domingo, 14 de março de 2010

Morreu Jean Ferrat, o último dos grandes nomes da 'chanson' francesa

O cantor Jean Ferrat, um artista comunista, considerado o último dos grandes nomes da "chanson" francesa, ao lado de Jacques Brel, Leo Ferré e Georges Brassens, morreu no sábado, em Ardèche (sul da França), onde ele vivia. Prolífico e discreto, Jean Ferrat, de 79 anos, compôs e interpretou 200 canções, nas quais misturava textos engajados, homenagens ao poeta e romancista Louis Aragon e declarações de amor a Ardèche, sua terra adotiva, onde vivia há muitos anos. Nascido em 26 de dezembro de 1930, em Vaucresson (subúrbio de Paris), e registrado com o nome de Jean Tenenbaum, aos 11 anos ele perdeu o pai, imigrante russo, que foi deportado para Auschwitz. Ferrat se salvou graças a militantes comunistas, algo que ele nunca esqueceu. Depois da Segunda Guerra mundial, abandonou os estudos para ajudar a família e conseguiu trabalho como assistente em um laboratório de química até 1954, quando começou a cantar em cabarés parisienses. Rapidamente, Jean Ferrat decidiu interpretar letras engajadas, como "Nuit et Brouillard" (Noite e Neblina, 1963), que fala dos horrores da deportação durante a guerra (não executada pelas emissoras), e "Potemkin" (1965), em homenagem aos marinheiros do encouraçado do Mar Negro, cujo motim foi o prelúdio da Revolução russa de 1905, também proibida. Simpatizante do Partido Comunista sem nunca ter sido membro, Ferrat tomou certa distância do regime soviético. Assim, em sua canção "Camarada" denunciou a invasão russa em Praga, em 1968, e em "Bilan" (Balanço), criticou o "balanço globalmente positivo" feito pelo PC francês sobre os países do leste.