidas por magistrados. O CNJ só poderia processar os juízes depois que o caso fosse concluído por essas cortes. A depender do alcance que for dado pelo STF a essa decisão, todos os processos que foram abertos na Corregedoria teriam de começar do zero nos tribunais locais. E isso levaria muitos dos casos à prescrição. Como são leves as punições administrativas para magistrados, o prazo de prescrição é curto (de seis meses a cinco anos) e começa a contar no momento em que o fato foi levado ao conhecimento de quem deve investigá-lo.