domingo, 4 de dezembro de 2011

Carlos Lupi entrega carta de demissão, após tomar uns seis balaços de denúncias

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, se reuniu na tarde deste domingo com a presidente Dilma Rousseff e entregou seu cargo. A situação do ministro ficou insustentável após o jornal Folha de S. Paulo revelar que ele acumulou dois empregos públicos por quase cinco anos antes de entrar para o Executivo federal. Após a revelação, o Palácio do Planalto passou a esperar que o ministro se antecipasse e pedisse demissão. Do contrário, a presidente Dilma Roussef teria de fazê-lo. Com a saída de Lupi, assume interinamente o número 2 da pasta, Paulo Roberto Pinto. Lupi também disse que não teve o direito de se defender. Além disso, segundo ele, sua demissão é uma maneira de evitar que "o ódio das forças mais reacionárias e conservadoras deste País contra o trabalhismo não contagie outros setores do governo". Carlos Lupi foi o ministro alvo de acusações mais longevo do governo, resistindo com ajuda do Planalto desde 9 de novembro, após reportagem da revista "Veja" afirmar que assessores recebiam propina. Dos 37 ministros, a presidente Dilma Rousseff já perdeu sete desde o início de seu governo, em janeiro, sendo seis acusados de irregularidades: além de Lupi, Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo), Antonio Palocci (Casa Civil) e Orlando Silva (Esportes). O objetivo de Dilma era demiti-lo apenas na reforma ministerial, prevista para janeiro. Isso evitaria o constrangimento de ver seu sexto ministro cair por suspeita de irregularidades e a livraria de tratar antecipadamente da acomodação do PDT.

Ronaldo recebe convite para ver jogo com Lula e não vai ao Pacaembu

Ronaldo não foi ao estádio do Pacaembu acompanhar o empate sem gols com o Palmeiras, neste domingo, na capital paulista. O ex-jogador, que costuma ver de perto os jogos do Corinthians, não compareceu na arena. O presidente do clube alvinegro, Andres Sanchez, acabou tendo ao seu lado o atacante Emerson e os meio-campistas Ralf e Danilo, que não jogaram por estarem suspensos. Os três atletas foram para o gramado depois que a partida terminou para comemorar com os companheiros. O Fenômeno, que esta semana virou integrante do Comitê Organizador Local da Copa de 2014, recebeu um convite para ver o clássico paulista válido pela última rodada do Brasileiro na casa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É preciso ficar de olho bem aberto nos movimentos de Ronaldo Fenômeno. Ele está aprendendo a fazer negócios em alto estilo.

Havelange renuncia ao COI dias antes de possível expulsão

O ex-presidente da Fifa João Havelange, de 95 anos, renunciou ao Comitê Olímpico Internacional (COI) dias antes de a entidade anunciar decisão sobre casos de corrupção ocorridos nos últimos anos e que envolvia o nome do brasileiro. Ex-sogro do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Havelange era membro da entidade olímpica há 48 anos e era um dos homens mais influentes do esporte mundial. O brasileiro apresentou sua carta de renúncia na última quinta-feira. A ação acontece poucos dias antes de o comitê de ética do COI recomendar sanções pesadas contra Havelange no caso envolvendo a agência ISL, que trabalhava com o marketing da Fifa. Havelange, membro do COI desde 1963, está sob investigação por supostamente receber um pagamento de US$ 1 milhão (cerca de R$ 1,7 milhão) da ISL. Dois outros integrantes do COI, Lamine Diack e Issa Hayatou, também estão sob investigação, mas devem sofrer sanções menores. A suspensão de dois anos ou até mesmo a possível expulsão era esperada na reunião da próxima quinta-feira no conselho executivo do COI, em Lausanne, na Suíça. Com sua renúncia, o caso de ética contra ele deverá ser arquivado. Reverenciado por Carlos Arthur Nuzman, líder da candidatura brasileira aos Jogos Olímpicos de 2016, Havelange tornou-se o primeiro dirigente de fora do continente europeu a ganhar a eleição para o cargo mais alto da Fifa. Para isso, ele rodou o mundo atrás dos votos de africanos e asiáticos, continentes que, naquela época, não tinham representação na entidade mundial do futebol. Havelange e Nuzman começaram a carreira esportiva no Fluminense, clube da elite carioca. Ele era o mais velho membro do COI com direito a voto e foi o responsável também pela entrada de Nuzman no comitê. Havelange, que disputou como atleta duas Olimpíadas (1936 e 1952), gosta de mostrar sua influência no COI. Ex-nadador e jogador de pólo aquático, ele foi presidente da Fifa por 24 anos antes de ser sucedido por Joseph Blatter, em 1998. Ele permanece presidente honorário da entidade máxima do futebol. O caso ISL foi objeto de julgamento criminal na Suíça em 2008. Mas a Fifa conseguiu proibir o tribunal de revelar o nome dos funcionários que teriam embolsado $ 6,1 milhões (mais de R$ 10 milhões) em propinas. Ricardo Teixeira, presidente do comitê organizador da Copa-2014, também foi identificado pela rede de TV britânica BBC como tendo recebido pagamentos. Teixeira não é membro do COI.

Desativação de bomba da Segunda Guerra esvazia cidade alemã

A cidade alemã de Koblenz ficou parecendo fantasma depois que 45 mil pessoas foram retiradas desde quarta-feira para que especialistas pudessem neutralizar, neste domingo, uma bomba de aviação da Segunda Guerra Mundial. O trabalho de retirada da população transcorreu sem problemas, garantiu o porta-voz dos bombeiros Manfred Morschhäuser. Mesmo assim, na manhã deste domingo as autoridades fizeram uma última ronda para verificar se realmente não restava ninguém na zona afetada. A metade da população de Koblenz teve de deixar suas casas para a desativação da bomba de aviação britânica de 1,8 tonelada, descoberta recentemente às margens do Rio Reno, assim como de outra americana de 125 quilos e de um artefato de gás. Essa grande operação para desativar a bomba começou na quarta-feira com a transferência dos pacientes das Unidades de Terapia Intensiva de dois hospitais, e os doentes internados em outras instituições, assim como sete asilos. Entre sexta-feira e sábado o mesmo foi feito com os detentos do centro penitenciário. As ligações regionais até Koblenz por ferrovia e estrada foram interrompidas. A operação envolveu um efetivo de 2.500 homens, incluindo 600 bombeiros, 400 enfermeiros e 600 motoristas para 300 ambulâncias e 330 policiais, assim como membros de Defesa Civil e do Exército.

Sanções ao Irã podem levar petróleo para US$ 250,00

O ministério das relações exteriores do Irã acredita que se o Ocidente considera seriamente bloquear a capacidade de Teerã exportar petróleo, o preço global da matéria-prima iria mais do que dobrar, disse o porta-voz do ministério, Ramin Mehmanparast, neste domingo. "Um assunto tão sério elevaria o preço do petróleo para cerca de US$ 250 dólares o barril", disse ao jornal "Sharq". As conversações do Ocidente sobre sanções mais pesadas sobre o programa nuclear do Irã aumentaram desde que a Nações Unidas publicou um relatório em novembro contendo informações de que havia evidências de que Teerã trabalhava na construção de uma bomba atômica. O Senado americano votou na quinta-feira para penalizar instituições financeiras estrangeiras que fazem negócios com o banco central do Irã, o principal canal das receitas do petróleo, e a União Européia está considerando banir o petróleo importado da república Islâmica. Mas até o momento nem Washington nem Bruxelas finalizaram um movimento contra o comércio de petróleo ou ao banco central, em meio a temores sobre o possível impacto de uma frágil economia global ao restringir os fluxos de petróleo do quinto maior exportador do mundo.

Ex-jogador Sócrates morre em São Paulo aos 57 anos

O ex-jogador Sócrates morreu às 4h30 deste domingo, aos 57 anos, em decorrência de um choque séptico, que ocorre quando bactérias de uma infecção chegam à corrente sanguínea e se espalham pelo corpo. Seu corpo foi levado para ser enterrado em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. A CBF determinou a observação de um minuto de silêncio em homenagem ao jogador que defendeu a seleção nas Copas de 1982 e 1986 nas partidas deste domingo. O ídolo do Corinthians, estava internado desde a última quinta-feira na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do hospital Albert Einsten, na zona sul de São Paulo, após dar entrada com quadro de infecção intestinal. Sócrates, sua mulher e um amigo haviam se sentido mal na noite de quinta-feira após comerem em um evento. O ex-jogador chegou a ficar internado outras duas vezes entre agosto e setembro, também na UTI, por conta de hemorragias digestivas. Sócrates era casado e tinha seis filhos. Além de Corinthians e Botafogo-SP, jogou também pelo Flamengo, Santos e Fiorentina, da Itália. Formado em medicina, trabalhava como comentarista na TV Cultura e era colunista do "Agora São Paulo", do Grupo Folha, e da "Carta Capital".

Trabalhadores querem equiparar remuneração do FGTS com a poupança

A baixa remuneração do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), de 3% ao ano mais Taxa Referencial (TR), é a principal base de críticas que os trabalhadores em geral fazem sobre a gestão e operação do FGTS. Basta ver que em 2010 as contas do fundo renderam 4,06%, enquanto a caderneta de poupança, que tem remuneração de 6% ao ano mais TR, rendeu 6,9%. A constatação é do representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Conselho Curador do FGTS, Jacy Afonso de Melo, lembrando que a remuneração do FGTS perdeu até mesmo para a inflação do ano passado, de 5,9%. “As perdas para os trabalhadores são claras”, segundo ele, o pior é que essas perdas se avolumam desde que esse instrumento de “defesa do trabalhador” foi criado, em setembro de 1966. Jacy Afonso disse que a gestão dos recursos do fundo, pela Caixa Econômica Federal, tem registrado bons lucros, mas esses resultados não beneficiam diretamente o trabalhador, verdadeiro dono das contas. “Queremos uma parte desses resultados, pelo menos o necessário para equiparar a remuneração do FGTS com a da caderneta de poupança”, declarou.

Chegam a quase R$ 300 milhões os convênios sem prestação de contas no "mundo Lupi"

A fartura de dinheiro repassado pelo Ministério do Trabalho, de Carlos Lupi (PDT), para ONGs contrasta com a precária estrutura de controle da boa aplicação dos recursos destinados a programas de qualificação de mecânicos, garçons, marceneiros, entre outros trabalhadores. Levantamento com dados do Siafi (Sistema Integrado de Administração Financeira) informa que o ministério acumula R$ 282 milhões em prestações de contas de ONGs, fundações e prefeituras não analisadas. Isso significa que o ministério liberou o dinheiro, mas não sabe se os serviços foram executados. As pilhas de prestações de contas estão acumulando poeira desde 2004. Entre as contas pendentes estão os processos do Instituto Brasil Voluntário - Bravo, ONG indicada pelo deputado Weverton Rocha (PDT-MA), um dos principais assessores de Lupi à época da assinatura do convênio entre a entidade e o ministério. A entidade firmou, em dezembro de 2007, um convênio de R$ 2.184.870,00 com o pretexto de qualificar jovens para o primeiro emprego. Mas, segundo um fiscal, depois de receber o dinheiro, desapareceu. Esse fiscal relata que a entidade entregou a prestação de contas da primeira parcela (aproximadamente R$ 800 mil) e simplesmente sumiu. Nos documentos apresentados ao ministério, a Brasil Voluntário informa como endereço um escritório em Timon, no Maranhão, uma das bases eleitorais de Weverton. Em 2008, ano seguinte à assinatura do convênio, dirigentes da entidade teriam ajudado a campanha do ex-deputado Chico Leitoa (PDT) à prefeitura local. Leitoa é um dos principais aliados de Weverton Rocha. Relatório da Controladoria-Geral da União (CGU) aponta graves irregularidades no convênio. Entre outras ilegalidades, os fiscais verificaram “indícios de fraude na formulação de planilhas de custos de cursos de qualificação específica” e “pagamentos indevidos a servidores públicos”. Nos papéis relegados a segundo plano estão ainda uma das prestações de contas da Fundação Pro-Cerrado, do empresário Adair Lima, o mesmo que providenciou um avião para Lupi fazer uma viagem ao Maranhão no final de 2009. Em 2007, a ONG fez convênio de R$ 2.379.282,62 também para qualificar trabalhadores, mas as contas da entidade não foram analisadas. A ONG já caiu na malha fina da Controladoria Geral da União e está sob investigação do Ministério Público do Distrito Federal.

Ministro Fernando Pimentel recebeu R$ 2 milhões por consultorias, é o petismo de resultados

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel (PT), faturou pelo menos R$ 2 milhões com sua empresa de consultoria, a P-21 Consultoria e Projetos Ltda, em 2009 e 2010, entre sua saída da prefeitura de Belo Horizonte e a chegada ao governo Dilma Rousseff. Os dois principais clientes do então ex-prefeito foram a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) e o grupo da construtora mineira Convap. A federação pagou R$ 1 milhão por nove meses de consultoria de Pimentel, em 2009, e a construtora, outros R$ 514 mil, no ano seguinte. A consultoria de Pimentel à Fiemg foi contratada quando o presidente da entidade era Robson Andrade, atualmente à frente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), e se resumiu, de acordo com o atual presidente da Fiemg, Olavo Machado, a “consultoria econômica e em sustentabilidade”. No entanto, dirigentes da própria entidade desconhecem qualquer trabalho realizado pelo ministro. O serviço à Convap durou de fevereiro a agosto de 2010, época em que Pimentel era um dos coordenadores da campanha de Dilma e viajava o Brasil com a candidata. Após a consultoria, a Convap assinou com a prefeitura do aliado de primeira hora de Pimentel, Márcio Lacerda (PSB), dois contratos que somam R$ 95,3 milhões. Em maio deste ano, ao ser questionado durante viagem a Ipatinga (MG) a respeito das atividades da P-21 Consultoria e Projetos Ltda, já na condição de ministro, o petista não quis dizer quem eram os seus clientes e classificou o rendimento da empresa como “compatível com a atividade dela” e “nada extraordinário”. A Convap contratou Pimentel por meio de outra empresa do grupo que a controla, a Vitória Engenharia, atual Mineração Vitória Ltda., cujo endereço é o mesmo da construtora, em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Menos de um ano após pagar a última parcela pela consultoria do petista, a Convap foi escolhida no governo Lacerda para tocar obras viárias de implantação do sistema de BRT (Bus Rapid Transit) na Avenida Cristiano Machado, para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 36,3 milhões), e da Via 210, na região Oeste da capital mineira (R$ 59 milhões). As duas obras são em consórcio com a construtora Constran. Fernando Pimentel deixou a prefeitura há três anos; ainda assim seu grupo permanece no controle da Secretaria municipal de Obras e Infraestrutura no governo Lacerda. A pasta foi responsável pela contratação da Convap e continua nas mãos do engenheiro Murilo Valadares, petista que cuidava da secretaria no governo de Pimentel. Perguntado se via conflito de interesses na assinatura de contratos de quase R$ 100 milhões com uma empresa que tinha como consultor um de seus padrinhos políticos, Valadares disse que não. Ele alegou que os contratos foram assinados por meio de licitação e que, nos dois casos, o consórcio apresentou o menor preço. “O secretário sempre pautou suas ações pela transparência e pela ética. As licitações seguem os parâmetros legais. Diante da suspeita de quaisquer irregularidades, cabe aos órgãos competentes realizarem suas fiscalizações, bem como à imprensa republicana registrar os fatos e evitar suposições”, disse a assessoria de Valadares, por meio de nota oficial.

Escândalo do Banco Panamericano ronda o ministro Mantega

O site Brasil 247 revela: até agora, a faxina ministerial da presidente Dilma Rousseff já fez seis vítimas (Antônio Palocci, Alfredo Nascimento, Nelson Jobim, Pedro Novais, Wagner Rossi e Orlando Silva) e colocou mais um nome, o de Carlos Lupi, à beira da degola. Todos esses foram ou serão, no caso de Lupi, substituídos sem maiores tremores. Só que, nos últimos dias, começaram a surgir sinais de fumaça na área mais estratégica do governo: o Ministério da Fazenda. Sim, o ministro Guido Mantega, também pode estar ameaçado. Basta juntar alguns fatos recentes para identificar que há algo estranho no ar. A eles: (1) A Folha de S. Paulo que chega às bancas neste domingo, mais uma vez, revela a interferência de Mantega na operação que fez com que a Caixa Econômica Federal investisse R$ 739,3 milhões na compra do Panamericano. A operação foi conduzida pelo braço de Mantega na Caixa, o vice-presidente Marcio Percival. E segundo um email publicado pela Folha, Mantega pressionou o Panamericano para que seu pupilo Demian Fiocca fosse indicado para o banco. Fiocca foi um nome levado por Mantega para a presidência do BNDES, no governo Lula, e também para uma diretoria da Vale. De acordo com a reportagem da Folha, a Caixa soube dos problemas do Panamericano antes de comprá-lo. E um email em poder da PF, dirigido por Rafael Palladino, ex-presidente do Panamericano, a Luiz Sandoval, que era braço direito de Silvio Santos, revela a pressão por Fiocca. (2) Na sexta-feira, o jornalista Claudio Humberto, um dos mais influentes de Brasília, com uma coluna reproduzida em mais de uma dezena de jornais, informou que o ministro Guido Mantega vive um dilema. Pensa em sair do governo em janeiro, porque sua esposa estaria enfrentando graves problemas de saúde. Quem leu, entendeu de outra maneira. Foi uma mensagem cifrada para que Guido saia do governo pela porta da frente – e não pela porta dos fundos. (3) Aqui mesmo, no 247, nosso colunista Arthur Virgílio publicou um artigo sobre o temor do mercado financeiro em relação a algum possível escândalo que atinja uma figura proeminente da área econômica. Essa figura se chama Guido Mantega. Guido Mantega está na alça de mira dos adversários por uma série de razões. Em um governo centralizador e sem um núcleo duro, ele foi ocupando espaços, embora seja visto, erroneamente, como um ministro sem ambições. Guido hoje tem grande influência no Banco do Brasil, na Caixa Econômica Federal, no BNDES e no Banco do Nordeste. É o “fraco” mais forte que o Brasil já conheceu. Além disso, a queda do ministro Antonio Palocci deixou sequelas. A ala paloccista do PT atribui ao chefe da Fazenda as denúncias que derrubaram o ex-ministro da Casa Civil, o que envolveu até uma quebra de sigilo fiscal. O ponto mais sensível para o ministro Mantega talvez seja o caso Panamericano. A Caixa Econômica Federal alega que foi vítima de uma fraude. Mas o fato concreto é que o governo socorreu duplamente o banco de Sílvio Santos, primeiro por meio da Caixa, depois com o Fundo Garantidor de Crédito. Dois executivos indicados por Mantega, Marcio Percival e Marcos Vasconcelos, egressos da Unicamp, já foram convocados pela Comissão de Fiscalização da Câmara dos Deputados para explicar o caso Panamericano. Agora, terão também de dizer porque a Caixa investiu R$ 739 milhões no banco já tendo ciência de problemas internos.

Adão Villaverde é o candidato do PT à prefeitura de Porto Alegre

O PT aprovou, por unanimidade, o nome do presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Adão Villaverde (PT), para disputar a prefeitura de Porto Alegre em 2012. O congresso municipal do partido foi realizado no Ritter Hotel, e contou com a presença do presidente nacional do partido, Rui Falcão, e do governador Tarso Genro. Ao cumprimentar Villaverde, Tarso Genro destacou como "muito importante" a missão que ele passa a assumir, como candidato do partido, segundo o relato de Sell. O governador apresentou durante o congresso uma série de diretrizes da legenda para a campanha. Também foi aprovada uma resolução que trata das alianças para 2012. O documento exclui coligação com partidos de oposição como PSDB, DEM e PPS e, no caso de Porto Alegre, com o PMDB. E abre possibilidade de alianças com o PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Uma reunião entre o PT e PSD está marcada para o próximo dia 12, com o presidente do partido no Estado, deputado federal Danrlei.

Governo abandona transposição do São Francisco após eleição de Dilma

Cenário de propaganda eleitoral da presidente Dilma Rousseff e responsável por parte de sua expressiva votação recebida no Nordeste, a transposição do Rio São Francisco foi abandonada por construtoras e o trabalho feito começa a se perder. Alguns trechos da obra em Pernambuco têm estruturas de concreto estouradas e com rachaduras, vergalhões de aço abandonados e diversos pedaços em que o concreto fica lado a lado com a terra seca do sertão nordestino. O Ministério da Integração Nacional afirma que é de responsabilidade das empresas contratadas a conservação do que já foi feito e que caberá a elas refazer o que está se deteriorando. Informa ainda que vai promover novas licitações em 2012 para as chamadas obras complementares, trechos em que a pasta e as empreiteiras não conseguiram chegar a um acordo sobre preço. Segundo o ministério, as obras estão paralisadas em 6 dos 14 lotes e em um deles o serviço ainda será licitado. Marcada por controvérsias, a obra da transposição começou a sair do papel em 2007 e, no ano seguinte, com os canteiros em pleno funcionamento, o ex-presidente Lula e sua então ministra-chefe da Casa Civil, e mãe do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), fizeram uma vistoria pela região para fazer propaganda da ação. Os dividendos eleitorais foram colhidos no ano passado por Dilma. Em Pernambuco, Estado onde começa o desvio das águas, ela obteve mais de 75% dos votos válidos no segundo turno da eleição. Nas cidades onde as obras estão agora abandonadas, o desempenho foi ainda melhor. Em Floresta, a presidente obteve 86,3%; em Cabrobó e Custódia, 90,7%; e em Betânia, 95,4%. Prometida para o final do governo Lula, a obra tem seu prazo de entrega adiado várias vezes. A nova previsão é concluir os 220 quilômetros do eixo leste, de Floresta a Monteiro (PB), até o fim de 2014, e terminar no ano seguinte os 402 quilômetros do eixo norte, que sai de Cabrobó para levar água ao Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte. A obra está atualmente orçada em R$ 6,8 bilhões, 36% a mais do que a projeção inicial. Segundo o ministério, foram empenhados R$ 3,8 bilhões para a obra e pagos R$ 2,7 bilhões às construtoras. O abandono é a tônica da obra, com canteiros completamente parados. As únicas exceções são as partes da transposição sob responsabilidade do Exército. Em um dos trechos, na divisa das cidades pernambucanas de Betânia e Custódia, cerca de 500 metros de concreto estão totalmente quebrados, com pedaços se soltando do solo. Esse trecho terá de ser refeito para a água do São Francisco passar. O padre Sebastião Gonçalves, da diocese de Floresta, foi quem encontrou o trecho destruído durante vistoria frequente que faz pelas obras: “As empresas abandonaram as obras e já começou a se perder o trabalho feito. É um desperdício inexplicável". A parte que aparece com as maiores avarias está no lote 10 da obra, que teve as obras iniciadas pelas construtoras Emsa e Mendes Júnior. Segundo moradores da região, as máquinas começaram a ser retiradas desde o início do ano passado. Há cerca de dois meses, os funcionários foram demitidos, deixando os alojamentos com aspecto de cidade fantasma, onde só restam vigias e alguns funcionários administrativos. “É uma situação caótica, está tudo parado”, reclama Manoel Joaquim da Silva, coordenador do sindicato dos agricultores familiares de Floresta e companhia constante do padre Sebastião Gonçalves no acompanhamento das obras. A Mendes Júnior informou não participar mais do consórcio, enquanto a Emsa não dá explicações. A deterioração começa a tomar conta de outro lote da obra, o de número 9, também no eixo leste. Paredes de concreto começam a rachar próximo ao local onde será construído o aqueduto sobre a BR-316, também em Floresta. Em outra área, vergalhões de aço para a construção de uma ponte para o canal passar foram abandonados e parte do material já foi até roubado. O lote é de responsabilidade das construtoras Camter e Egesa. No eixo norte, o contraste entre as obras do Exército e o abandono por parte das empreiteiras está bem próximo. Dez quilômetros à frente de onde homens fardados seguem seu trabalho, há um canteiro abandonado do Consórcio Águas do São Francisco ainda com máquinas para a fabricação de concreto que sequer foram retiradas. Percorrendo mais dez quilômetros, encontra-se um grande vão onde as explosões foram feitas, mas o canal ainda não recebeu concreto.