sábado, 3 de abril de 2010

Decisão sobre retaliação do Brasil a produtos dos Estados Unidos fica para próximos dias

Representantes norte-americanos e brasileiros adiaram a decisão sobre as retaliações no comércio entre os produtos dos dois países. Em reunião no Itamaraty na quinta-feira, as partes decidiram que "as conversas vão continuar nos próximos dias". Em agosto do ano passado, a Organização Mundial do Comércio autorizou o Brasil a aplicar sanções aos Estados Unidos por conta do contencioso do algodão. Em novembro, o governo colocou em consulta pública uma lista com 222 produtos que poderiam ser retaliados e, no início de fevereiro, a Camex aprovou uma lista preliminar de produtos que poderiam sofrer retaliação. As medidas passam a valer no próximo dia 0 com uma sobretaxa a produtos importados dos Estados Unidos. As retaliações incluem desde produtos farmacêuticos até direitos autorais de filmes.

Fusões envolvendo empresas brasileiras crescem 75% no primeiro trimestre

O volume financeiro de fusões e aquisições envolvendo empresas brasileiras deu um salto de 75% no primeiro trimestre de 2010 em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a março, foram 145 anúncios, com um montante somado de US$ 23,389 bilhões. Nos primeiros três meses de 2008, as 118 operações tornadas públicas somavam US$ 13,384 bilhões. Considerado apenas o volume financeiro, o setor de energia foi o líder em transações anunciadas, com 43% do total, seguido por matérias-primas (29%) e consumo (19%). Entre as operações no período estão a associação entre Shell e Cosan, a incorporação da Quattor pela Braskem, e a aquisição dos ativos de fertilizantes da Bunge no Brasil pela Vale. Entre os bancos coordenadores, o BTG Pactual ficou na liderança do ranking, seguido por JPMorgan, Deutsche Bank, Credit Suisse e Morgan Stanley.

Demanda interna aquecida e câmbio impulsionam importações em março

A demanda interna aquecida e o real forte fizeram as importações atingirem níveis recordes em março deste ano. A média diária ficou US$ 654,7 milhões e o saldo total mensal atingiu US$ 15,059 bilhões. O aumento na compra dos produtos importados fez a balança registrar o pior saldo para março desde 2003, com superévit de US$ 668 milhões. As exportações também foram recordes para o mês, com volume total de US$ 15,727 bilhões. Para o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Welber Barral, o resultado deve ser visto como positivo considerando o volume recorde do comércio. Ele não vê preocupação no aumento das importações. "O ritmo de importação está alto, mas não é diferente do que estava acontecendo no começo do ano", apontou. O aumento nas exportações mostra recuperação do mercado mundial. Houve melhora em todos os países compradores de produtos brasileiros em março, com exceção da África (queda de 7%). Os maiores compradores de produtos brasileiros em março foram os países da América Latina.

Petrobras comprará fatia restante em refinaria do Japão

A Petrobras está finalizando a compra de uma participação de 12,5% em uma refinaria em Okinawa, no Japão, tornando-se assim única proprietária do ativo, informou o jornal Nikkei na quinta-feira. O valor que a estatal brasileira pagará à Sumitomo, dona da fatia minoritária na refinaria, não foi revelado. Em 2008, a empresa brasileira comprou 87,5% da refinaria por US$ 56 milhões. A unidade pode ajudar na estratégia da Petrobras de vender petróleo brasileiro a partir de um centro de distribuição em Okinawa, reforçando a participação da estatal no mercado asiático. A refinaria Nansei Sekiyu tem capacidade para refinar 100 mil barris diários e iria passar por uma modernização, que foi suspensa no ano passado diante da crise financeira, que reduziu a diferença entre o preço dos petróleos pesado e leve no mercado. A Petrobras planejava levar petróleo pesado do campo de Roncador, na bacia de Campos, para ser refinado no Japão, mas com o estreitamento da diferença de preços não haveria vantagem no ganho de margem.

Siderúrgicas querem investigação no mercado de minério de ferro

O setor siderúrgico acredita que a imposição de contratos para a comercialização do minério de ferro terá um impacto negativo sobre a recuperação econômica global, e que as autoridades do mundo todo deveriam examinar esse mercado, disse uma entidade setorial na quinta-feira. "Há agora uma urgente necessidade de que as autoridades de proteção da competição no mundo inteiro examinem o mercado do minério de ferro, e o comportamento no mercado das três companhias que dominam o negócio", disse Ian Christmas, diretor-geral da Associação Mundial do Aço, referindo-se às mineradoras Vale e às anglo-australianas Rio Tinto e BHP Billiton. A Eurofer e a Acea (entidades européias que reúnem siderúrgicas e indústrias automobilísticas) haviam pressionado na quarta-feira as agências reguladoras da União Européia a evitarem a concorrência desleal e a cobrança de "preços abusivos" no minério de ferro. A Associação Mundial do Aço representa aproximadamente 180 siderúrgicas do mundo, responsáveis por 85% da produção mundial. As três grandes mineradoras praticamente ditam os preços do minério de ferro, um mercado de US$ 80 bilhões anuais. Agora elas querem abandonar o sistema de negociações anuais de preços, em vigor há décadas, pelo trimestral. As siderúrgicas argumentam que o contrato anual dá estabilidade ao mercado. As mineradoras se queixam dos prejuízos que sofrem quando o preço no mercado à vista dispara em relação ao valor pré-fixado, como ocorreu no ano passado. Segundo a Associação Mundial do Aço, o trio controla 68,5% do mercado total do minério de ferro embarcado por via marítima. A BHP e a Vale já fecharam acordos provisórios com siderúrgicas japonesas para vender o minério, matéria-prima essencial do aço, sob contratos trimestrais.

Ex-deputado amazonense Wallace Souza está sob custódia da Polícia Federal no hospital

Internado no Hospital Bandeirantes, em São Paulo, o ex-deputado estadual Wallace Souza (AM), apresentador de TV, está sob custódia da Polícia Federal. Souza é acusado de encomendar mortes para exibir em seu programa de televisão chamado "Canal Livre". Ele também é acusado de formação de quadrilha, posse ilegal de arma e associação para o tráfico. O caso ganhou repercussão internacional. O ex-parlamentar está no hospital desde o dia 18 de março e deu entrada com quadro infeccioso. Segundo a assessoria do hospital, ele tem síndrome de Budd Chiari (doença no fígado) e seu quadro é estável. Ele está sendo acompanhado por dois agentes da Polícia Federal. Souza foi preso em outubro do ano passado, e, desde o dia 16 de fevereiro cumpria a prisão em casa. No final de 2009 ele foi expulso do PP e a Assembléia Legislativa do Amazonas decidiu cassar seu mandato.