domingo, 20 de março de 2011

Egípcios aprovam reforma da Constituição com 77% dos votos

O Egito aprovou a reforma de sua Constituição com 77% dos votos do referendo organizado no sábado, anunciou neste domingo a comissão a cargo da consulta, informando que a participação foi de 41%. Mais de 14 milhões de egípcios, ou seja, 77,2% dos eleitores, disseram "sim" às emendas propostas à Constituição, e mais de 4 milhões (22,8%) opuseram-se, afirmou o presidente da comissão Mohamed Atiya. Em torno de 18,5 milhões de pessoas compareceram às urnas, completou, representando uma participação de 41% dos 45 milhões de egípcios em idade para votar. Os partidários dessa reforma limitada asseguram que ela é suficiente para organizar o retorno ao poder civil em alguns meses, após as eleições legislativas e presidenciais, conforme os planos do exército que dirige o país desde a saída do ditador Hosni Mubarak. O resultado representa uma vitória para o movimento opositor Irmandade Muçulmana, que defendeu a reforma proposta por uma comissão de juízes nomeada pelo Exército, que incluiu um membro do grupo. A Irmandade Muçulmana é uma organização nazista, a mãe de todas as organização terroristas islâmicas, como a Al Qaeda. O "sim" constitui um revés para o movimento jovem que protestou contra Mubarak e para personalidades como o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, e o opositor Mohamed ElBaradei, ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica e Prêmio Nobel da Paz. Os adversários da revisão defendiam um nova Constituição, ao estimar que a atual não garante uma democratização real do país. Entre as emendas previstas está a limitação do mandato do presidente a dois períodos, de quatro anos, contra o atual número ilimitado de mandatos de seis anos. O recurso ao estado de emergência, imposto desde que Mubarak chegou ao poder, há 30 anos, e atualmente em vigor, será limitado a seis meses e não poderá ser renovado por referendo.

Regime de Gaddafi ordena novo cessar-fogo imediato na Líbia

O regime do ditador líbio, Muamar Kadahfi, anunciou neste domingo um novo cessar-fogo imediato, em resposta "ao apelo da União Africana pelo fim das hostilidades", declarou um porta-voz do Exército durante coletiva. O anúncio ocorre menos de 24 horas depois de bombardeios das forças dos Estados Unidos, França e Reino Unido, após uma resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que autorizava o uso da força para "proteger civis líbios" das tropas de Kadahfi.

Quatro aviões do Qatar participam de intervenção na Líbia

O Qatar mobilizou "quatro aviões" para operação no céu líbio no sábado, em meio à participação na intervenção militar lançada por uma coalizão internacional para frear a repressão promovida por Muamar Kadhafi, anunciou o Ministério da Defesa francês neste domingo. O porta-voz da Defesa, Laurent Teisseire, indicou à imprensa que a "mobilização decidida pelo Qatar com quatro aviões na zona" é um "ponto decisivo". "Isso ilustra a participação árabe nessa operação", completou ele.

Rebeldes afirmar que mais de 8.000 já morreram em revolta na Líbia

Mais de 8.000 líbios alinhados com o movimento rebelde que se levantou contra o ditador Muamar Kadahfi foram mortos na revolta contra o ditador, informou neste domingo um porta-voz do grupo à rede de TV árabe Al Jazeera. "Nosso número de mortos e mártires ultrapassa 8.000", afirmou Abdel Hafiz Ghoga. "Desde o começo da revolta, as forças do ditador Kadahfi executaram verdadeiras expedições para exterminar civis líbios", afirmou. Ghoga assinalou que estas operações foram realizadas de Zouara, no extremo oeste do país, até Tobruk, no extremo leste, e acrescentou que há "uma verdadeira guerra contra o povo líbio". O porta-voz do órgão dos rebeldes explicou que é preciso frear este "genocídio" e os revolucionários lançaram um apelo à comunidade internacional para que intervenha na instauração de uma zona de exclusão aérea. Ele criticou o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, pelos comentários críticos às ações dos Estados Unidos e aliados contra a Líbia. A Liga Árabe pediu a imposição de uma zona de restrição aérea sobre a Líbia para proteger os civis das forças de Gaddafi, mas Moussa condenou no domingo o "bombardeio de civis". "O que está acontecendo na Líbia difere do objetivo de impor uma zona de restrição aérea, e o que queremos é a proteção de civis e não o bombardeamento de mais civis", afirmou o fascista Moussa. Ghoga disse: "Quando o secretário-geral falou, fiquei surpreso. Qual é o mecanismo que impede a exterminação do povo da Líbia, qual é o mecanismo, senhor secretário-geral? Se a proteção de civis não é uma obrigação humanitária, qual é o mecanismo que você nos propõe?"

Míssil atinge complexo residencial de Kadahfi

Um prédio administrativo de quatro andares integrante do complexo residencial do ditador da Líbia, Muamar Kadahfi, localizado no bairro de Bab el Aziziya, foi atingido por um míssil neste domingo. A emissora de TV americana CNN afirma que o edifício pode ter sido atingido por mísseis de cruzeiro. Também neste domingo, a Casa Branca afirmou que o regime líbio violou um novo cessar-fogo logo após anunciá-lo. O prédio, situado a cerca de 50 metros da tenda onde Kadahfi geralmente recebe seus convidados importantes, tem agora dois grandes buracos, segundo o correspondente da CNN que foi convidado por autoridades para ver os estragos. Neste domingo, a rede de TV árabe Al Jazeera informou que as forças aliadas retomaram seus ataques sobre a capital líbia no final da noite de domingo e que as forças de Kadahfi responderam com disparos de artilharia antiaérea. A emissora divulgou ao vivo imagens dos ataques nas quais era possível ver projéteis riscando o céu de Trípoli, e afirmou que os disparos da artilharia antiaérea procediam do palácio residencial de Kadahfi, embora não tenha precisado quais eram os alvos dos ataques.

Turquia força aterrissagem de avião iraniano para controle de carga

Avião cargueiro Iliushin
As autoridades turcas obrigaram no sábado à noite a aterrissagem no sudeste do país de um avião de carga iraniano com destino à Síria para verificar seu carregamento, informou neste domingo uma fonte de segurança turca. O avião, um Iliuchin civil, aterrissou no aeroporto de Diyarbakir (sudeste) a pedido das autoridades turcas, que mantiveram caça-bombardeiros em alerta para o caso de a aeronave rejeitar o pedido, segundo a mesma fonte. Diyarbakir é uma enorme base aérea turca, conforme pode ser verificado na imagem abaixo, capaz de abrigar mais de 60 aviões caça e bombardeiros. Há fortes suspeitas de que esse avião iraniano transportava material bélico para a Síria, com destino depois para a organização terrorista islâmica Hizbollah, no Líbano.

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Liga Árabe critica ataques internacionais contra a Líbia

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, criticou neste domingo os ataques das forças ocidentais contra a Líbia e afirmou que a "proteção dos civis não necessita de uma operação militar". "O que aconteceu na Líbia é diferente do objetivo de impor uma zona de exclusão aérea, o que queremos é proteger os civis, e não bombardear mais civis", disse Moussa na sede da Liga Árabe no Cairo. Segundo Moussa, a resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU tratava da proibição de qualquer invasão ou ocupação terrestre. "Dissemos que não é preciso nenhuma operação militar", acrescentou o secretário-geral da Liga Árabe, que explicou que pediu relatórios completos do que está acontecendo na Líbia.

Reino Unido confirma que também lançou ataque aéreo contra Líbia

O Ministério da Defesa do Reino Unido confirmou neste domingo que aviões caça Tornado do Exército britânico participaram de ataques coordenados contra importantes instalações militares da Líbia como parte do plano da coalizão para garantir o cumprimento de uma zona de exclusão aérea sobre o país. O general John Lorimer afirmou que as "Forças Armadas Britânicas, como autorizado pela resolução 1.973 do Conselho de Segurança da ONU, participaram de um ataque coordenado contra sistemas de defesa aérea líbios". O texto diz que, além dos mísseis Tomahawk lançados do submarino Trafalgar Class, "posso confirmar agora que a RAF também lançou mísseis Stormshadow de um número de jatos Tornado GR4". Mais cedo, o Pentágono havia confirmado que navios de guerra americanos e britânicos lançaram um ataque a cerca de 20 alvos do sistema integrado de defesa área da Líbia, a primeira etapa da operação internacional Odissey Dawn (Aurora da Odisséia). O ataque foi focado em bases de defesa aérea no oeste da Líbia, onde se concentram as forças do ditador líbio, Muamar Kadahfi.

Ministros desistiram de encontro com Obama por irritação com seguranças

Indignados com a forte revista feita pela segurança da comitiva de Barack Obama, os ministros Guido Mantega (Fazenda), Edison Lobão (Minas e Energia), Aloizio Mercadante (Ciências e Tecnologia) e Fernando Damata Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) não pensaram duas vezes: abandonaram o encontro da Cúpula Empresarial Brasil-Estados Unidos sem assistir o discurso do presidente dos Estados Unidos. Teria havido um acordo com a Casa Branca para que os ministros não fossem revistados quando chegassem ao local da realização do encontro. Após o almoço oferecido no Itamaraty, os ministros seguiram para o centro de convenções onde era realizado o encontro empresarial. O acordo firmado com a Casa Branca foi ignorado pelos seguranças que estavam no local. O ministro Aloizio Mercadante reclamou muito, mas acabou passando pela revista junto com seus colegas de ministério. Mantega chegou a comentar que nem em viagens internacionais tinha passado por tal constrangimento. Quando chegaram ao auditório e viram que o presidente da seção americana do Conselho Empresarial Brasil-EUA, John Faraci, simplesmente subiu ao palco e começou a falar em inglês, o clima que já não estava bom entre os ministros piorou. Sem ter recebido aparelho de tradução simultânea, Mantega, Mercadante, Lobão e Pimentel (que são monoglotas) simplesmente levantaram e foram embora. Fernando Damata Pimentel era da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária, grupelho comunista terrorista) na década de 70, quanto tentou sequestrar o cônsul americano em Porto Alegre.

"Gatos" contratam mão de obra para usina de Jirau

As construtoras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) recorrem às mesmas práticas de recrutamento de trabalhadores dos tempos do "Brasil Grande", nos anos 70, quando o País viveu um surto de desenvolvimento econômico no período do regime militar (1964-1985) inigualável na história brasileira até hoje. As vagas dos canteiros de obras da usina hidrelétrica de Jirau, paralisadas depois de um quebra-quebra promovido pelos operários, foram preenchidas, nos últimos meses, por migrantes que receberam promessas de "gatos" para enfrentar mais de três dias em ônibus precários das cidades nordestinas até as margens do Rio Madeira. A história de um dos "gatos", pagos para recrutar pessoal sem qualificação em sítios e povoados do sertão, ganhou status de lenda, tamanho o ódio que desperta nos que se aventuraram em busca do "Eldorado" de Rondônia. Os operários falam de um "Antônio Carlos", de boa conversa, que "engana direitinho o pessoal". Ninguém sabe o nome completo ou o endereço dele. Os "Antônios" com sobrenome e demais dados de identificação são os que aparecem nas filas de reclamação. "Ele cumpriu o trato de garantir merenda na viagem, mas até agora não recebi os R$ 120,00 que prometeu quando a gente chegasse aqui", queixou-se o operário Antônio Raimundo Pinho da Silva, 48 anos, um dos que deixaram o alojamento da Jauru Engenharia, na madrugada de quinta-feira última, após a revolta. O operário paraense Antônio César Souza da Silva, 34 anos, de Belém, reclama que o "gato", quando chegou para conversar com o pessoal num bairro da periferia da capital paraense, não disse que em Jirau havia seguranças dispostos a espancar quem entrasse alcoolizado no alojamento nem quem desrespeitasse filas no refeitório e banheiros. "Os seguranças não sabiam conversar. Nos finais de semana, quando o pessoal passava um pouquinho da conta na bebida, eles tratavam os bêbados na pancada, como vagabundos", relata Antônio César.

Egípcios votam referendo

Os egípcios compareceram aos postos de votação no sábado pela primeira vez desde que o presidente Hosni Mubarak foi deposto para votar um referendo sobre reforma política manchado por um ataque contra o candidato presidencial Mohamed ElBaradei. Jovens empurraram e atiraram objetos contra o ex-diretor da agência nuclear da ONU quando ele tentava votar no pleito constitucional que determinará quão cedo o Egito terá eleições. "Não queremos você, não queremos você", entoava o grupelho de cerca de 60 pessoas, muitos deles adolescentes. "Fui votar com minha família e fui atacado por marginais organizados", escreveu o direitista fundamentalista islâmico ElBaradei no Twitter. Pedras atiradas contra o carro de ElBaradei estraçalharam a janela traseira enquanto ele fugia, disse uma testemunha. Ele não conseguiu votar no posto do Cairo e foi depositar sua urna em outro local. Os eleitores foram solicitados a aprovar ou rejeitar as reformas propostas por um comitê jurídico indicado pelos governantes militares do país, que prometerem realizar eleições em breve. O referendo dividiu os egípcios, entre os que dizem que a constituição precisa ser completamente reescrita e outros que argumentam que emendas bastariam por hora. A Irmandade Muçulmana, grupo islâmico nazista, que é origem de todas as organizações islâmicas terroristas, apoiou as mudanças, discordando de grupos seculares e apoiadores da reforma.

Hillary diz ao Irã que "páre de interferir no Bahrein"

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, advertiu o Irã a parar de interferir no Bahrein e em outros países árabes na região do Golfo Pérsico. Falando a repórteres ao fim de um encontro de cúpula sobre a Líbia, em Paris, no sábado, Hillary afirmou que os Estados Unidos "têm um compromisso firme com a segurança do Golfo" e que "nossa prioridade máxima é trabalhar junto com nossos parceiros em torno de nossa preocupação com o comportamento do Irã na região". A declaração contrasta com a afirmação feita sábado passado pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates. Durante visita a Manama, a capital do Bahrein, ele havia dito que "não temos nenhuma evidência que sugira que o Irã tenha iniciado nenhuma dessas revoluções populares ou manifestações na região". Manama é sede da 5ª Frota da Marinha dos Estados Unidos. Tropas da vizinha Arábia Saudita entraram no país nos últimos dias para ajudar a reprimir os protestos, deixando pelo menos 12 manifestantes mortos. A família real e a elite econômica do Bahrein são sunitas, mas a maioria da população é xiita. Hillary disse que o Bahrein tem um "direito soberano" de pedir ajuda das tropas sauditas, mas afirmou que a violência não é a forma de lidar com a situação. No campus da Universidade de Teerã, durante as orações muçulmanas da sexta-feira, o aiatolá iraniano Ahmad Jannati disse que "os irmãos e irmãs no Bahrein devem resistir ao inimigo até a vitória ou a morte". Os participantes da cerimônia gritaram frases como "Não há Deus senão Alá", e "Al Saud é inimigo de Deus", numa referência à família real saudita.