sábado, 11 de setembro de 2010

Livro-reportagem de Rodolfo Walsh é lançado no Brasil

A editora Companhia das Letras está lançando no Brasil, com grande atraso, o livro "Operação Massacre", do jornalista e escritor argentino Rodolfo Walsh. O livro tem 288 páginas e custa R$ 46,00. É menos do que o preço de uma pizza entregue em casa. E cada centavo desse livro vale muito. "Operação Massacre" foi escrito por seu autor em 1956, quando ele era só um jovem de 29 anos, obcecado por xadrez, que vivia pelos clubes de Buenos Aires, debruçado sobre um tabuleiro. O argentino Rodolfo Walsh (1927-1977) era apenas um jovem que aspirava se tornar um escritor de histórias policiais, e que não se importava por política. Certo dia, ele estava jogando xadrez, quando um dos frequentadores do clube murmurou ao seu ouvido: "Um dos fuzilados está vivo". O homem estava se referindo ao episódio ocorrido em junho de 1956, quando um grupo de homens havia sido fuzilado em um lixão, apontados como militantes peronistas que pretendiam derrubar o governo do ditador general Pedro Eugenio Aramburu. Este general tinha chegado ao poder em 1955, quando derrubou o governo de Juan Domingo Perón. Na operação, os policiais prenderam doze homens que estavam reunidos numa casa suburbana, levaram-nos para uma unidade policial e dali para um lixão, onde foram fuzilados sob a vigência da lei marcial que passara a valer naquela madrugada. Mas, a história era mais complexa. Rodolfo Walsh começou imediatamente a investigar a execução coletiva clandestina de maneira obcecada. E descobriu que seis homens estavam vivos, tinham sobrevivido àquela matança. Descobriu também que os mortos e os sobreviventes eram apenas amigos e conhecidos que haviam se reunido para ouvir pelo rádio a transmissão de uma luta de boxe do Luna Park, uma espécie de Madison Square Garden de Buenos Aires. Também descobriu que esses homens haviam sido presos antes que entrasse em vigor o estado de excessão na Argentina. A história saiu publicada em vários capítulos em um jornal pequeno de Buenos Aires, e as reportagens causaram grande repercussão. Com o tempo, Rodolfo Walsh se politizou e se tornou um militante peronista da organização terrorista Montoneros, da qual foi uma espécie de porta-voz. Em 1959 ele viajou a Cuba, junto com seus colegas Jorge Masetti, Rogelio García Lupo, e o escritor colombiano Gabriel García Márquez. Juntos fundaram a agencia de notícias Prensa Latina. Voltando à Argentina, trabalhou nas revistas Primera Plana, Panorama e, já durante a ditadura de Ongania, fundou o jornal semanário da CGT dos Argentinos, que dirigiu entre 1968 e 1970. Em 1972, escreveu durante um ano no Semanario Villero e, a partir de 1973, no jornal Noticias. Em meados de 1970, Walsh tinha começado a se relacionar com a organização terrorista peronista Montoneros e, em 1973, já era importante dirigente dessa organização armada. Em 1974 começaram as diferenças de Rodolfo Walsh com os Montoneros, a partir do momento em que a organização determinou que ele passasse para a vida clandestina.
No final de 1975, alguns dirigentes, entre os quais estava Walsh, começaram a elaborar documentos afirmando que a organização terrorista Montoneros deveria "voltar a se integrar ao povo e tratar de organizar uma resistência de massas, baseada mais na inserção popular do que em operações do tipo foquista (da teoria de focos revolucionários, criada pelo francês Regis Debray). Em 1976, em face da censura imposta pela ditadura militar argentina, Rodolfo Walsh criou a ANCLA, (Agencia de Noticias Clandestina), e a "Cadena informativa", um sistema de difusão da informação de mão em mão. Em 29 de setembro de 1976, sua filha María Victoria, também militante e dirigente da organização terrorista Montoneros, morreu em um enfrentamento com o Exército, um dia depois de ter completa 26 anos. Em dezembro desse ano, Rodolfo Walsh publicou uma mensagem, na qual relatava as circunstâncias da morte de sua filha e seu genro (sua outra filha, Patricia Walsh, é hoje uma importante política da esquerda argentina). No dia 25 de março de 1977, um dia depois de concluída a redação de sua "Carta Abierta de un Escritor a la Junta Militar", ele se encontrava caminhando perto da esquina dass avenidas San Juan e Entre Ríos (ver na foto), em Buenos Aires, quando um grupo-tarefa da Escola de Mecanica da Armada deu a ordem para que ele se entregasse. Rodolfo Walsh preferiu resistir com a arma que carregava e foi atingido mortalmente. Os repressores estavam andando de carro pela rua, levando junto um prisioneiro montonero, que deveria identificar Rodolfo Walsh, com o qual tinha marcado um "ponto" (encontro) antes de ser preso. Na prisão, ele "cantou" o "ponto". Ricardo Coquet, o sobrevivente montonero, disse no julgamento dos executores de Rodolfo Walsh, na Camara Federal de Apelações, que um dos repressores era o ex-oficial Weber, o qual comentou orgulhoso, na época: "Lo bajamos a Walsh. El hijo de puta se parapetó detrás de un árbol y se defendía con una 22. Lo cagamos a tiros y no se caía el hijo de puta”. Segundo declarações de presos que sobreviveram, o corpo de Rodolfo Walsh foi exibido para os prisioneiros na ESMA (Escuela Mecánica de la Armada). No dia 26 de outubro de 2005 fueron presos 12 militares, entre os quais estava o ex-marinheiro Juan Carlos Rolón, relacionado à morte de Rodolfo Walsh. Em 17 de dexembro de 2007, o juiz federal Sergio Torres enviou para julgamento oral o processo no qual estão denunciados por "privação ilegítima da liberdade duplamente agravada por ter sido cometido com abuso de suas funções e com as agravantes correspondentes por ter sido perpetrada com violência e ameaças", e "rooubo agravado por ter sido cometido em povoado e em bando", os seguintes militares: Alfredo Astiz, Jorge "Tigre" Acosta, Pablo García Velasco, Jorge Radice, Juan Carlos Rolón, Antonio Pernías, Julio César Coronel, Ernesto Frimon Weber y Carlos Orlando Generoso. Um décimo acusado, o ex-prefeito Héctor Antonio Febrés, morreu horas antes da denúncia por ingestão de cianureto. Rodolfo Walsh é, acima de tudo, um monumental exemplo de como se deve fazer uma reportagem investigação com estilo literário de alta classe. Ele antecipou o novo jornalismo na América Latina.

Filho de Erenice Guerra, sombra de Dilma, comanda intermediação milionária de verba pública na Casa Civil de Lula

Do jornalista Reinaldo Azevedo
Veio à luz a mãe de todos os escândalos do governo Lula-Dilma. É muito mais grave do que o Mensalão. Israel Guerra, filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra (sucessora de Dilma na pasta e seu braço-direito), montou um grupo para fazer a intermediação de verbas públicas. Ele cobra uma taxa de sucesso: 6%. É pouco? Erenice, que já andou metida em outros casos nada republicanos do governo Lula, participou de reuniões. Importante: a um empresário com o qual o grupo fez negócios, Erenice deixou claro: a dinheirama cobrada era para “saldar compromissos políticos”. A matéria de capa da VEJA é de estarrecer. A “Carta ao Leitor” de VEJA, que segue abaixo, faz uma síntese do caso. Leiam:
“A reportagem desta edição de VEJA revela que Israel Guerra, filho de Erenice Guerra, braço direito de Dilma Rousseff enquanto ela foi a incontrastável ministra-chefe da Casa Civil e sua sucessora na pasta, comanda um escritório de lobby em Brasília que trabalha azeitando negócios de empresários com o governo. A Casa Civil fica no 4° andar do Palácio do Planalto, exatamente acima do gabinete do presidente da República. Fossem os tempos que correm menos relativos em termos éticos, isso bastaria para deixar clara a inadequação do arranjo familiar montado no ministério mais próximo de Lula e mais poderoso da hierarquia administrativa do país. Existem evidências de que a ministra, pessoa da intimidade e da mais estrita confiança de Dilma Rousseff, é responsável pelo sucesso dos negócios do filho com órgãos públicos. Empresários que desfrutaram da confiança de Israel e Erenice contam que a ministra participa de reuniões com clientes do filho e se compromete a abrir portas. O caso assume feições nigerianas de gestão pública quando a reportagem desce a detalhes do que se passa logo acima da cabeça do presidente. Um empresário do setor aéreo contou como conseguiu contratos de 84 milhões de reais nos Correios mediante a intervenção direta de Erenice Guerra, a cuja presença ele foi levado pelo filho. O negócio só saiu depois de assinado compromisso de pagamento de uma “taxa de sucesso” de 6% do valor dos contratos, cujo destino manifesto pelos lobistas-familiares-assessores-militantes petistas seria saldar “compromissos políticos”‘. Dois assessores montaram um balcão de negócios na Casa Civil. Eles foram nomeados funcionários públicos, mas atuam como lobistas, recebendo ordens do filho de Erenice Guerra. A publicação da reportagem a vinte dias do primeiro turno das eleições fará brotar acusações de que o objetivo é prejudicar a candidata oficial, Dilma Rousseff. São especulações inevitáveis. Mas quais seriam as opções? Não publicar? Só publicar depois das eleições? Essas não são opções válidas no mundo do jornalismo responsável, a atividade dedicada à busca da verdade e sua revelação em benefício do país. A empresa do filho da ministra chama-se Capital Assessoria e Consultoria e foi aberta oficialmente em julho do ano passado. No papel, constam como sócios Saulo Guerra, outro filho da ministra, e Sônia Castro, mãe de Vinícius Castro, assessor jurídico da Casa Civil. São dois laranjas. Sônia Castro é uma senhora de 59 anos que reside no interior de Minas Gerais e vende queijo. A reportagem entrevistou empresários, lobistas, advogados, funcionários de estatais para tentar entender a história de sucesso da Capital. Na junta comercial, informa-se que ela encerrou suas atividades recentemente. No endereço onde deveria funcionar, na periferia de Brasília, existe um sobrado residencial, e, numa primeira visita, ouve-se do morador que ali é uma casa de família. Uma verificação mais minuciosa, porém, revela que no endereço registrado oficialmente como sede da Capital mora Israel Guerra. Na última quinta-feira, VEJA localizou Israel em sua casa - ou melhor, na sede da empresa. Empresa? Segundo ele, não havia empresa alguma funcionando ali. Capital? Nunca ouviu falar. Vinícius? Não se lembrava ao certo do nome. Stevan? Este, salvo engano, era amigo de um amigo. O Vinícius, de quem ele não se recordava, era Vinícius Castro, funcionário da Casa Civil, parceiro dele no escritório de lobby. O advogado Stevan Knezevic, o amigo do amigo, o terceiro parceiro, é servidor da Agência Nacional de Aviação Civil, a Anac, cedido à Presidência da República desde setembro de 2009. Os três se conheceram quando trabalharam na burocracia de Brasília se tornaram amigos inseparáveis - amizade que voou a jato para o mundo dos negócios. Como a sede da empresa funciona em uma residência, quando precisam despachar com os clientes, os três lobistas recorrem ao escritório da banca Trajano & Silva Advogados, que fica num shopping de Brasília. O escritório não tem placa de identificação, mas, em cima da mesa de reunião, há vários cartões de visita que indicam que lá trabalha gente famosa e importante. Um dos sócios é o advogado Márcio Silva, ninguém menos que o coordenador em Brasília da banca que cuida dos assuntos jurídicos da campanha presidencial de Dilma Rousseff. Quem mais trabalha lá? Antônio Alves Carvalho, irmão de Erenice Guerra e, portanto, tio de Israel Guerra. Há um terceiro sócio, Alan Trajano, que dá expediente no gabinete do deputado mensaleiro João Paulo Cunha. Eles admitem que a turma do filho da ministra usa as dependências do escritório - e até que já tentou intermediar negócios com a banca. “O Israel tinha sido procurado por uma construtora mineira, que queria contratar um escritório de advocacia, mas acabou não dando certo”, disse Márcio Silva. VEJA localizou um empresário que participou de reuniões com o filho, os funcionários da Casa Civil e Erenice. Em abril do ano passado, o paulistano Fábio Baracat, dono da Via Net Express, empresa de transporte de carga aérea e então sócio da MTA Linhas Aéreas, queria ampliar a participação de suas empresas nos Correios. A idéia era mudar as regras da estatal, de modo que os aviões contratados por ela para transportar material também pudessem levar cargas de outros clientes. Isso elevaria o lucro dos empresários. Baracat também desejava obter mais contratos com os Correios. Ele chegou ao nome do filho de Erenice por indicação de um diretor dos próprios Correios. Diz Baracat: “Fui informado de que, para conseguir os negócios que eu queria, era preciso conversar com Israel Guerra e seus sócios”. O empresário encontrou-se com o filho da então secretária executiva de Dilma e o assessor Vinícius Castro. Explicou a eles o que queria - e ouviu a garantia de que poderiam entregar ali o que se encomendava. “Bastava pagar”, lembra Baracat. Nos encontros que se seguiram, Israel disse que poderia interceder por meio do poder da Casa Civil: “Minha mãe resolve”. Conta o empresário: “Impressionou-me a forma como eles cobravam dinheiro o tempo inteiro. Estavam com pressa para que eu fechasse um contrato”. Após algumas conversas de aproximação, segundo o relato de Baracat, os sócios da Capital informaram: “Está na hora de você conhecer a doutora”. Os dois levaram o empresário para o apartamento funcional onde Erenice morava até março deste ano. Para entrar, Baracat teve de deixar do lado de fora celulares, relógio, canetas - qualquer aparelho que pudesse gravar o encontro. Erenice foi amável, abriu um vinho. “Ela conversou sobre amenidades e assuntos do governo. Erenice não mencionou valores ou acordos. Deixou evidente, porém, que seu filho e o sócio falavam com o aval dela”, diz. “Depois que eles me apresentaram a Erenice, senti que não estavam blefando”, admite Baracat, em conversas gravadas. “Israel e Vinícius passaram a me cobrar um pagamento mensal e exigiam que somente eles me representassem em Brasília.” Na sexta-feira, Israel Guerra parece ter recobrado a memória. Por e-mail, ele admitiu ter feito o “embasamento legal” para a renovação da licença da MTA na Anac, em dezembro. Disse que recebeu o pagamento por meio da conta da empresa do irmão - que no dia anterior ele nem se lembrava que existia - e confirmou que ate “emitiu notas fiscais. Israel também admitiu ter apresentado o empresário Fábio Baracat à mãe-ministra, mas apenas “na condição de amigo”. O fato é que a vida do filho da ministra mudou significativamente desde que a mãe ascendeu na hierarquia federal. Depois de vagar por vários empregos públicos, sempre por indicação de alguém, ele parece ter se estabilizado financeiramente. Na garagem de sua casa, podem-se ver sinais de que a vida como lobista está lhe fazendo bem: Israel tem dois carrões, um Golf preto e uma caminhonete Mitsubishi L200 - somente a caminhonete está avaliada em 100.000 reais. Os carros estão em nome da ministra Erenice.

Erenice Guerra, o braço de Dilma, e o caso da Venda da Varig

Do site do jornalista Reinaldo Azevedo
Erenice Guerra não tem existência autônoma. Substituta de Dilma Rousseff na Casa Civil, ela sempre fez o que a “chefa” mandou. Assim, a suposição de que pudesse comandar um esquema independente, ignorado pelos petistas, e pela “chefa”, chega a ser ridícula. E o que o prova? A sua biografia. Não é o primeiro rolo em que se mete essa patriota. Erenice e Dilma foram personagens centrais da tumultuada venda da Varig, operação de que participou Roberto Teixeira, o já lendário e onipresente “compadre” de Luiz Inácio Lula da Silva. Denise Abreu, ex-diretora da Anac, botou a boca no trombone e contou como se deu a operação nos bastidores. Detalhe: um dos compradores da Varig confirmou o relato de Denise, que, acreditem, chegou a ser ameaçada por um “dossiê”. Segue uma síntese do caso em reportagem publicada pelo Estadão no dia 4 de junho de 2008:
"Uma briga entre sócios da empresa de transporte aéreo de cargas VarigLog está trazendo à tona informações que circulavam apenas no submundo dos negócios, relacionadas à venda da Varig, em 2006 e 2007. O fundo de investimentos americano Matlin Patterson e os sócios brasileiros Marco Antônio Audi, Marcos Haftel e Luiz Gallo disputam na Justiça o comando da VarigLog. No bate-boca entre os sócios, surgiram histórias de tráfico de influência, abuso de poder pelo primeiro escalão do governo, acusações de suborno e a elaboração de um dossiê falso. As denúncias envolvem o Palácio do Planalto e o advogado Roberto Teixeira. Para falar sobre esse tumultuado período da aviação brasileira, a reportagem procurou a ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu. Ela deixou o cargo em agosto de 2007, sob pesadas críticas e acusações durante a CPI do Apagão Aéreo. Chegou a ser responsabilizada pelo caos aéreo e pelo acidente da TAM. Também foi acusada de fazer lobby para a TAM. Embora não fosse presidente da agência, por seu estilo agressivo, era considerada a diretora mais forte. Denise conta que foi pressionada pela ministra Dilma Rousseff e pela secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, a tomar decisões favoráveis à venda da VarigLog e da Varig ao fundo americano Matlin Patterson e aos três sócios brasileiros. Como a lei brasileira proíbe estrangeiros de ter mais de 20% do capital das companhias aéreas, a diretora queria documentos comprovando a origem de capital e a declaração de renda dos sócios brasileiros para verificar se tinham recursos para a compra. “A ministra não queria que eu exigisse os documentos. Dizia que era da alçada do Banco Central e da Receita e falou que era muito difícil fazer qualquer tipo de análise tentando estudar o Imposto de Renda porque era muito comum as pessoas sonegarem no Brasil". Quem representava os compradores da VarigLog e da Varig era o escritório do advogado Roberto Teixeira, amigo do presidente Lula. Na Anac, a filha e o genro de Teixeira, os advogados Valeska Teixeira e Cristiano Martins, circulavam livremente, conta Denise. Ela descreve a atuação de Valeska como truculenta. “Ela liga direto da reunião para o pai. Sabe pressão psicológica? Ao fim da reunião, ela diz: agora temos de ir embora porque papai já está no gabinete do presidente Lula". Outro personagem importante desse período da aviação brasileira, o empresário Marco Antônio Audi, sócio da VarigLog, também falou sobre o episódio. Hoje afastado da gestão da VarigLog pela Justiça de São Paulo, que acusa ele e dois sócios de serem “laranjas” do fundo americano, Audi diz que só foi possível aprovar a compra da VarigLog pela influência de Teixeira no governo e na Anac. “Paguei US$ 5 milhões ao Roberto Teixeira para cuidar do caso”, diz Audi. Com a aprovação da compra da VarigLog pelo fundo Matlin e seus sócios brasileiros, eles puderam levar a Varig, em leilão, por US$ 24 milhões. Meses mais tarde, a empresa foi revendida à Gol, por US$ 320 milhões. Hoje, Teixeira advoga para o maior inimigo de Audi, Lap Chan, representante do Matlin Patterson. “Tenho medo do Roberto Teixeira.”, diz Audi.
No começo de 2008, a farra com os cartões corporativos fervia no noticiário. Fiel a seu espírito, caráter e moralidade, o que fez o governo Lula, por intermédio da Casa Civil, de que Dilma era ministra? Mobilizou funcionários que trabalham para o Estado brasileiro e os colocou para fazer um dossiê contra FHC e, pasmem!, Ruth Cardoso, talvez a figura mais correta e avessa a mundanismos que já pisou em Brasília. E quem comandou a armação? Erenice Guerra, aquela que não existe, aquela que é nada mais do que um dos braços operativos de Dilma. Abaixo, uma reportagem da Folha de 8 de abril de 2008, que faz uma boa síntese do caso.
"Os primeiros extratos do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que a Casa Civil chama de banco de dados, foram montados em dez dias. Segundo a Folha apurou, a primeira reunião de trabalho para definir como o material seria organizado ocorreu logo após o Carnaval, na semana encerrada na sexta-feira, dia 8 de fevereiro. Da reunião participaram a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Alves Guerra, o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz, o secretário de Controle Interno, José Aparecido Nunes Pires, a chefe-de-gabinete de Erenice, Maria de La Soledad Castrillo, que também responde pela Dilog (Diretoria de Logística), e o responsável pela Dirof (Diretoria de Orçamento e Finanças), Gilton Saback Maltez. Na segunda-feira seguinte, 11 de fevereiro, segundo arquivo digital gerado dentro da Casa Civil, ao qual a Folha teve acesso, os trabalhos de desarquivar os documentos do arquivo morto e lançá-los nas planilhas paralelas começaram a ser feitos nas dependências da Dilog. Entre a sexta-feira daquela semana, dia 15, e a segunda-feira da semana seguinte, dia 18, as primeiras cópias em papel dos relatórios parciais do banco de dados paralelo começaram a ser feitas. Na quarta-feira, dia 20, como depois relatou a Folha, a ministra Dilma Rousseff disse a empresários em um jantar promovido pelo Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial) que o governo coletava dados sobre gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso. “Não vamos apanhar quietos”, disse ela. A Casa Civil reconhece que a ordem para o início da preparação do banco de dados, baseado em um conjunto de planilhas paralelo ao Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos), foi dada por Erenice. A própria Dilma admitiu, em entrevista na semana retrasada, que a direção do trabalho ficou a cargo de sua subordinada direta. A Casa Civil não nega que tenha havido uma reunião de trabalho logo após o Carnaval. Também não nega que a coordenação dos trabalhos de desarquivar os documentos referentes ao período de 1998 a 2002 e lançá-los nas planilhas paralelas foi delegada a Soledad, chamada pelos colegas de Marisol. Mas nega que Erenice tenha participado dessa reunião e não explica como as ordens foram dadas nem como a equipe foi montada".
Em agosto do ano passado, Lina Vieira, ex-secretária da Receita, foi substituída por este incrível Otácílio, o Cartaxo do PT, denunciou que a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, havia pedido a ela que, digamos, aliviasse o cerco à família Sarney, que estava sob investigação. Quem foi à sala de Lina e fez o primeiro contato, convidando-a a ir falar com a ministra no Palácio do Planalto? Bidu! A faz-tudo Erenice Guerra. Um trecho da entrevista de Lina para lembrar este momento edificante da República dos Companheiros:
FOLHA - A Folha obteve a informação de que a sra. foi chamada pela ministra Dilma ao Planalto e que ela lhe pediu para encerrar logo uma fiscalização nas empresas da família Sarney. Como foi a conversa?
LINA VIEIRA - O encontro ocorreu, mas não posso dar detalhes.
FOLHA - O próprio Fernando Sarney, em carta enviada à Folha e publicada no dia 26, confirmou a investigação da Receita nas empresas da família.
LINA - Tenho que respeitar o sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional.
FOLHA - Vamos nos ater apenas ao encontro com a ministra. Como foi a conversa?
LINA - Na verdade, a chefe de gabinete dela, a Erenice, foi até a Receita e disse que a ministra queria conversar comigo. Eu perguntei do que se tratava, e Erenice disse que não sabia. Foi uma conversa muito rápida, não durou dez minutos. Falamos sobre algumas amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho de Sarney. Eu disse que não sabia da auditoria e que ia verificar.
FOLHA - Mas o que sra. respondeu?
LINA - Não fiz comentário, nem se eu ia atender, se não ia atender. Fui embora e não dei retorno.
FOLHA - Qual o recado que a sra. entendeu ali?
LINA - Para encerrar a fiscalização. Estava no processo de eleição do Senado, acho que não queriam problema com Sarney.

“Ministério da Casa Civil é o centro da maracutaia no Brasil”, afirma Serra

O presidenciável José Serra (PSDB) considerou gravíssima a denúncia publicada neste sábado, envolvendo a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, seu filho Israel e mais dois servidores da pasta. “O Brasil tem que mudar e a época da eleição, é o momento para promover estas mudanças. Não é possível que alguns candidatos e alguns partidos achem natural esse processo de corrupção em nosso País. Não é natural, não. Nós podemos mudar isso. Podemos mudar com eleição”, disse Serra. Durante visita a Goiânia onde participou de comício seguido de carreata na capital e em duas cidades do interior (Piracanjuba e Morrinhos), ele criticou duramente a Casa Civil do governo Lula: “A Casa Civil tem sido um foco de problemas para o Brasil. Eu lembro que no caso do Mensalão, na época do José Dirceu, foi o centro de escândalo. Depois, esteve a Dilma, que deixou seu braço direito, uma pessoa muito próxima, e hoje de novo, é o centro da maracutaia é a Casa Civil”. Serra prosseguiu em suas críticas: “Essas denuncias devem ser apuradas e tem que haver punição para os responsáveis. E não diversionismo e ocultamento”. E aconselhou que “para se terminar com estes escândalos que fazem pouco do povo brasileiro, só mesmo a eleição”. “Eu me apresento com o candidato conhecido, que tem história, e são 27 anos do Brasil que eu ocupo cargos públicos, disse Serra elencando sua trajetória política, e afirmando que sua vida “é um livro aberto": "Um livro aberto mesmo. De resto vocês tem na outra candidatura um envelope fechado”.

Chineses podem pagar US$ 7 bilhões por participação na OGX, de Eike Batista

As chinesas China Petrochemichal Corporation (Sinopec) e China National Oil Offshore Oil Corporation (CNOOC) podem apresentar uma oferta de até US$ 7 bilhões por ativos da OGX, do grupo empresarial de Eike Batista. A expectativa é de que a operação seja concluída até o fim do ano. A petroleira de Eike colocou à venda uma fatia entre 20% e 30% de seu conjunto de sete blocos exploratórios em águas rasas na Bacia de Campos. A operação pode envolver uma participação na própria OGX, que tem ainda blocos exploratórios nas bacias de Santos, Espírito Santo, Pará-Maranhão e Parnaíba, em processo semelhante ao ocorrido com a MMX, que teve 21,5% das ações transferidas à chinesa Wuhan Iron and Steel Corp (Wisco). A OGX informou apenas o interesse em até 30% de suas concessões na Bacia de Campos. Em teleconferência realizada no início de agosto, Eike afirmou que esperava fechar o negócio até meados do mês passado, mas a data foi prorrogada. A OGX estima ter encontrado cerca de 3,7 bilhões de barris em seu polo exploratório da Bacia de Campos, número que precisa ser confirmado por intensas atividades exploratórias. O óleo é do tipo pesado, que tem maior custo para extração e menor valor de venda no mercado. Segundo uma fonte, o valor negociado oscila entre os US$ 5 bilhões e os US$ 7 bilhões, montante pedido pela OGX.

Nextel e seus diretores também tiveram sigilos fiscais quebrados

A lista dos devassados não pára de se alargar: dados de integrantes da cúpula da Nextel também foram consultados a partir do notório terminal de Adeildda dos Santos no escritório da Receita Federal em Mauá (SP). Durante treze minutos do dia 3 de agosto de 2009 foram acessadas informações do presidente da Nextel, Sérgio Chaia, do vice-presidente, João Cerqueira, e do ex-vice-presidente Dushyant Gandhi.

Lula indica que poderá sugerir investimentos em eventual governo Dilma

O presidente Lula sugeriu, em discurso em São Bernardo do Campo, no início da noite desta sexta-feira, que poderá indicar investimentos para o governo federal em eventual governo Dilma Rousseff, candidata do PT à sua sucessão. Ele disse ao prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT), que voltará a morar na cidade após deixar a Presidência e que, se for amigo de alguém com "cargo mais importante", poderá pedir "coisas" para o município e para "outras cidades". "Obviamente que se eu sou amigo de uma pessoa que possa ter um cargo mais importante e que eu possa pedir alguma coisinha para São Bernardo, eu não terei nenhuma vergonha de pedir as coisas para São Bernardo ou para outras cidades", disse Lula. Ou seja, ele estava falando de trafico de influência, mas Lula parece poder tudo.

Com 50%, Dilma mantém vantagem e quadro é de estabilidade, diz Datafolha

A 23 dias da eleição, pesquisa Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de setembro aponta para um quadro de estabilidade na disputa presidencial. Com 50% das intenções de voto, a candidata petista Dilma Rousseff manteve o percentual registrado na pesquisa anterior, realizada há cinco dias. Seu principal adversário, o tucano José Serra, oscilou negativamente um ponto percentual e registrou agora 27% das menções do eleitorado. Marina Silva (PV) foi de 10% para 11%.
A pesquisa Datafolha mostra que a ex-ministra ampliou sua vantagem na Bahia e em Pernambuco, exatamente os Estados em que Serra mais caiu. A preferência por Dilma entre os pernambucanos é de 67% contra 18% que mencionam o nome do tucano (há cinco dias o levantamento registrou 62% a 21%), enquanto entre os baianos chega a 64% contra 18% que dizem votar em Serra (era de 60% a 22%). A evolução por estratos socioeconômicos e demográficos apresentou pouca variação, e foi a senadora Marina Silva quem mais cresceu nos últimos cinco dias.

Governador Cid Gomes usa avião de empreiteira que tem contrato com governo do Ceará

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), tem viajado pelo Estado em campanha pela reeleição a bordo de um jato de uma empreiteira cujo sócio tem contratos com o governo que ultrapassam os R$ 100 milhões e que não tem autorização para esse tipo de serviço. A assessoria do governador confirmou que o jato foi "alugado pelo comitê financeiro da campanha para ser utilizado com exclusividade durante a campanha eleitoral" e informou que a aeronave está sendo utilizada desde 16 de julho. O jato é da construtora CHC LTDA e, segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), não pode ser alugado porque "pertence a particular". Além disso, o jato só recebeu autorização para voar no Brasil no dia 20 de agosto. A campanha diz que Cid tem usado a aeronave desde 16 de julho. O piloto não tem habilitação para operar esse tipo de aeronave. O jato fez ao menos 49 viagens de forma irregular. A campanha de Cid informou ao TRE gasto de R$ 271.865,00 com despesa em locomoção. Segundo publicado pela TAM no Diário Oficial do Estado de São Paulo, em 15 de julho de 2008, o jato prefixo PP-MTG, que está alugado para o governo do Ceará, também pertence à construtora.