domingo, 14 de agosto de 2011

De volta à Venezuela, Chávez diz que o câncer "ainda não passou"

O ditador da Venezuela, Hugo Chávez, afirmou neste domingo que seu organismo respondeu bem ao segundo ciclo de quimioterapia que recebeu nesta semana em Cuba, embora tenha advertido que o câncer detectado há pouco menos de dois meses ainda "não passou". "O que quero dizer ao povo e dizer também a mim mesmo é o que ontem Fidel Castro insistia: 'Chávez, não se esqueça disso, não se deixe levar pelos impulsos. Você mesmo pode se convencer de que tudo já passou, e o povo pode começar a acreditar que tudo já passou'. Não passou", assegurou Chávez. "Vamos bem, mas, é claro, com muito cuidado", declarou o presidente à emissora oficial VTV. O presidente, que disse seguir uma estrita rotina de medicamentos, alimentação e exercícios físicos para se recuperar, assegurou que tem bom apetite, que está ganhando peso e que não teve náuseas. Além disso, assegurou que os exames médicos apresentam resultados positivos. Ele voltou a seu país na madrugada deste domingo.

Em Ribeirão, José Dirceu defende candidatura de juiz que condenou Palocci

O ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, membro do diretório nacional do PT, defendeu no sábado a pré-candidatura do juiz aposentado João Gandini à prefeitura de Ribeirão Preto nas próximas eleições municipais. Gandini foi o juiz que condenou Palocci em primeira instância por enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres públicos quando havia sido prefeito de Ribeirão Preto (2001-02), causando prejuízo de R$ 72 mil ao erário. José Dirceu esteve em Ribeirão para participar de um encontro regional entre prefeitos, vices e vereadores do PT. O objetivo era debater, a portas fechadas, a reforma eleitoral e as eleições de 2012. "O partido cresceu porque soube renovar e mudar. O PT é o responsável por essa nova classe média, que já tem emprego e agora quer melhores condições de vida, saneamento, transportes", disse ele.

Moçambique oferece terra para agricultores de soja brasileiros

O governo de Moçambique está oferecendo uma área de 6 milhões de hectares (equivalente a três Estados do Sergipe) para que agricultores brasileiros plantem soja, algodão e milho no norte do país. A primeira leva de 40 agricultores parte de Mato Grosso rumo a Moçambique no próximo mês. As terras são oferecidas em regime de concessão: os brasileiros podem usá-las por 50 anos, renováveis por outros 50, mediante um imposto módico de 37,50 meticais (R$ 21,00) por hectare, por ano. "Moçambique é um Mato Grosso no meio da África, com terra de graça, sem tanto impedimento ambiental e frete muito mais barato para a China", diz Carlos Ernesto Augustin, presidente da Associação Mato-Grossense dos Produtores de Algodão (Ampa): "Hoje, além de a terra ser caríssima em Mato Grosso, é impossível obter licença de desmate e limpeza de área". Augustin organizou a missão de agricultores para ir ao país em setembro ver as terras. Um consultor da Ampa já está no país contatando autoridades e preparando a viagem. "Quem vai tomar conta da África? Chinês, europeu ou americano? O brasileiro, que tem conhecimento do cerrado", diz Augustin. "Os agricultores brasileiros têm experiência acumulada que é muito bem-vinda. Queremos repetir em Moçambique o que eles fizeram no cerrado 30 anos atrás", afirma o ministro da Agricultura de Moçambique, José Pacheco. "A grande condição para os agricultores é ter disposição de investir em terras moçambicanas", diz Pacheco. É preciso empregar 90% de mão de obra moçambicana. A terra em Moçambique é propriedade do Estado e pode ser usada em regime de concessão, que está aberto a estrangeiros. O governo busca agricultores brasileiros por causa da experiência no cerrado, que tem características climáticas e de solo muito semelhantes à área oferecida. As terras oferecidas aos brasileiros estão em quatro províncias da região Norte: Niassa, Cabo Delgado, Nampula e Zambézia. A região é superior a toda área cultivada de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo (cerca de 5 milhões de hectares). Os produtores vão a reboque da Embrapa, que mantém na área o projeto Pró-Savana, com a Agência Brasileira de Cooperação e a Jica (Agência de Cooperação Internacional do Japão). O projeto de cooperação técnica em Moçambique é o maior da Embrapa fora do Brasil e terá 15 pessoas a partir de outubro. Em duas estações no norte do país, eles estão testando sementes de algodão, soja, milho, sorgo, feijão do cerrado brasileiro, para adaptá-las ao norte moçambicano. "Nessa região, metade da área é povoada por pequenos agricultores, mas a outra metade é despovoada, como existia no oeste da Bahia e em Mato Grosso nos anos 80", diz Francisco Basílio, chefe da Secretaria de Relações Internacionais da Embrapa. O governo vai dar isenção fiscal para a importação de equipamentos agrícolas.

Kassab confirma veto a projeto do Dia do Orgulho Hétero

O prefeito Gilberto Kassab (PSD) decidiu vetar o projeto de lei que cria o Dia do Orgulho Heterossexual em São Paulo. Para Kassab, a medida é "despropositada". Na primeira manifestação sobre o tema, Kassab disse que o projeto não incentivaria a homofobia. "É um projeto como outro qualquer", afirmou o prefeito na ocasião. Em menos de dez dias, Kassab mudou de opinião. "O heterossexual é maioria, não é vítima de violência, não sofre discriminação, preconceito, ameaças ou constrangimentos. Não precisa de dia para se afirmar", disse o prefeito. Para ele, faz sentido que mulheres, negros e outras minorias raciais que sofreram brutalidades e ofensas tenham seus dias no calendário. O autor do projeto de lei que cria o Dia do Orgulho Hétero é Carlos Apolinario, do DEM, partido que Kassab deixou para fundar o PSD. Apolinario, membro da igreja Assembléia de Deus, disse que seu objetivo com o projeto foi "debater o que é direito e o que é privilégio". Para ele, o Dia do Orgulho Hétero não incentiva a homofobia. O projeto foi aprovado no início do mês em votação simbólica na Câmara. Dos 50 vereadores presentes, 19 se manifestaram contra.

Argentina realiza primárias inéditas para eleição presidencial

As primeiras eleições primárias abertas, simultâneas e obrigatórias para definir os candidatos às eleições gerais de outubro começaram neste domingo na Argentina. Quase 29 milhões de pessoas foram convocadas para este voto inédito, implementado por uma reforma política aprovada pelo Parlamento no fim de 2009. O projeto, contudo, chega esvaziado já que quase todas as siglas chegam às primárias com um candidato definido. No cenário nacional, os cidadãos deveriam votar em listas de pré-candidatos para presidente e vice-presidente, além de 130 deputados provínciais e da capital e 24 senadores nos distritos de Buenos Aires, Formosa, Jujuy, La Rioja, Misiones, San Juan, San Luis e Santa Cruz. Fica de fora da eleição quem não conseguir atingir 1,5% dos votos totais. A votação será o primeiro teste para a presidente Cristina Kirchner, candidata à reeleição, e para a oposição, dividida em pelo menos quatro coligações.

Ministro Wagner Rossi também tem em casa os seus “Ronaldinhos”

Donos de uma produtora em Ribeirão Preto, dois dos cinco filhos do ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), estão faturando com a produção de filmes para prefeituras. A empresa A Ilha Produção foi a autora de vídeos de propaganda para ao menos seis municípios em contratos intermediados por uma única agência. Nos seis casos, a produtora aparece como “terceirizada” da agência Versão BR, também de Ribeirão, que venceu as licitações. A Ilha tem como sócios Paulo Luciano Tenuto Rossi, filho do ministro, e Vanessa da Cunha Rossi, mulher do deputado estadual Baleia Rossi, presidente do PMDB no Estado. Quando a produtora foi fundada, em 1997, Baleia aparecia como sócio. Em 2003, no início de seu primeiro mandato como deputado, ele se retirou da sociedade e passou a parte para a mulher. Porém, em documento entregue à Justiça Eleitoral na eleição de 2010, Baleia declarou entre os seus bens as cotas de capital na empresa, em nome de Vanessa. A Constituição proíbe parlamentares de contratar com órgãos públicos, sob pena de perda do mandato. Mas, na prática, a produtora dos filhos do ministro vem atuando de forma terceirizada para prefeituras. Produziu recentemente para Americana, Altinópolis, Bragança Paulista, Ibitinga, Valinhos e Sertãozinho. Em todos os casos, o vínculo oficial das prefeituras é com a Versão BR, que administra ao menos R$ 23,6 milhões em verbas publicitárias das seis prefeituras. O maior contrato é o assinado com a prefeitura de Americana, de R$ 14,1 milhões. Baleia disse que, após transferir sua parte para a mulher, se afastou “totalmente” da empresa e nunca teve “função executiva” na A Ilha. Porém, em registros da empresa na Junta Comercial do Estado, ele aparece por um período na função de “sócio-administrador” da empresa. Ainda por e-mail, disse que nunca usou de influência política para beneficiar a empresa. Já o irmão do deputado, Paulo Luciano, reafirmou que a produtora nunca participou de licitações públicas e que Baleia nunca teve função executiva. Além do caso da Versão BR, ele cita outras cinco agências por meio das quais A Ilha fez vídeos publicitários para prefeituras de Franca, Barueri e Ribeirão Preto. Já o sócio-diretor da Versão BR, Gustavo Henrique Teixeira de Castro, disse que a relação com a A Ilha é só comercial. É isso aí, assim como Lula, Rossi também tem os seus "Ronaldinhos" em casa, fenômenos.

Juíza executada no Rio de Janeiro tinha sido agredida duas vezes pelo namorado policial militar

Além das ameaças que a juíza assassinada Patrícia Lourival Acioli, de 47 anos, sofria por conta de suas rigorosas sentenças contra policiais e criminosos, há registros de ao menos duas agressões que ela sofreu do namorado, o cabo da PM Marcelo Poubel, de 37 anos. A juíza foi morta com 21 tiros na fim da noite da última quinta-feira em frente à sua casa, em Niterói. Segundo a Secretaria de Segurança do Rio, foi registrada queixa contra o policial em 2006 por uma "surra" que ele teria dado na juíza em uma churrascaria, em 2006. No começo deste ano, quando estavam separados, ele invadiu a casa da juíza Patricia Lourival Acioli e a flagrou no quarto com um agente penitenciário. A queixa da agressão foi registrada e o caso foi parar na Corregedoria Interna da Polícia Militar porque Poubel deixou o posto de serviço para ir à casa da juíza. Segundo a Secretaria de Segurança, a sindicância ainda não foi concluída e, ao depor, a juíza "colocou panos quentes", recusando-se a falar das agressões. O depoimento foi prestado no dia 25 de março. Na época, a juíza Patricia Lourival Acioli contou que viveu maritalmente com o cabo Marcelo Poubel por cinco anos, até agosto de 2009. Disse também que o principal motivo para o fim do relacionamento foi a ingerência dele em processos contra policiais.

Ministério da Agricultura pagou R$ 6,5 milhões a empresa em nome de laranjas

O Ministério da Agricultura pagou R$ 6,5 milhões neste ano para uma empresa registrada em nome de laranjas e com sede de fachada. Com um ano e dois meses de atividade, a Commerce Comércio de Grãos Ltda. está entre as dez empresas que mais receberam dinheiro do ministério em 2011, ficando atrás apenas de gigantes do setor de alimentos como a Bunge, Cargill e Amaggi. Os pagamentos foram feitos entre fevereiro e maio como prêmio pela compra de milho de produtores rurais feita pela Commerce. Esse é um incentivo dado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), por meio de leilões, para evitar o acúmulo de estoques quando o preço de mercado está abaixo do mínimo definido pelo governo. O responsável pela liberação do pagamento é o superintendente de Operações Comerciais da Conab, João Paulo de Moraes Filho, funcionário de carreira do órgão e içado ao posto quando o hoje ministro Wagner Rossi (PMDB) presidia a Conab. Moraes Filho virou homem de confiança de Rossi, a ponto de seu nome ter sido defendido pelo ministro, este ano, para ocupar cargo estratégico de secretário de Política Agrícola da pasta. A sede da Commerce registrada na Receita e na Junta Comercial de São Paulo é um sobrado residencial em Mogi Mirim (cidade localiza a 164 quilômetros de São Paulo), sem qualquer identificação da empresa. Um casal com duas crianças vive no imóvel. Os sócios registrados na Junta Comercial, Márcio Maldo de Pinho e Ivanilson Rufino, com 50% de participação cada, vivem em casas simples, em bairros da periferia de Belo Horizonte. Eles são empregados do grupo comandado pelos irmãos Carlos e Cláudio Stein Pena, empresários da área de grãos, que respondem a processos em Minas e Mato Grosso por fraude e sonegação fiscal. Em um dos casos, são acusados pelo Ministério Público Federal de usarem empregados como sócios -laranjas- de empresas controladas por eles em um "grande esquema de sonegação". A Commerce foi criada em abril de 2010, três meses antes de participar do primeiro dos cinco leilões que lhe renderam R$ 6,5 milhões. A participação no primeiro leilão, em 15 de julho de 2010, foi feita por meio de uma filial em Jataí (GO), aberta três semanas antes. A Commerce foi a nona empresa mais bem-sucedida nas disputas entre as 263 que dividiram os lotes da Conab.

Lobista da Agricultura quer "carinho" para falar

Da coluna do jornalista Claudio Humberto: "O lobista Júlio Fróes, cuja atuação do Ministério da Agricultura foi desmascarada na revista Veja, disse a um amigo, policial aposentado, que estaria disposto a “abrir tudo”, mas que não o fez ainda porque tem sido tratado com “arrogância” pela polícia. Alega que já cumpriu a pena pelos erros do passado (tráfico de drogas, conforme esta coluna revelou com primeira mão) e só admite pagar pelos “erros do presente”. “O primeiro policial que me procurar com abordagem menos arrogante” – disse o lobista ao amigo – “conto tudo o que acontece no ministério”. Durante essa conversa, Julio Fróes afirmou conhecer “o caminho entre a Agricultura e a vice”, insinuando existirem falcatruas nessa rota. Julio Fróes parece saber de muita coisa. É do tipo debochado, que sorri muito e aparenta não se preocupar com eventual punição na Justiça. O lobista que reclama da suposta “arrogância” alheia agrediu o repórter da revista Veja, durante entrevista sobre tema que agora admite falar". Comento: o que está faltando, então, para a Polícia Federal colocar um policial "carinhoso" sobre Júlio Fróes?

Presidente do Banco Mundial alerta para fase "mais perigosa" da economia

O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, alertou para um momento "novo e mais perigoso" para a economia global, no qual os países desenvolvidos possuem espaço menor de manobra diante da crise de dívida que atinge a Europa. Zoellick disse que as questões envolvendo a crise soberana da zona do euro são mais preocupantes do que os problemas de "médio e longo prazo" que levaram a agência de classificação de risco Standard & Poor's a rebaixar a nota de crédito dos Estados Unidos na semana passada. "Nas últimas semanas o mundo moveu-se de uma problemática recuperação de diferentes velocidades, com os mercados emergentes e poucas economias, como a Austrália, apresentando bom crescimento, e os mercados desenvolvidos se debatendo", disse ele em entrevista ao jornal Weekend Australian. Zoellick observou que o nível de endividamento das pessoas é menor atualmente do que na crise do crédito de 2007/2008 e que agora também não há o fator surpresa, mas destacou que o espaço de manobra é muito menor agora: "A maior parte dos países desenvolvidos já utilizou o espaço fiscal disponível e a política monetária está o mais flexível possível". Segundo Zoellick, a estrutura da zona do euro "pode passar a ser o mais importante" desafio do mundo. As atitudes tomadas pela União Européia até o momento estão aquém do necessário: "A lição de 2008 foi a de que quanto mais se demora para agir, mais é preciso fazer". Ele pediu ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, que não volte atrás das medidas de austeridade anunciadas em consequência dos protestos recentes, afirmando que os cortes de gastos são "realmente necessários". Os mercados despencaram nesta semana com rumores de que a classificação de risco da França seria rebaixada em consequência da crise de dívida soberana dos países periféricos da Europa, que se iniciou na Grécia no ano passado e já levou Portugal e a Irlanda a recorrerem ao suporte financeiro externo. Nas últimas semanas, o foco das preocupações migrou para Espanha e Itália, obrigando o governo de ambos países a acelerar programas de ajuste fiscal. A crise se acentuou com conclusões de que a França poderia perder sua nota máxima AAA, de capacidade de pagamento de suas dívidas, levando o também o país a aprofundar as medidas de contenção de gastos. Os investidores questionam se a França e a Alemanha, as duas maiores economias da zona do euro, podem continuar subscrevendo a dívida de outros países da zona do euro sem perderem suas notas máximas de crédito AAA e sem serem também vítimas da crise.

Governador do Texas anuncia candidatura à Casa Branca em 2012

O ultraconservador governador do Texas, Rick Perry, confirmou neste sábado que vai disputar a vaga de candidato republicano para a eleição presidencial americana de 2012. "Rick Perry Presidente", afirma o site do político. "É o momento de colocar os Estados Unidos trabalhando novamente". Perry, de 61 anos, representante do setor conservador republicano, disse nesta semana que tem "calma em seu coração" e está preparado para a disputa. Ele minimizou ainda a "máquina de arrecadação" do presidente Barack Obama (Democrata) e disse que será "bastante competivo" neste aspecto. Perry vai disputar a candidatura republicana com o ex-governador de Massachusetts, Mitt Romney; a legisladora Michele Bachmann, o ex-governador de Minnesota, Tim Pawlenty; o ex-governador de Utah, Jon Huntsman; e o legislador do Texas, Ron Paul. Segundo uma média das enquetes recentes realizada pela RealClearPolitics, Perry conta com 15% de apoio eleitoral entre os eleitores republicanos, atrás do que seria seu principal rival, Romney, com 20%.