segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Governador petista da Bahia diz que seu governo não controla o próprio governo

Ex-ministro do Trabalho do governo Lula, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), admitiu nesta segunda-feira, em Salvador, que o Poder Executivo não tem capacidade para controlar possíveis atos de corrupção em governos. “A gente vive em um momento no qual as pessoas acham que tudo é patrimônio, então, toda vez que tem dinheiro há a possibilidade de ter corrupção”, afirma ele. “O Brasil, assim como a Bahia, é muito grande. É difícil para que um gestor consiga saber se cada convênio de R$ 500 mil, de R$ 1 milhão, se cada estrada, se cada hospital vai ser bem feito ou não. É difícil para um secretário ou um ministro saber se, lá na ponta, uma quadra de esportes está sendo feita correta ou incorretamente”, acrescentou. De acordo com o petista Jaques Wagner, a melhor saída para se evitar o desvio de recursos públicos é a população e a imprensa controlarem o destino das verbas. “O que os governos precisam garantir é transparência dos dados dos convênios e incentivar o controle social, para que a sociedade possa conhecer tudo que está acontecendo e a própria sociedade fazer o controle e reclamar”, afirma. “Por exemplo, se, localmente, alguém sabe que tem um convênio de R$ 1 milhão para construir uma escola, se isso é tornado público, e a construção não acontece, ou se a construção não justifica o preço vinculado, não tem ninguém melhor para reclamar do que o próprio interessado”. Ao falar sobre as freqüentes denúncias envolvendo ministros do governo federal, porém, o governador criticou o que chama de “linchamento público” dos gestores: “As investigações da imprensa ajudam a desvendar problemas de corrupção, mas a gente vive em um sistema democrático, então a todos é dado o direito à defesa. Se há uma denúncia, ela tem de ser investigada. Se a investigação ocorre e comprova, acho que tem de haver o afastamento, a prisão. O que sou contra é promover o linchamento sem a investigação”. Então tá.... Na era do chamado “Terceiro Setor”, Jaques Wagner propõe uma espécie de terceirização do governo. A coisa fica, então, assim: eles se elegem, nomeiam aquela penca de assessores, refestelam-se com os cargos comissionados, aparelham o Estado, enchem-no de cupinchas e apaniguados, mas cabe a nós, à sociedade, verificar se o dinheiro está ou não está sendo bem empregado. É o fim da picada! Uma coisa é defender uma sociedade vigilante, organizada, que zele pelo bem público; outra, distinta, é declarar a falência dos métodos de controle dos governos.