sábado, 12 de janeiro de 2008

Ministro Tarso Genro admite em Portugal abrir processos contra acusados da Operação Condor

O ministro da Justiça, Tarso Fernando Herz Genro, admitiu em Lisboa que os brasileiros apontados como participantes da Operação Condor poderão ser acusados no Brasil. Juízes de dois países, Espanha e Itália, pediram a extradição de militares brasileiros por participarem da Operação Condor, mas a Constituição não permite que brasileiros sejam enviados para julgamento em outros países. Tarso Genro disse que espera pela chegada dos pedidos da Justiça desses países para ver o que vai fazer. Ele disse, peremptoriamente: "Quando tiver os elementos em mãos posso decidir se vou pedir a abertura de um inquérito, se será feita uma denúncia imediatamente ou se não há elementos para isso”. Segundo os pedidos de extradição, entre as pessoas entregues pelos militares brasileiros, encontravam-se cidadãos espanhóis e italianos, o que fez com que a Justiça nesses países fosse acionada. Questionado se o julgamento não iria ferir suscetibilidades nos meios militares brasileiros, Tarso Genro respondeu, peremptoriamente: "Tem a sensibilidade dos militares mas também tem a sensibilidade das famílias dos mortos e a sensibilidade dos que consideram que a tortura não prescreve”. No ano passado, Tarso Genro tinha conversado com o juiz espanhol Baltazar Garzón, que dirige o inquérito, a quem definiu como amigo: "Confirmo que estive com ele no ano passado e ele disse que estava realizando a investigação sobre a Operação Condor".

Estados Unidos mostram provas no caso do dinheiro venezuelano para campanha de Cristina Kirchner

O FBI tem provas em áudio e vídeo de uma reunião chave na qual um empresário venezuela explicava a Guido Alejandro Antonini, o “homem da valise” de 800 mil dólares, preso no aeroporto de Buenos Aires, que levava o dinheiro para a campanha da presidente atual da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner. A evidência maior dessa afirmação é um pacote de provas contende 41 gravações de áudio, oito de vídeo e declarações recolhidas após as prisões feitas, que a promotoria norte-americana colocou à disposição dos advogados dos quatro acusados de atuar ilegalmente como agentes do governo da Venezuela na conspiração para que Antonini desse uma versão falsa sobre a origem e o destino do dinheiro. Até agora não havia certeza se os detalhes desta conversação, conforme apresentados na acusação original, haviam sido obtidos pelo FBI de um relato de memória feito por Antonini, que colabora com a Justiça dos Estados Unidos. Agora ficou claro que se trata de uma prova com som e vídeo, de uma reunião realizada no restaurante Jackson's Steakhouse, de Fort Lauderdale, no dia 23 de agosto do ano passado, na qual participaram Antonini e os acusados pela promotoria norte-americana, Carlos Kauffmann, Franklin Durán e Moisés Maionica. ''Nessa reunião Duran revelou a Antonini a identidade da candidata na campanha presidente da Argentina para a qual eram destinados os 800 mil dólares”, afirma a acusação original do FBI. Os 800 mil dólares foram confiscados de Antonini pela autoridades aduaneiras da Argentina quando ele chegava ao país em um jatinho executivo, no dia 4 de agosto, no aeroporto de Buenos Aires. Em uma audiência oficial, o promotor norte-americano Tom Mulvihill mencionou a campanha da presidente Cristina Fernandez Kirchner como a destinatária do dinheiro. A gravação feita pelo FBI também comprova o grau de relação de confiança de Durán com altos funcionários do governo da Venezuela (um alto oficial da inteligência do governo e outro importante funcionário do Ministério da Justiça), que conversaram sobre o fiasco da valise. Nessas gravações também se ouve com nitidez o tom com que Kauffmann adverte Antonini de que seu atos poderiam “por em perigo” seus filhos. As gravações em áudio abrangem o período que vai de 23 de agosto a 11 de dezembro. Segundo a denúncia à Justiça norte-americana, essas gravações se referem: 1) uma reunião realizada no Restaurante Quarterdeck, no dia 7 de setembro, na qual Durán disse a Antoninni que as autoridades venezuelanas suspeitavam que ele estava colaborando com os Estados Unidos; 2) conversa telefônica na qual Maionica menciona suas conexões com o vice-presidente da Venezuela e o diretor da DISIP; 3) conversas telefônicas entre Maionica e Antonini para coordenar um encontro com um emissário da DISIP. O pacote de provas entregue pela Promotoria inclui ainda as declarações dadas pelos acusados após suas prisões, assim como o resultado da inspeção realização no carro de Rodolfo Wanseele Paciello, um uruguaio residente em Miami acusado de ter servido de segurança de um dos encontro.

Juiz manda prenderem jornalistas por fazerem imagens de audiência

Um juiz de Cuiabá mandou prender na tarde de sexta-feira um fotógrafo e dois cinegrafistas que faziam imagens da audiência de um processo que tramita em segredo de Justiça sobre atos de corrupção cometidos dentro do próprio fórum. Os profissionais haviam se aproveitado de uma porta entreaberta para filmar e fotografar as testemunhas do caso. Ao ser informado da situação, o juiz da 4ª Vara Criminal de Cuiabá, Rondon Dower Filho, interrompeu a audiência e deixou a sala aos gritos. Receberam voz de prisão os cinegrafistas Marcos Alves, da TV Centro América (da Rede Globo, em Mato Grosso), e Belmiro Dias, da TV Record, e o fotógrafo Otmar Oliveira, do jornal A Gazeta. Eles só foram liberados depois de duas horas e meia, após intervenção de advogados das empresas e do Sindicato dos Jornalistas.

Família de ex-presidente João Goulart denuncia a sua morte por envenenamento

A família do ex-presidente João Goulart entrou com uma ação na Procuradoria Geral da República pedindo investigação de um complô que teria levado ao assassinato por envenenamento do ex-líder petebista, deposto em 1964 e morto no exílio, na Argentina, em 1976. No pedido, consta uma entrevista feita pelo filho de Jango, João Vicente Goulart, com o uruguaio Mario Neira Barreiro, de 53 anos. Preso no presídio de segurança máxima de Charqueada (PASC), por roubo, formação de quadrilha e posse ilegal de armas, barreiro contou a João Vicente, durante quase três horas, em entrevista gravada, seu trabalho como agente de inteligência do governo uruguaio, nos anos 70. Na entrevista, Barreiro detalhou a “Operação Escorpião”, que teria levado ao assassinato de João Goulart. Disse ele na entrevista gravada: “Não me lembro se colocamos no Isordil, no Adelpan ou no Nifodin. Conseguimos colocar um comprimido nos remédios importados da França. Ele não poderia ser examinado por 48 horas, aquela substância poderia ser detectada”. Barreiro disse ter militado na "Juventude uruguaia de pé", movimento estudantil de direita, aderindo depois ao Grupo Gama, o serviço de inteligência uruguaio.