sábado, 14 de fevereiro de 2009

Prefeitura de Porto Alegre entrega dinheiro público para empresa privada SIL

O município de Porto Alegre envia mais de 290 mil toneladas de lixo ao ano para serem enterradas no aterro sanitário de Minas do Leão, que pertence à empresa SIL (subsidiária da Copelmi Mineradora). Esse aterro foi contratado pela prefeitura de Porto Alegre porque esta não quis construir seu próprio aterro, em território próprio ou de outro município da região metropolitana, para operação consorciada. A Copelmi Mineradora gera um gigantesto contencioso ambiental com as monumentais crateras que abre para arrancar o carvão da terra (ver exemplo na foto). Portanto, a solução que encontrou foi tornar essas crateras em aterro sanitário, para receber lixo. A Copelmi Mineradora deveria pagar às mais de 300 prefeituras do Rio Grande do Sul pelo lixo que recebe, assim resolvendo um gigantesco problema seu. Ao contrário, ela cobra, e cobra muito bem, para receber lixo das prefeituras. Só de Porto Alegre são mais de 15 caminhões enormes, que fazem três viagens diárias (cada caminhão). Ao todo, esses 15 caminhões percorrem o equivalente a mais de uma volta à Terra por semana só carregando o lixo de Porto Alegre. Porto Alegre paga mais de 40 reais por tonelada que é depositada no aterro da SIL. Isso significa dizer que, só para enterrar o seu lixo, Porto Alegre deve gastar, neste ano de 2009, não menos de 12 milhões de reais. E esse não é o único gasto, ainda precisa pagar o transporte, que é feito pelos 15 caminhões da transportadora Transkunh. Apenas durante o governo do atual prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), a capital gaúcha já enviou 1.326.396 toneladas de lixo para o aterro sanitário da SIL, assim discriminadas: em 2004 foram 278.552 toneladas de lixo domiciliar; em 2005 chegou a 276.200 toneladas; em 2006 foram enviadas 287.522 toneladas; em 2007 totalizou 293.001 toneladas. Não há melhor negócio no mundo para um empresário, depois de um banco, do que ser dono de um aterro sanitário, ainda mais quando ele ganha o lixo das cidades sem qualquer licitação. É o sonho de qualquer um, é uma caixa registradora tilintando todas as horas. Mas, isso não é tudo. Ocorre que lixo dá dinheiro depois de ser enterrado. Dá muito dinheiro. Ocorre que lixo geral gás. E este gás pode gerar energia. E também gera “créditos de carbono”. Não por acaso, a SIL Soluções Ambientais Ltda, subsidiária da Copelmi Mineradora, vai gerar créditos de carbono para seus donos que serão pagos pelo fundo Japan Carbon Finance (JCF), de Tóquio. O mercado de créditos de carbono é um dos mecanismos do Protocolo de Kyoto pelos quais os países industrializados podem comprar os créditos de carbono em troca do direito de emissão de poluentes pelos seus empreendimentos industriais. Apenas com esse negócio, a empresa SIL Soluções Ambientais Ltda vai receber uma apetitosa receita decorrente da captura do gás. O Japan Bank for International Cooperation, que administra o fundo japonês, deverá começar a colocar dinheiro na operação a partir desse ano de 2009. O próximo passo da empresa SIL Soluções Ambientais Ltda será produzir energia. E obter com isso mais receita. E o povo de Porto Alegre ficará como uma besta, com o dedo enfiado na boca, dando montanhas de dinheiro seu para o empresário dono do aterro. Por isso Videversus continua achando que é preciso acabar com a carreira dos auditores externos do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul, porque esses burocratas existem só para ganhar grossos salários. Eles são incapazes de verificar uma gigantesca válvula de escape de dinheiro público como esta dos créditos de carbono. O negócio é óbvio, está na frente do nariz deles, mas eles não auditam coisa nenhuma. Atenção Ministério Público Especial do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul: quando será investigado o destino dos créditos de carbono dos mais de 300 municípios gaúchos que mandam seu lixo para o aterro sanitário da SIL, em Minas da Leão? Aliás, quando o Ministério Público Especial do Tribunal de Contas do Estado vai acabar com esta mamata, com esta negociata, obrigando a que os municípios criem seus próprios aterros, individualmente ou de forma consorciada entre eles? Ou será que o Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul ainda não se tocou que a falta de aterro sanitário é o grande truque das administrações municipais para a fraude das suas licitações de lixo?