segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Banco Egg cancela cartões de crédito de 161 mil clientes

O banco britânico na internet Egg Banking, filial do gigante financeiro norte-americano Citigroup, anunciou neste domingo que cancelará os cartões de créditos de 161 mil clientes devido à piora de seu perfil creditício. O cancelamento se deve a que esses clientes tinham "um perfil de risco mais alto que o aceitável", o que quer dizer que haviam contraído muitas dívidas, ultrapassando o limite de gastos permitido pelo cartão. A medida afetará 7% dos dois milhões de pessoas que usam cartões de créditos do Egg. O deputado trabalhista Nigel Griffiths, ex-vice-presidente da Câmara dos Comuns, qualificou a medida como "inaceitável" e pedirá à FSA (Autoridade Britânica de Serviços Financeiros) que investigue a situação. A iniciativa do banco é um novo exemplo de como as entidades financeiras estão revisando seus critérios de crédito diante da crise internacional. O Egg, um dos maiores bancos da internet do mundo, foi comprado em maio do ano passado pelo Citigroup, que adquiriu a entidade da seguradora britânica Prudential, por US$ 1 bilhão.

Tribunal de Contas de São Paulo pagou funcionários particulares para seu presidente

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, Eduardo Bittencourt Carvalho, usou o órgão para pagar funcionários particulares, entre eles um nutricionista (que ainda recebe pelo tribunal, mesmo sem trabalhar) e um secretário particular. O nutricionista Petrúcio Gomes da Silva, cuidava do pai do conselheiro, mas foi nomeado como agente de segurança e fiscalização do tribunal. Ruy Imparato, de 68 anos, foi nomeado como auxiliar de gabinete em abril de 1991, mas não exercia as funções do cargo. "Ficava na casa do Eduardo, prestava serviço pessoal para ele e a família, pagava escola, dentista, médico, coisas assim”. Sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo empregam filhos, irmãos e noras em cargos de confiança, com uma média salarial de R$ 12 mil líquidos. Bittencourt nomeou seus cinco filhos para o seu gabinete. Bittencourt disse que os filhos foram contratados por livre provimento, o que é previsto em lei. Em dezembro, o conselheiro Antonio Umberto de Souza Jr., do Conselho Nacional de Justiça, disse ser irregular e preocupante a prática de nepotismo no TCE-SP: "O acesso ao cargo público deve ser por mérito. A Constituição prevê alguns cargos de livre nomeação, mas é muito pior usar esses cargos para colocar parentes. A impressão que essas autoridades passam é que elas têm o direito de preencher as vagas como bem entenderem, o que não é verdade”.

Ministério da Previdência quer estimular aposentadoria mais tarde

O Ministério da Previdência pretende criar um "abono de permanência" para estimular trabalhadores que já podem se aposentar a continuar no mercado. Com a medida, que deve ser encaminhada neste semestre ao Congresso, esses trabalhadores ficarão livres da contribuição previdenciária e poderão garantir um ganho adicional na aposentadoria. O "abono de permanência" faz parte dos ajustes pontuais pregados pelo ministro da Previdência, Luiz Marinho. Ele diz que o abono seria uma forma indireta e voluntária de alterar o atual cálculo dos benefícios. Os ajustes pontuais no sistema tratariam de mudanças infraconstitucionais, já que o governo não vê ambiente político para enviar uma reforma ao Congresso neste ano. Com o abono, Marinho afirma que seria possível compensar o efeito nulo que o fator previdenciário teve na postergação das aposentadorias. O fator está em vigor desde o final de 1999 e surgiu com o objetivo de adiar a aposentadoria do trabalhador. Segundo ele, o "abono de permanência" já existe no funcionalismo público desde 2003 e deu resultados expressivos. Mais de 40 mil servidores federais adiaram as suas aposentadorias, afirma Luiz Marinho.

Governo Lula contrata estudo para reduzir gastos

O governo Lula ainda não conseguiu tapar o rombo de R$ 40 bilhões com o fim da CPMF, mas já começou a implementar medidas para tentar melhorar a eficiência da máquina administrativa e tentar equilibrar as contas em 2009. Esse processo ganhou intensidade desde que o presidente Lula pediu, no início de janeiro, ao ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que acionasse medidas para a administração pública fazer mais com menos recursos. O empresário Jorge Gerdau Johannpeter sugeriu a Lula que contratasse seu consultor favorito. E assim ele conseguiu finalmente o que era seu grande objetivo. Johannpeter tem obsessão com a questão da gestão. Então o governo Lula contratou o Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), do consultor mineiro Vicente Falconi, para criação de parâmetros de gastos a serem aplicados a todos os ministérios. É um trabalho conjunto com a Secretaria de Orçamento Federal (SOF) e implica uma detalhada radiografia dos gastos de custeio do governo. O INDG terá 15 meses para achar meios de reduzir gastos com energia elétrica, telefonia, combustível, limpeza, conservação, segurança e outros itens do dia-a-dia. Ou seja, a merreca de gastos da administração pública. Mas, só com energia elétrica, a conta federal é de R$ 1 bilhão por ano. Em 2007, a fatura com limpeza, conservação e vigilância foi de R$ 1,8 bilhão, e com equipamentos de informática R$ 3,2 bilhões. Segundo o secretário de Gestão do Ministério do Planejamento, Francisco Gaetani, o contrato com o INDG ataca uma área estratégica da administração: “O INDG vai trabalhar no DNA das contas públicas, que é a Secretaria de Orçamento Federal. Eficiência é também uma forma de economizar recursos públicos”. Anote: essa economia vai gerar mais gastos.

Governo Lula decide enfrentar lobby dos cartórios

O governo Lula decidiu comprar briga com os cartórios e vai mandar para o Congresso proposta de emenda à Constituição que dá a outros agentes e instituições o poder de emitir certidões de nascimento. O ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, não descarta recorrer ao Exército, que tem unidades espalhadas em regiões isoladas do País, para assumir a tarefa nessas localidades. Um grupo criado no governo, com participação de outros setores, como o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), prepara o texto da proposta. O grupo discute ainda que essa missão possa ser atribuída também a servidores públicos que vivem e trabalham em regiões onde há ausência de cartório. Em 2006, 406 mil crianças ficaram sem registro Dados do IBGE revelam que, em 2006, 12,7% dos nascidos não foram registrados. Não há sequer um cartório de registro civil em 422 cidades do País.

Ativos financeiros crescem bem mais que "economia real", bolha especulativa tem que explodir

Os ativos financeiros, representados por ações, debêntures, títulos públicos e depósitos bancários, crescem cada vez mais, e se tornaram completamente descolados da economia real. Isso está demonstrado no levantamento anual do McKinsey Global Institute. Segundo o estudo, os ativos financeiros têm crescido mais nos últimos anos do que na média histórica. Em 2006, o volume de ativos financeiros aumentou 17% em todo o mundo, atingindo US$ 167 trilhões. A tendência no ano passado continuou em alta. No início da década, os mesmos ativos giravam em torno de US$ 90 trilhões e, em 1980, eram de US$ 12 trilhões. O PIB dos países também cresceu, porém em proporção bem menor. Em 2006, o crescimento dos bens e serviços produzidos em todo o mundo foi de quase 8% comparado a 2005 e alcançou US$ 48,3 trilhões. No início da década de 90, o PIB mundial girava em torno dos US$ 20 trilhões e, em 1980, era de US$ 10 trilhões. Para economistas, o descolamento entre os ativos financeiros e a economia real é uma das principais causas das recentes crises financeiras e das fortes oscilações nos mercados. "Essa liqüidez fantástica viabilizou o mercado produtivo e fez explodir os investimentos diretos estrangeiros, os avanços tecnológicos e o comércio internacional", afirma Antonio Corrêa de Lacerda, professor do departamento de economia da PUC-SP. "O lado ruim, no entanto, é a volatilidade", porque aumentou o peso relativo das transações financeiras na economia. De acordo com o instituto McKinsey, o peso entre os ativos financeiros e a economia real se equivaliam em 1980. Em 2000, ele já era o triplo do PIB e, em 2006, ficou em 3,5 vezes. "É um crescimento irracional, e a idéia de que haverá apenas uma correção não faz sentido", diz Reinaldo Gonçalves, professor de economia internacional da UFRJ. "Não haverá parada suave para um mercado que vinha a 250 km/h”. O relatório McKinsey alerta que o maior peso financeiro pode levar a "correções dolorosas", caso a alta seja causada por uma elevação irreal das ações ou pelo endividamento público excessivo.

Valor das empresas na Bovespa cresce 1.450% em 13 anos

Desde o começo do Real, moeda brasileira implantada em 1994, pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) apresentou um crescimento espantoso no valor de mercado das companhias listadas em seu pregão. De R$ 160,3 bilhões em 1994, o valor de mercado da Bovespa chegou a R$ 2,48 trilhões no fim de 2007. Ou seja, em pouco mais de uma década, o crescimento foi de quase 1.450%. A empresa brasileira líder, com maior valor de mercado, é a Petrobras, com R$ 393,3 bilhões. Em seguida aparecem a Vale (com R$ 241,4 bilhões em valor de mercado) e os bancos Bradesco (R$ 91,8 bilhões) e Itaú (R$ 90,9 bilhões). A Bovespa vive o melhor momento de sua história, apesar de as últimas semanas terem sido bastante turbulentas. Nunca antes as empresas de capital aberto que negociam ações na Bolsa tiveram um valor tão elevado.

Depois de passar pela França, Nelson Jobim discute compra de tecnologia russa para submarino

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, admitiu no sábado que a Rússia é candidata a fornecedora de tecnologia ao Brasil para o projeto de construção de um submarino nuclear. Até recentemente esse projeto estava sendo negociado exclusivamente com a França. Na sua visita à Rússia, Nelson Jobim foi até São Petersburgo, a 634 quilômetros de Moscou, para uma reunião com a estatal russa (Rubin) especializada em submarinos, tantos os convencionais, movidos a diesel, quantos os de propulsão nuclear. Nelson Jobim disse que a construção do submarino nuclear brasileiro dependerá da criação de uma empresa de capital binacional que poderá receber recursos públicos e privados. Nelson Jobim também confirmou que uma de suas metas na Rússia é avaliar a proposta da empresa estatal russa Rosobonorexport, que procurou empresários do Rio Grande do Sul para estudar a abertura de uma fábrica de veículos militares no Sul do Brasil. "Houve uma visita para falar de uma joint venture, abrir uma empresa internacional com parceiro brasileiro para construção de blindados sobre rodas, que seria algo parecido com um Urutu. Estamos negociando isso", afirmou Nelson Jobim. O ministro da Defesa procurou durante todo o tempo dessa sua viagem utilizar o termo “compra" para falar dos objetivos militares da sua viagem ao Exterior, preferindo chamar de "parceria para transferência de tecnologia".